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Chomsky: EUA estão seguindo seu manual no Egito

Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now, Noam Chomsky analisa o desenrolar dos protestos no Egito e o comportamento do governo dos Estados Unidos diante deles. Na sua avaliação, o governo Obama está seguindo o manual tradicional de Washington nestas situações: "Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome".

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Amy Goodman - Democracy Now

Nas últimas semanas, os levantes populares ocorridos no mundo árabe provocaram a destituição do ditador Zine El Abidine Bem Ali, o iminente fim do regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, a nomeação de um novo governo na Jordânia e a promessa do ditador de tantos anos do Yemen de abandonar o cargo ao final de seu mandato. O Democracy Now falou com o professor do MIT, Noam Chomsky, acerca do que isso significa para o futuro do Oriente Médio e da política externa dos EUA na região. Indagado sobre os recentes comentários do presidente Obama sobre Mubarak, Chomsky disse: “Obama foi muito cuidadoso para não dizer nada; está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”.

Amy Goodman: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?

Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak. O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer.

Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o controle ou está em risco de perdê-lo. Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome.

Presumo que é isso que está ocorrendo agora. Estão vendo se Mubarak pode ficar. Se não aguentar, colocarão em prática o manual.

Amy Goodman: Qual sua opinião sobre o apelo de Obama para que se inicie a transição no Egito?

Noam Chomsky: Curiosamente, Obama não disse nada. Mubarak também estaria de acordo com a necessidade de haver uma transição ordenada. Um novo gabinete, alguns arranjos menores na ordem constitucional, isso não é nada. Está fazendo o que os líderes norteamericanos geralmente fazem.

Os Estados Unidos tem um poder constrangedor neste caso. O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda militar e econômica de Washington. Israel é o primeiro. O mesmo Obama já se mostrou muito favorável a Mubarak. No famoso discurso do Cairo, o presidente estadunidense disse: “Mubarak é um bom homem. Ele fez coisas boas. Manteve a estabilidade. Seguiremos o apoiando porque é um amigo”.

Mubarak é um dos ditadores mais brutais do mundo. Não sei como, depois disso, alguém pode seguir levando a sério os comentários de Obama sobre os direitos humanos. Mas o apoio tem sido muito grande. Os aviões que estão sobrevoando a praça Tahrir são, certamente, estadunidenses. Os EUA representam o principal sustentáculo do regime egípcio. Não é como na Tunísia, onde o principal apoio era da França. Os EUA são os principais culpados no Egito, junto com Israel e a Arábia Saudita. Foram estes países que prestaram apoio ao regime de Mubarak. De fato, os israelenses estavam furiosos porque Obama não sustentou mais firmemente seu amigo Mubarak.

Amy Goodman: O que significam todas essas revoltas no mundo árabe?

Noam Chomsky: Este é o levante regional mais surpreendente do qual tenho memória. Às vezes fazem comparações com o que ocorreu no leste europeu, mas não é comparável. Ninguém sabe quais serão as consequências desses levantes. Os problemas pelos quais os manifestantes protestam vem de longa data e não serão resolvidos facilmente. Há uma grande pobreza, repressão, falta de democracia e também de desenvolvimento. O Egito e outros países da região recém passaram pelo período neoliberal, que trouxe crescimento nos papéis junto com as consequências habituais: uma alta concentração da riqueza e dos privilégios, um empobrecimento e uma paralisia da maioria da população. E isso não se muda facilmente.

Amy Goodman: Você crê que há alguma relação direta entre esses levantes e os vazamentos de Wikileaks?

Noam Chomsky: Na verdade, a questão é que Wikileaks não nos disse nada novo. Nos deu a confirmação para nossas razoáveis conjecturas.

Amy Goodman: O que acontecerá com a Jordânia?

Noam Chomsky: Na Jordânia, recém mudaram o primeiro ministro. Ele foi substituído por um ex-general que parece ser moderadamente popular, ou ao menos não é tão odiado pela população. Mas essencialmente não mudou nada.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17391 )

Entidades lançam manifesto em apoio ao processo na Venezuela

Entidades lançam manifesto em apoio ao processo na Venezuela

Crédito: TeleSUR
Da Agência Brasil de Fato

Movimentos sociais lançam um manifesto em apoio ao processo bolivariano na Venezuela frente aos sucessivos ataques da mídia e de setores conservadores ao processo revolucionário em curso no país.

De acordo com o manifesto, “as forças direitistas, que mantiveram o continente latino-americano a serviço dos interesses do capital dos Estados Unidos, como agora perderam o poder político em muitos países, se articulam então através do controle que têm dos meios de comunicação”.

A iniciativa busca manifestar a solidariedade ao povo venezuelano, ao seu governo e ao projeto de mudanças sociais que ocorre no país. “Defendemos que haja um processo de democratização de todos os meios de comunicação de massa em todos nossos países, para livrar nossos povos da manipulação e do seu uso, apenas em defesa dos interesses da burguesia e das empresas que querem controlar nossa economia e nossas riquezas”, afirma o documento.

O manifesto será entregue em todas as embaixadas e consulados venezuelanos nesta quarta-feira (02). Haverá também manifestações para divulgação nas representações diplomáticas de Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Também serão realizados atos em Aracaju (SE) e Salvador (BA).

Aqueles que apóiam o processo bolivariano na Venezuela podem aderir ao manifesto através do e-mail: solidariedadelatina@gmail.com .

Veja a íntegra do documento abaixo.

MANIFESTO DE APOIO AO PROCESSO BOLIVARIANO NA VENEZUELA

Brasil, 2 de fevereiro de 2011.

Ao povo da Venezuela,

Ao Governo do Presidente Hugo Chávez,

Aos movimentos sociais da Venezuela.

Estimados companheiros e companheiras,

Há doze anos o povo venezuelano decidiu mudar o rumo da história de seu país, romper com a longa noite neoliberal e décadas de exploração de uma oligarquia que se locupletava com os recursos do petróleo, sem nada beneficiar o povo.

O povo venezuelano pagou o preço da pobreza e das desigualdades sociais.

No dia dois de fevereiro de 1999, resultado de muitas mobilizações populares e de um massacre em Caracas que custou a vida de milhares de cidadãos, finalmente tivemos uma eleição democrática e o presidente venezuelano Hugo Chávez assumiu a Presidência da Venezuela com o compromisso de refundar o país por meio de um processo de transformação social baseado na participação popular e no resgate do papel do Estado como gestor de políticas públicas em pró da maioria da população.

A partir de então, iniciou-se um programa que erradicou o analfabetismo, universalizou o sistema de saúde pública, garantiu acesso à universidade aos jovens e iniciou a democratização da propriedade da terra no campo e na cidade. Um novo projeto econômico de desenvolvimento nacional passou a ser construído baseado na utilização dos recursos do petróleo para resolver os problemas fundamentais do povo, como: emprego, moradia, educação, saúde, terra e acesso a energia. E o governo assumiu a vocação internacionalista do pensamento de Simon Bolívar e estimulou a integração com outros países e povos da America Latina, contribuindo para processos regionais como o projeto ALBA, entre outros.

Seguindo as regras da democracia representativa, o presidente Chávez e seu projeto de governo realizaram nesse período 15 processos eleitorais, sendo vitoriosos em 14, e assumindo publicamente a autocrítica da derrota de 2008, como uma lição popular. Mesmo assim, as empresas transnacionais, as classes dominantes locais e os interesses econômicos e militares do império dos Estados unidos não se conformam com a perda do controle do petróleo Venezuelano e com a perda do poder político. Por isso, durante esses anos todos, têm organizado uma campanha permanente, sistemática, para desqualificar o processo bolivariano, agredindo o povo venezuelano e a seu presidente, como nunca aconteceu antes na historia do país. Usando todas as armações possíveis, desde a tentativa de golpe de Estado, sabotagens e manipulações midiáticas. E ainda ousam denunciar que não há liberdade de imprensa na Venezuela.

Essas forças direitistas, que mantiveram o continente latino-americano a serviço dos interesses do capital dos Estados Unidos, como agora perderam o poder político em muitos países, se articulam então através do controle que têm dos meios de comunicação. E usam os meios de comunicação de massa como sua arma permanente para mentir, manipular e atacar. Isso vem ocorrendo não só na Venezuela, mas também no Brasil, na Argentina e em todos os países da America Latina.

No ano de bicentenário da Independência política de vários países da América Latina, reiteramos que apesar da campanha de ódio orquestrada a partir dos meios massivos de comunicação contra a Venezuela, nosso compromisso de realizar todos os esforços para construir a verdadeira integração de nossos povos, e apoiar o exemplo do povo venezuelano, que inspirados em Simon Bolivar, General Abreu e Lima, Jose Martí, Che Guevara, e tantos outros, nos acena para a necessidade de nos unirmos na América Latina, para juntos nos ajudarmos a resolver os problemas fundamentais de nosso povo.

Por confiar no caráter popular e democrático da revolução bolivariana, por defender o direito soberano do povo venezuelano e de todos os povos do mundo a decidir seu destino, sem ingerência do capital e das forças do império, por considerar de fundamental importância o processo de integração regional que vem sendo impulsionado na America Latina nos últimos dez anos, e que se concretiza, através da Unasul, do CELAEC e de um projeto de integração popular da ALBA, saímos a público para manifestar nossa solidariedade com o povo venezuelano, ao seu governo e ao projeto de mudanças sociais em curso naquele país.

Defendemos que haja um processo de democratização de todos os meios de comunicação de massa em todos nossos países, para livrar nossos povos da manipulação e do seu uso, apenas em defesa dos interesses da burguesia e das empresas que querem controlar nossa economia e nossas riquezas.

Os povos da América Latina precisam caminhar com suas próprias pernas, trilhando um mesmo caminho, de soberania política, econômica, de controle de seus recursos naturais, para construir sociedades justas, democráticas e igualitárias.

Atenciosamente,

Entidades

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

La Via Campesina - Brasil

AMES – Associação Municipal de Estudantes Secundaristas

Brigadas Populares

Cahis-UERJ

CEBRAPAZ

CMP – Coordenação dos Movimentos Populares

Coletivo 21 de Julho

COMITÉ INTERNACIONAL POR LA LIBERTAD DE LOS CINCO

CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores

Consulta Popular – RJ

Faferj

JS- Juventude Socialista

JUBILEU Sul Brasil e Américas

Morena –CB

Movimento Popular de Favelas

Movimiento Social Nicaragüense "Otro Mundo es Posible".-

MTD – Movimento dos Trabalhadores Desempregados

MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

PCB – Partido Comunista Brasileiro

PcdoB-RJ – Partido Comunista do Brasil - RJ

PERIÓDICO RESUMEN LATINOAMERICANO

UBES – União Brasileira de Estudantes Secundaristas

UBM - União Brasileira de Mulheres

UEE-RJ – União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro

UEES – União Estadual dos Estudantes Secundaristas

UJC – União da Juventude Comunista

UJS – União da Juventude Socialista

UNEGRO – União de Negros pela Igualdade

UNE – União Nacional dos Estudantes

Fonte: Agência Brasil de Fato

Fidel Castro: A SORTE DE MUBARAK ESTÁ LANÇADA

A SORTE DE MUBARAK ESTÁ LANÇADA

A sorte de Mubarak está lançada e já nem o apoio dos Estados Unidos poderá salvar o seu governo. No Egito vive um povo inteligente, de gloriosa história, que deixou sua marca na civilização humana. "Do alto destas pirâmides 40 séculos os contemplam", contam que exclamou Bonaparte em um momento de exaltação quando a revolução dos enciclopedistas o levou a esse extraordinário cruzamento de civilizações.

Ao concluir a Segunda Guerra Mundial o Egito encontrava-se sob a brilhante direção de Abdel Nasser, que junto do Jawahartal Nehru, herdeiro de Mahatma Gandhi, Kwame Nkrumah, Ahmed Sékou Touré, líderes africanos que junto do Sukarno, presidente da então recém-libertada Indonésia, criaram o Movimento dos Países Não-Alinhados e impulsionaram a luta pela independência das antigas colônias. Os povos do Sudeste Asiático, do Oriente Médio e da África, como o Egito, a Argélia, a Síria, o Líbano, a Palestina, o Saara Ocidental, o Congo, a Angola, o Moçambique e outros, envolvidos na luta contra o colonialismo francês, inglês, belga e português com o respaldo dos Estados Unidos, lutavam pela independência com o apoio da URSS e da China.

A esse movimento em marcha somou-se Cuba, depois do triunfo de nossa Revolução.

Neste ano Grã Bretanha, a França e Israel, lançaram um ataque surpresa contra o Egito, que tinha nacionalizado o Canal de Suez. A audaz e solidária ação da URSS, que inclusive ameaçou com fazer uso de seus mísseis estratégicos, freou os agressores.Âá

A morte de Abdel Nasser, no dia 28 de setembro de 1970, significou um golpe irreparável para o Egito.

Os Estados Unidos não cessaram de conspirar contra o mundo árabe, que concentra as maiores reservas petrolíferas do planeta.

Não é preciso argumentar muito, basta ler as informações sobre o que inevitavelmente esta acontecendo.

Vejamos as notícias:

28 de janeiro:

"(DPA) - Mais de 100 000 egípcios saíram hoje às ruas para protestar contra o governo do presidente Hosni Mubarak, apesar da proibição de manifestações emitida pelas autoridades..."

"Os manifestantes incendiaram escritórios do partido Democrático Nacional (PDN) de Mubarak e postos de vigilância policial, enquanto no centro do Cairo lançaram pedras contra a polícia quando esta tentou dispersá-los usando gases lacrimogêneos e balas de borracha."

"O presidente estadunidense, Barack Obama, se reuniu hoje com uma comissão de especialistas para estar bem informado sobre a situação, enquanto o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, advertiu que os Estados Unidos reavaliariam as multimilionárias ajudas que outorgam ao Egito conforme a evolução dos acontecimentos.

"As Nações Unidas também emitiram uma forte mensagem de Davos, onde se encontrava nesta sexta-feira o secretário geral Ban Ki-moon."

"(Reuters).- O presidente Mubarak ordena o toque de recolher e o desdobramento de tropas do exército apoiadas por veículos blindados no Cairo e em outras cidades. Registaram-se violentos choques entre manifestantes e a polícia.

"Forças egípcias, apoiadas por veículos blindados, foram desdobradas nesta sexta-feira no Cairo e em outras grandes cidades do país para pôr fim aos enormes protestos populares que exigem a renúncia do presidente Hosni Mubarak."

"Fontes médicas indicaram que até o momento 410 pessoas ficaram feridas durante os protestos, enquanto a televisão estatal anunciou um toque de recolher para todas as cidades."

"Os eventos representam um dilema para os Estados Unidos, que exprimiram o seu desejo de que a democracia se espalhe por toda a região. Mubarak, no entanto, tem sido um aliado próximo de Washington durante vários anos e o destinatário de muita ajuda militar."

"(DPA) - Milhares de jordanianos se manifestaram hoje em todo o país após as orações da sexta-feira, pedindo a demissão do primeiro-ministro, Samir Rifai, e reformas políticas e econômicas."

Em meio ao desastre político que golpeavam o mundo árabe, líderes reunidos na Suíça refletiram sobre as causas que provocaram o fenômeno que inclusive foi qualificado de suicídio coletivo.

"(EFE) - Vários líderes políticos pedem no Fórum Econômico de Davos uma mudança no modelo de crescimento."

"O atual modelo de crescimento econômico baseado no consumo e sem levar em conta as consequências meio ambientais, não se pode manter por mais tempo, dado que disso depende a sobrevivência do planeta, advertiram hoje várias líderes políticos em Davos."

"O modelo atual é um suicídio coletivo. Precisamos de uma revolução no pensamento e na ação', advertiu Ban. 'Os recursos naturais são cada vez mais escassos', acrescentou, em um debate acerca de como redefinir um crescimento sustentável no quadro do Fórum Econômico Mundial.

"'A mudança climática nos mostra que o modelo antigo é mais do que obsoleto', insistiu o responsável pela ONU.

"O secretário-geral acrescentou que, além dos recursos básicos para a sobrevivência como a água e os alimentos, ' está se esgotando um outro recurso, que é o tempo, para enfrentar a mudança climática'."

29 de janeiro:

"Washington (AP) - O presidente Barack Obama tentou fazer o impossível perante a crise egípcia: cativar a população furiosa com um regime autoritário de três décadas e, ao mesmo tempo, garantir um aliado chave que é apoiado pelos Estados Unidos.

"O discurso de quatro minutos do presidente, na noite da sexta-feira, representou uma cautelosa tentativa de manter um equilíbrio difícil: Obama só podia sair perdendo se tivesse elegido entre os manifestantes que exigem a saída do presidente Hosni Mubarak e o regime que se aferra com violência ao poder.

"Obama [...] não pediu nenhum câmbio de regime político. Também não disse que o anúncio de Mubarak fora insuficiente."

"Obama disse as frases mais fortes do dia em Washington, mas não se afastou do roteiro que usaram a sua secretária de Estado Hillary Clinton e o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs."

"(NTX) - O jornal The Washington PostÂá pediu hoje ao governo de Obama usar a sua influência política e econômica para que o presidente Mubarak abandone o poder no Egito.

"'Os Estados Unidos deveriam usar toda a sua influência incluindo mais de um bilhão de dólares em ajuda que outorga anualmente ao exército egípcio para garantir o último resultado (a cessão do poder por parte de Mubarak)', indicou o jornal em seu editorial."

"...Obama em sua mensagem proferida na noite da sexta-feira disse que continua trabalhando com o presidente Mubarak e lamentou que não mencionasse umas eventuais eleições."

"O jornal qualificou de 'não realistas' as posições de Obama e as do vice-presidente Joe Biden, quem declarou a uma emissora de rádio que não qualificaria de ditador o presidente egípcio e que não pensava que deveria renunciar."

"(AFP) - Organizações árabes estadunidenses exortaram o governo do presidente Barack Obama para que não continue apoiando a ditadura de Mubarak no Egito."

"(ANSA) - Os Estados Unidos declararam hoje novamente estar 'preocupados' pela violência no Egito e advertiram o governo de Mubarak que não pode agir como se nada tivesse acontecido. Fox News diz que Obama tem mais duas opções ruins no que se refere ao Egito.

"...advertiu o governo do Cairo que não pode voltar a 'misturar as cartas' e agir como se nada tivesse acontecido no país.

"A Casa Branca e o Departamento de Estado estão acompanhando bem de perto a situação no Egito, um dos principais aliados de Washington no mundo, e receptor de aproximadamente 1,5 bilhões de dólares anuais em ajudas civis e militares."

"Os meios de informação estadunidenses estão dando uma amplíssima cobertura aos distúrbios no Egito, e estão indicando que a situação pode resultar, de qualquer maneira que seja resolvida, uma dor de cabeça para Washington."

"Se Mubarak cai, segundo estimativas da Fox, os Estados Unidos, e seu outro aliado no Oriente Médio, Israel, poderiam ter que encarar um governo dos Irmãos Muçulmanos no Cairo, e um giro antiocidental do país do Norte da África."

"â�ÖDurante 50 anos estivemos apostando ao cavalo erradoâ�Ö, disse à Fox um ex-agente da CIA, Michael Scheur. â��Pensar que o povo egípcio esquecerá que nós apoiamos ditadores durante meio século, é um sonho, completou."Âá Âá

"(AFP).- A comunidade internacional multiplicou seus apelos para que o presidente egípcio Hosni Mubarak ponha em execução reformas políticas e cesse a repressão das manifestações contra seu governo que este sábado continuaram por quinto dia."

Numa declaração conjunta Nicolás Sarkozy, Ângela Merkel e David Cameron pediram por sua vez ao presidente â��iniciar um processo de mudançaâ�Ö perante as â��reivindicações legítimasâ�Ö de seu povo e a â��evitar custe o que custar o uso da violência contra os civisâ�Ö .

"Também o Irão pediu às autoridades egípcias prestar atenção às reivindicações da rua."

"O rei Abdalá da Arábia Saudita considerou que os protestos representam "ataques contra a segurança e a estabilidade" do Egito, levados a cabo por "espiões" em nome da "liberdade de expressão".

"O monarca ligou para Mubarak e lhe expressou sua solidariedade, informou a agência oficial saudita SPA." 31 de janeiro:

"(EFE).- Netanyahu teme que caos no Egito propicie acesso dos islâmicos ao poder .

"O primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, expressou hoje seu temor de que a situação no Egito propicie o acesso dos islâmicos ao poder, inquietação que disse compartilhar com dirigentes com os quais conversou nestes últimos dias."

"... o primeiro-ministro declinou fazer referência à informações divulgadas pela mídia local que apontam que Israel autorizou hoje o Egito a desdobrar tropas na Península de Sinai pela primeira vez em três décadas, o que é considerado uma violação do acordo de paz em 1979 entre as duas nações.

"Por seu lado e diante das criticas às potências ocidentais como os Estados Unidos ou a Alemanha que mantiveram estreitos laços com regimes totalitários árabes, a chanceler alemã asseverou: â��Não abandonamos o Egitoâ�Ö."

"O processo de paz entre israelenses e palestinos está paralisado desde o passado mês de setembro, principalmente pela negativa israelense de frear a construção nos assentamentos judeus no território palestino ocupado."

"Jerusalén, (EFE).- Israel é a favor de que continua no poder o presidente egípcio, Hosni Mubarak, a quem o chefe de Estado israelense, Simon Peres, respaldou hoje ao compreender que â��uma oligarquia fanática religiosa não é melhor do que a falta de democraciaâ�Ö."

"As declarações do chefe do Estado coincidem com a difusão pela mídia local de pressões de Israel a seus parceiros ocidentais para que baixem o tom de suas críticas ao regime de Mubarak, que o povo egípcio e a oposição tentam derrocar.

"Fontes oficiais não identificadas citadas pelo jornal 'Haaretzâ' indicaram que o Ministério de Assuntos Exteriores israelense enviou no sábado um comunicado a suas embaixadas nos Estados Unidos, Canadá, China, Rússia e vários países europeus para pedir aos embaixadores que enfatizem perante as autoridades locais respectivas a importância que tem para Israel a estabilidade no Egito."

"Os analistas israelenses assinalam que a queda de Mubarak poderia pôr em perigo os Acordos de Camp David que o Egito firmou com Israel em 1978 e a posterior assinatura do Tratado de paz bilateral em 1979, sobretudo se tivesse como conseqüência o acesso ao poder dos islâmicos Irmãos Muçulmanos, que gozam de amplo apoio social."

"Israel vê Mubarak como o garantidor da paz em sua fronteira sul, além de um apoio-chave para manter o bloqueio à faixaÂá de Gaza e isolar o movimento islâmico palestino Hamas."

"Um dos maiores temores de Israel é que as revoltas egípcias, que seguem as tunisianas, atinjam também a Jordânia, debilitando o regime do rei Abdalá II, cujo país junto com o Egito são os únicos árabes que reconhecem Israel."

"A recente indicação do general Omar Suleiman como vice-presidente egípcio e , por conseguinte, possível sucessor presidencial, foi bem recebida em Israel, que tem mantido com o general relações próximas de cooperação em matéria de Defesa."

"Mas o rumo que seguem os protestos egípcios não permite dar por certa a garantia de continuidade do regime, nem tampouco que Israel continue a ter no futuroÂá no Cairo seu principal aliado regional."

Como se observa, o mundo enfrenta simultaneamente e pela primeira vez três problemas:

Crises climáticas, crises alimentares e crises políticas.

A elas, podem ser acrescentados outros graves perigos.

Os riscos de guerra cada vez mais destrutivos estão muito presentes.

Terão os líderes políticos suficiente serenidade e equanimidade para encará-los?

Disso dependerá o destino de nossa espécie.

Fidel Castro Ruz

1 de Fevereiro de 2011

19h15

CONMEMORACIÓN A LOS 200 AÑOS DE LA INDEPENDENCIA DE VENEZUELA

ACTO EN CONMEMORACIÓN A LOS 200 AÑOS DE LA INDEPENDENCIA DE VENEZUELA Y 12 AÑOS DE LA REVOLUCIÓN BOLIVARIANA

EL CONSULADO GENERAL DE LA REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA EN RIO DE JANEIRO, tiene el agrado de dirigirse a usted , en la oportunidad para invitarle a participar del Acto en Conmemoración a los 200 Años de Independencia de la República Bolivariana de Venezuela y los 12 Años de la Revolución Bolivariana”.

Actividad: Proyección del Documental ”Al Sur de la Frontera” de Olivier Stone.
Día: 02 de Febrero de 2011-01-27
Hora: 6 p.m.
Lugar: Auditório del Instituto Cultural Brasil –Argentina
Dirección: Edifício Argentina – Praia de Botafogo, nº 228, Botafogo, RJ

EL CONSULADO GENERAL DE LA REPÚBLICA BOLIVARIANA DE VENEZUELA EN RIO DE JANEIRO, aprovecha la ocasión para reiterarle su sentimiento de alta estima y consideración.

Rio de Janeiro, 27 de enero 2011.

Atenciosamente,
Consulado Geral da República Bolivariana da Venezuela
Rio de Janeiro - Brasil

Presença de Duvalier repercute em movimentos de apoio ao Haiti

Presença de Duvalier repercute entre movimentos de apoio ao Haiti

Tatiana Félix
Jornalista da Adital
Adital
Depois de 25 anos vivendo em exílio na França, o retorno do ex-ditador Jean-Claude Duvalier ao Haiti, no dia 16 de janeiro, agitou o cenário político internacional e o assunto repercutiu nos movimentos em defesa dos direitos humanos, que reagiram imediatamente exigindo justiça e punição para o conhecido ‘Baby Doc'. Um exemplo é o Movimento pela Paz, Soberania e Solidariedade entre os Povos (Mopassol) da Argentina, que divulgou uma nota em repúdio ao retorno do ex-ditador e em solidariedade ao povo haitiano.
Isso porque Jean-Claude Duvalier é acusado de crimes de lesa-humanidade, por perseguição, tortura, desaparecimento forçado e morte de opositores. Além disso, o ex-ditador também é acusado de desviar mais de US$ 100 milhões. Uma parte do dinheiro teria sido transferida para bancos suíços.
"Expressamos profunda preocupação diante do intempestivo regresso de Jean Claude "Baby Doc” Duvalier, depois de 25 anos de permanência no exterior, usufruindo dos bens roubados do povo haitiano”, inicia o Mopassol.
O movimento enfatiza que independente do motivo que tenha levado Baby Doc a retornar ao Haiti, ele "deve ser julgado por sua responsabilidade nos infinitos crimes de lesa-humanidade (...) cometidos durante o infame regime encabeçado primeiramente por sei pai, "Papa Doc”, e depois por ele mesmo, na ditadura que governou o Haiti, submetendo seu povo à dor e à miséria”.
O Mopassol também questionou o real motivo do retorno de Jean-Claude Duvalier: "Por que agora, em um momento de indefinição dos resultados das eleições no Haiti? Quem está por trás desse regresso? Que relação existe entre essa repentina "vocação de servir” ao povo haitiano expressada hipocritamente por Baby Doc e os planos imperialistas para instalar na região governos conservadores, que permitam frear os processos de integração regional soberana que se expandem pelo continente?
O movimento finalizou fazendo um alerta para que todos fiquem atentos com este retorno e afirmou que um novo governo encabeçado por Baby Doc representaria um retrocesso para toda a região.
Histórico
Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier foi nomeado presidente aos 19 anos de idade para substituir seu pai ‘Papa Doc' morto em 1971, e assim, dar continuidade ao regime que se desenrolava desde 1957. Seu cargo deveria ter sido "vitalício e hereditário”, se não fosse interrompido pelo levante popular em 1986 que o tirou do poder e o colocou em exílio.
Demonstrando, talvez, já uma intenção de retornar ao país, em 2007, Jean-Claude Duvalier usou as rádios haitianas para pedir perdão ao povo pelos erros cometidos durante seu governo. Na ocasião, o presidente René Preval reagiu declarando que haveria perdão, mas também haveria justiça.

Punição
Agora que voltou ao Haiti, Baby Doc está proibido de deixar o país, já que existe uma ação judicial contra ele. Duvalier foi indiciado por corrupção, desvio de fundos e associação ilícita, crimes cometidos durante sua presidência (1971-86).
As autoridades haitianas já declararam que vão realizar uma investigação sobre os crimes de lesa-humanidade, já que esse tipo de violação está sob o direito internacional e não prescreve. "A justiça deve ser feita se o Haiti pretende avançar”, declarou Gerardo Ducos, pesquisador da Anistia Internacional no Haiti.
"Pedimos à ONU que ofereça assistência técnica as autoridades haitianas para assegurar que o julgamento contra Jean Claude Duvalier cumpra as expectativas do povo haitiano e da comunidade internacional”, concluiu Ducos.

Vitória no caso Cutrale: trabalhadores livres, processo trancado

Vitória no caso Cutrale: trabalhadores livres e processo trancado

Confira nota da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos sobre o trancamento do processo contra os trabalhadores rurais sem terra que ocuparam a Fazenda Santo Henrique - Sucocitrico - Cutrale

Por meio de habeas corpus[1] impetrado pelos advogados da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e do Setor de Direitos Humanos do MST, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por unanimidade, determinou o trancamento do processo crime instaurado na Comarca de Lençóis Paulista/SP contra todos os trabalhadores rurais sem terra acusados da prática de crimes durante a ocupação da Fazenda Santo Henrique – Sucocitrico-Cutrale – entre 28/9 e 7/10/2009.

Os trabalhadores tiveram prisão temporária decretada, que foi posteriormente convertida em prisão preventiva. Os decretos de prisões foram revogados em fevereiro de 2010, por meio de decisão liminar, concedida pelo Desembargador Relator Luiz Pantaleão, mas, a decisão final no habeas corpus, aguardava, desde então, voto vista do Desembargador Luiz Antonio Cardoso.

Para firmarem as revogações das prisões preventivas, os Desembargadores além de entenderem que a Magistrada de primeiro grau deixou de indicar os indícios de autoria em relação a cada um dos acusados, declararam inexistir ocorrências dando conta de que os trabalhadores tenham subvertido a ordem pública.

Por outro lado, determinou-se o trancamento do processo crime sob entendimento de que o Promotor de Justiça, em sua denúncia, não descreveu “referentemente a cada um dos co-réus, os fatos com todas as suas circunstâncias” como lhe é exigido pelo artigo 41 do Código de Processo Penal, de forma que:

“Imputa-se a todos a prática das condutas nucleares dos tipos mencionados. Em outras palavras, plasmaram-se imputações em blocos, o que implicaria correlativamente absolvição ou condenação também coletiva. Isso é impossível. Imprescindível que se defina qual a conduta imputada a cada um dos acusados. Só assim, no âmbito do devido processo legal, cada réu poderá exercer, à luz do contraditório, o direito de ampla defesa. (...) Imputações coletivas, sem especificação individualizada dos modos de concorrência para cada episódio, e flagrante contradição geram inépcia que deve ser reconhecida. O prosseguimento nos termos em que proposta a ação acabaria, desde que a apuração prévia deve ser feita no inquérito, não, na fase instrutória, por levar aos Órgãos jurisdicionais do primeiro e segundo grau, um verdadeiro enigma a ser desvendado com o desprestígio do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais inafastáveis.”

