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Reflexões de Fidel: Chávez, Evo e Obama (Primeira parte)

Chávez, Evo e Obama (Primeira parte)
26 Set 2011

Por: Fidel Castro Ruz

Faço alto nas tarefas que ocupam a totalidade de meu tempo nestes dias, para dedicar umas palavras à singular oportunidade que oferece para a ciência política o sexagésimo sexto período da Assembléia-Geral das Nações Unidas.

O acontecimento anual demanda um singular esforço dos que assumem as mais altas responsabilidades políticas em muitos países. Para eles, constitui uma dura prova; para os amadores a essa arte, que não são poucos visto que a todos afeta vitalmente, resulta difícil subtrair-se à tentação de observar o interminável mas instrutivo espetáculo.

Existem, em primeiro lugar, infinidade de temas peliagudos e conflitos de interesses. Para grande número dos participantes é preciso tomar posição sobre fatos que constituem flagrantes violações de princípios. Por exemplo: que posição adotar sobre o genocídio da NATO na Líbia? Deseja alguém deixar constância de que sob sua direção o governo do seu país apoiou o monstruoso crime realizado por Estados Unidos e seus aliados da NATO, cujos sofisticados aviões de combate, com ou sem piloto, levaram a cabo mais de vinte mil missões de ataque contra um pequeno Estado do Terceiro Mundo que possui apenas seis milhões de habitantes, alegando as mesmas razões que ontem foram utilizadas para atacar e invadir Sérvia, Iraque, Afeganistão e hoje ameaçam com o fazer na Síria ou em qualquer outro país do mundo?

Não foi precisamente o Governo do Estado anfitrião da ONU que ordenou a chacina do Vietnã, Laos e Camboja, o ataque mercenário de Baia dos Porcos em Cuba, a invasão de São Domingos, a “Guerra Suja” na Nicarágua, a ocupação da Granada e do Panamá pelas forças militares dos Estados Unidos e o massacre de panamenhos em El Chorrillo? Quem promoveu os golpes militares e os genocídios no Chile, na Argentina e no Uruguai, que custaram dezenas de milhares de mortos e desaparecidos? Não falo de coisas acontecidas há 500 anos, quando os espanhóis iniciaram o genocídio na América, ou há 200 quando os ianques exterminavam indígenas nos Estados Unidos ou escravizavam africanos, apesar de que “todos os homens nascem livres e iguais” como dizia a Declaração de Filadélfia. Falo de fatos acontecidos nas últimas décadas e que estão acontecendo hoje.

Estes fatos não podem deixar de serem recordados e de serem repetidos quando tem lugar um acontecimento da importância e do relevo da reunião que se realiza na Organização das Nações Unidas, onde se coloca a prova a inteireza política e a ética dos governos.

Muitos deles representam países pequenos e pobres necessitados de apoio e de cooperação internacional, tecnologia, mercados e créditos, que as potências capitalistas desenvolvidas têm manejado a seu bel-prazer.

Apesar do monopólio sem vergonha da mídia e dos métodos fascistas dos Estados Unidos e seus aliados para confundir e enganar a opinião mundial, a resistência dos povos cresce, e isso pode ser constatado nos debates que se estão produzindo nas Nações Unidas.

Não poucos líderes do Terceiro Mundo, a pesar dos entraves e das contradições indicadas, têm colocado com valentia suas idéias. As próprias vozes que emanam dos governos da América Latina e do Caribe já não possuem o acento serviçal e vergonhoso da OEA, que caracterizou os pronunciamentos dos Chefes de Estados em décadas passadas. Dois deles dirigiram-se a esse foro; ambos, o presidente bolivariano Hugo Chávez, mistura das raças que integram o povo da Venezuela e Evo Morales, de pura estirpe indígena milenária, verteram seus conceitos nessa reunião, um através de uma mensagem e outro de viva voz, respondendo ao discurso do Presidente ianque.

Telesul transmitiu os três pronunciamentos. Graças a isso conseguimos conhecer desde a noite da terça-feira 20 a mensagem do Presidente Chávez, lida detidamente por Walter Martínez em seu programa Dossiê. Obama proferiu seu discurso na manhã da quarta-feira como Chefe de Estado do país anfitrião da ONU, e Evo pronunciou o seu nas primeiras horas da tarde desse próprio dia. Em prol da brevidade pegarei parágrafos essenciais de cada texto.

Chávez não pôde assistir pessoalmente à Reunião de Cúpula das Nações Unidas, após 12 anos de luta sem descanso um só dia,. O que colocou em risco sua vida e efetuou sua saúde e hoje luta abnegadamente por sua plena recuperação. Contudo, era difícil que sua mensagem valente não abordasse o tema mais crítico da histórica reunião. Transcrevo-a quase na íntegra:

“Dirijo estas palavras à Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas, […] para ratificar, neste dia e neste cenário, o total apoio da Venezuela ao reconhecimento do Estado palestino: o direito da Palestina a se tornar em um país livre, soberano e independente. Trata-se de um ato de justiça histórico com um povo que leva em si, desde sempre, toda a dor e o sofrimento do mundo.

“O grande filósofo francês Gilles Deleuze, […] diz com o acento da verdade: “A causa palestina é, antes do mais, o conjunto de injustiças que este povo tem padecido e continua padecendo.” E também é, atrevo-me a acrescentar, uma permanente e insubmissa vontade de resistência que já está inscrita na memória heróica da condição humana. […] Mahmud Darwish, voz infinita da Palestina possível, fala-nos desde o sentimento e da consciência desse amor: ‘Não precisamos da lembrança/ porque em nós está o Monte Carmelo/ e em nossas pálpebras está a erva da Galileia./ Não digas: se corrêssemos rumo a meu país como o rio!/ O não digas!/ Porque estamos na carne de nosso país/ e ele está em nós.’

“Contra aqueles que sustentam, falazmente que o acontecido ao povo palestino não é um genocídio, o próprio Deleuze sustenta com lucidez implacável: ‘Em todos os casos se trata de fazer como se o povo palestino não apenas não deveria existir, mas que não tivesse nunca existido. É, como o dizer?, o grau zero do genocídio: decretar que um povo não existe; negar-lhe o direito à existência’.”

“…a resolução do conflito do Oriente Médio passa, necessariamente, por fazer-lhe justiça ao povo palestino; este é o único caminho para conquistar a paz.

“Magoa e indigna que os que padeceram um dos piores genocídios da história, tenham se tornado em verdugos do povo palestino; magoa e indigna que a herança do Holocausto seja a Nakba. E indigna, a secas, que o sionismo continua fazendo uso da chantagem do anti-semitismo contra quem se opõem a seus atropelos e a seus crimes. Israel tem instrumentalizado e instrumentaliza, com descaramento e vileza, a memória das vítimas. E o faz para agir, com total impunidade, contra a Palestina. De passo, não resulta ocioso precisar que o anti-semitismo é uma miséria ocidental, européia, da qual não participam os árabes. Não esqueçamos, também, que é o povo semita palestino o que padece a limpeza étnica praticada pelo Estado colonialista israelita.”

“…uma coisa é rejeitar o anti-semitismo, e outra muito diferente é aceitar passivamente que a barbárie sionista lhe imponha um regime de apartheid ao povo palestino. Do ponto de vista ético, quem rejeitar o primeiro, tem que condenar o segundo.”

“… o sionismo, como visão do mundo, é absolutamente racista. As palavras de Golda Meir, em seu aterrador cinismo, são prova eloqüente disso: ‘Como vamos devolver os territórios ocupados? Não tem ninguém a quem devolvê-los. Não há tal coisa chamada de palestinos. Não era como se pensa que existia um povo chamado de palestino, que se considera ele próprio como palestino e que nós chegamos, os expulsamos e lhes tiramos seu país. Eles não existiam.’”

“Leia-se e releia-se esse documento que se conhece historicamente como Declaração de Balfour do ano 1917: o Governo britânico se arrogava a potestade de prometer aos judeus um lar nacional na Palestina, desconhecendo deliberadamente a presença e a vontade dos seus habitantes. É preciso acrescentar que na Terra Santa conviveram em paz, durante séculos, cristãos e muçulmanos, até que o sionismo começou a reivindicá-la como de sua inteira e exclusiva propriedade.”

“Ao concluir a Segunda Guerra Mundial, seria exacerbada a tragédia do povo palestino, consumando-se a expulsão de seu território e, ao mesmo tempo, da história. Em 1947 a ominosa e ilegal resolução 181 das Nações Unidas recomenda a partição da Palestina em um Estado judeu, um Estado árabe e uma zona sob controle internacional (Jerusalém e Belém). Foi concedido, […]56% do território para o sionismo para a constituição de seu Estado. De fato, esta resolução violava o direito internacional e desconhecia flagrantemente a vontade das grandes maiorias árabes: o direito de autodeterminação dos povos se convertia em letra morta.”

“…contra o que Israel e os Estados Unidos pretendem fazer acreditar ao mundo, através das transnacionais da comunicação, o que aconteceu e continua acontecendo na Palestina, digamo-lo junto de Said, não é um conflito religioso: é um conflito político, de carimbo colonial e imperialista; não é um conflito milenário mas contemporâneo; não é um conflito que nasceu no Oriente Médio mas na Europa.

“Qual era e qual continua sendo o âmago do conflito?: Privilegia-se a discussão e consideração da segurança do Israel, e para nada a da Palestina. Assim pode ser verificado na história recente: basta com recordar o novo episódio de genocídio desencadeado por Israel através da operação ‘Chumbo Fundido’ em Gaza.

“A segurança da Palestina não pode ser reduzida ao simples reconhecimento de um limitado autogoverno e autocontrole policial em seus ‘enclaves’ da ribeira ocidental do Jordão e na Faixa de Gaza, deixando de fora não apenas a criação do Estado palestino, sobre as fronteiras anteriores a 1967 e com Jerusalém oriental como sua capital, os direitos de seus nacionais e sua autodeterminação como povo, mas também, a compensação e conseguinte regresso à Pátria de 50% da população palestina que se encontra espalhada pelo mundo inteiro, tal e como o estabelece a resolução 194.

“Resulta incrível que um país (Israel) que deve sua existência a uma resolução da Assembléia-Geral, possa ser tão desdenhoso das resoluções que emanam das Nações Unidas, denunciava o padre Miguel D’Escoto quando pedia o cessar do massacre contra o povo de Gaza, a finais de 2008 e princípios de 2009.”

“É impossível ignorar a crise das Nações Unidas. Perante esta mesma Assembléia-Geral sustentamos, no ano 2005, que o modelo das Nações Unidas se tinha esgotado. O fato de que se tenha adiado o debate sobre a questão palestina, e que se lhe esteja sabotando abertamente, é uma nova confirmação disso.

“Há já vários dias Washington vem manifestando que vetará no Conselho de Segurança o que será resolução majoritária da Assembléia-Geral: o reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU. Junto das Nações irmãs que conformam a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), na Declaração de reconhecimento do Estado palestino, temos deplorado, desde já, que tão justa aspiração possa ser bloqueada por esta via. Como sabemos, o império, neste e noutros casos, pretende impor um duplo padrão no cenário mundial: é a dupla moral ianque que viola o direito internacional na Líbia, porém permite que o Israel faça o que quiser, tornando-se assim no principal cúmplice do genocídio palestino a mãos da barbárie sionista. Lembremos umas palavras de Said que metem o dedo na chaga: ‘Devido aos interesses do Israel nos Estados Unidos, a política deste país em torno ao Oriente Médio é, portanto, israelo-cêntrica.’”

“Quero findar com a voz de Mahmud Darwish em seu poema memorável: ‘Sobre esta terra tem uma coisa que merece viver: sobre esta terra está a senhora da terra, a mãe dos começos,/ a mãe dos finais. Chamava-se Palestina. Continua se chamando Palestina./ Senhora: eu mereço, porque tu és minha dama, eu mereço viver.’”

“Continuará chamando-se de Palestina: Palestina viverá e vencerá! Longa vida a Palestina livre, soberana e independente!

“Hugo Chávez Frías

“Presidente da República Bolivariana da Venezuela”.

Quando a reunião começou na manhã seguinte, suas palavras estavam já no coração e na mente das pessoas ali reunidas.

O líder bolivariano nunca foi inimigo do povo judeu. Homem de particular sensibilidade, detestava profundamente o brutal crime cometido pelos nazistas contra crianças, mulheres e homens, jovens e idosos nos campos de concentração onde também os ciganos foram vítimas de crimes atrozes e tentativa de extermínio, que, não obstante, ninguém se lembra e nunca são mencionados. Igualmente centenas de milhares de russos morreram nesses campos de extermínio como raça inferior no conceito racial nazista.

Quando Chávez regressou a seu país, procedente de Cuba, na noite de quinta-feira 22 de setembro, referiu-se com indignação ao discurso pronunciado por Barack Obama nas Nações Unidas. Poucas vezes o escutei falar com tanto desencanto sobre um líder ao qual tratava com determinado respeito, como uma vítima da própria história da discriminação racial nos Estados Unidos. Nunca o considerou capaz de agir como o teria feito George Bush e conservava uma lembrança respeitosa das palavras trocadas com ele na reunião de Trinidad e Tobago.

“Ontem estivemos ouvindo um conjunto de discursos, antes de ontem também, lá nas Nações Unidas, discursos precisos como o da presidenta Dilma Rousseff; discurso de alto valor ético como o do presidente Evo Morales; um discurso que poderíamos catalogar como um monumento ao cinismo, o discurso do presidente Obama, é um monumento ao cinismo que sua própria cara delatava, sua própria cara era um poema; um homem chamando à paz, imagine você, Obama chamando à paz, com quê moral? Um monumento histórico ao cinismo esse discurso do presidente Obama.

“Estivemos ouvindo discursos precisos, orientadores: o do presidente Lugo, o da presidenta argentina, fixando posições valentes perante o mundo.”

Quando começou a reunião de Nova Iorque na manhã de quarta-feira 21 de setembro, o Presidente dos Estados Unidos, –após as palavras da Presidenta do Brasil que abriu os debates, e depois da apresentação de rigor– ocupou o pódio e iniciou seu discurso.

“Em sete décadas, ―começou dizendo― quando a ONU impediu que houvesse uma Terceira Guerra Mundial, continuamos em um mundo marcado pelo conflito e prenhe de pobreza; quando proclamamos nosso amor pela paz e ódio pela guerra, continuam existindo convulsões no mundo que nos colocam a todos em perigo.”

Não se sabe qual seria o momento em que segundo Obama, a ONU impediu uma Terceira Guerra Mundial.

“Assumi o cargo em um momento de duas guerras para os Estados Unidos, uma guerra contra o extremismo, que nos levou à guerra; em primeiro lugar, Osama Bin Laden e sua organização Al-Qaeda continuavam livres. Hoje estabelecemos uma nova direção, no final deste ano as operações militares no Iraque vão concluir, vamos ter relações normais com um país soberano, membro da comunidade de nações. Essa aliança será fortalecida com o fortalecimento do Iraque, da sua força de segurança, do seu governo, do seu povo e também das suas aspirações.”

De que país está realmente Obama falando?

“Ao pôr término à guerra no Iraque, os Estados Unidos e seus aliados começarão a transição no Afeganistão; temos um país no Afeganistão que pode assumir a responsabilidade do futuro de seu país, na medida em que em que o fazem vamos tirando nossas próprias forças e vamos construindo uma aliança solidária com o povo afegão. Não deve existir dúvida, então, de que a onda da guerra está se revertendo.

“Assumi o poder quando milhares de estadunidenses serviam no Afeganistão e no Iraque, no final deste ano esse número vai se reduzir à metade e seguirá diminuindo. Isto é fundamental para a soberania, tanto do Iraque quanto do Afeganistão e também resulta essencial para o fortalecimento da ONU e dos Estados Unidos, quando construímos nossa própria nação; além disso, estamos saindo dali com uma posição forte. Há 10 anos havia uma ferida aberta e ferros retorcidos, um coração partido no centro desta cidade; hoje quando se ergue uma nova torre simboliza a renovação de Nova Iorque; hoje Al-Qaeda tem mais pressões do que nunca, sua liderança tem sido degradada, Osama Bin Laden, um homem que matou milhares de pessoas de dúzias de países, já não colocará em perigo a paz do mundo.”

De quem foi aliado Bin Laden, quem realmente o treinou e armou para combater os soviéticos no Afeganistão? Não foram os socialistas, nem os revolucionários em nenhuma parte do mundo.

“Esta década tem sido bem difícil, […] mas hoje estamos na encruzilhada da história, com a oportunidade de nos movimentar de maneira decisiva rumo à paz; para tal devemos voltar à sabedoria dos que criaram esta instituição. As Nações Unidas e sua Carta instam a que nos juntemos para manter a paz e a segurança internacionais.”

Quem tem bases militares em todas as partes do mundo, quem é o maior exportador de armas, quem possui centenas de satélites espiões, quem investe mais de um milhão de milhões de dólares anuais em despesas militares?

“Este ano tem sido um momento de grandes transformações, mais nações têm avançado para manter a paz e a segurança e mais indivíduos estão reclamando seu direito a viver em paz e me liberdade.”

Depois cita os casos do Sudão do Sul e Costa de Marfim. Não diz que no primeiro, as transnacionais ianques se lançaram sobre as reservas petroleiras desse novo país, cujo presidente nessa própria Assembléia da ONU, disse que era um recurso valioso, mas esgotável e propunha o uso racional e ótimo do mesmo.

Obama também não expressou que a paz, em Costa de Marfim foi alcançada com o apoio dos soldados colonialistas de um eminente membro da belicosa NATO que acaba de lançar milhares de bombas sobre a Líbia.

Menciona pouco depois a Tunísia, e atribui aos Estados Unidos o mérito do movimento popular que derrubou o governo desse país, um aliado do imperialismo.

Mais assombroso ainda, Obama pretende ignorar que Estados Unidos foi o responsável de que no Egito se instalasse o governo tirânico e corrupto de Use Mubarak, que ultrajando os princípios de Nasser, aliou-se ao imperialismo, arrebatou a seu país dezenas de milhares de milhões e tiranizou esse valoroso povo.

“Há um ano, ―afirma Obama― Egito tivera um presidente durante quase 30 anos. Durante 18 dias os olhos do mundo estavam focados na Praça Taghir, onde os egípcios de todas as camadas da sociedade, jovens, crianças, mulheres, homens, muçulmanos e cristãos, demandavam seus direitos universais. Vimos nesses manifestantes a força da não violência que nos tem levado de Nova Deli até Selma e vimos que a mudança chegou ao Egito e ao mundo árabe por meios pacíficos.”

