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Colombiano manipulou dados do computador de Raúl Reyes

Investigador colombiano confessa ter manipulado dados do computador de Raúl Reyes

Um investigador da polícia colombiana, Ronald Coy afirmou na primeira semana de agosto que manipulou a informação dos computadores do falecido guerrilheiro Raúl Reyes antes de entregá-los ao Ministério Público colombiano.
Os computadores supostamente foram recuperados pelo governo de Álvaro Uribe após o bombardeio ilegal que executou contra território equatoriano, sob o argumento de desmontar o acampamento onde se encontrava o insurgente.
Coy admitiu que “abriu a informação e a manipulou antes de submetê-la ao controle da legalidade e sem que existisse ainda autorização legal para isto”.
O investigador de polícia também é testemunha em processo contra Liliana Obando, ex-funcionária da Federação Nacional Sindical Unitária Agropecuária (Fensuagro), investigada por supostos vínculos com as FARC.
Ao saber da declaração de Coy, a Procuradoria passou a investigar a manipulação indevida da informação.
Por outro lado, o advogado de Obando, Eduardo Matias, em declaração à imprensa, advertiu que com a confissão de Coy, inexistem provas suficientes para julgar sua cliente.
“Fica evidente uma conduta excessiva por parte do funcionário da justiça e um abuso de autoridade que viola o devido processo legal e, portanto, a prova não pode ser considerada como prova dentro de um processo penal” assinalou o jurista.
A Direção de Investigação Criminal e Interpol (Dijin) da Colômbia e a Promotoria capturaram Liliana Obando em agosto de 2008 por supostos vínculos com as FARC.
A captura de Obando foi baseada no computador de Reyes, onde supostamente teria sido encontrado farto material sobre suas atividades ilegais relacionadas com a guerrilha.

Outras acusações baseadas nos celulares de Reyes
Em março deste ano, o juiz espanhol Eloy Velasco, tentou vincular o governo de Hugo Chávez a uma suposta cooperação com a guerrilha colombiana e com o grupo ETA. Após a denúncia, o chanceler venezuelano Nicolas Maduro recriminou as declarações do magistrado que estavam baseadas nos computadores de Reyes.
Velasco “ressuscita dos equipamentos já destruídos um falso computador ‘sobrevivente’ de Raúl Reyes, que não serviria para sustentar nenhum processo sério em nenhum lugar do mundo” reafirmou Maduro naquela oportunidade.
O computador a que ele se refere, supostamente teria sido recuperado logo após um bombardeio ilegal executado pelo exército colombiano em território equatoriano sob o argumento de destruir um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 1 de março de 2008.
No ataque morreram 25 pessoas, entre elas o número dois das FARC, Raúl Reyes , além de outros feridos. Embora todo o local bombardeado tenha sido destruído, o governo de Álvaro Uribe afirma que recuperou um computador intacto que supostamente pertenceria ao guerrilheiro.
“Esse computador acabou se tornando uma piada na Colômbia e há muito tempo não se falava dele” declarou Maduro.
Da mesma forma o presidente do Equador, Rafael Correa foi acusado de vínculos com as FARC, através dos dados dos computadores de Reyes.
A senadora liberal opositora colombiana Piedad Córdoba também foi acusada de vínculos com a guerrilha com a mesma prova de supostos documentos que apareceriam nos computadores de Reyes, de duvidosa existência.
Córdoba se manifestou a respeito desses computadores que a “suposta prova” do computador pessoal de Raúl Reyes caiu por terra e, a partir disso, começarão a aparecer provas adicionais que tinham sido desconsideradas.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/76170-NN/investigador-c... )

Tradução: Carmen Diniz

Colômbia: Soldado denuncia exército por narcotráfico

Soldado denuncia o exército por narcotráfico, paramilitarismo e assassinatos ‘falsos positivos’

O Soldado profissional John Quirama denunciou seus superiores por vínculo com o paramilitar conhecido como 'Cuchillo': ação combinada entre militares e paramilitares.
O Soldado denunciou também como o exército narcotrafica em aliança com paramilitares. O narcotráfico nos departamentos de Guaviare e Vichada fica a cargo de militares e paramilitares. O próprio Coronel Gómez Ibeto Oscar Orlando tocava o narcotráfico e tinha locais para a produção da cocaína.

Além da denúncia de ação combinada entre militares e a Ferramenta paramilitar do Estado e multinacionais, e da denúncia acerca do narcotráfico, o soldado denuncia que pelo menos 22 ‘Falsos Positivos’, ou seja, 22 assassinatos precedidos de sequestro foram realizados pelo exército.

Os ‘Falsos Positivos’ são assassinatos executados pelo exército: os militares raptam jovens e crianças, os disfarçam de guerrilheiros e os assassinam, depois apresentam os cadáveres como "guerrilheiros mortos em combate". Já têm mais de cinco mil casos denunciados de ‘Falsos Positivos’: crime de Estado de dimensões dantescas. A diretiva 029 do ministério de defesa incentiva estes assassinatos ao instaurar regalias econômicas e permissões por cadáver apresentado.

Entre os 'falsos positivos' denunciados pelo Soldado John Quirama, existem vários casos de civis executados e passados por "guerrilheiros mortos em combate", e igualmente o caso de dois guerrilheiros que se desmobilizaram acreditando que suas vidas seriam respeitadas, confiando nos oferecimentos do governo... e que foram assassinados quando já haviam se entregado. Foram executados por ordem do Coronel Gómez Ibeto Oscar Orlando.

O soldado-testemunha assegura que já havia denunciado estes atos para as autoridades judiciais, mas, que o resultado foi uma investigação contra ele... impunidade e cumplicidade nas altas esferas...

O soldado está ameaçado de morte e militares buscam silenciá-lo. Veja e escute as estremecedoras denúncias no Vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=wBVPyGZMxKI&feature=player_embedded

A notícia é de Kaos en la Rede.

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=14&cod=51768 )

Procuradoria destitui Piedad Córdoba de suas funções por 18 anos

Procuradoria destituiu senadora Piedad Córdoba de suas funções por 18 anos

Natasha Pitts *

Uma decisão do Procurador Geral da Nação, Alejandro Ordóñez, tornada pública ontem (27), destituiu a senadora colombiana Piedad Córdoba de suas funções públicas por 18 anos. A senadora, conhecida por seu trabalho humanitário e pela atuação no resgate de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) está sendo acusada de participar e favorecer esta organização paramilitar.
Piedad Córdoba só soube da decisão após sua chegada em Bogotá. De acordo com comunicado de sua autoria, a senadora teve conhecimento dos fatos por meio da imprensa. Em resposta à decisão, Córdoba rebateu afirmando que "a investigação disciplinar conduzida pelo Sr. Procurador, não tem suporte probatório, mérito jurídico algum e menos ainda valor moral e ético". A senadora coloca ainda em evidência o fato de o Procurador estar sendo investigado pela Corte Suprema de Justiça.

Em abril, a Procuradoria já havia apresentado uma lista de acusações contra a senadora por ela "haver colaborado e promovido supostamente ao grupo ilegal insurgente das Farc" e por "haver realizado supostamente atos tendentes ao fracionamento da unidade nacional". Ontem, não foram apenas acusações, a Procuradoria "sancionou disciplinarmente a atual senadora Piedad Córdoba Ruíz com destituição e inabilidade pelo término de 18 anos por haver promovido e colaborado com o grupo à margem da lei, Farc".
A decisão da Procuradoria teve como base informações encontradas no computador pessoal de Raúl Reyes, líder guerrilheiro morto em 2008, considerado ‘o número dois das Farc’ e que por muito tempo foi porta-voz da organização paramilitar. No computador, supostamente foram encontradas conversas entre Reyes e Piedad, cujo codinome de guerrilha era Teodora. A partir da liberação destas informações pelo Ministério Público, a bancada uribista do Senado pediu o cargo que Córdoba ocupa no Congresso: presidente da Comissão de Paz do Senado.

Em comunicado, a senadora se defendeu. "Esta atuação na contramão da razão é mais uma mostra da perseguição política que se adiantou contra mim nos últimos 12 anos, que implicou grandes lesões a minha integridade pessoal e familiar, como meu sequestro, posterior exílio com meus filhos e filha, os atentados contra minha vida, as operações ilegais de intercepção e seguimento, de público conhecimento, as quais deveriam ser a preocupação da Procuradoria Geral da Nação", assinalou.

O Comitê de América Latina e Caribe pela defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), junto à Corporação Casa da Mulher, se pronunciaram publicamente rechaçando a decisão do Procurador. As ativistas relembraram que há anos Piedad Córdoba atua pela negociação política do conflito armado na Colômbia e que, com sua ajuda, 14 pessoas foram liberadas do domínio das Farc.

"Seu compromisso com a paz para a Colômbia teve como consequência ameaças, juízos e acusações - este é mais um -, por parte de representantes das instituições e outros setores da sociedade que fizeram eco àqueles que se opõem à paz. Manifestamos nossa indignação e nos solidarizamos com Piedad e seus compromissos pela paz e a defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres", expressaram as ativistas.

A mesma postura de apoio foi mostrada por ex-reféns das Farc e seus familiares, assim como por organizações sociais, humanitárias, defensores/as dos direitos humanos e promotores do intercâmbio humanitário, ativistas que acreditam no trabalho da senadora e que a veem como uma promotora da paz na Colômbia.

* Jornalista da Adital

Fonte: Adital - ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=51288 )

O Sistema Político e Eleitoral em Cuba

O questionar constante do sistema político e eleitoral cubano constitui um dos pilares fundamentais da campanha inimiga contra nosso país, liderada pelos Estados Unidos. A atividade contra Cuba em matéria de democracia e direitos humanos, não só constitui a principal ferramenta dos Estados Unidos para tratar de “legitimar” sua política de hostilidade e agressão contra Cuba; senão que responde também ao interesse dos principais países capitalistas industrializados de impor aos países em desenvolvimento um modelo de organização política que facilite a dominação.

Em sua campanha contra Cuba, Washington pretende demonstrar a incompatibilidade do sistema político que estabelece a Constituição do país com as normas internacionalmente aceitas em matéria de democracia e direitos humanos e fabricar a imagem de uma sociedade intolerante que não permite a mínima diversidade e pluralidade política. Para isso, conta com poderosos instrumentos de propaganda e abundantes recursos que utiliza para o recrutamento, organização e financiamento de pequenos grupos contra-revolucionários que apresenta como “oposição política”, tanto dentro como fora do país.

A manipulação do conceito da democracia pelas principais potências ocidentais atingiu recentemente magnitudes muito perigosas. Aqueles que se afastam do modelo democrático que preconizam, dos padrões e valores que promovem, não só são submetidos a fortes críticas através da propaganda e das instituições internacionais que controlam a chamada “defesa da democracia”, como também se convertem em potenciais “vítimas” da doutrina de intervenção que desenvolvem as potências imperialistas.

Cuba defende e apoia o direito dos povos à livre determinação, reconhecida internacionalmente como um direito inalienável no consenso atingido na Conferência Mundial de Direitos Humanos, celebrada em Viena, em 1993. Na própria Declaração e Programa de Ação de Viena se estabeleceu, assim mesmo, que “a democracia se baseia na vontade do povo, livremente expressa, para determinar seu próprio regime político, econômico, social e cultural e em sua plena participação em todos os aspectos da vida”, e se reconheceu a importância “das particularidades nacionais e regionais, bem como dos diversos patrimônios históricos, culturais e religiosos”.

É sobre a base destes postulados, ignorados abertamente pelos que tentam impor seus modelos como “únicos”, que se erige o sistema político cubano, um modelo escolhido e defendido pelos próprios cubanos, genuinamente autóctone e autêntico, fundamentado na igualdade e solidariedade entre os homens e mulheres, na independência, na soberania e na justiça social.

Nosso país já conheceu o modelo que hoje tentam impor-lhe, já viveu a triste experiência do sistema de “vários partidos” e “representativo” que lhe receitou os Estados Unidos, e que trouxe, como conseqüência, a dependência externa, a corrupção, o analfabetismo e a pobreza de amplos setores da população, o racismo, em resumo, a completa negação dos mais elementares direitos individuais e coletivos, incluindo o direito a umas eleições verdadeiramente livres e democráticas.

Este sistema e a permanente política de ingerência norte-americana, não só criaram dirigentes ladrões e corruptos, como impuseram ditaduras tirânicas e assassinas, promovidas e apoiadas diretamente pelo governo dos Estados Unidos.

Por tudo isso, a Revolução cubana não podia assumir este sistema se, verdadeiramente, queria resolver os males herdados. Desta forma, o país se propôs a desenhar seu próprio modelo, para o qual, remexeu em suas próprias raízes e foi ao pensamento social, humanista e patriótico dos mais preclaros proveres da nação cubana.

O primeiro que teria que sublinhar então para explicar o sistema político cubano, é que nosso modelo não é importado, nunca foi uma cópia do modelo soviético, nem do existente nos países socialistas naquele momento, como quiseram fazer ver os inimigos da Revolução. O sistema político de Cuba nasce e se corresponde com o devir da evolução histórica do processo político-social da nação cubana, com seus acertos e desacertos, com seus avanços e retrocessos. O fato de que a formação e desenvolvimento da nação cubana, durante seus mais de 130 anos de existência, tenham enfrentado praticamente os mesmos fatores externos e internos, favoreceu uma história coerente, permitindo desenvolver a ideia de construir uma nação forjada pelos próprios cubanos.

A existência de um só partido no sistema cubano está determinada, entre outros, por fatores históricos e contemporâneos. Nosso Partido é a continuidade histórica do Partido Revolucionário Cubano fundado por José Martí para unir todo o povo, com o objetivo de atingir a absoluta independência de Cuba. Aqueles fatores que deram origem a dito Partido, libertar Cuba e impedir sua anexação aos Estados Unidos, são os mesmos que estão presentes hoje quando nosso povo enfrenta um férreo bloqueio econômico, comercial, financeiro e outras ações hostis que têm como objetivo depor o governo e destruir o sistema instaurado no país por decisão soberana de todos os cubanos.

Nosso Partido desenvolve seu labor mediante a persuasão, o convencimento e em estreita e permanente vinculação com as massas, e as decisões que adota são de obrigatório cumprimento, unicamente, para seus militantes. Não é um partido eleitoral e lhe está proibido, não só de nomear candidatos, como de participar em qualquer outro momento do processo eleitoral. Esta concepção e esta prática garantem que, num sistema onde existe um só partido, desenvolva e prevaleça a mais ampla pluralidade de opiniões.

Características do sistema político e eleitoral cubano:

1. Inscrição universal, automática e gratuita de todos os cidadãos com direito a voto, a partir dos 16 anos de idade.

2. Postulação dos candidatos diretamente pelos próprios eleitores em assembleias públicas (em muitos países são os partidos políticos os que nomeiam os candidatos).

3. Inexistência de campanhas eleitorais discriminatórias, milionárias, ofensivas, difamatórias e manipuladas.

4. Total limpeza e transparência nas eleições. As urnas são custodiadas por meninos e jovens pioneiros, são seladas na presença da população e a contagem dos votos se faz de maneira pública, podendo participar a imprensa nacional e estrangeira, diplomatas, turistas e todos o que desejarem.

5. Obrigação de que todos os eleitos o sejam por maioria. O candidato só é eleito se obtiver mais de 50% dos votos válidos emitidos. Se este resultado não for atingido no primeiro turno, irão ao segundo os dois que mais votos obtiveram.

6. O voto é livre, igual e secreto. Todos os cidadãos cubanos têm o direito de eleger e ser eleitos. Como não há lista de partidos, vota-se diretamente no candidato que se deseje.

7. Todos os órgãos representativos do Poder do Estado são eleitos e renováveis.

8. Todos os eleitos têm que prestar conta de sua atuação.

9. Todos os eleitos podem ser revogados em qualquer momento de seu mandato.

10. Os deputados e delegados não são profissionais, portanto não recebem salário.

11. Alta participação do povo nas eleições. Em todos os processos eleitorais que se celebraram desde o ano 1976, participaram mais de 95% dos eleitores. Nas últimas eleições para Deputados, em 1998, votaram 98,35% dos eleitores, sendo válidos 94,98% dos votos emitidos. Foram anulados 1,66% dos votos e, em branco, só 3,36%.

12. Os Deputados à Assembleia Nacional (Parlamento) elegem-se para um mandato de 5 anos.

13. A integração do Parlamento é representativa dos mais variados setores da sociedade cubana.

14. Elege-se um deputado por cada 20 000 habitantes, ou fração maior de 10 000. Todos os territórios municipais estão representados na Assembleia Nacional e o núcleo base do sistema, a circunscrição eleitoral, participa ativamente em sua composição. Cada município elegerá, no mínimo, dois deputados e a partir dessa cifra se elegerão, proporcionalmente, tantos deputados em função do número de habitantes. 50 % dos deputados têm que ser delegados das circunscrições eleitorais, os quais têm que viver no território da mesma.

15. A Assembleia Nacional elege, dentre seus Deputados, o Conselho de Estado e o Presidente do mesmo. O Presidente do Conselho de Estado é Chefe de Estado e Chefe de Governo. Isso quer dizer que o Chefe do Governo cubano tem que se submeter a dois processos eleitorais: primeiro, tem que ser eleito como Deputado pela população, pelo voto livre, direto e secreto e depois pelos Deputados, também pelo voto livre, direto e secreto.

16. Ao ser a Assembleia Nacional o Órgão Supremo do Poder do Estado e estando subordinada a ela as funções legislativas, executivas e judiciais, o Chefe de Estado e de Governo não pode dissolvê-la.

17. A iniciativa legislativa é patrimônio de múltiplos atores da sociedade, não só dos deputados, do Tribunal Supremo e da Promotoria, como também das organizações sindicais, estudantis, de mulheres, sociais e dos próprios cidadãos, requerendo-se, neste caso, que exercitem a iniciativa legislativa o mínimo de 10 000 cidadãos que tenham a condição de eleitores.

18. As leis se submetem ao voto majoritário dos Deputados. O específico do método cubano é que uma lei não se leva à discussão do Plenário até que se esgotem consultas reiteradas aos deputados, levando em conta as propostas que fizeram, devendo ficar claramente demonstrado que existe o consentimento majoritário para sua discussão e aprovação. A aplicação deste conceito adquire relevância maior quando se trata da participação da população, conjuntamente com os deputados, na análise e discussão de assuntos estratégicos. Nessas ocasiões, o Parlamento se desloca aos centros trabalhistas, estudantis e camponeses, fazendo-se realidade a democracia direta e participativa.

O expresso, até aqui, põe em evidência a essência da democracia cubana, do sistema que instituiu, referendado e apoiado pela imensa maioria dos cubanos.

No entanto, não pretendemos ter atingido um nível de desenvolvimento democrático perfeito. A principal qualidade do sistema político cubano é sua capacidade para o constante aperfeiçoamento em função das necessidades propostas para a realização de uma participação plena, verdadeira e sistemática do povo na direção e no controle da sociedade, essência de toda democracia.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores da República de Cuba

Cuba mantém uma atitude exemplar na luta contra o terrorismo

Cuba sempre mantém uma atitude exemplar na luta contra o terrorismo

● Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, no ato realizado por ocasião do "Dia das vítmas do terrorismo de Estado", na Sala Universal das FARs, em 6 de outubro de 2010
Familiares das vítimas do terrorismo de Estado contra Cuba,
Companheiras e companheiros:
Como indica o Decreto Lei do Conselho de Estado, publicado hoje, a partir deste ano, em 6 de outubro, será comemorado o "Dia das vítimas do terrorismo de Estado".
Há exatamente 34 anos, 73 pessoas inocentes: onze guianenses, cinco cidadãos da República Democrática Popular da Coreia e 57 cubanos foram assassinados em pleno voo pela explosão de uma bomba no avião da Cubana de Aviação, que acabava de decolar de Barbados. Entre elas, 24 jovens da equipe juvenil de esgrima que tinham conquistado todas as medalhas de ouro do 4º Campeonato Centro-Americano e do Caribe, realizado na Venezuela.
Para o povo de Cuba, que tem sido alvo do terrorismo de Estado desde o próprio triunfo da Revolução, as dolorosas perdas sofridas naquele dia somaram-se às quantiosas vítimas pelas que ainda hoje reclamamos justiça.
A origem do fenômeno remonta ao ano 1959, quando da adoção das primeiras medidas de benefício popular pela nascente Revolução.
Em março de 1960, o presidente Eisenhower aprovou um programa de ações encobertas contra a Ilha, que foi revelado há alguns anos. A Agência Central de Inteligência norte-americana assumia o papel diretor no planejamento, abastecimento logístico, recrutamento e treino de mercenários para a execução de ações terroristas sob o abrigo do governo desse país.
Incêndios, bombardeios, sabotagens de qualquer tipo, sequestro de aviões, de navios e de cidadãos cubanos, atentados contra nossas legações e assassinatos de diplomatas, metralhamento contra dezenas de instalações, múltiplas tentativas para dar cabo dos principais líderes da Revolução, fundamentalmente, centenas de planos e de ações para atentar contra a vida do comandante-em-chefe.
Neste ano, comemoramos cinco décadas da brutal sabotagem contra o vapor francês La Coubre no porto de Havana, concebido intencionalmente para provocar uma dupla detonação das cargas explosivas e multiplicar o número de vítimas. Este crime deixou um saldo de 101 óbitos e centenas de feridos, incluindo membros da tripulação francesa.
Face a cada nova agressão, a Revolução ia se fortalecendo e se radicalizando em todas as áreas. A consolidação do processo revolucionário levou os terroristas da CIA e seus amos, cujos atos tinham por objetivo criar pânico e desmoralização na população, a projetarem um plano de invasão contra Cuba e a criarem na Flórida o maior centro de inteligência fora de sua sede principal, em Langley.
A invasão da Baía dos Porcos deixou 176 compatriotas mortos e 50 aleijados, cujo sacrifício tornou possível que os nossos corajosos combatentes liquidassem os invasores antes das 72 horas, impedindo assim a instalação em nosso território do governo fantoche ao abrigo da CIA nma base militar da Flórida, pronto para solicitar a intervenção dos Estados Unidos, com a cumplicidade da OEA.
O recém-eleito presidente Kennedy, que herdou o plano de invasão do governo anterior e aprovou sua execução, não se resignava a levar o fardo de seu estrondoso fracasso e ordenou a execução da operação Mangosta, que incluía 33 tarefas, desde planos para assassinar os líderes da Revolução até ações terroristas contra objetivos socioeconômicos e a introdução de armas e agentes com vista a fazerem atos subversivos e de espionagem.
Desde sua aprovação até janeiro de 1963, foram realizadas 5.780 ações terroristas contra Cuba, das quais, 716 foram sabotagens de larga envergadura contra instalações industriais.
Nesse contexto, organizações terroristas radicadas nos Estados Unidos, financiadas e protegidas pela CIA foram precursoras dos sequestros aéreos e do uso de aviões civis para ações bélicas contra Cuba.
Tais práticas não demoraram muito em se virarem contra eles próprios, provocando uma pandemia mundial de sequestros de aviões que estimulou o uso desses métodos pelo terrorismo internacional e que apenas foi resolvido pela decisão unilateral do governo cubano de começar a devolver os sequestradores.
Após o assassinato de Kennedy, o seu sucessor Lyndon Johnson continuou os planos terroristas contra a ilha. Entre 1959 e 1965, a CIA organizou, financiou e forneceu do território norte-americano 229 bandos armados, com 3.995 mercenários em todo o país, que causaram a morte de 549 combatentes, camponeses e alfabetizadores, além de milhares de feridos e centenas de aleijados.
Desde então, se incrementaram as ações terroristas contra missões diplomáticas, escritórios e funcionários cubanos no exterior, ocasionando a morte de valiosos companheiros e consideráveis prejuízos materiais.
Em 11 de setembro, mas de 1980, foi assassinado Félix García Rodríguez, funcionário da missão de Cuba na ONU, pelo terrorista de origem cubana Eduardo Arocena, membro da organização terrorista "Omega 7".
Em 5 de maio do mesmo ano, foram vítimas do fogo terrorista 570 crianças e 156 trabalhadores da creche Le Van Tan, que salvaram suas vidas graças à rápida e heroica atuação das forças especializadas e à solidariedade da população.
Ao mesmo tempo, outro tipo do terrorismo de Estado contra Cuba foi a guerra biológica travada pelas sucessivas administrações norte-americanas, introduzindo no território nacional doenças que afetaram de maneira significativa a saúde de nosso povo. Em 1981, agentes a serviço do governo dos Estados Unidos espalharam a epidemia de dengue hemorrágico que provocou a morte de 158 pessoas, das quais, 101 crianças.
Da mesma maneira, foram introduzidas diversas pragas que prejudicaram o setor agropecuário, com perdas incalculáveis de alimentos para a população e importantes produtos exportáveis da nação.
Participaram, direta ou indiretamente, da maioria destes casos, os serviços de inteligência norte-americanos, especialmente a CIA, quase sempre sob o abrigo de organizações contra-revolucionárias cubanas. Seria impossível recolher numa só intervenção a interminável cadeia de planos, ações e ataques terroristas organizados contra nosso país. Contudo, a lista dos responsáveis por esses crimes, é muito curta, porque continuam a ser os mesmos.
Hoje estamos aqui, precisamente, para prestar tributo aos 3.478 cubanos que morreram e aos 2.099 que ficaram aleijados para semrpe por atos terroristas perpetrados durante meio século contra nossa Pátria, totalizando 5.577 vítimas. Os mártires de Barabados fazem parte da lista dos tombados que não esquecemos nem jamais esqueceremos.
Os autores do crime de Barbados e de outros muitos contra Cuba, Orlando Bosch e Luis Posada Carriles, moraram e ainda moram impunemente em Miami. O primeiro, graças ao perdão executivo do presidente nessa época George Bush (pai), que era diretor da CIA quando seus agentes sabotaram o avião cubano; e o segundo, amparado por Bush (filho), está à espera em liberdade de um julgamento por acusações menores e não por terrorismo internacional.
Até há muito pouco, estes grupos proclamavam publicamente seus crimes e anunciavam com todo cinismo novos atos de terror.
Se a impunidade não tivesse prevalecido, nos anos 90 teriam sido evitados 68 atos terroristas contra Cuba e não teríamos lamentado em Havana a morte do jovem italiano Fabio di Celmo, durante a onda de atentados terroristas contra instalações turísticas em 1997.
As reveladoras declarações do terrorista confesso Chávez Abarca, difundidas pela Televisão Cubana nos dias 27 e 28 de setembro passados, que foi preso pelas autoridades venezuelanas quando estava tinha em vista atentar contra a estabilidade desse país irmão e de outras nações latino-americanas, confirmam detalhes sobre as novas rotas do terror internacional e oferecem evidências irrefutáveis sobre a culpabilidade de Posada Carriles e seus patrocinadores nos Estados Unidos.
Apesar de todos esses crimes, Cuba sempre mantém uma atitude exemplar na luta contra o terrorismo e ratifica a condenação contra todo ato dessa natureza, em todas suas formas e manifestações.
Nosso país assinou 13 convênios internacionais existentes nessa matéria e cumpre estritamente os compromissos e obrigações resultantes das resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não possui, nem pretende possuir, armas de extermínio em massa de nenhum tipo e cumpre suas obrigações em virtude dos instrumentos internacionais vigentes sobre armas nucleares, químicas e biológicas.
O território de Cuba nunca foi usado nem jamais será usado para organizar, financiar ou realizar atos terroristas contra nenhum país, incluindo os Estados Unidos.
Em várias ocasiões, as autoridades cubanas informaram o governo dos Estados Unidos, de sua disposição para trocar informação sobre planos de atentados e ações terroristas contra objetivos em qualquer um dos dois países.
Entregamos oportunamente ao governo dos Estados Unidos informação sobre atos terroristas realizados contra Cuba. O caso mais conhecido aconteceu em 1997 e 1998, quando entregamos ao FBI muitas provas sobre as explosões com bombas em vários centros turísticos cubanos, dando inclusive acesso aos autores desses fatos, presos aqui, e a testemunhas.
Como única resposta, o FBI em miami, com estreitos vínculos com a extrema-direita cubano-americana, patrocinadora do terrorismo contra a ilha, juntou todas suas forças para perseguir e julgar nossos compatriotas Antonio, Fernando, Gerardo, Ramón e René, os quais o governo dos Estados Unidos jamais deveu encerrar em prisão.
Hoje, graças à solidariedade internacional, todo o mundo sabe do tratamento injusto e desumano aplicado aos Ccinco heróis que lutavam para proteger os povos de Cuba, e inclusive dos Estados Unidos, do terrorismo.
Até quando o presidente Obama continuará sem escutar o reclamo internacional e permitirá que prevaleça a injustiça, que está nas suas mãos eliminar? Até quando nossos Cinco heróis permanecerão presos?
O atual governo dos Estados Unidos, ao ratificar recentemente a arbitrária inclusão de nosso país na lista anual do Departamento de Estado sobre os "Estados patrocinadores do terrorismo", além da infame medida, ignorou mais uma vez a conduta exemplar de Cuba nessa matéria.
Os Estados Unidos também ignoram a cooperação recebida de Cuba. Em três ocasiões (novembro e dezembro de 2001 e março de 2002), nossos representantes propuseram às autoridades norte-americanas um projeto de programa de cooperação bilateral para combater o terrorismo e, em julho de 2009, reiterou sua disposição para cooperar nesse setor sem receber resposta alguma.
O governo cubano insta o presidente Obama a ser consequente com seu compromisso no combate ao terrorismo e a atuar com firmeza, sem dupla moral contra os que, do território norte-americano, perpetraram e persistem em realizar atos terroristas contra Cuba. Seria uma digna resposta à carta aberta encaminhada pelo Comitê de Familiares das vítimas da explosão do avião cubano em Barbados, publicada hoje.
Não devemos esquecer, nem por um instante, que nosso povo, como consequência do terrorismo de Estado, registra uma cifra de mortos e desaparecidos superior à dos atentados ao World Trade Center e de Oklahoma juntos.
Gostaria de concluir nossa homenagem, evocando a inesquecível oração fúnebre às vítimas do crime de Barbados em 15 de outubro de 1976, quando todos juramos lembrar e condenar, para sempre, com inextinguível indignação esse vil assassinato.
Repitamos hoje as palavras de Fidel naquela ocasião:
Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme!
Seremos fiéis ao eterno compromisso com os tombados!
Glória aos nossos heróis e mártires!