A decisão do Tribunal de Justiça representa importante precedente jurisprudencial contra reiteradas ilegalidades perpetradas contra a luta dos trabalhadores rurais sem terra, contra o ordenamento processual penal, e, sobretudo, contra as garantias constitucionais vigentes. Esperamos que esta decisão se torne cotidiana, para fazer prevalecer o senso de justiça em oposição aos interesses do agronegócio, do latifúndio e dos empresários contrários ao desenvolvimento da reforma agrária que, naquela oportunidade, louvaram os ilegais decretos de prisão contra os trabalhadores.

[1] Referencias: HC/TJSP nº 0056005-96.2010.8.26.0000 (0056005-96.2010.8.26.0000), acórdão registrado sob nº 0003371739, in: http://www.tj.sp.gov.br

Fonte: Caros Amigos ( http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/direto-dos-movimentos/13... )

A história de um crime de 20 trilhões de dólares

Marco Aurélio Weissheimer *

Adital -
Documentário que será lançado em fevereiro no Brasil mostra o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise mundial de 2008. Essa conduta criminosa provocou a perda do emprego e da moradia para milhões de pessoas. "Inside Job" (que ganhou o título de "Trabalho interno" em português) conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Documentário resultou de uma extensa pesquisa e de uma série de entrevistas com políticos e jornalistas, revelando relações corrosivas e promíscuas entre autoridades, agentes reguladores e a Academia.
Como causar uma quebradeira de 20 trilhões de dólares, por meio de uma farra de negócios especulativos, e cobrar a conta de milhões de pobres mortais que não participaram da festa? O documentário Inside Job ("Trabalho interno", em português) responde essa pergunta mostrando o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise econômica mundial de 2008. Essa conduta criminosa provocou a perda do emprego e da moradia para milhões de pessoas.

Dirigido por Charles Ferguson (mesmo diretor de No End in Sight) e narrado por Matt Damon, o documentário conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Para repeti-la, provavelmente.
O documentário resultou de uma extensa pesquisa e de uma série de entrevistas com políticos e jornalistas, revelando relações corrosivas e promíscuas entre autoridades, agentes reguladores e a Academia.

Em No End in Sight, Ferguson faz uma análise sobre o governo de George W, Bush e sua conduta em relação à Guerra do Iraque e a ocupação do país, questionando as mentiras utilizadas pelas autoridades norte-americanas para sustentar a ocupação. Agora, em Inside Job, mais uma vez o diretor expõe uma teia de mentiras e condutas criminosas que prejudicaram seriamente (e seguem prejudicando) a vida de milhões de pessoas. Agende-se: a estreia do documentário no Brasil está prevista para o dia 18 de fevereiro.

"Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção" - diz uma das frases promocionais do documentário. Uma revolta necessária, pois, neste exato momento, muitos dos agentes causadores da crise (do roubo, seria melhor dizer) voltaram a dar "conselhos" para governos e sociedades. Algumas das mais novas vítimas são gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus que estão sendo "convidados" a "aceitar a ajuda do FMI".

Os arautos das privatizações e da desregulamentação seguem soltos como se nada tivesse ocorrido. Inside Job mostra as entranhas deste mundo de cobiça, cinismo e mentira. São estes criminosos, no frigir dos ovos, que seguem dando as cartas no planeta. Preparem o estômago, abram os olhos e ouvidos e não deixem de ver esse filme.

[Publicado em CartaMaior].

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=53486 )

* Jornalista da Agência Carta Maior

Wikileaks: EUA tentaram impedir programa brasileiro de foguetes

José Meirelles Passos
RIO – Ainda que o Senado brasileiro venha a ratificar o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA-Brasil (TSA, na sigla em inglês), o governo dos Estados Unidos não quer que o Brasil tenha um programa próprio de produção de foguetes espaciais. Por isso, além de não apoiar o desenvolvimento desses veículos, as autoridades americanas pressionam parceiros do país nessa área – como a Ucrânia – a não transferir tecnologia do setor aos cientistas brasileiros.

A restrição dos EUA está registrada claramente em telegrama que o Departamento de Estado enviou à embaixada americana em Brasília, em janeiro de 2009 – revelado agora pelo WikiLeaks ao GLOBO. O documento contém uma resposta a um apelo feito pela embaixada da Ucrânia, no Brasil, para que os EUA reconsiderassem a sua negativa de apoiar a parceria Ucrânia-Brasil, para atividades na Base de Alcântara no Maranhão, e permitissem que firmas americanas de satélite pudessem usar aquela plataforma de lançamentos.
Além de ressaltar que o custo seria 30% mais barato, devido à localização geográfica de Alcântara, os ucranianos apresentaram uma justificativa política: “O seu principal argumento era o de que se os EUA não derem tal passo, os russos preencheriam o vácuo e se tornariam os parceiros principais do Brasil em cooperação espacial” – ressalta o telegrama que a embaixada enviara a Washington.
A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que “embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”. Mais adiante, um alerta: “Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”.
O Senado brasileiro se nega a ratificar o TSA, assinado entre EUA e Brasil em abril de 2000, porque as salvaguardas incluem concessão de áreas, em Alcântara, que ficariam sob controle direto e exclusivo dos EUA. Além disso, permitiriam inspeções americanas à base de lançamentos sem prévio aviso ao Brasil. Os ucranianos se ofereceram, em 2008, para convencer os senadores brasileiros a aprovarem o acordo, mas os EUA dispensaram tal ajuda.
Os EUA não permitem o lançamento de satélites americanos desde Alcântara, ou fabricados por outros países mas que contenham componentes americanos, “devido à nossa política, de longa data, de não encorajar o programa de foguetes espaciais do Brasil”, diz outro documento confidencial.
Viagem de astronauta brasileiro é ironizada
Sob o título “Pegando Carona no Espaço”, um outro telegrama descreve com menosprezo o voo do primeiro astronauta brasileiro, Marcos Cesar Pontes, à Estação Espacial Internacional levado por uma nave russa ao preço de US$ 10,5 milhões – enquanto um cientista americano, Gregory Olsen, pagara à Rússia US$ 20 milhões por uma viagem idêntica.
A embaixada definiu o voo de Pontes como um gesto da Rússia, no sentido de obter em troca a possibilidade de lançar satélites desde Alcântara. E, também, como uma jogada política visando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Num ano eleitoral, em que o presidente Lula sob e desce nas pesquisas, não é difícil imaginar a quem esse golpe publicitário deve beneficiar.
Essa pode ser a palavra final numa missão que, no final das contas, pode ser, meramente ‘um pequeno passo’ para o Brasil” – diz o comentário da embaixada dos EUA, numa alusão jocosa à célebre frase de Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar na Lua, dizendo que seu feito se tratava de um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a Humanidade.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/01/25/eua-tentaram-impedir-progra...

Emir Sader: Prostíbulos do capitalismo

Blog do Emir Sader*

Nesses territórios se praticam todos os tipos de atividade econômica que seriam ilegais em outros países, captando e limpando somas milionárias de negócios como o comércio de armamentos, do narcotráfico e de outras atividades similares.

Os paraísos fiscais, que devem somar um total entre 60 e 90 no mundo, são micro-territórios ou Estados com legislações fiscais frouxas ou mesmo inexistentes. Uma das suas características comuns é a prática do recebimento ilimitado e anônimo de capitais. São países que comercializam sua soberania oferecendo um regime legislativo e fiscal favorável aos detentores de capitais, qualquer que seja sua origem. Seu funcionamento é simples: vários bancos recebem dinheiro do mundo inteiro e de qualquer pessoa que, com custos bancários baixos, comparados com as médias praticadas por outros bancos em outros lugares.

Eles têm um papel central no universo das finanças negras, isto é, dos capitais originados de atividades ilícitas e criminosas. Máfias e políticos corruptos são frequentadores assíduos desses territórios. Segundo o FMI, a limpeza de dinheiro representa entre 2 e 5% foi PIB mundial e a metade dos fluxos de capitais internacionais transita ou reside nesses Estados, entre 600 bilhões e 1 trilhão e 500 bilhões de dólares sujos circulam por aí.

O numero de paraísos fiscais explodiu com a desregulamentação financeira promovida pelo neoliberalismo. As inovações tecnológicas e a constante invenção de novos produtos financeiros que escapam a qualquer regulamentação aceleraram esse fenômeno.

Tráfico de armas, empresas de mercenários, droga, prostituição, corrupção, assaltos, sequestros, contrabando, etc., são as fontes que alimentam esses Estados e a mecanismo de limpeza de dinheiro.

Um ministro da economia da Suíça – dos maiores e mais conhecidos paraísos – declarou em uma visita a Paris, defendendo o segredo bancário, chave para esses fenômenos: “Para nós, este reflete uma concepção filosófica da relação entre o Estado e o indivíduo.” E acrescentou que as contas secretas representam 11% do valor agregado bruto criado na Suíça.

Em um país como Liechtenstein, a taxa máxima de imposto sobre a renda é de 18% e o sobre a fortuna inferior a 0,1%. Ele se especializa em abrigar sociedades holdings e as transferências financeiras ou depósitos bancários.

Uma sociedade sem segredo bancário, em que todos soubessem o que cada um ganha – poderia ser chamado de paraíso. Mas é o contrário, porque se trata de paraísos para os capitais ilegais, originários do narcotráfico, do comercio de armamento, da corrupção.

Existem, são conhecidos, quase ninguém tem coragem de defendê-los, mas eles sobrevivem e se expandem, porque são como os prostíbulos – ilegais, mas indispensáveis para a sobrevivência de instituições falidas, que tem nesses espaços os complementos indispensáveis à sua existência.

Blog do Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo

Fonte: http://www.viomundo.com.br/politica/emir-sader-os-prostibulos-do-capital...

Cuba anuncia primeira vacina contra câncer de pulmão

Cuba registrou a primeira vacina terapêutica contra o câncer de pulmão avançado no mundo, nomeada CimaVax EGF, com a qual mais de mil pacientes receberam tratamento, anunciou na segunda-feira, dia 10, o jornal Trabajadores.
A responsável pelo projeto no Centro de Imunologia Molecular (CIM) de Havana, Gisela Gonzalez, explicou que a vacina oferece a possibilidade de transformar o câncer avançado em uma “doença crônica controlável”.
CimaVax EGF é o resultado de mais de 15 anos de pesquisa direcionada ao tumor e não provoca efeitos colaterais severos, precisou a especialista.
“A vacina é baseada em uma proteína que todos temos: o fator de crescimento epidérmico, relacionado com os processos de proliferação celular, que quando há câncer estão descontrolados”, detalhou.
Gonzalez indicou que como o organismo tolera “o próprio” e reage contra “o estranho”, por isso tiveram de fazer “uma composição que conseguisse gerar anticorpos contra esta proteína”.
A vacina se aplica no momento em que o paciente conclui o tratamento com radioterapias e quimioterapias e é considerada “terminal sem alternativa terapêutica” porque ajuda a “controlar o crescimento do tumor sem toxicidade associada”, precisou.
Além disso, pode ser utilizada como um tratamento “crônico que aumenta as expectativas e a qualidade de vida do paciente”.
A pesquisadora declarou que após alcançar seu registro em Cuba, atualmente o CimaVax EGF “progride” em outros países e que se avalia a forma de empregar seu princípio em tratamentos contra outros tumores como os de próstata, útero e mamas.

Fonte: Síntese Cubana

Honduras: Prosseguirá luta pela Assembleia Constituinte

2011: Resistentes prosseguirão na luta pela Assembleia Constituinte

Karol Assunção *

Dia 28 de junho de 2009. Nessa data, um Golpe destituiu Manuel Zelaya, mandatário constitucional de Honduras, da presidência do país. A resposta da população foi imediata: manifestações, organizações de grupos e movimentos de resistência ao golpe foram criados. A resposta do governo de fato também foi rápida: violações aos direitos humanos e repressões.
Um ano e meio depois, a situação no país centro-americano parece não ter mudado muito. No dia 27 de janeiro, Porfirio Lobo tomou posse como presidente eleito no pleito realizado no ano passado e não reconhecido pela população. Para integrantes da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), trata-se de uma continuação do golpe.

"A FNRP tem sustentado que Pepe Lobo é a continuidade do golpe de Estado, já que a ordem constitucional não voltou; a única [forma] que haveria de voltar seria chamar uma Assembleia Constituinte", destaca Betty Matamoros, integrante da Frente.

Prova de que o golpe segue no país é sistemática violação aos direitos humanos de hondurenhos e hondurenhas. De acordo com Matamoros, situações vividas pelas populações no ano passado continuaram a ocorrer em 2010. "Vivemos a mesma situação, sob repressão, seguem violando sistematicamente e seletivamente nossos DH", revela.

No campo político e econômico, Honduras também não melhorou. Segundo a integrante da Frente, o governo não é reconhecido internacionalmente - o que agrava a situação interna - e o desemprego e a precarização trabalhista também pioraram.

A avaliação é compartilhada com Ricardo Salgado, pesquisador da FNRP. Para ele, o governo de Porfirio Lobo possui vários "pontos vulneráveis", como a ilegitimidade e a falta de controle em questões críticas. "Até agora, [Lobo] tem-se dedicado a duas coisas fundamentais: para o exterior, trata de maquiar sua natureza fazendo incomensuráveis esforços para convencer o mundo de que está tudo bem em Honduras; para dentro, mantém uma atitude férrea de violação aos direitos humanos, reprimindo com barbaridade qualquer oposição", observa.

A situação de violação e repressão contra a população hondurenha pode até ter continuado a mesma, mas os/as resistentes, não. Com um ano e meio de luta contra o Golpe, a resistência está mais madura e, por que não dizer, mais forte.

"De movimento espontâneo de rechaço ao golpe de estado, passamos a formar uma força com fins mais definidos, que entende as implicações da luta, que se organiza em unidades de costa a costa do país. Temos conseguido que nossa posição antiimperialista seja não só um discurso, mas a vocação do povo, e vemos com clareza, independente da via, a necessidade de conquistar o poder político do país", afirma Salgado.

Para Betty Matamoros, o momento da Frente agora é de consolidação nacional. Segundo ela, a FNRP tem priorizado os trabalhos em três eixos: organização, formação e mobilização. "A luta da Resistência Hondurenha se fortalece nas ações deste ano e, para o próximo ano, estão encaminhadas a consolidação das estruturas organizativas nacionais da FNRP, assim como seguir na luta de uma agenda social do país. E outro grande tema é como construímos o poder popular para a tomada do poder", destaca.

2010

O ano de 2010 foi difícil para a população hondurenha. Além do prosseguimento de perseguições e violações, hondurenhos e hondurenhas ainda tiveram de lidar com o aumento dos conflitos agrários no país e com a aprovação de leis que prejudicam a mobilização nacional, como a Lei Antiterrorista, aprovada em novembro passado.

Segundo Matamoros, a luta por terra no país centro-americano é histórica e ainda não existe uma política de Estado que beneficie os camponeses. "Pepe Lobo não resolveu o problema, agrava-o quando permite a repressão e acusa os camponeses de estarem armados", acrescenta.

Em relação à Lei Antiterrorista, a resistente acredita que se trata de uma "estratégia internacional para desaparecer as resistências dos povos". Para ela, a resposta do povo deve ser denunciar tal Lei e seguir nas ruas com manifestações de repúdio contra as violações dos direitos.

Perspectivas para 2011

Como não poderia deixar de ser, 2011 será mais um ano de luta para Frente Nacional de Resistência Popular, com ações que se concentrarão na convocatória da Assembleia Nacional Constituinte. De acordo com Betty Matamoros, a Frente já conseguiu coletar 1,5 milhão de assinaturas da Declaração Soberana para a autoconvocação da Assembleia Constituinte.

Agora, o momento será para definir estratégias de como realizá-la. "(...) devemos buscar mecanismos de como conquistá-la; não será fácil, mas estamos comprometidos com os que assinaram a Declaração Soberana", assegura.
A afirmação da integrante da resistência é confirmada por Ricardo Salgado, quem garante que a Assembleia continua a ser um dos objetivos fundamentais da resistência. Para ele, 2011 será para consolidar e intensificar ainda mais a luta hondurenha.

"Podemos antecipar que cresceremos mais em 2011, apesar de que a repressão seguramente será mais intensa e sistemática. Esperamos consolidar nossa presença internacional e intensificar a divulgação da luta que travamos no país. As condições seguem sendo relativamente adversas, pois, ainda que nos reprimam com barbaridade, o espírito do povo é muito elevado e a tomada de decisões e as análises são cada mês mais sagazes e acertadas", antevê.

* Jornalista da Adital

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=7&cod=53302 )

Agência humanitária critica trabalho de recuperação do Haiti

Quase um ano após terremoto, agência humanitária critica trabalho de recuperação do Haiti

PORTO PRÍNCIPE - A Oxfam, reconhecida organização de caridade internacional com sede no Reino Unido, disse nesta quarta-feira que, quase um ano depois do terremoto catastrófico que atingiu o país, a reconstrução está apenas começando no Haiti. Em um relatório com críticas aos esforços liderados pelo ex-presidente dos EUA Bill Clinton, a entidade reconhece que o mundo inteiro se sensibilizou com a tragédia, que no dia 12 de janeiro devastou grande parte da capital do país caribenho, Port-au-Prince, deixando 250 mil mortos e mais de um milhão de desabrigados.

A ajuda foi enorme, de todas as partes do planeta, mas mesmo admitindo que a recuperação de desastres pode ser lento mesmo em países desenvolvidos, a Oxfam disse que o trabalho no Haiti tem sido protelado pela falta de liderança do governo local e da comunidade internacional.

"Os haitianos se preparam para o primeiro aniversário do terremoto, mais de um milhão de pessoas permanecem desalojadas. Menos de 5% dos destroços foram removidos, apenas 15% das casas necessárias foram construídos e ainda há poucas instalações permanentes de saneamento básico e fornecimento de água", revela o relatório.

Apenas parte do dinheiro prometido foi entregue
O dinheiro é parte do problema, disse a Oxfam. O relatório cita dados da ONU, que mostram que haviam sido entregues menos de 45% dos US$ 2,1 bilhões prometidos para a recuperação do Haiti em 2010, durante uma conferência internacional de doadores em março, em Nova York.

O relatório afirma, no entanto, que o trabalho mais importante é da comissão presidida por Clinton e o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, que revelou-se incapaz de resolver os problemas em muitas áreas-chave.

"Até agora, a Comissão não cumpriu seu mandato. Ela é um elemento chave para a reconstrução, e precisa acabar com a indecisão e a demora".

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/01/06/quase-um-ano-apos-terremoto... )

Boletim do MST RIO — Nº 10 — De 28/12/2010 a 11/01/2011

Editorial

Companheiras e companheiros,

Ao final de mais um ano de lutas, o Boletim do MST Rio traz nesta
edição um breve balanço de 2010 e as perspectivas para reforma agrária
e movimentos sociais em 2011.

Gostaríamos de agradecer a tod@s @s leitor@s do nosso Boletim, que
chega ao fim do seu primeiro ano na décima edição. Nosso objetivo é
lançar sempre uma edição a cada 15 dias, e nos esforçaremos para tal.
Para isso, contamos com a participação d@s leitor@s, militantes e
amig@s do MST Rio. Seja repassando o boletim, fazendo sugestões pelo
e-mail boletimmstrj@gmail.com, ou comentários, sua ajuda é essencial.

Noticiamos ao longo dos últimos 8 meses o trabalho escravo, os
despejos, a violência policial, o avanço dos agro- tóxicos e negócios,
os crimes ambientais e os efeitos das mudanças climáticas.

No entanto, um olhar mais otimista revela que o ano de 2010 trouxe
também boas notícias: Feiras de Reforma Agrária (Campos e Rio),
Campanha pelo Limite de Propriedade da Terra, parceria com
universidades em cursos de graduação e projetos de extensão,
bibliotecas populares, a cooperação internacional com Haiti e
Palestina, novas ocupações, a cultura nos assentamentos, intercâmbios
e o Estágio Interdisciplinar de Vivência.

Portanto, mais do que um feliz natal e próspero ano novo, desejamos um
ano de 2011 de avanços na organização e na unidade da classe
trabalhadora.

Leia o balanço do ano.

14 ª Encontro Estadual de Militantes do MST/RJ

Nos dias 17, 18 e 19 de dezembro estiveram reunidos no Assentamento
Vida Nova, em Barra do Piraí, a militância do MST do estado do Rio de
Janeiro, realizando seu 14ª Encontro Estadual, para avaliar o ano de
2010 e debater perspectivas para o ano de 2011.

As regiões Norte, Lagos, Baixada e sul Fluminense se fizeram presentes
com suas místicas, animação, e muitas avaliações sobre este período.

O Encontro trouxe a reflexão sobre a organização no campo no Brasil e
no estado do Rio de janeiro, o agronegócio e o balanço da Reforma
Agrária. Trouxe debate sobre a organização doa assentamentos nos
aspectos produtivos, econômicos, sociais e políticos e o planejamento
das lutas para próximo período.

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NEARA realiza Seminário de Questão Agrária na UFRRJ

Nos dias 17, 18 e 19 de Dezembro, aconteceu na Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro um Seminário organizado pelo NEARA (Núcleo
Estudantil de Apoio à Reforma Agrária), que contou com a participação
de mais de 80 estudantes de universidades públicas e privadas do Rio
de Janeiro.

Esta atividade faz parte do processo de formação política que culmina
no Estágio Interdisciplinar de Vivência em áreas de Reforma Agrária
(EIV-RJ), onde a proposta é debater o modelo de sociedade em que
estamos inseridos a partir do foco na Questão Agrária, no papel da
Universidade e do Estado, e vivenciar a realidade dos assentamentos e
acampamentos do MST no estado do Rio de Janeiro. A perspectiva é
entender e sentir como a estrutura do capitalismo estabelece uma
sociedade injusta e desumana, quais os pilares que a sustentam, o
papel dos Movimentos Sociais Populares e onde nós, estudantes, nos
inserimos, partindo do principio que queremos transformá-la.

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Natal Com Teto reúne militantes em protesto pela moradia no Rio

Na luta pela moradia no Rio de Janeiro, o Natal deste ano foi
celebrado mais cedo. No dia 21 de dezembro, o ato Natal Com Teto
lembrou que, numa época em que todos estão em suas casas trocando
presentes com a família, milhares de pessoas na cidade maravilhosa não
têm uma moradia digna para fazer o mesmo. Abandonados nas ruas, estes
cidadãos sofrem ainda com maus tratos e truculência dos governos que
deveriam protegê-los e oferecer uma moradia, respeitando o artigo 6o
da Constituição Federal.

A concentração para o ato começou às 16h, em frente ao número 234 da
Av. Mem de Sá, no centro do Rio. O local havia sido palco de um
violento despejo uma semana antes, no dia 13 de dezembro, quando 7
militantes foram presos, muitos levaram tiros de bala borracha e a
polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo dentro do prédio, onde se
encontravam famílias com crianças e mulheres grávidas. O ato,
portanto, era também um protesto contra todas as arbitrariedades e
irregularidades cometidas pelos policiais nesse dia.

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Sem-tetos são despejados violentamente do prédio do INSS

Foto: Lucas Duarte de Souza

Cerca de 50 famílias foram brutalmente despejadas na segunda-feira
(dia 13) depois de tentarem ocupar um prédio do INSS vazio há 20 anos.
A ocupação que seria denominada Guerreiro Urbano não teve muito tempo
para se estabelecer dentro do prédio. O Batalhão de Choque da Polícia
Militar e a Polícia Federal chegaram ao prédio localizado na Av. Mem
de Sá (n° 234), no centro do Rio de Janeiro, e efetuaram conjuntamente
uma operação extremamente violenta de despejo sem ao menos ter a
reintegração de posse.

Essas mesmas famílias já haviam sofrido um desalojo violento, há um
mês, em outro prédio do INSS, vazio há mais de dez anos, no bairro do
Santo Cristo.

Sprays de pimentas foram utilizados sem limite algum, atingindo uma
mulher grávida que se encontrava dentro do prédio, crianças,
militantes que prestavam apoio aos sem-tetos, uma defensora pública
que se encontrava no local, um vereador e quem mais tentasse impedir
que os policiais agissem de forma excessivamente truculenta. Alguns
sem-tetos relatam que os policiais chegaram a jogar sprays de pimenta
dentro da comida que estava sendo preparada para o almoço.

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Álvaro Garcia Linera, vice-presidente boliviano, é homenageado no Rio
de Janeiro com a Ordem Latinoamericana

O vice-presidente da Bolívia, Álvaro Garcia Linera, esteve na cidade
do Rio de Janeiro no dia 13 dezembro para ser homenageado com a Ordem
Latinoamericana, concedida pela Faculdade Latinoamericana de Ciências
Sociais (FLACSO), e para lançar seu novo livro A Potência Plebéia,
publicado pela editora Boitempo.

Quem pode ir ao evento realizado no auditório da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ) presenciou não só o sociólogo Emir
Sader e o diretor da FLACSO Pablo Gentilli entregando o prêmio à
Linera, como também teve a oportunidade de assisti-lo proferindo
durante duas horas uma conferência maravilhosamente empolgante, onde
foram abordadas diversas questões relacionadas ao seu livro.

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Manifestação Pública de Organizações de Direitos Humanos sobre os
acontecimentos no Alemão e na Vila Cruzeiro

Há três semanas, as favelas do Alemão e da Vila Cruzeiro, no Rio de
Janeiro, se tornaram o palco de uma suposta “guerra” entre as forças
do “bem” e do “mal”. A “vitória” propagada de forma irresponsável
pelas autoridades – e amplificada por quase todos os grandes meios de
imprensa – ignora um cenário complexo e esconde esquemas de corrupção
e graves violações de direitos que estão acontecendo nas comunidades
ocupadas pelas forças policiais e militares. Mais que isso, esta
perspectiva rasa – que vende falsas “soluções” para os problemas de
segurança pública no país – exclui do debate pontos centrais que
inevitavelmente apontam para a necessidade de profundas reformas
institucionais.

Desde o dia 28 de novembro, organizações da sociedade civil realizaram
visitas às comunidades do Alemão e da Vila Cruzeiro, onde se depararam
com uma realidade bastante diferente daquela retratada nas manchetes
de jornal. Foram ouvidos relatos que denunciam crimes e abusos
cometidos por equipes policiais. São casos concretos de tortura,
ameaça de morte, invasão de domicílio, injúria, corrupção, roubo,
extorsão e humilhação. As organizações ouviram também relatos que
apontam para casos de execução não registrados, ocultação de cadáveres
e desaparecimento.

Leia o manifesto na íntegra.

Campanha da Via Campesina Contra os Agrotóxicos

Os prejuízos causados à saúde com a utilização exagerada de
agrotóxicos ainda são desconhecidos pela maioria da população e pouco
discutidos pela sociedade. Por isso, mais de 20 entidades lançaram a
Campanha Nacional contra o uso dos agrotóxicos.

A iniciativa teve como início o seminário contra o uso dos
agrotóxicos, organizado pela Via Campesina, em parceria com a Fiocruz
e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, realizado em
setembro, na ENFF. Na atividade os participantes fizeram um estudo
sobre os impactos dos agrotóxicos na economia agrícola nacional, na
saúde pública e no ambiente.

A partir dessas discussões, a campanha tirou como eixos de atuação
informar a sociedade sobre os efeitos da utilização desse “agroveneno”
e apresentar uma nova proposta para a agricultura.

Roseli de Sousa, da direção nacional do Movimento dos Pequenos
Agricultores (MPA) e da Via Campesina, afirma que a meta da campanha é
“denunciar esse modelo de produção agrícola, as causas desse veneno e
alertar sobre quantas pessoas hoje estão doentes, sobretudo, com
câncer, em função do uso desses venenos”.

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Dicas

Agenda do MST 2011

A Agenda do MST 2011 busca resgatar e valorizar as experiências e
práticas de solidariedade que nos permitiram sobreviver à ofensiva das
forças imperialistas, nos fortaleceram nas lutas, evidenciaram a
multiplicidade de nossas capacidades e nos proporcionaram conquistas e
vitórias que resultaram em condições mais dignas de vida, nos tornaram
mais humanos e solidários.

O tema da agenda é a Solidariedade dos Povos, que aparece nas áreas da
educação, saúde, cultura, nas lutas populares, na aliança campo e
cidade, enfim, em todas as frentes de luta contra opressão
capitalista.

A agenda custa R$15 e pode ser obtida no escritório do MST: R. Pedro
I, 7/803 – Tel.: 2240 8496, ou pelo site:
http://www.mst.org.br/loja/agenda-do-mst-2011.

Auto de Natal

de Miguel Lanzellotti Baldez

Natal e Direitos Humanos, universalmente celebrados, não tem qualquer
significação para os governos do Estado e do Município do Rio de
Janeiro. Inclua-se a União Federal, aqui representada por importantes
figuras do partido dos trabalhadores, ora servindo com afinco e gosto
às administrações de Sergio Cabral e Eduardo Paes. É dezembro,
senhores, mês em que, tradicionalmente, se festeja, ano a ano, o
natal, tanto os de fé religiosa, como estes que, não sendo religiosos
veem em Deus a grande utopia do homem comprometido com a vida. Mas, ao
falar de utopia, a mim me lembra o grande José Saramago, quando, no
Foro Social Mundial de Porto Alegre, disse que a utopia começa hoje
com práticas transformadoras desta sociedade injusta. Mas não é só o
nascimento de Jesus o que se guarda e comemora em dezembro. Entre
sinos e papais noeis de aluguel, um consumismo de espetáculo apaga da
lembrança do povo trabalhador a data também universal consagrada à
Declaração Universal dos Direitos Humanos.

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Revista Sem Terra

Boletim MST Rio

MST
NPC
NEARA
SOLTEC/UFRJ
Contato: boletimmstrj@gmail.com

Fonte: http://renajorp.net/mstrio/

Mike Whitney explica o ódio de Washington contra Chávez

Venezuela vs. os Bancos

Why Washington Hates Hugo Chavez [Porque Washington odeia Hugo Chavez]

By MIKE WHITNEY, no Counterpunch

No fim de novembro a Venezuela foi martelada por chuvas torrenciais e enchentes que deixaram 35 pessoas mortas e 130 mil desabrigadas. Se George Bush fosse o presidente, em vez de Hugo Chavez, os desabrigados seriam empurrados sob a mira de armas para prisões improvisadas — como a Superdome – como aconteceu depois do furacão Katrina. Mas esta não é a forma de trabalho de Chavez. O presidente venezuelano rapidamente aprovou “leis habilitantes” que deram a ele poderes especiais para dar ajuda de emergência e moradia para as vítimas das enchentes. Chavez mandou limpar o palácio presidencial e deu moradia nele a 60 famílias, o que seria o equivalente a transformar a Casa Branca em um abrigo para os sem teto. As vítimas do desastre estão agora sendo alimentadas e cuidadas pelo estado até que possam ficar em pé e retornar ao trabalho.