“Dia após dia frente às balas e às armas o povo líbio não renunciou a sua liberdade, e quando foi ameaçado por essa atrocidade que temos visto muito nos últimos séculos, a ONU respeitou sua Carta, o Conselho de Segurança autorizou as medidas necessárias para evitar um massacre na Líbia. A Liga Árabe exigiu esta intervenção, houve uma aliança e uma coligação para evitar o avanço das forças de Khadaffi.”

“Ontem as lideranças de uma nova Líbia tomaram seu lugar aqui, conosco, e nesta semana as Nações Unidas e os Estados Unidos estão abrindo sua nova embaixada em Trípoli.

“Eis como a comunidade internacional deve funcionar, e deveria funcionar: as nações que se juntam para procurar a paz e a segurança e os indivíduos que exigem seus direitos.

“Todos nós temos a responsabilidade de apoiar a nova Líbia, o novo governo líbio que enfrenta transformar esta promessa em uma benção para todos os líbios.”

“O regime de Khadaffi acabou, Gbagbo, Ben Ali, Mubarak, já não estão no poder. Osama Bin Laden se foi, e a idéia de que a mudança somente pode chegar pela violência tem sido enterrada junto com ele.”

Observem a forma poética com que Obama despacha o assunto de Bin Laden, qualquer que tenha sido a responsabilidade deste antigo aliado, executado com um disparo no rosto diante de sua esposa e seus filhos e lançado ao mar desde um porta-aviões, ignorando costumes e tradições religiosas de mais de mil milhões de crentes e princípios jurídicos elementares estabelecidos por todos os sistemas penais. Tais métodos não conduzem nem conduzirão jamais à paz.

“Alguma coisa está acontecendo em nosso mundo, —continua relativamente à Líbia― a maneira como as coisas têm sido é como será no futuro. A mão da tirania tem terminado, os tiranos têm sido ignorados e agora o povo tem o poder. Os jovens rejeitam a ditadura, rejeitam a mentira de que algumas raças, alguns povos, algumas etnias não merecem a democracia.

“A promessa no papel de que todos nascemos livres e com o mesmo direito cada vez está mais próxima de ser realidade […] A medida do sucesso é se as pessoas podem viver em uma liberdade, dignidade e segurança sustentável, e a ONU e seus membros devem fazer o necessário para apoiar estas aspirações básicas, e temos mais trabalho que fazer nesse sentido.”

De imediato a empreende contra outro país muçulmano onde, como se sabe, seus serviços de inteligência junto dos de Israel, assassinam sistematicamente os cientistas mais destacados da tecnologia militar.

A seguir ameaça Síria, onde a agressividade ianque pode conduzir a um massacre muito mais espantoso do que o da Líbia: “Hoje, homens, mulheres e crianças têm sido assassinados e torturados pelo regime da Síria; milhares têm sido assassinados, muitos durante o período sagrado do Ramadã; milhares têm atravessado a fronteira da Síria.

“O povo sírio tem mostrado dignidade e valentia em sua busca de justiça, protestando pacificamente e morrendo pelos mesmos valores que esta instituição defende. Ora bem, a questão é simples: Vamos apoiar o povo sírio ou vamos apoiar seus opressores? A ONU já tem aplicado sanções aos líderes sírios. Apoiamos a transferência de poder que responda ao desejo do povo sírio, e muitos se nos juntaram neste esforço; mas pelo bem da Síria e da paz e a segurança do mundo devemos falar com uma só voz: não tem desculpa para a ação. Tem chegado o momento para que o Conselho de Segurança sancione o regime da Síria e apóie o povo sírio.”

Por acaso ficou algum país excluído das ameaças sangrentas deste ilustre defensor da segurança e da paz internacional? Quem concedeu aos Estados Unidos tais prerrogativas?

“Na região, devemos responder aos apelos pela mudança. No Iêmen, mulheres, crianças, homens se reuniram nas praças, todos os dias, com a esperança de que sua determinação e o derramamento de seu sangue conduzam a uma mudança. O povo estadunidense apóia essas aspirações. Devemos trabalhar com os vizinhos e os parceiros no mundo para procurar um caminho que conduza para uma transição pacífica do governo de Saleh, e que hajam eleições livres e justas o mais rápido possível.

“No Bahrein foram tomadas medidas para a reforma na prestação de contas. Estamos contentes com isso, porém se precisa de muito mais. Somos amigos de Bahrein, e seguiremos exigindo ao governo e aos opositores que procurem um diálogo significativo que chegue a mudanças pacíficas e cumpra os desejos do povo. Acreditamos que o patriotismo de Bahrein pode ser maior do que o sectarismo que o separa; é difícil, mas se pode conseguir.”

Não menciona em absoluto que ali se encontra uma das maiores bases militares da região e que as transnacionais ianques controlam e dispõem a seu bel-prazer das maiores reservas de petróleo e de gás da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes.

“Julgamos que cada nação deve ter seu próprio caminho para conseguir satisfazer as aspirações dos povos. Não podemos concordar com todos aqueles que se expressam politicamente, mas sempre vamos defender os direitos universais que foram apoiados por esta Assembléia, direitos que dependem de eleições livres e justas, governos transparentes e que prestem contas, tenham respeito pelos direitos das mulheres e das minorias, justiça igual e justa. Isso merece nosso povo. Estes são os elementos da paz que podem durar.”

“…Os Estados Unidos vão continuar apoiando as nações que vão rumo à democracia com maior comércio e investimento, para que a liberdade seja seguida da oportunidade. Continuaremos nosso compromisso com os governos, mas também com a sociedade civil, os estudantes, os empresários, os partidos políticos, a imprensa, a mídia.

“Temos condenado os que violam os direitos humanos e impedem que cheguem a esses países. Castigamos os que violam esses direitos, e sempre vamos servir como uma voz daqueles que têm sido silenciados.”

Depois desta longa lengalenga, o insigne Prêmio Nobel entra no espinhoso tema de sua aliança com o Israel que por certo, não figura entre os privilegiados possuidores de um dos mais modernos sistemas de armas nucleares e meios capazes de alcançar objetivos distantes. Conhece perfeitamente bem quão arbitrária e impopular é essa política.

“Sei que nesta semana há um tema que é fundamental neste sentido, para esses direitos. É uma prova para a política externa dos Estados Unidos quando o conflito entre o Israel e os palestinos continua. Há um ano estive neste pódio e fiz um apelo para que houvesse uma Palestina livre. Então acreditei, e ainda acredito hoje, que o povo palestino merece seu Estado, mas também disse que uma paz genuína só pode ser alcançada entre israelitas e palestinos. Um ano depois, apesar de muitos esforços dos Estados Unidos e de outros, as partes não têm podido salvar suas diferenças. Diante desta estagnação propus uma nova base de negociações, fi-lo no passado mês de maio. Essa base é clara, é conhecida para todos: os israelitas devem saber que qualquer acordo deve ter garantias para sua segurança; os palestinos devem conhecer as bases territoriais de seu Estado. Sei que muitos têm estado frustrados pela falta de avanços, e eu também estive e continuo estando. A questão não é a meta que procuramos, senão como atingimos essa meta.”

“A paz exige muito trabalho, a paz não vai chegar por resoluções nem declarações perante a ONU, se fosse tão fácil já se teria conseguido. Os israelitas e os palestinos devem se sentar, e vão viver juntos, são eles os que devem procurar uma solução viável em suas fronteiras, devem procurar uma solução sobre Jerusalém, sobre os refugiados. A paz depende do acordo entre aqueles que devem viver juntos depois que culminem nossos discursos, muito depois de que nós tenhamos votado.”

Estende-se a seguir em uma longa ladainha para explicar e justificar o inexplicável e o injustificável.

“…Não há dúvidas nesse sentido de que os palestinos têm visto isto retrasado por demasiado tempo, e é justamente porque cremos tanto nas aspirações do povo palestino que os Estados Unidos têm investido tanto tempo e tanto esforço em construir um Estado palestino e negociações que possam cumprir esta meta do Estado palestino; porém é preciso compreender isto também, os Estados Unidos fizeram um compromisso com a segurança do Israel, é essencial; nossa amizade é profunda e duradoira com este Estado israelita.”

“O povo judeu tem formado um Estado com sucesso e merece reconhecimento e relações normais com seus vizinhos, e os amigos dos palestinos não lhe fazem nenhum favor ao ignorar esta verdade.

“…cada lado tem aspirações legítimas, e isso é parte do que faz a paz, algo tão difícil, e o prazo final somente poderá ser quebrado quando cada parte aprenda a estar nos sapatos do outro, cada parte possa ver o mundo através dos olhos do outro. Isso devemos incentivá-lo, devemos promover isso.”

Enquanto isso, os palestinos permanecem desterrados de sua própria pátria, suas casas são destruídas por monstruosos equipamentos mecânicos e um muro odioso, muito mais alto que o de Berlin, separa uns palestinos de outros. O melhor que podia ter reconhecido Obama é que os próprios cidadãos israelitas já estão cansados da dilapidação de recursos investidos no setor militar, que os priva de paz e de acesso aos meios elementares de vida. Igual do que os palestinos, eles estão sofrendo as conseqüências dessas políticas impostas por Estados Unidos e os elementos mais belicosos e reacionários do Estado sionista.

“Na medida em que fazemos face a esses conflitos e a estas revoluções devemos reconhecer e recordar que […] a paz verdadeira depende de criar a oportunidade que faz com que a vida valha a pena ser vivida, e para tal devemos confrontar inimigos comuns da humanidade: as armas nucleares, a pobreza, a ignorância e a enfermidade.”

Quem entende este galimatias do Presidente dos Estados Unidos perante a Assembléia-Geral?

A seguir postula sua ininteligível filosofia:

“Para fazer face à destruição mundial devemos lutar por um mundo sem armas nucleares; nos últimos dois anos começamos a andar essa senda. Desde a Reunião de Cúpula em Washington muitas nações começaram a assegurar seu material nuclear contra os possíveis terroristas.”

Pode ter terrorismo maior do que a política agressiva e belicosa de um país cujo arsenal de armas nucleares poderia destruir várias vezes a vida humana neste planeta?

“Os Estados Unidos vão continuar trabalhando para proibir a prova de materiais nucleares e dos materiais para estas armas nucleares”, continua nos prometendo Obama. “Temos começado, então, a avançar no sentido correto. Os Estados Unidos estão comprometidos a cumprir com suas obrigações; mas quando cumprimos com nossas obrigações esperamos que as instituições também ajudem a limitar a expansão destas armas […] O Irão não tem podido demonstrar que seu programa de armas nucleares seja pacífico.”

Volta com a lengalenga! Mas desta vez o Irão não está sozinho; acompanha-o a República Democrática da Coréia.

“Coréia do Norte ainda tem que tomar medidas para reduzir suas armas e reduzir sua beligerância contra o Sul. Existe um futuro de muitas oportunidades para os povos dessas nações se seus governos cumprirem com suas obrigações internacionais; mas se continuarem na senda fora do direito internacional, deverão sentir maiores pressões de isolamento, por isso é que nosso compromisso rumo à paz e à segurança exigem que isto seja feito desta maneira.”
Continuará amanhã.

Fidel Castro Ruz
25 de setembro de 2011
19h36

Fonte: http://pt.cubadebate.cu/reflexoes-fidel/2011/09/26/chavez-evo-e-obama-pr...

Nota da ABRASME sobre Madres de Plaza de Mayo

Nota da Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME

Sobre a crise atual na Associação das Madres de Plaza de Mayo

Há algum tempo a Associação Madres de Plaza de Mayo vem sofrendo
inúmeros ataques, sob a alegação de desvio de recursos públicos. É com dificuldade
que aqui do Brasil temos condições para acompanhar o desenrolar de tal crise.

Não obstante, entendemos que a luta, a militância e a história política de
Madres, em defesa da vida e dos direitos humanos, contra a tortura e o terrorismo de
Estado, são importantes conquistas históricas - não apenas da sociedade argentina, mas da humanidade contemporânea. E que não é por supostos desvios de conduta, ética ou jurídica, de membros da entidade, que se venha a invalidar e denegrir o papel da entidade.

Entendendo que os setores conservadores e da direita política na Argentina e na América Latina buscam aproveitar-se da crise para invalidar toda a construção histórica e os avanços democráticos propiciados pela luta das Madres, manifestamos apoio irrestrito à entidade. Todos estamos na expectativa de que os fatos que hoje envolvem a legitimidade política da entidade sejam esclarecidos e que a verdade seja mostrada.

Devido à relação histórica que mantivemos com a entidade, e em particular com alguns dos dirigentes históricos do Congresso de Saúde Mental e Direitos Humanos, em particular com nosso companheiro Gregorio Kazi, pedimos que a apuração dos fatos venha a ser realizada de maneira jurídico-legal – de modo transparente. Partimos, no entanto, da presunção da inocência, e não compactuamos com medidas de retaliação e violência aos envolvidos.

Acreditamos que a luta histórica em defesa da vida e dos direitos humanos
iniciada pelas Madres consolidou um espaço reconhecido no mundo todo com o
Congresso Internacional de Saúde Mental e Direitos Humanos.

Considerando que muitos militantes da saúde mental e dos direitos humanos
estão se organizando para participar do próximo Congresso Internacional de Saúde
Mental e Direitos Humanos, aproveitamos para divulgar que este ano o mesmo será
realizado no período de 17 a 19 de novembro em Córdoba, e não em Buenos Aires.

Rio de Janeiro 22 de setembro de 2011.

Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME

Estudantes chilenos voltam a protestar em Santiago

SANTIAGO - Após quatro meses de protestos, estudantes chilenos voltaram a protagonizar nesta quinta-feira uma passeata em Santiago considerada crucial para medir a força do movimento. Segundo os organizadores, cerca de 180 mil pessoas marcharam da Universidade de Santiago até o Parque Almagro. A polícia estimou a multidão em 60 mil.

Desde o começo dos protestos estudantis, as passeatas têm sido consideradas as maiores já realizadas no Chile desde que o país voltou à democracia em 1990. A última convocatória, porém, teve baixa adesão, o que gerou críticas de que o movimento estava desgastado.

FOTOGALERIA: Veja outras imagens do protesto estudantil no Chile

A presidente da Federação de Estudantes Universitários do Chile (Confech), Camila Vallejo, rebateu afirmando que "em nenhum momento o movimento esteve debilitado" e que a mobilização "é uma ferramenta legítima e necessária neste momento".

A passeata desta quinta-feira, porém, superou as expectativas dos próprios organizadores.

- Isto supera as expectativas, mas além do número de pessoas, estamos apostando que esse movimento veio para ficar - afirmou o presidente da Federação de Estudantes da Universidade Católica, Giorgio Jackson.

Durante a passeata, os estudantes procuraram se manter distantes do Palácio de La Moneda, onde o governo não autoriza manifestações. Mas no final da manifestação pequenos grupos provocaram distúrbios e enfrentaram a polícia, que reprimiu os manifestantes com jatos de água e gás lacrimogêneo. O número de detidos não foi divulgado.

O porta-voz oficial, Andrés Chadwick, disse que o governo não cederá no caminho que traçou:

- (O novo protesto) não vai mudar o que é o tema e a preocupação fundamental do governo: por uma parte insistir na necessidade do diálogo e, por outra parte, seguir governando e através dos projetos de lei apontar a solução do conflito.

Em discurso na ONU em Nova York, o presidente Sebastián Piñera disse nesta quinta-feira que seu governo está disposto a fazer uma grande reforma com os melhores recursos para melhorar a qualidade da educação.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/09/22/estudantes-chilenos-voltam-... )

Declaração de Manágua - 4º Encontro Sindical Nossa América

Encontro Sindical Nossa América - Os 337 delegados de 134 organizações de trabalhadores de 27 países de Nossa América, acompanhados por delegações fraternais da Europa e da África, reunidos em Manágua no 4º Encontro Sindical Nossa América, reafirmamos nosso compromisso pela defesa dos direitos dos trabalhadores, na luta contra o neoliberalismo, o capitalismo e pela transformação social de Nossa América.

Reunimo-nos em um momento no qual o capitalismo enfrenta uma de suas crises mais profundas, na qual se faz mais evidente que a salvação da humanidade e de seus habitantes só é possível a partir de um novo sistema social: o socialismo.

Reunimo-nos em um momento no qual os imperialistas fazem uso da guerra – mais uma vez – para submeter os povos e retirar suas riquezas, como é flagrante no caso do povo líbio, vítima da agressão imperialista da OTAN, que viola o direito internacional e os direitos humanos, atenta contra a vida e o direito à autodeterminação. Condenamos a agressão antiimperialista, nos solidarizamos com a digna resistência do povo da Líbia e chamamos a todos para uma ativa solidariedade internacional, exigindo a saída da OTAN e o direito da Líbia e dos líbios a escolher e construir seu próprio destino.

Essa mesma política imperialista é aplicada contra o povo palestino, vítima do despojo de seu território e de uma agressão permanente, que chega a milhares de mortos em massacres, além do exílio desde o ano de 1948 por parte de Israel; nos solidarizamos com a justa luta do povo palestino e fazemos um chamado para que se cumpra o direito internacional, com as resoluções das Nações Unidas, de reconhecimento ao Estado Palestino com as fronteiras de 1967 e tendo Jerusalém Oriental como sua capital.

Da mesma forma, fazemos um chamado veemente para que se cumpram as Resoluções das Nações Unidas em relação a Cuba. Há anos, de maneira quase unânime, seus membros votam pelo fim do bloqueio contra o povo cubano; nos solidarizamos com o digno e solidário povo de Cuba, que luta contra as agressões de todo tipo e construi com novos brios a sociedade socialista. Ao mesmo tempo, nos comprometemos a continuar a luta de maneira mais intensa pela libertação dos Cinco Patriotas cubanos, mantidos injustamente em cárceres dos Estados Unidos, até conseguir tão logo seu regresso à terra de Martí e Fidel.

A luta dos povos por sua libertação tem nessa etapa sua prioridade na luta contra o neoliberalismo e o capitalismo, sistema que se vê empobrecido e que tornou mais desigual a vida de todos os seres humanos no planeta; essa luta avança desde 1999 com o triunfo da Revolução Bolivariana e os diversos processos de mudanças políticas que se desenvolvem na região, e que tem como expressão recente a luta do povo chileno, com a beligerante resistência às políticas neoliberais; pronunciamos nosso mais profundo rechaço à repressão produzida pelo governo chileno ante ao protesto estudantil que demanda o direito à educação pública e gratuita.