Fonte: Granma -online

A águia pousará no México?

Posted in: Destaques (Outras Palavras – Boletim Diplô- Le Monde Diplomatique)

Por Laura Carlsen / FPIF | Tradução Cauê Seigne Ameni | Foto Reuters

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou em 10 de setembro que algo equivalente ao “Plano Colômbia” tornou-se necessário no México e América Central, para enfrentar a “insurgência” dos cartéis da droga. Seu comentário despertou imediatamente a ira do governo mexicano e provocou temores de uma intervenção militar norte-americana.
“Estamos enfrentando uma ameaça crescente, a partir de uma rede de tráfico de drogas organizada, que em alguns casos transforma-se, ou age em conjunto com o que poderíamos considerar uma insurgencia, no México e na América Central, disse Clinton. Acrescentou que “esses cartéis estão mostrando sinais mais fortes de insurgência. De repente, aparecem carros-bomba que não existiam antes.”
Ironicamente, a secretária respondia a uma pergunta sobre o que os Estados Unidos estavam fazendo a respeito de sua “responsabilidade em relação ao trânsito das drogas para o norte e das armas para o sul”. Ao invés de responder à pergunta, ela comparou o México à Colômbia e fez a declaração mais ousada até agora sobre a intervenção dos EUA (incluindo apoio militar) na guerra contra as drogas no México..
“Está parecendo cada vez mais com a Colômbia vinte anos atrás”, disse Clinton. “E a Colômbia – chegou ao ponto em que mais de um terço do pais, aproximadamente 40% do país esteve, em algum momento, controlada pelos insurgentes, pelas FARC. Será preciso uma combinação de melhor capacidade institucional e melhor aplicação da lei, além de, quando apropriado, o apoio militar para rebater a ameaça.” A secretária assegurou que o Plano Colômbia funcionou, acrescentando “Precisamos descobrir onde estão as equivalências da América Central, México, e o Caribe”
Resposta Méxicana
Não demorou muito para que os membros do Congresso mexicano respondessem com indignação. Na sessão para analise do quarto discurso sobre o estado da União, do presidente Felipe Calderón, uma deputada observou que o governo norte-americano era “bom em criticar outros países e em não reconhecer que eles mesmos são uma importante parte da cadeia cinzenta do tráfico de drogas e crimes organizado. O povo mexicano deve rejeitar qualquer atitude intervencionista por parte do governo dos EUA.” Alguns membros do Congresso pediram que o secretário de Relações Exteriores enviasse uma nota formal de protesto ao governo Obama.
A ministra Patricia Espinosa afirma que não “compartilha o julgamento” de sua homóloga do norte, e o porta-voz da Presidência, Alejandro Poire, rejeitou a comparação com a Colômbia.
Em Washington, assessores de Obama apressaram-se em reduzir os danos. O secretário do Estado Adjunto, Arturo Valenzuela, corrigiu seu patrão, dizendo que o uso “do termo insurgente não deve ser encarado da mesma forma que um insurgente colombiano. Não é uma revolta de um grupo militarizado que está tentando assumir o controle do Estado por razões políticas.” Mais tarde, O presidente Obama descartou as comparações, em entrevista concedida a La Opinion.
O comentário provocou uma pequena tempestade dentro do gabinete de Obama e nas relações diplomáticas– México – Estados Unidos
A comparação colombiana
A única coisa surpreendente sobre o conceito de Clinton é que ela o expressou em alto e bom tom. A Iniciativa Merida foi inicialmente lançada como “Plano México”, até que o apelido foi desfeito. A comparação direta com o Plano Colômbia foi considerada uma irresponsabilidade. No México, a especulação sobre presença militar norte americana revoltou o sentimento nacionalista. Nos Estados Unidos, o reduzido no tráfico de drogas e o aumento de violação dos direitos humanos, após gastos de 7,3 bilhões de dólares no Plano Colômbia acenderam preocupações com a tentativa de copiá-lo na fronteira.
Independentemente de seu nome , o plano do ex-presidente Bush para o México e América Central sempre teve relação estreita com o seu antecedente na América do sul. O Plano Colômbia começou como uma iniciativa de luta contra os narcóticos, construído em torno do modelo de combate às drogas por meio da proibição de uso, repressão e militarização, com presença direta dos EUA. O Plano México não inclui a participação do exército americano, mas apoia-se no mesmo modelo.
A confusão deliberada de Clinton entre insurgência e tráfico de drogas surge de uma das duas fontes possíveis: a ignorância ou desinformação maliciosa. Uma rebelião procura promover uma mudança profunda na estrutura da sociedade e, normalmente, assumir o governo. Os traficantes, apesar das declarações de Calderón em sentido contrário, não lançam ofensivas contra o Estado para substituir o governo. Estão ocupados protegendo e expandindo seus negócios muito lucrativos. Em parte, está neste mal-entendido, aparentemente proposital, a raiz do fracasso da política da guerra às drogas.
Se o erro não fosse cometido, a óbvia estratégia deveria ser atacar o negócio, e não seus agentes. Promover substituições, no cartel, é extremamente fácil, no México. Os cartéis são flexíveis em sua estrutura: novos líderes, ou quadrilhas rivais, substituem ou enfraquecidos. Háum estoque inesgotável de homens jovens com poucas perspectivas de vida, em um país onde o governo foi incapaz de oferecer as oportunidades adequadas de emprego ou ensino.
Enfrentar os negócios significa focar as estruturas transnacionais financeiras que os apoiam. Ambos os governos parecem relutantes em fazê-lo com força, já que os fluxos de dinheiro das drogas circulam através de poderosas instituições financeiras.
Formulação de políticas públicas para trás
Pouco antes das observações de Clinton, o congresso norte-americano aprovou recursos adicionais de 175 milhões de dólares para o combate às drogas no México, sem uma revisão global ou uma análise estratégica dos resultados terríveis apresentados até agora. Desde o lançamento da guerra contra as drogas, no final de 2006, a violência relacionada às drogas explodiu ao sul da fronteira dos EUA, com aproximadamente 30 mil mortos. As acusações de violação dos direitos humanos por parte do exército sextuplicaram no ultimo ano e nos últimos meses as forças do exército atiraram e mataram vários civis.
Os parlamentares devem empregar nossos impostos com base em uma análise cuidadosa de como os recursos serão efetivamente empregados para alcançar metas relacionadas com o bem público. Quando se trata de dotações de defesa em geral — e o Plano México é um exemplo extremo — o modus operandi é gastar agora e lidar com os resultados desastrosos mais tarde – para gastar ainda mais… Um relatório recente do Escritório Geral de Contabilidade informou que a Iniciativa Mérida nem contém referências que permitam avaliá-la.
A dotação suplementar de recursos para os estados do México, sob a rubrica “Controle internacional de narcóticos e cumprimento da lei” exige um relatório específico do Departamento de Estado, atestando cumprimento das exigências da Seção 7045. Relacionadas a direitos humanos e apoiadas por alguns legisladores e grupos de Washington, elas refletem sérias preocupações de que os fundos seriam desviados para as forças de segurança notoriamente corruptas e violentas no México. Na prática, porém, o Congresso diluiu tanto as condições que elas serviram como uma cortina de fumaça para esconder as preocupações mais profundas sobre a estratégia. O Congresso ignorou as críticas à Iniciativa Mérida feitas pela central sindical AFL-CIO e por dezenas de organizações honestas. Foram aprovadas cinco dotações separadas totalizando cerca de 1,5 bilhões. A iniciativa, antes um compromisso de três anos, transformou-se em engajamento permanente.
Em 5 de setembro, Hillary Clinton anunciou que o governo norte-americano havia retido 15% das novas verbas com base nas exigências relativas a direitos humanos. O governo mexicano reclamou publicamente e com ênfase, mas discretamente comemorou. A matemática é bastante simples: os EUA vão transferir ao governo mexicano 175 milhões de dólares extra; a retenção de US$ 26 milhões resulta num ganho liquido de US$ 149 milhões. Ambos os governos fizeram declarações hipócritas. Os Estados Unidos criticam o México ignorando o fato de que o crime transnacional não poderia funcionar sem a corrupção dentro de suas próprias fronteiras. O governo de Calderón protestou contra o barulho do vizinho em torno dos direitos humanos, quando há pela frente uma guerra para lutar. Mesmo a imprensa observou as contradições em jogo..
Até o momento, parece que a tentativa de condicionar o apoio norte-americano ao respeito aos direitos humanos está completamente desacreditado. A interpretação mais generosa é que foi uma estratégia desenhada por grupos e membros do Congresso, que interpretaram mal a situação no México e a natureza da nova relação bilateral construída sob liderança do Pentágono e forjada ao longo do plano. Seria preciso promover uma ratificação imediata. Em vez disso, o governo Obama pretende pedir mais fundos públicos para a uma política fracassada, enquanto faz declarações hipócritas em favor dos direitos humanos.
Dúvidas Crescentes
A mais recente controvérsia sobre a política de combate ao tráfico de drogas no México vem em meio a dúvidas em ambos os lados da fronteira. Senadores mexicanos de todos os partidos, exceto o Calderón criticaram o “fracasso” do presidente na guerra contra as drogas, ao reverem o relatório anual do governo. O Partido Revolucionário Institucional observou que o documento revelou menos apreensões e um aumento não relevante no número de prisões. Apenas 1,5 milhões de pesos foram destinados à prevenção do vicio. Um membro do Partido Democrático Revolucionário denunciou a equação “mais recursos, mais mortes”. A guerra às drogas custou até agora, ao empobrecido orçamento mexicano, quase 7 bilhões de dólares.
Nos Estados Unidos, também crescem as dúvidas quanto à eficácia da estratégia. O vice-diretor do Serviço de Imigração e Alfândega, Alonzo R. Peña, queixou-se de que o governo mexicano frequentemente age sem sintonia com os serviços de informação norte-americanos. Opiniou que, em alguns casos, a razão pode ser cautela mas, em outros, a causa está “completamente relacionada a corrupção”. Em Washington, a multiplicação dos fatos negativos levou a questionamentos sobre a falta de uma estratégia de retirada, ou de um caminho claro para o sucesso.
Publicado originalmente em Foreign Policy in Focus

Presidente da AN no Equador: oposição tentou assassinar Correa

Presidente da AN no Equador assegura que oposição tentou assassinar Correa

O presidente da Assembleia Nacional (parlamento) do Equador, Fernando Cordero, afirmou nesta segunda-feira que os feitos de desestabilização registrados em seu país na última quinta-feira buscaram assassinar o Chefe de Estado, Rafael Correa e "ferir de morte a democracia" desta nação sul-americana.
"Os policiais foram usados por membros da oposição, cuja verdadeira intenção era matar o presidente e ferir de morte à democracia equatoriana", assinalou Cordero, em declarações à imprensa internacional.

O protesto dos policiais levado a cabo na quinta-feira, e que foi o principal foco de tensão no país, se realizou sob a desculpa de exigir do Governo a eliminação da Lei de Serviços Públicos. Os agentes asseguravam que o regulamento ia eliminar beneficios e bonificações.

No entanto, Cordero assegurou que os fins do protesto eram outros. "Ficou claro que os saques de supermercados e as tentativas de saque dos bancos estavam planejados pelos poderes fáticos cujo último objetivo era a desestabilização do Governo e justificar a morte do presidente", argumentou o parlamentar.
As tentativas golpistas foram orquestradas "por membros da oposição que se infiltraram e manipularam os agentes", assegurou Cordero.

"Apareceram vídeos onde se veem destacados membros da oposição nos principais pontos do protesto", informou.

A Assembleia Interparlamentar declarou nesta segunda-feira, por unanimidade, que "condena o uso da força contra o presidente Rafael Correa e repudia inteiramente a recente tentativa de subverter a ordem constitucional no país".

Na última quinta-feira, um grupo de uniformizados rebeldes manteve cercado por mais de 12 horas o hospital da Polícia Nacional de Quito, onde se encontrava o presidente Rafael Correa, quem denunciou desde o recinto, que os sublevados tentavam, com atitudes violentas, chegar ao cômodo em que estava.

Depois de muitas horas de incerteza, o presidente Rafael Correa foi resgatado do hospital na mesma quinta-feira, por um operativo conjunto de forças militares e unidades do Grupo de Operações Especiais (GOE) do corpo policial.

No processo de resgate do mandatario equatoriano, que durou aproximadamente 35 minutos, ocorreu um enfrentamento entre os policiais conspiradores e as forças leais ao Governo, que deixou um saldo de quatro pessoas falecidas.

A notícia é da Telesul

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=51411 )

Sobre Mono Jojoy - Raymundo de Oliveira/ Miguel Urbano Rodrigues

Meus amigos,
a grande imprensa anunciou a morte do comandante
guerrilheiro Mono Jojoy, um dos grandes
estrategistas das FARC, força guerrilheira da Colômbia.
Estou anexando artigo sobre esse assassinato,
escrito por Miguel Urbano Rodrigues, grande
jornalista português, que viveu anos no Brasil,durante a ditadura
Salazarista.
Vale a pena conhecer uma outra leitura, que nossa
imprensa não haverá de publicar.
Esta divulgação que faço é minha pequena
homenagem à vida desse grande colombiano, herói
dos povos da América Latina e que um dia haverá
de ter seu nome amplamente conhecido e seus feitos estudados.

Raymundo de Oliveira

COMANDANTE JORGE BRICEÑO,
UM REVOLUCIONÁRIO ASSASSINADO

Por Miguel Urbano Rodrigues

A morte do comandante Jorge Briceño, das FARC, foi apresentada pelo sistema mediático controlado pelo imperialismo como «grande vitória da democracia sobre o terrorismo» e festejada pelo presidente dos EUA e pela maioria dos governantes da União Europeia.

A mentira e a calúnia podem manipular a informação e enganar centenas de milhões de pessoas, mas não fazem História.
O comandante Jorge Briceño, nome de guerra de Victor Suarez, conhecido na Colômbia como Mono Jojoy – «homem branco», no dialecto das tribos amazónicas da Região – foi um estratego militar de prestígio continental e um revolucionário exemplar que dedicou a vida ao combate pela libertação do seu povo, oprimido pela oligarquia mais corrupta e sanguinária da América Latina.
A sua morte culminou numa operação de custo milionário em que participaram a Força Aérea, a Polícia, os serviços de inteligência, o Exército e a Marinha da Colômbia com a colaboração de Israel, da CIA e do Pentágono.
O crime começou a ser preparado cientificamente há quatro anos quando, numa bota de Mono Jojoy foi colocado um chip que permitia via satélite GPS acompanhar a sua movimentação nas densas florestas dos Departamento do Meta e do Caquetá, praticamente controladas pelo Bloco Oriental das Forças Armadas Revolucionárias – FARC, por ele comandado.
O cerco dos acampamentos do comandante Briceño, nas Serranias de La Macarena, principiou no dia 21 de Setembro. Segundo fontes oficiais, o bombardeamento das instalações, que abrangiam numerosas e profundas cavernas naturais nas escarpas da montanha, foi devastador. 20 Aviões e 37 helicópteros lançaram, no dia 22, sobre uma área reduzida, 100 bombas num total de 50 toneladas.
No ataque foram utilizadas armas e tecnologia que os EUA somente fornecem a Israel e à Colômbia.
A intervenção posterior de forças terrestres da VII Brigada do Exército encontrou, segundo o governo de Juan Manuel Santos, forte resistência das FARC. Nos combates que ainda prosseguem na Região, o Exército reconheceu ter sofrido numerosas baixas, entre feridos e mortos.

A TRAIÇÃO

Tal como ocorreu com a operação encenada cujo desfecho foi a mal chamada «libertação» de Ingrid Bettencourt, a traição de alguns guerrilheiros está na origem do assassínio do Jorge Briceño. Sem ela, a localização do acampamento e do lugar exacto onde se encontrava o comandante na hora do ataque, não teriam sido viáveis. Aliás, somente o segundo bombardeamento, realizado com bombas «inteligentes» de grande precisão, atingiu o objectivo: matar Jorge Briceño
Mono Jojoy sofria de uma diabetes avançada. Por suportar mal as botas da guerrilha, usava umas ortopédicas, especiais. Segundo informações divulgadas pelo Governo e pelo Exército, o responsável pela Intendência das FARC incumbido de comprar esse calçado entrou em contacto com os serviços de inteligência que introduziram o minúsculo chip numa dessas botas.
Cabe esclarecer que o Governo de Uribe – o anterior presidente – tinha criado um prémio equivalente a dois milhões de euros para quem contribuísse para a «captura ou morte» do chefe guerrilheiro.
A fixação da data para a operação – intitulada pelo governo «Boas Vindas às FARC» e «Sodoma» pelas Forças Armadas – foi antecipada porque nas últimas semanas a organização guerrilheira, desmentindo a propaganda oficial que a apresentava como moribunda, retomara a iniciativa em múltiplas frentes, numa demonstração da sua vitalidade.
Em Agosto e Setembro, em ataques de surpresa e embocadas, nos Departamentos do Caquetá e do Meta, foram abatidos em combate 90 elementos do Exército e da Polícia.
Simultaneamente, o Secretariado do Estado Maior Central das FARC reafirmava a sua disponibilidade para negociar com o novo governo a paz desejada pelo povo colombiano e dirigia-se à UNASUL, solicitando uma reunião em que pudesse expor e defender o seu projecto de uma verdadeira paz social para o País.
O presidente títere José Manuel Santos, com o aval de Washington, tomou então a decisão de montar o ataque à Serra de La Macarena cujo desfecho foi o assassínio do comandante Jorge Briceño e de alguns dos seus camaradas.

OS PARABÉNS DE OBAMA

Jorge Briceño é qualificado pelos media de Bogotá e dos EUA de assassino, terrorista feroz e narcotraficante. A linguagem costumeira para designar os dirigentes das FARC.
Essas calúnias e insultos estão desacreditados na América Latina. As forças progressistas do Continente e milhões de trabalhadores identificavam em Briceño um revolucionário de fibra, sabem que ele foi desde a juventude um comunista coerente. Ao oferecer um prémio gigantesco pela sua cabeça, o governo de Uribe demonstrou o respeito que lhe inspirava a capacidade de Mono Jojoy como estratego. Nas cordilheiras e nas selvas colombianas ele, combatendo, adquirira um prestígio quase lendário, emergindo como um símbolo da invencibilidade das FARC. Muitas vezes lhe anunciaram a morte para depois a desmentirem.
O general Padilla, quando comandante-chefe do Exército, dirigiu-lhe um apelo para que se rendesse, oferecendo-lhe garantias se o atendesse. Briceño, em resposta irónica, disse-lhe que uma organização revolucionária que lutava há quase quatro décadas somente deporia as armas quando o povo da Colômbia fosse libertado.
Em 2001, quando as FARC, na cidade de La Macarena, não longe da Serra do mesmo nome – libertaram unilateralmente cerca de 300 soldados e polícias capturados em combate, tive a oportunidade de conhecer e saudar Mono Jojoy. A troca de palavras foi breve porque ele era assediado por embaixadores ocidentais da Comissão Facilitadora da Paz então existente que admiravam o seu talento de estratego. Recordo que nessa jornada o interrogaram sobre a proeza militar que fora a tomada da cidade de Mitú na fronteira da Venezuela numa ofensiva fulminante de Briceño que humilhou os generais colombianos. As FARC combatiam então em 60 Frentes. Vi um vídeo do acontecimento. O discurso que na época dirigiu à população, concentrada na praça principal da cidade, foi uma peça de oratória revolucionária divulgada inclusive por grandes jornais da América Latina.
Compreende-se o ódio da oligarquia colombiana ao estratego das FARC.
Para o matar tiveram de mobilizar milhares de homens e dezenas de aeronaves e de gastar milhões para comprar a consciência de traidores. Agora exibem-lhe o cadáver como troféu.
O presidente dos EUA, numa atitude abjecta, saudou o seu colega colombiano pelo crime. Abraçou-o na Assembleia-Geral da ONU, anunciou um aprofundamento da aliança com o regime fascista de Bogotá, e declarou, eufórico: «sublinho a liderança do presidente Santos e felicito-o porque ontem foi um grande dia para a Colômbia, em que as suas forças armadas realizaram um extraordinário trabalho (…) O presidente da Colômbia pode contar com todo o nosso apoio».
Essa a noção que o imperialismo tem da ética.
Mas Obama e Santos podem insultar o comandante Briceño, chamar-lhe bandido, assassino e terrorista que as suas calúnias não têm o poder de apagar a grandeza do guerrilheiro caído em combate.
Os nomes de Uribe, de Santos e dos generais que o assassinaram serão em breve esquecidos. Não o de Mono Jojoy, revolucionário e soldado da tempera de Bolívar, Sucre, Artigas. Com o tempo subirão da terra pelas Américas estatuas do heróico comandante das FARC. Será recordado com admiração e orgulho pelas futuras gerações,tal como o de Manuel Marulanda, fundador das FARC

V.N de Gaia, 26 de Setembro de 2010.

EUA infectaram cidadãos da Guatemala

EUA infectaram cidadãos da Guatemala com sífilis e gonorreia para estudo; Hillary pede desculpas

*Reportagem atualizada às 13h40

Médicos pesquisadores do governo dos Estados Unidos infectaram intencionalmente nos anos 1940 um grupo de 696 cidadãos da Guatemala com gonorreia e sífilis para a realização de estudo sobre a eficácia de medicamentos. A denúncia foi feita por Susan Reverby, pesquisadora do departamento de estudos de saúde da mulher da Faculdade Wellesley, estado de Massachusetts.

Hoje (1/10), a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e a secretária de Saúde Kathleen Sebelius, emitiram um comunicado para pedir desculpas oficialmente em nome do governo dos EUA.

"Lamentamos profundamente que isso tenha acontecido e oferecemos nossas desculpas a todas as pessoas que foram afetadas por essas abomináveis práticas de pesuisa", diz o comunicado. O pedido de desculpas foi dirigido aos guatemaltecos e aos imigrantes latinos residentes nos EUA.

Como parte do estudo realizado na Guatemala, infectados guatemaltecos foram encorajados a transmitir a doença para outras pessoas, entre eles deficientes mentais. O objetivo era vereficar se o antibiótico penicilina era capaz de previnir a sífilis e a gonorreia.

Estima-se que um terço dos infectados nunca teve tratamento adequado. Aparentemente, o experimento foi feito entre 1946 e 1948 e “nunca gerou informações úteis e registros foram apagados”, segundo Susan.

Na época, a Guatemala era governada pelo presidente Juan José Arévalo Bermejo (1945-1951) e os EUA, por Harry S. Truman (1945-1953).

De acordo com site da NBC News, a pesquisadora detalhará o estudo em seu site ainda nesta sexta-feira.

A primeira discussão pública sobre o assunto será uma feita entre Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Saúde e Arturo Valenzuela, subsecretário de Estado norte-americano para as Américas.

Hillary afirmou que fará um investigação oficial mais detalhada sobre o assunto e que vai nomear uma comissão de especialistas em bioética.

Já o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, classificou o episódio como de "crimes contra a humanidade" e garantiu que será realizada uma "profunda investigação" dos fatos, que afetaram mais de 1.500 pessoas, e antecipou que o país analisa apresentar uma denúncia para exigir ressarcimento dos EUA.

O presidente ordenou a seus ministros da Saúde, Defesa e Governo que localizem e resguardem os arquivos dos anos em que ocorreram os experimentos, para que sirvam de base a uma pesquisa em conjunto com o governo americano.

Além disso, Colom declarou estar ciente de que os experimentos "não fazem parte da política do atual governo" dos EUA, e que pretende, junto com altos funcionários da Casa Branca, fazer uma investigação do episódio.

Reincidência

O episódio é semelhante ao experimento Estudo da Sífilis Não-Tratada de Tuskegee – feito pelo governo dos EUA em Tuskegee, Alabama, entre 1932 e 1972, no qual 399 sifilíticos afro-americanos pobres e analfabetos, e mais 201 indivíduos saudáveis para comparação, foram usados como cobaias na observação da progressão natural da sífilis sem medicamentos.