Os detalhes do que Chavez fez foram omitidos pela mídia dos Estados Unidos, onde ele é regularmente demonizado como “autoritário esquerdista” ou ditador. A mídia se nega a admitir que Chavez diminiu a diferença de renda, eliminou o analfabetismo e deu cobertura de saúde a todos os venezuelanos, reduziu a desigualdade e aumentou o padrão de vida para todos. Enquanto Bush e Obama estavam expandindo as guerras externas e aprovando cortes de impostos para os ricos, Chavez estava ocupado melhorando a vida dos pobres e necessitados, ao mesmo tempo em que enfrentava a última onda de agressão dos Estados Unidos.

Washington despreza Chavez porque ele se nega a dar os vastos recursos da Venezuela para as elites corporativas e os banqueiros. É por isso que o governo Bush tentou depor Chavez em um golpe fracassado em 2002 e é por isso que o fala-mansa do Obama continua a lançar ataques clandestinos contra Chavez hoje. Washington quer troca de regime para poder instalar a marionete que dará as reservas de petróleo da Venezuela para o “big oil” [grandes companhias petrolíferas privadas], enquanto transforma em inferno a vida dos trabalhadores.

Documentos recentemente divulgados pelo Wikileaks mostram que o governo Obama aumentou sua interferência nos assuntos internos da Venezuela. Aqui está um trecho de um documento divulgado pela advogada e autora Eva Golinger:

“Em documento secreto de autoria do atual subsecretário assistente de estado para assuntos do hemisfério, Craig Kelly, mandado da embaixada dos Estados Unidos em Santiago em junho de 2007 para o secretário de Estado, a CIA e o Comando Sul do Pentágono, além de uma série de embaixadas dos Estados Unidos na região, Kelly propõe “seis áreas principais de ação para o governo dos Estados Unidos limitarem a influência de Chavez” e “recuperar a liderança dos Estados Unidos na região”.

Kelly, que fez o papel principal de “mediador” durante o golpe do ano passado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, classifica o presidente Hugo Chavez como “inimigo” em seu relatório.

“Conheça o inimigo: Temos de entender melhor como o Chavez pensa e o que pretende… para efetivamente enfrentar a ameaça que ele representa, precisamos conhecer melhor seus objetivos e como ele pretende perseguí-los. Isso requer melhor inteligência de todos os nossos paises”. Mais adiante no memorando, Kelly confessa que o presidente Chavez é um “adversário formidável” mas, acrescenta, “ele pode ser derrotado”. (Wikileaks: Documentos confirmam planos dos Estados Unidos contra a Venezuela, de Eva Golinger, no blog Postcards from the Revolution)

Os telegramas do Departamento de Estado mostram que Washington tem financiado grupos anti-Chavez na Venezuela através de organizações não-governamentais que dizem trabalhar pelas liberdades civis, direitos humanos e promoção da democracia. Esses grupos se escondem por trás de uma fachada de legitimidade, mas sua proposta real é a de derrubar o governo democraticamente eleito de Chavez. Obama apoia esse tipo de suversão tão entusiasticamente quanto Bush. A única diferença é que a equipe de Obama é mais discreta. Aqui está outro trecho no qual Golinger detalha o caminho do dinheiro:

“Na Venezuela, os Estados Unidos tem apoiado grupos anti-Chavez por mais de oito anos, inclusive aqueles que executaram o golpe contra o presidente em abril de 2002. Desde então, os fundos foram aumentados substancialmente. Um relatório de maio de 2010 avaliando o apoio estrangeiro a grupos políticos da Venezuela, feito a pedido do National Endownment for Democracy, revelou que mais de 40 milhões de dólares anuais são destinados a grupos anti-Chavez, a maioria através de agencias dos Estados Unidos… A Venezuela se destacou na América Latina como o país que mais recebeu fundos do NED para grupos de oposição durante 2009, com 1 milhão 818 mil e 473 dólares, mais que o dobro do ano anterior… Allen Weinstein, um dos fundadores do NED, revelou ao Washington Post, “o que fazemos hoje era feito clandestinamente pela CIA 25 anos atrás…” (“‘Operações na Sociedade Civil’ clandestinas dos Estados Unidos: Interferência na Venezuela continua a crescer”, Eva Golinger, no site Global Research).

Na segunda-feira, o governo Obama revogou o visto do embaixador da Venezuela em Washington em retaliação à rejeição de Chavez da nomeação de Larry Palmer para embaixador dos Estados Unidos em Caracas. Palmer tem sido abertamente crítico de Chavez e diz que existem ligações claras entre membros do governo Chavez e guerrilheiros esquerdistas da vizinha Colômbia. É uma forma torta de acusar Chavez de terrorismo. Ainda pior, a origem e a história pessoal de Palmer sugerem que a nomeação dele representa ameaça à segurança nacional da Venezuela. Considere os comentários feitos por James Suggett, do site Venezuelanalysis no Eixo da Lógica:

“Olhem a história de Palmer, trabalhando para os oligarcas apoiados pelos Estados Unidos na República Dominicana, Uruguai, Paraguai, Serra Leoa, Coreia do Sul e Honduras, “promovendo o Tratado de Livre Comércio da América do Norte [NAFTA]“. Da mesma forma que a classe dominante dos Estados Unidos indicou um afro-americano, Barack Obama, para substituir George W. Bush e para deixar o resto intacto, Obama, por sua vez, indica Palmer para substituir Patrick Duddy, que se envolveu na tentativa de golpe contra o presidente Chávez em 2002 e que foi um inimigo dos venezuelanos no período em que foi embaixador dos Estados Unidos na Venezuela”.

A Venezuela já está cheia de espiões e sabotadores dos Estados Unidos. Eles não precisam da ajuda da embaixada. Chavez fez a coisa certa ao fazer sinal negativo para Palmer. Além disso, Chavez desprovou as acusações espúrias de Palmer na semana passada, quando extraditou o comandante da ELN, Nilson Albian Teran Ferreira, o Tulio, para a Colombia, “a primeira extradição de um guerrilheiro colombiano para seu país”. A notícia não saiu na mídia ocidental (porque prova que Chavez não apoia os grupos paramilitares que operam na Colômbia).

A nomeação de Palmer não é “mais do mesmo”; mais interferência, mais subversão, mais problemas. O Departamento de Estado foi largamente responsável pelas assim-chamadas revoluções coloridas na Ucrânia, Líbano, Georgia e Quirguistão etc.; todas foram armações feitas para a TV, que colocaram de um lado os interesses de ricos capitalistas contra os de governos eleitos. Agora a turma da Hillary quer tentar a mesma estratégia na Venezuela. É papel do Chavez evitar isso, razão pela qual ele aprovou uma lei para “regulamentar, controlar ou proibir o financiamento estrangeiro de atividades políticas”. Enfrentar as ONGs é a única forma de se defender contra a interferência dos Estados Unidos e proteger a soberania venezuelana.

Chavez também está usando seus novos poderes para reformar o setor financeiro. Aqui está um excerto de um artigo intitulado “Assembleia Nacional venezuelana aprova lei fazendo dos bancos um ’serviço público’”:

“A Assembleia Nacional da Venezuela na sexta-feira aprovou legislação que define a indústria bancária como ’serviço público’, requerendo que os bancos contribuam mais para os programas sociais, a construção de moradias e outras necessidades sociais, tornando mais fácil a intervenção do governo quando os bancos não cumprirem as prioridades nacionais. A nova lei protege os bens dos clientes dos bancos no caso de irregularidades cometidas pelos donos… e estipula que o Superintendente de Instituições Bancárias considere o interesse dos clientes — não apenas dos acionistas… quando tomar decisões que afetem as operações bancárias”.

Então por que Obama não está fazendo o mesmo? Ele tem medo de qualquer mudança real ou é um lacaio de Wall Street? Aqui, mais um pouco do mesmo artigo:

“Numa tentativa de controlar a especulação, a lei limita a quantidade de crédito que pode ser dado a indivíduos ou entidades privadas ao fixar 20% como o máximo total de seu capital que o banco pode emprestar. A lei também limita a formação de grupos financeiros e proíbe os bancos de ter participação em corretoras ou empresas de seguros. A lei também estipula que 5% dos lucros brutos dos bancos devem ser dedicados a projetos elaborados pelos conselhos comunais; 10% do capital do banco deve ser colocado em um fundo para pagar salários e pensões em caso de falência. De acordo com dados de 2009 da Softline Consultores, 5% dos lucros brutos da indústria bancária da Venezuela no ano passado equivaleriam a 314 milhões de bolivares, ou 73,1 milhões de dólares, para programas sociais para atender as necessidades da maioria pobre da Venezuela”.

“Controlar especulação?” Aí está uma boa ideia. Naturalmente, os líderes da oposição chamaram as novas leis de “um ataque contra a liberdade econômica”, mas isso é pura besteira. Chavez está meramente protegendo o público das práticas predatórias dos banqueiros sedentos de sangue. A maioria dos americanos desejaria que Obama fizesse o mesmo.

De acordo com o Wall Street Journal, “Chávez ameaçou expropriar os grandes bancos no passado se eles não aumentassem os empréstimos para pequenos negócios e compradores de casas; desta vez está aumentando a pressão publicamente para mostrar preocupação com a falta de moradias para 28 milhões de habitantes da Venezuela”.

Caracas sofre de uma maciça falta de moradias que se tornou ainda pior por causa das enchentes. Dezenas de milhares de pessoas precisam de abrigo, razão pela qual Chavez está colocando pressão nos bancos para emprestar. Naturalmente, os bancos não querem ajudar, por isso estão no modo-bebê-chorão. Mas Chavez descartou a choradeira e os colocou “sob aviso”. De fato, na terça-feira, ele deu um alerta direto:

“Qualquer banco que escorregar… vou expropriá-lo, seja o Banco Provincial, o Banesco ou o Banco Nacional de Crédito”.

Bravo, Hugo. Na Venezuela de Chavez as necessidades básicas das pessoas comuns e trabalhadoras tem precedente sobre os lucros dos banqueiros. É surpresa que Washington o odeie?

Fonte: Viomundo ( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mike-whitney-explica-o-odio-de-w... )

Viva a WikiLeaks! “Sicko” não foi proibido em Cuba

Crédito: Cubadebate

Michael Moore

A Wikileaks fez algo incrível. Publicou um pequeno documento produzido pelo Departamento de Estado, em parte, sobre mim e meu filme, ‘Sicko’.

É uma visão impressionante, à natureza orwelliana, de como os burocratas do Estado fazem rodar suas mentiras e fantasiam a realidade (suponho façam isso acalmar seus chefes e, assim, dizem exatamente o que eles querem escutar).

A data é de 31 de janeiro de 2008, alguns dias depois de Sickoter sido indicado ao Oscar como Melhor Documentário. Deve ter sido uma espécie de troco de algum louco do Departamento de Estado de Bush (imediatamente seu Departamento de Tesouro me notificou, pois estavam investigando quais as leis eu poderia ter sido burladas ao levar três dos primeiros socorristas do 11 de novembro, para receberem, em Cuba, os cuidados médicos que foram negados pelos Estados Unidos).

O ex-executivo de seguros de saúde, Wendell Potter, revelou que a indústria do seguro tinha decidido gastar milhões em ações contra mim e, se fosse necessário, “empurrariam Michael Moore de um precipício”. Eles tinham começado a trabalhar com os cubanos anti-castristas em Miami com o intuito de fazê-los caluniarem meu filme.

Assim, em 31 de janeiro de 2008, um funcionário do Departamento de Estado, lotado em Havana, registrou uma história inventada e a enviou à sede, em Washington. A história sugerida era esta:

XXXXXXXXXXXX declarou que as autoridades cubanas proibiram o documentário de Michael Moore, “Sicko”, por ser subversivo. Ainda que a intenção do filme seja desacreditar o sistema de saúde dos EUA, pondo em destaque a excelência do sistema cubano, disse que o regime sabe que o filme é um mito e não quer arriscar-se a uma reação popular ao mostrar aos cubanos instalações que, claramente, não estão disponíveis para a grande maioria deles.

Soa convincente, não? Só há um problema: todo o povo de Cuba viu o filme pela televisão estatal, em 25 de abril de 2008! Os cubanos gostaram tanto do filme que ele se converteu num dos raros documentários norte-americanos a serem distribuídos nos cinemas de Cuba. Eu, pessoalmente, me encarreguei de fazer uma cópia de 35 mm chegar ao Instituto de Cinema de Havana.

A projeção de ‘Sicko’ aconteceu em todo o país. Em Havana, o filme foi projetado no famoso Cine Yara. No entanto, o documento secreto diz que os cubanos foram proibidos de verem meu filme. Hmmm.

Também sabemos, por outro documento secreto dos EUA, que “o desencanto [das massas em Cuba] vem crescendo em todas as províncias” e que “todas as províncias do Oriente estão fervendo de ódio” contra o regime de Castro. Existe uma grande rebelião subterrânea ativa e “os trabalhadores facilmente dão todo o apoio necessário”, com todo mundo envolvido numa “sutil sabotagem” contra o governo. A moral é péssima em todas as ramificações das forças armadas e, em caso de guerra, o exército “não irá lutar”. Tremendo. Esta notícia é quente!

Este suposto documento secreto dos EUA é da data de 31 de março de 1961, três semanas antes de Cuba chutar alguns traseiros na Baía dos Porcos.

O governo dos EUA vem divulgando estes documentos “secretos” para si mesmo nestes últimos cinquenta anos. Neles, explicam com detalhes minuciosos o quão terrível está a situação em Cuba e como os cubanos estão sofrendo em silêncio. Tudo isso para que possamos regressar e assumir o controle. Não sei por que escrevem estes documentos. Acredito que a utilidade é nos fazer sentir melhor com nós mesmos.

Então, que fazer com um quase falso documento “secreto”, especialmente um que envolve você e seu filme? Bom, você espera que um jornal responsável investigue e grite aos quatro ventos o que descobrir.

Porém, a WikiLeaks divulgou ontem o documento sobre o ‘Sicko’ em Cuba aos meios de comunicação. E o que estes fizeram? Circularam o documento como se fosse verdade! Eis o título no jornal The Guardian: “Wikileaks: Cuba proibiu Sicko por descrever 'um mítico' sistema de saúde. As autoridades temiam que as imagens dos reluzentes hospitais no filme de Michael Moore, indicado ao Oscar, provocasse uma reação popular”.

E nem sombra de uma investigação profunda para saber se Cuba tinha realmente proibido o filme! De fato, ocorreu o contrário. A imprensa de direita começou a ter um dia pautado por manobras, reportando uma mentira (Andy Levy, da Fox – duas vezes – Revista Reason e Hot Air, além de uma porção de blogs). Lamentavelmente, inclusive Boing Boing e meus amigos do The Nation, escreveram sobre ela sem ceticismo. Assim, da mesma forma que temos aqui a Wikileaks, que se colocou na linha de frente para encontrar e liberar estes documentos à imprensa, temos os jornalistas tradicionais, cada vez mais cansados para levantar um dedo, apontar e clicar com o mouse para acessar a Nexisou buscar, através do Google, e olhar se Cuba realmente “proibiu o filme”. Se apenas um repórter tivesse feito isso, ele teria encontrado:

16 de junho de 2007 Sábado 1:41 GMT [sete meses antes do documento falso]

TÍTULO: Ministro da Saúde cubano diz que o filme de Michael Moore, Sicko, mostra os “valores humanos” de um sistema comunista.

Byline: Por ANDREA RODRIGUEZ, escritora da Associated Press

HAVANA

O Ministro da Saúde de Cuba, José Ramón Balaguer, disse, na sexta-feira, que o documentário do cineasta norte-americano Michael Moore, “Sicko”, coloca em destaque os valores humanos do governo comunista da ilha... “não pode existir nenhuma dúvida de que o documentário de uma personalidade como o Sr. Michael Moore ajuda a promover os princípios profundamente humanos da sociedade cubana”.

Que tal esta pequena notícia de 25 de abril de 2008, publicada em CubaSí.cu(tradução do Google):

Sicko estreou em Cuba – 25/04/2008

O documentário Sicko, do cineasta norte-americano Michael Moore, que trata sobre o deplorável estado do sistema de saúde norte-americano, estreia hoje, às 17:50, no espaço Mesa Redonda da Cubavisión e no Canal Educativo.

Também existem notícias como esta em JuventudRebelde.cu,em seu editorial. Existe, inclusive, um longo clipe na seção Cuba, onde aparece ‘Sicko’, na página multimídia sitio webCubaSí.cu, no canal da Mesa Redonda.

OK, sabemos que os meios de comunicação são preguiçosos e a maioria não presta. Porém, o maior problema aqui é como nosso governo parecia estar em confabulação com a indústria de seguros de saúde para destruir o filme e induzir a opinião pública de que os cubanos possuem um país de terceiro mundo “assolado pela pobreza”: saúde gratuita e universal. E porque eles têm e nós não? Cuba possui uma taxa de mortalidade infantil mais baixa que a nossa, sua expectativa de vida está somente 7 meses abaixo da nossa e, segundo a OMS, estão posicionados só a dois lugares atrás do país mais rico do mundo em termos de qualidade, no que se refere ao atendimento médico.

Esta é a história divulgada pelos principais meios de comunicação e pelos inimigos da direita.

Agora que foram apresentados os fatos, o que irão fazer a respeito? Vão atacar meu filme por ter sido exibido pela televisão estatal cubana? Ou vão me atacar porque não projetaram meu filme na televisão estatal cubana?

Terão que eleger uma das suas acusações. Não podem ser ambas coisas.

E já que os fatos demonstram que o filme foi projetado na televisão estatal e nos cinemas, creio que é melhor que me ataquem por terem exibido meus filmes em Cuba.

Viva a Wikileaks!

Ver no blog de Michael Moore

http://www.cubadebate.cu/opinion/2010/12/19/viva-wikileaks-sicko-no-fue-...

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

Fonte: http://pcbjuizdefora.blogspot.com/2011/01/viva-wikileaks-sicko-nao-foi-p...

Médicos cubanos no Haiti deixam o mundo envergonhado

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Um outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente. Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, destroçado pelo terremoto e pela cólera. Enquanto isso, a ajuda prometida pelos EUA e outros países...O artigo é de Nina Lakhani, do The Independent
Nina Lakhani - The Independent

Data: 27/12/2010

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Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana na porta da América, a qual Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária dos EUA para aliviar. Esses heróis são da nação arqui-inimiga dos Estados Unidos, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços dos EUA envergonhados.

Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, rasgado por terremotos e infectado com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que ganhou muitos amigos para o Estado socialista, mas pouco reconhecimento internacional.

Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar operações de agências de ajuda internacional e por os deixarem sozinhos na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhões de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998, quando um forte terremoto atingiu o país. E em meio a fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda dos EUA e do Reino Unido, centenas de médicos, enfermeiros e terapeutas cubanos chegaram discretamente. A maioria dos países foi embora em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de cuidados para a ilha caribenha.

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40% de todos os doentes de cólera. Um outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastre e em emergência, chegou recentemente, deixando claro que o Haiti está se esforçando para lidar com a epidemia que já matou centenas de pessoas.

Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina em Cuba (Elam), um dos programas médicos mais radicais do país. Outros 400 estão sendo treinados na escola, que oferece ensino gratuito - incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para gastar - para qualquer pessoa suficientemente qualificada e que não pode pagar para estudar Medicina em seu próprio país.

John Kirk é um professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: "A contribuição de Cuba, como ocorre agora no Haiti, é o maior segredo do mundo. Eles são pouco mencionados, mesmo fazendo muito do trabalho pesado.".

Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou um punhado de médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 a Argélia em 1963. Isso foi apenas quatro anos depois da Revolução.

Os médicos itinerantes têm servido como uma arma extremamente útil da política externa e econômica do governo, gahando amigos e favores em todo o globo. O programa mais conhecido é a "Operação Milagre", que começou com os oftalmologistas tratando os portadores de catarata em aldeias pobres venezuelanos em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos norteamericanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.

A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países em pior situação, quando possível, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. "Isso permite que os médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, possam ganhar dinheiro extra no estrangeiro e aprender mais sobre as doenças e condições que apenas estudaram. É também uma obsessão de Fidel e ele ganha votos na ONU."

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com 10.000 trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas em casa, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.

Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo de prevenção com foco global, visitando famílias em casa, com monitoração proativa de saúde materna e infantil. Isso produziu "resultados impressionantes" em partes de El Salvador, Honduras e Guatemala, e redução das taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás uma melhor formação dos trabalhadores de saúde locais, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.

A formação médica em Cuba dura seis anos - um ano mais do que no Reino Unido - após o qual todos trabalham após a graduação como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.

Este modelo ajudou Cuba a alcançar alguns índices invejáveis de melhoria em saúde no mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) nos EUA, de acordo com Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

A taxa de mortalidade infantil, um dos índices mais confiáveis da saúde de uma nação, é de 4,8 por mil nascidos vivos - comparável com a Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5% dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, mostram os números da Organização Mundial de Saúde.

As policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um degrau a partir do médico de família. Cada uma prevê 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, assim como os médicos de visita, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.

Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em oficinas anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. "A saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais pró-ativo, e cujo foco é a prevenção. A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o HNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionava. Eles levaram de volta o que viram, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto isso estamos nos movendo em direção ao modelo dos EUA ", disse o professor Choonara.

A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que têm sido incapazes de acesso por causa do embargo americano, o qual que muitas empresas dos EUA de negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório 2009/10 inclui medicamentos para o câncer infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e órgãos da loja. Farmácias em Cuba são caracterizados por longas filas e estantes com muitos vazios. Em parte, isso se deve ao fato de que eles estocam apenas marcas genéricas.

Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: "Nós fazemos 80% dos medicamentos que usamos. O resto nós importamos da China, da antiga União Soviética, da Europa - de quem vender para nós - mas isso é muito caro por causa das distâncias."

Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos e apóiam a contribuição no Haiti e outros países pobres, encantados por conquistar mais espaço no cenário internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se forem pegos comprando ou vendendo.

As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.

Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis em torno de 20 dólares (£ 13) por mês. Assim, contrariamente às contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão fora dos limites a menos que o paciente possa oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.

Empresas internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicas. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública no Haiti, que o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.

A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera transmitir um senso de responsabilidade social para os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.

Damien Joel Soares, 27 anos, estudante de segundo ano de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. "É claro que Che é um herói, mas aqui isso não é forçado garganta abaixo."

Outros 49.000 alunos estão matriculados no "Novo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos", a ideia de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeu em 2005 formar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.

O professor Kirk discorda: "A abordagem high-tech para as necessidades de saúde em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza. É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você está vivendo em algum lugar sem médicos, ficaria feliz quando chegasse algum."

Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.

Cuban medics in Haiti put the world to shame

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17280 )

Haiti: mortos por cólera já ultrapassam 2.500

Ministério da Saúde atualiza números da cólera; mortos já ultrapassam 2.500

Tatiana Félix *

Adital -
Mais de 2.500 pessoas já morreram de cólera no Haiti, segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério de Saúde do país. De acordo com o comunicado, 114.497 pessoas já foram contaminadas pela doença, sendo que, deste total, 58.190 foram hospitalizadas e outras 56.463 já se recuperaram. A epidemia de cólera começou no último mês de outubro e já se estendeu para 10 departamentos haitianos.
O informe do Ministério da Saúde revela que a região de Artibonite registra o maior número de mortos pela doença: 800 vítimas. Em seguida, aparece a região Norte, com 455 mortos, a zona Oeste, onde está a capital, Porto Príncipe, com 387; o Centro com 225; o Noroeste com 211 mortos; o Sudoeste com 189 vítimas da cólera mortas; o Sudeste com 85 vítimas; o Nordeste com 80; a região Sul com 69 casos de vítimas fatais registrados, e, por último, a região de Nippes, com 27 mortos.

Segundo um estudo feito pelo especialista francês em epidemia, Renaud Piarroux, o surto de cólera iniciou em Mirebalais, pela contaminação do rio Artibonite próximo ao acampamento dos soldados nepaleses da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). Os nepaleses chegaram poucos dias antes de aparecerem os primeiros casos de cólera no país, e por isso, a população os acusou de serem os responsáveis por terem trazido a contaminação ao território.

Apesar de a Organização das Nações Unidas (ONU) não ter confirmado sobre a origem da doença, tudo indica que a suspeita da população está correta, já que além do estudo do especialista, há informações concretas de que no Nepal também existe uma epidemia de cólera. A Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu que a bactéria da cólera encontrada no Haiti é da mesma espécie que a encontrada no Sudeste da Ásia, onde está o Nepal.

Apesar das evidências e do estudo feito pelo especialista francês, o secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, declarou que autorizará uma investigação para saber a origem da enfermidade. A população do Haiti tem pedido constantemente que seja feita uma investigação para comprovar a origem da cólera no Haiti, que já estava erradicada há mais de um século.

A Comunidade do Caribe, Caricom, recebeu um informe detalhado sobre a situação da epidemia de cólera no Haiti, que já ultrapassou as fronteiras, atingindo também a República Dominicana. Em encontro com demais autoridades da saúde, os representantes da Comunidade Caribenha discutiram sobre as intervenções que estão sendo feitas.

A Caricom expressou sua solidariedade e seu compromisso em combater o surto , e se comprometeu em dar apoio a dois Centros de Tratamento da Cólera, na zona metropolitana de Porto Príncipe, com capacidade para 50 leitos cada.

Cólera

A cólera é causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados pela bactéria Vibrio Cholerae. A contaminação causa uma forte infecção intestinal que provoca diarréias e vômitos intensos, além de febre alta, desidratando o paciente. Se o doente não for devidamente tratado e hidratado, pode chegar à morte.

* Jornalista da Adital

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=54&cod=53279

Porto Rico: Estudantes em greve contra aumento na matrícula

Estudantes completam uma semana de greve contra aumento de 300% na matrícula

Natasha Pitts *

Adital -
Há uma semana, estudantes da Universidade de Porto Rico (UPR), em San Juan, desataram uma greve que ainda não teve fim. Os alunos reclamam da decisão imposta pelo Governo porto-riquenho e pela administração do Sistema da UPR de aumentar a matrícula em 300%. Os últimos protestos organizados pelos grevistas resultaram em estudantes presos e feridos.
A justificativa para o aumento significante da matrícula é que a universidade estaria passando por problemas financeiros e, por isso, precisaria impor aos alunos e alunas uma "cota de estabilização", que seria a forma de pagar uma linha de crédito de 100 milhões de dólares.

Após a divulgação desta informação, os estudantes da UPR descobriram que a taxa não é garantia para o empréstimo e tornaram público o documento que comprovava isto. Mesmo a verdade tendo vindo à tona o chefe da UPR continua assegurando que a medida é necessária para o sustento da universidade.

As controvérsias nas justificativas desencadearam constantes e intensas manifestações organizadas pelas estudantes. De acordo com informações da agência NCM, após o episódio, a violência contra os alunos também aumentou, deixando policiais e estudantes universitários feridos, além de mais de 15 pessoas detidas.

As manifestações tiveram início dentro da faculdade de ciências naturais e tomaram todo o campus principal da UPR, tendo sido levadas para as ruas de San Juan. O protesto mais recente foi encerrado com violência e a utilização de bombas de gás lacrimogêneo em frente quartel da Polícia Nacional.

Segundo a Telesul, o governador de Porto Rio, Luis Fortuño, assegurou que não atenderá ao protesto dos universitários, visto que julga ser uma solicitação sem fundamento. Além disso, não tem sido verificada por parte do governo qualquer intenção de sequer reduzir a nova taxa. Para cada matéria os estudantes devem pagar 49 dólares. Com o aumento, a universidade ficará inviável para muitos.

Assim como parte da população porto-riquenha, a Irmandade de Empregados Isentos Não Docentes da UPR está acompanhando e apoiando a luta estudantil por uma universidade acessível para todos. Em comunicado, os funcionários da UPR prestaram solidariedade aos universitários em greve no Recinto de Rio Piedras e condenaram a ocupação policial em Humacao e Cayey.

Os funcionários criticaram ainda a tentativa do governo de desqualificar a greve estudantil e asseguraram em nota para a imprensa que a intenção dos alunos é lutar pelo "direito de todos os porto-riquenhos a uma educação universitária pública e o acesso à oferta de trabalhos acadêmicos e investigativos de qualidade".

Dias antes de ser deflagrada a greve, estudantes e professores saíram às ruas em marcha, partindo do Capitólio e seguindo até o palácio de Santa Catalina, para pedir que o Governo se abrisse ao diálogo e evitasse a segunda greve estudantil do ano de 2010 na UPR. A iniciativa foi frustrada, pois o governo continua se recusando a conversar com os manifestantes.

* Jornalista da Adital

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=1&cod=53276

Fábio Comparato: E agora, Brasil?

por Fábio Konder Comparato, no Conversa Afiada

A Corte Interamericana de Direitos Humanos acaba de decidir que o Brasil descumpriu duas vezes a Convenção Americana de Direitos Humanos. Em primeiro lugar, por não haver processado e julgado os autores dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver de mais 60 pessoas, na chamada Guerrilha do Araguaia. Em segundo lugar, pelo fato de o nosso Supremo Tribunal Federal haver interpretado a lei de anistia de 1979 como tendo apagado os crimes de homicídio, tortura e estupro de oponentes políticos, a maior parte deles quando já presos pelas autoridades policiais e militares.

O Estado brasileiro foi, em conseqüência, condenado a indenizar os familiares dos mortos e desaparecidos.

Além dessa condenação jurídica explícita, porém, o acórdão da Corte Interamericana de Direitos Humanos contém uma condenação moral implícita.

Com efeito, responsáveis morais por essa condenação judicial, ignominiosa para o país, foram os grupos oligárquicos que dominam a vida nacional, notadamente os empresários que apoiaram o golpe de Estado de 1964 e financiaram a articulação do sistema repressivo durante duas décadas. Foram também eles que, controlando os grandes veículos de imprensa, rádio e televisão do país, manifestaram-se a favor da anistia aos assassinos, torturadores e estupradores do regime militar. O próprio autor destas linhas, quando ousou criticar um editorial da Folha de S.Paulo, por haver afirmado que a nossa ditadura fora uma “ditabranda”, foi impunemente qualificado de “cínico e mentiroso” pelo diretor de redação do jornal.

Mas a condenação moral do veredicto pronunciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos atingiu também, e lamentavelmente, o atual governo federal, a começar pelo seu chefe, o presidente da República.

Explico-me. A Lei Complementar nº 73, de 1993, que regulamenta a Advocacia-Geral da União, determina, em seu art. 3º, § 1º, que o Advogado-Geral da União é “submetido à direta, pessoal e imediata supervisão” do presidente da República. Pois bem, o presidente Lula deu instruções diretas, pessoais e imediatas ao então Advogado-Geral da União, hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal, para se pronunciar contra a demanda ajuizada pela OAB junto ao Supremo Tribunal Federal (argüição de descumprimento de preceito fundamental nº 153), no sentido de interpretar a lei de anistia de 1979, como não abrangente dos crimes comuns cometidos pelos agentes públicos, policiais e militares, contra os oponentes políticos ao regime militar.

Mas a condenação moral vai ainda mais além. Ela atinge, em cheio, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, que se pronunciaram claramente contra o sistema internacional de direitos humanos, ao qual o Brasil deve submeter-se.