A luta dos jovens chilenos é parte da resistência que, em distintas latitudes, foram protagonizadas pelos trabalhadores de todo o mundo ante à brutal ofensiva do capital para superar a atual crise do capitalismo mundial. Uma crise que se estende, que tem múltiplas facetas e que desnuda o problema da humanidade contemporânea e que demanda a construção de uma alternativa política e social, de outra ordem social. São lutas que manifestam uma busca por um ator popular global e que se processa entre os discriminados da Inglaterra, os indignados da Espanha e os trabalhadores que sofrem com os ajustes na Grécia. As lutas que mencionamos foram essenciais nas resistências de nossos povos latino-americanos e caribenhos, no embate contra o ajuste neoliberal para construir uma nova época de mudança política nestes primeiros anos do século 21.

Um dos aspectos mais agressivos da política de poder imperialista é a militarização. Nesse sentido, manifestamos nosso rechaço à militarização do continente americano, que tem sua maior expressão na Colômbia, cuja orientação ameaça a todos os nossos povos. Chamamos o governo colombiano e a Unasul a promover processos de conversações com a insurgência, com o propósito de iniciar "acordos humanitários" que tirem a população civil do conflito, que estabeleça o cessar-fogo e torne viável uma solução pacífica em benefício do povo colombiano. A política de militarização no continente inclui a instalação de bases militares, exercícios conjuntos, tanto como o restabelecimento da 4ª Frota e a intervenção militar no Haiti. Devemos nos mobilizar exigindo que nosso continente seja uma zona de paz e amizade entre os povos, para sua emancipação.

Por todo o que foi dito é que pensamos a partir do ESNA que as receitas do G7 e do G20, do FMI e do Banco Mundial não poderão resolver a crise, mas sim agravá-la, levando a milhões de trabalhadores ao desemprego, à superexploração, à exclusão e à pobreza. A receita propõe que os trabalhadores paguem a festa de alguns poucos e também as guerras imperiais que alimentam uma velha e anacrônica estrutura neocolonial. A realidade é que, frente ao fanatismo histórico de quem nos quer subordinar ao possibilismo, emergem nos cinco continente os trabalhadores para se rebelar e dizer que outro mundo é possível. Temos a necessidade e o dever de construir a mais extensa e profunda solidariedade e coordenação dos trabalhadores e dos povos que questionam aqueles que pretendem ampliar esses ajustes. É necessária a organização internacional dos trabalhadores para a mais ampla solidariedade e unidade de ação global.

A perda dos lucros e a desvalorização do capital mais concentrado, desde que a crise explodiu em 2007, modificou a orientação da política das classes dominantes que não exitaram em resgatar o papel dos Estados nacionais para a salvação das grandes empresas em crise. Fizeram-no com aplicações multimilionárias de dinheiro – ou com impagáveis endividamentos estatais que condicionam as finanças públicas e promovem o maior ajuste social a afetar os direitos dos trabalhadores.

A crise é global e tem manifestações específicas e desiguais em diferentes países. Expressa-se hoje com crueldade no capitalismo desenvolvido, pondo em evidência a declinação relativa do poder econômico dos Estados Unidos e a necessidade objetiva de uma nova ordem econômica mundial, diferente da que foi construída em 1945. Por isso é que respondem com violência e terrorismo global com consequências muito graves sobre os trabalhadores e os povos. Há mais de um bilhão de pessoas com fome, em que pese a revolução produtiva e tecnológica do setor agrícola, mais para satisfazer o desperdício energético do que as necessidades alimentares da população mundial. Essa miséria convive com a desfaçatez da riqueza concentrada.

Por isso, em Nossa América , mesmo com o recente crescimento econômico, 40% da população é composta por pobres – e só recebem 15% do ingresso total, enquanto que os 20% mais ricos absorvem 20 vezes mais investimentos do que os 20% mais pobres. A fome em nossa região é sentida por 53 milhões de irmãos, persistindo ainda 8,3% de analfabetos entre os cidadãos e cidadãs com mais de 15 anos. Perdura também uma mortalidade infantil de 19 por mil nascidos vivos – número que se torna 60% maior entre a população indígena. O desemprego oscila entre 7% e 10% em nossos países e a ameaça sobre o emprego, o salário e o investimento popular se estende.

Esses são dados de um território rico em recursos naturais, na produção de alimentos e na indústria em geral, alémde dispor de uma experiência destacada em matéria de direitos sociais, educação e saúde públicas. A liberalização dos últimos anos nos deixa essa sequela de barbárie que explica a grande precariedade que perdura em nossos países, superior ao crescimento médio mundial.

Queremos questionar o crescimento econômico sustentado a partir de um modelo produtivo que afirma a primariedade de nossa região, que reitera a funcionalidade da demanda de matérias-primas e recursos naturais do capitalismo desenvolvido. O crescimento não assegura por si mesmo soberania alimentar, energética, ambiental, financeira ou econômica. Por isso reivindicamos a necessidade de construir outra ordem econômica e social.

Por isso, nos comprometemos, a partir do ESNA, a aprofundar a organização e as demandas dos trabalhadores, pela afirmação de nossos direitos ao "bem viver" que hoje consagram algumas constituições da região. Necessitamos afiançar processos de mudanças econômicas e sociais de caráter nacional e integrados, sem a ingerência imperialista, como se construi na ALBA e recentemente na UNASUL e na CELAC, acelerando os processos de articulação de um padrão de produção e distribuição orientado para a valorização do trabalho, de modo a satisfazer as necessidades da população trabalhadora e empobrecida.

Ante a manifestação monetária da crise em curso, nos pronunciamos pela administração soberana de nossos recursos públicos acumulados em relevantes reservas internacionais, para favorecer a soberania na produção e os intercâmbios em nossa região, eliminando a subordinação às moedas hegemônicas e privilegiando a construção de uma moeda comum regional. Pronunciamo-nos pela imediata construção do Banco do Sul para a promoção de um desenvolvimento alternativo para o capitalismo em crise. Trata-se de impugnar a ordem vigente para gerar consciência entre a população trabalhadora e empobrecida de quem outro mundo, sem exploração, é possível.

Essa possibilidade se conquista a partir da unidade dos trabalhadores e dos povos, como demonstram as melhores experiências entre nós, tanto no presente quanto no passado. É o caminho que traçaram as resistências dos povos originários, os movimentos pela independência e, mais recentemente, a luta pelo socialismo de Mariátegui, Sandino, Che Guevara e as revoluções cubana, sandinista, bolivariana, comunitária, cidadã e outros processos de mudanças políticas que se estendem pela região.

Esse novo tempo vivido por nossa América é o que se vive na terra sandinista que nos recebe – e que se presta a ratificar o apoio popular para aprofundar as mudanças políticas, sociais e culturais imprescindíveis para enfrentar o capitalismo e construir o horizonte socialista nesta segunda etapa da revolução sandinista. Por isso, o 4º ESNA expressa seu apoio ao processo revolucionário da Nicarágua e respalda a candidatura de Daniel Ortega para um novo período presidencial, na certeza de que as eleições do próximo dia 6 de novembro trarão uma nova vitória ao povo de Sandino, naquela que será também uma vitória dos povos de nossa América.

Queremos ratificar, desde a terra de Rubén Darío, Augusto César Sandino e Carlos Fonseca Amador, que nossa curta história como ESNA nos confirma a necessidade de articular o movimento de trabalhadores para enfrentar a estratégia do poder, e assim como esses ícones, privilegiar a luta pelo sentido comum – que é o sentido das classes dominantes – ratificando e nos comprometendo a aprofundar nossa batalha de ideias para gerar a emancipação d@s trabalhador@s e os povos.

Finalmente, convocamos todos a cumprirem nossos compromissos assumidos neste 4º Encontro Sindical Nossa América, afirmando o caráter antiimperialista, anti-capitalista e pelo socialismo de nossa construção.

Na convicção de que as classes dominantes pretendem resolver a crise capitalista com uma maior exploração dos trabalhadores, fazemos um chamamento à unidade e à luta da classe trabalhadora em defesa de seus direitos e pela emancipação social, o que supõe promover um grande protagonismo político dos trabalhadores em salvaguarda de seus interesses e a promoção da integração alternativa dos povos.

Companheiras e companheiros: desde Manágua, estamos chamando a todos para que nos encontremos novamente no México durante o ano de 2012, para realizar o 5º Encontro Sindical Nossa América.

Unidos venceremos!

Manágua, 27 de agosto de 2011

Fonte: Diário Liberdade (http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=...)

Cuba diz que embargo gerou dano de US$ 975 bi

Danos econômicos do bloqueio a Cuba chegam a US$ 975 bilhões

Vice-chanceler cubano, Abelardo Moreno pediu apoio da comunidade internacional | Foto: Cubadebate

Da Redação

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (14) pelo governo cubano revelou que os danos econômicos sofridos pelo país por conta do bloqueio imposto pelos Estados Unidos chegaram a US$ 975 bilhões ao final de 2010.

Os dados foram apresentados pelo vice-chanceler cubano, Abelardo Moreno. Segundo ele, os danos econômicos “cresceram por conta da depreciação internacional do dólar frente ao ouro entre 1961 e 2010”.

O dirigente aproveitou a oportunidade para pedir o apoio da comunidade internacional ao projeto que será apresentado na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) no próximo dia 25 de outubro. Na ocasião, o país pedirá a suspensão imediata e incondicional do bloqueio norte-americano.

“É fundamental que os países do mundo sejam capazes de resistir às continuas pressões dos Estados Unidos, que buscam que as nações não tenham relações comerciais e financeiras com nosso país”, afirmou.

As restrições à Cuba foram impostas pelos Estados Unidos em fevereiro de 1962. Em 1999, o então presidente norte-americano Bill Clinton ampliou o embargo, impedindo que as filiais estrangeiras de empresas do país comercializassem com a ilha em valores superiores a US$ 700 milhões.

Este será o vigésimo ano seguido que a Assembleia da ONU trata do bloqueio dos Estados Unidos. Nas 19 oportunidades anteriores, o plenário aprovou resoluções que condenavam as restrições. O bloqueio, no entanto, continuou.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/cuba-diz-que-embargo-gerou-dano...

O Trágico 11 de setembro

Esse trágico dia de 1973 pôs fim ao governo do presidente chileno Salvador Allende, iniciado em 1970. O agudo som dos aviões militares Hawker Hunter e o estrondo das bombas despejadas sobre o Palácio de La Moneda ainda ressoam no mundo apesar de ter saído das manchetes mundiais pela irrupção da queda das Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. O ator principal em ambas as tragédias continua o mesmo, os EUA, numa agredindo nos bastidores daquele golpe de Estado e na outra sendo atingido no próprio proscênio num efeito boomerang pela sua constante política do porrete (big stick) no cenário internacional, como ensinou o presidente T. Roosvelt no inicio do século XX, sempre reatualizada para manter o acesso liberado - com rios de sangue inocente - aos recursos naturais do planeta. Não foi outro o interesse dos EUA no inicio da desestabilização do governo popular de Allende levada a cabo pelo governo de Richard Nixon brindando ostensivo apoio às Forças armadas chilenas e à reação local findando no golpe de Estado do general Pinochet e na morte do “companheiro Presidente” quem, horas antes do trágico desfecho, disse: “Pagarei com minha vida a lealdade do povo”. Iniciava-se ali uma longa noite de torturas e impunidades ao tempo em que caía a única tentativa no mundo de um governo socialista atingir o poder pela via pacifica eleitoral. A “via chilena ao socialismo” e o seu amplo repertorio de transformações sociais operadas naqueles três anos de governo saía de cena pela ação das bombas. A nacionalização do cobre, principal riqueza do país e suporte da economia chilena, fonte de elevado lucro das empresas estadunidenses no governo da Unidad Popular, levaram os EUA a promover um bloqueio econômico informal ao país de maior tradição democrática do continente, estimulando a sua derrocada. Hoje, que o Chile sente os ares políticos renovadores da mobilização popular generalizada puxada pelos protestos estudantis, o nome de Allende ressurge mais vivo do que nunca dos destroços fumegantes daquele trágico 11 de setembro de 1973.S

Carlos Pronzato

Escritor e cineasta/documentarista
pronzato@bol.com.br
catálogo: www.lamestizaaudiovisual.blogspot.com

Humala sanciona lei para reduzir conflitos sociais no Peru

LIMA - O presidente do Peru, Ollanta Humala, promulgou nesta terça-feira uma lei destinada a reduzir os conflitos sociais no país, ao dar mais voz aos povos indígenas frente ao desenvolvimento de projetos de mineração e energia.
Humala, um esquerdista moderado, sancionou a lei na localidade amazônica de Bagua (norte), onde há dois anos mais de 30 pessoas forma mortas durante um protesto contra leis que permitiam a exploração de recursos naturais sem consulta aos indígenas.
"Hoje estamos dando um passo importante (para) a construção de uma nação, de uma república", disse Humala em discurso transmitido pela TV estatal, diante de centenas de nativos, muitos deles em trajes típicos.
Analistas consideram que a lei pode reduzir o descontentamento social das comunidades indígenas peruanas, afetadas pela pobreza apesar de viverem em regiões que recebem enormes investimentos estrangeiros. Os nativos se queixam do impacto ambiental dessas iniciativas, e de ficarem excluídos de seus lucros.
O Peru espera desenvolver projetos estimados em cerca de 50 bilhões de dólares na próxima década, mas esses investimentos podem encontrar outro destino se a rejeição popular - eventualmente violenta - persistir.
A chamada "Lei da Consulta Prévia" estabelece que os grupos indígenas poderão opinar sobre a viabilidade de um projeto, e que, em caso de divergências, caberá aos órgãos públicos buscar as medidas necessárias para garantir os direitos coletivos das comunidades.
Empresários do setor minerador e energético apoiaram a promulgação da lei, que busca ampliar parte do Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho.
"É importante o fato de que haja muitos investimentos que enfrentaram conflitos sociais por causa da desinformação," disse Pedro Martínez, presidente da principal entidade setorial da mineração e energia do Peru, a SNMPE.
O empresário lembrou que a lei "não tem caráter vinculante, ou seja, não há direito de veto" aos projetos.
(Reportagem de Marco Aquino, com colaboração de Caroline Stauffer)

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/09/06/humala-sanciona-lei-para-re... )

AS NECESSIDADES DE SOLIDARIEDADE COM O POVO COLOMBIANO

Novamente se escuta falar sobre a Colômbia, a imprensa brasileira de forma mais seguida registra noticias desse país, transparecendo que a situação política e social esta cada vez melhor. Já não falam do Plano Colômbia com a saída de Álvaro Uribe Vélez da presidência da república. É preciso dar passos à construção de participação democrática mais ampla. O novo governo, em cabeça de Juan Manuel Santos, parece mais tolerante aos diferentes setores políticos do país e na superação dos problemas colombianos. Dizem que a violência desenvolvida entre os colombianos são causadas pelo narcotráfico. As situações que ainda existem, tais como a das pessoas refugiadas, os confrontos militares em alguns lugares do território nacional, as ameaças e assassinatos, são anunciados como se fossem realizados pelas guerrilhas, que supostamente teriam, portanto, uma relação direta com o tráfico de drogas. Aparentemente o novo governo está se esforçando por mudar esta situação e criar os mecanismos necessários dentro da democracia para sua superação.
Mas em verdade é isso o que está acontecendo? Tem melhorado a situação da Colômbia? As situações de violência que vive a Colômbia são causadas pelo narcotráfico e as guerrilhas são supostamente relacionadas com este? Então por que falar das necessidades de solidariedade entre os povos? Por que haveria necessidade de um espaço social e político no Brasil que dê visibilidade à realidade colombiana e possa gerar solidariedade do povo brasileiro aos movimentos da sociedade civil e organizações políticas democráticas colombianas?
O governo colombiano violando de forma sistemática e permanente os direitos humanos exterminou o partido político de esquerda União Patriótica – UP, os mortos superam os 5 mil, somente em suas lideranças[1]. No mundo, 60% dos sindicalistas assassinados são da Colômbia, foram assassinados mais de 2.778 e foram cometidos mais de 11 mil atos de violência[2]. Aumentou a repressão ao movimento estudantil, principalmente nas universidades[3]. No governo de Uribe foram desaparecidas mais de 34.467 pessoas foram assassinadas mais de 173.183, segundo os dados tomados pela Fiscalia (Promotoria) Nacional de junho de 2005 até 31 de dezembro de 2010[4].
A violação sexual tem aumentado dramaticamente, do ano de 2001 até 2009 489.687 mulheres foram vítimas da violência sexual, numa média de seis mulheres cada hora[5]. Dessas violações, mais de 81% são cometidas pelo exército e seus mercenários paramilitares como mecanismos de terror, ficando estes casos na impunidade.
O número de pessoas camponesas com status de refugiadas internas pela violência passa dos 5 milhões sendo o país com mais refugiados internos[6] no mundo, dos quais um 11% são afros-descendentes e indígenas, e do total pelo menos 48% são lares com chefia feminina[7], como também mais de 56% das pessoas refugiadas são mulheres e crianças, somando mais de 70%[8]. A distribuição da terra mostra segundo dados do mesmo governo que o 78,3% dos proprietários de terra têm menos de 6% da área enquanto 0,15% é dono de mais 55% das terras[9].
Mas o governo colombiano de Juan Manuel Santos e a direita colombiana falam de pós-conflito. Não reconhecem o caráter político das guerrilhas para não necessitar negociar a paz com elas, considera que as guerrilhas são “narco-terroristas”.
Dessa mesma forma a direita diz que a esquerda na Colômbia não tem expressão e só se resume ao “terrorismo” das guerrilhas. A esquerda colombiana entende que superando as injustiças históricas que vive poderá haver paz no país e se construir uma verdadeira democracia. O governo colombiano e a direita tentam isolar aos setores de esquerda, movimentos sociais e de direitos humanos e mostrá-los como expressões sem posturas políticas claras, alinhadas às organizações guerrilheiras.

Na solidariedade de uma proposta como Agenda Colômbia você pode ajudar!
A solidariedade é dos povos!!!
Contato: agendacolombiabrasil@gmail.com

Eduardo Galeano completa 71 anos

Por Nilva de Souza

Do Sul21

Galeano faz 71 anos e as veias seguem abertas há 40, ou muito mais

"Lamento que As Veias Abertas ainda não tenha perdido a atualidade".