Um membro da equipe denunciou o caso à imprensa e, por conta da repercussão negativa, o estudo foi encerrado. Alguns descendentes de sobreviventes da experiência foram indenizados pelos governo dos EUA.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/noticias/EUA+INFECTARAM+CIDADAOS+DA+GUATEMA... )

Equador: Presidente anuncia que no claudicará en sus principios

Presidente anuncia que no claudicará en sus principios

Do site oficial da Presidencia do Ecuador

Quito (Pichincha).- El Jefe de Estado, Rafael Correa, frente al intento sedicioso por parte de algunos miembros de la Policía Nacional en contra del régimen que democrática y constitucionalmente lidera el Mandatario, anunció que pese a los intentos de agresión al Gobierno e incluso a su persona, no claudicará en sus principios.

“Yo no voy dar marcha atrás, si quieren vengan a buscarme acá, denme un tiro y que siga adelante la República, me matarán a mí, como decía Neruda, podrán cortar las flores pero no impedir la llegada de la primavera”, anunció en Radio Pública.

Desde el Hospital de la Policía, a donde acudió luego de ser agredido durante su visita al Regimiento Quito # 1, tras haber sido afectado por una bomba lacrimógena, el Jefe de Estado manifestó su profundo rechazo frente a las acciones emprendidas por un sector de los uniformados, quienes aspiran a desestabilizar al régimen basados en su oposición a los vetos anunciados a la Ley de Servicio Público.

Según el Presidente, este intento de desestabilización responde a una estrategia que ha venido cocinándose hace algún tiempo y a una andanada de mensajes e información equivocada que ha sido repartida a los miembros de la Policía Nacional, que hoy han tenido efecto en acciones violentas fruto de intentos de conspiración.

“Hace rato que vienen buscando un golpe de Estado, porque no nos pueden ganar en las urnas y hay compañeros nuestros que no entienden lo que es pertenecer a una misión política”, dijo, en relación a la seria posibilidad de convocar a la llamada “muerte cruzada” y su relación con el poder Legislativo.

Recordó que ningún Gobierno como este ha trabajado tanto por mejorar las condiciones de los uniformados que se han levantado y llamó a sancionar a estos malos elementos.

Anunció que regresará al Palacio de Carondelet cuando las condiciones de seguridad se den, pues hay la posibilidad de que la casa de salud donde se encuentra afectado por las acciones de la mañana.

Convocan al pueblo a rescatar a Correa

Convocan al pueblo a rescatar a Correa en hospital donde permanece recluido

Da Telesur

El canciller de Ecuador, Ricardo Patiño, tras conocer la denuncia pública que hizo el presidente Rafael Correa, sobre el peligro que corre su vida mientras sectores de la policía intentan acceder al Hospital de la Policía Nacional donde se encuentra en recuperación, instó al pueblo a acudir a rescatar al mandatario nacional.

El canciller de Ecuador, Ricardo Patiño, convocó este jueves al pueblo a rescatar al presidente de ese país, Rafael Correa, quien permanece en el Hospital de la Policía Nacional en Quito rodeado de policías sublevados.

“Quiero invitar a nuestro pueblo en todos los rincones del país, que salgan a las calles principales de cada una de las ciudades a expresar el apoyo a la democracia y a rechazar el golpe de Estado”, dijo Patiño desde el Palacio de Candodelet (sede de Gobierno), en donde se mantiene cientos de personas en apoyo a la actual gestión.

Patiño pidió a todos los grupos sociales que están en en este momento trasladándose al Palacio de Gobierno a que se queden custodiando el lugar, mientras que la concentración que está en la sede de Gobierno se movilice a rescatar al presidente.

“Vayamos juntos a rescatar al presidente que está en el Hospital de la Policía”, instó.

“El presidente Correa ha hecho declaraciones en este momento, él está en el hospital de la Policía y nos ha dicho que hay gente que está intentando meterse por los techos para afectar su integridad personal”, le comunicó Patiño a la multitud.

“En este momento vamos a bajar (hacia el Hospital). No tenemos miedo a nadie, nuestro patriotismo está por encima de los pusilánimes, traidores y cobardes”, sentenció el canciller.

“Vayamos juntos a rescatar al Presidente de los ecuatorianos, y que los demás grupos vengan y protejan el Palacio”, reafirmó Patiño.

Eduardo Galeano diz que Chávez é 'demonizado' pela mídia

Eduardo Galeano diz ao El País que Chávez é 'demonizado' pela mídia

Em entrevista ao jornal espanhol El País, o escritor uruguaio Eduardo Galeano comentou o panorama midiático nos países latino-americanos e disse acreditar que determinados veículos de comunicação “demonizam” o presidente venezuelano, Hugo Chávez, por interesses próprios.

“Há uma demonização de Chávez. Antes Cuba era o personagem malvado, agora nem tanto. Mas sempre há alguém malvado. Se não há gente perigosa, o que fazemos com os gastos militares? O mundo tem uma economia de guerra funcionando e precisa de inimigos. Se eles não existem, ela os fabrica. Nem sempre os diabos são diabos e os anjos, anjos”, respondeu Galeano, após o repórter afirmar que Chávez anda “se encrencando” com a imprensa.

Na questão anterior, Galeano disse que cravar que na Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador os governos andam às turras com a mídia – como afirmara na pergunta o repórter – era uma “generalização”.

“Os fracos, cada vez que tentam se expressar ou caminhar com as próprias pernas, viram pessoas perigosas. O patriotismo é legítimo no norte do mundo e no sul, se converte em populismo, ou pior, terrorismo”, analisou Galeano.

“As notícias são muito manipuladas. A greve de fome dos Mapuche no Chile ocupa pouco ou nenhum espaço nos meios de maior influência e uma greve de fome na Venezuela ou em Cuba merece a primeira página. Quem são os terroristas?”, questionou o escritor uruguaio.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=6314 )

¿Qué pasa en Cuba?

Análise
São os cubanos que sabem de seus problemas e são eles os que encontrarão as formas de superá-los

23/09/2010

Elaine Tavares

Cuba é mesmo uma gigantesca pedra no sapato do sistema capitalista. Tanto que qualquer coisa que por lá acontece, vira logo manchete da CNN, braço propagandístico do governo estadunidense. Agora, a bola da vez são as demissões que foram anunciadas por Raúl Castro. Histericamente, as jornalistas bem apessoadas da Venus de Atlanta falam em derrocada do sistema cubano. É o fim do socialismo, guincham, aliviadas. É, porque o tal do regime cubano é uma excrescência que sobrevive há mais de 50 anos a todos os ataques do sistema capitalista e do governo mais armado do mundo. Não é sem razão que os suspiros aliviados sejam uma constante na mídia mundial, que reproduz acriticamente as histerias “ceeneanas”. Mas, para quem consegue enxergar além da ideologia, a questão cubana pode ser explicada de forma menos simplista.

Em primeiro lugar, como bem lembra o professor Nildo Ouriques, do IELA, em entrevista à CNN, Cuba nunca foi um país congelado. A cada aperto da conjuntura o país se analisa e inventa saídas econômicas e políticas para suas crises. Foi assim quando ruiu o sistema soviético. Todo mundo capitalista apostava na derrocada das conquistas da revolução. Não haveria saída para Cuba. Mas, num esforço descomunal a ilha se refez e seguiu em frente. Naqueles dias, a abertura para o turismo acabou sendo uma resposta eficaz para garantir ingressos ao país. Muitas foram as críticas e boa parte do mundo apostava que esta abertura iria levar o país para a órbita do sistema capitalista. É certo que vieram muitos problemas com esta medida, mas as conquistas básicas da revolução seguiram existindo. Saúde, educação, cultura, moradia, comida e, fundamentalmente, soberania nacional. Depois, com a doença de Fidel, nova gritaria geral. “Agora acabou”, vaticinavam as harpias (aves de rapina das mais ferozes).

Hoje Cuba enfrenta novos problemas conjunturais. Há uma grande parcela da população que não viveu a revolução e que, de certa forma, vive apática diante das conquistas. Isso é um problema e tanto para o governo. Há que imprimir horizontes na rota da juventude. Além disso, há um crescimento e congelamento da burocracia estatal, o que dá mais imobilidade o sistema. Um pouco é isso que Raúl Castro quer desfazer com essa proposta de demissão de 12% dos funcionários públicos. Segundo o presidente cubano, essas demissões não afetarão os serviços estratégicos que se configuram as conquistas da revolução. Existem critérios muito claros para as demissões e elas serão feitas em setores onde a máquina está definitivamente inchada e inerte.

A proposta do governo é permitir e incentivar que os trabalhadores cubanos possam investir em outros tipos de negócios que vão desde propostas de trabalho privado a cooperativas. No geral, os cubanos estão gostando desta iniciativa, uma vez que sempre houve reclamações com relação aos salários, considerados baixos, apesar de todos terem garantidos os serviços de educação, saúde e moradia. “Eu estive em Cuba há pouco tempo e pude ver e ouvir das pessoas o apoio a estas medidas. Há uma discussão pesada sobre a questão moral que é central neste momento: há gente roubando do estado e isso não pode acontecer. Porque roubar o estado é roubar toda a gente. E também há um desejo das pessoas por mudanças na economia. A maioria apoia essa proposta de se criar pequenos negócios”, diz Nildo Ouriques, professor e economista.

Agora, o governo quer descongelar a máquina estatal e isso também é saudado por uma parcela do povo que sempre se ressentiu dos burocratas encravados na máquina governamental. Os trabalhadores, há tempos, buscavam abertura no governo para trabalharem fora do Estado e isso aparece agora como uma boa oportunidade. E, na verdade, já se formava em Cuba uma espécie de mundo paralelo, no qual os trabalhadores usavam seu tempo vago para arranjar alguma coisa “por fora”. E esse “por fora”, além de envolver trabalho privado, também funcionava como um mercado igualmente paralelo, formado por coisas roubadas do estado, como já relatou e analisou em seus textos semanais o próprio Fidel Castro. Esse trabalho ilegal agora não mais o será. Assim como tende a desaparecer o mercado paralelo. Pelo menos é o que pretende o governo com essas medidas.

Por outro lado, na camada de trabalhadores que sempre esteve nos quadros do Estado, há um grande medo com relação ao futuro. Muitos deles não saberiam o que fazer longe da máquina estatal. Mas, o próprio governo cubano já deixou claro que vai ajudar aos trabalhadores a encontrarem um caminho nesta nova conjuntura, inclusive garantindo o crédito. A maioria, que segue acreditando no processo revolucionário, sabe que muito do que hoje têm de conquistas devem à revolução e estes seguirão fazendo aquilo que é melhor para Cuba. Raúl Castro tem dito que o regime cubano haverá de encontrar os caminhos para resolver seus problemas como sempre fez. Mais de 100 novas atividades, antes só permitidas no âmbito estatal, poderão ser realizadas por pessoas fora da máquina. Será necessário criar toda uma nova infraestrutura para esta gente, mas o grupo governante acredita que, coletivamente, o povo cubano pode encontrar as respostas.

A Central de Trabalhadores Cubanos fez um pronunciamento a todos os cubanos onde conclama para a unidade e para manter em marcha os ideais da revolução: “A unidade dos trabalhadores cubanos e de nosso povo tem sido chave para materializar a gigantesca obra edificada pela Revolução e, nas transformações que agora empreendemos, ela continuará sendo nossa mais importante arma estratégica”. Segundo a CTC, o Estado não pode mais continuar com o mesmo modelo de empresas ineficazes, com quadros inflados. Assim, respalda a proposta governamental de ampliar e diversificar as opções que resultam em novas formas de relação trabalhista. A Central acredita que tudo isso vai ser bom para Cuba e para os cubanos.

Fidel Castro sempre disse e continua afirmando isso: as saídas encontradas por Cuba ao longo destes anos todos são as saídas cubanas. Não adianta a esquerda mundial se escabelar querendo que a ilha permaneça imutável diante das mudanças do mundo. São os cubanos que sabem de seus problemas e são eles os que encontrarão as formas de superá-los. Como lembra Raúl, Cuba está frequentemente mudando para tentar seguir sempre a mesma: aquela que garante ao seu povo as conquistas da revolução.

Analistas do mau agouro insistem em dizer que o regime faliu, que está se entregando ao capitalismo, que o povo cubano não quer mais viver à margem do sistema capitalista, que as gentes querem poder comprar coisas bonitas e viverem em liberdade. Mas, para os dirigentes cubanos há uma grande distância entre o sistema privado capitalista (no qual um empresário é dono da força de trabalho e da mais-valia de milhares) e o chamado “trabalho por conta própria”, o que está sendo agora incentivado. Este é o pequeno negócio, em nada parecido ao sistema de exploração capitalista. Nos seus discursos e nas conversas com a população Raúl Castro tem dito que o estado cubano precisa melhorar sua produtividade, inclusive, para seguir garantindo os serviços públicos de qualidade ao povo. Nas vozes que se podem escutar em outras fontes que não as da CNN há uma boa expectativa. Os trabalhadores sabem que o número soa alto demais quando se fala em 500 mil despedidos, mas por outro lado, dizem que boa parte destes trabalhadores já tinha trabalhos paralelos. O governo cubano vai amparar quem tiver dificuldade. Assim diz Raúl em diversos comunicados divulgados pela televisão, pelos jornais e pelo rádio.

As mudanças em Cuba apontam para cenários múltiplos, é certo. Pode acabar o socialismo, pode crescer a iniciativa privada, pode mudar a mentalidade do povo, pode crescer a idéia do consumo, podem ruir as conquistas da revolução, pode fortalecer ainda mais o sistema, pode avançar no socialismo. Sim, tudo está aberto. Na verdade, sempre foi assim. O horizonte, desde a heroica conquista em janeiro de 1959, tem se apresentado como um quadro a ser pintado, permanentemente, porque a revolução não é uma coisa cristalizada. Ela é um processo. Para os velhos militantes, a esperança é que estes 50 anos de educação, cultura e luta pela soberania nacional façam valer o que já foi conquistado. Eles fazem questão de lembrar que nestes mais de 50 anos houve um bloqueio feroz e, por vezes, desumano, contra o país e contra o povo cubano. E Cuba sempre conseguiu se reinventar. Agora, a ilha passa por nova onda de mudanças. Haverá de encontrar seus caminhos. A diferença, creem, é que o governo e o povo fazem isso juntos e de forma soberana.

Enfim, Cuba segue seu caminho, com todas as suas limitações, seus erros, mas também seus acertos. O povo cubano responderá à história.

Elaine Tavares é jornalista

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/node/1351 )

SERRA, NAFTALINA E GUERRA FRIA

Venezuela vai às urnas em clima de absoluta democracia. Observadores internacionais atestam a lisura do pleito. População comparece em massa aos locais de votação. Não há confrontos, não há incidentes políticos sérios. Chávez obtem maioria simples no Congresso; a oposição cresce; haverá mais negociação para se aprovar mudanças estratégicas na economia e na sociedade. É isso a 'ditadura chavista'? Um dia de voto e liberdade desmente centenas de páginas da mídia demotucana; capas e mais capas de VEJA derretem como picolé ao sol do Caribe. Sobretudo, porém, o pleito de ontem revela a esférica lente do anacronismo político com a qual Serra olha E interpreta a América Latina, a ponto de ter feito campanha contra o ingresso da Venezuela no Mercosul por discordar da liderança de Chávez. A oposição venezuelana, uma das mais extremadas da região, mostrou-se menos obtusa que o candidato do conservadorismo brasileiro; foi às urnas e renasceu como interlocutor político. Entre outras razões, é por isso que Serra sai da eleição menor do que entrou. Na questão externa, sai como um porta-voz dos editoriais do Estadão, encharcado de naftalina e guerra fria. (Carta Maior, 27-09)

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm )

O país invisível

Por Mark Weisbrot, no The Guardian | Tradução: Cauê Seigne Ameni | Foto: Juan Barreto/AFP

A maioria dos meios de comunicação é pouco crítica quando o governo dos Estados Unidos realiza uma campanha intensa de relações públicas em torno de sua política externa. Mas nunca fora tão monolíticos como no caso da Venezuela. Mesmo nas vésperas da guerra do Iraque, houve um número significativo de jornalistas e editorialistas que não compraram a historia oficial. No caso da Venezuela, a imprensa se parece com um júri de doze pessoas, mas um único cérebro.

Assim que a oposição venezuelana decidiu basear sua campanha eleitoral de setembro no alto índice de homicídios no país, a imprensa internacional foi inundada com artigos sobre este tema – alguns altamente exagerados.

Trata-se de um resultado surpreendente das relações públicas. Embora a maioria dos meios de comunicação venezuelanos, medida pela audiência, ainda pertença à oposição política no país, não é o mesmo com a imprensa internacional. Para que se desenrole uma campanha de imprensa desta magnitude, é normalmente necessário algum “gancho” jornalístico: um crime marcante, um número redondo de homicídios atingido ou uma declaração política da Casa Branca. Neste caso, bastou uma decisão tomada por parte da oposição e a imprensa internacional já estava toda sobre o tema.

O mote “todas as más noticias o todo o tempo” foi esmagadoramente dominante, mesmo durante a expansão econômica histórica da Venezuela, de 2003 até 2008. A economia cresceu como nunca, a pobreza diminuiu à mais da metade e houve grande conquistas na taxa de emprego. O gasto real do Estado por pessoa mais que triplicou e o atendimento médico gratuito se estendeu a milhões. Teríamos que buscar muito para encontrar estes dados básicos apresentados como tal em algum artigo da imprensa corrente, embora os números não sejam questionados pelos economistas das organizações internacionais que trabalham com as estatísticas.

Por exemplo, em maio, a Comissão Econômica da ONU na América Latina (CEPAL) descobriu que a Venezuela reduziu a desigualdade mais que qualquer outro pais na América Latina, entre 2002 e 2008, alcançando a distribuição de renda mais equitativa da região. Este dado também não foi mencionado na imprensa internacional mainstream.

A Venezuela entrou em recessão em 2009, e o fato recebeu atenção incomparavelmente maior do que o fato de o país ter crescido mais que qualquer outro das Américas, no período anterior. Em janeiro desse ano, o governo desvalorizou a moeda, e a imprensa estava prevendo um grande aumento na inflação, até uns 60% para este ano. “Estagflação” – a recessão junto com uma crescente inflação – acabou virando uma palavra recorrente.

A inflação “fora de controle” nunca chegou. As taxas dos últimos três meses, anualizadas, estão em 21%, consideravelmente mais baixas que antes da desvalorização. Esta realidade é outro indicador de que os economistas em quem se apoiava a imprensa têm um conhecimento limitado sobre o verdadeiro funcionamento da economia venezuelana.

Agora, parece que a Venezuela começou a emergir da recessão, no segundo trimestre desse ano. Em bases anualizadas, e já ajustadas sazonalmente, a economia cresceu 5,2% no segundo trimestre. Em junho, o Morgan Stanley previra que a economia se contrairia em 6,2% neste ano e 1,2% no ano seguinte. O FMI (Fundo Monetário Internacional) está prevendo uma situação de penumbra e perdas de longo prazo para o país com um crescimento negativo do PIB per capita durante os próximos cinco anos. É digno de nota que, durante o período de crescimento rápido, o FMI fez concorrência aos escritores de ficção, com suas previsões repetidamente desmentidas pelos fatos e inteiramente fora do contexto da economia venezuelana.

É possível que tudo isso pareça normal, se lembrarmos que a grande maioria dos meios de comunicação não conseguiu prever, há três anos, a crise global provocada pela maior bolha de ativos da história. No entanto, houve exceções notáveis (por exemplo, o New York Times, em 2006). Com a Venezuela – bem, pode-se imaginar.

Claro que não se pode garantir que o crescimento venezuelano continue – dependerá do governo assumir o compromisso de manter altos níveis de demanda agregada, e garantir que elas continuem assim. Nesse sentido, a situação é parecida com a dos Estados Unidos e União Europeia, entre várias economias desenvolvidas que neste momento sofrem uma recuperação lenta e incerta.

A Venezuela mantém reservas de divisas adequadas, tem um superávit comercial e em conta corrente, está pouco endividada no exterior e tem forte capacidade de obter empréstimos estrangeiros, se preciso. Isso se demonstrou ainda há pouco, em abril deste ano, com um crédito de 20 bilhões da China (aproximadamente 6% do PIB venezuelano). É extremamente improvável que a Venezuela enfrente uma escassez de moeda estrangeira. Por isso, pode recorrer aos investimentos públicos, para garantir que economia cresça o suficiente para elevar as taxas de emprego e o padrão de vida. (O governo norte-americano poderia fazer o mesmo, até com mais facilidade – mas uma atitude assim não parece estar em sua lista de prioridades, neste momento).

Haja o que houver, podemos esperar, dos meios de comunicação, a cobertura completa de apenas um dos lados da história. Portanto, mantenha algo em mente: se quiser informação equilibrada sobre a Venezuela, você terá que procurá-la na internet.

Mark Weisbrot é codiretor do Center for Economic and Policy Research (CEPR), em Washington, DC. Doutorou-se em Economia pela Univerdade de Michigan. Escreveu numerosos artigos de investigação sobre política econômica. É também, presidente da organização Política Externa Justa (Just Foreign Policy) e co-escritor do documentario mais recente de Oliver Stone, South of the Border [Ao Sul da fronteira].

Publicado no Le Monde Diplomatique Brasil (Diplô) - Setembro/2010

Os êxitos da Revolução Bolivariana

Quanto maiores são os êxitos da revolução bolivariana, maior é o silêncio dos opositores.

Isso é o que realmente atormenta a oligarquia venezuelana e o neoliberalismo, não aceitam a ideia de terem governado durante décadas e somente terem trazido miséria e morte. O que mais lhes dói é o fato de agora uma nova e madura revolução estar varrendo estatisticamente todas as taxas da antiga miséria colonial para impor índices repletos de melhorias sociais e progressistas, emolduradas na revolução bolivariana com Hugo Chavez à frente, exigindo tudo o que é legítimo para aqueles que sempre foram esquecidos.
Tudo isso graças à revolução bolivariana da Venezuela.

Não é pouca coisa o que temos conseguido:

1. Aumento da autoestima dos venezuelanos
2. Estabelecimento da soberania do país
3. Recuperação da indústria petrolífera
4. Recuperação da OPEP como organização de defesa dos preços do petróleo
5. Colocação da Venezuela no mundo
6. Metrô de Valencia pronto
7. Metrô de Maracaibo inaugurando suas três primeiras estações
8. Metrô de Los Teques
9. Ônibus elétrico de Mérida
10. Terminal de Transbar de Barquisimeto em construção
11. Usinas hidrelétricas de Caruachi, de Barinas e termoelétrica de Zulia
12. Ampliação da Petroquímica X Módulos de Barrio Adentro, CDI, SRI, CAT
13. Universidade de Esportes em Cojedes
14. Ampliação das relações da Venezuela com a Ásia, África e Europa;
15. Importação de novilhas da Argentina e Uruguai para melhorar nossa criação de gado
16. Instalação de hospitais com incubadoras e outros equipamentos importados da Argentina, Alemanha, Uruguai e outros;
17. Criação da Conviasa
18. Criação de CVG Telecom
19. Arrecadação de terras para a agricultura
20. Entrega de terras a camponeses
21. Libertação do país do FMI
22. Diversificação do nosso comércio com mais países do mundo. Atualmente exportamos a EUA, Cuba, Jamaica, todo o Caribe, Argentina, Uruguai, Índia, China, Lituânia e muitos outros países para os quais antes não exportávamos, dependendo do mercado estadunidense;
23. Diversificação da produção
24. Desenvolvimento do SENIAT, de maneira que hoje dependemos menos do petróleo, a arrecadação superou a do petróleo;
25. Aumento das reservas de petróleo com a recuperação da Faixa do Orenoco
26. Aumento das reservas internacionais
27. Ingresso no MERCOSUL
28. Criação da Universidade Bolivariana, em todos os estados;
29. Abertura de estudos de bacharelado, através da Missão Ribas para milhares de pessoas;
30. Alfabetização de mais de um milhão e meio de pessoas, pelo qual a UNESCO nos declarou país livre do analfabetismo;
31. Diminuição da pobreza crítica de 80% em 1998 para 30% em 2007
32. Aumento do número de pessoas que hoje tem água potável e eletricidade
33. Atendimento a centenas de moradores de rua através da Missão Negra Hipólita
34. Atendimento a centenas de crianças de rua
35. Recorde de produção de arroz
36. Rumamos à colheita recorde de milho
37. Aumento do número de beneficiados no Seguro Social
38. Aumento do Salário Mínimo, agora o maior da América;
39. Reajuste das pensões do Seguro Social no nível do salário mínimo
40. Atendimento a centenas de pessoas que ficaram sem casa
41. Aumento das pensões dos idosos
42. Solidariedade do nosso país com povos irmãos que foram afetados por males da natureza em Chile, Peru, Equador, Cuba, Jamaica, Trinidad, de acordo com nossa constituição e as lições dos heróis da pátria;
43. Construção do Centro Cardiológico Infantil onde em menos de um mês se realizaram 60 cirurgias e com capacidade para 4000 cirurgias por ano
44. Desenvolvimento da autoestrada Antonio José de Sucre
45. Desenvolvimento da autoestrada José Antonio Paez de Portuguesa a Barinas
46. Autoestrada Acarigua-Barquisimeto executada em 80%
47. Trem de La Rinconada a Cúa
48. Trem em construção de Maracay a Barquisimeto
49. Viaduto Caracas – La Guairá
50. Criação da PETROSUR
51. Criação de Petrocaribe
52. Criação de Telesur
53. Criação da Agência Bolivariana de Notícias (ABN)
54. Criação de Vive TV
55. Recuperação de mais de 10.000 grupos educativos
56. Criação de 58.236 novas escolas
57. Estabelecimento de novo regime de concessões de petróleo, nova relação com as empresas de petróleo;
58. Eliminada a abertura petroleira e se substituiu por uma política justa para o país, recuperando nosso petróleo;
59. Estabelecimento em todos os contratos petroleiros, de gás e outros, que os tribunais competentes para dirimir controvérsias são os tribunais venezuelanos – anteriormente os tribunais competentes eram no exterior;
60. Criação de fábricas como as de tratores, bicicletas e automóveis com nossos sócios iranianos;
61. Associação com o Brasil para a construção de refinaria em Pernambuco onde serão processados 200.000 barris diários de petróleo venezuelano
62. Criação da ALBA como alternativa à ALCA
63. Importante papel na eleição do Secretário Geral da OEA
64. Obtenção de preços mais justos para nosso petróleo
65. Diminuição da inflação de 30% para 9%
66. Milhares de pessoas recuperaram a visão com a Misión Milagro
67. Limpeza do rio Guaire, atualmente em andamento;
68. Dragagem do rio Misoa em Zulia, para proteção dos habitantes nos períodos de cheia;
69. Ampliação das linhas de eletricidade a locais zulianos
70. Independência da Força Armada Nacional da influência da Escola das Américas, escola de torturadores;
71. Saída da Missão Militar dos Estados Unidos de Fuerte Tiuna
72. Saída de técnicos estadunidenses que realizavam espionagem nos quartéis da FAN
73. Diversificação de mercados para o abastecimento de nossa Força Armada
74. Criação do Banco do Tesouro
75. Criação do INAMUJER
76. Nova Ponte Venezuela em Zulia para ligar Zulia com Barinas
77. Criação de um fundo financeiro em dólares para aumentar os investimentos para o desenvolvimento China (4000) Venezuela (2000)
78. Criação de fundo financeiro em dólares Iran (1000) Venezuela (1000)
79. Criação de fábrica de cimento venezuelana
80. Criação de fábrica de cimento venezuelana Iran-Venezuela
81. Boa venda de PDVSA de sua refinaria Lyondell-Citgo por mil trezentos e catorze milhões de dólares, na qual perdera mais de oitocentos, vendendo saímos ganhando;
82. Colocado em órbita o satélite Simon Bolívar em conjunto com a China para o desenvolvimento da telemedicina, teleeducação e a independência da informação;
83. Nos contratos de criação de indústrias figura uma cláusula que estabelece transferência de tecnologia aos venezuelanos, ou seja, não ficaremos “amarrados”, ao contrário, poderemos fazer nossas próprias criações, mesmo após o término dos contratos;
84. Libertamos a PDVSA da comissão de valores dos Estados Unidos pagando a dívida correspondente
85. Diminuição da dívida pública de 47.5 pontos em 2003 para 25 pontos em 2006
86. Inauguração da Linha 4 do metrô de Caracas
87. Extensão da Linha 3 do metrô de Caracas da Plaza Venezuela a Rinconada
88. Missão Barrio Adentro
89. Criação de várias páginas web para apoio para alguns serviços legais e/ou consulta “Solicitação de Passaporte”, consulta de cotações de SSO e muitas outras;
90. Misión Identidad que permitiu fornecer identidade a milhares de cidadãos que não desfrutavam de seus direitos de cidadão por não ter carteira de identidade
91. Modernização do canal do Estado VTV
92. Recuperação de nosso passado histórico
93. A ação do governo conseguiu que passemos de 14.5 milhões de pessoas com serviço de abastecimento de água em 1998 para 21 milhões em 2006
94. Encontra-se em processo de saneamento os rios Acarigua (em Acarigua) Guanare (Guanare) Turbio, Tocuyo, Yaracuy, Motatán, Tuy, San Pedro, Guaire e vários outros em diversos estados do país como parte do programa nacional de saneamento de rios, lagos e lagoas;
95. Em 1998 o investimento em meio ambiente era de 15 milhões de bolivares, em 2006 foi de 1 bilhão de bolivares
96. Em 1998 18,7 milhões de pessoas, ou seja, 80% recebiam água potável na Venezuela. A revolução conseguiu que 25 milhões de pessoas, ou seja, 93% recebessem água potável. Espera-se que em 2010 todos os cidadãos recebam água potável
97. Diminuímos a mortalidade em 27% desde 1998
98. Há 8 anos atrás, o saneamento básico era de 62%, agora estamos em 80%
99. Inauguração de estação de tratamento de águas em Ciudad Ojeda
100.Edição de mais de 50 milhões de livros de distribuição gratuita para elevar o nível cultural de nosso povo
101.Dotação de bibliotecas públicas do país
102. Criação do Programa Simóncito para atendimento das crianças desde antes do nascimento
103.Recuperação de mais de 10.600 grupos educativos
104.Inclusão de todos os preescolares rurais, indígenas e povos da fronteira;
105.Criação de 75.000 bibliotecas de escolas. Criação de mais de 6.000 escolas bolivarianas
106.Pagamento de todos os débitos dos professores e aumento substancial de salário
107.Pagamento de todas as dívidas com professores, médicos e aposentados;
108.Todas as escolas passaram a ser bolivarianas a fim de melhorar a qualidade da educação do ensino médio
109.Aposentadorias a professores das escolas católicas Fé y Alegria que em 50 anos não conseguiram aposentadoria nem sequer 13o salário
110.Recuperação pela PDVSA de mais de 26.000 milhões de dólares na renegociação petrolífera
111.Criação dos Distritos Sociais de PDVSA para atender centenas de comunidades no país
112.Inauguração da Mega Aldeia Universitária em Valles Del Tuy
113.Plano penitenciario para a construção de cidades penitenciárias a fim de resolver o problema dos presídios
114.Diminuição em 8,13% da dívida da República
115.Criação e desenvolvimento da Missão Ciência
116.Criação do CIGMA
117.Extensão do período de aleitamento materno, que obriga os empregadores a dar mais semanas às mães para se dedicarem a amamentar seu filho;
118.Rede Nacional de Radioterapia, equipada com aparelhagem importada da Argentina em troca de petróleo, a rede está composta por 19 centros;
119.Criação e desenvolvimento de Rodadas de Negociações com vários países tem trazido investimentos ao país
120.Unidade de Cobalto de Radioterapia e Medicina Nuclear em Barquisimeto
121.Fábrica de Leite Canton em Barinas
122.Empresa cogestionária INVEPAL
123.Via Expressa Pampatar-Juan Griego-La Asunción em Nueva Esparta
124.Remodelação e construção de estádios para a Copa América 2007
125.Plano nacional de distribuição de gás para todas as comunidades
126.Habitações para os atingidos pela tormenta Brett, do terremoto de Cariaco
127.Plano nacional de turismo que corresponda às características do nosso país para mostrar as belezas de nossa natureza ao mesmo tempo em que a protegemos
128.Criação de Redes de Inovação Produtiva dentro da Missão Ciência para agregar nossos criadores/inventores
129.Criação de Ciudad Jesús Enrique Lozada em associação com a Universidade de Zulia no estado do mesmo nome
130.Declaratória de inamovibilidade trabalhista, para impedir o desemprego;
131.Garantia de atendimento gratuito e fornecimento de medicamentos a portadores enfermos de HIV
132.Criação da Cidade do Cinema
133.Projeto Orinoco Magna Reserva. Programa de Medicina Integral Comunitária que graduará 10.000 médicos na área.
134.Salvamento, resgate e melhoramento do Instituto Venezuelano dos Seguros Sociais;
135.Criação de um novo Serviço Nacional de Saúde encabeçado por Barrio Adentro
136.Reinauguração, ou seja, readaptação de importantes escolas de nível médio da capital, tais como: Luis Espelozin, Gran Colômbia, República da Bolívia, Agustín Aveledo, Andrés Bello, alguns outros e escolas técnicas;
137.Expulsão das Nuevas Tribus que conquistavam para o Império os nossos indígenas e roubavam segredos ancestrais
138.Abertura do teatro Teresa Carreño, La Estância e o Centro de Arte Rômulo Gallegos a toda a população com obras nacionais e internacionais, atualmente o teatro se autofinancia e todo o nosso povo dispõe de preços/ingressos que lhe facilitam o acesso;
139.Rede de Casas de Alimentação para pessoas necessitadas
140.Programa de substituição de barracos por casas (SUVI)
141.Novo viaduto Caracas-La Guaira em 2007
142.Em construção a nova auto-estrada Caracas-La Guaira
143.Recuperação do porto de La Ceiba no estado de Trujillo, este porto é importante para transportar o petróleo de Topomoro e a produção agrícola e pecuária desta região
144.Apoio e desenvolvimento do esporte nacional que levou a ganhar mais medalhas por olimpíada que em qualquer período da 4a República e que além disso conduz a preparação física do nosso povo
145.Desenvolvimento do plano de independência alimentar, que libertará o país de importar 70% dos alimentos;
146.Política definida de defesa do cidadão, com o incentivo de uma nova cultura para as instituições policiais, para acabar com a impunidade. Os protestos da comunidade se dialogam, não se reprimem;
147.Recuperação do Patrimônio Cultural em todo o país
148.Combate definido e contundente ao narcotráfico e liberação do nosso país da espionagem da DEA
149.Limpeza na ONIDEX
150.Documentação de toda a população
151.Acordos para a construção de um gasoduto sul-americano
152.Construção de interconexão de gás oriente-ocidente(ICO)
153.Acordo com a Colômbia para fornecimento mútuo de gás, de acordo com as necessidades de ambos os países;
154.Plano de desenvolvimento de diferentes eixos para ocupação do território nacional, eixo norte-interior, por exemplo;
155.Eliminação de cobrança de matrículas em colégios do estado
156.Crescimento do setor automotor em 123.7% em 7 anos
157.Misión Madres de Barrio para apoiar as 200.000 mães com dificuldades econômicas
158.Missão árvore, que realiza o plantio de 20 milhões de árvores em 2006 e está em prosseguimento;
159.Temos permanente informação semanal através do Alô Presidente e outros
160.Resgate da identidade, da cultura e da arte do país;
161.Aprovação pela OEA da carta Social das Américas, proposta por nosso país;
162.Junto com o Uruguai, a Venezuela é o país onde mais se preza a democracia, êxito de Hugo Chavez, pois antes de 1998, a Venezuela figurava quase como o último;
163.Derrota, na conferência de Quito, da proposição dos Estados Unidos de converter as Forças Armadas latinoamericanas em policiais;
164.Recuperação do Instituto Autônomo de Ferrovias do Estado (IAFE)
165.Plano ferroviário nacional, em execução;
166.Criação do Sistema de Democratização do Emprego (SISDEM) da PDVSA que impede a venda de postos de petróleo
167.Fim do corporativismo, se um funcionário trata mal um cidadão, é submetido à justiça, como exemplos os casos Kennedy e La paragua
168.Pela primeira vez na história da Venezuela se respeita a divisão dos Poderes; cada poder pratica sua autonomia;
169.A Venezuela diversificou seus fornecedores mundiais em todas as áreas
170.Conquista de uma posição respeitável para a Venezuela no cenário mundial das nações
171.Baixa da taxa de juros por pressão do governo aos banqueiros
172.Plano de economia de energia, trocando luz amarela por luz branca;
173.Recuperação da excelência presidencial; no passado, quando um presidente falava as pessoas desligavam o rádio. Hoje são milhões de pessoas que sintonizam o discurso presidencial
174.O índice de expectativa de vida aumentou para 73.18 anos
175.Mais de 200 mil novos bacharéis graduados na Misión Ribas
176.Mais de 800 novos técnicos superiores formados na Universidade Bolivariana da Venezuela
177.Plano nacional de plantio de feijão, para liberar nosso país de importar o produto;
178.Formação de treinadores esportivos em tempo integral através de convênio com Cuba
179.Saída dos estados de Sucre e Trujillo da posição de estados mais pobres para estados em desenvolvimento graças à ação conjunta dos governos desses estados com o governo federal
180.Criação de empresa mista com a China para fabricação de computadores; já se entregou 20.000 destes computadores fabricados na China e antes do fim de 2006 começarão a ser produzidos na Venezuela;
181.Autoestrada Charallave-Ocumare que será inaugurada em janeiro de 2007
182.Criação pelo CVG-Telecom de 26 centrais pilotos para telefonia em locais onde não existe
183.Criação de fábrica de fibra ótica
184.Treze trimestres seguidos de crescimento da economia
185.Posicionamento de nosso país em várias organizações internacionais, como a presidência do grupo parlamentar latinoamericano e a saída de sindicalistas conservadores da OIT, presidência da Organização Latinoamericana de Governos Intermediadores, presidência do Parlatino
186.Baixa do índice de desemprego para um dígito
187.Êxitos da missão Negra Hipólita: atletas resgatados pela missão trazem 13 medalhas
188.Construção da primeira Clínica Popular Indígena, em Apure; além disso, se constrói uma extensa rede de dez ambulatórios para os indígenas;
189.Criação da Zona Industrial de Palavecino, estado de Lara;
190.Democratização da informação através da criação e desenvolvimento de centenas de meios alternativos
191.Aprovação da Lei de Responsabilidade Social no rádio e na televisão
192.Recuperação do programa Gás Natural para Veículos
193.Atendimento permanente e prioritário a flagelados, único governo a fazer isso em toda a história da Venezuela;
194.Mais de 3 milhões de crianças participaram da seleção de atletas nos jogos esportivos escolares de 2006, nunca isso havia ocorrido
195.Hoje a economia venezuelana se sustenta não somente sobre o petróleo, mas também sobre o pagamento justo de impostos pela ação de um SENIAT sério e organizado e dos juros com que contribui o Banco do Tesouro e operações de compra de bônus de países amigos com os quais temos obtido algum lucro financeiro;
196.Aumento do consumo de alimentos pelos venezuelanos com até algum supérfluos, segundo disse o CONSECOMERCIO, por parte das classes D e E
197.Em Olivitos, estado de Zulia, a população de aves flamengos do Caribe, espécie ameaçada de extinção, aumentou para 6.700, a maior reprodução em 20 anos de existência do seu Centro de Proteção;
198.Solução do problema de vagas universitárias com a extensão da UNEFA, a criação da Universidade Bolivariana da Venezuela, criação de mais centros tecnológicos, aumento de vagas na Universidade Simon Rodríguez e outras instituições universitárias;
199.Criação da primeira escola robinsoniana técnica petroquímica e agroambiental da Venezuela
200.Criação de 255 escolas técnicas onde estudam 203 mil alunos; a meta é chegar a 500 escolas técnicas para 500 mil alunos;
201.O governo mais democrata que a Venezuela já teve, com maior liberdade de expressão, sem perseguição por idéias políticas;
202.Eliminação do Imposto de Débito Bancário
203.Criação do Banco de Desenvolvimento (BANDES)
204.Criação do BANDES Uruguai
205.Criação do Banco do Sul

Henry Alvarado – Parroquia San Pedro – Equipo Político
Teresa Maniglia – Periodista

Os Anos Lula - Paulo Passarinho

Será lançado no próximo dia 22 de setembro, no Rio de Janeiro, na Livraria Argumento, o livro Os Anos Lula – Contribuições para um balanço crítico 2003/2010. O livro é uma iniciativa do Conselho Regional dos Economistas, do Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro e do Centro de Estudos para o Desenvolvimento, com edição pela Editora Garamond.
As entidades dos economistas do Rio de Janeiro têm uma longa tradição em acompanhar, debater e apresentar posições críticas com relação aos temas pertinentes à problemática do modelo de desenvolvimento brasileiro.
Desde o final dos anos setenta até os dias de hoje, essas entidades sempre se pautaram pela luta por um novo modelo econômico para o Brasil, coerente com as posições voltadas para uma real democratização do país, a defesa da soberania nacional e de uma concepção de desenvolvimento econômico e social capaz de reduzir as imensas desigualdades que nos marcam.
Na apresentação do livro, é lembrado que essa iniciativa editorial se vincula também à própria natureza do movimento político que fez com que Lula, o Partido dos Trabalhadores e os seus aliados chegassem ao governo federal, através da eleição presidencial de 2002.
Conforme é de amplo conhecimento, as correntes políticas majoritárias que venceram a eleição presidencial daquele ano sempre sustentaram uma forte crítica às reformas implantadas no país, a partir dos governos Collor de Melo, Itamar Franco e FHC.
Essas reformas procuraram conferir ao país um novo quadro jurídico-institucional, particularmente como suporte para um novo modelo econômico, baseado nas aberturas financeira, comercial, produtiva e tecnológica.
Esse conjunto de reformas – verdadeiras contra-reformas, pelos seus aspectos anti-nacionais e anti-populares – tiveram o papel de introduzir em nosso país, de forma tardia, o receituário propugnado pelo chamado Consenso de Washington, anteriormente já aplicado em vários países da América Latina.
Paulatina e contínua remoção dos mecanismos de controle sobre os fluxos externos de capital; abertura comercial; privatizações de empresas estatais, especialmente de serviços públicos essenciais, como a distribuição de energia elétrica e de gás e o setor de telecomunicações; fim, na prática, do monopólio estatal do petróleo; ou as mudanças na legislação trabalhista, com o objetivo de facilitar a flexibilização e terceirização das relações de trabalho, foram algumas medidas que ficaram como marcos, a rigor, de uma nova fase que se abriu no Brasil, a partir dos anos noventa.
Essa fase pode ser caracterizada como a resposta encontrada pelo novo pacto político hegemônico forjado no país, buscando superar os impasses em que a economia e a própria sociedade brasileira se debatiam, desde o início da década de 1980, com a crise da dívida externa e o esgotamento da chamada fase de substituição de importações.
Contudo, assim como as correntes políticas lideradas por Lula, as sucessivas e diferentes direções das entidades representativas dos economistas no Rio de Janeiro sempre se colocaram como frentes de resistência e críticas ao ajuste promovido por esse pacto político, dominante a partir dos anos 1990.
Dessa forma, e independentemente das vinculações partidárias dos membros dessas entidades, a vitória eleitoral de Lula em 2002 e a chegada do PT e de seus aliados históricos ao governo federal, a partir de 2003, abriram, naturalmente, uma enorme expectativa em relação às possibilidades que então se descortinavam.
Em que medida essas expectativas foram respondidas?
Através de artigos encomendados a diversos autores de reconhecida competência técnica, notória especialidade, independência crítica e inserção social e política nas áreas analisadas, o livro procura avaliar alguns aspectos e políticas desenvolvidas nos dois mandatos de Lula.
Os temas mais contemplados nesse conjunto de trabalhos abordam a problemática macroeconômica, como uma decorrência da própria centralidade dessa questão, condicionante em larga medida do conjunto das políticas públicas. Textos de João Paulo de Almeida Magalhães – Estratégias e Modelo de Crescimento; Luis Filgueiras, Bruno Pinheiro, Celeste Philigret e Paulo Balanco – Modelo Liberal-Periférico e Bloco de Poder: Política e Dinâmica Macroeconômica nos Governos Lula; Miguel Bruno – Endividamento do Estado e Setor Financeiro no Brasil: Interdependências macroeconômicas e limites estruturais ao desenvolvimento; Marcelo Carcanholo - Inserção Externa e Vulnerabilidade da Economia Brasileira no Governo Lula; Adhemar Mineiro – Desenvolvimento e Inserção Externa – Algumas Considerações sobre o período 2003 – 2009 no Brasil; e de Reinaldo Gonçalves – Desempenho Macroeconômico em perspectiva histórica: Governo Lula (2003-2010) - procuram interpretar e traduzir as principais características e especificidades da dinâmica macroeconômica desses anos dos governos Lula.
A estratégia industrial, o problema da infra-estrutura ao desenvolvimento e a avaliação do mais importante instrumento de financiamento à atividade produtiva no país, que é o BNDES, são contemplados, respectivamente, pelas contribuições de Wilson Cano e Ana Lucia Gonçalves da Silva – Política Industrial do Governo Lula; Carlos Lessa, Gustavo Santos e Raphael Padula – Considerações sobre Energia e Logística no Brasil; Fernando Mac Dowell – Política de Transportes; e de Carlos Tautz, Felipe Siston, João Roberto Lopes Pinto e Luciana Badin – O BNDES e a Reorganização do Capitalismo Brasileiro: Um Debate Necessário.
A realidade agrária é apreciada por Ariovaldo Umbelino – A Questão Agrária no Brasil - e algumas das questões relacionadas à complexa problemática social do país são abordadas nos trabalhos de Flávio Tonelli Vaz e Antônio Augusto Queiroz – Trabalho e Sindicalismo no Governo Lula; Ligia Bahia – A Saúde em Banho Maria; Roberto Leher – Educação no Governo Lula: A Ruptura Que Não Aconteceu; e de Guilherme Delgado – Desigualdade Social no Brasil.
Esse projeto editorial expressa também a posição das entidades dos economistas do Rio de Janeiro em não compactuar e não concordar com qualquer tipo de silêncio, ou perplexidade, frente aos aparentes paradoxos que o mundo da política nos reserva. Ao contrário, essas entidades assumem as suas posições com transparência. Declaram querer explicitamente resistir às tentações de compatibilizar o necessário e permanente exercício da crítica às conveniências e interesses políticos de ocasião. E afastam a possibilidade de condicionar a crítica a uma estreita – e, em geral, oportunista – concepção de pragmatismo.

O correto entendimento do período analisado pelo livro, que se confunde com a chegada ao governo federal de um conjunto de partidos de esquerda, poderá ser útil para repensar os inúmeros desafios que continuam a se colocar em nosso horizonte, sem que haja, infelizmente, um mínimo de garantia de uma mudança estrutural dos rumos que o país assumiu desde o início dos anos de 1990.
Desde então, no plano objetivo do desenvolvimento econômico e social, aprofundamos a inserção subalterna da economia brasileira a um mundo sob hegemonia da globalização financeira e fortemente marcado por pressões das potências econômicas, soberanas nas definições de suas prioridades.
Na apresentação do livro é recordado que mesmo nos momentos de maior força do neoliberalismo, particularmente aqui na América Latina, em meados dos anos 1990, o Brasil e o PT eram vistos pelo mundo afora – especialmente pela esquerda mundial - como uma espécie de retaguarda de resistência e esperança de uma virada política que viria a acontecer, a partir dos fracassos econômicos e sociais que o projeto liberal acumulava.
Afinal, que outro país dispunha de um partido de esquerda enraizado, como o Partido dos Trabalhadores? Qual outro país possuía a força de um movimento de massas organizado como o MST, ou o apoio importante de segmentos médios, críticos das conseqüências do ajuste liberal realizado, como servidores públicos, estudantes, advogados progressistas ou expressivos setores ligados às igrejas? Que outro país podia contar com uma central sindical, como a CUT, com sua força e representatividade? Particularmente, que outro país tinha o privilégio de ter construído uma liderança popular como o ex-retirante, ex-metalúrgico e líder político Luiz Inácio Lula da Silva, com todo o seu carisma e a sua simbologia?
Desse modo, a eleição presidencial de 2002 ao se aproximar - em meio a mais uma forte crise de governabilidade, provocada pelo fracasso do modelo dos bancos e transnacionais - apontava claramente para a objetiva possibilidade de o Brasil se reencontrar com o seu próprio futuro, como uma nação capaz de se reconstruir, com soberania e justiça. Seria a oportunidade de se deixar para trás os programas de ajuste e as políticas macroeconômicas, sob inspiração do FMI; de se rever as criminosas privatizações, levadas a cabo ao longo dos anos 1990; de se repensar o tipo de inserção externa que o país havia experimentado, aprofundando uma medíocre subalternidade às economias mais desenvolvidas.
Passados quase oito anos das eleições de 2002, e tendo o governo Lula sido reeleito na eleição presidencial de 2006, o livro oferece, portanto, a oportunidade de um balanço deste período.
As próximas décadas – em um mundo dominado pela globalização financeira, marcado por uma crise econômica de dimensões inéditas nos centros mais desenvolvidos do capitalismo e convivendo com o início do declínio do poder imperial, e até hoje inconteste, dos Estados Unidos – nos colocam graves interrogações.
Em que medida estamos nos preparando para o futuro, de tensão e riscos, que sempre caracterizam esses momentos históricos de transição da hegemonia do poder global, ou ao menos do padrão de dominação que se construiu a partir do final da 2ª Grande Guerra e, especialmente, após o fim da União Soviética?
Somos um país extremamente rico em diversos recursos minerais estratégicos, incluindo agora o disputadíssimo petróleo, em decorrência da descoberta dos campos do pré-sal; possuímos a Amazônia brasileira, a maior área dessa cobiçada e rica região sul-americana, santuário do maior patrimônio de biodiversidade da Terra; temos, em abundância, água e terras férteis, em meio a um mundo carente de alimentos e do líquido vital aos seres humanos. Além disso, temos um território continental e uma população que se aproxima dos 200 milhões de pessoas. Somos, enfim, um país com plena potencialidade de construir uma sociedade harmônica, com todas as condições de assegurar bem estar material e acesso à educação, saúde e serviços básicos de ótima qualidade ao conjunto da nossa população.
Contudo, por força do modelo em curso, nos encontramos em acelerado processo de desnacionalização do nosso parque produtivo, em franca trajetória de reprimarização de nossa pauta de exportações, aprofundando o processo de liberalização financeira e sem nenhuma autonomia na estratégica área de geração de conhecimentos científicos e tecnológicos, que possam atenuar nossa dependência externa.
Que país, portanto, estamos construindo?
Essa é a principal pergunta que o livro procura estimular que seja respondida.
Lula encerra os seus dois períodos presidenciais com grande popularidade, relativo crescimento econômico e geração de empregos de baixa remuneração e precária qualificação – mas, significativos em relação aos seus mais recentes antecessores. Conta com acentuada projeção internacional junto aos círculos do poder dominante do mundo mais desenvolvido, junto às vozes do mercado, mas também com prestígio em relação aos dirigentes dos países em desenvolvimento, incluindo os países da América do Sul que neste momento empreendem revoluções democráticas e nacionalistas.
Porém, muito além de conclusões que se limitem a observar ou constatar os efeitos imediatos e aparentes do governo, torna-se necessário estabelecer a exata medida das ações realizadas, dentro de uma visão de longo prazo e do futuro que estamos projetando para o Brasil.
Junto com a aparência de avanços das políticas governamentais – em particular, na área macroeconômica, e com o apoio explícito da mídia dominante – observamos um forte e contínuo endividamento do Estado, o comprometimento de nossas finanças com uma gigantesca carga de pagamentos de juros, e o sacrifício permanente de áreas vitais ao dia-a-dia da população, como são os casos notórios da saúde, da educação, dos transportes de massa ou da segurança pública.
Ao mesmo tempo, temos também um perigoso processo de descrédito da população em relação aos poderes formalmente constituídos. Banalizou-se a realidade que impõe o péssimo padrão de atendimento de serviços essenciais à população, e generalizou-se a crença na inoperância dos políticos, dos legisladores e do próprio poder judiciário.
A política com P maiúsculo – aquela que discute e procura definir as grandes linhas mestras que constroem uma nação - se apequenou, e apenas as iniciativas relacionadas ao próprio mercado parecem ser as válidas e dotadas de credibilidade.
E aqui, volta a pergunta: que país, enfim, estamos construindo?

Setembro se chama Allende

O Chile vive nestes dias três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 - que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.
Mario Amorós (*)

Discurso do Presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo da Unidade Popular e implantou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Pinochet:

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

(*) Doutor em História e Jornalista. Autor de “Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo”. Artigo publicado no jornal “Público”, de Madri.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16951

Fidel defende comunismo cubano e corrige jornalista conservador

10/9/2010 18:26, Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro

Fidel discursou na Universidade de Havana
Diante da repercussão que ganhou, mundialmente, uma matéria publicada esta semana na revista conservadora norte-americana Atlantic Monthly, pelo jornalista Jeffrey Goldberg, o líder cubano Fidel Castro fez, nesta sexta-feira, um breve comentário no qual frustra os seguidores do capitalismo. Durante uma entrevista, Goldberg perguntou a Fidel se ainda vale apenas tentar exportar o modelo comunista cubano para outros países.
– O modelo cubano não funciona mais nem para nós – teria respondido Fidel.
Sobre o assunto, Fidel corrige o jornalista.
– Claramente, esta questão trazia a teoria implícita de que Cuba estava exportando a revolução. E respondi: ‘O modelo cubano já não funciona nem para nós’. Me divirto agora ao ver como ele interpretou (a declaração) ao pé letra. Ele consultou, por isso, Julia Sweig, analista do Council on Foreign Relations (CFR, na sigla em inglês) que o acompanhava, e desenvolveu a partir daí a teoria apresentada. Mas a realidade é que a minha resposta significava exatamente o oposto do que os dois jornalistas norte-americanos interpretaram como modelo cubano. Minha idéia, como todos sabem, é que o sistema capitalista não funciona, tanto para os Estados Unidos ou do mundo. Trata-se de um modelo que segue de crise em crise, cada vez mais sérias, abrangentes e repetidas, que não pode escapar. Como tal sistema poderia servir para um país socialista como Cuba? – questiona Fidel.
Fidel também tratou de deixar claro o que pensa sobre a luta que se desenvolve no mundo, há décadas, entre árabes e judeus.
– Muitos amigos árabes, ao ouvir que eu me encontrei com Goldberg, preocuparam-se e me enviaram uma mensagem indicando-o como ‘o maior apoiador do sionismo’. De tudo isto, podemos deduzir a grande confusão que existe no mundo. Espero, portanto, que o que eu digo, que o meu pensamento seja útil. As ideias expressas por mim estão contidas (no livro) 333 Reflexões, e destas, as 26 últimos são designadas exclusivamente para os problemas ambientais e ao perigo iminente de um conflito nuclear. Permitam-me adicionar em um breve resumo. Eu sempre condenei o Holocausto.Eu nunca fui um inimigo do povo judeu, que admiro pela sua capacidade de suportar 2 mil anos de dispersão e perseguição. Muitos dos mais brilhantes talentos, Karl Marx e Albert Einstein, eram judeus, pois é uma nação na qual sobrevive o mais inteligente, uma lei natural. Em nosso país, e no mundo, foram perseguidos e difamados.
O líder cubano, no entanto, acrescenta que este “é apenas um fragmento de idéias que eu defendo”.
– Eles (os judeus) não foram os únicos perseguidos e caluniados por suas crenças. Os muçulmanos, por bem mais de 12 séculos, foram atacados e perseguidos pelos cristãos europeus, por causa de suas crenças, assim como os primeiros cristãos na antiga Roma, antes de se tornar a religião oficial do império. A história deve ser aceita e lembrada como ela é, com suas realidades trágicas e guerras ferozes. Falei, portanto, justamente sobre os perigos que a humanidade corre hoje, quando estes se tornaram o maior risco de suicídio para a nossa frágil espécie. Se os EUA se envolverem em uma guerra contra o Irã, embora com de natureza convencional, seria melhor desligar a luz começar a correr. Como poderiam resistir a uma guerra com 1,5 milhão de muçulmanos? – pondera o revolucionário.
Ainda sobre o jornalista Goldberg, Fidel o considera “um grande jornalista, capaz de expor de forma amena e com maestria os pontos de vista mais polêmicos”.
– Ele não inventou nenhuma frase, as transfere e as interpreta – concluiu Fidel.