E agora, Brasil?

Bem, antes de mais nada, é preciso dizer que se o nosso país não acatar a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, ele ficará como um Estado fora-da-lei no plano internacional.

E como acatar essa decisão condenatória?

Não basta pagar as indenizações determinadas pelo acórdão. É indispensável dar cumprimento ao art. 37, § 6º da Constituição Federal, que obriga o Estado, quando condenado a indenizar alguém por culpa de agente público, a promover de imediato uma ação regressiva contra o causador do dano. E isto, pela boa e simples razão de que toda indenização paga pelo Estado provém de recursos públicos, vale dizer, é feita com dinheiro do povo.

É preciso, também, tal como fizeram todos os países do Cone Sul da América Latina, resolver o problema da anistia mal concedida. Nesse particular, o futuro governo federal poderia utilizar-se do projeto de lei apresentado pela Deputada Luciana Genro à Câmara dos Deputados, dando à Lei nº 6.683 a interpretação que o Supremo Tribunal Federal recusou-se a dar: ou seja, excluindo da anistia os assassinos e torturadores de presos políticos. Tradicionalmente, a interpretação autêntica de uma lei é dada pelo próprio Poder Legislativo.

Mas, sobretudo, o que falta e sempre faltou neste país, é abrir de par em par, às novas gerações, as portas do nosso porão histórico, onde escondemos todos os horrores cometidos impunemente pelas nossas classes dirigentes; a começar pela escravidão, durante mais de três séculos, de milhões de africanos e afrodescendentes.

Viva o Povo Brasileiro!

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fabio-comparato-e-agora-brasil.html

Fidel Castro diz que WikiLeaks deixou EUA de joelhos

Fidel Castro diz que WikiLeaks deixou EUA de joelhos

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro disse nesta quarta-feira que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, colocou os Estados Unidos "de joelhos" ao vazar documentos diplomáticos.

Fidel afirmou que a decisão do australiano de divulgar cerca de 250 mil comunicações diplomáticas americanas foi um "desafio audaz" aos Estados Unidos.

"Julian Assange, um homem que há vários meses muito poucos conheciam no mundo, está demonstrando que o mais poderoso império que já existiu na história pode ser desafiado", disse Fidel em um texto divulgado por sites e jornais oficiais.

"Não se conhecem (...) as motivações que o conduziram ao contundente golpe que desferiu contra o império. Só se sabe que moralmente ele o pôs de joelhos", acrescentou.

Assange não escapa de críticas
Fidel Castro criticou, no entanto, a decisão de Assange de entregar os documentos a "cinco grandes transnacionais da informação", como "El País" e "Der Spiegel", meios descritos por ele como "extremamente mercenários, reacionários e pró-fascistas".

O ex-presidente cubano não menciona os relatórios divulgados pelo WikiLeaks sobre Cuba, nos quais diplomatas americanos dizem, por exemplo, que a economia socialista da ilha está à beira do colapso.

Assange, de 39 anos, está detido desde a semana passada em Londres cumprindo uma ordem de prisão da Suécia, onde é acusado por crimes sexuais. Um juiz lhe concedeu a liberdade sob fiança, mas a promotoria recorreu da decisão e uma corte britânica decidirá na quinta-feira se liberta ou não o fundador do WikiLeaks.

"Sobre o governo direitista sueco e a máfia aguerrida da Otan cairá a responsabilidade de que se possa conhecer ou não a verdade sobre a cínica política dos Estados Unidos e de seus aliados", escreveu Fidel.

O líder cubano de 84 anos está afastado do poder desde que adoeceu, em meados de 2006. Atualmente, dedica-se a escrever artigos sobre temas internacionais na internet e assessora seu irmão, o presidente Raúl Castro.

Fonte: O Globo

Brasil é condenado na OEA por caso Araguaia

Corte Interamericana de Direitos Humanos determina que o Estado deve investigar os fatos ocorridos na época da guerrilha do PCdoB na região

Da redação

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por sua responsabilidade pelos desaparecimentos de 62 pessoas, ocorridos entre 1972 e 1974, na região conhecida como Araguaia.

Na ocasião, a chamada Guerrilha do Araguaia, formada por militantes do PCdoB, foi duramente reprimida pelo Exército brasileiro, sob o comando da ditadura civil-militar que havia se instalado no país em 1964. Em sua sentença, a Corte IDH determina que o Estado brasileiro investigue penalmente os fatos por meio da Justiça ordinária, já que, segundo a corte, “as disposições da Lei de Anistia que impedem a investigação e sanção de graves violações de direitos humanos são incompatíveis com a Convenção

Americana e carecem de efeitos jurídicos”. Assim, a Lei de Anistia não representaria um obstáculo para a identificação e punição dos responsáveis. A Corte Interamericana já notificou a respeito de sua sentença o governo brasileiro, os representantes das vítimas e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Além disso, a Corte IDH determinou que o Brasil também é responsável “pela violação do direito à integridade pessoal de determinados familiares das vítimas, entre outras razões, em razão do sofrimento ocasionado pela falta de investigações efetivas para o esclarecimento dos fatos”. Para completar, o órgão conclui, igualmente, que o país é responsável pela violação do direito à informação estabelecido na Convenção Americana, devido à “negativa de dar acesso aos arquivos em poder do Estado com informação sobre esses fatos”. Por outro lado, reconheceu as iniciativas e medidas de reparação que vêm sendo adotadas.

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/node/5296 )

Wikileaks: Militares colombianos comentaram "falsos positivos"

Militares colombianos comentaram sobre "falsos positivos"

Segundo documento, comandante do exército informou a embaixador estadunidense que "alguns" militares assumiram a prática de matar jovens para fazê-los passar por guerrilheiros

La Jornada

Autoridades do exército colombiano reconheceram em conversas privadas com diplomatas estadunidenses em Bogotá que a matança de 16 "falsos positivos" na localidade de Soacha, no centro da Colômbia, em setembro de 2008, causou um "incalculável dano" à imagem das forças armadas governamentais, mas admitiram que "o problema das execuções extrajudiciais se espalhou" a várias unidades em poucos meses.

Um memorando diplomático confidencial estadunidense de fevereiro de 2009, vazado no site WikiLeaks, mostra que o comandante do exército, general Óscar Gonzávez, foi acusado diante do embaixador William Brownfield de haver "impedido a investigação de abusos ao limitar o mandato" do inspetor-geral desse setor das forças armadas, o major-general Carlos Suárez.

O militar informou a Brownfield que "alguns" comandantes militares assumiram a prática de matar jovens para fazê-los passar por supostos guerrilheiros, a fim de que a "contagem de corpos" servisse como "medida de êxito", o que levou as tropas a perpetrarem matanças como a de Soacha.

O "sistema de contagem de corpos" - citou o embaixador a Suárez - criou uma "falsa ilusão de êxito" e, "como resultado, os falsos positivos desviaram os recursos e a atenção da luta principal contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia".

O descobrimento da primeira matança e a continuação da prática obrigou o Departamento de Defesa a destituir 51 pessoas do exército, dos quais 27 estiveram envolvidos no homicídio múltiplo de Soacha, que fica no departamento de Cundinamarca, onde também está a cidade de Bogotá. Pesquisas posteriores publicadas na imprensa local indicaram que os "falsos positivos" eram jovens de bairros pobres da capital colombiana.

Segundo Suáreaz, a ideia de criar "falsos positivos" teve sua origem na quarta brigada de Medellín, que tinha Mario Montoya como comandante.

Brownfield relatou no documento que alguns "altos oficiais continuam resistindo aos esforços do Ministério de Defesa, argumentando que as preocupações de direitos humanos estão supervalorizadas".

Tradução: Patrícia Benvenuti

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/node/5286 )

Colômbia tornou-se a Israel da América Latina

"A Colômbia tornou-se a Israel da América Latina para desestabilizar a região"

O advogado de direitos humanos Jorge Molano relata a violação de
direitos humanos na Colômbia e a impunidade de militares e paramilitares
diante da Justiça

María José Esteso Poves

Diagonal Web

Jorge Eliécer Molano é um advogado colombiano que está há 23 anos na
defesa dos direitos humanos. Cuidou de casos como o desaparecimento de
11 presos depois da tomada do Palácio de Justiça em 1985; o massacre na
comunidade de São José de Apartadó, em que duas crianças foram degoladas
por militares e paramilitares; o vínculo de quatro generais colombianos
na criação de grupos paramilitares; o assassinato de um estudante
durante a invasão de militares na Universidade. Agora, Molano denuncia a
atuação do serviço de inteligência da Colômbia, o Departamento
Administrativo de Segurança (DAS), depois das revelações da Procuradoria
da Colômbia que trouxeram à luz que, durante o mandato de Álvaro Uribe,
o DAS investigou políticos, sindicalistas, jornalistas e defensores de
direitos humanos (colombianos e espanhois) para difamá-los. Durante
esses anos, Molano foi ameaçado.

Por parte de que setores o senhor foi ameaçado por sua defesa dos
direitos humanos?

Jorge Molano - As ameaças vieram do Ministério da Defesa e foram
transmitidas pela vice-presidência da Colômbia em 2008. Me disseram que
corria um risco extraordinário, perguntei de onde vinha esse risco, mas
não responderam. Nesse ano o governo me disse que, depois de se reunir
com a Junta de Generais e o ministro da Defesa, os militares não viam
bem meu trabalho porque estava "atacando a honra militar" e, inclusive,
pediram que saísse do país.

Um dos casos que você denunciou é o desaparecimento dos presos depois da
tomada do Palácio de Justiça em Bogotá em 1985.

Esses fatos ocorreram há 25 anos. Agora a Justiça colombiana proferiu a
sentença. Onze pessoas do grupo guerrilheiro M19 foram tiradas pelo
Exército colombiano do Palácio, em pleno centro da capital, com câmeras
de televisão que registraram essa saída. Nunca mais se soube deles.
Foram levados a prisões militares e morreram por torturas. Isso foi
denunciado e fez-se um processo judicial, em que as intimidações foram
uma prática recorrente. Passados 13 anos, o advogado responsável pelo
caso conseguiu abrir a vala, de onde foram exumados os corpos, mas foi
assassinado em 18 de abril de 1998. O juiz que condenou em julho o
general Plazas Vega teve que abandonar o país por ameaças 15 dias depois
de proferir a sentença. A promotora que orientou o caso foi afastada do
cargo por pressões do Exército e de setores políticos. Estamos esperando
que se julguem vários generais, isso é positivo, mas o governo não tem
vontade de cumprir isso. O general Plazas Vegas já foi condenado a 30
anos por todos esses acontecimentos. Mas está preso em sua residência,
uma casa de 600 por 400 m². Além disso, no ano passado, enquanto estava
submetido a julgamento, Plazas Vegas foi contratado pela Universidade
Militar para ensinar a disciplina de Guerra Juridica, em que os
advogados de Direitos Humanos somos considerados - depois da guerrilha -
como a segunda frente de subversão do país.

Que envolvimento tem o ex-presidente Álvaro Uribe nas investigações
ordenadas ao serviço secreto DAS contra defensores de direitos humanos?

Durante oito anos de governo de Uribe estivemos diante de um presidente
incapaz, que não sabia o que se passava, ou diante de um presidente que
dirigiu uma empresa criminal. A ação do DAS, além disso, ultrapassou
fronteiras, foi uma ação feita com a Operação Liberdade em diferentes
países contra cidadãos europeus, deputados espanhois e membros do
Parlamento Europeu. Essas ações de espionagem estão relacionadas com
assassinatos posteriores, deslocamentos da população e atentados. Todos
esses fatos podem ser considerados como um crime contra a humanidade,
como reconhece a ONU. Uribe tem que responder [por isso]. Será julgado
pela Comissão de Acusações do Congresso, que alguns preferem chamar de
comissão de absolvições, porque nos últimos 50 anos não resolveu nenhum
caso sob o argumento de que todas as denúncias são infundadas. Temos
dúvidas de que o promotor atue contra os quatro diretores do serviço
secreto ligados a atividades criminosas. O novo governo também tem dado
cargos aos envolvidos. Quando se conhecem os fatos, a Promotoria ordena
confiscar os computadores e a documentação do DAS. A decisão passa pelo
diretor do DAS. Mas os detetives guardaram muita informação para se
proteger. O que mais preocupa é que o diretor atual do DAS é a pessoa
que recebeu o aviso da ação e que mandou destruir as provas.

Que implicação tem a CIA e que interesses econômicos se escondem atrás
desses fatos?

A maioria dos equipamentos com os quais foram feitas as escutas foram
fornecidos pelos Estados Unidos. Inclusive as chaves dos escritórios do
DAS na capital estavam em poder de membros da embaixada dos Estados
Unidos. A Colõmbia tornou-se a Israel da América Latina e tem realizado
um papel desestabilizador na região. Em um dos informes da Promotoria,
fica claro que o serviço secreto da Colômbia estava financiado pela CIA
com o propósito de se infiltrar na representação diplomática da
Venezuela, Equador e Cuba. A pressão internacional aumentou, mas a União
Europeia, que está ciente dos assassinatos que foram cometidos e dos
vínculos entre militares e paramilitares, prefere olhar para outro lado.
Avançou, ganhando inclusive espaço na União Europeia, a assinatura de um
acordo de livre comério. É incrível que prevaleçam os interesses
econômicos sobre os direitos humanos.

Qual o número de desaparecidos políticos nos últimos anos?

As estatísticas oficiais falam de 42 mil desaparecidos desde 1980.
Segundo a Medicina Legal, um organismo da Promotoria Geral, nos últimos
três anos 7.060 colombianos desapareceram forçadamente. Diante disso se
afirma que a Colômbia é a democracia mais antiga da América Latina.
Qualquer um pode pensar que temos vivido uma ditadura. Os números
superam amplamente os desaparecidos na ditadura de Pinochet, no Chile,
as juntas militares argentinas e as ditaduras do Uruguai e Paraguai.

Massacre de Apartadó: "Provou-se que militares e paramilitares atuaram
juntos"

Que avanços foram feitos na investigação do massacre de San José de
Apartadó?

Esse processo é bastante doloroso. Como defensor dos direitos humanos, o
que mais me comove é pensar na imagem de Santiago, um bebê de 18 meses
que foi degolado. O argumento dos que o degolaram era que o mataram para
que, quando fosse adulto, não fosse um subversivo e para que não
reconhecesse os assassinos. Primeiro o governo atribuiu os fatos às
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O que ocorreu foi que
um coronel do Exército colombiano recebeu dinheiro dos paramilitares
para comprar testemunhos que acusaram as Farc. Depois de três ou quatro
anos, conseguimos que a investigação fosse aberta. Vinculou-se uma
pessoa da Brigada 17 que havia atuado com os paramilitares. Ficou
comprovado que os paramilitares foram convocados para chegar de
diferentes lugares. Dois dias depois, o Exército foi convocado para se
reunir com paramilitares no mesmo lugar. Durante cinco dias militares e
paramilitares marcharam juntos, dormiram no mesmo lugar e, durante o
massacre, estiveram juntos. A Justiça colombiana decidiu processar os
dez militares, um julgamento ao qual assistiram observadores da Espanha,
Suécia e Estados Unidos, entre outros países. A juíza decidiu em 4 de
agosto deste ano absolver os militares porque considerou que não ficou
provado que tinham um pacto com os paramilitares e considerou que não é
um crime desmembrar uma menina de quatro anos e um bebê de 18 meses.

Fonte: Patria Latina -online
www.patrialatina.com.br

Fidel Castro faz uma análise sobre a atual situação do Haiti

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, fez uma análise, divulgada ontem (7), sobre a epidemia de cólera no Haiti e a amarga relação da população com as indesejáveis tropas da Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti, a MINUSTAH. Vale lembrar que o país caribenho tem vivido situações marcantes nos últimos tempos, como os fortes tremores de terra, em janeiro deste ano, que deixaram em ruínas a capital do país, Porto Príncipe, e seus arredores.

A crescente epidemia de cólera, surgida em outubro, tem alarmado as autoridades e deixado a população, já tão sofrida, ainda mais vulnerável. Logo após os primeiros casos de cólera no país, a população acusou, mesmo sem provas, os soldados da Minustah como responsáveis por terem trazido a doença ao território. A relação dos haitianos e haitianas com as tropas das Nações Unidas tem sido conflituosa desde a chegada dos soldados, em 2004.

No entanto, uma análise feita pelo epidemiologista francês Renaud Piarroux, e divulgada por agências de notícias pelo mundo, confirmou que a população estava certa: a epidemia foi gerada por um caso importado, e que se estendeu ao país através da base nepalesa da Minustah.

“A origem da enfermidade se encontra no pequeno povoado de Mirebalais, no centro do país, onde os soldados nepaleses assentaram seu acampamento, e apareceu poucos dias depois de sua chegada, o que prova a origem da epidemia”, noticiou a agência EFE. “A aparição da enfermidade coincide com a chegada dos soldados nepaleses que, também, procedem de um país onde existe uma epidemia de cólera”, confirma especialistas.

Diante da situação, Fidel expressa em seu artigo que o ‘mais surpreendente’ foi que a ONU, mesmo com as evidências, concluiu, através de uma missão de investigação, que o acampamento nepalês da Minustah não poderia ser a origem da epidemia.

“A ONU não só deve cumprir o elementar dever de lutar pela reconstrução e o desenvolvimento do Haiti, como também com o de mobilizar os recursos necessários para erradicar uma epidemia que ameaça se estender para a vizinha República Dominicana, o Caribe, América Latina e outros países similares da Ásia e da África”, analisa.

Fidel questionou a posição da ONU, em negar que a Minustah foi a responsável por ter trazido a epidemia para o Haiti, mas, fez questão de esclarecer que não atribui a culpa ao Nepal.

Segundo ele, as informações que chegam à Cuba são transmitidas pelos médicos cubanos que prestam serviços no Haiti. De acordo com os relatos, o centro médico, fruto do projeto Cuba-Venezuela, instalado em outubro de 2009 em Mirebalais, no Norte do Haiti, foi que registrou os primeiros – e crescentes – casos de pacientes com cólera. Com a rapidez do surgimento de novos casos, a Missão Médica enviou com urgência mostras de sangue e fezes para serem analisadas.

“Apesar da forma súbita em que apareceu a coleta no pequeno, mas, excelente hospital à serviço do Haiti, dos primeiros 2.822 enfermos atendidos inicialmente, em áreas isoladas do mesmo, faleceram apenas 13 pessoas, para uma taxa de letalidade de 0,5%”, informou, e disse que depois de ter sido criado, em local separado, o Centro de Tratamento da Cólera, de 3.449 doentes, apenas 5 paciente em estado muito grave faleceram, diminuindo a taxa de letalidade para 0,1%.

Fidel atualizou os dados sobre o surto de cólera no Haiti: “a cifra total de doentes de cólera no Haiti ascendia hoje, terça-feira, 7 de dezembro, à 93.222 pessoas, e o índice de pacientes falecidos alcançava a cifra de 2.120. Entre os atendidos pela Missão Cubana ascendia a 0,83%”.

Ele comparou ainda que o índice de falecido nas outras instituições hospitalares do país é de 3,2%, revelando que o atendimento médico cubano tem apresentado resultados bastante eficazes no controle da cólera no Haiti. Ele finalizou reforçando que com o apoio das autoridades haitianas, a Missão Médica Cubana se propõe a atender todos os distritos isolados, “de modo que nenhum cidadão haitiano careça de assistência frente à epidemia, e muitas milhares de vidas possam ser preservadas”.

Fonte: Adital

Wikileaks: Os esforços dos EUA para minar a influência de Chávez

Por Maria Luisa Rivera, do WikiLeaks

No dia 15 de junho de 2007 o embaixador americano no Chile, Craig Kelly, escreveu uma lista secreta de estratégias para minar o poder político do presidente venezuelano Hugo Chavez no continente.

“Conheça o inimigo: nós temos que entender melhor como Chavez pensa e o que ele pretende; –Engajamento direto: temos que reforçar nossa presença na região e nos aproximar fortemente, em especial com as “não-elites”; –Mudar o cenário político: Devemos oferecer uma mensagem de esperança e apoiá-la com projetos financiados adequadamente; –Aumentar as relações militares: Nós devemos continuar a fortalecer os laços com esses líderes militares na região que compartilham as nossas preocupações sobre Chavez”, resumiu.

Kelly propõe ainda reforçar as operações de inteligência na America Latina para entender melhor os objetivos de Chavez a longo prazo, e pressionar os vizinhos a se voltarem contra ele, por exemplo, excluindo a Venezuela de acordos de livre comércio.

Kelly, que acabou de se aposentar como o número dois para temas do hemisfério ocidental no Departamento do Estado, reconheceu no seu telegrama que “Chavez conseguiu muitos avanços, em especial para as populações locais, ao fornecer programas para os desprivilegiados”.

Mas também disse que o venezuelano tem uma visão “distorcida” e que “a boca de Chavez frequentemente se abre antes que o seu cérebro esteja funcionando”. Kelly recommenda a Washington simplesmente dizer “ a verdade” sobre Chavez e “a sua visão estreita, suas promessas vazias, suas relações internacionais perigosas, começando pelo Irã”.

Mesmo assim, o documento alerta que Chavez tem que ser levado a sério. “Seria um erro considerar Chavez apenas um palhaço ou um caudilho. Ele tem uma visão, mesmo que deturpada, e está tomando medidas calculadas para conseguir”.

Para ele, países pobres como o Uruguai não conseguem resistir às ofertas de ajuda do Venezuelano. A Argentina, depois da crise, também teria sido vítima dos “petrobolívares” de Chavez.
Passo a passo

Para reduzir a sua influência nos temas regionais, Kelly propõe que o Brasil e o Chile sejam estudados como “países que têm governos esquerdistas mas são democráticos e responsáveis na política fiscal”. Também sugere que os EUA ameacem reduzir o comércio como os países sulamericanos se a Venezuela conseguir ingressar no Mercosul.

O telegrama mostra como a diplomacia americana propõe desestabilizar o poder de Chavez internamente.

Kelly recomenda usar “a diplomacia pública” para vencer o que seria uma “batalha de idéias e visões”. Além disso, diz ele, vale explorar o medo de lideres anti-chavistas e formadores de opinião que “apreciam a importância da relação com os EUA”

Visitas do alto escalão americano, como a de Bush em março de 2007, também podem ajudar o país a se aproximar das populações dos países hostis aos EUA. “Mostrar nossa bandeira e explicar diretamente para as populações nossa visão de democracia e progresso pode mudar a visão sobre os EUA”.

Usando os militares

Outro dado interessante é que Kelly recomenda aumentar o financiamento para programas de parceria militar como o Military Education and Training (IMET) e Commander Activities (TCA).

Para ele, os militares latinoamericanos ainda são vistos como aliados, por causa da sua admiração ao poderio militar dos EUA.

“Os militares do cone sul continuam sendo instituições-chave nos seus respectivos países, e aliados importantes para os EUA. Esses militares geralmente são organizados e tecnicamente competentes. O seu desejo de manter a interoperabilidade e o acesso à tecnologia e treinamento americanos são algo que podemos usar em nosso favor”, diz o documento.

Ele também recomenda o corte de financiamento de outros programas, o que estaria sendo usaodo como uma retaliação à recusa dos países de assinar o Artigo 98, um contrato que impede cidadãos americanos de serem extraditado à Corte Penal Internacional se estiverem nesses países.

Fonte: Carta Capital / Wikileaks ( http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2010/12/09/os-esforcos-dos-eu... )

Piedad Córdoba espera ajuda do Brasil em libertação pelas FARC

Piedad Córdoba diz que espera ajuda do Brasil em libertação de reféns pelas FARC

A ex-senadora colombiana pelo Partido Liberal (PL) Piedad Córdoba declarou nesta quinta-feira (9/12) que espera que o governo do Brasil preste auxílio na libertação dos cinco reféns anunciada ontem pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva já prestou auxílio logístico em ocasiões anteriores, como em março deste ano, quando as autoridades brasileiras enviaram um helicóptero para receber um soldado colombiano que era mantido como refém há 12 anos.

De Buenos Aires, Córdoba também disse à rádio colombiana Caracol que a libertação pode ocorrer em aproximadamente um mês. Ela afirmou que assim que os guerrilheiros "entregarem as coordenadas", "eu colocaria mais ou menos um mês [de prazo para] que estejamos saindo e continuando com as libertações". "Acredito que não há nenhum inconveniente", acrescentou ela.

Córdoba teve seu mandato cassado pela Procuradoria Geral da Colômbia e se tornou inelegível por 18 anos sob a acusação de ter cooperado com as FARC. Seu envolvimento com o grupo começou a ser investigado após serem descobertos documentos com seu nome no computador pessoal de Raúl Reyes, ex-número dois da guerrilha colombiana, morto em um ataque das forças do exército do país em um acampamento no Equador, em 2008.

A ex-parlamentar apontou também que espera se reunir com o presidente Juan Manuel Santos ao retornar à Colômbia e atestou que este último anúncio das FARC abre a possibilidade para "uma possível negociação política" entre as partes do conflito.

Hoje o governo de Santos comunicou, por meio de um informe emitido pela Casa de Nariño, que "está disposto a garantir todas as condições de segurança requeridas para a mencionada libertação com a maior brevidade possível".

O documento atesta também que as autoridades colombianas têm a disponibilidade de "autorizar a doutora Piedad Córdoba para adiantar os trabalhos de facilitação que conduzam a dita libertação, sempre e quando as mesmas se façam com absoluta e total discrição".

A presidência colombiana manifestou ainda que em breve será decidido o "interlocutor" oficial para o processo de resgate e aproveitou para exigir das FARC a libertação "imediata" de todos os sequestrados que ainda estão sob sua guarda.

Ontem a guerrilha anunciou, por meio do site Anncol, que iria libertar três oficiais das forças de segurança da Colômbia e dois dirigentes políticos como forma de "desculpas à senadora da paz", em referência a Córdoba.

García Linera e a potência plebeia

Vice-presidente da Bolívia lançará livro, receberá homenagem e fará conferência no dia 13 de dezembro, no Rio de Janeiro. Autor de "A potência plebeia", Álvaro García Linera é um dos mais destacados intelectuais de seu país e do continente. Com longa trajetória de militância e elaboração teórica, Linera sempre primou pela busca de um marxismo adaptado à realidade concreta boliviana e sul-americana, conciliando o pensamento de Marx com uma série de influências indígenas e de outras matrizes do pensamento social. Ele receberá a Ordem Latinoamericana, da Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Flacso).

Redação

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O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, estará no Brasil no dia 13 de dezembro para o lançamento de seu livro "A Potência Plebeia" (Boitempo), reunião de ensaios, publicados entre 1989 e 2008, sobre diferentes etapas do processo sociopolítico da Bolívia. Linera aproveitará para fazer uma rápida visita à presidente eleita, Dilma Rousseff, em Brasília.

Ainda no dia 13, a partir das 18h30min, Álvaro García Linera receberá a Ordem Latinoamericana, prêmio que será entregue pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Flacso). O evento acontecerá na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ, Pavilhão João Lyra Filho, Bloco F, 1° andar, Auditório 11) e, nele, Linera proferirá a conferência: "A potência plebeia: ação coletiva, identidades indígenas, operárias e populares na Bolívia”. Além de seu livro sobre esse tema, também será lançado nesta ocasião o n° 15 da revista Margem Esquerda (Boitempo Editorial).

A potência plebeia
Além de vice-presidente do Estado Plurinacional da Bolívia dirigido por Evo Morales, Álvaro García Linera é um dos mais destacados intelectuais de seu país e do continente. Com longa trajetória de militância e elaboração teórica, García Linera sempre primou pela busca de um marxismo adaptado à realidade concreta boliviana e sul-americana, conciliando o pensamento materialista dialético clássico com uma série de influências indígenas e de outras matrizes do pensamento social.

Coletânea de seis ensaios produzidos em diferentes épocas, "A potência plebeia – ação coletiva e identidades indígenas, operárias e populares na Bolívia' reúne pela primeira vez em português importantes momentos da produção intelectual de García Linera. Segundo o jornalista Pablo Stefanoni, autor do prefácio, a trajetória do agora vice-presidente o coloca no papel de “intérprete do complexo processo político e social iniciado em 22 de janeiro de 2006, após o primeiro indígena chegar à presidência desta nação andino-amazônica, onde 62% dos habitantes se autoidentificam como parte de um povo originário, em sua maioria quéchua e aimará”.

Atraído pela questão indígena por conta da guerrilha guatemalteca, García Linera jamais abandonou esse interesse nas diferentes fases de suas concepções políticas, buscando apoio no marxismo para melhor formular a proposição de um “governo-índio”. Ainda segundo Stefanoni, “dedicou centenas de páginas a esquadrinhar Marx, Engels e Lenin para encontrar respostas ao problema nacional – ou comunitário-camponês”. Esses estudos puderam ser amplamente desenvolvidos no período em que esteve preso, por conta de sua participação em movimentos guerrilheiros.

Diferentemente de outros processos políticos latino-americanos, na Bolívia a chegada ao poder de um setor popular ocorreu escorada em fortes mobilizações sociais, sustentada por um partido político que se apresenta apenas como instrumento desses movimentos sociais. Como expresso no próprio conceito de práxis política, Álvaro García Linera sempre refletiu sobre tais conjunturas ao mesmo tempo que militava dentro delas. Pouco antes de assumir a vice-presidência, declarou: “é muito bonito conseguir essa combinação: um nível de especificidade inacessível para o pesquisador externo e um nível de generalidade e visão global imprescindível para te orientar em termos mais sistêmicos. Para isso se dirige meu esforço”.

Trecho da obra
Apenas quando sai em rebelião a comunidade é capaz de invalidar, na prática, a fragmentação por meio da qual vem sendo condenada a se debilitar até hoje, reabilitando assim os parâmetros comunais da vida cotidiana como ponto de partida expansivo de uma nova ordem social autônoma. Isso significa que é nesses momentos que o mundo comunal-indígena deseja a si mesmo como origem e finalidade de todo poder, de toda identidade e todo porvir que lhe compete; seus atos são a enunciação tácita de uma ordem social que não reconhece nenhum tipo de autoridade alheia ou exterior à própria autodeterminação em marcha.

Essa maneira protagônica de construir o porvir comum que reivindica, ao mesmo tempo, uma distinta figura social-natural da reprodução social (autodeterminação nacional-indígena) e transita pela refundação da existência em coalizão pactada com a plebe urbana (o nacional-popular) exige que indaguemos sobre as distintas formas da constituição nacional das sociedades. O moderno Estado nacional é, em relação a essas opções, apenas uma particularidade suplantadora e tirânica dessas energias.

Sobre o autor
Álvaro García Linera, vice-presidente da Bolívia desde 2006, é matemático, sociólogo, estudioso dos movimentos sociais e da “esquerda indígena” boliviana e professor titular de sociologia e ciências políticas da Universidad Mayor de San Andrés, La Paz. Integra o grupo Comuna, responsável pela teorização do governo de Evo Morales. Recebeu o prêmio Agustín Cueva 2004, da Escuela de Sociología e Ciencias Políticas de La Universidad Central del Ecuador. É autor de vários livros, dentre os quais destacamos Sociología de los movimientos sociales en Bolívia (La Paz, Oxfam/Diakonía, 2004).