Milton Ribeiro

No dia 18 de abril de 2009, o presidente Hugo Chávez presenteou seu colega americano, Barack Obama, com o livro As Veias Abertas da América Latina, clássico ensaio do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. O exemplar estaria autografado pelo autor. O livro fala basicamente sobre o saque dos recursos naturais sofrido pelo continente latino-americano do século XV até o fim do século XX e é citado frequentemente por Chávez. Tendo iniciado o dia 18 na 54.295ª posição entre os livros mais vendidos da megavendedora de livros Amazon, o livro amanheceu o dia 19 em 2º lugar. Atualmente, a avaliação dos leitores da Amazon demonstra uma curiosidade. Dos163 leitores que escreveram resenhas a respeito da obra, 86 dão-lhe nota 5, a máxima, enquanto 50 dão-lhe a nota mínima, 1. Dos 163, somente 27 não lhe dão as notas extremas.

Tais avaliações não chegam a ser surpreendentes. Afinal, As Veias Abertas não parece prestar-se a opiniões desapaixonadas. A direita costuma chamá-lo de um “anacrônico clássico da literatura esquerdista do continente”, o qual questiona o imperialismo americano e europeu na região. Já a esquerda:

Depois do golpe de 1973 não pude levar muita coisa comigo: algumas roupas, fotos da família, um saquinho com barro do meu jardim e dois livros: uma velha edição de Odes, de Pablo Neruda, e o livro de capa amarela, As Veias Abertas da América Latina.

Isabel Allende, no prefácio da edição chilena

Neste sábado (3), Galeano completa 71 anos, enquanto que sua principal obra — escrita anos antes, mas publicada em 1971 — completa 40.

Escritor foi um dos responsáveis pela fundação de três jornais: Marcha, Crisis e Brecha.

Eduardo Galeano nasceu em Montevidéu em 3 de setembro de 1940. Começou sua carreira de jornalista no início dos anos 60, como editor do “Marcha”, um influente jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Benedetti, Mario Vargas Llosa, Manuel Maldonado e Denis Fernández Retamar.

Durante o golpe de 27 de junho de 1973, Galeano foi preso e forçado a deixar o Uruguai. Foi para a Argentina, onde fundou a revista cultural “Crisis”. Em 1976, após seu livro As Veias Abertas da América Latina ser censurado pelos governos militares do Uruguai, Argentina e Chile, teve seu nome colocado na lista dos esquadrões da morte de Videla e, temendo por sua vida, exilou-se na Espanha, onde deu início à trilogia Memória do Fogo.

No início de 1985, retornou a Montevidéu. Em outubro do mesmo ano, juntamente com Mario Benedetti, Hugo Alfaro e outros jornalistas e escritores que haviam pertencido ao semanário “Marcha”, fundou o semanário “Brecha”, no qual segue até hoje como membro do Conselho Consultivo. Em 2010, a Brecha instituiu o prêmio Memória do Fogo, entregue anualmente a um artista a cujos talentos se somem a luta pelos direitos humanos e sociais. O primeiro vencedor foi o cantor espanhol Joan Manuel Serrat, que o recebeu a 16 de dezembro de 2010 no Teatro Solís em Montevidéu.

Em 2007, recuperou-se satisfatoriamente de uma operação de câncer de pulmão.

Escritos que combinam ficção, jornalismo, análise política e história.

Galeano tem mais de 30 livros publicados e, se pudéssemos caracterizá-los através de uma frase, talvez desta devesse constar o convite que o autor nos faz para olhar simultaneamente o passado e o futuro. Suas obras também buscam estabelecer uma frente comum contra a miséria moral e material do continente. Há um risco demagógico e piegas neste tipo de proposta, mas Galeano salva-se disto com um texto limpo e objetivo, às vezes duro. Com o tempo, amenizou seu estilo, chegando com naturalidade à prosa poética e mesmo à poesia. Seu projeto de refletir o drama da América Latina é abertamente de esquerda e, ao longo dos anos, o autor manteve um compromisso contínuo com suas ideias, rejeitando uma existência sem utopias.

Seus escritos combinam ficção, jornalismo, análise política e história. Ao lado de As Veias Abertas da América Latina, talvez seus livros mais importantes sejam a trilogia Memória do Fogo, dividida em Os Nascimentos (1982), As Caras e a Máscaras (1984) e O Século do Vento(1986). Trata-se de uma ousada e inclassificável mistura de gêneros unidas por onipresente espírito crítico. Os personagens são generais, artistas, revolucionários e operários, os quais são retratados em pequenos episódios que começam nos mitos dos povos pré-colombianos chegando até a década de 80 do século XX.

Como fã de futebol e hincha do Nacional de Montevidéu, Galeano escreveu O futebol ao sol e à sombra (1995), onde revisa a história do esporte. Sua paixão pelo jogo supera a paixão por uma camisa. O autor traça comparações com o teatro e a guerra, critica a presença das grandes corporações, de um lado, e, por outro, ataca sem tréguas os intelectuais de esquerda que rejeitam o jogo por motivos ideológicos. O formato escolhido é o da crônica, mas uma crônica de poesia derramada de paixão pelo futebol. “Aos descendentes dos rituais astecas, aos filhos do tango, do samba e da capoeira, da sombra da miséria e do sol dos sonhos de glória”: é a estes, a sua tradição de virtuosismo e a seus cultores, em todo o mundo e ao longo dos tempos, que o autor presta homenagem. Mas…

Como todos os meninos uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna-de-pau que já passou pelos campos do meu país.

(…)

Os anos se passaram, e com o tempo acabei assumindo minha identidade: não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico:

– Uma linda jogada, pelo amor de Deus!

E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre — sem me importar com o clube ou o país que o oferece.

A nova tradução, por Sergio Faraco

No ano passado, a L&PM lançou uma nova tradução de As Veias Abertas da América Latina. O tradutor, a pedido do próprio autor, foi Sergio Faraco. “Fiz a tradução a pedido de Galeano e acompanhado por ele. Enviava diariamente e-mails com minhas dúvidas, os quais eram respondidos imediatamente. Demorei 3 meses para terminar as quase 400 páginas. A maior dificuldade não foi o texto original, foi a comparação com a outra tradução brasileira, de Galeno de Freitas, muito boa, feita em 1971. Era inevitável, acho que tudo ficou muito parecido”, conta Faraco.

Galeano elogiou a nova tradução, que teria ficado superior ao original em espanhol. “Minha obra hoje soa melhor em português”, disse, referindo-se ao fato de ter não apenas Faraco como tradutor de sua obra, mas também Eric Nepomuceno. Só aqui no Brasil já saíram 52 edições do livro. Faraco completa: “As Veias Abertas é um ensaio com altíssimo grau de informação. É inacreditável que ele tenha feito aquela imensa pesquisa histórica e escrito o livro na idade de aproximadamente 30 anos. O livro retrata uma realidade vergonhosa de surpreendente atualidade em nossos dias, pois nossa miséria e dependência permanecem. É curioso que alguns chamam o livro de anacrônico. Apesar de ter sido escrito há 40 anos, ele não tem nada de anacrônico, até porque revela de forma brilhante uma realidade incontestável – a realidade histórica”.

O professor do Instituto de Biociências da UFRGS, Paulo Brack, em entrevista à Rádio da UFRGS, rebate enfaticamente as acusações de anacronismo. “Vejam, por exemplo, a questão de Belo Monte. Ela confrontou o Brasil e a Comissão de Direitos Humanos da OEA, que questionou o tratamento que o governo brasileiro está dando ao problema. Também a aprovação do novo Código Florestal na Câmara demonstra a vitória de um sistema que há séculos está enraizado no país. O Código Florestal anterior era uma das legislações mais avançadas do mundo. Agora foi alterada em favor do agronegócio, cujo sistema de produção teve origem nos grandes latifúndios. Ou seja, muita coisa que Galeano fala em seu livro está ainda atual. Apenas mudou a cara de quem faz. Antes, havia a presença militar, agora não mais”.

A América latina parece ter-se especializado em prover o desenvolvimento das economias europeia e norte-americana.

Em As Veias Abertas, Galeano apresenta uma análise histórica sobre formação da América Latina desde sua ocupação pelos europeus até os dias de hoje, fundando sua crítica na espoliação econômica, na dilapidação dos recursos naturais do continente e na dominação política, primeiro pela Europa e depois pelos Estados Unidos. A professora de Geografia Ilana Freitas faz uma curiosa constatação. “Durante a ditadura, As Veias Abertas era muito usado por professores de segundo grau de História e Geografia. Eram pessoas que, de forma muito corajosa, preocupavam-se em marcar uma posição de esquerda ou de crítica à ditadura”.

Lamento que este livro ainda não tenha perdido a atualidade.

Eduardo Galeano

Sem ser hostil, o jornalista e escritor Juremir Machado da Silva, também em entrevista à Rádio da UFRGS, faz ressalvas ao livro. “Galeano defendia que o fim da dependência da América Latina deveria ser baseado na implantação de modos modos de produção. O livro indica que a solução para a dependência latino-americana seria o socialismo. Este aspecto implícito ou explícito do livro, caducou”. Porém, Juremir concorda com Galeano no cerne: “É claro que o Brasil é um vendedor de commodities. Ou seja, vende matéria-prima barata e compra de volta o produto pronto daqueles países que agregam valor a eles. Vende para recomprar a preço maior o produto beneficiado. É uma questão não só de tecnologia, de capital, mas de mentalidade. Hoje, nada nos impede de mudar esta situação, só o fato de existir uma elite que está satisfeita como vendedora de commodities e que não deseja outro tipo de organização sócio-econômica”.

“A divisão internacional do trabalho consiste em que uns países se especializam em ganhar e outros em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: se especializou em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se lançaram através do mar e cravaram-lhe os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Ela já não é o reino das maravilhas em que a realidade superava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus da conquista, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região segue trabalhando como serviçal, continua existindo para satisfazer as necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que, consumindo-os, ganham muito mais do que a América Latina ganha ao produzi-los.”

Parágrafo de abertura de As Veias Abertas da Amérca Latina

Quando nos vamos, eles se vão?

Atualmente, passados 40 anos, talvez a crítica que se possa fazer a Galeano seja a do tom indignado da narrativa, porém isto não anula ou diminui os fatos descritos e não retifica a história, pois é difícil negar que as colônias e nações latino-americanas têm sido, desde o início do século XVI, especialistas em prover o desenvolvimento das economias europeia e norte-americana, com seu consequente fortalecimento político.

Seu último livro Espelhos (2008) consiste em quase 600 histórias breves que, segundo Galeano, proporcionam ao leitor “viajar através de todos os mapas de todos os tempos, sem limites”.

Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos lembram.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?

Este livro foi escrito para que não partam.
Nestas páginas unem-se o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que ergueram os palácios e os templos de seus amos;
as mulheres, ignoradas por aqueles que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados por aqueles que
desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que o mundo contém e esconde;
os pensadores e os que sentem;
os curiosos, condenados por perguntar, e os rebeldes e
os perdedores e os lindos loucos que foram e são o
sal da terra.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/eduardo-galeano-completa-71-anos

Chile tem maior protesto desde Pinochet

Chile tem maior protesto desde Pinochet. Jovem é morto pela polícia

Manuel Gutiérrez, um adolescente de 16 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira, atingido por um tiro, durante confrontos entre manifestantes e a polícia no segundo dia da greve geral convocada pela maior central sindical chilena contra as políticas neoliberais do governo de Sebastian Piñera. Mais de 600 mil chilenos saíram às ruas na maior manifestação de massa do Chile desde a ditadura de Pinochet.
Christian Palma – Correspondente da Carta Maior em Santiago (@chripalma)
Mais de 600 mil chilenos e dezenas de organizações sociais se mobilizaram pelas ruas durante os dois dias de greve nacional, organizados pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT), na maior manifestação de massa deste país desde os tempos em que Augusto Pinochet governava o Chile pela força. Com isso, ficou demonstrada a forte convicção do movimento social de seguir adiante para reformar o sistema deixado pelo neoliberalismo da ditadura.

O segundo dia de greve, na quinta-feira, iniciou com uma concentração de quatro marchas que confluíram no centro de Santiago. Ali se reuniram cerca de 400 mil pessoas que armaram um verdadeiro carnaval repleto de cartazes e faixas contra as políticas privatizantes em educação, saúde e fundos sociais. Além disso, exigiram mudanças no mundo do trabalho em defesa dos direitos dos trabalhadores. Foram milhares de bandeiras e faixas com slogans contra o governo e insígnias de colégios, universidades e organizações de trabalhadores. Segundo o presidente da CUT, Arturo Martínez, a paralisação e a mobilização popular envolveram 90 cidades do país.

“Saudamos as centenas de milhares de chilenos e chilenas que se mobilizaram em todo país e manifestaram sua vontade e esperança de construir um Chile distinto. Estamos muito contentes. Temos a esperança de que o governo, após essa mobilização, consiga refletir e abrir conversações com o objetivo de buscar uma saída para a atual situação”, disse Martínez.

Junto a ele, estava o rosto mais visível do movimento, Camila Vallejo, presidenta da Confederação de Estudantes do Chile, e Lorena Pizarro, presidenta da Agrupação de Familiares de Presos Desaparecidos, além de outros dirigentes sociais e sindicais, que expressaram as diferentes forças sociais presentes na mobilização.

Movimento social
Os dirigentes informaram que o movimento social se organizará de forma permanente para exigir mudanças econômicas como uma reforma tributária que institua mais impostos para as grandes empresas e os consórcios transnacionais, a destinação de mais recursos para a educação e para uma saúde digna. Também defenderam a incorporação do plebiscito como forma de consulta à cidadania e o avanço do processo rumo a uma nova Constituição política.

“Vimos a alegria de trabalhadores, estudantes, jovens, avôs e avós, vimos a esperança de construir um Chile mais justo”, disse Vallejo. “Nossa demanda por uma melhor educação é uma demanda social, de nossas famílias e nossos pais que são trabalhadores”, acrescentou a dirigente.

Enquanto isso, as pessoas seguiam manifestando-se nos edifícios gritando palavras de apoio aos manifestantes e sacudindo bandeiras. “E vai cair a educação de Pinochet”, “governar é educar” ou “um povo educado não é explorado”, eram algumas das frases que se liam nos cartazes e faixas dos manifestantes.

Em meio à marcha, o sociólogo e estudantes de pós-graduação da Universidade do Chile, Rodrigo Morales, disse à Carta Maior que “os que não têm acesso à educação superior de qualidade sempre têm trabalhos precários e mal remunerados. Portanto, o movimento estudantil e o movimento trabalhador são dois espaços contíguos que fortalecem as demandas”.

Passado o meio dia, a marcha continuava em ordem, No entanto, cerca de 300 jovens com o rosto encoberto levantaram barricadas e enfrentaram os carabineiros (a polícia chilena). “Não justifico o que fazem, mas não têm oportunidades nem outra maneira de reclamar. É preciso prestar atenção neles também”, disse Carmen, uma mulher com um lenço no rosto, que chorava por causa do gás lacrimogêneo.

A jornada continuou com o duro enfrentamento entre os encapuzados e a polícia. Houve saques, queimas de bandeiras chilenas, danos a propriedades privadas e inclusive a tentativa de colocar fogo na porta de uma igreja. Finalmente, os policiais conseguiram dispersar os manifestantes, mas permaneceram as sequelas, principalmente o cheiro do gás lacrimogêneo.

Ao cair à noite, o subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, disse que 26 policiais ficaram feridos - cinco dos quais teriam recebido impacto de balas – e 210 pessoas foram detidas por motivos diversos. O porta-voz do governo, Andrés Chadwick, pediu “uma noite de paz”, após os disparos, barricadas e foguetes dos dias anteriores.

Contudo, estes atos de violência isolados, não afetam o tema principal. O mal estar da grande maioria dos chilenos que estão cansados. Mal estar que sai às ruas e seguirá manifestando-se enquanto o governo não escute o clamor popular. Enquanto esse texto era finalizado, as panelas de protesto outra vez começavam a soar. E mais forte ainda na periferia. Ali onde a pobreza segue dizendo “presente”.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18331

Manifestações reúnem cerca de 250 mil pessoas na capital chilena

Manifestações reúnem cerca de 250 mil pessoas nas ruas da capital chilena

Karol Assunção
Jornalista da Adital

Marchas e manifestações marcaram o segundo dia de Paralisação Nacional no Chile.

Os primeiros informes que chegam revelam que as quatro marchas realizadas na manhã desta quinta-feira (25) na capital chilena reuniram cerca de 250 mil pessoas. Representantes de organizações estudantis ainda convocaram a Jornada Continental de Lutas da Juventude Latino-Americana, que acontecerá em março de 2012.

Cerca de 250 mil pessoas estiveram hoje nas ruas de Santiago para as marchas do segundo dia de Paralisação Nacional. De acordo com informações da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), as marchas saíram de quatro pontos da capital chilena: Mapocho, Estação Central, San Diego con Placer e Praça Italia. Os manifestantes ocuparam as ruas até por volta das 13h30 (horário local).

As 48 horas de mobilização nacional reúnem mais de 80 organizações sociais, políticas e sindicais do país por um novo Código do Trabalho, reforma do sistema tributário, nova Constituição Política do Estado e educação pública gratuita. De acordo com Camila Vallejo, presidenta da Confederação dos Estudantes Chilenos (Confech), participam das manifestações estudantes, trabalhadores, sindicalistas, entre outros atores sociais. "[As manifestações] mostram a diversidade e a riqueza de movimentos que temos no Chile”, afirma.

A mobilização também mostra o descontentamento popular com o governo de Sebastián Piñera, presidente chileno. De acordo com a líder estudantil, o governo assumiu uma postura intransigente, sem abertura para o debate. "A discussão [ocorre] somente através dos meios [de comunicação] que ele domina”, comenta.

Para Camila, falta vontade por parte do Governo para mudar a situação do país. "Não há vontade, há intransigência. Não há vontade de mudança, nada mudou”, aponta.

Na tarde de hoje, a Central Unitária dos Trabalhadores realiza um balanço das atividades. A Paralisação Nacional de 48 horas se encerra na noite de hoje com mais panelaços. Segundo Camila, nos próximos dias, as organizações planejarão mais protestos e manifestações. "A mobilização não termina aqui. Vamos avaliar e seguir adiante”, assegura.

Educação

A Paralisação Nacional chilena se soma aos protestos realizados há três meses por estudantes por uma educação pública no país. Camila Vallejo, presidenta da Confederação dos Estudantes Chilenos (Confech), afirma que a demanda principal é pela garantia da educação como direito universal. "Queremos uma mudança de paradigma do modelo da educação, pois a educação aqui no Chile é vista como um bem de consumo, uma mercadoria para o lucro”, comenta.