CNN promove terrorismo contra a Venezuela

Outras vozes
Terça, 14 Setembro 2010 02:00

Eva Golinger

Durante a noite da segunda-feira, 13 de setembro, a jornalista de CNN em Espanhol, Patricia Janiot, entrevistou ao vivo Raúl Díaz Peña, venezuelano preso em 2003 por terrorismo, quem faz dias fugiu da prisão.

Em 2003, Díaz Peña foi detido pelas autoridades venezuelanas em conexão com os atentados terroristas contra as sedes diplomáticas de Espanha e Colômbia acontecidos em Caracas a 25 de fevereiro de 2003. Diaz Peña foi julgado e condenado por um tribunal venezuelano, e sentenciado a nove anos e oito meses de prisão.

O atentado terrorista aconteceu mesmo coincidindo no final da sabotagem econômica e paralisação petroleira promovida por grupos antichavistas na Venezuela, que só meses antes tinham executado um golpe de estado contra o Presidente Chávez que durou escassas 48 horas. Desde dezembro de 2002, organizações e partidos políticos da oposição conseguiram parar a indústria estatal petrolífera, PDVSA, e os grandes meios de produção do país - que ainda estavam em mãos da elite política e econômica - com o objetivo de forçar a saída do poder do Presidente Chávez. A estas forças desestabilizadoras, uniu-se a grande mídia na Venezuela, que prestaram os seus horários de transmissão para apoiar o plano golpista. Os atentados terroristas fizeram parte da mesma conspiração.

Em 2003, também foi detido Silvio Mérida Ortiz, depois condenado por ser o principal responsável por ter colocado bombas de C-4 nas sedes diplomáticas da Espanha e Colômbia em Caracas junto a Díaz Peña. Com eles foram imputados os tenentes José Antonio Colina e Germán Rodolfo Varela, que fugiram da Venezuela e desde então permaneceram em Miami, protegidos pelo governo estadundiense.

Segundo o jornalista canadense Jean-Guy Allard, também é reclamado pela justiça venezuelano o Coronel do Exército Yucepe Pilleri Carmono, "outro beneficiario da complacência do governo de Estados Unidos".

"Pilleri é também inculpado em seu país da morte de três soldados e uma jovem na praça Altamira, quando se encontrava ocupada pelos militares" em outubro 2002.

CNN = JORNALISMO PORNOGRÁFICO

Durante a entrevista que realizou ao terrorista fugitivo Raúl Díaz Peña, a jornalista veterana da CNN em Espanhol, Patricia Janiot, o chamou "um estudante venezuelano", "preso político", e perguntou-lhe quantos outros "estudantes" como ele eram "presos políticos" do governo de Hugo Chávez. Janiot também disse que o caso de Díaz Peña era um caso de "direitos humanos".

Em lugar de reconhecer que Díaz Peña tinha sido julgado por um tribunal venezuelano e sentenciado pelo poder judicial, Janiot fez questão de que o jovem terrorista era perseguido por "Chávez". Janiot perguntou a Díaz Peña "quantos outros presos políticos há" no "regime" de Chávez.

O terrorista preso também confessou como conseguiu contornar o sistema penitenciário venezuelano, que permite visitas a família e programas de trabalho e educação - todos foram criados pelo governo de Hugo Chávez - para os presos com bom comportamento. Depois de sair vários fins de semana desde maio 2010 no programa de bom comportamento, Díaz Peña fugiu do país.

No fim da entrevista, a jornalista de CNN desejou "sorte" ao terrorista venezuelano.

Horas antes, Díaz Peña também foi entrevistado pelo programa de Miami "Maria Elvira Live", durante o qual falou de supostas "torturas" a mãos de servidores públicos da DISIP (Segurança de Estado venezuelano). Também confessou que tinha pago seis mil dólares para conseguir fugir da Venezuela e chegar a Miami, "via uma ilha caribenha".

Vários venezuelanos da oposição mantêm propriedades, aviões e iates nas ilhas de Aruba e Curazao, a poucos quilômetros da costa da Venezuela.

Segundo o jornalista Jean-Guy Allard, em Miami o terrorista venezuelano Díaz Peña foi recebido pela congressista cubana-americana Ileana Ros-Lehtinen, representante republicana pelo Estado da Flórida. Ros-Lehtinen também foi protetora do terrorista nefasto Luis Posada Carriles e seu sócio, Orlando Boscho, os dois responsáveis pelo ataque terrorista contra o avião de Cubana de Aviação em 1976, que matou os 73 passageiros do avião.

Allard também revelou que, no sábado 11 de setembro, Díaz Peña foi recebido pelo grupo venezuelano "Venezuelan Awareness Foundation" em Miami, encabeçado por Patricia Andrade, quem também é sócia da organização UnoAmérica de Alejandro Peña Esclusa, outro acusado do terrorismo e violência na Venezuela. Andrade anunciou sábado que Díaz Peña solicitará "asilo político" nos Estados Unidos.

O governo de Estados Unidos acusou a Venezuela de "não cooperar suficientemente" com a "luta contra o terrorismo" desde o 2006. Não obstante, são os Estados Unidos, e seus meios de comunicação, que protegem os mais perigosos terroristas da América Latina.

A entrevista na CNN com o terrorista venezuelano acontece só uns dias antes das eleições legislativas no país sul-americano. Faz duas semanas, CNN estreou um documentário, "Os Guardiães de Chávez", que tentava ligar o governo de Hugo Chávez com grupos criminosos e terroristas.

Vejam a entrevista na CNN em Espanhol de Patricia Janiot com o terrorista venezuelano Raúl Díaz Peña aqui: http://edition.cnn.com/video/#/video/spanish/2010/09/13/WEBpena.cnn

Vejam a entrevista com o terrorista Raúl Díaz Peña em "Maria Elvira Live" aqui: http://www.youtube.com/watch?v=LVawzqPAv-w

Tradução do Diário Liberdade.

Fonte: Cubadebate.

http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article...

Chile: Deputados em jejum em apoio a protesto mapuche

Deputados continuarão em jejum em sede de sindicato chileno em apoio a protesto mapuche *

Os quatro deputados chilenos que decidiram aderir à greve de fome que há dois meses integrantes mapuche mantém em presídio no sul do país, foram retirados nesta quinta-feira do Centro de Reclusão onde estão presos os manifestantes indígenas e manterão seu protesto de jejum em um sindicato do Chile.

Um grupo de quatro legisladores da Câmara dos Deputados chilena foi retirado, à força, pelos guardas da prisão de Temuco, onde se encontravam para aderir e apoiar o protesto dos integrantes mapuche, com o qual reivindicam diálogo com o Governo chileno.

Impedidos de prosseguir com o protesto junto aos prisioneiros mapuche, os deputados Tucapel Jiménez, Hugo Gutiérrez, Sergio Aguiló e Manuel Monsalve, integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, decidiram continuar com a greve de fome na sede da Central Unitaria de Trabajadores (CUT), também localizada em Temuco, cidade ao sul do Chile.

O deputado Tucapel Jiménez declarou à televisão local “que depois de ver o estado de saúde dos prisioneiros mapuche em greve de fome, decidimos aderir à iniciativa”
“Não tenho nada contra o governo, mas queremos um canal de diálogo, e o Governo não tem feito nada para negociar, que é a única coisa que os prisioneiros pedem para acabar com a greve de fome” acrescentou Jiménez.

O deputado confirmou que os prisioneiros já indicaram nomes para estabelecer uma mesa de negociação, que seria composta por Eric Millán, porta-voz e Victor Queipul, porta-voz da comunidade autônoma de Temucuicui, entre outros.

A rádio local, Rádio Cooperativa, informou que os manifestantes mapuche solicitaram que a diretora do Instituto de Direitos Humanos do Ministério do Interior chileno, Lorena Fries seja a avalista ou fiscal dos avanços que se possam obter na eventual mesa de negociação.

São 34 grevistas mapuches, 20 dos quais estão em jejum desde o último dia 12 de julho que exigem que se deixe de lhes aplicar a Lei Antiterrorista, herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990)

Além disso, os indígenas mapuche reivindicam que não sejam submetidos a um duplo juízo, perante tribunais civis e militares porque isso limita seu direito de defesa e o de ter um juízo justo, além de agravar as penas.

No último dia 1 de setembro, dois jovens detidos em Cholchol se somaram ao protesto. Com isso, o número de prisioneiros em jejum – que era de 32 – se elevou a 34, muitos dos quais se consideram prisioneiros políticos.

O Governo e parlamentares governistas haviam qualificado a iniciativa dos quatro deputados como uma “atitude irresponsável”.

Por outro lado, a presidente da Câmara dos Deputados, deputada Alejandra Sepúlveda, solicitou ao Ministro da Justiça chileno, Felipe Bulnes, uma apuração sobre o procedimento utilizado pelos guardas da prisão de Temuco.
Sepúlveda declarou aos jornalistas que solicitou a investigação por “não concordar que um deputado seja agredido”.

Fonte: TeleSur - 10/09/2010

http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/78083-NN/diputados-cont...

Mais informações (Brasil de Fato): http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/29-mapuche-segu...

* Tradução: Carmen Diniz

Milhares de hondurenhos na greve cívica

HONDURAS

Milhares de hondurenhos na greve cívica convocada pela Frente de Resistência

Adital -
Milhares de pessoas se mobilizaram ontem (7) em nível nacional no marco da "greve cívica" convocada pela Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), para repudiar e "exigir que se detenha esta ofensiva neoliberal contra os pobres". De acordo com a Frente, além de Tegucigalpa, houve atividade resistente em San Pedro Sula, Choluteca, Copan, El Progreso, La Ceiba, Colon Comayagua, Catacamas, Tela e Danlí.
As demandas das organizações populares, integradas na FNRP, são também "a) O aumento do salário mínimo; b). O aumento geral para os funcionários públicos; c) A rejeição às leis que o regime de fato promove para impulsionar o trabalho temporário e por horas; d) A eliminação da lei de investimento público-privado; e) A solidariedade com a luta dos trabalhadores da UNAH; f) A defesa do decreto 18-2008, que dá certas garantias aos campesinos; g) O rechaço à privatização dos recursos naturais, que se oculta de modo enganador atrás da fachada de produção de energia renovável".

Na capital, os manifestantes se concentraram nas imediações da Universidade Pedagógica Nacional Francisco Morazán (UPNFM) e da Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH), que se encontra militarizada por ordens da reitora Julieta Gonzalina Castellanos.

Acompanhados pela militância do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), as juventudes em resistência tomaram o Boulevard Suyapa por mais de quatro horas, enquanto os afiliados às centrais trabalhadoras o fizeram no Boulevard América-Central por igual número de horas.

Uma vez mobilizados para o Congresso Nacional (CN), grupos de jovens, causaram alguns distúrbios que afetaram três edifícios de propriedade dos meios de comunicação promotores do golpe de Estado.

Os meios afetados foram o Canal Cinco, propriedade do empresário José Rafael Ferrari membro do grupo de empresários que participou no golpe, de igual maneira foi afetado o edifício de Rodrigo Wong Arévalo, um conhecido jornalista, ator importante na execução do rompimento constitucional. Também foi danificado o edifício onde se localiza o comissionado de direitos humanos.

Em um comunicado entregue hoje pela FNRP, denunciou que a oligarquia está demonstrando quais foram os motivos para dar o golpe de Estado de 28 de junho de 2009, contra o Presidente Manuel Zelaya Rosales.

Essas razões são "continuar ilimitadamente a contração de riquezas a partir do roubo do trabalho e dos recursos das grandes maiorias" através da aprovação de leis como a do emprego temporário ou por hora, que destruiria de fato o Código do Trabalho, produto da grande greve de 1954.

A Frente reiterou uma vez mais que todos os atos deste regime de Porfírio Lobo Sosa, são ilegítimos e ilegais porque se impõem desde poderes do Estado sequestrados por uma classe privilegiada na contramão da vontade do povo.

A FNRP deixa claro que as reivindicações populares são parte fundamental de sua agenda, e anuncia que se mobilizará sempre que se atente contra elas, mas expressa que para dar-lhe solução aos problemas estruturais da sociedade e deter definitivamente as injustiças que se dão no sistema capitalista neoliberal se deve avançar para a refundação do país.
Considera que "devemos avançar para a refundação do país, de seu sistema econômico, das leis que o regem e dos valores que se impõem para perpetuar a exploração" "para conseguir a instalação da Assembleia Nacional Constituinte é o primeiro passo para a transformação, por isso não descansaremos até consegui-la", afirma a Frente em comunicado dirigido à população hondurenha.

A mobilização terminou na praça La Merced, conhecida a partir do golpe de Estado como a Praça da Resistência, onde anunciaram uma grande mobilização para o próximo 15 de setembro, dia em que se celebra a independência do Reino da Espanha.

A notícia é da Red Morazánica de Información.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=50780

Terrorismo midiático se intensifica com proximidade das eleições

VENEZUELA

Terrorismo midiático se intensifica com a proximidade das eleições

Natasha Pitts *

Adital -
Não é de hoje que a República Bolivariana da Venezuela sofre com ataques que buscam desestabilizar a paz regional e o governo do presidente Hugo Chávez. A mídia tem sido uma das principais armas desta guerra e uma das provas mais recentes é o documentário "Os guardiões de Chávez", realizado pela Cadeia TV 4, da Espanha. Além de Chávez, jornalistas venezuelanos também se manifestaram contra o plano conspirativo.
Unidos no Movimento pelo Jornalismo Necessário da Venezuela (MPN, por sua sigla em espanhol), jornalistas repudiaram e denunciaram as constantes ofensivas, que estão chegando ao país, principalmente, por meio de um "terrorismo midiático".

"Em sintonia com o sistema neoliberal e o imperialismo, liderados desde Espanha e Estados Unidos, meios de poderosa inserção na opinião pública difamam diária e continuamente o processo bolivariano e o governo democraticamente eleito do presidente Chávez, com ataques que se iniciam e se replicam em nosso próprio país e em toda América através de suas agências internacionais".

ONG’s, grupos políticos e até mesmo organizações e comunicadores venezuelanos estão entre os agentes financiados pelas grandes potências, em sua maioria pelo governo dos EUA, para fortalecer os ataques e se infiltrar no país a fim de exercer controle e influência. De acordo com os jornalistas da MPN, a penetração alcança inclusive universidades que são ‘contaminadas’ com as oficinas realizadas por ONGs que tentam manipular o modo de pensar dos estudantes.

Segundo investigações realizadas pela Dra. Eva Golinger, "Espaço Público" e "Instituto de Imprensa e Sociedade" são as principais organizações venezuelanas que recebem capital estrangeiro e são encarregadas de distribuir os fundos e projetos do Departamento dos Estados Unidos. No mesmo caminho se encontra, há bastante tempo, o ‘quase desaparecido’ Colégio Nacional de Jornalistas (CNP, por sua sigla em espanhol), que chegou a ter como presidente um ex-correspondente da Voz de América, órgão divulgador do Departamento de Estado dos EUA.

Ciente deste panorama de conluio e buscando resguardar a soberania nacional do seu país, os membros do Movimento pelo Jornalismo Necessário solicitaram à Promotoria Geral da República uma profunda investigação para esclarecer todas as "extremas associações antivenezuelanas".

O presidente venezuelano Hugo Chávez também respondeu ativamente aos ataques que buscam distorcer as ações de ser governo e colocar em xeque a ‘gestão do Governo revolucionário’. Na coluna, ‘As linhas de Chávez’, o mandatário denunciou e relatou com detalhes as ações da campanha midiática internacional que está sendo articulada contra a Venezuela.

Chávez chamou atenção para o endurecimento dos ataques na medida em que se aproxima o próximo dia 26, data das eleições parlamentares. "Ponderando no mês de batalha eleitoral que se avizinha (...) devemos ter a dimensão exata de como se estão comportando os interesses que querem ver a Venezuela de novo prostrada ante as ordens do império ianque. As forças contrárias à Revolução não só estão em casa, mas também me rodeiam por seus limítrofes e têm a mira posta em setembro", assinalou.

Um dos ataques mais recentes à Venezuela foi o documentário "Os guardiões de Chávez", realizado pela espanhola Cadeia TV 4. O presidente definiu o vídeo como "um conjunto de grosseiras mentiras" e denunciou que a única intenção é criar e estender "uma matriz de opinião para que se declare a Venezuela país fora da lei". O presidente ainda lamentou o fato de grandes meios de comunicação de alcance mundial terem reproduzido as mentiras documentadas.

* Jornalista da Adital

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=50711

Poesia: Canção das Américas

Canção das Américas

Um dia
me descobri a perambular
na amplidão do Novo Mundo,
por um Novo Mundo
que já não era meu.
Outros donos tinham suas terras,
suas minas e seus mares.
Desse Novo Mundo
meu era tão somente
o silêncio de verdes paisagens,
os murmúrios do vento primaveril
soprando longínquas histórias...

Misturado à brisa
longe, muito longe
rompia o véu de silêncio
tropel dos heróis nativos
galopando estradas,
palmilhando secretas trilhas
varando perigosos pântanos.
Perambulando
a imensidão do Novo Mundo
veloz
vi Zapata escalando montanhas
em seu cavalo negro
ao encontro de Pancho Vila
distribuindo terras
aos campônios mexicanos.
Perambulando
a imensidão da América
o Cavaleiro da Esperança
incendiava os sertões do Brasil
com a chama libertária.

Suaves brisas trazem
lancinantes gritos de escravos
agrilhoados em negros navios.
Sob pálida luz do luar
Zumbi rugia heróico
a cinqüentenária resistência
dos Palmares.

André Borges

Ex-menina de rua de SP estuda Medicina em Cuba

Graças a alguns “papa-hóstias”, como costumo chamar meus amigos da igreja, fiquei sabendo da história dela durante um agradável almoço na Feijoada da Lana, na Vila Madalena, a melhor da cidade. Repórter vive disso: tem que andar por aí, conversar com todo mundo para descobrir as novidades, ficar sabendo de personagens cuja vida vale a pena ser contada.

É este o caso da jovem Gisele Antunes Rodrigues, de 23 anos, ex-menina de rua de São Paulo, nascida em Ribeirão Pires, que deu a volta por cima e hoje está no terceiro ano de Medicina. Detalhe: ela estuda no Instituto Superior de Ciências Médicas de La Habana, em Cuba, onde estão matriculados outros 275 brasileiros.

Gisele veio passar as férias no Brasil e, na próxima semana, volta a Cuba. Como ela foi parar lá? Ninguém melhor do que a própria Gisele, que escreve muito bem, para nos contar como é a vida lá e como foi esta sua incrível travessia das ruas de São Paulo até cursar uma faculdade de Medicina em outro país.

A meu pedido, Gisele enviou seu depoimento nesta sexta-feira e eu pedi autorização para poder reproduzí-lo aqui no Balaio. Tenho certeza de que esta comovente história com final feliz pode servir de estímulo e inspiração a outros jovens que vivem em dificuldades.

Para: Ricardo Kotscho

Olá!!!

Autorizo o senhor a publicar essa história. Caso deseje, pode corrigir os erros. Mas, por favor, sem sensacionalismo. Tente seguir mais o menos o texto abaixo. Desculpa por escrever isso, mas eu já tive problemas.

Gosto do seu blog, vou tentar acessar nele em Cuba.

Abraços

Gisele Antunes

***

Só mais uma brasileira

Saí de casa com 9 anos de idade porque minha mãe espancava eu e meu irmão. Não tínhamos comida, o básico para sobreviver. Meu pai nunca foi presente. É um alcoólatra que só vi duas vezes na vida. Minha mãe é uma mulher honesta, mas que não conseguia educar seus filhos. Já foi constatado que ela tem problemas mentais.

Ela trabalhava como cigana na Praça da República. Quando eu fugi de casa segui esse caminho, e encontrei uma grande quantidade de meninos e meninas de rua. Apresentei-me a um deles, este me ensinou como chegar em um albergue para jovens, e a partir desse momento passei a ser menina de rua. Só comparecia nessa instituição para comer, tomar banho e ter um pouco de infância (brincar). No meu quinto dia na rua, comecei a cheirar cola e depois maconha.

Alguns educadores preocupados com a minha situação tentavam me orientar, mas de nada valia. Foi quando me apresentaram a uma religiosa, a irmã Ana Maria, que me encaminhou para um abrigo, o Sol e Vida. Passei uns três anos lá e deixei de usar dogras. Esta instituição não era financiada pelo governo. Quando foi fechada, me encaminharam a outros abrigos da prefeitura, entre eles o Instituto Dom Bosco, do Bom Retiro. E assim foi, até os 17 anos.

Para alguém que usa droga, não era fácil seguir regras. Foi por muita persistência e um ótimo trabalho de vários educadores que eu consegui deixar a drogas, sair da desnutrição e recuperar a saúde após anemia grave.

Na infância, era rebelde, não queria aceitar a minha situação. Apenas queria ter uma família. Mas havia algo que eu valorizava _ a escola e os cursos que eu fazia na adolescência. Aos 14 anos de idade, comecei a jogar futebol, tive a minha primeira remuneração. Aos 16 anos, entrei em uma empresa, a Ericsson, que capacitava jovens dos abrigos para o mercado de trabalho. Essa empresa financiou meu curso de auxiliar de enfermagem e o inicio do técnico. O último não foi possível concluir.

Explico: existe uma lei nas instituições públicas segunda a qual o jovem a partir dos 17 anos e 11 meses não é mais sustentado pelo governo, tem que se manter sozinho. Como eu não tinha contato com a minha família, quando se aproximou a data de completar essa idade, entrei em desespero.

A sorte foi que a entidade, o Instituto Dom Bosco Bom Retiro, criou um projeto denominado Aquece Horizonte. Este projeto é uma república para jovens que, ao sair do abrigo, podem ficar lá até os 21 anos. Os coordenadores e patrocinadores acompanham o desenvolvimento do jovem neste período de amadurecimento.

As regras mais básicas da república são: trabalhar, estudar e querer vencer na vida. No segundo ano de república, eu desejava entrar na universidade, mas sabia que não tinha condições de pagar a faculdade de enfermagem ou conseguir passar na universidade pública.

Optei então por fazer a faculdade de pedagogia. É uma área que me encanta, e a única que podia pagar. No primeiro semestre da faculdade de pedagogia, um educador do abrigo, o Ivandro, me chamou pra uma conversa e me informou sobre um processo seletivo para estudar medicina em Cuba. Fiquei contente e aceitei participar da seleção.

Passei pelo processo seletivo no consulado cubano e estou desde 2007 em Cuba. Dou inicio ao terceiro ano de medicina no dia 06 de setembro de 2010. São 7 anos no país, sendo 6 de medicina e um de pré-médico.

Ir a Cuba foi minha maior conquista. Além de aprender sobre a medicina, aprendo sobre a vida, a importância dos valores. Antes de ir, sempre lia reportagens negativas sobre o país, mas quando cheguei lá, não foi isso que vi. Em Cuba, todos têm direito a educação, saúde, cultura, lazer e o básico pra sobreviver.

Li em muitas revistas que o Fidel Castro é um ditador, e descobri em Cuba, que ele é amado e idolatrado pelos cubanos. Escrevem que Cuba é o país da miséria. Mas de que tipo de miséria eles falam? Interpreto como miséria o que passei na infância. Em casa, não tinha água encanada, luz, comida.

Recordo que tinha dias em que eu, meu irmão e minha mãe não conseguíamos nos levantar da cama devido a fraqueza por falta de alimento. Tomávamos água doce pra esquecer a fome. Então, quando abro uma revista publicada no Brasil e nela está escrito que Cuba é um país miserável, eu me pergunto: se em Cuba, onde todos têm os direitos a saúde, educação, moradia, lazer e alimento, como podemos denominar o Brasil?

Temos um país com riqueza imensa, que conquistou o 8º lugar no ranking dos países mais ricos, mas sua riqueza se concentra nas mãos de poucos, com uns 60 % da população vivendo em uma miséria verdadeira, pior que a miséria da minha infância.

Cuba sofre um embargo econômico imposto pelos estados Unidos por ser um país socialista e é criticado por outros governos. No entanto, consegue dar bolsa para mais de 15 mil estrangeiros de vários países, se destaca na área da saúde (gratuita), educação (colegial, médio, técnico e superior gratuito para todos) e esporte (2º lugar no quadro de medalhas, na historia dos Jogos Panamericanos), é livre de analfabetismo.

A cada mil nascidos vivos morrem menos de 4. Vivenciando tudo isso, eu queria também que o Brasil fosse miserável como Cuba, como é escrito em varias revistas. Acho que o brasileiro estaria melhor e não seria tão comum encontrar tantos jovens sem educação, matando, roubando e se drogando nas ruas.

Vou passar mais quatro anos em Cuba e não quero deixar o curso por nada. Desejo concluir a faculdade e ajudar esse povo carente que sonha com melhoras na área da saúde, quero ajudar outros jovens a realizar os seus sonhos , como me ajudaram. Também pretendo apoiar meu irmão, que deseja estudar direito.

Tenho meu irmão como exemplo de superação. Saiu de casa com 13 anos de idade, mas não foi para uma instituição governamental. Morou em um cômodo que seu patrão lhe ofereceu. Enquanto eu estudava e fazia cursos, ele estava trabalhando para ter o pão de cada dia. Hoje, ele é um homem com 25 anos de idade, casado e tem uma filha linda, e mesmo assim encontra tempo pra me apoiar e me dar conselhos.