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17249 )

Associação de Amigos da ENFF rebate matéria da Folha

29 de novembro de 2010

Leia abaixo nota da Associação dos Amigos da ENFF sobre reportagem publicada neste domingo na Folha de S. Paulo:
NOTA DA ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA ENFF
No dia 28 de novembro, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem de autoria de José Ernesto Credendio, segundo a qual a Escola Nacional Florestan Fernandes estaria passando por uma “crise financeira”, a qual seria motivada por “restrições impostas aos repasses do governo federal para o movimento”.
Diante do exposto, a Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes vem a público para esclarecer os fatos e desfazer uma série imensa de equívocos, incrivelmente reproduzidos em tão poucas linhas.
1. A ENFF, desde a sua origem, nunca dependeu de recursos federais, embora seja essa uma demanda legítima, dado que ela é resultado do esforço concentrado e da mobilização de milhares de cidadãos brasileiros: trabalhadores, trabalhadoras e jovens que aspiram construir um centro de estudos e pesquisas identificado com as necessidades mais prementes dos povos do Brasil, da América Latina e de todo o mundo.
2. Como a própria reportagem esclarece, aliás em total contradição com o afirmado anteriormente, os recursos para a construção da escola foram fornecidos “pela União Europeia, pelo MST e pelas ONGs cristãs Caritas (Alemanha) e Frères Des Hommes (França)”, além de ter contado com recursos assegurados por campanhas com apoio de Chico Buarque, José Saramago e Sebastião Salgado.”
E mais ainda: a reportagem omite o fato de que a construção da escola, concluída no ano 2005, contou com o trabalho voluntário de cerca de 1.100 brasileiros e brasileiras que entenderam a necessidade premente de uma escola dessa natureza, oriundos e oriundas das mais variadas categorias profissionais e de movimentos sociais. Seus cursos sempre foram ministrados em caráter voluntário, espontâneo e benévolo por mais de seiscentos renomados intelectuais e professores universitários brasileiros e internacionais,
3. Finalmente, a escola não passa por uma “crise financeira”, como afirma a reportagem, simplesmente por não se tratar de um banco, nem de empresa privada. Sofre, é verdade, carência de recursos econômicos para desenvolver os seus projetos, como sofrem dezenas de milhares de escolas públicas brasileiras e toda e qualquer instituição autônoma, independente e identificada com a luta de nosso povo.
4.Precisamente porque a Escola Nacional Florestan Fernandes não depende de recursos federais, mas confia na capacidade do povo brasileiro de manter o seu funcionamento autônomo, soberano e independente, criou-se a Associação dos Amigos da ENFF, no início de 2010.
As campanhas promovidas pela Associação não têm apenas o objetivo de angariar fundos: elas também contribuem para promover o debate sobre a necessidade de que o povo brasileiro construa os seus próprios centros de educação e pesquisa, até para aprimorar sua capacidade de defender-se de ataques insidiosos promovidos com frequência pela mídia patronal, pelos centros universitários que reproduzem as fábulas das classes dominantes e por intelectuais e jornalistas pagos para distorcer os fatos.

Associação dos Amigos da ENFF

Fonte: http://www.mst.org.br/nota-da-Associacao-de-Amigos-da-ENFF

A conspiração existe

Corrupção, mentira, chantagem, autoritarismo, cooptação, espionagem e
outros adjetivos pouco qualificativos marcam a política externa dos
governos dos Estados Unidos segundo revelam os “cabos”, como são
chamados os documentos diplomáticos daquele país revelados pelo site
Wikileaks e divulgados por cinco jornais entre Europa e EUA.

São mais de 251 mil documentos enviados por 274 embaixadas ao redor do
mundo. Pouco mais de 220 cabos foram divulgados até agora, por conta
da censura dos e nos próprios jornais e pela pressão das autoridades
estadunidenses.

A secretária de Defesa dos EUA, Hillary Clinton teve a coragem de
qualificar como “sabotagem nas relações pacíficas” a divulgação dessas
informações, que põe a nu a verdadeira diplomacia do seu país. Já o
ex-presidente Bush disse que o vazamento é “danoso” e que as pessoas
que o fizeram deveriam ser processadas. Calou-se, entretanto, sobre as
pessoas que ordenaram tais atos.

Diplomatas da ONU e funcionários da instituição foram alvo da atual
secretária de Defesa, bem como de sua predecessora, Condoleezza Rice.
Até mesmo o secretário-geral Ban Ki-moon e representantes de países
com assento permanente no Conselho de Segurança, como Rússia, França,
Reino Unido e China foram espionados por ordens do governo
estadunidense.

A divulgação de que existem mais de 480 armas nucleares daquele país
na Europa – portanto fora das suas fronteiras - revoltou políticos e
cidadãos belgas, holandeses e alemães, entre outros.

O golpe em Honduras também é citado nos cabos. Pelos documentos, o
governo dos EUA sabia do planejado movimento inconstitucional e nada
fez, o que demonstra no mínimo conivência com o golpe.

O Irã é a vítima da maior parte desses cabos e curiosamente veio a
público informação do governo de Israel – portanto, nesse caso, nem um
pouco suspeita – de que aquele país não possui armas nucleares, como
cansaram e cansam de insistir os mesmos governantes estadunidenses.
Até mesmo o boicote à posse do presidente eleito Mahmoud Ahmadinejad,
realizada por vários países europeus, veio à tona.

Curioso é que o principal aliados dos EUA no Oriente Médio é a Arábia
Saudita, a mesma que pediu a potência norte-americana interviesse no
Irã. Justamente a Arábia Saudita que não tem partidos políticos, não
tem Legislativo, nem Constituição. É governada por uma monarquia
absolutista, e não garante os direitos da sua população.

Os atos de corrupção são inúmeros, particularmente pela compra de
políticos “amigos”, como os qualificam os “telegramas diplomáticos”.

A chantagem é clara na tentativa de transferir presos políticos de
Guantánamo (Cuba). A presença do presidente Obama foi oferecida como
moeda de troca à Eslovênia e a proeminência da Bélgica na Europa idem.

A incompetência da maior potência mundial também foi amplamente
divulgada. Tentaram retirar urânio altamente enriquecido do Paquistão
e não conseguiram. Também fracassaram ao evitar que a Síria fornecesse
armas ao Hizbollah, bem como tiveram que intervir acintosamente para
que a Alemanha não prendesse agentes da CIA que seqüestraram
erroneamente um cidadão totalmente inocente durante meses no
Afeganistão.

Quanto ao Brasil não chamam atenção a constatação de corrupção ou da
suposta prisão de terroristas, mas sim a maneira como a diplomacia da
intriga vê como amigo o atual ministro da Defesa Nelson Jobim. De como
Jobim ataca o Itamaraty – que pratica uma política de soberania
nacional - em um almoço com um embaixador dos EUA e também como faz
críticas a Samuel Pinheiro Guimarães, reconhecidamente um defensor do
país e da sua independência nas relações internacionais.

Durante muitos anos setores progressistas do Brasil e de vários outros
países acusaram os governos dos Estados Unidos de praticarem uma
política externa danosa aos povos do mundo. A divulgação desses cabos
demonstra que as suspeitas eram mais do que fundadas. Aqueles que
durante muito tempo debocharam e criaram a famosa teoria da
conspiração agora sabem que ela tem nome, endereço e mandantes.

Afonso Costa
Jornalista

Após escândalo, Chávez pede renúncia de Hillary

Hillary Clinton qualificou o vazamento como “um ataque não apenas a seu país, mas à comunidade internacional como um todo” (Jewel Samad/AFP)

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou na segunda-feira, 29, que o vazamento do site WikiLeaks deixou o "império desnudado", e disse que a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, deveria "pelo menos renunciar" ao cargo, dada a magnitude das revelações.

"O império foi desnudado. Eu não sei o que os Estados Unidos vão fazer. Quantas coisas estão saindo, como desrespeitam até seus aliados! Quanta espionagem!", expressou Chávez, durante um conselho de ministros transmitido pela emissora de TV estatal.

Segundo o presidente venezuelano, nos documentos os Estados Unidos "se referem aos seus aliados de uma maneira insólita", e revelam "uma arremetida contra governos, pessoas e entidades internacionais".

"Os Estados Unidos são um Estado fracassado, ilegal, que joga fora todos os princípios da ética, o respeito por seus próprios aliados, e isso (os documentos que vazaram) o demonstram de maneira gigantesca", disse Chávez.

O líder venezuelano expressou que "é preciso felicitar os membros da WikiLeaks e seu diretor, Julian Assange, por sua coragem e valor".

"Este homem (Assange) anda praticamente clandestino, dando declarações não se sabe a partir de onde, temendo inclusive por sua vida", disse.

Chávez criticou a reação da secretária de Estado americana, que na segunda-feira condenou duramente o "roubo" de documentos da WikiLeaks, e o considerou não só "um ataque à diplomacia dos Estados Unidos, mas à comunidade internacional".

"(Hillary) deveria renunciar, é o mínimo que pode fazer. Deveriam fazer o mesmo todo esse emaranhado de espiões, de delinquentes que há no Departamento de Estado dos EUA. Deveriam dar uma resposta ao mundo, e não começar a atacar e dizer que foi um roubo", avaliou o presidente venezuelano.

Chávez se mostrou escandalizado porque os documentos revelados pela WikiLeaks indicam que Hillary supostamente mandou "realizar um estudo sobre o estado mental da presidente argentina", Cristina Kirchner, à qual expressou sua solidariedade.

"Alguém teria que estudar o estado mental da senhora Clinton", disse o governante da Venezuela, que assinalou que, após uma "análise visual" que fez da secretária de Estado, chegou à conclusão que ela se acredita superior ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. "Ela, como é branca, se sente superior ao negro", expressou Chávez.

Para o líder, outra coisa que ficou clara "é o imenso esforço dos Estados Unidos, do Departamento de Estado, para isolar a revolução bolivariana".

O líder venezuelano ressaltou que o mundo deve dar uma "poderosa resposta ética, de rejeição contundente às atitudes dos EUA".

A Venezuela, por sua parte, fortalecerá o processo de integração regional e suas "alianças estratégicas" com a Rússia, China, e países aliados na Europa e na África, precisou Chávez.

A WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos, alguns deles secretos, que se referem principalmente a comunicações do Departamento de Estado dos EUA, com mais de 270 embaixadas, consulados e missões diplomáticas do país em todo o mundo.

(com Agência EFE)

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/apos-escandalo-chavez-ped...

WikiLeaks revela informe dos EUA um mês após golpe de Honduras

WikiLeaks revela informe confidencial dos EUA um mês após o golpe de Honduras

Honduras - Direitos nacionais e imperialismo

Segunda, 29 Novembro 2010 01:00

teleSUR - [Tradução do Diário Liberdade] Um informe confidencial da embaixada de Washington em Honduras revelado neste domingo pelo WikiLeaks mostra que Washington não tem dúvida de que em Honduras houve um golpe de Estado contra o então presidente, Manuel Zelaya, e agrega que "os militares, a Corte suprema e o Congresso Nacional conspiraram no dia 28 de junho no que constituiu um golpe ilegal e inconstitucional contra o Executivo".

Do mesmo modo, no texto, a embaixada dos Estados Unidos em Honduras afirma que o governo de Roberto Micheletti foi completamente ilegítimo.

"Não há dúvida de que deste nossa perspectiva de que a chegada ao poder de Roberto Micheletti foi ilegítima", destaca o informe enviado desde a Embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa, em nome de seu responsável, o embaixador Hugo Llorens.

A embaixada afirma nas mensagens que os argumentos esgrimidos pelos "defensores do golpe do dia 28 de junho" são "muitas vezes ambíguos", pelo que diz ter consultado a "experts em legislação em Honduras", mas acrescenta entre parêntesis que "(um deles não pode encontrar uma visão profissional não tendenciosa em uma Honduras com um clima politicamente pesado)".

No texto revelado pelo WikiLeaks, a embaixada estadunidense em Honduras reconhece que nunca foi demonstrado que o presidente Zelaya tenha burlado a lei e afirma que o argumento de que tentava se prolongar no poder era uma suposição.

No documento é revelado que os argumentos apresentados por Micheletti e pelos militares e políticos golpistas "não tem nenhuma validez substancial" e agrega que "algumas são abertamente falsas".

O informe considera que várias das medidas executadas pelos golpistas foram "aparentemente ilegais", desde o fato mesmo de que "os militares retiraram Zelaya do país sem autoridade pra fazê-lo", algo que "violou múltiplas garantias constitucionais, incluindo a proibição da expatriação, a presunção da inocência e o direito a um processo legal".

No último dos comentários, diz-se que "não importa quais sejam os pontos fortes do caso contra Zelaya, sua saída forçada do país por parte dos militares foi claramente ilegal, e o acesso de Micheletti como 'presidente interino' foi totalmente ilegítimo".

Entre os destinatários deste informe, aparece o embaixador dos Estados Unidos no Brasil neste momento, Thomas A. Shannon, e o assistente especial de Barack Obama e diretor para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional, Dan Restrepo.

A informação fornecida por estes documentos dão luz para entender declarações emitidas em agosto de 2009 pelo presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, quando expressou seu desejo de que o embaixador dos Estados Unidos nesse país, Hugo Llorens, não volte a retornar ao cargo, logo após o Governo estadunidense ter decidido retirá-lo por supostos "motivos pessoais".

Os EUA foram o país que mais tardou-se em aplicar sanções após a derrubada de Zelaya, enquanto que outros Governos, como os da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América – ALBA, e do Mercado Comum do Sul (Mercosul), pronunciaram-se contra o golpe quase imediatamente.

Depois de transcorridos 73 dias de sucesso, os EUA decidiram suspender a ajuda da Cuenta Reto del Milenio (CRM) para o país centro-americano, estimada em 11 milhões de dólares.

Passado menos de meio ano do golpe, a secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton, restabeleceu as relações com Tegucigalpa e reativou novamente a ajuda financeira para o presidente sucessor do regime de facto de Porfírio Lobo.

"Acabo de escrever uma carta ao Congresso dos Estados Unidos notificando que vamos restaurar a ajuda financeira a Honduras", manifestou Clinton durante sua participação na II Reunião Ministerial Caminhos para a Prosperidade nas Américas, realizada em San José, Costa Rica, em março passado.

Zelaya sempre sustentou que os EUA interviram no golpe

O ex-presidente Zelaya comentou durante a entrevista com a teleSUR no mês de junho passado que, enquanto foi mandatário de Honduras, os Estados Unidos incomodavam-se quando ele se mostrava solidário ou mantinha relações com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez; o da Bolívia, Evo Morales; o do Equador, Rafael Correa, e outros Governos que discutem as ideias do país do norte.

"Os Estados Unidos me proibia, praticamente, que tivesse relações com Evo Morales, Hugo Chávez, Rafael Correa. Era um incômodo quando eu estabelecia estas relações de solidariedade com estes povos, com Cuba, precisamente quando defendíamos o direito que tem os povos e nossa sociedade de manter níveis de dignidade e democracia", sustentou.

Por último, agregou que a atual ingerência dos EUA cria obstáculos ao processo de reconciliação nacional.

"Se os Estados Unidos tirarem suas mãos de Honduras, nós hondurenhos podemos nos entender", enfatizou Zelaya.

O ex-presidente Manuel Zelaya foi derrubado em um golpe de Estado no dia 28 de junho de 2009, executado por efetivos militares de seu país.

Posteriormente, foi entregue à Costa Rica, mas retornou clandestinamente a Honduras alguns meses depois e refugiou-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa até quando assumiu o poder Porfírio Lobo, em janeiro de 2010, momento no qual exilou-se na República Dominicana.

teleSUR - Periodismo Humano / FC/YR

Traduzido para o Diário Liberdade por Lucas Morais (@luckaz)

Fonte: http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article...

Vídeo: Entrega da Medalha Abreu e Lima - 2010

Publicamos o registro em vídeo da cerimônia de entrega da Medalha Abreu e Lima 2010.

Visitem:

http://www.casadaamericalatina.org.br/?q=node/25

Agradecimento: MODECON

Unasul elabora plano para apoiar democracia na região

GEORGETOWN, Guiana - Os chanceleres dos países-membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) definiram nesta quinta-feira um pacote de medidas para punir as nações da região que romperem a ordem democrática.

A chamada "cláusula democrática" deverá ser ratificada e assinada pelos chefes de Estado da Unasul. Eles vão se reunir na sexta-feira na capital da Guiana, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Estabelecemos a aplicação de sanções muito fortes contra qualquer golpe de Estado ou tentativa de golpe de Estado, de alteração da democracia e constitucionalidade, a limitação do comércio, fechamento de fronteiras terrestres, de operações aéreas e suspensão de comércio com esse país - explicou o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño.

A decisão é um apoio claro à democracia no Equador, que sofreu em 30 de setembro um protesto de policiais exigindo benefícios econômicos, o que Quito qualificou como tentativa de golpe de Estado que colocou em perigo a democracia.

"Temos um acordo global entre os ministros de Relações Exteriores que vamos apresentar aos presidentes. Eles resolverão se estão totalmente de acordo com nossa redação", disse Patiño.

Os chanceleres demoraram para chegar a um consenso e, por isso, Patiño esclareceu que não há temas pendentes no documento que será entregue aos mandatários.

Os presidentes também tratarão de discutir a eleição do sucessor de Néstor Kirchner, que morreu no fim de outubro. Patiño afirmou que o tema ainda não foi abordado pelos chanceleres.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/11/25/unasul-elabora-plano-para-a... )

EUA aumentam operações clandestinas contra Venezuela

por Eva Golinger

Segundo o informe anual de 2010 do Escritório de Iniciativas para uma Transição (OTI) da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) sobre suas operações na Venezuela, 9,29 milhões de dólares foram investidos esse ano em esforços para apoiar os objetivos da política exterior norte-americana e promover a democracia neste país sul americano. Esta cifra representa um aumento de quase dois milhões de dólares em relação ao ano passado, quando esse mesmo escritório de transição financiou atividades políticas contra o governo de Hugo Chávez com 7,45 milhões de dólares.

A OTI é uma divisão da USAID dedicada a apoiar objetivos da política exterior dos EUA através da promoção da democracia (segundo sua avaliação) em países que se encontram em crise. A OTI fornece assistência rápida, flexível e de curto prazo para transições políticas e de estabilização. Ainda que a OTI seja, tradicionalmente, um mecanismo de curto prazo para injetar milhões de dólares em fundos líquidos que influem sobre a situação política de países estrategicamente importantes para Washington, o caso da Venezuela é diferente. A OTI abriu sua sede nesse país em 2002 e a mantém até hoje, apesar de não contar com a devida autorização do governo da Venezuela. Na verdade, é o único escritório que a USAID mantém durante tanto tempo em algum país.

AS OPERAÇÕES CLANDESTINAS DA OTI

Em nota oficial com a data de 22 de janeiro de 2002, o presidente da OTI, Russel Porter, revela como e por que a USAID chegou à Venezuela. Dias antes, em 04 de janeiro, o escritório de Assuntos Andinos do Departamento de Estado pediu a OTI para estabelecer um programa para a Venezuela. Estava claro que havia uma preocupação crescente sobre a saúde política do país. Solicitaram à OTI que oferecesse programas e assistência para fortalecer os elementos democráticos (sic) que estavam sob a mira do governo de Chávez.

Porter visitou a Venezuela em 18 de janeiro de 2002 e logo comentou: “Para preservar a democracia, é necessário um apoio imediato para a mídia independente e para a sociedade civil. Uma das grandes debilidades da Venezuela é a falta de uma sociedade civil vibrante". A National Endowment for Democracy (NED) tem um programa de 900 mil dólares na Venezuela que apóia o Instituto Democrata (NDI), o Instituto Republicano Internacional (IRI) e o Centro de Solidariedade Laboral (três institutos quase governamentais norte americanos) para fortalecer os partidos políticos e os sindicatos (a CTV). Este programa é útil, porém não é suficiente. Alem do que não é flexível e nem trabalha com novos grupos ou grupos não tradicionais. E também lhe falta um componente de meios de comunicação.

Desde então, a OTI marca a sua presença na Venezuela enviando milhões de dólares por ano para manter vivo o conflito no país. Segundo o último informe anual de 2010, a OTI atua a partir da Embaixada dos Estados Unidos e é parte de um esforço maior para promover a democracia naquele país.

O principal investimento dos 9 milhões de dólares em 2010 foi durante a campanha eleitoral da oposição para as eleições legislativas de 26 de setembro passado. A USAID trabalha com vários associados da sociedade civil oferecendo assistência técnica para os partidos políticos, apoio técnico para os trabalhadores em direitos humanos e apoiando esforços para fortalecer a sociedade civil. Na Venezuela, sabe-se que ‘sociedade civil’ é o outro nome com que se identifica a oposição ao governo de Hugo Chávez.

Os partidos políticos e as organizações financiadas pela USAID têm sido documentados através de uma grande investigação realizada por esta escritora e incluem grupos como Súmate, Ciudadania Activa, Radar de Los Barrios, Primero Justicia, Um Nuevo Tiempo, Acción Democrática, Copei, Futuro Presente, Voluntad Popular, Universidad Católica Andros Bello, Universidad Metropolitana, Sinergia, Cedice, CTV, Fedecamaras, Espacio Publico, Instituto Prensa y Sociedad, Voto Joven entre tantos que têm se dedicado à desestabilização do país.

UM FLUXO SECRETO DE DINHEIRO

Não obstante, o atual abastecimento de dinheiro da USAID/OTI a grupos e partidos políticos venezuelanos é mantido em segredo. Quando abriu suas operações em 2002, a OTI contratou a empresa estadunidense Development Alternatives Inc. (DAÍ) um dos maiores prestadores de serviços ao Departamento de Estado, da USAID e do Pentágono em nível mundial. Essa empresa, a DAÍ, operava uma empresa no El Rosal – o Wall Street de Caracas – de onde distribuía fundos milionários a organizações venezuelanas através de pequenos convênios não superiores a 100 mil dólares cada um.

De 2002 a 2010 mais de 600 desses pequenos convênios foram entregues por esse escritório a grupos da oposição venezuelana para seguirem alimentando o conflito no país e apoiando os esforços para provocar a saída do poder do presidente Hugo Chávez.

Em finais de 2009, a empresa DAÍ começou a ter graves problemas com suas operações no Afeganistão, quando foram assassinados cinco de seus empregados por supostos militantes do Talibã durante um ataque com explosivos na cidade de Gardez em 15 de novembro. Alguns dias antes, um de seus empregados havia sido detido em Cuba e acusado de espionagem e subversão pela distribuição ilegal de componentes de satélite a grupos contra-revolucionários.

Quando escrevi um artigo publicado em 30 de dezembro de 2009, e agentes da CIA mortos no Afeganistão trabalhavam para uma empresa de fachada ativa na Venezuela e em Cuba, evidenciava-se o vínculo operacional da DAÍ no Afeganistão, em Cuba e na Venezuela e sua natureza suspeita, o próprio presidente e chefe executivo da empresa, Jim Boomgard, me contatou e alertou-me (melhor dizer ameaçou-me) que se continuasse a escrever o que escrevia, eu seria responsabilizada por qualquer coisa que se passasse com seus empregados em nível mundial.

Contudo, o senhor Boomgard, que disse não saber muito sobre as operações de sua empresa na Venezuela, conseguiu entender que o que faziam na Venezuela não valia tanto como o que faziam no Afeganistão. Semanas depois de sua entrevista comigo, o DAÍ, misteriosamente, fechou seu escritório em Caracas.

Entrementes, a OTI continua suas operações na Venezuela e mesmo tendo outros sócios norte americanos que manejam uma parte de seus fundos multimilionários, como IRI, NDI, Freedon House e a Fundación Panamericana Del Desarrollo (Fupad), não existe transparência sobre o fluxo de dinheiro de suas contrapartidas venezuelanas.

Um informe da Fundação para as Relações Internacionais e Diálogo Exterior (FRIDE) sobre a promoção da democracia na Venezuela, com data de maio de 2010, explica que grande parte do dinheiro vindo do exterior, mais de 50 milhões de dólares esse ano, segundo eles e que financia a grupos políticos de oposição na Venezuela, entra no país de forma ilícita em dólares ou euros e se transforma em dinheiro venezuelano no mercado negro (Assim que denunciei essas atividades ilegais baseadas no informe mencionado, o FRIDE desapareceu com o texto original e publicou um novo em que abandonava qualquer referência ao mecanismo de entrega de dinheiro externo a grupos venezuelanos).

Se o DAÍ já não atua na Venezuela realizando pequenos convênios com organizações opositoras com dinheiro estadunidense, o que cabe indagar é como chegam esses milhões de dólares a tais grupos e através de qual mecanismo? Segundo a USAID, suas operações estariam agora se realizando através da Embaixada dos Estados Unidos? Esta embaixada está entregando dinheiro diretamente a grupos de oposição venezuelanos?

O informe anual USAID/OTI de 2010 diz, especificamente, que seus esforços já estão dirigidos a um evento próximo: as eleições presidenciais de 2012 na Venezuela. Seguirão aumentando os milhões de dólares para a subversão e a desestabilização do país, incrementando a clandestinidade de suas operações na Venezuela, se o governo não tomar medidas concretas para impedir tal fato.

OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS

Washington usa vários mecanismos de ingerência para tingir seus objetivos. As operações psicológicas são operações planificadas para transmitir informação seletiva e indicadores para públicos estrangeiros e com isso influir sobre suas emoções, motivos, racionalidade objetiva e – ultimamente – sobre o comportamento de governos, organizações, grupos e indivíduos, segundo o Pentágono.

No orçamento do Departamento de Defesa para 2011, há uma solicitação nova para operações psicológicas para o Comando Sul, que é quem coordena todas as missões militares dos Estados Unidos na América Latina. Em particular, tal solicitação fala de um programa de voz de operações psicológicas, o que se entende como rádio ou alguma outra transmissão de áudio que apóie esse objetivo.

Segundo a explicação contida no orçamento, a execução de operações psicológicas (PSYOP) inclui a investigação sobre audiências estrangeiras, desenvolvendo, produzindo e disseminando produtos (programas) para influir sobre essas audiências, bem como a condução de avaliações para determinar a eficácia das atividades de operações psicológicas. Essas atividades podem incluir a manutenção de várias páginas da web e o monitoramento de meios técnicos e eletrônicos.

O orçamento completo para as operações psicológicas durante o ano de 2011 é de 384.8 (trezentos e oitenta e quatro milhões e oitocentos mil) dólares, que inclui 201.8 (duzentos e um milhões e oitocentos mil) dólares para a divisão de operações psicológicas e o estabelecimento, pela primeira vez, de um programa de operações psicológicas com o uso da voz para o Comando Sul.

Este programa de operações psicológicas é totalmente distinto de iniciativas como A Voz da América, por exemplo, que é um programa do Departamento de Estado e da agência estatal Board Broadcasting Governors (BBG) que manejam a propaganda dos EUA em nível mundial. Na verdade, o orçamento da BBG para o ano de 2011 é de 768.8 milhões de dólares e inclui um programa de cinco dias a cada semana, em espanhol, para a televisão venezuelana.

O aumento das operações psicológicas dirigidos à Venezuela e a América Latina evidencia uma ampliação da agressão norte americana para com essa região. É preciso lembrar que, desde o ano de 2006, a Direção Nacional de Inteligência dos EUA desempenha uma missão especial de inteligência para a Venezuela e Cuba. Somente quatro dessas missões especiais existem no mundo: uma para o Irã, outra para a Coréia do Norte, uma terceira para o Afeganistão e o Paquistão e a quarta para Venezuela e Cuba. Essa missão recebe uma parte importante do orçamento de mais de 80 bilhões de dólares que emprega a Direção Nacional de Inteligência, entidade que coordena as 16 agências de inteligência em Washington.

(*) EVA GOLINGER é advogada e especialista em analisar documentos desclassificados pelo Departamento de Estado dos EUA, relativos a atividades na América Latina, em especial na Venezuela.
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Traduzido do espanhol por Izaías Almada.
Fonte: http://aporrea.org.tiburon/n169169.html

No Chile, há mais pobres hoje que em 2006

Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: “Se pago a passagem, não como”. Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza. Segundo dados oficiais, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. Naquele ano, a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. E esses números, na verdade, são ainda maiores. O artigo é de Andrés Figueroa Cornejo.

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Andrés Figueroa Cornejo - ARGENPRESS.info

Publicado originalmente em Argenpress.Info

Enquanto Sebastián Piñera aproveita os últimos créditos político-midiáticos do espetacular resgate dos 33 mineiros da mina San José, Também em Copiapó, no dia 8 de novembro, Homero Aguirre e Daniel Lazcano, trabalhadores da mina de cobre Los Reyes, morreram em um novo acidente de trabalho. A exploração pertence à empresa Sociedad Legal Compañía Minera Del Sur.

Quando centenas de desempregados, dos milhares que ficaram na rua por ocasião do abrupto corte dos empregos emergenciais em Concepção – numa situação crítica logo após o terremoto e o maremoto de fevereiro de 2010 -, viajaram a Santiago e depois a Valparaíso para exigir a reabertura dos trabalhos emergenciais, o presidente Piñera anunciou as vigas mestras de sua agenda de governo batizada com pompa “Chile País Desenvolvido: Mais Oportunidades e Melhores Empregos”. A fórmula piñerista simplesmente é uma extensão ampliada das políticas dos últimos governos da Concertação: aumentar o investimento no país, incentivos tributários para o reinvestimentos de pequenas e médias empresas e incentivo ao turismo.

A fantasia publicitária de converter o Chile em um país desenvolvido sobre pilares que intensificam a abertura econômica e o investimento transnacional sem travas nem impostos significativos só tornam o Chile mais dependente dos preços do cobre. Não é estranho que entre janeiro e outubro de 2010, o governo tenha autorizado um investimento histórico de capitais de mega corporações estrangeiras que chegou a 13,275 bilhões de dólares (mais de 200% em relação ao mesmo período de 2009), distribuídos assim: 83% para a exploração de cobre; 9,1% para serviços; 4% para os setores de eletricidade, gás e água; e 3,4% para comunicações.

Os preços do cobre estão em níveis extraordinariamente altos (como todas as matérias primas do continente) em função da demanda asiática, em especial da China. Isso, como já ocorreu em outros períodos, torna a economia chilena muito sensível ao destino das potências que hegemonizam o planeta. Neste contexto, aprofunda-se o perfil primário extrativista do país. Esses capitais estrangeiros migram segundo seu próprio capricho e de acordo com variáveis incontroláveis pelo Estado chileno. Além disso, geram pouco trabalho. Ou seja, se incrementa a natureza rentista do padrão de acumulação capitalista da classe no poder e se posterga a industrialização e a diversificação necessária ao país para impulsionar um projeto nacional e integral de desenvolvimento.

A classe dominante só persegue o lucro rápido e no curto prazo, hipotecando as bases genuínas de um país a caminho de um desenvolvimento democrático, alimentando uma estrutura econômica deformada, contra toda ideia de soberania, dramaticamente subordinada ao capital das economias centrais cujos objetivos estão muito longe de ser o bem estar e os interesses das maiorias nacionais.