Os estudantes chilenos recebem apoio de vários setores nacionais e também da comunidade internacional. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) do Brasil, Daniel Iliescu, foi ao Chile para apoiar as manifestações dos estudantes e trabalhadores chilenos e convocar a Jornada Continental de Lutas da Juventude Latino-Americana, que será realizada em março de 2012.

De acordo com ele, a ideia é mobilizar os movimentos estudantis dos países da região para realizar uma jornada de lutas pela educação pública gratuita e de qualidade e pela integração e soberania da América Latina. A iniciativa foi proposta pela UNE e aprovada no congresso da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (Oclae).

O apoio do brasileiro será retribuído por Camila ainda neste mês. Segundo Daniel, na próxima quarta-feira (31), a representante estudantil visitará o Brasil para participar da Marcha dos Estudantes. A manifestação, que será realizada em Brasília (DF), tem o objetivo de demandar do governo brasileiro 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e 50% do fundo social do pré-sal para a educação.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cat=7&cod=59644

Chile: tensão nas grandes alamedas, tensão na memória

O governo chileno acaba de divulgar uma nova cifra oficial dos mortos e desaparecidos durante a ditadura do general Augusto Pinochet, que durou de 1973 a 1990: 3.065. Com isso, o total de vítimas – entre presos, seqüestrados, torturados, executados e desaparecidos – chega a exatos 40.018. O anúncio coincide com um período de profundas turbulências enfrentadas pelo primeiro presidente de direita eleito desde o fim da ditadura. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Eric Nepomuceno

Como se fosse preciso atualizar a contabilidade do horror, o governo chileno acaba de divulgar uma nova cifra oficial dos mortos e desaparecidos – um neologismo criado na América do Sul para se referir aos assassinados pelo terrorismo de Estado cujos cadáveres sumiram para sempre – durante a ditadura do general Augusto Pinochet, que durou de 1973 a 1990: 3.065. Com isso, o total de vítimas – entre presos, seqüestrados, torturados, executados e desaparecidos – chega a exatos 40.018. Não são contabilizados os exilados, nem os familiares das vítimas.

O número aparece no relatório de 60 páginas entregue ao presidente Sebastián Piñera na quinta-feira, 18 de agosto, por uma comissão integrada por advogados e especialistas em direitos humanos que trabalharam durante um ano e meio com rigor extremo. Tão extremo, que associações de vítimas e familiares protestaram de maneira contundente: dizem ser impossível que, de um total de 32 mil novas denúncias, apenas 9.800 tenham sido consideradas válidas.

O primeiro levantamento sobre vítimas da ditadura chilena começou a ser preparado em 1991, quando foi criada a primeira Comissão da Verdade e Reconciliação. O chamado "Relatório Rettig" limitou-se a contabilizar execuções e desaparições, e chegou a 2.279 pessoas. Em 2003 foi criada a Comissão Valech, que leva o nome do valioso bispo católico que moveu céus e terras para chegar à verdade sobre o terror dos tempos de Pinochet. O objetivo da comissão era ampliar o exame do horror. Num primeiro relatório, chegou-se a 28.459 casos de prisões ilegais, tortura, execuções e desaparecimentos. O religioso morreu durante o trabalho do grupo, que pediu mais prazo para chegar a um segundo relatório – esse, cujos resultados foram agora divulgados de maneira discretíssima pelo governo.

O tema é perigoso porque ainda paira entre os militares chilenos um incômodo mal-estar provocado por esse mergulho no passado sombrio do país. E também porque o anúncio coincide com um período de profundas turbulências enfrentadas pelo primeiro presidente de direita eleito desde o fim da ditadura. Os protestos dos estudantes que se repetem há quase quatro meses desgastaram de maneira cruel a imagem de Piñera. Não há solução à vista, e cresce a cada semana o apoio de amplos setores da população às reivindicações dos jovens, que agora marcham acompanhados por professores, funcionários públicos, donas de casa, profissionais liberais e trabalhadores.

Exigem educação pública gratuita (no Chile, as universidades públicas passaram a cobrar mensalidade na ditadura, e ninguém conseguiu reverter esse quadro; além disso, as universidades privadas, proibidas de ter lucro, ganham milhões graças à subvenção que recebem do Estado), e Piñera não teve idéia melhor que responder a eles dizendo ‘isso, todo mundo quer, mas nada é de graça nessa vida’.

Tudo isso acontece no momento em que se torna cada vez mais claro que o tão decantado modelo chileno, que deveria ser modelo para toda a América Latina – louvado pelos grandes organismos financeiros internacionais, pela direita em geral e pelos defensores do neoliberalismo em particular – revela sua verdadeira face.

Que o Chile vive um auge econômico, ninguém duvida. Mas os que se beneficiam dele estão longe de ser uma parcela ampla da população. Ao contrário: as desigualdades sociais são mais altas que a cordilheira dos Andes, mais evidentes que as montanhas nevadas e mais amplas que as grandes alamedas de Santiago.

De toda a riqueza produzida pelo Chile, 55% ficam nas mãos dos 20% mais ricos da população. Entre 2006 e 2009, a renda dos trabalhadores cresceu 1%. A dos mais ricos, 9%. Em 2006, 13,7% da população vivia na pobreza. Três anos depois, os pobres passaram a ser 15,1% - justamente no período em que a economia mais cresceu.

A estabilidade política fez do Chile o paraíso e a alegria dos investidores estrangeiros. Durante anos, o país foi considerado o mais perfeito modelo das bondades do neoliberalismo.

Ninguém parecia notar os casos de jovens que terminam a faculdade pública e depois levam dez anos pagando o financiamento que receberam para estudar. Ninguém notou o aumento da pobreza, os abismos sociais se abrindo cada vez mais.

É contra isso que os chilenos protestam. E também contra os engodos e miragens de um modelo que começou a ser desmascarado.

Por trás do louvado milagre existe uma verdade: a de uma segregação social perversa e persistente, que agora explodiu e chega às ruas e alamedas de Santiago.

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18299 )

MTE confirma trabalho escravo encontrado na cadeia da Zara

A Zara está no topo das discussões do Twitter e também virou destaque no Facebook, por conta de recente operação do Ministério do Trabalho, que encontrou trabalho escravo na cadeia produtiva da marca. Oficinas subcontratadas mantinham 16 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condição análoga à escravidão em plena capital paulista. O programa "A LIga", da TV Bandeirantes que foi ao ar ontem e a ONG Repórter Brasil acompanharam equipes de fiscalização trabalhista que flagraram funcionários estrangeiros submetidos a condições humilhantes ao produzir peças de roupa da badalada marca internacional Zara, que pertence ao grupo espanhol Inditex.

A auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, Juliana Cassiano, que coordenou as ações de busca, confirmou a ligação das oficinas onde foram encontradas as pessoas em regime análogo à escravidão com a Zara. A investigação começou há três meses, após a primeira busca ter constatado irregularidades numa oficina em Campinas. Depois disso, o MTE lavrou 52 autos de infração contra a empresa devido a irregularidades nesta e em outra oficina, na capital, mas ainda não tinha comunicado oficialmente ao grupo. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas da tribo Quechuá e Aimará, que recebiam um tratamento pior do que aos outros trabalhadores.

Em nota, a Zara assume o que aconteceu, comunica que "Tal fato representa uma grave infração de acordo com o Código de Conduta para Fabricantes e Oficinas Externas da Inditex, assumido por este fabricante contratualmente" , diz que vai cobrar do fornecedor responsável que regularize a situação imediatamente, e mais: se apresenta como parceira do MTE para reforçar a fiscalização do sistema de produção tanto deste quanto dos outros 50 fornecedores fixos, que somam mais de sete mil trabalhadores.

O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pela ONG Repórter Brasil, incluía contratações ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Segundo a ONG, para sair das oficinas, que também eram moradia, os trabalhadores precisavam até pedir autorização. O programa "A Liga" mostrou que os trabalhadores recebem centavos para fazer uma peça e, se causarem algum dano, são obrigados a pagar pelo preço que é vendida em loja.

De acordo com o diretor da ONG Repórter Brazil, Leonardo Sakamoto, a instituição acompanhou todo o processo de investigação do Ministério do Trabalho, que fará relatório específico sobre a Zara:

_ Havia várias irregularidades nas oficinas, que vão desde o cerceamento da liberdade até às instalações encontradas pelas fiscalizações do ministério.

As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Pessoas que deixam os seus países em busca do "sonho brasileiro". Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil.

O caso lembra o da GAP, outra empresa do setor têxtil que, em 2007, também foi para as páginas de´notícias dos jornais por ter sido encontrado trabalho escravo em sua cadeia produtiva. Na ocasião, a dona da empresa deu entrevista dizendo-se, como diz agora a Zara, indignada pela descoberta...

Fonte:
http://oglobo.globo.com/blogs/razaosocial/posts/2011/08/17/mte-confirma-...

EUA liberam documentos sobre Baía dos Porcos

EUA liberam documentos sobre tentativa de invasão à Baía dos Porcos

MIAMI - Novos documentos liberados pela Justiça dos EUA nesta segunda-feira mostram 50 anos depois como a invasão da Baía dos Porcos, promovida por cubanos anti-Fidel Castro e pela CIA em abril de 1961, foi no mínimo desastrosa. A operação foi uma tentativa frustrada do governo John F. Kennedy de invadir o sul de Cuba para derrubar o governo socialista e assassinar Fidel.

Os registros mostram como as forças americanas acidentalmente atiraram contra seus próprios aviões. Os bombardeiros B-26s foram desenvolvidos especialmente para parecerem com aeronaves cubanas. Mas a cópia ficou tão semelhante que as próprias forças da CIA se confundiram e derrubaram seus compatriotas.

Parte dos cinco volumes do registro mostra que o principal operador da CIA na operação, Grayston Lynch, que estava encarregado pelas armas a bordo de uma embarcação na costa de Cuba, foi quem ordenou o abate. Segundo ele, havia uma ordem para as aeronaves permanecerem longe de onde ele estava, pois não havia como distingui-los dos cubanos. Como os aviões não respeitaram o pedido, alguns foram atacados.

- Disparamos contra dois ou três, porque só víamos uma silhueta. Nossos aviões foram um pouco intrometidos. Eles chegaram perto para dar uma olhada na ação - afirmou Lynch.

Ainda nos documentos, dois pilotos da força americana contam que a utilização de napalm - um conjunto de líquidos inflamáveis utilizado como incendiário - e de bombardeios aleatórios contra as tropas de Fidel deixaram o comboio invasor "completamente confuso".

Para a tentativa de invasão, a CIA havia treinado cerca de 1.300 cubanos exilados como soldados. O desastre da operação foi tamanho que se tornou um exemplo em estudos de ações militares nos EUA do que "não se deve fazer".

O plano foi lançado menos de três meses depois de John F. Kennedy ter assumido a presidência dos EUA e ter promovido mudanças no Departamento de Estado americano. A ação contou com o apoio do presidente, mas foi criticada pelo secretário de Estado, Dean Acheson, que não acreditava pessoalmente em uma vitória dos EUA.

Cerca de 300 cubanos de oposição a Fidel morreram na ação. Para piorar os resultados da operação, a maioria dos insurgentes cubanos foi capturada e presa pelo governo de Cuba.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/08/16/eua-liberam-documentos-sobr... )

Medalha Abreu e Lima - 2011

A CASA DA AMÉRICA LATINA, seguindo tradição, na comemoração do seu quarto aniversário, concede a MEDALHA ABREU E LIMA a cinco personalidades que contribuam ou tenham contribuído para a solidariedade internacionalista e a integração soberana e progressista dos povos, nações e países latino-americanos.
Para o ano de 2011, elegemos como agraciados:

Hermann Baeta - Ex-presidente da OAB
Maria Lúcia Fatorelli - Auditora Fiscal
MST
Piedad Córdoba - Senadora colombiana
Salvador Allende (Post mortem) - Ex-presidente do Chile

Movimentos sociais pressionam pela retirada militar no Haiti

Movimentos sociais pressionam pela retirada das tropas militares no Haiti

Jeane Freitas
Jornalista da Adital

O novo ministro de defesa, Celso Amorim, acenou com a possibilidade de retirar as tropas, lideradas pelo Brasil no Haiti. Os movimentos sociais, reunidos no Seminário da 5ª Semana Social Brasileira, que ocorreu em Brasília, região Centro-Oeste do país, nos dias 10 e 11 de agosto, fizeram uma nota de apoio à iniciativa pública do ministro. A nota foi lida e aprovada pelos presentes no evento e será entregue na próxima semana no Ministério da Defesa e Itamaraty.

Os movimentos sociais, redes, Organizações, que desejarem apoiar a iniciativa, poderão enviar nome completo da organização para jubileubrasil@terra.com.br até segunda, dia 15 de agosto.

Segundo a nota, oito anos se passaram desde que as tropas militares brasileiras ocuparam o Haiti. "Até agora não se tem um balanço profundo dos efeitos reais dessa presença militar no país mais pobre das Américas. Ao contrário, esta ocupação tem significado, na visão de muitos, a negação de princípios básicos do direito internacional público”.

Desde 2004, os movimentos sociais pressionam o governo brasileiro e a Organização das Nações Unidas (ONU) pela retirada das tropas naquele país.

A presença opressora e espoliadora se contradiz com a intenção de promover a estabilização, "O povo desassistido e oprimido do Haiti não precisa de tropas militares, de intervenção bélica, policiamento, mas sim de ser exonerado do ilegal e ilegítimo endividamento externo mantido para o lucro do sistema financeiro internacional especulativo”, denunciam.

A nota apela para que "a comunidade internacional não ignore os extremos sofrimentos dos haitianos, submetidos às exigências mutiladoras dos interesses financeiros globalizados, suportando com a fome – como demonstraram as recentes mobilizações - e o desemprego, apesar disso, o terror militarizado, onde a opressão, os tiros, as armas, a morte substituem o que deveria ser feito”.

A comunidade haitiana necessita antes de tudo de "apoio técnico para sua agricultura, médicos para sua população, e de implantação internacional de projetos sociais de saúde, saneamento, educação e pleno emprego, que estimulem em curto prazo sua emancipação”, finalizam.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?idioma=PT&cod=59269

Unasul: Uma estratégia comum para enfrentar a crise

Internacional| 11/08/2011 | Copyleft

Unasul prepara estratégia comum para enfrentar a crise

“É preciso encontrar mecanismos para desmontar o arcabouço neoliberal”, defendem os ministros de Economia e chefes de bancos centrais de doze países da região, como meta dos encontros que iniciam nesta quinta-feira (11), em Buenos Aires. Os eixos do debate estão fixados em quatro pontos: a promoção da integração produtiva regional, a administração coordenada das reservas internacionais dos bancos centrais, a regulação dos movimentos de capitais especulativos de curto prazo e o financiamento dos processos de integração regionais.

Tomás Lukin – Pagina/12, na Carta Maior, sugerido pelo Franco Atirador

As equipes econômicas dos países da União Sulamericana de Nações (Unasul) reúnem-se hoje e amanhã em Buenos Aires. Os ministros de Economia e os chefes de bancos centrais da região procuram avançar na coordenação de medidas para enfrentar a crise financeira internacional e diferenciar-se da abordagem recessiva impulsionada pelos países centrais.

O encontro, onde a turbulência global voltará a estar no centro dos debates, concluirá com o ato constitutivo do Conselho Sulamericano de Economia e Finanças. Além de reforçar e relegitimar a independência econômica dos membros do bloco, o grupo de trabalho quer encontrar ferramentas concretas no plano financeiro que permitam responder de forma conjunta a possíveis ataques especulativos contra as moedas da região e outras políticas destinadas a aprofundar os processos de integração.

O turbulento cenário internacional e a vontade política dos presidentes da Unasul prepararam o terreno para o trabalho conjunto para além das diferenças na orientação da política econômica aplicada nos distintos países. A agenda do convite foi elaborada na reunião extraordinária de ministros de Economia da Unasul, realizada em Lima, na semana passada.

Neste convite, os funcionários tomaram como ponto de partida o debate sobre a crise financeira iniciado pelos mandatários. Na sexta-feira, serão divulgadas as conclusões e deliberações do encontro em um documento conjunto.

Os eixos das discussões, disseram fontes do Ministério da Economia da Argentina ao Página/12, estão colocados em quatro pontos: a promoção da integração produtiva regional, a administração coordenada das reservas internacionais dos bancos centrais, a regulação dos movimentos de capitais especulativos de curto prazo (medidas macroprudenciais) e o financiamento dos processos de integração regionais.

A inclusão dos chefes de bancos centrais no encontro não só enriquece os debates, como também possui uma forte carga simbólica: “A política monetária e fiscal não são independentes nem autônomas. Para enfrentar os efeitos colaterais de uma crise como a atual são necessárias a coordenação e o trabalho conjunto entre o governo e os bancos centrais. É relevante que participem para começar a desmontar o fracassado arcabouço neoliberal”, assinalou entusiasmado um funcionário que participa do Grupo de Trabalho de Integração Financeira.

– Integração produtiva e comercial: os fluxos comerciais entre os países da Unasul cresceram entre 2003 e 2008, antes do estouro da crise, mas ainda se situam abaixo dos parâmetros alcançados no final dos anos noventa. Segundo a Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) , 20,5% das exportações da Unasul são intra-regionais, nível inferior aos 28% observados em 1998. O lugar de provedor de matérias primas e insumos manufaturados de baixo valor agregado que a região ocupa nas cadeias globais de valor das empresas multinacionais representa um dos principais desafios na matéria. A Unasul pretende difundir os incipientes mecanismos de uso de moedas locais nas transações comerciais e criar provedores locais que permitam reduzir a exposição da região à instabilidade do dólar.

– Coordenar o uso de reservas: Ao longo dos últimos anos, a região acumulou, segundo assinalou a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, mais de 700 bilhões de dólares de reservas. O braço econômico da Unasul aspira firmar convênios multilaterais que creem um pool com uma porção desses ativos para responder a possíveis ataques especulativos contra os países da região. As economias do sudeste asiático contam com um mecanismo similar e na região existe um relegado Fundo Latinoamericano de Reservas do qual são membros vários países do bloco, ainda que a Argentina e o Brasil não participem dele. A constituição de um fundo de reservas da Unasul faz de um processo de mais longo prazo, onde também figura a capitalização do postergado Banco do Sul.