Foi muito bom visitar o Brasil. Depois de longos 13 anos tive um tipo de comunicação com a minha mãe. Isso pra mim é uma vitoria. Quero estar próxima dela quando voltar.

Conto um pouco da minha história, mas sei que muitos brasileiros ultrapassaram barreiras piores, até realizarem seus sonhos. Peço ao povo brasileiro que continue lutando. É período de eleições, peço também que todos votem com consciência, escolha a pessoa adequada pra administrar o nosso país tão injusto.

Gisele Antunes Rodrigues

Ser culto é o único modo de ser livre (José Martí)

*Matéria originalmente publicada no Balaio do Kotscho

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ex-menina-de-rua-de-sp-estuda-m...

Modesto da Silveira entrevista militares cassados

Modesto da Silveira entrevista militares cassados no “Pulando a Cerca”

O Programa Pulando a Cerca, ancorado por Daniel Chutorianscy, terá um convidado muito especial na próxima sexta, 3: o advogado Modesto da Silveira, recordista na defesa de civis e militares punidos durante o regime militar (64-85). Ele participará da entrevista com os capitães de Marinha e integrantes da direção da Associação Democrática e Nacionalista de Militares (Adnam), Fernando de Santa Rosa e Luiz Carlos Souza Moreira.

Os dois militares foram presos no dia 6 de abril de 1964, cassados e excluídos dos quadros pelo primeiro ato institucional da junta militar golpista, mas, ao contrário dos torturadores, eles continuam sem anistia. O programa será transmitido às 10h30, ao vivo, na Unitevê, o canal universitário de Niterói e São Gonçalo (17 NET), e terá 45 minutos de duração.

Quem não mora em Niterói e São Gonçalo ou não possui TV a Cabo poderá acompanhar pela internet. Basta acessar www.uniteve.uff.br

Fonte: Agência Petroleira de Notícias

QUIEN NO HÁ VISTO?

por Carlos Pronzato

Quien no há visto
Al Che
Anunciar la última batalla
En Santa Clara?

Quien no há visto
A Fidel
Llevar la buena nueva
A La Havana?

Quien no há visto
Al pueblo
Descendiendo la Sierra
Cargando el nombre
De la independencia?

Quien no há visto
A Marti
El dia glorioso
De la Revolución
Caminando junto al pueblo
Por el malecón?

Y quien no há visto
Ese viento
Esa brisa
que circula
Y que perdura
cuando alguien
En el mundo
Se refiere a Cuba?

Governo argentino acusa jornais de apropriação ilegal

A presidente Cristina Fernández de Kirchner apresentou, na noite desta terça, um relatório de mais de 20 mil páginas acusando os donos dos principais jornais do país de envolvimento em crimes cometidos durante a ditadura. No relatório, intitulado “Papel Prensa, a Verdade”, o governo denuncia os proprietários dos jornais La Nación, Clarín e do extinto La Razón de terem se apropriado ilegalmente e mediante ameaças da maior empresa fornecedor de papel jornal do país na época da ditadura, a Papel Prensa, em novembro de 1976.

Página/12

O governo argentino denunciou, na noite desta terça-feira (24), a apropriação ilegal da empresa “Papel Prensa” (maior empresa fornecedora de papel jornal do país) por parte dos jornais Clarín, La Nación e La Razón.

A presidente Cristina Fernández de Kirchner, acompanhada de todo o seu gabinete, dos presidentes de ambas as câmaras, funcionários, dirigentes políticos empresários e de representantes de organizações sociais recebeu o informe elaborado pela Comissão Oficial formada especialmente para investigar a transferência das ações da empresa do Grupo Graiver (antigo proprietário de Papel Prensa) aos proprietários dos jornais Clarín, La Nación e La Razón. Essas empresas (durante a ditadura) “necessitavam das ações classe A para assumir o controle da empresa”, fato comunicado naquela época, nos três jornais, por meio de uma nota afirmando que “tomavam o controle da empresa conforme acordo prévio com a Junta de Comandantes” da ditadura.

Cristina Fernández de Kirchner afirmou que “no caso do Clarín ocorreu a coincidência entre quem fabrica o papel e quem controla a palavra impressa”. Ela denunciou as condições políticas nas quais a transferência das ações se deu, num país em que só existia a “liberdade ambulatória”. Denunciou também que, anos depois, por causa da falência do La Razón, os jornais controladores da empresa “acordaram um pacto de sindicalização de ações”, para controlar as decisões da companhia.

Assegurou, além disso, que a viúva de David Graiver, Lidia Papaleo, foi detida cinco dias depois de ter assinado a transferência das ações da empresa do marido, para evitar que a empresa caísse na interdição dos bens da família ordenada pela Junta militar. Por último, afirmou que “apesar de que estou convencida de como as coisas aconteceram, o Procurador do Tesouro fará a denúncia correspondente para que a Justiça determine as condições nas quais se realizou a transferência das ações da empresa” e antecipou que enviará ao Congresso um projeto de lei para “declarar de interesse público a produção de pasta de celulose e do papel jornal, bem como sua distribuição e comercialização, e para estabelecer o marco regulatório deste insumo básico, que garanta um tratamento igualitário para todos os jornais da República.”

Integrante da Comissão, Alberto González Arzac afirmou que “o informe constitui uma refutação definitiva das versões sobre a história da empresa Papel Prensa S/A que os jornais Clarín e La Nación publicaram em suas edições de 2 de março e de 4 de abril deste ano.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16901)

XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA DE HAVANA

Por André Borges

A cidade de Havana – pérola das Antilhas – mais uma vez foi palco do XV FESTIVAL INTERNACIONAL DE POESIA. Ao evento, ocorrido entre os dias 24 e 30 de maio, compareceram poetas de várias partes do mundo, especialmente da América Latina. O referido Festival foi uma homenagem ao Bicentenário do Início da Luta pela Primeira Independência da América e também ao Centenário de JOSÉ LEZAMA LIMA e MIGUEL HERNÁNSDEZ.
O Festival teve sua recepção inicial na sede da União de Escritores e Artistas de Cuba (UNEAC),quando a Comissão Organizadora do evento saudou
os poetas e demais convidados presentes, ocasião em que diversos poetas se pronunciaram sobre a importância do Festival e da felicidade de estarem ali com poetas do mundo inteiro. Em seguida ônibus conduziram a delegação internacional de poetas ao Museu Che Guevara, sua antiga residência. Além da saudosa visita ao lugar em que viveu Guevara, aconteceu a cerimônia do plantio de várias árvores, simbolizando a integração do Continente Americano.
Sempre levada por ônibus especiais, a caravana de poetas foi a uma noite de músicas e vinhos na Sociedade Cultural José Marti, quando uma diva cubana deliciou todos os poetas com o seu mavioso canto. Comovente era o espírito de confraternização e solidariedade do povo cubano para com os visitantes que materializavam a necessária e libertária integração continental com que tanto sonharam os líderes, Bolívar,Guevara, Tiradentes e José Marti que assim se expressou: A América há de promover tudo o que una nossos povos e há de abominar tudo o que os separe.
Do palco do Teatro do Museu Nacional de Belas Artes foi enviada uma mensagem poética aos povos do mundo com poemas declamados na mais simbólica solenidade, que premiou os poetas integrantes da Rede Mundial de Poetas em Defesa da Humanidade, presidida por Tarek William Saab.
O poeta brasileiro que participou do XV Festival de Poesia de Havana, André Borges, entre outros poemas que apresentou no Festival, declamou o seu poema CHE GUEVARA.

Venezuela: Bolsa Pública de Valores

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promulgou na terça-feira uma nova lei para o mercado financeiro, que proíbe as Bolsas de comercializarem títulos da dívida pública.
Essa atividade, além de operações de renda fixa e variável, será assumida pela nova Bolsa Pública de Valores, a ser lançada nas próximas semanas, segundo Chávez. O presidente disse a uma TV estatal que a nova lei irá contribuir para livrar o país da "podridão do capitalismo".
Analistas ouvidos pela Reuters disseram no mês passado que a regra restringiria as Bolsas e corretoras ao quase inexistente mercado da dívida privada, o que pode levar ao "fechamento técnico" das quase 90 corretoras de valores venezuelanas.
Até agora, as Bolsas e corretoras podiam operar a compra e venda dos títulos da dívida pública, com os quais investidores podem obter dólares de maneira legal, em meio ao rígido controle cambial vigente desde 2003.
O governo diz que empresas privadas que enriqueceram com as enormes emissões de dívida pública dos últimos anos incorreram em crimes de lavagem de dinheiro e conspiraram para desestabilizar a "revolução socialista" de Chávez.
Cerca de 30 Bolsas e corretoras sofreram intervenções e dezenas de executivos foram presos durante o governo de Chávez.
A nova lei se soma a várias outras restrições prévias, como a que vetava a participação de intermediários num novo mecanismo do Banco Central que usa cotações dos títulos soberanos e dos papéis da estatal petroleira PDVSA para gerar um terceiro tipo de câmbio oficial.

Colômbia: acordo militar com os EUA é inconstitucional

Corte Constitucional colombiana divulgou esta semana o resultado da sentença sobre a inconstitucionalidade do acordo militar que permitia aos Estados Unidos operar em sete bases colombianas, desde 30 de outubro de 2009. O acordo, que já se encontra sem efeito desde o dia 17 de agosto, precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para que seja afirmada ou negada sua validade. Na avaliação da Corte, acordo "afeta de maneira evidente a soberania nacional".

Natasha Pitts *

Conforme previsto, a Corte Constitucional colombiana divulgou terça-feira (17) o resultado da sentença sobre a inconstitucionalidade do acordo militar que permitia aos Estados Unidos operar em sete bases colombianas, desde 30 de outubro de 2009. O acordo, que já se encontra sem efeito deste ontem, precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional para que seja afirmada ou negada sua validade.

No início de outubro de 2009, o Conselho de Estado já havia alertado o governo colombiano para a necessidade de que o ‘Acordo Complementar para a Cooperação e Assistência Técnica em Defesa e Segurança’ fosse renegociado, já que afetava de maneira evidente a soberania nacional. Além disso, emitiu um conceito em que recomendou que os trâmites fossem resolvidos junto ao Congresso da República.

Mesmo com todas as orientações e recomendações e ignorando o Conselho de Estado, o governo de Álvaro Uribe passou por cima da Constituição colombiana e firmou o contrato com o governo estadunidense, dando o aval para a entrada de cerca de 800 militares, 600 civis, além de navios e aviões do exército dos EUA.

"Desta forma se comprova que sim, tinham fundamento os questionamentos que amplos setores democráticos da população colombiana e estadunidense vinham fazendo sobre o acordo militar e sobre a forma mansa com que o governo de Uribe, com seu então ministro de Defesa hoje presidente, Juan Manuel Santos, pretendia renunciar à soberania nacional", reflete a Coalizão Colômbia Não Bases, que nasceu para combater a instalação de bases militares no território colombiano.

Pela junção de todas as ilegalidades, a presidente da Corte Constitucional, Mauricio González, declarou que o acordo é contrário às praxes constitucionais e por não ter sido avalizado pelo Congresso não pode surtir efeitos na ordem jurídica interna do país até que seja sanada a exigência. Conforme acrescentou a Coalizão Colômbia Não Bases em notícia publicada ontem, como o acordo já vinha sendo executado "deverão ser retiradas as tropas e equipes estrangeiras das bases militares colombianas".

O acordo foi devolvido ao presidente Juan Manuel Santos e a partir da data da liberação da sentença o governo terá um ano para retificá-lo e para que o mesmo tramite junto ao Congresso. No caso de ser enviado e aprovado pelo Congresso, de maioria oficialista, deverá ser submetido a um novo exame do tribunal.

Ciente do resultado da sentença, o governo nacional, por meio do ministro de Defesa, Rodrigo Rivera, anunciou que acata a sentença e "estudará detalhadamente dita decisão à luz das normas do direito internacional, dos acordos vigentes e das demais normas aplicáveis".

Segundo informações da agência AFP, durante pronunciamento, o governo nacional deixou claro que a decisão da Corte "não afeta os acordos previamente subscritos e vigentes com os Estados Unidos", os quais "se vêm cumprindo e seguirão sendo cumpridos de boa fé".

Após a liberação da sentença, o advogado Luis Guillermo Pérez, do Coletivo jurídico José Alvear Restrepo Cajar, ONG que havia pedido por própria conta a declaração de inconstitucionalidade, reforçou a postura de que os colombianos precisam "resolver o conflito por seus próprios meios". O advogado também relembrou que a ocupação estadunidense no país nunca havia sido analisada de modo adequado e criticou o fato de a população ignorar o que os militares faziam na região.

(*) Jornalista da Adital

Ao querido povo paraguaio

Ao querido povo paraguaio.

Ainda no avião, na rápida viagem entre São Paulo e
Assunção lembrava todo o tempo de incluir em minha saudação neste
Encontro, em terras Guarany, meus pedidos de desculpas ao povo
paraguaio. Certamente esse ato terá pouco valor, pois falo somente em
meu nome e não da nação brasileira, de seus mandatários, quem de fato
deveria pedir desculpas ao povo e a nação paraguaia por uma série de
injustiça que cometemos contra esse povo irmão.

Mas me sinto com a obrigação ética de dirigir essas
palavras ao povo paraguaio. Hoje mais do que ontem.

Meus pedidos de desculpas.

Peço desculpas ao Paraguai pelos crimes bárbaros
cometidos pelo Exército Brasileiro na chamada “Guerra do Paraguai”, no
século XIX. Poderíamos chamar da “Chacina de Assunção”, quando o
Exército Brasileiro cercou e incendiou os campos ao redor de Assunção,
onde crianças e mulheres se refugiavam da invasão brasileira a cidade.
Foram cerca de três mil crianças e mulheres mortas no fogo ateado pelo
Brasil, a serviço dos interesses britânicos. Injustificável a Guerra,
imperdoável os crimes. Os sentimentos de dor pelos paraguaios, nossos
irmãos, mortos naquele horrendo episódio se misturam à vergonha do
nosso exército assassino. A reparação histórica daqueles crimes o
Brasil ainda é devedor. Certamente um dia pagaremos essa conta, com a
integração solidária entre nossos povos. Conviveremos irmanados com a
dor e a vergonha do nosso passado, porém jamais com o esquecimento.

Peço desculpas ao Paraguai e ao seu povo trabalhador
pelo preconceito proclamado e difundido por uma elite social
brasileira, ignorante e racista, que associa Paraguai e paraguaios à
falsidade e falsificação, desconhecendo sua história de luta e seus
esforços para constituir um lugar digno e honrado para se viver. As
mentes colonizadas no Brasil refletem o que a grande mídia racista
preconiza. O episódio deplorável dos comentaristas da Rede Globo em
seu canal esportivo a cabo (Sportv), quando da cobertura, na copa do
mundo, da partida Paraguai X Espanha é repassado aos ignorantes, de
mentes colonizadas que se espalham em nosso país, atingindo inclusive
as universidades, transformando em reprodutores desse preconceito
racial, de traços fascistas, os que deveriam combatê-los. Parte de
nossos educadores apenas reproduzem esse estereótipo idiota. À Rede
Globo nosso mais ferrenho repúdio, com a solidariedade de vários
setores da sociedade brasileira, inclusive de setores governamentais.
Aos educadores, mentes colonizadas, nosso convite para conhecer a
história e a força desse povo Guarany, raiz profunda de Nuestra
América.

Irmãos paraguaios aceitem minhas desculpas. É importante
compreendermos que o preconceito e o racismo são inerentes às
sociedades de classes. Há preconceito “interno” no Brasil, entre
brasileiros. Sofremos o mesmo tipo de preconceito, talvez em menor
escala, difundido e praticado por racistas/fascistas contra pobres,
negros, índios e contra nós nordestinos. É a conseqüência de uma
sociedade desigual, fruto do sistema capitalista em que estamos
inseridos. Lutar contra esses preconceitos raciais necessariamente nos
faz lutar contra o sistema e vice versa.

Peço desculpas pelo crime ambiental que o tão
propalado “agronegócio brasileiro” comete contra o “Aqüífero Guarany”
em terras brasileiras e paraguaias. Certamente um dos maiores
patrimônio natural das terras americanas. São toneladas de produtos
químicos (venenos), lançados diariamente por aviões nas terras que
cobrem o aqüífero e que, com as chuvas o recarregam envenenado. Tudo
em função do lucro. Esse quadro deplorável é exaltado ao máximo pela
mídia e pelos defensores de um “desenvolvimentismo” a todo custo.

Peço desculpas pela vil forma de açambarcarmos a
energia de Itaipu, essa gigante bi-nacional, construída por ditadores
e que hoje necessariamente deve reestruturar-se em seu processo de
distribuição de energia elétrica, para que se faça justiça ao
Paraguai.

Meus agradecimentos.

Agradeço a forma carinhosa e calorosa que fomos
recebidos nesse país. Caminhei hoje cedinho por algumas ruas de
Assunção, me dirigi às pessoas que encontrei nas ruas, no meu
“Paraibol” desastrado. Os cumprimentei e fui correspondido. Como
sempre na América Latina, encontrei um povo amável, amigo, simples,
humilde. Sinto-me entre irmãos e irmãs. Na minha casa. Apenas um
pouco mais fria do que de costume. Recordo-me e me emociono com as
lembranças dos jesuitas em suas missões por aqui, encantados com a
sabedoria Guarany e a edificação da experiência mais fantástica da
vida comunitária estruturada em nossas terras, ao redor do Rio
Paraguai, destruida pela cúpula católica e a Coroa Espanhola - Quanta
estupidez. É preciso refazer tudo. Recomeçar mais uma vez.

Não sai da minha mente e canto em silêncio os primeiros versos da
Internacional. De pé ó vítimas da fome, de pé famélicos da terra...

Muito obrigado pelo convite. Espero colaborar, de alguma forma, para
reforçar a compreensão do que é a América Latina hoje e contribuir
para a sua integração de forma livre e solidária.

Como 95% dos paraguaios falam o Guarany, tento uma saudação nesse
idioma, que procurei aprender de ontem para cá.: Yopará (tudo bem)!

Abraço Amigo

Jonas Duarte.

Aumenta desemprego e informalidade bate recorde no México

Em junho deste ano, cerca de 12,8 milhões de pessoas, o que equivale a 28,8% do total da população ocupada, estava trabalhando na economia informal no México. Desemprego, por sua vez, atinge 2,5 milhões de pessoas, quantidade que supera em 30% os 1,9 milhões que não tinham trabalho quando estourou a crise financeira, em fins de 2008. Além do trabalho informal, aumenta também o índice de empregos provisórios e precários.

Susana González G. - La Jornada

Pelo segundo trimestre consecutivo foi batido o recorde de mexicanos que trabalham na economia informal. Esse número chegou, em junho, a 12, 8 milhões de pessoas, o que equivale a 28,8% do total da população ocupada, informou sexta-feira (13) o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi).

A cifra corresponde ao período abril-junho de 2010 e é a mais alta dos últimos seis anos, desde que o Instituto realiza trimestralmente a Pesquisa Nacional de Ocupação e Emprego (ENOE). Se se compara com os resultados do mesmo trimestre do ano passado, a população ocupada no setor informal aumentou em 660 mil pessoas.

Apesar da crise econômica, a população ocupada na economia informal não superou, em 2008, nem em 2009 a cifra de 28, 4% registrado em fins de 2005. É neste ano, quando as autoridades falam em recuperação da economia nacional, que os mexicanos que trabalham no setor somaram 28,6% no primeiro trimestre e depois 28,8% no segundo.

Uma cifra histórica. Se se leva em conta que o dito lapso da população total do país aumentou em 849 mil pessoas, pode se afirmar que o crescimento da informalidade representa 77,8% desse número, questão que já torna evidente que parte do motor da geração de emprego não está nas políticas do estado, mas na válvula de escape que a informalidade representa, apontou José Luis de la Cruz Gallegos, diretor do Centro de Investigação em Economia e Negócios dol Tecnológico de Monterrey.

E quanto ao desemprego, no meio do ano no México se chegou a 2,5 milhões de pessoas, quantidade que supera em 30% os 1,9 milhões que não tinham trabalho quando estourou a crise financeira, em fins de 2008. Quer dizer, na metade deste ano se contabilizaram 563 mil e 329 desocupados a mais do que havia antes da crise. Quase os mesmos que o governo do presidente Felipe Calderón assegura que foram criados no setor formal durante o primeiro semestre de 2010.

As estatísticas do Inergi demonstram que a taxa de desemprego se manteve em 5,3% nos últimos três trimestres. Há um ano era de 5,2%, de modo que, comparado com o período abril-junho de 2010, implica que há mais 121 mil desocupados.

As cifras de desemprego se mantém muito acima do que o crescimento econômico deveria implicar. Com uma taxa de desocupação de 5,3%, 2010 reflete uma realidade do mercado de trabalho muito distante das perspectivas que as autoridades econômicas do país têm apresentado, disse De la Cruz Gallegos.

A ENOE destaca que a população ocupada também aumentou em 1,3 milhões de pessoas, para somar 44,6 milhões, mas explica que a população economicamente ativa (PEA) cresceu em 1,4 milhões, devido ao crescimento populacional, já que as pessoas que desistiram de buscar trabalho no trimestre pesquisado mudou as expectativas sobre a possibilidade de encontrá-lo.

Assim, os empregos criados durante o último ano não foram suficientes para cobrir o crescimento da PEA e tampouco foram de qualidade, considerou o Grupo Financeiro Banamex.

A pesquisa trimestral detalha o tipo e a qualidade de empregos que predominam no país: às já mencionadas 12,8 milhões de pessoas que trabalham no setor informal se somam 13,7 milhões que carecem de previdência social e um número similar que não tem contratos de trabalho assinado, 10 milhões de trabalhadores independentes, 4 milhões de subempregados e 3 milhões que não têm renda.

Os indicadores da ENOE produzem uma leitura conjunta negativa sobre a qualidade do emprego: aumentam as taxas de ocupação provisória e a informalidade. O emprego gerado segue concentrado nos estratos salariais mais baixos e inclusive se destróem empregos nos estratos altos, observou o Banamex Citigroup.

De cada dez empregos criados nos últimos 12 meses, sete estão no comércio, dois no campo e só um na indústria. Em todos os casos, os micronegógicios e os pequenos estabelecimentos geraram mais postos de trabalho, enquanto os grandes diminuíram o pessoal. O Inegi considera 13 atividades econômicas distintas, das quais 5 apresentaram aumento no desemprego. Em primeiro lugar ficou a indústria extrativa e elétrica, seguida do setor de transporte a da construção.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: CartaMaior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16881)

Atentado em Bogotá ameaça política de distensão

Por que as FARC, que recentemente voltaram a apresentar proposta de pacificação, buscando romper seu isolamento, iriam golpear veículos de comunicação? Não seria surpreendente se algum grupo paramilitar de ultra-direita, servindo a estratégias de confronto, tivesse se encarregado do atentado sob investigação, cuidando para que a autoria fosse imputada à guerrilha. Tal cenário seria útil para debilitar o presidente Santos, questionar seu relacionamento com a Venezuela e fortalecer os círculos mais vinculados ao enorme aparato de guerra construído por Uribe. O artigo é de Breno Altman.

Breno Altman - Opera Mundi

A bomba que, na manhã dessa quinta-feira (12/8), explodiu perto dos escritórios da Rádio Caracol e da Agência Efe, na capital colombiana, pode afetar o presidente recém-empossado, Juan Manuel Santos. O discurso moderado do novo mandatário está submetido à primeira onda de pressão, para regozijo de seu antecessor, Álvaro Uribe.

A primeira reação de Santos, mesmo sem indicar concretamente qual grupo teria sido responsável, foi definir o atentado como “terrorista”. Agiu com rapidez e determinação, aparentemente preocupado em não perder espaço para os setores extremistas do bloco conservador que o sustenta. Evidente seu desgosto com as consequências políticas da explosão em Bogotá.

Ainda que o dedo acusatório esteja apontado, por ora subliminarmente, para as FARC ou o ELN, é questionável se essas organizações insurgentes teriam interesse em ataque dessa natureza, incomum no seu modo de operação. São raros os registros, especialmente nos últimos anos, de incursões guerrilheiras nas grandes cidades, ainda mais com o uso de carros-bomba.

Por que as FARC, que recentemente voltaram a apresentar proposta de pacificação, buscando romper seu isolamento, iriam golpear veículos de comunicação? A loucura política, é verdade, eventualmente as levaria à lógica do recrudescimento da violência com o objetivo de forçar alguma negociação. O clima de conciliação entre Santos e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, poderia até ter agravado percepção de fraqueza, induzindo a gestos desesperados de sobrevivência. Mas essa não é a única hipótese razoável para o atentado.

Explosivos corresponderam, nas últimas décadas, ao padrão de atuação dos cartéis da cocaína, cujas ofensivas de terror tiveram como alvo os centros urbanos, escolhidos como espaço visível para atos de vingança e batalhas entre máfias. Os grupos paramilitares, de ultra-direita, sabidamente forneciam mão de obra para essas atividades, em troca de régio financiamento.

Não seria surpreendente se alguma dessas patotas, servindo a estratégias de confronto, tivesse se encarregado da operação terrorista sob investigação, cuidando para que a autoria fosse imputada à guerrilha. Tal cenário seria útil para debilitar o presidente Santos, questionar seu relacionamento com a Venezuela e fortalecer os círculos mais vinculados ao enorme aparato de guerra construído por Uribe.

(*) Breno Altman é jornalista e diretor editorial do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

Fonte: CartaMaior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16876)

Fidel Castro: Israel não atacará primeiro

R E F L E X Õ E S D O F I D E L

Havana. 11 de Agosto, de 2010

Israel não atacará primeiro

OS ex-oficiais da CIA Phil Giraldi e Larry Johnson; W. Patrick Lang,
das Forças Especiais da Agência de Inteligência da Defesa; Ray
McGovern, da Agência de Inteligência da Armada e da CIA, e outros
ex-altos oficiais com longos anos de serviço, têm razão quando
advertem Obama que o primeiro-ministro de Israel tem projetado um
ataque surpresa com a idéia de obrigar os Estados Unidos à guerra
contra o Irã.

Mas com a Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas,
Israel conseguiu que os Estados Unidos se comprometessem a serem os
primeiros em atacar.

Depois disso, Netanyahu não se atreveria a ser o primeiro em fazê-lo,
pois uma ação desse tipo o enfrentaria a todas as potências nucleares
e ele não é estúpido.

Entre todos os inimigos do Irã têm criado uma situação absurda. Obama
não teria outra alternativa que ordenar a morte de centenas de milhões
de pessoas inocentes, e os tripulantes de seus navios de guerra nas
proximidades do Irã seriam os primeiros em morrer e ele não é um
assassino.

É o que penso sem temor a estar errado.

O pior que pode acontecer é que alguém cometa um erro funesto que
precipite os acontecimentos antes de que vença o prazo dado pelo
Conselho de Segurança para inspecionar o primeiro mercante iraniano.

Mas não há razão para ser tão pessimista.

Fidel Castro Ruz

Colômbia: o cemitério que faz perguntas

Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. A descoberta de uma vala comum gigante no município de La Macarena segue sob investigação. Em um pedaço da vala, há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010. De quem são esses corpos?