Assim mesmo, com um desemprego estrutural “oficial” beirando os 10%, a simplificação na criação de microempresas – que, na maioria dos casos, são negócios familiares – é uma maneira desesperada de multiplicar o trabalho precário por conta própria em função da ausência de trabalho formal para absorver a força de trabalho desempregada. Aquelas pequenas e médias empresas que se dedicam a atividades produtivas, além disso, estão condenadas a vender seus produtos aos preços impostos por um mercado cada vez mais concentrado (a cadeia de supermercados Wal-Mart, que se chama Líder no Chile, é paradigmática neste sentido), com o agravante de ter que competir com mercadorias asiáticas cuja importação é livre.

E quando Piñera fala de “modernização do Estado”, ele se refere simplesmente ao seu encolhimento, com o subsequente aumento do desemprego e menor fiscalização em todos os âmbitos. De fato, espera-se numerosas demissões para o final de novembro, no marco de uma dura negociação coletiva com os sindicatos do setor público que pedem um aumento salarial de 8,9%, sendo que, até agora, o governo só ofereceu um escasso 3,7% nominal.

A acumulação capitalista por meio do saqueio dos recursos naturais desta vez tem seu ponto duro no território do Lago Neltume, cujas comunidades mapuche resistem à construção do túnel de prospecção para a Central Neltume, propriedade da transnacional Endesa-Enel. Os mapuche denunciaram que a “Endesa-Enel invadiu nosso território, retirando-nos a água, apropriando-se dos direitos de aproveitamento contínuo dos bens de vários riachos que pertencem a famílias de nossa comunidade”. Entre as maldições da prospecção está o fato de que a companhia “nos deixará sem nossas ervas medicinais ao elevar o caudal do lago Neltume, ervas que usamos desde tempos ancestrais e que, sem as quais, morreremos”. Os mapuche dizem ainda que a Endesa-Enel “deve compreender que os seres humanos não são donos da natureza, mas sim parte dela, e que o dinheiro e o lucro não podem ficar acima dos direitos coletivos dos povos”.

Os trabalhadores da terceira corporação de cobre privada que explora o mineral no país, Doña Inés de Collahuasi, estão em greve desde o dia 5 de novembro. A 4.500 metros de altura na região norte, o presidente do sindicato, Manuel Muñoz informou que a companhia, em 2010, terá investimentos de 3 bilhões de dólares, enquanto os trabalhadores estão exigindo 50 milhões de dólares em três anos, somando todas as suas demandas.

Em outro setor, os trabalhadores da construção civil que edificam o Hospital de Puerto Montt, no sul do Chile, cujas empresas selecionadas para a obra são Besalco, Moller y Pérez Cotapos, associadas no Consórcio Hospital de Puerto Montt, mobilizaram-se contra as más condições de segurança e higiene no interior de uma obra estatal. Os operários agrupados na Federação de Trabalhadores da Construção (Fetracoma), foram desalojados da obra com extrema violência por Forças Especiais de Carabineiros, com a anuência do governador da zona, Francisco Muñoz, da secretária regional do Ministério da Saúde, Mônica Winkler, e da secretária do Trabalho, Andrea Rosmanich, que conheciam perfeitamente as péssimas condições de trabalho na construção. 23 trabalhadores e dirigentes sindicais foram detidos pela polícia.

Segundo a Pesquisa de Caracterização Socio-Econômica 2009 (Casen), realizada pelo Ministério do Planejamento a cada 3 anos, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. De acordo com os dados oficiais, em 2006 a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. Por regiões, a pesquisa aponta como líderes do ranking da miséria a região de La Araucanía, com 27,1%, a de Bio Bío, com 21%, a de Maule, com 20,8%, a de Los Ríos, com 20,4%, Atacama, com 17,4% e Coquimbo com 16,6%. As mulheres são mais pobres do que os homens (15,7% x 14,5%); e a população originária (indígena) mais pobre que a mestiça (19,9% x 14,8%).

Agora vem o importante. O corte ou linha de pobreza fixado pelo Estado é de 64 mil pesos por mês (128 dólares) para os que vivem nas cidades e de 43 mil pesos mensais (86 dólares) para os que vivem em zonas rurais. Ou seja, se no momento da realização da pesquisa a pessoa obtém um peso a mais que os mínimos assinalados, para efeitos estatísticos já não é mais considerada pobre. E a linha de pobreza é fabricada mediante uma misteriosa cesta “básica de alimentos por pessoa cujo conteúdo calórico e proteico permita satisfazer um nível mínimo de exigências nutricionais”. Isto é, um conjunto de produtos alimentícios – cuja qualidade e origem não interessa – que um ser humano precisa para não desfalecer de inanição.

E mais. Com uma suposição fundada no cinismo mais abjeto, o informe da Casen indica que “se assume que os lares que conseguem cobrir adequadamente suas necessidades de alimentação satisfazem, ao mesmo tempo, os padrões mínimos das outras necessidades básicas”. Por que se supõe que alguém que mal tem recursos para comer conta com recursos para ter acesso aos serviços básicos (moradia, eletricidade, água, gás telefone), à saúde, à educação, à seguridade social, à recreação, a um emprego estável e a um larguíssimo etcétera?

Que ciência apóia essa hipótese?

O Estado fixa a linha de pobreza em 64 mil pesos, em um Chile onde duas viagens no transporte público custam mil pesos, um quilo de pão outros mil pesos, uma mensalidade universitária mais de 200 mil pesos em média e o aluguel de uma habitação ou quarto com banho compartilhado custa entre 60 e 80 mil pesos/mês. Quantos chilenos ganham com seu trabalho – considerando um desemprego estrutural que não sai de 8 a 10% - menos de 350 mil pesos (700 dólares). Cerca de 70 ou 80% da população?

Resulta óbvio que a pobreza ou o empobrecimento da população do país é muito maior que 15,1%, e que esse número não é mais que um indicador colocado na vitrine para as agências avaliadoras de risco multinacionais que orientam o grande capital investidor para benefício de uma minoria rentista e grande proprietária.

Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: “Se pago a passagem, não como”. Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17183 )

FORÇAS DINAMIZADORAS NA AMÉRICA LATINA E NO CARIBE

por Bruno Peron Loureiro

O Sistema Econômico Latino-Americano (SELA) apresentou um Informe sobre as indústrias
culturais e criativas na América Latina e no Caribe durante a 36ª Reunião Ordinária
de seu Conselho Latino-Americano em 27, 28 e 29 de outubro de 2010 em Caracas,
Venezuela.

O Informe contém a sugestão de atribuir às indústrias culturais e criativas da região um
tratamento formal de pertencimento ao setor econômico. Há muito os
mercado-maníacos tentam abocanhar a criatividade, o imaginário e o pensamento de
latino-americanos e caribenhos a fim de transformá-los em fórmulas lucrativas e
vinculadas a marcas.

Este documento informativo e propositivo, que resulta do esforço de intelectuais de vários
países integrantes do organismo internacional sediado na Venezuela, mencionou
complementarmente a preponderância do conhecimento, a criatividade e a
informação como "forças dinamizadoras" do crescimento econômico da região.

A reunião do SELA coincide com o diagnóstico de entrelaçamento de redes culturais através de
meios de comunicação sem que o indivíduo tenha que sair de casa. A "cultura"
vai até você pelo celular, o computador e a televisão.

Emergem assim novas formas de relacionamento entre cultura e as tecnologias de comunicação e informação, embora as tarifas de celular no Brasil continuem as mais caras no
mundo e a internet seja de péssima qualidade, cara, lenta, com interrupções
frequentes do serviço e atendimento frustrante aos clientes das empresas
monopólicas.

O mais divertido desta história é o afã do jornalista William Bonner, um dia depois da vitória
de Dilma Rousseff, de questionar numa entrevista pela emissora de televisão
Globo a presidente eleita sobre o compromisso com a liberdade de expressão da
imprensa.

Que medo têm do tal de "controle social" da imprensa!

Na época da ditadura militar, a Globo chupava o picolé de cada verdugo militar travestido
de presidente da República. Estes, antes de morrer, devem ter reconhecido quanto
foram desprezíveis.

O Informe do SELA reiterou que as indústrias culturais promovem as culturas locais e a
imagem de uma região ou país no mundo, o contato com outras culturas por meio
da globalização e a renovação das tradições culturais por este processo. Estes
são os prós.

Este gênero de indústrias, porém, tem os contras: a América Latina e o Caribe devem lutar para não perder os referentes territoriais de suas culturas, que se difundem nos
meios eletrônicos e se reproduzem como exóticos e homogêneos.

Portanto, é fundamental o equilíbrio entre o setor cultural (tão amplo e diverso), as
escalas de governo (e suas políticas públicas municipais, estaduais e
federais), e as empresas que tomam a cultura como fonte de lucro e renda
(sobretudo com leis de renúncia fiscal).

O setor das indústrias culturais e criativas, segundo o Informe do SELA, colabora com uma
média de 7% ao Produto Interno Bruto mundial, mas a percentagem oscila entre 1
e 7% na América Latina e no Caribe. De acordo com os últimos dados disponíveis,
o menor investimento no setor é o paraguaio, enquanto a Venezuela conta com o
maior.

Um grande desafio nesta região de proporções continentais é aproximar o potencial ao
efetivo, visto que seus recursos culturais podem situá-la em melhores níveis de
desenvolvimento humano e de qualidade de vida.

Por isso as redes extensas do mercado têm força para promover o setor cultural a despeito
de qualquer mácula inerente aos seus princípios. As indústrias articulam um
número grande de profissionais que, poucas vezes, preocupam-se com se o que
fazem é cultural ou não.

O Informe do SELA sobre as indústrias culturais e criativas na América Latina e no Caribe,
desse modo, desdobrou aspectos de uma nova maneira de se fazer negócios
tomando-se até o intangível como objeto de renda.

As tais "forças dinamizadoras" poderão ser úteis se servirem a nós, latino-americanos e
caribenhos, enquanto deixarmos de deslumbrar diante daquilo que aceitamos como
única "cultura" possível.

Caso contrário, seria mais um pretexto para exaurir a nossa seiva a troco de mais miséria.

Bruno Peron Loureiro é mestre em Estudos Latino-Americanos pela UNAM.

http://www.brunoperon.com.br

Em meio à crise financeira mundial, Cuba aumenta seu PIB

Frente ao vendaval que abalou o mundo capitalista em 2009, com sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, a economia cubana foi quase uma exceção na América Latina e no Caribe. O produto interno bruto per capita aumentou 1%, enquanto a média para a América Latina diminuiu 2,9% e, no Caribe, a contração foi de 2,7%, segundo a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

Atualmente, a maior ilha das Antilhas não esconde a satisfação de manter vivos os princípios de sua revolução e de abordar com eles os novos desafios políticos, sociais e econômicos desse início do século XXI.

O desenvolvimento da medicina permitiu-lhe converter a venda desses serviços em sua principal fonte de divisas. Mas o turismo, que atualmente contribui com cerca de US$ 2 bilhões por ano, avança decididamente para se tornar o principal motor do crescimento.

Ainda de acordo com a Cepal, Cuba é o país da região com a maior proporção de mulheres em seu Parlamento, 43%; é a sociedade com a menor taxa de analfabetismo, de 2,1%; tem a menor taxa de mortalidade entre crianças menores de cinco anos, seis por cada mil nascidos vivos; tem em média um médico para cada 150 habitantes — o país que se segue é o Uruguai, com um para 235; registra uma taxa de desemprego praticamente inexistente e os seus habitantes têm uma expectativa de vida que aumentou de 59,5 anos, em 1955, para 78,6 anos, hoje.

Embargo

Em 19 de outubro de 1960, quando o Departamento de Estado dos EUA ordenou o embargo comercial e econômico para afogar a ilha, sua revolução e suas aspirações libertárias, a economia cubana dependia em 80% da norte-americana. Desde então, até hoje, cada um dos mais de 19 mil dias transcorridos foi um triunfo para Cuba e seus habitantes. Em quase 52 anos já passaram 11 presidentes republicanos e democratas pela Casa Branca nos Estados Unidos, sem que nenhum tenha se atrevido a levantar o embargo, apesar de seu óbvio fracasso.

Mas talvez a situação mais crítica para a revolução cubana não tenha sido provocada pelos EUA. Veio do colapso da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e seus aliados do Leste Europeu, a principal fonte de apoio energético e de intercâmbio comercial de Cuba. A União Soviética deixou de existir oficialmente em 21 de dezembro de 1991 e, com isso, o fornecimento de petróleo e gás para a ilha caiu a níveis mínimos.

Período especial

Em 1993, o consumo de energia em Cuba foi 48% inferior ao de 1990 e representava a metade do valor registrado em 1985. Por sua vez, a economia da ilha caiu 32,3% entre 1990 e 1993. Neste contexto, deu início a um drástico programa de austeridade econômica e arrocho de energia de que toda a população participou.

Sem o apoio do antigo bloco socialista, a revolução cubana se viu novamente ameaçada. Em um esforço extraordinário, o chamado período especial durou mais de uma década, em que não faltaram agressões cometidas por grupos terroristas sediados em Miami, na Florida. Até que, em 2004, a economia da ilha alcançou a mesma dimensão que tinha em 1990.

Atualmente, a magnitude da produção de bens e serviços da economia cubana é 38,5% maior que a alcançada há seis anos. Seguramente por isso, um muro no setor Miramar de Havana proclama hoje: "Quando o impossível se torna possível, isso é a revolução".

Com informações do diário “La Jornada”

As conspirações da CIA e a mídia

"A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países".
Willian Colby, ex-diretor-geral da agência de inteligência dos EUA.

Presidente Salvador Allende, Chile,
11 de Setembro de 1973
A sinistra CIA, a agência de espionagem e sabotagem dos EUA, acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de "jóias da família", apelido que designa algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo ianque. São 11 mil páginas que revelam as ações terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70. Os documentos comprovam que esta central de "inteligência" sempre teve um papel ativo na América Latina. A desclassificação periódica destes relatórios é uma exigência legal e não significa que a CIA tenha abandonado os seus métodos espúrios de interferência em nações soberanas.
No caso do Brasil, tratado na época como "maior alvo do comunismo" na região, a CIA ajudou a orquestrar o golpe militar de 1964. Um dos documentos afirma que o presidente João Goulart é "um oportunista que ascendeu ao governo com o apoio da esquerda", taxa Leonel Brizola de "líder demagogo anti-americano" e acusa o governador Miguel Arraes de ser "um pró-comunista". O texto tenta criar um clima de pânico na burguesia ao falar da "crescente influência" do Partido Comunista. Outro documento, intitulado "A igreja engajada e a mudança na América Latina", critica seu setor progressista e ataca dom Hélder Câmara, cujo "forte é fazer publicidade e exigir reformas, sem oferecer soluções práticas aos problemas que ele cria".
Máfia e assassinato de Fidel Castro
Na época, no auge da chamada "guerra fria", a maior preocupação dos EUA e de sua agência era com o aumento da influência da revolução cubana. Os documentos confirmam que a CIA se aliou à máfia para tentar envenenar o líder Fidel Castro. Um deles dá detalhes da contratação do ex-agente Robert Maheu para realizar "uma ação do tipo de gângsteres", que envolveu vários chefes mafiosos, como Salvatore "Momo" Giancana, o sucessor de Al Capone. A CIA disponibilizou US$ 150 mil e forneceu seis pílulas "de alto poder letal" para assassinar o dirigente cubano. Allen Dulles, o chefão da agência, coordenou a operação terrorista pessoalmente, mas ela foi desativada devido a um grotesco incidente passional de Giancana.
Há também relatos sobre os planos da CIA para desestabilizar o governo chileno e assassinar o presidente Salvador Allende, inclusive com o uso de "empresas de fachada" para transportar armas. Outros relatórios descrevem várias operações ilegais de espionagem e sabotagem no continente, visando derrubar governos nacionalistas e destruir movimentos contrários ao dominio imperial. "Os EUA não podiam permitir uma outra Cuba no continente. Foi por isso que Kennedy, cuja diretriz da política para a América Latina era apoiar governos reformistas, apoiou ditadores", explica Mary Junqueira, professora de história da USP.
Tarjas pretas e graves omissões
Os documentos agora desclassificados revelam apenas uma pequena parte dos crimes orquestrados por esta agência. Muitos textos ainda aparecem com longas tarjas pretas; nomes e detalhes das operações ilegais são omitidos. Não há menção, por exemplo, ao famoso "manual de torturas" da CIA, com seu "método médico, químico ou elétrico", que serviu de orientação para vários ditadores no mundo. O assassinato de mais de um milhão de patriotas no golpe de 1965 na Indonésia também é excluído, assim como a brutal intervenção que derrubou o primeiro-ministro nacionalista do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953. Como afirma o jornal Hora do Povo, "a lista seletiva de crimes da CIA é uma operação de acobertamento"; visa limpar a imagem desta agência terrorista e de seus agentes e serviçais que continuam na ativa, inclusive na América Latina.
"O que estaria levando a famiglia Bush a divulgar estes documentos? Seria, como disse o general Michael Hayden, 'porque os documentos verdadeiramente nos permitem vislumbrar uma era muito diferente e uma agência muito diferente' e que a CIA agora tem 'um lugar muito mais forte no nosso sistema democrático dentro do poderoso referencial legal'? Ele estaria se referindo a Abu Ghraib e Guantanamo? Ou às prisões secretas no mundo inteiro, seqüestros e vôos de tortura? Ao 'Programa Talon', dirigido contra organizações anti-guerra? Ou ao grampo da internet, do correio, do telefone e até dos cartões de consulta às bibliotecas dentro dos EUA? Às "novas técnicas" de preparação para a tortura, ministradas pelo general Miller? Aos atentados e esquadrões da morte da CIA no Iraque?", questiona, com justa ironia, o jornal Hora do Povo.
Relações íntimas com a mídia
Entre as graves omissões chama a atenção o fato destes documentos não se referirem às guerras ideológicas orquestradas pela CIA através do uso enrustido dos meios privados de comunicação. Como a mídia está na berlinda na atualidade, em especial na América Latina, é compreensível que o governo Bush a mantenha sob forte proteção. Neste sentido, os documentos desclassificados agora ficam muito aquém dos relatórios produzidos em 1976 por uma comissão de investigação do Congresso dos EUA, presidida pelo senador Frank Church. No caso do sangrento golpe militar do Chile, a comissão constatou que o jornal El Mercurio recebeu milhões de dólares para desestabilizar e derrubar o governo constitucional de Salvador Allende.
"A intromissão da CIA neste periódico chegou ao extremo de infiltrar seus agentes até na diagramação. O informe Church denunciou que este organismo de espionagem contratou jornalistas, editou publicações de circulação nacional e elaborou matérias para diários, semanários e radiodifusoras, além de exportar estes 'conteúdos' para outros veículos latino-americanos e europeus", lembra o escritor chileno Hernán Uribe. Já no Brasil, há suspeitas de que a CIA financiou vários jornais e jornalistas na "cruzada contra o comunismo" durante o governo de João Goulart e que, inclusive, esteve por detrás do nebuloso acordo entre a empresa estadunidense Time-Life e a recém-criada TV Globo, na véspera do golpe militar de 1964.
Espiões e seções especiais
Se estas barbaridades ocorreram no passado, é evidente que elas não foram descartadas no presente - ainda mais quando o ocupante da Casa Branca é o terrorista e torturador confesso, George W. Bush, e a América Latina vive um processo inédito de ebulição, com a vitória de vários governos progressistas. O jogo sujo da CIA, que só poderá ser conhecido oficialmente com as novas desclassificações daqui a décadas, prossegue. Os EUA temem as mudanças no tabuleiro político na região, não confiam em seus novos governantes - nem mesmo nos mais pragmáticos e conciliadores -, não toleram o avanço dos movimentos sociais e estão bem cientes dos riscos do atual processo de integração latino-americana. A CIA continua na ativa.
Numa recente passeata da direita venezuelana contra o fim da concessão da RCTV, algumas fotos flagraram a presença do agente da CIA Bowen Rosten, de camiseta azul e óculos escuros, na sua linha de frente. Há até um vídeo no Youtube com a cena grotesca. O ex-vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, no seu programa televisivo La Hojilla, comentou: "Um dos chefes da CIA na região é mister Bowen Rosten. Estadunidense, ele fala inglês, espanhol, português e francês. Está destacado para atuar na Colômbia, opera na Nicarágua, Argentina, Bolívia, Equador e Brasil e dirige a Operação Orión [de espionagem] em nosso país... O que o governo Bush tem a dizer da ingerência na política interna deste alto funcionário da CIA?".
No final do ano passado, o presidente-terrorista Bush inclusive nomeou um diretor especial de inteligência para Cuba e Venezuela. Como denunciou o jornal cubano Juventude Rebelde, com a criação deste novo departamento "os EUA tentarão por todos os meios aumentar a presença de seus espiões nos dois países". O agente Jack Patrick Maher, com 32 anos de experiência nos serviços de espionagem, informou ao congresso dos EUA que a sua missão é "assegurar a implementação de estratégicas", com vistas à "transição" após a morte de Fidel Castro e às novas eleições na Venezuela. A criação desta seção especial da CIA coloca os dois países no mesmo nível da Coréia do Norte e Irã, nações incluídas no funesto "eixo do mal" de Bush.
Jornalistas pagos por Washington
A mesma ingerência ilegal e criminosa também prossegue na mídia da região. A advogada estadunidense Eva Golinger denunciou recentemente que a Casa Branca financia veículos e jornalistas venezuelanos. O plano da Divisão de Assuntos Educativos e Culturais visa influir na linha editorial destes órgãos. A grave denúncia se baseou em documentação oficial do governo ianque. "Lamentavelmente, existem jornalistas na Venezuela manipulados pelo Departamento de Estado dos EUA", garante a renomada advogada. A VTV, o canal estatal de Caracas, inclusive divulgou os nomes dos "repórteres" que recebem dólares de Washington: Aymara Lorenzo, Pedro Flores, Ana Villalba, Maria Flores, Miguel Angel e Roger Santodomingo.
O último deles, Roger Santodomingo, foi acusado, em maio passado, pela Justiça da Venezuela de "instigar o magnicídio [assassinato de autoridades] e receber financiamento dos EUA para desestabilizar o governo". O jornalista divulgou na televisão falsa pesquisa em que 30% da população opinava que "matar Chávez é a única solução". Com a decisão soberana do governo de não renovar a concessão da emissora RCTV, que participou ativamente do golpe frustrado de abril de 2002, a ação destes e outros "jornalistas" teleguiados pela CIA se tornou ainda mais agressiva, convocando protestos e atacando o presidente.
Larry Rohter, agente da CIA?
Mesmo no Brasil, aonde inexiste o clima de radicalização política do país vizinho, há sérias desconfianças sobre a atuação da mídia hegemônica e de alguns colunistas e ancoras da televisão. Quando da reportagem do correspondente ianque Larry Rohter, que acusou o presidente Lula de ser alcoólatra e foi ameaçado de expulsão do país, o portal Resistir publicou um artigo de Célia Ladeira com graves denúncias contra o dito cujo. No texto, a professora de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) dá algumas informações reveladoras. "Conheci Larry Rohter há muitos anos e convivo com pessoas que o conhecem muito bem. Portanto, não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo".
Entre outras acusações, ela afirma que "Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pago, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda a América Latina, sempre com um caderninho de missões debaixo do braço". Informa que são comuns as suas visitas ao Departamento de Estado dos EUA. "Média de uma visita a cada ano, sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos". Lembra ainda que o "jornalista" presta inúmeros serviços ao governo Bush, sempre desancando políticos e lideranças contrárias ao império, como numa reportagem em que ridicularizou a prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchu, da Guatemala, e nos inúmeros artigos contrários ao presidente da Venezuela. Outra diversão dele é escrever textos pregando abertamente a internacionalização da Amazônia.

Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "Venezuela: originalidade e ousadia" (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição).

Fonte: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=610

Não à extradição, não à criminalização!

ANNCOL

Publicamos denúncia e alerta do comitê executivo do Movimento Continental Bolivariano. Os tentáculos dos gorilas colombianos devem ser amputados com a denúncia e o protesto em massa no mundo inteiro.

Leiamos:

Com surpresa recebemos a notícia da detenção no Chile do desenhista gráfico Manuel Olate Céspedes, militante do Partidão Comunista do Chile, membro do Movimento Continental Bolivariano e representante do Movimento de solidariedade pela paz na Colômbia, o qual foi detido no seu domicílio em Santiago pela sua suposta vinculação com a guerrilha colombiana FARC-EP, depois da ordem da Ministra da Corte Suprema Margarita Herreros, que acolheu uma solicitação de detenção enviada pela justiça Colombiana.

Conforme a notícia se espalha nossa perplexidade aumenta, já que desde as declarações dos diferentes atores, são ventiladas cada vez com mais vivacidade as notáveis contradições no processo de detenção e inculpação de Manuel. Por um lado, nas primeiras horas, foi dito que Olate foi detido em função de uma solicitação de extradição do governo colombiano. Mais adiante, o presidente da Colômbia enquanto manifestava seu júbilo pela detenção do chileno, declarou que nos próximos dois meses se formalizará o pedido de extradição.
Depois das declarações de Santos as informações mudaram, em função de assinalar que Olate foi detido após uma ordem de detenção emitida pelo Ministério Público Colombiano. É necessário esclarecer que Manuel Olate se encontrava fora do Chile até o dia 13 de Outubro e que até esse momento não pesava nenhuma ordem contra o mesmo, de maneira que não foi detido ao retornar ao país. Deduz-se assim que, apesar de não ser acusado de delito algum, o Governo Chileno informou de sua entrada no Chile, e em seguida a Colômbia solicitou sua detenção.
Por outro lado, as notícias no Chile não são menos confusas; de um lado, informam que um funcionário judicial foi notificar Olate de sua detenção e pedido de extradição por parte da justiça colombiana, apesar de a Colômbia ainda não ter solicitado tal extradição, isto segundo o que foi dito pelo próprio Juan Manuel Santos. Destacamos que, ainda assim, na terça-feira a juíza analisará a situação judicial de Manuel e que ainda hoje pedirá provas à justiça colombiana que assegurem sua detenção e possível extradição.
Diante disto, cabe perguntar: Com base em que Manuel Olate foi privado de sua liberdade? Diante de tal confusão não é difícil inferir que depois da detenção do chileno, percebe-se uma atitude colaboracionista do governo chileno, o qual se presta à internacionalização do conflito colombiano para o resto da América, organizando assim a perseguição de todos aqueles que se levantam contra a posição guerrista do governo, e a ferrenha determinação de extermínio físico e político de todos aqueles que defendem a idéia de uma saída política ao conflito, como fica demonstrado no assassinato de mais de 20 ativistas de direitos humanos na Colômbia nos poucos 75 primeiros dias do governo de Santos, nas arbitrárias acusações feitas contra a Senadora Piedad Córdoba, uma das principais impulsionadoras dos acordos para a Paz e que hoje se encontra inabilitada e judicialmente perseguida, e na saída do país do cabo Mocayo, ex-prisioneiro de guerra das FARC, libertado unilateralmente durante este ano, que teve de abandonar a Colômbia depois das constantes ameaças de morte e amedrontamentos pelo seu compromisso com a causa da Paz e contra a política de enfrentamento armado como saída à guerra que castigou por mais de 50 anos a Colômbia.

No Chile, é de conhecimento público o compromisso do Partido Comunista com uma saída política e pacífica ao conflito colombiano, e assim se tem manifestado em numerosas ocasiões apoiando as iniciativas que aprofundem esta busca de Paz , entendendo que esta passa pela manifestação de vontades políticas reais, tendentes a restituir as garantias políticas e sociais de todos os colombianos, assegurando a inviolabilidade de seus direitos fundamentais, o respeito às posições divergentes e o retrocesso das políticas de criminalização do movimento popular e de direitos humanos, as quais sob o pretexto da luta contra o terrorismo, se transformaram em uma política de estado, que tem sua forma mais perversa nos chamados “Falsos positivos”.

O compromisso político de Manuel Olate se encaixa na prática solidária, prática que o levou a visitar em 2008 o acampamento do extinto comandante das FARC-EP Raúl Reyes, por conta da realização de uma entrevista, a qual foi publicada posteriormente no Semanário “El Siglo”. Essa entrevista foi realizada apenas alguns dias antes do bombardeio em território equatoriano do acampamento de Reyes, onde o exército colombiano teria encontrado provas fotográficas que dariam conta da presença recente de Olate no lugar; presença que de fato seria posteriormente divulgada, dada a iminente publicação da entrevista ao comandante das FARC, em um meio de comunicação chileno de cobertura nacional.

É necessário assinalar que dias antes de sua detenção, Manuel, juntamente com seu advogado se encontrava pronto para apresentar ações judiciais para esclarecer sua situação legal no Chile, já que, desde os acontecimentos de Sucumbios foi, de forma sistemática e reiteradamente, condenado pela imprensa, sem que existisse até esse momento nada contra ele, confiando na solidez de sua inocência, já que não é responsável por nenhuma das acusações que arbitrariamente e sem sustento legal lhe são atribuídas. Quanto às acusações feitas pela justiça colombiana, estas se baseiam na suposta aparição de um pseudônimo, atribuído a Olate, nos e-mails do computador de Raúl Reyes (está comprovado e reconhecido que são documentos no formato Word, portanto não se trata de provas jurídicas) e que isto, segundo eles, teria um caráter incriminátorio. O fato de não se tratar de e-mails não é um detalhe, já que isto desabilita estes arquivos como documentos probatórios. É preciso destacar que a isto se soma o fato de que o oficial colombiano a cargo dos supostos computadores de Reyes, declarou sob juramento que não existiam tais correios propriamente ditos, além de que não tinha sido cumprida a corrente de custódia dos computadores e que, portanto, não havia forma de provar que estes não tinham sido manipulados.

Diante da detenção de Manuel Olate, o Movimento Continental Bolivariano expressa sua solidariedade e preocupação pela detenção arbitrária de um de nossos responsáveis no Chile, que é a nova vítima da perseguição e criminalização da solidariedade internacionalista.

Solicitamos às autoridades no Chile que deixem Manuel em liberdade e que não o extraditem, já que não existem garantias jurídicas que possam dar lugar a um julgamento justo e conforme o devido processo na Colômbia, tendo em vista tratar-se de uma acusação sem sustento jurídico que não justifica sua detenção e sua possível extradição.

Fazemos um chamado às organizações e dirigentes políticos e sociais nacionais e internacionais para que se mobilizem pela libertação de Manuel Olate, rejeitando desde já a idéia de sua possível extradição, já que, como se assinalou em reiteradas ocasiões na Colômbia, não existem as condições mínimas para um processo justo que garanta o respeito a seus direitos fundamentais como dão conta os mais de 7.500 presos políticos desse país.

Declaramo-nos em estado de alerta e mobilização permanente.

LIBERDADE A TODOS OS PRESOS POLITICOS DO CONTINENTE!

LIBERDADE PARA MANUEL OLATE!