– Financiamento para o desenvolvimento: Pra impulsionar a integração produtiva e a infraestrutura regional são necessárias maiores fontes de financiamento. Em março, decidiu-se que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) duplicaria seus fundos para empréstimos. A medida, aprovada por todos os países membros, ainda não foi concretizada. Por isso, na Unasul, analisam a possibilidade de fortalecer a Cooperação Andina de Fomento (CAF), um organismo do qual são acionistas os países da região, que financia obras de infraestrutura na América Latina.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Blog Vi o Mundo ( http://www.viomundo.com.br/politica/unasul-uma-estrategia-comum-para-enf... )

CIDH alerta para abuso de força repressiva no Chile

WASHINGTON, 6 Ago 2011 (AFP) -A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) informou neste sábado que solicitou informações ao governo do Chile sobre os episódios de violência durante um protesto estudantil na quinta-feira passada, na qual houve "uso desproporcional da força" contra os manifestantes.

A Comissão, submetida à Organização dos Estados Americanos (OEA), manifestou em um comunicado a sua "preocupação" com os "graves episódios de violência" na manifestação de quinta-feira na capital Santiago, que terminou com mais de 800 detidos e cerca de cem feridos.

"A CIDH solicitou informações ao Estado sobre estes fatos", ressaltou o texto.

Há dois meses estudantes chilenos protestam por melhorias na educação pública, apesar da proibição do governo.

Na quinta, "as forças de segurança utilizaram homens a pé, a cavalo e em veículos, que agrediam os manifestantes e utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água", ressaltou a CIDH.

Os estudantes devem realizar uma nova marcha no domingo, desta vez autorizada pelo governo municipal de Santiago.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-violencia-nas-manifestacoes-n...

Bolívia aprova lei de telecomunicações

A nova lei reserva 33% das frequências para o Estado, 33% para o setor privado, 17% para o setor comunitário e 17% para os povos originários e afrobolivianos
Por Idelber Avelar [30.07.2011 11h10]

Foi aprovada ontem pelo Senado boliviano, e deverá ser sancionada em breve pelo Presidente Evo Morales, uma audaciosa lei de telecomunicações que estabelece um marco regulatório para a propriedade privada de rádio e televisão no país e garante vários direitos aos povos originários. A lei também cria um processo de licitação pública para todas as concessões de redes comerciais e estabelece requisitos que deverão ser cumpridos pelas concessionárias privadas. O artigo 1º define o objeto da nova lei como “estabelecer o regime geral de telecomunicações e tecnologias da informação, do serviço postal e o sistema de regulação, na busca do bem viver, garantindo o direito humano individual e coletivo à comunicação, com respeito à pluralidade econômica, social, jurídica, política e cultural da totalidade das bolivianas e dos bolivianos, as nações e povos indígenas originários e camponeses, as comunidades interculturais e afrobolivianas do Estado Plurinacional da Bolívia”.

Segundo a nova lei, a distribuição dos canais de rádio e televisão analógica em nível nacional deverá obedecer o seguinte princípio: ao Estado, caberá até 33% do total de canais; ao setor comercial privado, caberá até 33%; ao setor social comunitário, até 17%; aos povos indígenas originários, camponeses e comunidades afrobolivianas, caberá até 17%. A concessão das frequências se dará mediante decisão do Executivo, no caso das frequências do Estado, e por licitação pública, no caso das frequências destinadas ao setor comercial. No caso do setor social comunitário e dos povos originários, camponeses e afrobolivianos, as concessões serão feitas mediante concurso de projetos.

Acionistas, sócios e pessoas que tenham relação de consanguinidade de até segundo grau com o Ministro da área e com o diretor executivo da agência reguladora, a APTEL, estão legalmente impedidos de serem concessionários. Também não poderão obter licenças todos aqueles que tenham tido declarada a caducidade de seus contratos de habilitação para fornecer serviços de telecomunicações ou aqueles que não estejam em dia com suas obrigações com a APTEL.

O artigo 56 da nova lei garante a inviolabilidade e o segredo das comunicações, dando a elas proteção idêntica àquela de que desfrutam as informações pessoais do cidadão. O artigo 65 cria o Programa Nacional de Telecomunicações de Inclusão Social, destinado ao financiamento de programas e projetos de telecomunicações que permitam a expansão da informação com interesse social.

Nos meios empresariais, a resposta foi a conhecida reclamação de que a “liberdade de imprensa” estava sendo limitada. Os jornais e canais de TV alinhados com a direita boliviana deliberadamente misturaram os 33% concedidos ao Estado com os 34% reservados para o setor comunitário e os povos originários, apresentando a nova lei como se ela determinasse que 67% das concessões estivessem reservadas para os que estão “alinhados com o governo”. A transição para o novo sistema será gradual, feita na medida em que vençam as licenças de funcionamento das atuais rádios e Tvs.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9...

Os seis anos da Telesur

Da Carta Maior

Telesur, seis anos de telejornalismo transformador

No terreno simbólico, quanto mais os povos vão tornando-se conscientes da prática cada vez mais hegemônica do jornalismo delinqüente, como agora se revela pelo fechamento do jornal News of the World, na Inglaterra, a Telesur caminha conquistando credibilidade consolidando um jornalismo de missão pública. A emissora vem conseguindo cada vez mais visibilidade mundialmente, comprovando o acerto de uma decisão que era considerada visionária, e vai levando na prática jornalística o seu lema “Nosso norte é o sul”. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida

Neste domingo, 24 de julho, a Telesur – La Nueva Television del Sur - completou seu sexto aniversário cercada de simbolismo - é a data de aniversário de Bolívar - de conquistas e de desafios. O simbolismo é a missão, bolivariana, de ser a única emissora televisiva que nasce para promover a integração latinoamericana e se contrapor, editorialmente, ao jornalismo desintegrador e neocolonialista praticado subreptíciamente ou encandalosamente pelas redes internacionais de TV.

No terreno simbólico, quanto mais os povos vão tornando-se conscientes da prática cada vez mais hegemônica do jornalismo delinqüente , sobretudo nos países imperialistas, como agora se revela pelo fechamento do jornal News of the World, na Inglaterra, a Telesur caminha conquistando credibilidade consolidando um jornalismo de missão pública. Enquanto a grande mídia inglesa, como nos EUA, França, Itália ou Espanha, revela sua absoluta relação intrínseca com governos imperais e guerreiros - e aqui estamos nos referindo também às suas mídias públicas que também atuam em sintonia com os interesses da indústria bélica, participando da construção de mentiras que “justificam”, sob uma ótica das razões propagandistas de Hitler, as guerras contra o Iraque, o Afeganistão, agora contra Líbia, e os preparativos para ações militares contra a Síria e o Irã, Telesur esforça-se exatamente para revelar a existência de um terrorismo midiático que tentar intimidar os processos revolucionários e populares.

Jornalismo delinqüente inglês, uma prática hegemômica
Sempre se soube da estreita ligação do jornalismo delinqüente das empresas de Murdock com as políticas mais interessantes para a indústria de armamentos e a suposta “guerra ao terrorismo”. Estes oligopólios jornalísticos sempre tiveram sob controle os governos de Margareth Tatcher, John Major, Tony Blair, Gordon e agora de Cameron, e esta relação jamais foi posta sob questão pelo jornalismo da BBC, que também ofereceu suporte editorial a todas as ações bélicas destes governos. Telesur, ao contrário, permite que as vozes silenciadas, seja nos EUA, ou na Europa, possam deunciar e revelar as ações criminosas da OTAN que sempre contaram com o suporte editorial da grande mídia capitalista, inclusive daquela chamada pública, mas que não foi capaz de escapar dos planos militares de seus governos contra os povos do Sul.

Para se ter uma idéia, basta citar dois exemplos recentes: primeiro, nos embates eleitorais na América Latina, como no Peru recentemente, quando até a BBC de Londres também revelou-se representar interesses neocoloniais ao fazer aberta campanha pró- Fujimori, lá estava Telesur informando sobre o significado histórico da vitória de Humalla. Segundo, a presença de Telesur na Líbia, única TV internacional a emitir de Trípoli, desmontando a vil farsa do “bombardeio humanitário da OTAN”, crime apoiado pela manipulação de todas as grandes redes, inclusive a TV Al-Jazeera, representante dos interesses do estado oligárquico do Qatar, país ocupado militarmente pelos EUA.

Telesur é conquista dos povos do sul
Telesur é também uma conquista, não apenas da Revolução Bolivariana, que já erradicou o analfabetismo e assumiu com soberania o destino de suas riquezas nacionais. Nunca tais causas e conquistas, também alcançadas por outras nações, foram adequadamente informadas. Jamais o tesouro cultural e das causas revolucionárias latinoamericanas mereceram espaços justos nas telas como na Telesur, que retrata Che, Zapata, Gaitan, Perón, Lula, Fidel, Evo, Mandela, Agostinho Neto e Samora Machel como expressões históricas das lutas populares.

Nas telas de Telesur há intensa e necessária divulgação, por exemplo, da vitória do povo da Bolívia contra o analfabetismo, ecoando a façanha da economia mais fraca da América do Sul já ser hoje “Território Livre do Analfabetismo”, ao passo que na economia mais forte da região sequer temos metas fixadas para erradicar esta vergonhosa mazela. Também há, por exemplo, qualificada informação sobre a retomada do desenvolvimento econômico na Argentina e seus progressos políticos, como na democratização dos meios de comunicação, o que permite que a Telesur seja hoje plenamente acessível aos nosso hermanos portenhos.. Os planos para a integração sulamericana - que é retratata com desdém e manipulação pela mídia capitalista - encontram na Telesur uma explicação lógica e contextualizada para os povos do sul.

Desta cobertura jornalística, sistemática e regular, vai surgindo clara a idéia de que essa integração exige valores como o da solidariedade e da cooperação entre os povos, para o que também se fazem necessárias políticas baseadas no Estado de tal forma que se realizem as obras públicas indispensáveis, de infraestrutura, por exemplo, para que o crescimento e o desenvolvimento sócio-econômico seja para todos os países da região. Só a Telesur pode oferecer uma cobertura legítima, educativa e transparente sobre estas políticas porque é, ela mesma, produto deste processo de libertação e de integração latinoamericana. E também porque não está submetida à ditadura do mercado, aquela que produz o jornalismo delinqüente da Inglaterra, mas não apenas lá.

Desafios
Muitos desafios, porém, cercam a Telesur. Entre eles: vencer a sabotagem permanente do império que coloca sempre mais e mais obstáculos para impedir o crescimento da visibilidade da Telesur no mundo. Apesar dela, Telesur já está na Espanha, caminha para a África de língua portuguesa. Além deste, há também a incompreensão em alguns círculos nos governos progressistas, que ainda retardam a integração midiática libertadora e preferem acordos com redes convencionais a cooperar com Telesur. Não há explicações lógicas para que, em sintonia com o processo e as políticas de integração latinomaericana, a TV Brasil ainda não tenha colocado em prática o convênio de cooperação firmado com a Telesur, permitindo, com isto, que os telespectadores brasileiros tomem conhecimento de um curso de transformações progressistas que avança em vários países da região. Aliás, a Telesur já foi bastante difundida nacionalmente no Brasil por meio de convênio com a TVE do Paraná,, até o ano de 2010. Seria apenas levar ao terreno da comunicação políticas de cooperação que já existem nos planos econômico, político, educacional, de saúde, seja com a Venezuela, com Cuba, com a Bolívia e Equador, todos sócios da Telesur.

Apesar destes obstáculos, a Telesur consegue cada vez mais presença e visibilidade mundialmente, comprovando o acerto de uma decisão que era considerada visionária, e vai levando na prática jornalística o seu lema “Nosso norte é o sul”, com o que prova e convida: um outro jornalismo é possível! E urgente!

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-seis-anos-da-telesur

Obama mantém embargo a Cuba

Do Vermelho

Obama prorroga lei e mantém intacto bloqueio contra Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou, na última sexta-feira (15), ao Congresso do seu país, que prorrogou por mais seis meses a suspensão de uma cláusula da Lei Helms-Burton que permite entrar com um processo contra as empresas estrangeiras que negociem com Cuba. A ação unilateral do governo dos EUA representa a continuidade do cruel bloqueio contra a ilha, que já dura mais de cinco décadas.A disposição está incluída no Capítulo III da Lei Helms-Burton de 1996 e acrescenta maior rigor ao bloqueio imposto pela Casa Branca, que é mantido por sucessivos governos, sejam eles democratas ou republicanos.

Em carta aos presidentes dos comitês de dotações e de relações exteriores em ambas as câmaras do Congresso, Obama indica que a prorrogação de seis meses se aplicará a partir de 1º de agosto.

Segundo Obama, a prorrogação da suspensão é "necessária para os interesses nacionais dos Estados Unidos e acelerará a transição à democracia em Cuba". Foi o mesmo argumento utilizado no ano passado. Dessa maneira, o chefete da Casa Branca confessa descaradamente que o objetivo do seu império é derrubar o sistema político e social socialista cubano.

A lei Helms-Burton, com um caráter marcadamente extraterritorial, pune as empresas estrangeiras que fazem negócios em Cuba; permite entrar com um processo contra companhias e pessoas que usem bens desapropriados pelo governo cubano a cidadãos e empresas dos EUA e nega a entrada nesse país EUA de diretores dessas empresas.

A renovação da ordem é mais do mesmo, pois os presidentes anteriores a Obama - Bill Clinton e George W. Bush - já tinham feito a anual prorrogação sem cerimônias. Assim, Obama - que, ao assumir, pregou um recomeço nas relações com a América Latina - prossegue, sem mudanças, na mesma linha de seus antecessores, ratificando esta incongruente legislação.

A política dos Estados Unidos contra Cuba não tem sustento ético ou legal algum e é contrária ao direito internacional. Tampouco possui o apoio de outras nações. O bloqueio à ilha já foi condenado 19 vezes na Assembleia Geral da ONU. Mais de 180 países e organismos especializados do sistema das Nações Unidas explicitam sua oposição a essa política.

O dano econômico direto causado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio supera, nesses 50 anos, os 751 bilhões de dólares, no valor atual dessa moeda. Os prejuízos, contudo, não são apenas financeiros, estendem-se por várias áreas, como a da saúde, por exemplo.

"As crianças cubanas não podem dispor do medicamento Sevoflurane, o mais avançado agente anestésico geral inalatório, porque seu fabricante, a companhia norte-americana Abbot, está proibida de vender a Cuba", exemplificou na Assembleia Geral da ONU o chanceler Bruno Rodriguez. Esse é um dos elementos que faz com que a ilha classifique a política norte-americana como genocida, já que muitas mortes poderiam ser evitadas sem o bloqueio.

Os Estados Unidos, então, submetem a população de Cuba à falta de desenvolvimento, às doenças, e a demais mazelas, com o objetivo de forçar uma mudança política do regime socialista cubano. Para a superpotência imperialista, tudo o que não conduza ao estabelecimento de um regime que se subordina aos seus interesses será insuficiente para encerrar esta política contra o povo cubano.

O bloqueio dos Estados Unidos a Cuba é criminoso e atenta contra a soberania e a auto-determinação do país, que tem todo o direito de escolher o seu próprio sistema político e a maneira de organizar a sociedade. O bloqueio viola grosseiramente o direito internacional e é mais um ato da política intervencionista dos Estados Unidos.

O movimento social brasileiro tem condenado em diferentes oportunidades o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba. Em junho último a Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba pronunciou-se claramente contra o bloqueio. O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) realizou também em junho um seminário internacional, cuja declaração final exige o fim do criminoso bloqueio. Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz declarou que a prorrogação da Lei Helms-Burton por Barack Obama “mostra o falso democrata que ele é e dissipa todas as ilusões na atual administração dos Estados Unidos”. Socorro disse ainda que com este gesto “Obama se iguala aos seus predecessores e se candidata a ter o mesmo destino – o lixo da História”.

Da Redação, com agências

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/obama-mantem-embargo-a-cuba

Argentina condena militares da ditadura à prisão perpétua

Justiça da Argentina condena militares da ditadura à prisão perpétua

Parentes das vítimas da ditadura militar na Argentina (1976-83) e ativistas acompanham julgamento do ex-general Héctor Gamen, 84, e o ex-coronel Hugo Pascarelli, 81, em Buenos Aires

A Justiça argentina sentenciou nesta quinta-feira à prisão perpétua um general e um coronel da ditadura (1976-1983) por crimes no centro de tortura por onde passaram o escritor Haroldo Conti, o roteirista Héctor Oesterheld, a alemã Elisabeth K'semann e os franceses Françoise Dauthier e Juan Soler, constatou a AFP.

O ex-general Héctor Gamen, 84 anos, e o ex-coronel Hugo Pascarelli, 81, foram "condenados a pena de prisão perpétua por homicídio qualificado, privação ilegítima da liberdade e tortura" no centro clandestino "El Vesubio".

O coronel Pedro Durán Sáenz, quem comandou esse centro clandestino durante a ditadura (1976/83), faleceu em junho, no meio do julgamento.

O julgamento foi aberto em fevereiro de 2010 e diz respeito a 156 crimes, entre eles 17 fuzilamentos.

Por "El Vesubio" passaram 2.500 prisioneiros, entre 1976 e 1978, quando o centro foi demolido, ante a iminente chegada da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O governo alemão, representado pelo advogado argentino Pablo Jacobi, apresentou-se como querelante pelo caso K'semann, pedindo prisão perpétua para os dois militares.

K'semann, uma socióloga de 30 anos, nascida em Gelsenkirchen, filha do professor universitário e teólogo luterano Ernst K'semann, foi sequestrada em 1977 e esteve 8 semanas desaparecida até aparecer crivada de balas num terreno baldio, junto com outros 15 prisioneiros de "El Vesubio".

A secretaria de Direitos Humanos e outros querelantes pediram que esses crimes sejam considerados "parte de um genocídio".

O escritor Haroldo Conti, o cineasta Raimundo Gleyzer e o roteirista Héctor Oesterheld, que também tevem quatro filhas desaparecidas, foram vistos nesse campo, assim como Françoise Dauthier e Juan Soler, dois dos 18 franceses vítimas da ditadura.

Dauthier, nascida em 1946 na França, foi levada de sua casa, na periferia sul de Buenos Aires e trasladada a "El Vesubio" com suas duas filhas menores, Natalia e Clarisa Martínez, de 18 meses e 3 anos, entregues depois aos avós.

Soler, um ex-sacerdote e operário da construção civil, tinha 42 anos quando foi sequestrado em sua casa, em abril de 1977.