Constanza Vieira, enviada especial da IPS

La Macarena, Colômbia (IPS) – A tentativa mais séria dos paramilitares de entrar neste município do centro da Colômbia foi um fracasso. Fizeram isso em 2003 protegidos pela polícia, mas os moradores, armados com paus e escopetas, os prenderam e entregaram para a Procuradoria Geral da Nação, que os encarcerou. Os combatentes de ultra-direita roubavam à saída dos bares de La Macarena, onde, previamente, a polícia havia confiscado os clientes, assinalando a seus sócios aqueles que portavam alguma riqueza. Estes clientes eram mortos pelos paramilitares e tinham seus corpos lançados no rio Guayabero.

O fato de o paramilitarismo não ter conseguido apoio neste município localizado ao sul da serra que carrega o mesmo nome, legendária por sua megabiodiversidade, dá um significado diferenciado à descoberta de uma vala comum em duas faixas em forma de L que somam cerca de 10 mil metros quadrados, numa área próxima a do cemitério do povoado. O terreno faz fronteira com a base local das brigadas móveis da chamada Força de Deslocamento Rápido (Fudra), que recebe cooperação estadunidense e combate a guerrilha de esquerda.

A Procuradoria Geral da Nação descreveu o achado como um “cemitério de pessoas não identificadas”. “Cemitério clandestino” preferem chamá-lo os parlamentares de esquerda Gloria Ramírez e Ivan Cepeda, este porta-voz do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado.

O braço mais curto do “L” é uma fossa comum, segundo peritos estatais e outras testemunhas que hoje já não se atrevem mais a falar. Está localizada atrás de umas abóbadas baixas no lado esquerdo do cemitério. Parece que ninguém se aventura por ali, ninguém investiga, dizem que está minada e que não há nada de especial ali. Em troca, chama atenção a faixa mais larga, de aproximadamente 6.500 metros quadrados, por onde se chega a partir de um caminho reto deste a entrada do cemitério. A Procuradoria fechou o local no dia 21 de julho, quando um qualificado grupo de especialistas forenses passaram a trabalhar no setor. Ali há centenas de tabuletas numeradas: 054/09 é o morto número 54 enterrado em 2009. Nada mais do que isso. Os anos vão de 2004 até 2010.

Os cemitérios clandestinos e fossas comuns conhecidos até agora foram obra dos paramilitares, que o presidente direitista Álvaro Uribe desmobilizou parcialmente. Suas confissões em troca de vantagens jurídicas permitiram ao Ministério Público recuperar 3.299 corpos dos, pelo menos, 25.000 desaparecidos no país. Soube-se da existência do anexo do cemitério de La Macarena há um ano, por meio de um artigo publicado no semanário regional Llano 7 Días, do jornal El Tiempo, de Bogotá. De 2002 até julho de 2009, reconheciam então as autoridades, o exército havia enterrado ali 564 cadáveres, todos eles reportados como guerrilheiros mortos em combate. Cerca de 71% dos corpos permanecia sem identificação.

Tudo começou pela água

Os habitantes do bairro Colinas, a uns 200 metros do cemitério, notaram em junho de 2008 que a água saía com mau cheiro e com sabores putrefatos dos poços profundos de onde ela é extraída no verão. Ao examinar o motivo, a população descobriu que o desagradável assunto vinha do cemitério. “Esses foram os primeiros indícios”, disse a IPS o advogado penalista Ramiro Orjuela, com vínculos familiares e profissionais na região. Desde 2004, “helicópteros traziam para cá corpos e mais corpos, abriam uma vala com uma retroescavadeira e atiravam esses corpos ali. O povo aqui de La Macarena sabe disso”, acrescentou.

Isso não era uma surpresa para os macarenenses. Ao fim e ao cabo, La Macarena vê a guerra passar desde 1950, 14 anos do surgimento das insurgentes Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O município integrou a zona desmilitarizada onde o governo de Andrés Pastrana (1998-2002) manteve um diálogo de três anos com a guerrilha (diálogo que acabou fracassando no final). Após essa tentativa, o exército retomou os 42 mil quilômetros quadrados do santuário, incluídos os 11.229 que envolvem La Macarena. Desde então, todos os dias os habitantes viam chegar ao cemitério os corpos de supostos guerrilheiros. Os cadáveres eram amontoados em sacos pretos. E, logo em seguida, as fossas eram escavadas. Todo mundo sabia disso.

Assim, o caso da água não foi levantado com uma segunda intenção: “Não acreditavam que se tratava de algo grave, mas sim de uma coisa normal. E resultou que era grave, sim”, observou o advogado. Os militares disseram a Llano 7 Días que não temiam uma investigação. A Polícia teria feito um levantamento legal sobre cada corpo, identificando a arma que portava e a roupa camuflada que vestia, procedimento, garantiram os militares, que teve o aval da Procuradoria. Mas nesta região, na prática, a justiça penal militar tornou-se civil. Os promotores, segundo uma fonte da Igreja Católica, seriam militares da reserva ou em vias de se aposentar que hoje atuam sob as ordens do comandante militar, um equivalente da Polícia, efeito do programa piloto cívico-militar denominado Plano de Consolidação Integral de La Macarena, emitido em 2004.

Orjuela não atribui responsabilidades nem adianta acusação alguma. Só pede que as autoridades investiguem. “Não temos nenhum outro meio de prova que não aquilo que nos diz a comunidade”, disse a IPS. “Eles contam para alguém, mas depois não confirmam o depoimento porque têm medo”, assinalou. Assim que Orjuela e um grupo defensor dos direitos humanos enviaram petições ao Ministério Público e à Procuradoria, esta última fez uma inspeção no local e produziu um informe que permanece oculto ao público.
Baseada neste informe, a Direção Nacional de Investigações Especiais da Procuradoria respondeu em fevereiro que seu objetivo era “alcançar a plena identidade dos aproximadamente 2.000 corpos”, para o que esperava criar “um laboratório especializado de identificação” em La Macarena, junto com outras instituições. O Ministério Público, em troca, não respondeu por escrito. Em meados de julho deste ano relatou a Orjuela e a senadora Ramírez, organizadora de uma audiência pública do Senado em La Macarena no dia 22 de agosto, que até esse momento havia “detectado” 449 corpos. Também confirmou que “em 100% dos casos esses corpos tinham sido trazidos pelo exército. Todos. Não há um único que não”, segundo Orjuela.

Em meio a fortes xingamentos dirigidos contra os organizadores da audiência pública, o governo de Uribe insiste que todos são guerrilheiros mortos em combate e levados para lá. Orjuela adverte: “Isso é possível. Mas não todos”. É que 449 guerrilheiros equivalem a três ou quatro frentes das FARC. Como a guerrilha permanece atuante na região, “então quem são esses 400 e tantos mortos?”, pergunta.

O jesuíta Banco de Dados sobre Direitos Humanos e Violência Política tem testemunhos sobre 79 civis desaparecidos em La Macarena e municípios vizinhos. Há 25 casos documentados sobre supostas execuções extrajudiciais cometidas pelo Exército. Por enquanto, o Ministério Público identificou cinco civis reportados como desaparecidos e que já foram devolvidos às duas famílias. Há outros 37 corpos em processo de identificação. Os demais permanecem perguntando.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16850)

Crise nos EUA: Como é de perto o colapso do império

What collapsing empire looks like

By Glenn Greenwald, no Salon

No momento em que entramos no nono ano da Guerra do Afeganistão com uma tropa reforçada e continuamos a ocupar o Iraque indefinidamente e alimentamos o Estado de Vigilância sem fim, notícias tem surgido de que a Comissão do Déficit Público está trabalhando num plano para cortar benefícios da Previdência Social, do Medicare [programa de atendimento aos idosos] e até mesmo no congelamento dos salários dos militares. Mas um artigo do New York Times de hoje ilustra vividamente com o que se parece um império em colapso, ao mostrar os tipos de cortes de orçamento que cidades de todo o país tem sido forçadas a fazer. Aqui vão alguns exemplos:

Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.

Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.

Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.

Há algumas ótimas fotos acompanhando o artigo, inclusive uma mostrando como fica uma rua do Colorado na escuridão causada pelo corte de energia. Enquanto isso, a pequena porção dos mais ricos — aqueles que causaram nossos problemas — continua a se dar bem. Vamos relembrar o que o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional escreveu na revista Atlantic sobre o que acontece em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento quando surge uma crise financeira causada pela elite:

“Apertar os oligarcas, no entanto, é poucas vezes a escolha dos governos de países emergentes. Ao contrário: no início da crise, os oligarcas são normalmente os primeiros a conseguir ajuda-extra do governo, como acesso preferencial a moedas estrangeiras ou talvez um corte de impostos ou — aqui vai uma técnica clássica do Kremlin — a assunção pelo governo de obrigações de dívidas privadas. Sob pressão, a generosidade para com os amigos assume formas inovadoras. Enquanto isso, se é preciso apertar alguém, a maior parte dos governos de países emergentes primeiro olha para as pessoas comuns — pelo menos até que os protestos se tornem grandes demais”.

A questão real é se o público estadunidense é muito apático e treinado em submissão para que isso aconteça aqui.

Nota: É também importante considerar um artigo publicado no Wall St. Journal no mês passado — com o subtítulo “De volta à Idade da Pedra”– no qual é descrito como “estradas pavimentadas, emblemas históricos de conquistas dos Estados Unidos, estão sendo desmanteladas em regiões rurais do país e substituídas por estradas de cascalho ou outros pavimentos, já que os condados enfrentam orçamentos apertados e não há verbas estaduais ou federais”. O estado de Utah está considerando seriamente eliminar um ano da escola secundária ou torná-lo opcional. E foi anunciado esta semana que “Camden [Nova Jersey] está se preparando para fechar definitivamente seu sistema de bibliotecas até o final do ano, potencialmente deixando os residentes da cidade entre os poucos dos Estados Unidos sem condições de emprestar um livro de graça.”

Alguém duvida que quando uma sociedade não pode mais pagar por escolas, transporte, estradas asfaltadas, bibliotecas e iluminação pública — ou quando escolhe que não pode pagar por isso em busca de prioridades imperiais ou a manutenção de um Estado de Segurança e Vigilância Nacional — um grande problema surgiu, que as coisas desandaram, que o colapso imperial, por definição, é algo inevitavelmente iminente? De qualquer forma, eu apenas queria deixá-los com alguma luz e pensamentos positivos para o fim-de-semana.

Fonte: Vi o Mundo (http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/crise-nos-eua-como-e-de-perto-o-...)

As esquerdas mexicanas e López Obrador

Na conjuntura dos últimos anos, a esquerda mexicana não pode identificar-se com o PRD e muito menos reduzir-se a esta agrupação partidária. Ao invés disso, ultimamente, a energia transformadora da esquerda se expressa principalmente em um vigoroso movimento popular que luta contra o regime neoliberal, à margem da estrutura partidária tradicional e que é liderado por Andrés Manuel López Obrador. É uma falácia, portanto, o que dizem os meios de comunicação e seus comentaristas: a de que a esquerda atravessa seu pior momento no México e deixou de ser uma opção. O artigo é de Héctor Díaz-Polanco.

por Héctor Díaz-Polanco - La Jornada

Em inúmeras ocasiões vi-me obrigado a satisfazer a curiosidade de colegas e amigos latinoamericanos que me perguntaram sobre a terrível debilidade da esquerda mexicana, sua desorganização e carência de projeto. Certamente, sua visão da esquerda se centra na trajetória seguida pelo PRD (Partido da Revolução Democrática) nos últimos anos e na situação que se seguiu a isso.

Trato de explicar-lhes o melhor que posso que, na conjuntura dos últimos anos, a esquerda mexicana não pode identificar-se com o PRD e muito menos reduzir-se a esta agrupação partidária. Ao invés disso, ultimamente, a energia transformadora da esquerda se expressa principalmente em um vigoroso movimento popular que luta contra o regime neoliberal, à margem da estrutura partidária tradicional e que é liderado por Andrés Manuel López Obrador.

Insisto, em resumo, a rebater o que é, na minha opinião, uma falácia promovida pelos meios de comunicação e seus comentaristas: a de que a esquerda atravessa seu pior momento no México e deixou de ser uma opção. Essa conclusão resulta do costume de identificar força política com estrutura partidária, sobretudo se possui aparato e registro. Esse não é um bom método para abordar o assunto. Em uma perspectiva gramsciana, o verdadeiro partido não é só uma instituição, a organização técnica e seus aparatos, mas sim a força social ou o movimento no qual encarna um projeto: é todo um bloco social ativo. É por isso, observa Gramsci, que um partido orgânico e fundamental pode aparecer como várias frações, cada uma das quais adota o nome de partido e inclusive de partido independente (é o caso do PRI e do PAN), enquanto o estado maior intelectual do verdadeiro pode permanecer na obscuridade. A prova de que esses diversos partidos constituem, na verdade, uma unidade orgânica é dada pelo fato de que se juntam imediatamente quando percebem um real antagonista ao projeto que expressam.

Vistas as coisas assim, o partido mais poderoso da esquerda mexicana hoje é o movimento inspirado e liderado por López Obrador. Mas não é o único: devem se considerar outras forças (o zapatismo, etc.) que alimentam a grande corrente das esquerdas mexicanas. É por não levar isso em conta e manter os olhos fixos no PRD e no jogo das frações partidárias, que a demonstração de força e organização ocorrida na concentração do Zócalo (principal praça da capital do país), no dia 25 de julho, produziu tanto desconcerto e mesmo inquietação em alguns setores. Obstinadamente se negaram a reconhecer o movimento que crescia desde baixo, à margem dos partidos convencionais.

Enquanto repetiam que AMLO (López Obrador) e seu movimento tinham se desgastado e que já não eram mais uma opção a ser levada em conta, fecharam os olhos aos milhões de simpatizantes e ativistas, aos milhares de comitês criados em todo o país, aos milhões de exemplares do periódico Regeneración que circulam de família em família, aos círculos de reflexão; e, sobretudo, minimizaram o crescimento de uma liderança com sólido perfil de honestidade, coerência e identificação com os setores populares (fruto de seu conhecimento direto da realidade sociocultural do país). Considerando o nível de organização atingido até agora, sua força e alcance nacional, pode-se derivar uma conclusão completamente distinta da sombria apreciação inicial: comparativamente, a esquerda mexicana vive hoje um de seus melhores momentos.

Sem dúvida, o desenvolvimento do movimento foi estimulado pelas políticas do atual governo, alheias ao interesse geral da população. Mas também, é preciso dizê-lo, é fruto da estratégia e das práticas impulsionadas pela chamada esquerda “moderna” que hoje controla o PRD. Aferrada aos tópicos da socialdemocracia em sua versão neoliberal, sem clara orientação social, apostando nas alianças com forças conservadoras que destroem a diferença, esta esquerda caiu em descrédito (e não falo aqui da base do PRD). Na atual conjuntura, o movimento social que se expressou em Zócalo já cumpriu um papel vital: evitar a completa demolição do projeto da esquerda.

Alarmados por esta tendência, alguns asseguram que AMLO cometeu o erro de abandonar o centro político em 2006, e estaria errando de novo ao não buscá-lo agora (Denise Dresser dixit - jornalista e cientista política mexicana). Por centro entendem as posições e práticas socialdemocratas que se desenvolveram na Europa e em alguns países da América Latina (por exemplo, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Chile). Esconde-se que, nestes países, tais forças perderam o poder, uma a uma, precisamente por querer situar-se no degrau que lhes destinou a direita (que é sempre quem, finalmente, define o centro “politicamente correto”).

A única possibilidade de o movimento de AMLO atingir seus objetivos programáticos é mantendo-se afastado desse falso centro (neoliberal, insensível às necessidades das maiorias e servidor dos grandes potentados). E isso não apenas por razões eleitorais, mas sim por preceitos ético-políticos dos quais não deve se desviar nem um milímetro. Os comentaristas que se dedicam a dar “conselhos” a AMLO para que seja moderado, na verdade querem que ele entre na ladeira ensaboada dos acordos com os poderosos. Isso anularia qualquer qualidade inovadora em seu projeto. De que serviria assim chegar à presidência, amarrado a grupos de interesses de facções e por eles invalidado como governante para as maiorias? Isso, além disso, seria sua morte política aos olhos da maioria dos mexicanos, como ocorreu com a “esquerda moderna”.

(*) Escritor e antropólogo mexicano, autor de “La diversidad cultural y la autonomía en México”.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16870)

Raymundo de Oliveira: Libertação de cubanos presos nos EUA

Meus amigos,

há, nos EUA, cinco cubanos que estão na prisão há mais de doze anos,
pelo fato de terem se infiltrado nos grupos terroristas de Miami, com
a finalidade de evitarem atos terroristas que esses grupos
organizavam. Desnecessário dizer que a ação deles era clandestina.
Conseguiram evitar alguns atentados, avisando Cuba em tempo.
Entretanto, eles foram descobertos e condenados a longuíssimas penas,
estando em péssima situação.
De fato, eles estão na prisão por combaterem o terrorismo!!!!
Um dos cinco, Gerardo Hernández, está em terrível situação de saúde,
tendo estado, até há bem pouco tempo, numa solitária, de onde saiu nos
últimos dias.
Está havendo um movimento mundial para salvar a vida desses
companheiros. Infelizmente, no Brasil há absoluto silêncio, o que não
ocorrre quando há a prisão de qualquer cubano, mesmo que
comprovadamente esteja recebendo ajuda financeira material dos EUA que
movem uma guerra criminosa contra Cuba, por meio do bloqueio que você
conhece.
Cuba acaba de libertar dezenas de presos que assim estavam não por
divergirem do regime, e sim, por, comprovadamente, receberem ajuda
material para atuarem contra o sistema cubano. Essa ação de Cuba
precisa ser respondida pela libertação dos heróis que, em nenhum
momento, atuaram contra a segurança dos EUA, tendo procurado evitar
atos terroristas contra seu país, Cuba.
É preciso divulgar esses fatos!!! É preciso romper o bloqueio da
imprensa que procura ignorar a ação criminosa dos sucessivos governos
norte-americanos.
Você tem condições de ajudar, se informando e divulgando essa injusta
e triste realidade.
Agradeço e me coloco à disposição para trazer maiores informações. Há
alguns sites com muitos dados.
Cuba está considerando uma questão de honra libertar esses heróis,
punidos por lutarem contra o terrorismo.
Um abraço esperançoso.

Raymundo de Oliveira

Presidente do Conselho da Associação Cultural José Marti
Presidente da Casa da América Latina

PS: sites com informações sobre os Cinco Heróis

http://5heroes.cujae.edu.cu
http://5heroes.cujae.edu.cu/app/archivos.php
www.antiterroristas.cu
www.cubadebate.cu
www.thecuban5.org

nomes dos cubanos:

Rene González, Ramón Labañino, Gerardo Hernández, Fernando González e Antonio Guerrero.

O petróleo na origem do conflito entre Venezuela e Colômbia

O controle do petróleo na origem do conflito entre Venezuela e Colômbia

Professor Wladmir Coelho
Mestre em Direito e Historiador

Analisar a crise entre Colômbia e Venezuela a partir do combate ao chamado narcotráfico constitui no mínimo uma análise incompleta necessitando, para melhor entendimento do tema, o acréscimo de elementos da política externa dos Estados Unidos para a América do Sul considerando-se - inclusive - as políticas de controle das fontes energéticas da região principalmente aquelas relativas ao petróleo. Deste modo torna-se relevante entender a influência dos Estados Unidos no setor petrolífero sul-americano desde o final do século XIX necessitando para este fim uma análise das políticas econômicas do petróleo cujo conteúdo, de modo geral, alternou-se entre o maior ou menor controle da produção, por parte dos oligopólios, em função da adoção de políticas de intervenção estatal ou liberalização da atividade mantendo-se, neste último caso, a prática colonial característica da região.

Neste contexto a prática do dumping, o incentivo e criação de conflitos entre países do subcontinente ou intervenção direta dos órgãos de espionagem e segurança estadunidenses na elaboração de golpes de estado contra governos de tendência nacionalistas não constituem propriamente uma novidade ou delírios de "teorias conspiratórias", mas práticas para manutenção da segurança energética dos Estados Unidos.
Poderíamos ilustrar as afirmativas acima a partir do exemplo brasileiro cuja exploração comercial do petróleo sofreu, a partir do final do século XIX, uma série de ataques dos trustes petrolíferos estadunidenses. O caso de Maraú no estado da Bahia, ainda no período imperial, é emblemático tendo esta iniciativa empresarial petrolífera privada encontrado sua total ruína em função da oferta de querosene dos trustes dos Estados Unidos a preços inferiores ao nacional.

Outra prática a vigorar como parte dos planos de manutenção da dependência energética externa e ao mesmo tempo assegurar reservas para os oligopólios internacionais foi à compra de vastas áreas com potencial petrolífero aplicadas por grupos ligados a Standard Oil impedindo a pesquisa e exploração por grupos brasileiros. Este método prevaleceu até 1934 quando ocorre a separação constitucional entre a propriedade do solo e subsolo transferindo os minerais encontrados neste para o rol dos bens da União.
Ainda na década de 1930 um grave conflito armado envolvendo Paraguai e Bolívia, a Guerra do Chaco, apresentou como elemento detonador a disputa por áreas petrolíferas envolvendo os interesses das empresas Shell e Standard Oil. Durante o citado conflito ficou clara a necessidade de revisão dos métodos de controle da produção e propriedade dos recursos energéticos quando a Standard Oil simplesmente negou abastecer as tropas bolivianas em combate.

Os exemplos de dependência energética do Brasil e Bolívia resultaram em políticas nacionalistas e intervencionistas, em diferentes escalas, aspectos também observados na Venezuela e Colômbia. Esta nova fase da política econômica no subcontinente apresentou como regra a criação de empresas estatais e conseqüente monopólio estatal do setor petrolífero. No Brasil a criação de uma empresa nacional para exploração do petróleo somente ocorreria em 1953 a partir de uma grande campanha popular denominada "O petróleo é nosso", todavia o modelo empresarial adotado foi a criação de uma empresa mista ficando o Estado com o controle acionário desta exercendo esta o monopólio da exploração petrolífera.
Todavia a presença do Estado no setor petrolífero sul-americano não significou a utilização do poder econômico obtido através da exploração do petróleo em política para o desenvolvimento da região ficando evidente a manutenção da tradição colonial a partir do controle destas empresas por setores oligárquicos nacionais interessados exclusivamente em lucros pessoais. Estas empresas tornaram-se feudos familiares ou filiais dos oligopólios de sempre determinando estes as políticas de preço e investimentos naturalmente em função da segurança energética dos Estados Unidos. A Petrobrás, neste sentido, também foi atingida ao direcionar suas atividades para o exterior e exploração na plataforma continental abandonando para os oligopólios a exploração - ou impedimento deste - em terra de áreas com potencial petrolífero.

Durante a década de 1990 vamos observar uma radicalização ideológica denominada neoliberalismo verificando-se na América do Sul uma onda de privatizações e quebra dos monopólios estatais no setor petrolífero retomando o oligopólio internacional o controle direto de vastas áreas produtivas.
O quadro de entrega dos recursos petrolíferos aos oligopólios internacionais na América do Sul iniciaria um processo de reversão a partir de 1999 durante o primeiro governo de Hugo Chaves através da nacionalização da exploração petrolífera e reformulação da empresa estatal a PDVSA (Petróleos da Venezuela S/A) assumindo esta o monopólio do setor restringindo-se a presença de empresas privadas a partir da criação de subsidiarias com controle da PDVSA.

A política econômica petrolífera implantada na Venezuela serviu de fundamentação para a Bolívia e Equador países que também nacionalizaram, no início do presente século, o setor petrolífero e gasífero direcionando o poder econômico resultante da exploração destes recursos para implementação de políticas voltadas para o desenvolvimento interno.
Outro aspecto resultante da utilização do poder econômico do petróleo iniciada a partir da Venezuela foi a criação da ALBA, Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América , entidade voltada para a criação de um pacto comercial, cultural e político entre os países latino americanos em oposição as políticas de controle imperial dos Estados Unidos notadamente aqueles presentes na criação da ALCA Área de Livre Comércio das Américas.

Neste quadro de clara disputa entre os interesses dos Estados Unidos e Venezuela observaremos o governo colombiano optar por manter a prática neoliberal buscando uma aproximação com a potência hegemônica. Esta aliança ganha sua forma atual a partir do ano 2000 através do Plano Colômbia. Neste acordo utiliza-se como pano de fundo o combate ao tráfico de drogas como justificativa para o fornecimento de armas, recursos financeiros e bases militares para os Estados Unidos em território colombiano.
A Colômbia, ao contrário da Venezuela, encontra-se dividida em áreas controladas por forças do Estado e vastas regiões administradas através das guerrilhas - notadamente as FARC - e tratando-se de uma região em conflito muitos pequenos agricultores encontram dificuldades para a manutenção de culturas alternativas a coca. As áreas de controle das FARC apresentam como fonte de arrecadação exatamente estas culturas cujo comércio envolve - inclusive - autoridades do Estado colombiano. Desta forma associar narcotráfico e FARC não corresponde a verdade existindo um envolvimento de setores oficiais comprometidos com os Estados Unidos.

A área de tensão entre Venezuela e Colômbia apresenta ainda uma característica pouco divulgada na imprensa - ou seja - a existência do oleoduto Caño Limón responsável por conduzir a produção petrolífera da região para o porto caribenho Coveñas e deste para os Estados Unidos processo administrado através da Companhia Ocidental de controle estadunidense.
O conflito entre os dois países está desta forma carregado de interesses dos grupos econômicos de sempre tendo estes o objetivo evidente, claro e cristalino de controlar áreas com potencial petrolífero estendendo-se para a Amazônia e suas pouco exploradas, porém conhecidas, riquezas energéticas.

Não devemos esquecer-nos do crescimento do consumo de petróleo na China e conseqüente adoção de uma política por parte deste país de controle de vastas áreas produtivas na África e Ásia provocando uma disputa com os Estados Unidos. Faz muitos anos os Estados Unidos não enfrentavam governos decididos em implantar uma política econômica de caráter nacionalista utilizando - inclusive - parte de sua produção para o consumo interno através de uma política de industrialização. Desestabilizar estes governantes torna-se, deste modo, parte da política externa dos EUA, todavia mobilizar tropas e recursos financeiros para interferir em assuntos internos da Venezuela não motiva ou justifica aumento dos gastos públicos tornando-se necessária a criação de factóides como a transformação de guerrilheiros em traficantes e associação de um governo eleito democraticamente ao treinamento e apoio a forças "criminosas".

Fonte: http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=29506

MARICÁ: PREFEITO RECEBE CASA DA AMÉRICA LATINA

PREFEITO RECEBE REPRESENTANTES DA CASA DA AMÉRICA LATINA

A noção quase esquecida de que todos os povos pertencem à mesma humanidade
sustentou a troca de ideias entre o prefeito Washington Quaquá e
representantes da Casa da América Latina, Valmíria Guida e Luís Carlos
Santos, recebidos em audiência nessa quinta-feira, 5 agosto. Fundada em
2007, o objetivo da entidade é lutar em favor da integração e da
solidariedade dos “povos unidos numa mesma opressão geopolítica”. Por isso,
explica Valmíria, no caso, o Canadá não entra no mapa da Casa, mas a Jamaica
e o Haiti, sim.

“Nossa relação com os governos populares do continente é muito boa”, diz o
prefeito Washington Quaquá, “mas pretendemos aprofundá-la por meio de
convênios, mantendo intercâmbio principalmente em setores como educação,
saúde, esportes e cultura”, destaca. Para Luís Carlos, esse interesse do
prefeito de Maricá em estabelecer parcerias com os governos de cunho popular
pode render muitos frutos “para os dois lados”, tanto para aqueles países
(Venezuela, Bolívia, Cuba e outros) quanto para Maricá.