Caracas, 30 de Outubro de 2010

Direção Executiva

Movimento Continental Bolivariano

Tradução: Valeria Lima

Nações Unidas e OEA confirmam redução da pobreza na Venezuela

O desemprego nas áreas urbanas da Venezuela caiu de 11,7% para 6,8%, segundo o informe "Nossa Democracia". A Venezuela é um dos países que têm melhores indicadores na América Latina em redução da indigência e do desemprego, indicou a OEA, ONU e outros organismos internacionais. O estudo, publicado neste mês de outubro, abrange os anos 1999-2008.

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Venezuela encabeça a lista de países da América Latina que mais reduziu a pobreza, segundo o informe "Nossa Democracia", elaborado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O estudo foi publicado neste mês de outubro, e envolveu órgãos como a OEA, ONU, Instituto Federal Eleitoral (IFE) do México, Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional e o Ministério de Assuntos Exteriores e de Cooperação do Governo da Espanha.

O quadro de indicadores de pobreza, indigência e desigualdade econômica na América Latina (1999-2008) observou que a Venezuela diminuiu de 49,4 % para 27,6 % o nível de miséria.

Este resultado demonstra que o país conta com um dos indicadores mais favoráveis da região (33 %). A Venezuela é superada pelo Chile (13 %), Uruguai (14 %), Costa Rica (16,4 %), Argentina (21,8 %) e Brasil (25,8 %).

Quanto à situação de indigência, o relatório destaca que em 1999 viviam na rua 21,7 % dos venezuelanos, este número caiu em 2008 e situou-se em 9,9 %.

Neste mesmo item, outros países têm indicadores inferiores aos da região (12,9 %); apenas superados pelo Chile (3,2 %), Uruguai (3,5 %), Costa Rica (5,5 %), Argentina (7,2 %) e Brasil (7,3 %).

"Entende-se como pobreza a renda insuficiente para alimentos e outras necessidades básicas, para cobrir a cesta básica de um indivíduo ou uma família", apontou o balanço.

Do mesmo modo, acrescentou que "entende-se como indigência a renda insuficiente para uma cesta básica de alimentos, para uma pessoa ou uma família."

Por outro lado, em relação ao índice de Gini, a Venezuela é colocada em primeiro lugar na América Latina, com uma redução de 17,9 %, cinco vezes a taxa da região, que se situa em 3,9 %.

O índice de Gini calcula o nível de desigualdade de renda. Portanto, um número mais alto estabelece um maior grau de desigualdade. A Venezuela caiu de 0,498 em 1999 para 0,412 em 2008, o que significa uma melhoria.

"Os dados sobre a relação entre a renda média das famílias ricas e pobres se referem à relação entre o rendimento médio per capita de 10 % de famílias mais ricas e 40 % das famílias mais pobres. Um número mais alto indica que a concentração de renda entre os ricos é maior", indicou a publicação da Nossa Democracia.

A Venezuela baixou de 15,0% para 8,4% a média de famílias pobres. Isso indica que a diferença de renda entre os 10 % das famílias mais ricas e os 40 % mais pobres diminuiu 15 para 8,4 em 2008, ou seja, reduziu-se a concentração de renda nas mãos dos ricos.

Também mostrou que o desemprego nas áreas urbanas venezuelanas passou de 11,7 % (no ano 2000) para 6,8 % (em 2008).

Os organismos internacionais também especificaram que a desnutrição infantil, calculada em menores de cinco anos de idade, encontra-se em 12 % no país sul-americano. Este número é inferior a países como Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

Na segunda-feira, durante a apresentação do relatório do giro internacional, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que os números apresentados "devem incentivar-nos."

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/80546-NN/naciones-unida... )

Traduzido por Gustavo Marun

Uruguai: Deputados anulam lei que anistiava militares

Deputados anulam lei que anistiava militares

A revogação da Lei de Caducidade recebeu voto favorável de 50 de 80 parlamentares; decisão, porém, ainda depende do Senado

Jorge Américo
Radioagência NP

Os militares que cometeram violações de direitos humanos durante a ditadura, que durou de 1973 a 1985 no Uruguai, poderão ser julgados e responsabilizados. Na quarta-feira (20) a Câmara dos Deputados do país revogou a Lei de Caducidade, que anistiava os militares. Para ter validade, a decisão deve ter a aprovação do Senado.

A revogação da Lei de Caducidade recebeu voto favorável de 50 dos 80 parlamentares presentes na sessão. Eles entenderam que a proteção aos militares não corresponde às normas dos tratados internacionais assinados pelo Uruguai. A maioria dos deputados atenderam a uma orientação do bloco de esquerda Frente Ampla.

A lei foi aprovada em 1986 e concedeu anistia também aos presos políticos que atuavam em organizações de esquerda. Entre eles, o atual presidente da República, José Mujica, que atuou no Movimento de Libertação Nacional (MLN), conhecido como Tupamaro. O movimento liderou a resistência armada à ditadura militar no Uruguai.

O governo terá dificuldades em aprovar a anulação da lei no Senado, pois dois senadores da Frente Ampla se manifestaram contrários à proposta. A lei foi confirmada pela população em dois pebliscitos, ocorridos em 1989 e 2009.

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/node/4491 )

Jovens haitianos chegam ao Brasil para intercâmbio de um ano

No último dia 27 de Setembro de 2010, 76 jovens haitianos desembarcaram no aeroporto de Guarulhos, São Paulo. De origem camponesa, provenientes de todos os dez departamentos que compõem o Haiti, sua chegada em solo brasileiro é mais um marco na trajetória bicentenária de solidariedade entre o povo haitiano e a comunidade latino-americana.

No início do século XVIII, vitoriosa a revolução dos escravos negros liderados por Jean Jacques Dessalines, o termo ‘haitianismo’ se espalhou por todo o continente, significando liberdade para os escravos e temor para os senhores de engenho. Qualquer menção ao Haiti fazia com que estes tremessem diante da possibilidade de massificação da luta negra antiescravista. Essa síndrome do medo oriunda do ‘Perigo de São Domingos’ tinha razão de existir, já que o Haiti jogou um papel estratégico no processo de independência da América Latina, não só por seu exemplo, mas também pelo apoio dado a Simon Bolívar e Francisco Miranda no início das lutas libertárias na América continental. Em 1806 e 1816, Miranda e Bolívar visitaram a ilha caribenha em busca de apóio financeiro e militar para a guerra de independência contra a metrópole espanhola, no que foram prontamente atendidos. Além de armamentos e provimentos, um Batalhão de cerca de 300 soldados haitianos seguiu com Bolívar para lutar na guerra contra o exército espanhol.

Duzentos anos depois, outro batalhão saiu do Haiti. A conjuntura, infelizmente, é outra. Os 76 jovens que aportaram no Brasil não trazem armas nem suprimentos de guerra consigo e seu país, outrora a colônia mais próspera do continente, é hoje o país mais pobre das Américas. A ousadia e exemplo de sua revolução foram punidos pelas elites ocidentais com embargos econômicos, pagamento compulsório da dívida da independência, sucessivas ocupações militares estrangeiras e a ingerência constante das potências norte-americanas e européias. O resultado é que, atualmente, 56% da população se encontra abaixo da linha da pobreza absoluta. Situação que só se agravou após o terremoto de 12 de Janeiro de 2010. Os trinta e cinco segundo de tremor de terra deixaram mais de 300 mil mortos e 1,2 milhões de desabrigados, além de uma perda em termos materiais e de infra-estrutura equivalente a 120% do valor do PIB haitiano.

Mas se a conjuntura é outra, o princípio ainda é o mesmo: a solidariedade entre os povos. A vinda dos jovens ao Brasil é fruto de um projeto de cooperação entre a Via Campesina brasileiro e os movimentos camponeses haitianos. Com uma Brigada Internacionalista presente no Haiti desde janeiro de 2009 – e que conta hoje com 28 integrantes – a Via Campesina Brasil vêm construindo um processo de integração e intercâmbio entre os camponeses dos dois países com o objetivo de fortalecer o os movimentos sociais locais através de apoio técnico e político capaz de ajudar na construção de melhores condições de vida e trabalho para o campo haitiano como um todo.

É nessa perspectiva que desde o último dia 27 de Setembro a Via Campesina Brasil acolhe 76 jovens haitianos, todos integrantes de movimentos camponeses, sendo 54 homens e 22 mulheres, para um processo de intercâmbio com duração de um ano. E a previsão é que até o final de 2010, esse número chegue a 120 jovens.
Durante o primeiro mês de Brasil, os haitianos estarão na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) do MST em Guararema/SP. Lá aprenderão noções básicas de português, geografia, história e economia brasileira e latino-americana. Passado esse período de adaptação, serão distribuídos pelas diversas regiões do país, onde terão contato com cooperativas rurais, assentamentos agrícolas, bancos de sementes, viveiros de muda, centros de produção agroecológica, técnicas de captação e armazenamento de água, dentre outras experiências desenvolvidas pelos movimentos camponeses brasileiros. Com essa gama de conhecimentos e práticas apreendidos, retornarão ao Haiti para colaborar com o fortalecimento de suas organizações, com o desenvolvimento de suas comunidades e na transformação social de seu país.

Com este intercâmbio, a Via Campesina Brasil e os movimentos camponeses haitianos resgatam o exemplo de Dessalines, Pétion, Miranda e Bolívar, dando continuidade à trajetória de solidariedade entre os povos do Caribe e da América Latina, que não necessita de exércitos de ocupação e promessas de lucro para se efetivar.

Fonte: MST Rio ( http://renajorp.net/mstrio/jovens-haitianos-chegam-ao-brasil-para-interc... )

Maioria na Assembleia Geral condena embargo contra Cuba

Maioria na Assembleia Geral vota a favor, mas EUA conserva bloqueio

Natasha Pitts *

Nesta terça-feira, pelo 19º ano consecutivo, a Assembleia Geral formada por todos os países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu aos Estados Unidos que dê um fim ao embargo econômico promovido contra Cuba há 48 anos. Como aconteceu nos últimos anos, uma maioria esmagadora votou a favor do fim do embargo, porém ainda assim, até o momento, a situação permanece como está.
A votação 2010 da resolução "Necessidade de colocar fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba" obteve 187 manifestações a favor do fim do bloqueio, dois votos contrários, o dos Estados Unidos e o de Israel; e três abstenções - Ilhas Marshall, Micronésia e Palau.

Apesar da pouca diferença, vale lembrar que a votação deste ano foi um pouco mais expressiva para Cuba do que no ano passado, quando a resolução registrou 187 votos a favor, três contra e duas abstenções e também com relação a 2008, quando a resolução recebeu 185 votos a favor.
A cada ano, se registram novas mudanças nos resultados. Quando a votação teve início, em novembro de 1992, a 47ª sessão ordinária da Assembleia Geral da ONU contabilizou 59 votos a favor, três contra e 71 abstenções.

Com o resultado obtido neste ano, foi novamente aprovada a resolução em favor de Cuba, que condena a permanência de normas estadunidenses fortalecedoras do bloqueio. A ONU também chamou os Estados a não aplicarem leis que reforçam o bloqueio econômico, comercial e financeiro à ilha caribenha, entre eles o que proíbe filiais estrangeiras de companhias estadunidenses de manterem relações comerciais com Cuba quando os valores da transação ultrapassar R$ 1,1 bilhão anuais.

Na oportunidade da Assembleia Geral, diversos representantes se manifestaram definindo a medida estadunidense como "obsoleta e unilateral" e reforçando a opinião de que o posicionamento dos EUA mostra o total desprezo do governo de Barack Obama às decisões desse órgão da ONU.

O chanceler cubano Bruno Rodríguez chamou atenção para as perdas acumulas por seu país no decorrer desses 48 anos, que somam cerca de 750 bilhões de dólares, e revelou também que mesmo no governo do presidente Barack Obama não foram constatadas mudanças significativas.

"É evidente que os Estados Unidos não têm intenção alguma de eliminar o bloqueio. Nem sequer se vislumbra a vontade de seu governo para desmontar os aspectos mais irracionais do que já é o conjunto de sanções e medidas econômicas coercitivas mais abarcador e prolongado que se haja aplicado, contra país algum", manifestou Rodríguez.

Apesar do clamor dos representantes de 187 nações e da disposição de Cuba para dialogar, é possível que a situação de Cuba permaneça como está até que os EUA decidam terminar, assim como começou, de forma unilateral, o bloqueio que já se arrasta por quase 50 anos.

Com informações da ONU, AFP e Prensa Latina

* Jornalista da Adital

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=51942 )

Entrevista: ALFABETIZAÇÃO: MÉTODO “YO, SÍ PUEDO”

Leonela Inés Relys Diaz *1
Ester Maria de Figueiredo Souza *2

Em fevereiro de 2008, tive um encontro com a professora
Leonela Inês Relys Díaz, no Instituto Pedagógico Latino Americano y
Caribeno (IPLAC), em Havana, Cuba. Com senso de oportunidade e
já conhecedora do método de alfabetização Yo, sí puedo (Sim, eu posso),
por meio de relatos de experiência de aplicação deste método em escolas
municipais rurais no município de Vitória da Conquista, nos espaços
escolares do Movimento dos Trabalhadores sem Terra e, ainda, a partir
de conversas e encontros com José Eugenio Moreira Iglesias, pedagogo
Cubano, despertei o interesse em aprofundar estudos sobre o método,
que já conhecia desde 2004. Naquela ocasião, com a receptividade e
delicadeza da professora Leonela, solicitei que respondesse a questões
que posteriormente seriam encaminhadas por e-mail, para publicação
neste periódico.

*1 Doutora em ciências da educação. Professora da Universidade de Havana e assessora acadêmica
do Instituto Pedagógico Latino Americano y Caribeño (IPLAC). Entrevistada.
*2 Doutora em Educação. Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

Entrevistadora.
Práxis Educacional Vitória da Conquista v. 5, n. 6 p. 81-88 jan./jun. 2009
82 Leonela Inés Relys Diaz e Ester Maria de Figueiredo Souza
Prontamente, a professora atendeu o nosso pedido. Esta entrevista
é inédita e, talvez, o primeiro publicado na Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia (UESB) sobre o método de Alfabetização “Sim, eu
posso”. Representa o início de um profícuo diálogo com essa pesquisadora
humanista, que não tem se furtado em ampliar e propagar o direito à
alfabetização em todo o mundo, em espacial, na América latina e Brasil.
Leonela Inés Relys Díaz, doutora em ciências da educação, é
professora cubana, da Universidade de Havana e assessora acadêmica do
Instituto Pedagógico Latino Americano y Caribeño (IPLAC). É criadora
do método de Alfabetização “Yo, si puedo” (Sim, eu posso) que recebeu
o prêmio de Alfabetização, do ano de 2006, pela Unesco, e faz questão
de enfatizar que a autoria é coletiva de “su equipo de trabajo.” Atualmente,
a professora continua a acompanhar a implementação do método e
em difundi-lo como tecnologia de alfabetização que articula o mundo
desconhecido (letra e números) com o mundo conhecido (experiência)
do ser humano, no processo de alfabetização. Segundo a professora
Leonela, o sucesso do método, nas suas fases de desenvolvimento, só
é possível, devido ao amor: “Sin amor nada es posible. Hay que dominar el
método, pero hay que atender la parte afectiva de los seres humanos que no saben
leer ni escribir. El ‘amor convierte en milagro el barro’”.
O sítio argentino, http://www.yosipuedo.com.ar/, considera o
“Yo, Sí puedo” como “um programa cubano destinado a poner fin al analfabetismo
em el mundo”.
Ester: Cuba é país livre do analfabetismo desde a década de 60. O que
motiva pesquisadora cubana a elaborar um método que objetiva erradicar
o analfabetismo, em curto prazo?
Leonela: Lo que nos ha motivado es el alto índice de analfabetismo en el
mundo. Las ansias de vivir en un mundo culto y alfabetizado. Los deseos
de contribuir con organismos y organizaciones, nacionales, regionales y
mundiales para eliminar de la faz de la Tierra ese mal tan dañino para
las personas iletradas y también para las letradas. Las ansias de hacer
realidad el sueño de cientos de educadores cubanos y universales como el
querido Pablo Freire. Ese es nuestro motivo esencial.
Entrevista 83
O que nos motivou foi o alto índice de analfabetismo no mundo. A ânsia
de viver em um mundo culto e alfabetizado. Os desejos de contribuir
com órgãos e organizações nacionais, regionais e mundiais para eliminar
da face da terra esse mal tão daninho para pessoas iletradas e também as
letradas. A vontade de tornar realidade o sonho de muitos educadores
cubanos e universais como o querido Paulo Freire. Esse é nosso motivo
primordial.
Ester: Quando o método foi aplicado pela primeira vez?
Leonela: Fue aplicado por primera vez en la República Bolivariana de
Venezuela y tuvo su génesis en un programa de alfabetización que hicimos
junto con los haitianos por radio, en creole, en la República de Haiti. El
método surge a partir de una idea de Fidel Castro Ruz. La creadora de
este método lo ha ido perfeccionando y enriqueciendo mediante la aplicación
del principio de solidaridad intelectual entre los pueblos.
Foi aplicado pela primeira vez na República Bolivariana da Venezuela
e teve sua gênesis em um programa de alfabetização que fizemos junto
com os italianos pela radio, em Creole, na República do Haiti. O método
surgiu a partir de uma idéia de Fidel Castro Ruz. A criadora deste método
foi aperfeiçoando-o e enriquecendo-o mediante a aplicação do princípio
de solidariedade intelectual dos povos.
Ester: Qual concepção de alfabetização é expressa no método Sim,
eu posso?
Leonela: La concepción que se expresa en el método es la enseñanza de la lecto
escritura, a partir de lo conocido (los números) para ir a lo desconocido (las letras). En
él predominan los principios didácticos de accesibilidad y de asequibilidad. Propicia
trabajar desde el mínimo mensurable hasta lo más elevado del conocimiento. Está
articulado en un sistema que transita hacia la educación básica.
84 Leonela Inés Relys Diaz e Ester Maria de Figueiredo Souza
A concepção que se expressa no método é o ensino da leitura e da
escrita, a partir do conhecido (os números) para ir ao desconhecido (as
letras). Nele predominam os princípios didáticos de acessibilidade e de
exequibilidade. Propicia trabalhar do mínimo mensurável até o mais
elevado conhecimento. Está articulado em um sistema que transita em
direção à educação básica.
Ester: Alguns países latinos adotaram o método como política pública
de alfabetização. A Venezuela, em 2005, foi declarada país livre do
analfabetismo, pela Unesco, após a campanha de alfabetização com o
método. Quais as experiências de adoção do método no mundo? Quais
os resultados já alcançados?
Leonela: La República Bolivariana de Venezuela y Bolívia han sido
declarados territorios libres de analfabetismo, dada la reducción del
analfabetismo por debajo del 4%. Se han alfabetizado más de 3 millones 500
mil personas. Hoy hay más de 300 000 personas que están incorporadas
a la alfabetización. El método se aplica en 28 países del mundo. Está
contextualizado 10 veces en español, en inglês, en portugués, en creole,
en aymara, en quéchua, en tetum y próximamente estará en francês. El
programa em português para Brasil no es igual que el de Angola, un otro país de
habla portuguesa, porque se contextualiza a lo socio cultural y lingüístico, además,
es grabado por actores del país.
A República Bolivariana da Venezuela e Bolívia foram declarados
territórios livres do analfabetismo, dada à redução do analfabetismo em
torno de 4%. Foram alfabetizados mais de 3 milhões e 500 mil pessoas.
Hoje há mais de 300 000 pessoas que estão incorporadas à alfabetização.
O método é aplicado em 28 países do mundo. Está contextualizado 10
vezes em espanhol, em inglês, em português, em criolo, em Aymará, em
quéchua, em tetum e breve estará em francês. O programa em português
para o Brasil não é igual ao de Angola ou outro país de língua portuguesa,
porque é contextualizado ao sócio cultural e linguístico, além disso, é
gravado por atores do país.
Entrevista 85
Ester: Nós educadores brasileiros, afirmamos com base nos estudos de
Paulo Freire que a alfabetização é um ato político. Como essa dimensão
se expõe no método?
Leonela: Nosotros, los educadores cubanos también afirmamos que la alfabetización
es un acto político. Pero añadimos que es un acto de amor, de humanismo que exige la
participación de toda la sociedad. En este acto político entendemos que la alfabetización
y la educación deben ser para todos y todas, con un carácter masivo y participativo de
toda la sociedad para alcanzar la unidad de voluntades nacionales e internacionales.
Nós, educadores cubanos também afirmamos que a alfabetização é um
ato político, mas acrescemos que é um ato de amor, de humanismo que
exige a participação de toda a sociedade. Como ato político, entendemos
que a alfabetização e a educação devem ser para todos e todas, com um
caráter massivo e participativo de toda sociedade para alcançar a unidade
de desejos nacionais e internacionais.
Ester: Como se trabalha a correspondência entre letras e números no
método?
Leonela: Se hace un estudio o diagnóstico integral en lo sociocultural y
lingüístico. Se analiza la frecuencia de uso de los fonemas y se verifica el
conocimiento de los números como punto de partida. Los estudios son in
situ con la participación de los especialistas del país.
Faz-se um estudo ou diagnóstico integral do sócio cultural e lingüístico.
Analiza-se a freqüência do uso dos fonemas e verifica-se o conhecimento
dos números como ponto de partida. Os estudos são em situações com
a participação dos especialistas do pais.
Ester: Quais indicadores de alfabetismo são considerados para se caracterizar
uma pessoa alfabetizada pelo método? Quais os níveis de alfabetização para
se definir o domínio da leitura/ escrita e cálculo matemático?
86 Leonela Inés Relys Diaz e Ester Maria de Figueiredo Souza
Leonela: Una persona alfabetizada con el método es aquella capaz
de demostrar el conocimiento de los códigos lingüísticos necesarios para
acceder a la educación básica. Comprender un texto determinado y ser
capaz de escribir de forma elemental sus ideas. Demuestra conocimiento
de los productos básicos de las matemáticas: soma, resta, multiplicación
y división.
Uma pessoa alfabetizada com o método é aquela capaz de demonstrar o
conhecimento dos códigos linguísticos necessários para aceder à educação
básica. Compreender um texto determinado e ser capaz de escrever de
forma elementar suas idéias. Demonstra conhecimento dos produtos
básicos da matemática: adição, subtração, multiplicação e divisão.
Ester: Em um encontro no Instituto Pedagógico Latino Americano y
Caribeño (IPLAC), em 2008, a senhora afirmou que não basta apenas
o conhecimento para alfabetizar, é preciso conhecimento e muito amor.
Como ocorre a formação de professores alfabetizadores para o trabalho
com o método sim, eu posso?
Leonela: Sin amor nada es posible. Hay que dominar el método, pero
hay que atender la parte afectiva de los seres humanos que no saben leer
ni escribir. El “amor convierte en milagro el barro”. Lo más efectivo en este
proceso, es tratar a esas personas como seres humanos capaces y en capacidad de
aprender, con múltiples saberes, pero con una baja autoestima que hay que elevar
constantemente para que sepan que no son culpables de su iletrismo.
Sem amor nada é possível. Deve-se dominar o método, mas tem que
atender a parte afetiva dos seres humanos que não sabem ler nem
escrever. O “amor transforma em milagre o barro.” O mais efetivo
nesse processo, é tratar essas pessoas como seres humanos capazes e
com capacidade de aprender, com múltiplos saberes, entretanto com
uma baixa auto estima que deve ser elevada constantemente para que
saibam que não são culpados por estarem iletrados.
Entrevista 87
Ester: Sabemos que a elaboração do método demandou estudos e
pesquisas com grupos de pesquisadores. Quais as lembranças que
a senhora recupera desses momentos? Quem são os idealizadores e
formuladores do método?
Leonela: Las investigaciones comenzaron en Haití para verificar: 1999-
2001
1.-El conocimiento de los números
2.-El dominio de los procesos de cálculo aritmético
3.-Intereses, motivaciones y aspiraciones
4.-Lengua de interés para aprender y otros.
As pesquisas começaram no Haiti para verificar: 1999 – 2001
1. O conhecimento dos números;
2. O domínio dos processos de cálculo aritmético;
3. Interesses, motivações e aspirações;
4. língua de interesse para aprender e outros.
Ester: O método, ao ser aplicado em outros países, passa por adaptações.
Essas adaptações não descaracterizam o próprio método? Como são
trabalhadas as questões culturais e linguísticas do método?
Leonela: El método va de lo universal a lo particular, nacional. Busca
unidad en la diversidad de nuestros pueblos. Los nombres de los personajes
tienen un carácter simbólico, lo que permite encontrar otros nombres que
simbolicen lo mismo.
O método vai do universal ao particular, nacional. Procura unidade na
diversidade de nossos povos. Os nomes dos personagens têm um caráter
simbólico, o que permite encontrar outros nomes que simbolizem o
mesmo.
Ester: Professora Leonela, agradeço a sua entrevista.
88 Leonela Inés Relys Diaz e Ester Maria de Figueiredo Souza
Dá-se como fato que o método “Sim, eu posso” é aplicado em
28 paises, inclusive no Brasil, sendo premiado nos anos de 2002, 2003
e em 2006 com o Prêmio Alfabetização Rey Sejong da Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
No Brasil, o método encontra-se em avaliação pelo Ministério da
Educação, como intuito de oficializar a sua adoção como política de
estado de alfabetização, validando-o como técnica de alfabetização.
Em 2003, o Brasil assinou com Cuba protocolo de intenção para
desenvolvimento do método, elegendo o Estado de Piauí como
experiência piloto.
O método consiste em um sistema de aulas áudio visuais,
mediadas por um alfabetizador/educador, totalizando 65 encontros, em
cinco dias da semana, de uma hora e trinta minutos cada. Nas aulas são
exploradas a associação entre as letras e os números e causa espanto a
afirmação de que o aluno se alfabetiza em 35 dias, constatação verificada
na avaliação do método.
É claro que só alfabetizar não resolve, sendo, portanto necessário
ampliar o universo linguístico dos alunos e garantir continuidade da
educação básica. Mas, como dizem os alfabetizando, escrever errado
já é sair do escuro. A metáfora da alfabetização como luz é recorrente,
pois expõe entrada em um estado de conhecimento antes negado ao
alfabetizando.
Apesar de países como a Argentina, Venezuela, México, Equador,
Bolivia, Nicarágua, Colômbia, Nigéria, Guiné-Bissau, mozambique,
áfrica do Sul, Nova Zelândia e na cidade de Sevilha desenvolvem
o programa “Yo, sí posso” com sucesso, no Brasil, que, desde os
anos sessenta do século passado, vem discutindo experiências de
alfabetização/conscientização de jovens e adultos baseadas nas idéias e
estudos de Paulo Freire, não há unanimidade quanto à aceitação desse
programa. Em junho de 2008, 405 educadores populares de todas as
regiões brasileiras, reunidos no VII Encontro Nacional do MOVA
BRASIL, aprovaram uma moção solicitando do Ministério de Educação
do Brasil o reconhecimento da proposta freiriana como principal
Entrevista 89
referência para as políticas de educação de jovens e adultos no país e,
em função disso, solicitando a não implantação do programa “Yo, Sí
Puedo” no Brasil.
Para maiores informações:
ALFABETIZACIÓN PARA TODOS. Disponível em: .
DIAZ, Leonela Relys, et al. Desde la alfabetización presencial ao
Yo, sí puedo. Ciudad de la Habana. Cuba. Editorial Pueblo y Educaión.
2005.
DIAZ, Leonela Relys, et al. La alfabetiación: historia y autenticidad
en Cuba. Ciudad de la Habana. Cuba. Editorial Pueblo y Educaión.
2006.
YO, SÍ PUEDO CELEBRA SU PRIMER ACTO DE GRADUACIÓN
EN SEVILLA. Internacionalismo cubano. lunes, 06 de julio de
2009. Disponível em: .
YO, SÍ PUEDO. Un programa cubano destinado a poner fin al
analfabetismo en el mundo. Disponível em: .
NOVAS METODOLOGIAS DE EJA – “Sim, eu posso”, avanço
ou retrocesso? Disponível em: < http://www.forumeja.org.br/
pb/?q=node/17>.
MOÇÃO PELA NÃO IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA “SÍ, YO
PUEDO”. VII Encontro Nacional do MOVA Brasil. São Sebastião, SP,
29 de Junho de 2008. Disponível em: .
Trabalho recebido em: 23/05/2009
Aprovado para publicação em: 6/6/2009

Fonte: UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia ( http://periodicos.uesb.br/index.php/praxis/article/viewFile/305/339 )

Defesa ao trabalho humanitário da Senadora Piedad Córdoba

Defesa ao trabalho humanitário da Senadora Colombiana Piedad Córdoba

O ex-presidente colombiano Ernesto Samper, o presidente do Congresso, Armando Benedetti e 14 ex-retidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) solicitaram essa semana a não criminalização dos trabalhos humanitários realizados durante anos pela senadora Piedad Córdoba em favor da libertação de reféns e de um acordo humanitário.
Durante a instalação da Comissão Acidental do Senado para o acordo humanitário, esse grupo redigiu um comunicado onde manifesta seu repúdio à decisão do Procurador Geral da Colômbia, Alejandro Ordóñez de suspender por 18 anos a parlamentar do Partido Liberal por ter supostamente colaborado com grupos irregulares.
“Fazemos um chamado à reflexão sobre tal determinação, pois consideramos que desconhece seu trabalho humanitário e o compromisso incansável em busca da liberdade de quem foi seqüestrado e dos que ainda continuam seqüestrados na selva colombiana, de conseguir a solução do seqüestro e sua determinação e uma paz que os colombianos reivindicam” declara o comunicado.
Esta carta foi assinada pelas ex-reféns das FARC, Clara Rojas, Consuelo González de Perdomo, Gloria Polanco de Lozada, pelo ex-governador do Departamento de Meta, Alan Jará, pelo ex-congressista colombiano Luis Eladio Pérez, entre outros.
Durante esse mesmo ato, Samper pediu ao presidente da Comissão de Paz, Roy Barreras, que sirva de intermediário junto ao chefe de Estado colombiano, Juan Manuel Santos, para que receba os familiares dos reféns que se encontram em poder das FARC e que apesar dos “êxitos militares dos últimos meses, não feche as portas a um acordo humanitário”.
Mais cedo, a também líder do movimento Colombianas e Colombianos pela Paz anunciou que será reativado o diálogo com as FARC e com o Exército de Libertação Nacional (ELN) como parte das ações para avançar na busca de uma saída negociada para o conflito interno que vive o país.
“Vamos reabrir o diálogo com as FARC depois de mais de um mês de intensas discussões, de conseguir chegar a um acordo frente a um documento, tanto para as FARC como para o ELN, hoje o apresentaremos a eles, declarou a senadora em entrevista exclusiva à Telesur.
“É muito importante continuar buscando a humanização da guerra que vive a Colômbia, mas fundamentalmente, avançar para uma negociação política”, afirmou.
Córdoba tinha anunciado em uma entrevista para La Radio Del Sur que enviaria uma carta tanto às FARC quanto ao ELN em que pedirá às guerrilhas que “façam um pronunciamento mais forte contra o seqüestro, as minas terrestres antipessoal e o recrutamento de crianças”.
Considerou que esta decisão do Ministério Público é uma advertência “muito forte para quem procura cenários de paz”. “A perseguição de defensores dos Direitos Humanos se baseia em interesses de setores que se opõem a uma saída negociada”, insistiu.
Córdoba tem servido como mediadora para a libertação de reféns pela guerrilha colombiana, além de empreender viagens pelo mundo para conseguir a paz em seu país. A senadora também está à frente da organização Colombianas e Colombianos pela Paz.
A parlamentar do Partido Liberal facilitou a libertação unilateral de 14 reféns nos últimos anos.