"Estávamos todos machucados, sujos, esfarrapados e mortos de fome. No dia 23 de maio (de 1977) nos chamaram um a um e nos levaram à cozinha (...) Foi a última vez que os vi", disse Elena Alfaro, uma das 75 sobreviventes do campo, ao prestar depoimento por videoconferência, a partir de Paris.

Como em muitos outros centros de extermínio, também lá houve mulheres grávidas que deram à luz em cativeiro antes de desaparecerem, como María Trotta e Rosa Taranto, cujos filhos roubados ao nascer recuperaram a identidade em 2007 e 2008, respectivamente.

"El Vesubio" funcionou num prédio da SPF na periferia sudoeste de Buenos Aires, na jurisdição do Primeiro Comando do Exército, do temido general Carlos Suárez Mason, já falecido.

A causa foi reaberta em 2003, depois que o Congresso anulou as leis de anistia de 1986 e 1987.

Cerca de 30.000 pessoas desapareceram durante a ditadura, segundo organismos humanitários.

Fonte: UOL ( http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/07/14/perpetua-para... )

Militar colombiano assassinou 57 civis como falsos guerrilheiros

Militar da Colômbia confessa ter ordenado assassinato de 57 civis para identificá-los como guerrilheiros

RIO - Um coronel do Exército colombiano confessou que sua unidade matou, premeditadamente, 57 civis para identificá-los falsamente como guerrilheiros mortos em combate, diz reportagem do site do jornal espanhol "El País". Luis Fernando Borja Giraldo, ex-comandante da Força Tarefa Conjunta de Sucre, admitiu que o objetivo da falsa baixa era obter benefícios e permissões especiais relacionados ao combate a rebeldes. A confissão valeu ao militar uma redução da pena pelos crimes de 42 para 21 anos.

Um dos casos aconteceu em novembro de 2007, quando tropas do destacamento ao qual Giraldo pertencia deram parte da morte de dois supostos rebeldes durante um confronto na pequena localidade de El Pantano. Durante a investigação judicial, as famílias dos jovens informaram que eles tinham sido procurados para trabalhar na lavoura. O coronel admitiu, porém, que eles caíram numa emboscada e foram mortos.

Segundo o relato de Giraldo, depois de matar os civis, os militares vestiam os corpos com uniformes de guerrilheiros. O coronel forneceu ainda as identidades de cerca de 50 oficiais, suboficiais e soldados que participaram de ações parecidas.

Desde 2008, cerca de duas mil denúncias de desaparecidos, ou de falsas baixas em combate foram feitas na Colômbia. Estima-se que 1.487 militares se envolveram nas mortes, dos quais cem já foram julgados e presos.

Fonte:
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/07/14/militar-da-colombia-confess...
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Estudantes chilenos prometem maior manifestação desde a ditadura

Os protestos no Chile

Do Correio do Brasil

Estudantes chilenos prometem maior manifestação desde a queda da ditadura

educação

Estudantes reúnem-se na praça principal da capital do Chile para protestar contra Piñera

Estudantes e professores chilenos prometem organizar, nesta quinta-feira, as maiores manifestações desde a redemocratização do país, em 1989. Melhor não duvidar: nas duas últimas marchas, em 16 e em 30 de junho, os manifestantes quebraram os próprios recordes, reunindo em torno de 400 mil pessoas nas principais cidades.

São dias pouco agradáveis para o presidente do Chile, Sebastián Piñera. Além de ter sido obrigado a anunciar medidas para tentar frear os movimentos, ele enfrenta, nesta segunda-feira, protestos dos trabalhadores do setor mineral, principal atividade econômica nacional. Os operários querem garantias de que não haverá privatização da Codelco, a estatal do cobre.

O momento coloca em xeque a visão de um “Chile-maravilha”, comprada por parte da sociedade brasileira e dos países ricos. Os estudantes querem colocar a nu um sistema educacional que consideram desigual e excludente.

– O crescimento do mercado de educação superior fez com que aparecessem muitas diferenças entre os estudantes e entre as instituições. Há um uso massivo de recursos que não assegura a qualidade – afirma Germain Dantas, presidente da Federação de Estudantes da Universidade Federico Santa Maria, uma instituição privada de Valparaíso, e integrante da Confederação de Estudantes do Chile.

Ele refere-se ao sistema adotado durante a ditadura de Augusto Pinochet (que governou de 1973 a 1990). No início da década de 1980, o governo decidiu promover a abertura ao modelo privado de educação. A visão era de que a criação de uma rede particular forte provocaria uma melhoria das escolas públicas. A lógica era simples: receberiam mais financiamento as unidades que conseguissem atrair mais estudantes, supondo-se que uma quantidade maior seria a consequência de um ensino de mais qualidade.

Os alunos passaram a escolher. Se quisessem seguir em uma escola pública, poderiam. Se quisessem migrar ao ensino privado, receberiam uma espécie de vale-educação, ou seja, a escola é subsidiada por cada estudante que recebe.

– Em vez de funcionar como um instrumento para acabar com a desigualdade, a educação se transformou em um elemento para reproduzi-la – lamenta Jaime Gajardo, presidente do Colégio de Professores do Chile, entidade que reúne 100 mil docentes de todos os níveis educacionais.

No sistema universitário a situação se complicou ainda mais. Tanto nas instituições públicas quanto privadas é preciso pagar matrículas e mensalidades. Os juros fazem com que as dívidas, que inicialmente vão do equivalente a R$ 10 mil a R$ 15 mil, atinjam valores quatro ou cinco vezes maiores. Até esta semana, mesmo quem perdia o emprego deveria seguir pagando o crédito educacional.

Herança

Esta é uma das questões centrais: a Concertação, aliança de partidos que governou o Chile da redemocratização até o ano passado, não fez esforços para reformar o sistema. Pelo contrário, criou medidas na tentativa de aperfeiçoá-lo, acreditando que juros um pouco mais baixos ou um número maior de bolsas resolveriam a questão.

– Hoje em dia estamos vendo as consequências disso. Você reforma algumas coisas, mas não muda o substancial. Ao não mudar o substancial, os problemas remanescentes explodem, afloram inevitavelmente – diz Gajardo.

A conta que hoje se cobra foi apresentada pela primeira vez em 2006, quando centenas de milhares de estudantes secundaristas foram às ruas, na chamada Revolta dos Pinguins. O que se queria era o fim da municipalização do ensino, o fim do lucro nos colégios privados, a gratuidade da prova de seleção universitária e o anulação da lei do período Pinochet, que criava as várias categorias de escolas. A presidenta Michelle Bachelet aceitou convocar uma comissão que, no fim das contas, não deu espaço às reivindicações centrais dos jovens.

O movimento volta agora e, segundo lideranças da mobilização, vê com total descrédito uma solução negociada entre Executivo e Legislativo. “Isso não terá solução na política tradicional. Estamos reivindicando uma série de saídas que não estão previstas na política tradicional, como o plebiscito, que são medidas mais democráticas e que incluem a sociedade”, avisa o estudante Dantas.

Pagando o pato

Piñera havia avisado que este seria o ano da educação. Os estudantes foram às ruas reforçar a mensagem. Cientes de que o caminho do presidente era o de incentivo ao atual modelo, acharam melhor deixar claro que acreditam na ruptura e na formulação de um novo sistema. Quis a soma de fatores que o cansaço se tornasse público e massivo durante o governo conservador.

Em uma demonstração de pouca habilidade política, o ministro da Educação, Joaquín Lavín, determinou, pouco antes da segunda jornada de protestos por todo o país, que as escolas tomadas por estudantes antecipassem as férias de meio de ano. Ele próprio admitia que eram 206 unidades apenas na região metropolitana de Santiago.

– O ano escolar significa um certo número de horas de classes que devem ser respeitadas. Está em jogo também o subsídio que têm de receber os colégios e seus mantenedores – ameaçava, indicando também que os estudantes teriam aulas até janeiro para repor o atraso caso não respeitassem a medida.

A resposta foi simples. Dois dias depois, o Chile assistiu à sua maior manifestação em quase três décadas. Em um protesto bem humorado, os alunos sugeriram que Lavín tomasse “o caminho da praia”, uma alusão a um pedido de demissão. Secundaristas e universitários consideram que o ministro não tem mais condições de negociar uma solução para a crise.

– É uma jogada política extremamente maquiavélica. Não resolve. É má política. (Nós) nos opomos a isso, assim como os estudantes secundários, afetados por essa medida, recusaram cumpri-la e seguem mobilizados – afirma Dantas.

Piñera assumiu a negociação em pronunciamento em cadeia de rádio e TV na última semana. Anunciou um pacote de medidas no valor de US$ 4 bilhões (R$ 6,3 bilhões) para tentar encontrar uma solução. Prometeu aumentar o número de bolsas aos mais pobres e reduzir os juros de financiamento das universidades.

Não se comprometeu, no entanto, com as causas centrais: o fim da municipalização, ou seja, dar um novo caminho ao ensino em 40% das escolas do país; acabar com o sistema que dá ao país uma formação desigual e voltada exclusivamente ao mercado, deixando de lado a formação cidadã; e a estatização do ensino universitário. Como Bachelet em 2006, Piñera corre o risco de ver o movimento crescer.

– Há diferentes visões de como deve ser a educação. Há que se abrir a todas essas visões, e que se realize um plebiscito para definir qual a visão que vai prevalecer. Não pode seguir o que se vê hoje em dia, que é um governo que quer impor sua visão a todo o resto da sociedade – pondera Gajardo.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-protestos-no-chile

Entidades em rede contra o sigilo eterno

Entidades em rede contra o sigilo eterno: A polêmica em torno do
sigilo eterno de documentos oficiais ganhou mobilização nas redes
sociais. Um movimento coletivo de apoio à aprovação do projeto de lei
que estabelece procedimentos para acesso a documentos do poder público
organizou um abaixo-assinado divulgado em blog, Twitter, Orkut e
Facebook. Até a tarde de sexta-feira, mais de 1.800 pessoas já haviam
assinado o documento.
O site "Abaixo o Sigilo Eterno" traz a íntegra do projeto de lei já
aprovado pela Câmara e em trâmite no Senado, que, entre outras coisas,
estabelece que nenhum documento deve ficar mais de 50 anos sem acesso
público, e links para compartilhamento na internet.

O movimento - sem vínculos partidários - foi criado em fevereiro deste
ano após um encontro entre pesquisadores e ONGs como a Transparência
Brasil, Transparência Hacker e Fórum de Direito de Acesso a
Informações Públicas. O lançamento do site com o abaixo-assinado
ocorreu na semana passada. De acordo com Fabiano Angélico, pesquisador
da Fundação Getulio Vargas e um dos organizadores do movimento, o
objetivo é fazer uma campanha de mobilização para informar sobre a lei
de acesso à informação pública e pressionar para que seja aprovado
como está. %u201CO texto já foi exaustivamente discutido com a
sociedade.

Abaixo-assinado Carta aberta à Presidente Dilma Rousseff sobre sigilo eterno:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N11816

Carta aberta à Presidente

Excelentíssima Sra. Presidente Dilma Rousseff,

As organizações, os cidadãos e as cidadãs abaixo assinados vêm por
meio desta manifestar o seu apoio à proposta de uma nova Lei de Acesso
a Informações Públicas, objeto do PLC 41/2010, tal como aprovado pela
Câmara e até agora pelo Senado.

Defendemos o fim do sigilo eterno de documentos. De acordo com o PLC
41/2010, nenhum documento deve ficar mais de 50 anos sem acesso
público.

A ampla discussão realizada até hoje sobre o tema não deve ser
suprimida para atender a interesses políticos particulares,
minoritários e em desencontro com os direitos e aspirações da
cidadania brasileira.

O texto final hoje pendente de votação pelo pleno do Senado já foi
aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e
Informática, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e pela
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, com pareceres
favoráveis dos senadores Humberto Costa, Demóstenes Torres e Walter
Pinheiro, e intensivamente debatido, de forma ampla e participativa,
também na Câmara dos Deputados.

Alguns fatos :

- A Constituição Federal de 1988 garante a liberdade de informação e a
liberdade de expressão como direitos fundamentais, definindo que lei
específica regulará o acesso a informações públicas.

- A noção de liberdade de informação é considerada, pela ONU, como
fundamento de todas as demais liberdades. A entidade, defende o
direito de todos e todas de buscar, receber e divulgar informações,
criando uma obrigação para os Estados de tomar medidas a fim de fazer
valer estes direitos, inclusive estabelecendo legislações e políticas
públicas necessárias para tanto.

- O artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos estabelece o
direito fundamental à liberdade de expressão e informação, englobando
o direito de qualquer pessoa de solicitar informação em poder do
Estado, com as exceções reconhecidas na própria Convenção.

- O acesso à informação é também um direito instrumental para
realização de outros direitos humanos. Essa instrumentalidade foi
reconhecida no Princípio 10 da Declaração da Rio-92 (Earth Summit). Em
2012 o Brasil sediará a Rio+20 e deve demonstrar seu compromisso com a
transparência e com a participação para o desenvolvimento sustentável.

- O governo brasileiro tem compromisso de aderir ao chamado Open
Government Partnership juntamente com o governo norte-americano. Tal
ação exige a adequação do marco legal nacional para comprovar o pacto
assumido por nossas autoridades com a abertura e com o combate à
corrupção.

- Em dezembro de 2010 a Corte Inter-Americana de Direitos Humanos
concluiu que o Brasil violou o direito à liberdade de pensamento e
expressão protegidos pelo artigo 13 da Convenção Americana de Direitos
Humanos ao negar às famílias de desaparecidos entre 1972 e 1974 o
direito de buscar e receber informação sobre seus entes queridos.

- O governo brasileiro assumiu compromisso com a criação da Comissão
Nacional da Verdade, materializado através do Projeto de Lei 7376/10,
com o objetivo de esclarecer casos de violação de direitos humanos
ocorridos no período da ditadura (1964-1985).

Os indivíduos e entidades abaixo assinados defendem que o Estado
brasileiro faça valer as determinações constitucionais e da legislação
internacional, honrando os compromissos assumidos pelo Estado frente a
outras nações e com o povo brasileiro.

Para ler a carta à Presidente na íntegra, acesse o site:
http://abaixosigiloeterno.wordpress.com/

Os signatários

Entrevista Aleida Guevara (Parte I)

Filha de Che teme que reformas afetem consciência social em Cuba

ELEONORA DE LUCENA
ENVIADA ESPECIAL AO RIO
Ela se declara apenas uma militante da base do Partido Comunista Cubano, mas carrega o sobrenome de um mito da esquerda. Aos 50 anos, a pediatra Aleida Guevara se ocupa em cuidar da memória do pai e faz uma defesa inflamada do modelo da ilha.
Nesta entrevista, ela expressa seu temor pessoal de que as reformas em curso na ilha que permitiram a venda de imóveis e carros afetem a consciência social da população, pois podem inflar o individualismo. No Brasil para dar palestras, ela fala de política e da herança de Che Guevara.
Rafael Andrade-28.06.11/Folhapress