Os visitantes presentearam o prefeito com dois livretos (“Abreu e Lima,
general das massas” e “Os cinco heróis antiterroristas cubanos”) e o
convidaram para a cerimônia de entrega, no dia 31 de agosto, no Rio, da
Medalha Abreu e Lima, homenagem a pessoas e entidades que se destacam na
luta em favor da paz e da autodeterminação dos povos. O pernambucano Abreu e
Lima foi, ao lado de Simon Bolívar, um herói nas guerras de independência
travadas no continente sul-americano.

Fonte: http://www.marica.rj.gov.br/noticia2.php?noticia=1788

Wall Street lava dinero del narcotráfico impunemente

Wall Street lava dinero del narcotráfico impunemente

Zach Carter
AlterNet

Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens

‘Demasiado grande para caer’ es un problema mucho mayor de lo que piensas. Todos hemos leído informes condenatorios sobre que el Gobierno salva a los bancos de sus apuestas de alto riesgo, pero resulta que el problema del privilegio de Wall Street está arraigado mucho más profundamente en el sistema legal de EE.UU. de lo que los simples rescates atestiguaron en 2008. Los mayores bancos de EE.UU. pueden involucrarse en actividades descaradamente criminales a escala masiva y emerger casi completamente indemnes. El último ejemplo repugnante proviene del Banco Wachovia: Acusado de lavar 380.000 millones de dólares de dineros de cárteles de la droga mexicanos, se espera que el gigante financiero emerja con sólo un tirón de orejas gracias a una política oficial del Gobierno, que protege a los megabancos contra acusaciones criminales.
Michael Smith de Bloomberg ha escrito una devastadora revelación que detalla las operaciones del Wachovia con dinero de la droga y la torcida reacción del Gobierno. El banco hacía transacciones con dinero que provenía literalmente de toneladas de cocaína de violentos cárteles de la droga. No fue por accidente. Denunciantes internos del Wachovia advirtieron de que el banco estaba lavando dinero del narcotráfico, los mandamases del banco los ignoraron totalmente para lograr mayores beneficios y el Gobierno de EE.UU. está a punto de dejar que todos los involucrados queden impunes. El banco no será acusado, porque es política oficial del Gobierno no procesar a megabancos. Del artículo de Smith:
Ningún gran banco estadounidense… ha sido acusado alguna vez por violar la Ley de Secretos Bancarios o cualquiera otra ley federal. En vez de eso, el Departamento de Justicia resuelve acusaciones criminales utilizando acuerdos de suspensión de actuaciones judiciales, según los cuales un banco paga una multa y promete no volver a violar la ley… Los grandes bancos están protegidos de los enjuiciamientos gracias a una variante de la teoría de demasiado-grande-para-caer. Encausar a un gran banco podría provocar una carrera frenética de los inversionistas para vender acciones y causar pánico en los mercados financieros.
Wachovia fue adquirido por Wells Fargo a finales de 2008. El castigo al banco por lavar más de 380.000 millones de dólares en dinero de la droga consistirá en una promesa de no volver a hacerlo y una multa de 160 millones de dólares. La multa es tan pequeña que es casi seguro que Wachovia obtendrá beneficios de su negocio de financiamiento de la droga después de considerar costes legales y multas.
Las autoridades internacionales conocen la conexión entre banqueros y narcotraficantes mucho más allá de Wachovia, pero los gobiernos no hacen nada al respecto. Un informe de 2009 de la Oficina de las Naciones Unidas sobre la Droga y el Crimen estableció que la mayoría de las reglas para impedir el lavado de dinero de la droga a través de los bancos se violan.
Del informe:
“En tiempos de quiebras de grandes bancos, los bancos parecen pensar que el dinero no huele. Ciudadanos honestos que enfrentan dificultades en tiempos de penurias financieras, se preguntan por qué los ingresos del crimen –convertidos en ostentosos inmuebles, coches, botes y aviones– no se confiscan”.
A finales de 2009, el jefe de esa oficina de la ONU, Antonio María Costa, dijo a la prensa que muchos préstamos entre bancos –préstamos a corto plazo que los bancos hacen entre sí– se apoyaban en dinero de la droga. Cuando los mercados financieros se paralizaron en 2007 y 2008, los bancos se volvieron hacia los cárteles de la droga para obtener dinero. Es posible que muchos bancos importantes no hubieran sobrevivido sin ese dinero de la droga.

Fuente: http://www.alternet.org/economy/147564/wall_street_is_laundering_drug_money

Celebrações de Bicentenários de Independência

Indicamos os sítios comemorativos dos bicentenários de independência de três nações latinoamericanas, a saber:

Argentina: http://www.bicentenario.argentina.ar/
Colômbia: http://www.bicentenarioindependencia.gov.co/
México: http://www.bicentenario.gob.mx/

Manifestantes tomam acampamento em região gasífera peruana

04 de agosto de 2010, Lima (Prensa Latina)

Grupos de manifestantes tomaram hoje um acampamento do consórcio multinacional que explora gás na região de Cusco, no meio de uma greve provincial contra a exportação do recurso.

O incidente elevou a tensão na província de Quillabamba, em greve desde 27 de julho contra a venda do gás, enquanto intensificam-se os chamados ao governo a ceder às reivindicações ou ao menos abrir o diálogo com os líderes do protesto para evitar uma manifestação violenta.

Fontes policiais afirmaram que os manifestantes ocuparam um acampamento de comunicações, pegaram equipamentos e têm retidos a um número não precisado de trabalhadores.

As mesmas fontes, citadas por radioemissoras, afirmaram que na região de Chirumpiari grupos de civis agrediram guardas privados.

Os manifestantes mantêm desde ontem baixo assédio pacífico com manifestações de protesto dos acampamentos e uma estação com válvulas do gasoducto que transporta o combustível à costa.

Enquanto isso, o líder da Confederação de Camponeses da província cusquenha de Canchis, Valeriano Cama, confirmou que essa jurisdição se somou à greve pacífica contra a exportação de gás e que outras províncias se dispõe a fazer o mesmo.

"A luta é pelo gás, que não se presenteie aos estrangeiros", acrescentou.

Enquanto prosseguem os gerenciamentos em tentativa de um diálogo entre o governo e os grevistas, novas expressões de apoio ao objetivo do protesto acontecem.

O escritório do premiê, Javier Velásquez, enviou uma comunicação ao Comitê Central de Luta de Quillabamba, que conduz a greve, no que propõe a suspensão do desemprego a fim de "dar início a um diálogo sincero e democrático" e "sem condicionamentos".

Velásquez descartou previamente a demanda de cessar as exportações de gás porque tal medida atentaria contra a segurança jurídica dos investidores e a política econômica neoliberal vigente.

Nesse contexto, os presidentes (governadores) das regiões de Arequipa, Tacna, Puno e Moquegua respaldaram a luta dos grevistas e exigiram do governo deixar sem efeito o estado de emergência estabelecido na região de Echarate, zona de Quillabamba que alberga instalações do gasducto.

Os governadores chamaram também aos dirigentes de Quillabamba a que suspendam a greve para dialogar, tema que é analisado pelos membros do Comitê Central de Luta.

Em Lima, a Confederação Geral de Trabalhadores (CGTP) e a organização Foro Cidadão de expecialistas energéticos e outras personalidades, anunciaram uma demanda judicial contra o governo pela "a irregular e ilegal exportação".

Segundo os demandantes, a venda "afetará a qualidade de vida dos peruanos, além de submeter a uma dependência energética prejudicial para o desenvolvimento nacional".

Fonte: http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id...

10 estratégias de manipulação da mídia para alienar o público

Noam Chomsky - as 10 estratégias de manipulação da mídia para manter o público alienado

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram renda decente, são tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DIFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO SE ELE FOSSE CRIANÇA DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e, por fim, no sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Induzir o público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo no qual, um dos seus efeitos, é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si mesmos.

Chomsky: “Os EUA são o maior terrorista do mundo”

Noam Abraham Chomsky, intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Falou com exclusividade para Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com, em 21 de Julho de 2010.

O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.

Noam Abraham Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem duvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.

Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.

Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.

Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.

Quê significado tem para o senhor esta homenagem?

Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.

Seus três filhos sabem da homenagem?

Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.

Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?

Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.

Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.

É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.

Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado ‘Guerra ou Paz no Oriente Médio?

É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?

Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?

Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.

Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?

Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.

Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?

Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.

O que acontecerá com o Irã?

Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.

O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.

Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.

Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?

É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.

A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?

Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo”.

A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente também recebia ajuda militar.

O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.

Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?

Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.

Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?

Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.

Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?

A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.

A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?

Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está a avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.

O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.

Fonte: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em http://www.semana.com/noticias-mundo/parte-colombia-robada-roosevelt/142...

Apresenta Fidel Castro seu livro A Vitória Estratégica

Havana, 3 ago (Prensa Latina) O livro A Vitória Estratégica foi apresentado por seu autor, o líder da Revolução cubana, Fidel Castro, artífice dos fatos que narra.

O volume de 896 páginas constitui uma obra de qualidade excepcional tanto por seu conteúdo como pela edição e impressão, e abordou o confronto das forças rebeldes à ofensiva do exército da ditadura de Fulgêncio Batista no verão de 1958.

Assistiram à apresentação os Comandantes da Revolução Ramiro Valdés e Guillermo García, os Generais de Corpo de Exército Abelardo Colomé e Leopoldo Cintras, bem como as Heroínas do Moncada Melba Hernández e da Sierra Mestre Generala Teté Puebla.

Também participaram Armando Hart, diretor do Escritório do Programa Martiano, outros combatentes da Sierra e o Plano, oficiais das Forças Armadas Revolucionárias, e o Ministério do Interior, destacados historiadores, uma representação dos editores, desenhadores e impressores do volume, e outros convidados.

Segundo uma nota difundida pelo Noticiário Nacional de Televisão, Fidel Castro mostrou-se surpreso pela qualidade do livro e a rapidez de sua terminação e disse sentir-se especialmente motivado pelas lembranças.

Durante mais de uma hora o líder da Revolução cubana leu e comentou fragmentos da obra, nos quais avalia o balanço final da batalha e o significado daquela vitória de 300 guerrilheiros contra mais 10 mil soldados armados até os dentes.

Recordando nome por nome dos combatentes mais destacados e dos caídos na luta, ressaltou mais de uma vez o espírito humanitário e a vocação justiceira do exército rebelde, que atendia e curava a seus prisioneiros até o ponto que alguma vez ele pensou que muitos daqueles soldados integrariam o novo exército para a vitória, só que já para então tinha uma massa nova e pura saída do povo, que se uniria às fileiras do que seriam as Forças Armadas Revolucionárias.

A vida ao fim transbordava nossas predições e sonhos, sentenciou.

Nessa mesma linha de raciocínio, anunciou um novo livro que dá continuidade a este no qual abordará a ofensiva estratégica final do exército rebelde e disse que para ele os materiais reunidos pelo escritório de assuntos históricos do Conselho de Estado constituem um presente enorme por todo o que o estimulam a recordar, pensar e lutar.

As lembranças vão-se organizando, se refrescam coisas que aconteceram há mais de 50 anos, comentou com alegria, e depois recordou as partes de guerra de Rádio Rebelde, onde a arma principal foi sempre a verdade.

Nós só dizíamos a verdade, se púnhamos um fuzil a mais enganávamos a nossos próprios colegas, dizer a verdade foi um princípio elementar que nunca falhou, lembrou.

Retomando o comportamento ético como a distinção daquele exército nascido nos combates contra a tirania, o contrapôs à crueldade sem limites das forças da ditadura.

Em um progresso do livro em preparação, anunciou que narrará um revés tático sofrido durante a contraofensiva, quando uma coluna rebelde que caiu em uma emboscada foi massacrada sem piedade pelo exército da tirania.

Quem treinou a esse exército de torturadores, quem forneceu-lhe as armas, os tanques, os aviões, as fragatas, quem ensinou-os a torturar e matar prisioneiros, foi o governo dos Estados Unidos, esse mesmo que agora tortura a Gerardo Hernández, sem justificativa alguma, afirmou ao se referir a um dos cinco antiterroristas cubanos presos em cárceres estadunidenses, submetido a castigos adicionais.

Até quando vai durar isso, se perguntou Fidel Castro em uma análise que enlaça a história há meio século com a atual no permanente e nunca abandonado propósito imperial de submeter à nação cubana sem se deter aos métodos por repugnantes e covardes que possam resultar.

No ato de apresentação do livro A vitória estratégica usaram também a palavra sua editora principal Katiuska Blanco e Alberto Albariño, vice chefe do departamento ideológico do Comitê Central de Partido Comunista de Cuba, responsável pela impressão.

Fonte: http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=21...

Ignorar a história, uma saída rasteira

Wálter Fanganiello Maierovitch, na revista CartaCapital

Condenar a guerrilha sem levar em conta o contexto na qual surgiu é jogo sujo
Na campanha eleitoral em curso, o candidato tucano José Serra volta, como em 2002, a tentar colar no PT e, por tabela, em Lula e na concorrente Dilma, a imagem de apoiadores das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). Serra ignora a história da Colômbia, país onde a violência tornou-se endêmica desde a morte por tuberculose do frustrado Simón Bolivar, em dezembro de 1829.
O ex-governador de São Paulo faz tábula rasa do longo arco temporal em que as Farc eram uma organização insurgente, nascida em 20 de junho de 1964 e diante de uma heroica resistência campesina ao plano genocida elaborado pelos EUA e chamado Latin American Security Operation. Esse plano competiu ao exército colombiano, com assessoria norte-americana. Algo muito comum na historiografia da Colômbia: para matar Pablo Escobar, os americanos treinaram policiais colombianos e os direcionaram, com recursos tecnológicos made in USA, até o esconderijo do narcotraficante. A matança ficou por conta da mão do gato, no caso, os soldados colombianos.
A Serra, nesta campanha presidencial, só interessa as Farc da dupla Álvaro Uribe e George W. Bush. Com o Plano Colômbia (iniciado no governo Bill Clinton) e com a morte de Manuel Marulanda, apelidado de Tirofijo, houve a quebra de unidade de comando das Farc, perda de disciplina nas frentes e luta intestina pela sucessão.
Deu-se o conflito entre as alas lideradas pelo antropólogo Alfonso Cano e pelo combatente Mono Jojoy, uma espécie de general de campo e promotor da busca de recursos financeiros sujos, isto é, provenientes do tráfico de cocaína operado por uma miríade de cartelitos, que substituíram os grandes cartéis dos tempos de Escobar, de Gacha, dos Ochoa e dos irmãos Orejuela.
Antes do Plano Colômbia, conforme revelado pela Central Intelligence Agency (CIA), as fontes de arrecadação das Farc, por ordem de importância, eram as seguintes: sequestro de pessoas para fim de extorsão, abigeato (furto de gado), “taxa”de proteção aos produtores de café e milho e arrecadação de “imposto de circulação” gerado pela venda de folha de coca nos mercados. Hoje, segundo divulgam os 007 da Drug Enforcement Administration (DEA), as Farc arrecadam 1% do movimento financeiro operado pelo tráfico internacional de cocaína. Como fazem esse cálculo, só a unidade de propaganda imperialista e anti-Farc saberia informar.
Certa vez, Andrés Pastrana, já sequestrado pelas Farc e antecessor de Uribe, reclamou, em pronunciamento como presidente recém-eleito, como o seu país era objeto de análises equivocadas no exterior: “A Colômbia padece de duas guerras nitidamente diferentes. Aquela do narcotráfico contra o país e o mundo. E aquela da guerrilha contra um modelo econômico, social e político, que é injusto, corrupto e gerador de privilégios”.
Com relação ao narcotráfico, Pastrana não se referia às Farc, com as quais procurou negociar um plano de paz e estabeleceu zonas desmilitarizadas. Apesar das críticas do governo Clinton, pela voz do general Barry MacCafrey, czar das drogas da Casa Branca e autor do Plano Colômbia, o conservador presidente Pastrana, filho do ex-presidente Misael, precisava conquistar confiança como negociador. Numa Colômbia que, em 1953, atraiu guerrilheiros de esquerda para o chamado pacto de “Paz, Justiça e Liberdade” e, às ordens do general Gustavo Rojas Pinilla, acabou por fuzilar, em três meses, 10 mil dos que haviam deposto as armas.
Pastrana, ao mencionar o narcotráfico, estava a se referir ao escândalo do seu antecessor, Ernesto Samper Pizano, que recebeu dinheiro dos cartéis da cocaína para a campanha presidencial, e à força adquirida por essas organizações criminosas durante a presidência de César Gaviria Trujillo (hoje associado a Fernando Henrique num projeto de legalização de todas as drogas proibidas pela Convenção das Nações Unidas). Nesse período, até Pablo Escobar se elegeu deputado.
Tendo em vista a trajetória da família Uribe, com laços estreitos com o narcotráfico, e como bem definiu, em 1881, o embaixador argentino na Colômbia, “este é um país onde matar um opositor ideológico não é considerado verdadeiro crime comum, e sim apenas o desenvolvimento natural de uma tática política”.
A origem remota das Farc não escapou à pena brilhante de Gabriel García Márquez. Na obra Cem Anos de Solidão ele descreve a chacina, em 1928, de Ciénaga, de responsabilidade da estadunidense United Fruit. Os bananeiros da zona de Santa Marta se negaram a carregar os trens parados na estação ferroviária de Ciénaga, destinados a levar bananas para New Orleans. Os trabalhadores exigiam repouso semanal, melhores condições sanitárias, pagamento do salário em dinheiro, em vez de vales só aceitos em comércios da United Fruit. O exército foi acionado pela companhia americana e, antes do término do prazo para o carregamento dos vagões, abriu fogo e matou uma centena de bananeiros. Após isso, a United Fruit passou a se chamar Frutera de Sevilla e, em 1980, Chiquita Banana, Del Monte e Dole.
À tragédia de Ciénaga reagiu Jorge Eliécer Gaitán, líder da União Nacional da Esquerda Revolucionária (Unir). Gaitán tornou-se o candidato à Presidência, nas eleições de 1950. Era candidato imbatível, com maciço apoio popular. Acabou assassinado em 9 de abril de 1948, num complô armado pela CIA, que temia a expansão comunista, apesar de Gaitán nunca ter sido comunista e de ter se transferido até para o Partido Liberal.
Efetivamente, a violência colombiana é endêmica. No século XIX, por exemplo, a Colômbia republicana enfrentou duas guerras com o Equador, oito guerras civis internas de amplitude nacional e 14 guerras civis regionais. Os partidos, Conservador e Liberal, desde 1848 monopolizaram a vida política com programas diferentes, mas em permanente união na defesa do latifúndio, das elites, dos paramilitares e contra a formação de sindicatos.
Os conservadores tinham por lema “Deus, pátria e família”. Os liberais, aparentemente progressistas, proclamavam a fórmula francesa da igualdade, liberdade e fraternidade. A forte Igreja Católica colombiana pendeu para os conservadores e fechava os olhos à exploração do trabalho. Gaitán foi a renovação liberal e o denominado “gaitanismo”lograva unir os pobres nas cidades e nos campos. Depois do assassinato de Gaitán, começaram as grandes resistências camponesas e o nascimento das Farc.
Uribe é desde sempre um governante empenhado a qualquer custo na manutenção do status quo. Quando governador de Antioquia, Uribe inventou o Conviver, uma segurança privada que promoveu o extermínio dos opositores. No fim do seu mandato, Antioquia já estava, com o aval de Uribe, sob controle dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Durante anos, os grandes cartéis de cocaína, com Gonzalo Rodríguez Gacha à frente, financiaram os paramilitares contra as Farc. Gacha foi considerado pela revista Forbes, no fim dos anos 80, o homem mais rico do mundo, bem à frente de Escobar.

Encontrada na Colômbia a maior vala comum da América Latina

Recentemente, na Colômbia, foi descoberta a maior vala comum da história contemporânea do continente latino-americano, horrenda descoberta que foi quase totalmente invisibilizada pelos meios de comunicação de massa na Colômbia e no mundo. A vala comum contém os restos de ao menos 2.000 pessoas e está em La Macarena, departamento de Meta. Desde 2005, o Exército, espalhado pela zona, enterrou ali milhares de pessoas, sepultadas sem nome.

A reportagem está publicada no sítio colombiano Cronicón, 29-07-2010. A tradução é do Cepat.

A população da região, alertada pelas infiltrações putrefatas dos cadáveres na água potável, e afetada pelos desaparecimentos, já havia denunciado a existência da vala em várias ocasiões ao longo de 2009: havia sido em vão, pois a fiscalia não realizava as investigações. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em dezembro de 2009, que se conseguiu trazer à luz este horrendo crime perpetrado pelos agentes militares de um Estado que lhes garantia a impunidade.

Trata-se da maior vala comum do continente. Dois mil corpos em uma vala comum, isso é um assunto grave para o Estado colombiano, mas sua mídia, e a mídia mundial, cúmplices do genocídio, se encarregaram de mantê-lo quase totalmente em silêncio, quando para encontrar uma atrocidade parecida é preciso remontar às valas nazistas. Este silêncio midiático está sem dúvida vinculado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali se gestam em base aos massacres.

A Comissão Asturiana de Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em janeiro de 2010 (menos de um mês depois da descoberta da vala), perguntou às autoridades sobre o caso. As respostas foram preocupantes: na fiscalia, na procuradoria, no Ministério do Interior, na ONU, todos tentam se esquivar do assunto. E enquanto isso, tratam de “operar” a vala para minimizá-la, mas a delegação britânica a constatou, e as próprias autoridades reconheceram ao menos 2.000 cadáveres. Em dezembro, “o prefeito, aliado do governo, o denunciou também junto ao sepulteiro”, mas depois, as pressões oficiais tendem a fazer “diminuir suas apreciações sobre o número de corpos”.

A Delegação Asturiana denunciou a ostensiva vontade de alterar a cena do crime: “ninguém está protegendo o lugar. Ninguém está impedindo que se possam alterar as provas. Que um trator possa entrar e voltar a misturar os cadáveres anônimos, a tirá-los e levá-los para outro lugar”. “Solicitamos às instituições responsáveis do Governo e do Estado colombiano que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registradas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias com a finalidade de assegurar o perímetro para prevenir a modificação da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório que ali se encontra (…) É fundamental a criação de um Centro de Identificação Forense em La Macarena com a finalidade de conseguir a individualização e plena identificação dos cadáveres ali sepultados”.

A Delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades aduziram desconhecimento, e alegaram incapacidade operativa: “há tantas valas comuns em nosso país que…”. Trata-se do município de Argelia em Cauca: “Um ‘matadouro’ de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos de seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram entrar novamente em suas comunidades: deslocaram os sobreviventes”. As vítimas sobreviventes relataram: “havia pessoas amarradas que soltavam aos cachorros esfomeados para que os assassinassem pouco a pouco”.

Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado colombiano, combinada com a ação de policiais e militares, foi o instrumento de expansão de latifúndios. O Estado colombiano desapareceu com mais de 50.000 pessoas através de seus aparelhos assumidos (policiais, militares) e de seu aparelho encoberto: sua Estratégia Paramilitar. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra classista contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar se inscreve nessa lógica econômica.

A invisibilização de uma vala comum das dimensões da vala de La Macarena se inscreve no contexto de que os negócios de multinacionais e oligarquias se baseiam nesse horror, e em que esta vala seja produto de assassinatos diretamente perpetrados pelo Exército nacional da Colômbia, o que prova ainda mais o caráter genocida do Estado colombiano em seu conjunto (para além do seu presidente Uribe, cujos negócios e vínculos com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais do que comprovados).

A cumplicidade da grande imprensa é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Os povos devem romper o silêncio com que se pretende ocultar o genocídio. Urge solidariedade internacional: a Colômbia é, sem dúvida, um dos lugares do planeta no qual o horror do capitalismo se plasma da forma mais evidente, em seu paroxismo mais absoluto.

Fonte: Conversa Afiada ( http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2010/08/02/uribe-o-heroi-do-pig-f... )

No pós-golpe, economia hondurenha definha e desemprego dispara

Honduras enfrenta consequências da instabilidade política interna e da crise financeira internacional

Renato Godoy de Toledo
do enviado a Tegucigalpa (Honduras)

É sabido que o saldo de um ano de golpe em Honduras, na esfera política, tem a instabilidade e a repressão velada como principais características. No aspecto econômico, a situação acompanhou a piora e o país amarga as consequências da instabilidade política e da crise financeira internacional.

Segundo dados oficiais, o desemprego atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas, em um país com uma população total de menos de 8 milhões de habitantes. Ainda de acordo com estatísticas governamentais, um terço dos hondurenhos vive com menos de 20 lempiras (a moeda local) diárias, o equivalente a um dólar. Para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a renda inferior a um dólar diário configura pobreza extrema.

Com o salário mínimo elevado pelo presidente deposto Manuel Zelaya, em 2008, parte da população aponta que o problema do desemprego é fruto da política “populista” do ex-governante. Hoje, o déficit total de Honduras chega a 20 bilhões de dólares, o que equivale a 142% do PIB registrado em 2009. No ano do golpe, o país apresentou uma retração econômica de 2%. Por decreto, Zelaya colocou o salário mínimo a 290 dólares para os trabalhadores urbanos e 214 para os rurais.

Classes altas

Apesar das críticas do patronato e de setores conservadores, hoje, o salário mínimo considerado alto não supre as reais necessidades dos hondurenhos. Uma cesta básica com 30 itens para uma família de cinco membros vale 338 dólares.

O descontentamento com o momento econômico do país não se limita apenas aos mais pobres. Nas classes mais altas, há uma reclamação contra os pacotes econômicos apresentados pelo governo de Porfirio Lobo, que têm como principal marca o aumento de impostos.

No entanto, setores conservadores se valem das sanções econômicas promovidas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para argumentar que o problema hondurenho não tem relação com o golpe de Estado, mas com o bloqueio da ajuda financeira ao país centro-americano.

Direitos econômicos

Gilberto Ríos, da FoodFirst Information & Action Network (Fian), aponta uma piora significativa da condição de vida em Honduras no último período. “Além dos direitos humanos, o golpe tem repercussões ligadas aos direitos econômicos e sociais. A situação econômica e social do país piorou ainda mais. Há um maior desemprego e diminuição da renda da população e mais fome”, explica.

Para o ex-candidato à presidência de Honduras, Carlos H. Reyes, há um processo de piora econômica que tem sido combatido pelos membros da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), organização criada após o golpe de 2009.

De acordo com Reyes, que retirou sua candidatura no ano passado por considerar ilegítimo o processo eleitoral, a defesa de direitos econômicos e sociais têm sido tão importantes para a FNRP como as bandeiras da volta de Manuel Zelaya ao país e da instauração de uma Assembleia Nacional Constituinte.

“Esse governo já emitiu um pacote de impostos e tudo indica que vai impor outros. Estão nos levando aqui ao que está acontecendo na Grécia. Além de toda nossa luta pela Assembleia Nacional Constituinte, estamos em vigília em defesa dos nossos direitos sociais e econômicos. A situação no país piora por conta do desemprego e pelo fato de os EUA devolverem uma grande quantidade de imigrantes. E aqui não há trabalho”, relata.

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/no-pos-golpe-ec... )

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