Fonte : Telesur ( http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/80230-NN/defienden-labo... )

Tradução: Carmen Diniz

Colombiano manipulou dados do computador de Raúl Reyes

Investigador colombiano confessa ter manipulado dados do computador de Raúl Reyes

Um investigador da polícia colombiana, Ronald Coy afirmou na primeira semana de agosto que manipulou a informação dos computadores do falecido guerrilheiro Raúl Reyes antes de entregá-los ao Ministério Público colombiano.
Os computadores supostamente foram recuperados pelo governo de Álvaro Uribe após o bombardeio ilegal que executou contra território equatoriano, sob o argumento de desmontar o acampamento onde se encontrava o insurgente.
Coy admitiu que “abriu a informação e a manipulou antes de submetê-la ao controle da legalidade e sem que existisse ainda autorização legal para isto”.
O investigador de polícia também é testemunha em processo contra Liliana Obando, ex-funcionária da Federação Nacional Sindical Unitária Agropecuária (Fensuagro), investigada por supostos vínculos com as FARC.
Ao saber da declaração de Coy, a Procuradoria passou a investigar a manipulação indevida da informação.
Por outro lado, o advogado de Obando, Eduardo Matias, em declaração à imprensa, advertiu que com a confissão de Coy, inexistem provas suficientes para julgar sua cliente.
“Fica evidente uma conduta excessiva por parte do funcionário da justiça e um abuso de autoridade que viola o devido processo legal e, portanto, a prova não pode ser considerada como prova dentro de um processo penal” assinalou o jurista.
A Direção de Investigação Criminal e Interpol (Dijin) da Colômbia e a Promotoria capturaram Liliana Obando em agosto de 2008 por supostos vínculos com as FARC.
A captura de Obando foi baseada no computador de Reyes, onde supostamente teria sido encontrado farto material sobre suas atividades ilegais relacionadas com a guerrilha.

Outras acusações baseadas nos celulares de Reyes
Em março deste ano, o juiz espanhol Eloy Velasco, tentou vincular o governo de Hugo Chávez a uma suposta cooperação com a guerrilha colombiana e com o grupo ETA. Após a denúncia, o chanceler venezuelano Nicolas Maduro recriminou as declarações do magistrado que estavam baseadas nos computadores de Reyes.
Velasco “ressuscita dos equipamentos já destruídos um falso computador ‘sobrevivente’ de Raúl Reyes, que não serviria para sustentar nenhum processo sério em nenhum lugar do mundo” reafirmou Maduro naquela oportunidade.
O computador a que ele se refere, supostamente teria sido recuperado logo após um bombardeio ilegal executado pelo exército colombiano em território equatoriano sob o argumento de destruir um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 1 de março de 2008.
No ataque morreram 25 pessoas, entre elas o número dois das FARC, Raúl Reyes , além de outros feridos. Embora todo o local bombardeado tenha sido destruído, o governo de Álvaro Uribe afirma que recuperou um computador intacto que supostamente pertenceria ao guerrilheiro.
“Esse computador acabou se tornando uma piada na Colômbia e há muito tempo não se falava dele” declarou Maduro.
Da mesma forma o presidente do Equador, Rafael Correa foi acusado de vínculos com as FARC, através dos dados dos computadores de Reyes.
A senadora liberal opositora colombiana Piedad Córdoba também foi acusada de vínculos com a guerrilha com a mesma prova de supostos documentos que apareceriam nos computadores de Reyes, de duvidosa existência.
Córdoba se manifestou a respeito desses computadores que a “suposta prova” do computador pessoal de Raúl Reyes caiu por terra e, a partir disso, começarão a aparecer provas adicionais que tinham sido desconsideradas.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/76170-NN/investigador-c... )

Tradução: Carmen Diniz

Colômbia: Soldado denuncia exército por narcotráfico

Soldado denuncia o exército por narcotráfico, paramilitarismo e assassinatos ‘falsos positivos’

O Soldado profissional John Quirama denunciou seus superiores por vínculo com o paramilitar conhecido como 'Cuchillo': ação combinada entre militares e paramilitares.
O Soldado denunciou também como o exército narcotrafica em aliança com paramilitares. O narcotráfico nos departamentos de Guaviare e Vichada fica a cargo de militares e paramilitares. O próprio Coronel Gómez Ibeto Oscar Orlando tocava o narcotráfico e tinha locais para a produção da cocaína.

Além da denúncia de ação combinada entre militares e a Ferramenta paramilitar do Estado e multinacionais, e da denúncia acerca do narcotráfico, o soldado denuncia que pelo menos 22 ‘Falsos Positivos’, ou seja, 22 assassinatos precedidos de sequestro foram realizados pelo exército.

Os ‘Falsos Positivos’ são assassinatos executados pelo exército: os militares raptam jovens e crianças, os disfarçam de guerrilheiros e os assassinam, depois apresentam os cadáveres como "guerrilheiros mortos em combate". Já têm mais de cinco mil casos denunciados de ‘Falsos Positivos’: crime de Estado de dimensões dantescas. A diretiva 029 do ministério de defesa incentiva estes assassinatos ao instaurar regalias econômicas e permissões por cadáver apresentado.

Entre os 'falsos positivos' denunciados pelo Soldado John Quirama, existem vários casos de civis executados e passados por "guerrilheiros mortos em combate", e igualmente o caso de dois guerrilheiros que se desmobilizaram acreditando que suas vidas seriam respeitadas, confiando nos oferecimentos do governo... e que foram assassinados quando já haviam se entregado. Foram executados por ordem do Coronel Gómez Ibeto Oscar Orlando.

O soldado-testemunha assegura que já havia denunciado estes atos para as autoridades judiciais, mas, que o resultado foi uma investigação contra ele... impunidade e cumplicidade nas altas esferas...

O soldado está ameaçado de morte e militares buscam silenciá-lo. Veja e escute as estremecedoras denúncias no Vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=wBVPyGZMxKI&feature=player_embedded

A notícia é de Kaos en la Rede.

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=14&cod=51768 )

Procuradoria destitui Piedad Córdoba de suas funções por 18 anos

Procuradoria destituiu senadora Piedad Córdoba de suas funções por 18 anos

Natasha Pitts *

Uma decisão do Procurador Geral da Nação, Alejandro Ordóñez, tornada pública ontem (27), destituiu a senadora colombiana Piedad Córdoba de suas funções públicas por 18 anos. A senadora, conhecida por seu trabalho humanitário e pela atuação no resgate de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) está sendo acusada de participar e favorecer esta organização paramilitar.
Piedad Córdoba só soube da decisão após sua chegada em Bogotá. De acordo com comunicado de sua autoria, a senadora teve conhecimento dos fatos por meio da imprensa. Em resposta à decisão, Córdoba rebateu afirmando que "a investigação disciplinar conduzida pelo Sr. Procurador, não tem suporte probatório, mérito jurídico algum e menos ainda valor moral e ético". A senadora coloca ainda em evidência o fato de o Procurador estar sendo investigado pela Corte Suprema de Justiça.

Em abril, a Procuradoria já havia apresentado uma lista de acusações contra a senadora por ela "haver colaborado e promovido supostamente ao grupo ilegal insurgente das Farc" e por "haver realizado supostamente atos tendentes ao fracionamento da unidade nacional". Ontem, não foram apenas acusações, a Procuradoria "sancionou disciplinarmente a atual senadora Piedad Córdoba Ruíz com destituição e inabilidade pelo término de 18 anos por haver promovido e colaborado com o grupo à margem da lei, Farc".
A decisão da Procuradoria teve como base informações encontradas no computador pessoal de Raúl Reyes, líder guerrilheiro morto em 2008, considerado ‘o número dois das Farc’ e que por muito tempo foi porta-voz da organização paramilitar. No computador, supostamente foram encontradas conversas entre Reyes e Piedad, cujo codinome de guerrilha era Teodora. A partir da liberação destas informações pelo Ministério Público, a bancada uribista do Senado pediu o cargo que Córdoba ocupa no Congresso: presidente da Comissão de Paz do Senado.

Em comunicado, a senadora se defendeu. "Esta atuação na contramão da razão é mais uma mostra da perseguição política que se adiantou contra mim nos últimos 12 anos, que implicou grandes lesões a minha integridade pessoal e familiar, como meu sequestro, posterior exílio com meus filhos e filha, os atentados contra minha vida, as operações ilegais de intercepção e seguimento, de público conhecimento, as quais deveriam ser a preocupação da Procuradoria Geral da Nação", assinalou.

O Comitê de América Latina e Caribe pela defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), junto à Corporação Casa da Mulher, se pronunciaram publicamente rechaçando a decisão do Procurador. As ativistas relembraram que há anos Piedad Córdoba atua pela negociação política do conflito armado na Colômbia e que, com sua ajuda, 14 pessoas foram liberadas do domínio das Farc.

"Seu compromisso com a paz para a Colômbia teve como consequência ameaças, juízos e acusações - este é mais um -, por parte de representantes das instituições e outros setores da sociedade que fizeram eco àqueles que se opõem à paz. Manifestamos nossa indignação e nos solidarizamos com Piedad e seus compromissos pela paz e a defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres", expressaram as ativistas.

A mesma postura de apoio foi mostrada por ex-reféns das Farc e seus familiares, assim como por organizações sociais, humanitárias, defensores/as dos direitos humanos e promotores do intercâmbio humanitário, ativistas que acreditam no trabalho da senadora e que a veem como uma promotora da paz na Colômbia.

* Jornalista da Adital

Fonte: Adital - ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=51288 )

O Sistema Político e Eleitoral em Cuba

O questionar constante do sistema político e eleitoral cubano constitui um dos pilares fundamentais da campanha inimiga contra nosso país, liderada pelos Estados Unidos. A atividade contra Cuba em matéria de democracia e direitos humanos, não só constitui a principal ferramenta dos Estados Unidos para tratar de “legitimar” sua política de hostilidade e agressão contra Cuba; senão que responde também ao interesse dos principais países capitalistas industrializados de impor aos países em desenvolvimento um modelo de organização política que facilite a dominação.

Em sua campanha contra Cuba, Washington pretende demonstrar a incompatibilidade do sistema político que estabelece a Constituição do país com as normas internacionalmente aceitas em matéria de democracia e direitos humanos e fabricar a imagem de uma sociedade intolerante que não permite a mínima diversidade e pluralidade política. Para isso, conta com poderosos instrumentos de propaganda e abundantes recursos que utiliza para o recrutamento, organização e financiamento de pequenos grupos contra-revolucionários que apresenta como “oposição política”, tanto dentro como fora do país.

A manipulação do conceito da democracia pelas principais potências ocidentais atingiu recentemente magnitudes muito perigosas. Aqueles que se afastam do modelo democrático que preconizam, dos padrões e valores que promovem, não só são submetidos a fortes críticas através da propaganda e das instituições internacionais que controlam a chamada “defesa da democracia”, como também se convertem em potenciais “vítimas” da doutrina de intervenção que desenvolvem as potências imperialistas.

Cuba defende e apoia o direito dos povos à livre determinação, reconhecida internacionalmente como um direito inalienável no consenso atingido na Conferência Mundial de Direitos Humanos, celebrada em Viena, em 1993. Na própria Declaração e Programa de Ação de Viena se estabeleceu, assim mesmo, que “a democracia se baseia na vontade do povo, livremente expressa, para determinar seu próprio regime político, econômico, social e cultural e em sua plena participação em todos os aspectos da vida”, e se reconheceu a importância “das particularidades nacionais e regionais, bem como dos diversos patrimônios históricos, culturais e religiosos”.

É sobre a base destes postulados, ignorados abertamente pelos que tentam impor seus modelos como “únicos”, que se erige o sistema político cubano, um modelo escolhido e defendido pelos próprios cubanos, genuinamente autóctone e autêntico, fundamentado na igualdade e solidariedade entre os homens e mulheres, na independência, na soberania e na justiça social.

Nosso país já conheceu o modelo que hoje tentam impor-lhe, já viveu a triste experiência do sistema de “vários partidos” e “representativo” que lhe receitou os Estados Unidos, e que trouxe, como conseqüência, a dependência externa, a corrupção, o analfabetismo e a pobreza de amplos setores da população, o racismo, em resumo, a completa negação dos mais elementares direitos individuais e coletivos, incluindo o direito a umas eleições verdadeiramente livres e democráticas.

Este sistema e a permanente política de ingerência norte-americana, não só criaram dirigentes ladrões e corruptos, como impuseram ditaduras tirânicas e assassinas, promovidas e apoiadas diretamente pelo governo dos Estados Unidos.

Por tudo isso, a Revolução cubana não podia assumir este sistema se, verdadeiramente, queria resolver os males herdados. Desta forma, o país se propôs a desenhar seu próprio modelo, para o qual, remexeu em suas próprias raízes e foi ao pensamento social, humanista e patriótico dos mais preclaros proveres da nação cubana.

O primeiro que teria que sublinhar então para explicar o sistema político cubano, é que nosso modelo não é importado, nunca foi uma cópia do modelo soviético, nem do existente nos países socialistas naquele momento, como quiseram fazer ver os inimigos da Revolução. O sistema político de Cuba nasce e se corresponde com o devir da evolução histórica do processo político-social da nação cubana, com seus acertos e desacertos, com seus avanços e retrocessos. O fato de que a formação e desenvolvimento da nação cubana, durante seus mais de 130 anos de existência, tenham enfrentado praticamente os mesmos fatores externos e internos, favoreceu uma história coerente, permitindo desenvolver a ideia de construir uma nação forjada pelos próprios cubanos.

A existência de um só partido no sistema cubano está determinada, entre outros, por fatores históricos e contemporâneos. Nosso Partido é a continuidade histórica do Partido Revolucionário Cubano fundado por José Martí para unir todo o povo, com o objetivo de atingir a absoluta independência de Cuba. Aqueles fatores que deram origem a dito Partido, libertar Cuba e impedir sua anexação aos Estados Unidos, são os mesmos que estão presentes hoje quando nosso povo enfrenta um férreo bloqueio econômico, comercial, financeiro e outras ações hostis que têm como objetivo depor o governo e destruir o sistema instaurado no país por decisão soberana de todos os cubanos.

Nosso Partido desenvolve seu labor mediante a persuasão, o convencimento e em estreita e permanente vinculação com as massas, e as decisões que adota são de obrigatório cumprimento, unicamente, para seus militantes. Não é um partido eleitoral e lhe está proibido, não só de nomear candidatos, como de participar em qualquer outro momento do processo eleitoral. Esta concepção e esta prática garantem que, num sistema onde existe um só partido, desenvolva e prevaleça a mais ampla pluralidade de opiniões.

Características do sistema político e eleitoral cubano:

1. Inscrição universal, automática e gratuita de todos os cidadãos com direito a voto, a partir dos 16 anos de idade.

2. Postulação dos candidatos diretamente pelos próprios eleitores em assembleias públicas (em muitos países são os partidos políticos os que nomeiam os candidatos).

3. Inexistência de campanhas eleitorais discriminatórias, milionárias, ofensivas, difamatórias e manipuladas.

4. Total limpeza e transparência nas eleições. As urnas são custodiadas por meninos e jovens pioneiros, são seladas na presença da população e a contagem dos votos se faz de maneira pública, podendo participar a imprensa nacional e estrangeira, diplomatas, turistas e todos o que desejarem.

5. Obrigação de que todos os eleitos o sejam por maioria. O candidato só é eleito se obtiver mais de 50% dos votos válidos emitidos. Se este resultado não for atingido no primeiro turno, irão ao segundo os dois que mais votos obtiveram.

6. O voto é livre, igual e secreto. Todos os cidadãos cubanos têm o direito de eleger e ser eleitos. Como não há lista de partidos, vota-se diretamente no candidato que se deseje.

7. Todos os órgãos representativos do Poder do Estado são eleitos e renováveis.

8. Todos os eleitos têm que prestar conta de sua atuação.

9. Todos os eleitos podem ser revogados em qualquer momento de seu mandato.

10. Os deputados e delegados não são profissionais, portanto não recebem salário.

11. Alta participação do povo nas eleições. Em todos os processos eleitorais que se celebraram desde o ano 1976, participaram mais de 95% dos eleitores. Nas últimas eleições para Deputados, em 1998, votaram 98,35% dos eleitores, sendo válidos 94,98% dos votos emitidos. Foram anulados 1,66% dos votos e, em branco, só 3,36%.

12. Os Deputados à Assembleia Nacional (Parlamento) elegem-se para um mandato de 5 anos.

13. A integração do Parlamento é representativa dos mais variados setores da sociedade cubana.

14. Elege-se um deputado por cada 20 000 habitantes, ou fração maior de 10 000. Todos os territórios municipais estão representados na Assembleia Nacional e o núcleo base do sistema, a circunscrição eleitoral, participa ativamente em sua composição. Cada município elegerá, no mínimo, dois deputados e a partir dessa cifra se elegerão, proporcionalmente, tantos deputados em função do número de habitantes. 50 % dos deputados têm que ser delegados das circunscrições eleitorais, os quais têm que viver no território da mesma.

15. A Assembleia Nacional elege, dentre seus Deputados, o Conselho de Estado e o Presidente do mesmo. O Presidente do Conselho de Estado é Chefe de Estado e Chefe de Governo. Isso quer dizer que o Chefe do Governo cubano tem que se submeter a dois processos eleitorais: primeiro, tem que ser eleito como Deputado pela população, pelo voto livre, direto e secreto e depois pelos Deputados, também pelo voto livre, direto e secreto.

16. Ao ser a Assembleia Nacional o Órgão Supremo do Poder do Estado e estando subordinada a ela as funções legislativas, executivas e judiciais, o Chefe de Estado e de Governo não pode dissolvê-la.

17. A iniciativa legislativa é patrimônio de múltiplos atores da sociedade, não só dos deputados, do Tribunal Supremo e da Promotoria, como também das organizações sindicais, estudantis, de mulheres, sociais e dos próprios cidadãos, requerendo-se, neste caso, que exercitem a iniciativa legislativa o mínimo de 10 000 cidadãos que tenham a condição de eleitores.

18. As leis se submetem ao voto majoritário dos Deputados. O específico do método cubano é que uma lei não se leva à discussão do Plenário até que se esgotem consultas reiteradas aos deputados, levando em conta as propostas que fizeram, devendo ficar claramente demonstrado que existe o consentimento majoritário para sua discussão e aprovação. A aplicação deste conceito adquire relevância maior quando se trata da participação da população, conjuntamente com os deputados, na análise e discussão de assuntos estratégicos. Nessas ocasiões, o Parlamento se desloca aos centros trabalhistas, estudantis e camponeses, fazendo-se realidade a democracia direta e participativa.

O expresso, até aqui, põe em evidência a essência da democracia cubana, do sistema que instituiu, referendado e apoiado pela imensa maioria dos cubanos.

No entanto, não pretendemos ter atingido um nível de desenvolvimento democrático perfeito. A principal qualidade do sistema político cubano é sua capacidade para o constante aperfeiçoamento em função das necessidades propostas para a realização de uma participação plena, verdadeira e sistemática do povo na direção e no controle da sociedade, essência de toda democracia.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores da República de Cuba

Cuba mantém uma atitude exemplar na luta contra o terrorismo

Cuba sempre mantém uma atitude exemplar na luta contra o terrorismo

● Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, no ato realizado por ocasião do "Dia das vítmas do terrorismo de Estado", na Sala Universal das FARs, em 6 de outubro de 2010
Familiares das vítimas do terrorismo de Estado contra Cuba,
Companheiras e companheiros:
Como indica o Decreto Lei do Conselho de Estado, publicado hoje, a partir deste ano, em 6 de outubro, será comemorado o "Dia das vítimas do terrorismo de Estado".
Há exatamente 34 anos, 73 pessoas inocentes: onze guianenses, cinco cidadãos da República Democrática Popular da Coreia e 57 cubanos foram assassinados em pleno voo pela explosão de uma bomba no avião da Cubana de Aviação, que acabava de decolar de Barbados. Entre elas, 24 jovens da equipe juvenil de esgrima que tinham conquistado todas as medalhas de ouro do 4º Campeonato Centro-Americano e do Caribe, realizado na Venezuela.
Para o povo de Cuba, que tem sido alvo do terrorismo de Estado desde o próprio triunfo da Revolução, as dolorosas perdas sofridas naquele dia somaram-se às quantiosas vítimas pelas que ainda hoje reclamamos justiça.
A origem do fenômeno remonta ao ano 1959, quando da adoção das primeiras medidas de benefício popular pela nascente Revolução.
Em março de 1960, o presidente Eisenhower aprovou um programa de ações encobertas contra a Ilha, que foi revelado há alguns anos. A Agência Central de Inteligência norte-americana assumia o papel diretor no planejamento, abastecimento logístico, recrutamento e treino de mercenários para a execução de ações terroristas sob o abrigo do governo desse país.
Incêndios, bombardeios, sabotagens de qualquer tipo, sequestro de aviões, de navios e de cidadãos cubanos, atentados contra nossas legações e assassinatos de diplomatas, metralhamento contra dezenas de instalações, múltiplas tentativas para dar cabo dos principais líderes da Revolução, fundamentalmente, centenas de planos e de ações para atentar contra a vida do comandante-em-chefe.
Neste ano, comemoramos cinco décadas da brutal sabotagem contra o vapor francês La Coubre no porto de Havana, concebido intencionalmente para provocar uma dupla detonação das cargas explosivas e multiplicar o número de vítimas. Este crime deixou um saldo de 101 óbitos e centenas de feridos, incluindo membros da tripulação francesa.
Face a cada nova agressão, a Revolução ia se fortalecendo e se radicalizando em todas as áreas. A consolidação do processo revolucionário levou os terroristas da CIA e seus amos, cujos atos tinham por objetivo criar pânico e desmoralização na população, a projetarem um plano de invasão contra Cuba e a criarem na Flórida o maior centro de inteligência fora de sua sede principal, em Langley.
A invasão da Baía dos Porcos deixou 176 compatriotas mortos e 50 aleijados, cujo sacrifício tornou possível que os nossos corajosos combatentes liquidassem os invasores antes das 72 horas, impedindo assim a instalação em nosso território do governo fantoche ao abrigo da CIA nma base militar da Flórida, pronto para solicitar a intervenção dos Estados Unidos, com a cumplicidade da OEA.
O recém-eleito presidente Kennedy, que herdou o plano de invasão do governo anterior e aprovou sua execução, não se resignava a levar o fardo de seu estrondoso fracasso e ordenou a execução da operação Mangosta, que incluía 33 tarefas, desde planos para assassinar os líderes da Revolução até ações terroristas contra objetivos socioeconômicos e a introdução de armas e agentes com vista a fazerem atos subversivos e de espionagem.
Desde sua aprovação até janeiro de 1963, foram realizadas 5.780 ações terroristas contra Cuba, das quais, 716 foram sabotagens de larga envergadura contra instalações industriais.
Nesse contexto, organizações terroristas radicadas nos Estados Unidos, financiadas e protegidas pela CIA foram precursoras dos sequestros aéreos e do uso de aviões civis para ações bélicas contra Cuba.
Tais práticas não demoraram muito em se virarem contra eles próprios, provocando uma pandemia mundial de sequestros de aviões que estimulou o uso desses métodos pelo terrorismo internacional e que apenas foi resolvido pela decisão unilateral do governo cubano de começar a devolver os sequestradores.
Após o assassinato de Kennedy, o seu sucessor Lyndon Johnson continuou os planos terroristas contra a ilha. Entre 1959 e 1965, a CIA organizou, financiou e forneceu do território norte-americano 229 bandos armados, com 3.995 mercenários em todo o país, que causaram a morte de 549 combatentes, camponeses e alfabetizadores, além de milhares de feridos e centenas de aleijados.
Desde então, se incrementaram as ações terroristas contra missões diplomáticas, escritórios e funcionários cubanos no exterior, ocasionando a morte de valiosos companheiros e consideráveis prejuízos materiais.
Em 11 de setembro, mas de 1980, foi assassinado Félix García Rodríguez, funcionário da missão de Cuba na ONU, pelo terrorista de origem cubana Eduardo Arocena, membro da organização terrorista "Omega 7".
Em 5 de maio do mesmo ano, foram vítimas do fogo terrorista 570 crianças e 156 trabalhadores da creche Le Van Tan, que salvaram suas vidas graças à rápida e heroica atuação das forças especializadas e à solidariedade da população.
Ao mesmo tempo, outro tipo do terrorismo de Estado contra Cuba foi a guerra biológica travada pelas sucessivas administrações norte-americanas, introduzindo no território nacional doenças que afetaram de maneira significativa a saúde de nosso povo. Em 1981, agentes a serviço do governo dos Estados Unidos espalharam a epidemia de dengue hemorrágico que provocou a morte de 158 pessoas, das quais, 101 crianças.
Da mesma maneira, foram introduzidas diversas pragas que prejudicaram o setor agropecuário, com perdas incalculáveis de alimentos para a população e importantes produtos exportáveis da nação.
Participaram, direta ou indiretamente, da maioria destes casos, os serviços de inteligência norte-americanos, especialmente a CIA, quase sempre sob o abrigo de organizações contra-revolucionárias cubanas. Seria impossível recolher numa só intervenção a interminável cadeia de planos, ações e ataques terroristas organizados contra nosso país. Contudo, a lista dos responsáveis por esses crimes, é muito curta, porque continuam a ser os mesmos.
Hoje estamos aqui, precisamente, para prestar tributo aos 3.478 cubanos que morreram e aos 2.099 que ficaram aleijados para semrpe por atos terroristas perpetrados durante meio século contra nossa Pátria, totalizando 5.577 vítimas. Os mártires de Barabados fazem parte da lista dos tombados que não esquecemos nem jamais esqueceremos.
Os autores do crime de Barbados e de outros muitos contra Cuba, Orlando Bosch e Luis Posada Carriles, moraram e ainda moram impunemente em Miami. O primeiro, graças ao perdão executivo do presidente nessa época George Bush (pai), que era diretor da CIA quando seus agentes sabotaram o avião cubano; e o segundo, amparado por Bush (filho), está à espera em liberdade de um julgamento por acusações menores e não por terrorismo internacional.
Até há muito pouco, estes grupos proclamavam publicamente seus crimes e anunciavam com todo cinismo novos atos de terror.
Se a impunidade não tivesse prevalecido, nos anos 90 teriam sido evitados 68 atos terroristas contra Cuba e não teríamos lamentado em Havana a morte do jovem italiano Fabio di Celmo, durante a onda de atentados terroristas contra instalações turísticas em 1997.
As reveladoras declarações do terrorista confesso Chávez Abarca, difundidas pela Televisão Cubana nos dias 27 e 28 de setembro passados, que foi preso pelas autoridades venezuelanas quando estava tinha em vista atentar contra a estabilidade desse país irmão e de outras nações latino-americanas, confirmam detalhes sobre as novas rotas do terror internacional e oferecem evidências irrefutáveis sobre a culpabilidade de Posada Carriles e seus patrocinadores nos Estados Unidos.
Apesar de todos esses crimes, Cuba sempre mantém uma atitude exemplar na luta contra o terrorismo e ratifica a condenação contra todo ato dessa natureza, em todas suas formas e manifestações.
Nosso país assinou 13 convênios internacionais existentes nessa matéria e cumpre estritamente os compromissos e obrigações resultantes das resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não possui, nem pretende possuir, armas de extermínio em massa de nenhum tipo e cumpre suas obrigações em virtude dos instrumentos internacionais vigentes sobre armas nucleares, químicas e biológicas.
O território de Cuba nunca foi usado nem jamais será usado para organizar, financiar ou realizar atos terroristas contra nenhum país, incluindo os Estados Unidos.
Em várias ocasiões, as autoridades cubanas informaram o governo dos Estados Unidos, de sua disposição para trocar informação sobre planos de atentados e ações terroristas contra objetivos em qualquer um dos dois países.
Entregamos oportunamente ao governo dos Estados Unidos informação sobre atos terroristas realizados contra Cuba. O caso mais conhecido aconteceu em 1997 e 1998, quando entregamos ao FBI muitas provas sobre as explosões com bombas em vários centros turísticos cubanos, dando inclusive acesso aos autores desses fatos, presos aqui, e a testemunhas.
Como única resposta, o FBI em miami, com estreitos vínculos com a extrema-direita cubano-americana, patrocinadora do terrorismo contra a ilha, juntou todas suas forças para perseguir e julgar nossos compatriotas Antonio, Fernando, Gerardo, Ramón e René, os quais o governo dos Estados Unidos jamais deveu encerrar em prisão.
Hoje, graças à solidariedade internacional, todo o mundo sabe do tratamento injusto e desumano aplicado aos Ccinco heróis que lutavam para proteger os povos de Cuba, e inclusive dos Estados Unidos, do terrorismo.
Até quando o presidente Obama continuará sem escutar o reclamo internacional e permitirá que prevaleça a injustiça, que está nas suas mãos eliminar? Até quando nossos Cinco heróis permanecerão presos?
O atual governo dos Estados Unidos, ao ratificar recentemente a arbitrária inclusão de nosso país na lista anual do Departamento de Estado sobre os "Estados patrocinadores do terrorismo", além da infame medida, ignorou mais uma vez a conduta exemplar de Cuba nessa matéria.
Os Estados Unidos também ignoram a cooperação recebida de Cuba. Em três ocasiões (novembro e dezembro de 2001 e março de 2002), nossos representantes propuseram às autoridades norte-americanas um projeto de programa de cooperação bilateral para combater o terrorismo e, em julho de 2009, reiterou sua disposição para cooperar nesse setor sem receber resposta alguma.
O governo cubano insta o presidente Obama a ser consequente com seu compromisso no combate ao terrorismo e a atuar com firmeza, sem dupla moral contra os que, do território norte-americano, perpetraram e persistem em realizar atos terroristas contra Cuba. Seria uma digna resposta à carta aberta encaminhada pelo Comitê de Familiares das vítimas da explosão do avião cubano em Barbados, publicada hoje.
Não devemos esquecer, nem por um instante, que nosso povo, como consequência do terrorismo de Estado, registra uma cifra de mortos e desaparecidos superior à dos atentados ao World Trade Center e de Oklahoma juntos.
Gostaria de concluir nossa homenagem, evocando a inesquecível oração fúnebre às vítimas do crime de Barbados em 15 de outubro de 1976, quando todos juramos lembrar e condenar, para sempre, com inextinguível indignação esse vil assassinato.
Repitamos hoje as palavras de Fidel naquela ocasião:
Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme!
Seremos fiéis ao eterno compromisso com os tombados!
Glória aos nossos heróis e mártires!

Fonte: Granma -online

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