Aos 50 anos, a pediatra Aleida Guevara se ocupa em cuidar da memória do pai e faz uma defesa inflamada de Cuba
Folha - Como vê o Brasil hoje?
Aleida Guevara - Para quem vem de fora é muito fácil analisar a situação. Para quem vive a realidade cotidiana é mais difícil. Por isso não é bom perguntar a quem vem de fora sobre a realidade do teu país, porque não tem base sólida para falar. Como trabalho com o MST há tanto tempo, uma das coisas que sempre tenho visto é a necessidade de repartir a terra, fazer uma reforma agrária profunda. Para que este país possa solucionar de verdade seus problemas de sua gente mais simples, do campo. Isso eu posso dizer. Mas, como o Brasil vai, só os brasileiros sabem. Vim participar da conferência de agroecologia em Londrina.
E como vão as coisas em Cuba?
Estamos em um momento de buscar solução a problemas reais que temos tido durante muito tempo. Há problemas atuais que o país vive por causa da crise econômica, que atinge todos os países do mundo. Estamos discutindo os problemas com todo o povo, analisando-os nos locais de trabalho, nos bairros. O congresso do partido analisou tudo o que resultou dessas reuniões populares e se chegou a um consenso de que vamos fazer algumas mudanças na economia familiar. Resolver um problema de família, de pessoas que estão sem emprego neste momento porque o Estado não pode seguir sustentando pessoas que trabalham sem produzir. Quando perdemos o campo socialista europeu, Cuba sofreu uma crise brutal e o Estado amparou todo mundo durante todo esse tempo. Agora a situação da economia interna melhorou. Portanto há possibilidades reais para que essas pessoas possam trabalhar independentemente. Não queremos desamparar os que não estejam trabalhando para o Estado. Por isso é que vem essa possibilidade de trabalho individual. Porque nós, pela Constituição, teríamos que analisar quais são os itens da Constituição atual que se chocariam com essas mudanças. Por isso toda essa análise popular, profunda. Se é necessário mudar algum item da Constituição, que o povo saiba o que se está fazendo e porquê. E o plebiscito que se tenha que fazer será faz mais rápido e mais fácil.
O que teria que mudar na Constituição?
Foi acordado na Constituição que Cuba é uma sociedade socialista. Dentro dessa sociedade socialista há normas, regras. Quando se diz agora que há pessoas que vão trabalhar por conta própria, pode ser alugar sua casa, o que não existia. Essas pessoas que agora estão trabalhando por conta própria, se quiserem outras pessoas para trabalhar, que seja pago um salário justo, por lei. Por exemplo: se quiseres alugar um quarto da tua casa e empregaste alguém para fazer a limpeza. Antes esta pessoa não estava protegida por nenhuma lei. Agora, com as mudanças, essa pessoa estará protegida também pelas leis do Estado cubano. Essas leis precisam ser implementadas na Constituição.
O último congresso do partido abriu possibilidade da propriedade privada de imóveis e carros...
Digamos que não é propriedade privada. Eu, por exemplo, se paguei por um carro, ele é meu. O problema é que eu não tinha direito de vendê-lo. Agora tenho. O que mudou é que é permitido ao cidadão que é dono de um carro vendê-lo legalmente. É sua propriedade, é seu direito. Como em relação a casas. Se uma casa é legalmente tua, tu podes vendê-la.
Mas isso é reconhecer a propriedade privada.
Dentro do que já existia, na propriedade individual. Que podes chamar de privada, se quiseres. É tua. O problema é legalizar essa propriedade para que você possa usá-la para o que quiseres.
A sra. não acha que isso se conflita com o princípio socialista?
Não. Isso não tem nenhum tipo de problema com os princípios socialistas. A questão não está em vender a tua casa ou o teu carro ou trocá-lo. Isso me parece que é muito bom que possamos fazê-lo livremente, sem nenhum tipo de trava. A questão está em que agora há trabalhadores por conta própria. Esses trabalhadores vão buscar o seu benefício pessoal. O meu temor pessoal como cidadã a pé eu não tenho nada a ver com a direção do governo cubano; sou uma médica cubana meu temor é que as pessoas que comecem a trabalhar para si mesmas percam um pouco a questão social, a consciência social. Vivendo numa sociedade socialista, nós trabalhamos para um povo. Quando tu começas a trabalhar para o teu bolso, para o teu bem estar pessoal, temos o risco de perder essa conexão social que mantivemos por toda a vida. Essa é a minha preocupação pessoal. O Estado socialista e segue sendo socialista porque não há privatização nos grandes meios de produção. Isso não se tocou e não se vai tocar. O povo cubano segue sendo dono de tudo o que se produz no país. Podes ser dono do que tu fazes em tua casa, um restaurante, um salão de beleza, serviços. Mas os grandes meios de produção, tudo está com o Estado, que, portanto, é do povo. Nesse sentido não há nenhum tipo de mudança.
As reformas foram feitas para tirar do Estado o peso de pessoas que..
Exatamente. De pessoas que vão ficar sem trabalho pelo Estado, porque o Estado não pode seguir sustentando essa situação. Temos feito melhorias econômicas. Essas pessoas ficam livres de trabalhar para o Estado e ter o seu próprio trabalho. E o Estado sai dessa tensão de manter alguém que não estava produzindo.
O seu temor é que essa reforma, que pode ser lida como mais privatizante, afete a consciência social?
O homem pensa segundo vive. Essa é a preocupação, simplesmente. Se você está vivendo somente interessado em melhorar a tua casa, em melhorar a quantidade de dinheiro que tem no bolso, em melhorar a vestimenta, você se esquece que a escola infantil da esquina, onde seus filhos e netos estudam, precisa de uma mão de pintura. Você será capaz de deixar um pouco desse dinheiro para doar à escola? Se você é capaz de fazê-lo, eu calo a boca e sou feliz. Essa é a minha preocupação: que você perca essa perspectiva, que não se preocupe com a perspectiva de comunidade social, que é o que nós somos e pelo que seguimos vivendo.
Por que é difícil fazer uma renovação nas lideranças cubanas? Por que não há jovens lideranças?
Nosso ministro de educação superior tem 51 anos, não é tão velho.
Mas na liderança maior...
Vai se renovando. As pessoas que vão chegando, vão provando como são, como atuam, qual a capacidade. Isso está havendo com vários dirigentes. O chanceler de Cuba tem 50 anos. Para chanceler, é relativamente jovem. Vamos vendo como essa nova geração, a minha geração, vai ocupando uma série de lugares de direção no país. É uma questão que vai se fazendo pouco a pouco. A questão mais importante é do conhecimento de como elegemos a nossa gente. Nenhuma imprensa do mundo fala das eleições em Cuba.
Como a sra. responde aos que dizem que Cuba é uma ditadura, não há liberdade de imprensa?
É simplesmente uma falta de conhecimento total da realidade cubana. Nós temos eleições populares, muito mais democráticas do que qualquer outro país. Porque é o povo que elege diretamente os seus candidatos. Desde a base. Não há organizações políticas que digam: é esse, esse. É o povo quem diz. Uma reunião de vizinhos diz: fulano e fulano. E explicam porque propõem. Cinquenta por cento mais um da assembleia reunida têm que dar a aprovação. Se a pessoa é aprovada, ninguém pode derrubar essa aprovação. É uma decisão do povo. Então esse passa a ser candidato.
Mas o partido é único.
Mas o partido não tem nada que ver com as eleições. O partido é um partido dirigente, diretor da conduta social nessa sociedade, nada mais. Não tem nada que ver com as eleições. As eleições são de baixo, do povo. Nós elegemos o candidato ao município. As eleições ocorrem a cada dois anos e meio. A cada cinco anos essa assembleia municipal elege uma comissão eleitoral dentro de seus membros e começam a receber propostas das organizações de massa do país. Por exemplo: os camponeses têm uma organização de massas. Se nesse município há camponeses, eles têm direito a propor candidatos para a província e para a nação. Se há faculdades ou universidades, a organização de estudantes universitários tem direito a propor candidaturas a essa assembleia municipal. Assim, se há um hospital, o sindicato da saúde tem direito a fazê-lo; se há uma unidade militar, os militares têm direito há fazê-lo. Todas as organizações sociais que existem nesse território têm direito a propor candidatos à província e à nação.
A comissão eleitoral da assembleia municipal reúne toda essa informação e faz uma eleição. Faz uma cédula para a província e para a nação. Essa candidatura se discute no pleno da assembleia municipal. E a assembleia municipal tem que aprová-la em 100%. Se não a aprova, a comissão eleitoral tem que recomeçar o seu trabalho. Até que o município aceite essas candidaturas. Quando forem aceitas essas candidaturas, se apresenta a votação para o povo. Província e nação. O que aconteceu com a nação? Se tu deixas que o povo cubano diga realmente o que querem desde baixo para a nação, os históricos seriam sempre indicados. Todo mundo vai propor Fidel, Raúl, Ramiro Valdez. Gente é conhecida, em quem se tem confiança e que se sabe que vão seguir o caminho da revolução.
Mas não é possível porque é preciso dar espaço a novas gerações. Por isso é que os dirigentes históricos somente poderiam ser propostos pelo seu município. Por exemplo, Ramiro Valdez somente pode ser proposto pelo município de Artemísia. Santiago de Cuba é o único município que pode propor Raúl e Fidel. Desde o início tivemos que fazer assim porque as pessoas tinham a tendência de indicar sempre Fidel e Raul.
Nossa assembleia tem 38% de mulheres. Uma percentagem importante de jovens. Está bastante equilibrada entre trabalhadores do campo e da cidade. Depois vamos às urnas e elegemos. Quando a assembleia está eleita pelo povo, se reúne e elege, dentro do seu seio, o presidente, secretário, vice-presidente, o conselho de Estado, os ministros. A assembleia nacional de Cuba e o Conselho de Estado tem que ser eleitos diretamente pelo povo.
(continua...)

Entrevista Aleida Guevara (Parte II)

Então não há um problema de renovação?
O problema está em que o povo cubano conhece a sua gente. Se tu conheces a tua gente, querem que sigam dirigindo. Se fizeram bem até agora, por que queres mudar? Ao contrário. O que as pessoas realmente temem é que poderíamos eleger um jovem neste momento que não tenha as possibilidades intelectuais que tem hoje, por exemplo, Raúl. Estamos seguros com ele. Nos sentimos seguros com ele. Por isso se elege. Quando não o tivermos, estaremos obrigados a buscar outras possibilidades. Por isso é bom ter ministros mais jovens para ver como se comportam. O povo pode dizer se esse agrada ou não. E pode pensar desde agora: esse ministro está trabalhando muito bem, é uma pessoa direita, é austero --isso observamos muito. Se são ministros que têm contato com o povo. Que as pessoas confiem em relação à sua atitude em relação à vida.
Como justificar a questão da oposição, dos presos políticos, as damas de branco?
Meu Deus! O conceito de preso político é presos por suas ideias. Em Cuba não existem esses presos. Em Cuba existem presos por ações contra o povo. Ações de delito. Colocar, por exemplo, veneno na água de uma escola infantil é terrorismo. Esse está preso. Incendiar a telefonia de Cuba. Isso o que é? É uma ação terrorista.
Então não existem presos políticos; existem terroristas presos?
Existem terroristas. Existem os que fazem isso do ponto de vista econômico também. Porque vivemos com o bloqueio dos EUA. Nos últimos anos, eles têm aplicado a lei do bloqueio de outras formas mais sofisticadas.
Como?
A lei Helms-Burton fala que, se você tem uma empresa e quer ir a Cuba negociar, alugar uma casa, um edifício para implantar a empresa, você pode ser penalizado se esse edifício onde você colocou a sua empresa pertenceu a alguém que vive hoje nos EUA. Pela lei Helms-Burton os EUA podem penalizar essa empresa por U$ 5 milhões, 10 milhões por ocupar um lugar que pertenceu a um norte-americano. Imagina! Em Cuba as melhores residências pertenceram a essa gente dos EUA. Os 20 mil melhores hectares pertenciam aos EUA.
Com quem vamos negociar? Há empresas que se atreveram a fazer essas coisas. Há mercenários pagos diretamente pelos EUA e países europeus que se dedicam a dar esse tipo de informação ao FBI. Isso prejudica muito o nosso país. Muita s empresas, panamenhas, por exemplo, tiveram que sair porque foram penalizadas por isso. O povo cubano se prejudicou. Essas pessoas quando foram detectadas e foram presas. Por fazer dano ao nosso povo. A maioria já esta praticamente livre. Por causa de um trabalho que alguns ministros espanhóis fizeram para libertar essas pessoas.
O embargo não mudou nada com Obama?
O bloqueio. A palavra embargo em espanhol significa que os EUA embargam nosso direito comercial com eles. Esse é um direito deles. Não protestamos contra isso. Protestamos quando os EUA tem o propósito de que nenhum outro pais do mundo comercialize livremente com Cuba. Isso é o bloqueio, fechar um país. Isso é o que estão fazendo conosco toda a vida. Com Obama, acreditávamos que, por ser o primeiro presidente negro na história desse país que é tão racista, esse homem teria outras perspectivas. Nos equivocamos. Obama responde aos interesses da grande indústria dos EUA. Não fez nenhuma mudança importante.
Ele entrou na presidência prometendo que a base militar de Guantánamo seria fechada. Isso não ocorreu até agora. Seguem tendo presos ilegais em nosso território nacional. Essa base é roubada de Cuba. Ela foi negociada em 1902. E, depois, em 1904. A partir de 1904, este contrato entre o governo de Cuba na época e os EUA nunca mais foi tocado. Por leis internacionais, um contrato que tenha mais de cem anos e que não seja tocado, morre por morte natural. São as leis internacionais desse mundo. Apesar disso, os EUA não aceitam. Faz mais de cem anos que esse contrato já faleceu. E mantém ilegalmente esse nosso território ocupado.
E Cuba nada pode fazer?
Cuba protestou em todos os meios, nas Nações Unidas, em todo o tipo de organização do mundo. Não há resposta. Quando os EUA começaram a usar a base como um cárcere ilegal, Cuba protestou em todos os níveis, em todas as organizações internacionais. Não houve resposta. Que podemos fazer? Tirá-los de lá, com muito prazer o faríamos. Mas seria a desculpa que teriam para nos atacar.
Volto a perguntar sobre as damas de branco. Há quem diga que a primavera árabe pode chegar à Cuba. A sra. teme isso?
As damas de branco são para mim uma vergonha como mulher. O que elas pedem? Que se deixem livres assassinos, terroristas, pessoas que atacaram a economia de seu próprio povo, mercenários que se venderam aos interesses dos EUA e da Europa? E que uma mulher não enxergue que seus próprios filhos estão numa sociedade livre, uma sociedade que cuida das crianças, do momento em que nascem até os últimos anos de sua vida. Uma sociedade em que a educação é totalmente gratuita. Não importa se és dama de branco, de preto ou de verde. Como não são capazes de valorizar essas coisas? Que posso esperar de uma pessoa assim? Se uma pessoa tem princípios e luta pelos teus ideais, eu a respeito, mesmo que não sejam os meus [ideais]. Mas quando essa pessoa recebe dinheiro para fazer essas ações? Quando recebe dinheiro e vive desse dinheiro para fazer esse tipo de coisa contra o teu próprio povo? Não vou respeitar essa pessoa. Não posso respeitar um mercenário.
É o caso das damas de branco?
É o caso de todas essas senhoras. O que estão defendendo? A quem estão defendendo? Pessoas que colocaram veneno em água de crianças, que tentam incendiar uma central telefônica e que contratam pequenos delinquentes no país para tentar desestabilizá-lo? Por muito humana que eu seja, por muito que eu queira, não posso aceitar. Porque não estão defendendo ninguém, nada que seja justo. Se elas fizessem de coração, se não recebessem dinheiro para fazer tudo isso, eu poderia tê-las em conta. Porque são mulheres, podem amar a seus maridos. Pode ser um filho da puta. Se está apaixonada por ele, tem que se respeitar. Mas que nasça de ti, não que recebas dinheiro para fazer todo o show que fazem. Não posso apoiá-las. É isso que acontece com as damas de branco. O povo as rechaça. As rechaça ao ponto de que a policia nacional teve que protegê-las. É uma reação do povo, que sabe o que estão fazendo essas senhoras. Nós temos um nível cultural importante na população.
Mundo árabe é muito diferente de nós. São culturas, situações diferentes. A revolução cubana é uma revolução de base, do povo. O exército cubano é um exército do povo. Sou uma médica e estou defendendo tranquilamente o que é meu, de meus filhos e netos. Isso me dá direito de fazê-lo. No mundo árabe não houve revoluções desde as bases. Não há revoluções populares realmente. Houve movimentos importantes, por exemplo, no Egito, mas se perderam faz muitos anos. A revolução de Nasser se perdeu. A situação em que vivem esses povos é às vezes extrema. Eu respeito o mundo árabe, gostaria de conhecer muito mais. Mas é muito diferente do meu. E os problemas internos sérios somente seus povos podem resolver. Quem sou eu para dizer aos libaneses, por exemplo, como devem se comportar? Os únicos que podem determinar como podem ser dirigidos são os libaneses.
Mas há uma ebulição no mundo árabe agora, não?
Desgraçadamente vejo muita manipulação, de grupos dentro do mundo árabe que estavam incomodados por falta de poder. Utilizaram a necessidade de um povo de buscar soluções para o que sofrendo para chegar ao poder também. Tomara que os povos logrem os seus objetivos. Até agora o que estamos vendo é uma manipulação de situações internas para provocar alguns distúrbios. Tiraram um tirano no Egito. Buscam um mais suave, que convenha melhor aos interesses externos que existem no Egito. Se o poder é tomado e se atrevem a nacionalizar todas as riquezas do Egito e fazer isso em benefício do seu povo, aleluia, perfeito. Até agora não vemos isso. Temos que esperar para ver o que vai acontecer. Nenhum país tem o direito de interferir nos problemas internos do outro.
Como acontece na Líbia.
Nenhum. Muito menos a Otan, estimulada principalmente pela Espanha, pois o petróleo líbio é o petróleo que Espanha utiliza. Esse é o objetivo dessa guerra. Há que ter respeito aos povos. Eu pergunto, quando na história da humanidade um país do chamado primeiro mundo pediu ajuda a um exército do terceiro mundo para resolver seus problemas internos? Nunca. Quem dá o direito a um país do primeiro mundo intervir em um país? Quem deu esse direito? O Plano Colômbia, por exemplo. Colômbia é produtora de coca, mas coca ancestral. Esse povo não consome a coca como os Estados unidos consumem a cocaína. É diferente. Se os Estados Unidos e a Europa não consumissem essa cocaína, não teríamos o problema com a coca na Colômbia. Por que se mantém o negócio? Porque há muitos interesses nos EUA e Europa que provocam esse tipo de situação. Porque não resolvem o seu problema. Por que vêm meter sete bases militares na Colômbia?
A vitória da esquerda no Peru muda algo na América Latina?
Estamos vivendo a Alba, a alternativa bolivariana, com Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Nicarágua e duas ilhas pequenas do caribe. Temos intercâmbios culturais e econômicos, respeitando idiossincrasias e soberanias. Mas sendo cada vez mais companheiros na luta pelo bem estar do povo. Esperamos que Peru se una. Mercosul é outra instituição. Seria fantástico se Brasil e Argentina se unissem à Alba, pois isso significaria que não há retrocesso para a AL. Se os gigantes latino-americanos se unissem num processo emancipador da América, não haverá o que nos detenha.
Como está Fidel?
Bastante bem. Quando saí de Cuba (em 23/06), estava bem, tinha ido visitar Chávez.
E como está Chávez?
Não o vi pessoalmente, mas o que sei é que está bastante bem, muito recuperado. Gosto muito dele. É um grande amigo.
E o câncer?
Que eu saiba, não há câncer. O problema é que se tem ou não tem, não é importante. O importante é que tenha a capacidade para seguir dirigindo e resolvendo os problemas de seu povo. Qualquer ser humano pode ter qualquer tipo de enfermidade. Por ser um presidente não está isento de ter enfermidades. Se ele agüenta, resiste e se sente em condições para seguir adiante...
Não seria melhor anunciar publicamente o que ele tem?
Mas se não tem, porque vai anunciar?
Mas ele está há muito tempo em Cuba.
E é uma operação de joelho, necessita de tempo para recuperar-se. Tem o peso do corpo...
Mas não foi um abscesso?
Há muitas versões.
Por isso que pergunto se não seria melhor divulgar o oficial.
O problema das coisas oficiais...O porta-voz do governo bolivariano deu uma explicação pública, mas todo mundo repete o que diz Miami. De que adianta dar explicações a toda hora se um porta-voz oficial diz algo, mas as pessoas dizem outra. Que objetivo tem que eu diga algo se não vais me acreditar?
Cuba é hoje dependente da Venezuela como foi no passado em relação à URSS?
Não. São coisas diferentes. Venezuela é um país latino-americano como nós, a mesma cultura, maneira de ser. Estamos numa mesma organização latino-americana. Também tivemos muito respeito com a URSS.
Mas a dependência econômica? Cuba é dependente hoje da Venezuela?
Não. Temos intercâmbios importantes, sobretudo no petróleo. Estamos buscando energias alternativas, como a solar. Não há uma dependência. Poderíamos estar hoje perfeitamente bem sem a Venezuela. Claro, há algumas coisas que seriam prejudicadas. É melhor ter um amigo por perto do que um inimigo. Bolívia, apesar de mais longe, também.
E o Brasil?
Com o Brasil temos muito boas elações diplomáticas. Há muitas empresas brasileiras em Cuba. Empresas brasileiras que comercializam com Cuba muito bem.
Quais?
Melhor não mencioná-las.
Como é a sua vida? Como é conviver com a herança de Che?
Tenho 50 anos, duas filhas. A maior tem 22 anos, acabou de se graduar em economia em Havana. A segunda tem 21 anos e está terminando seu terceiro ano de medicina. É o tesouro maior que tenho como ser humano. Trabalho muito com crianças, sou pediatra. Trabalho também numa escola para crianças com necessidades especiais em Havana. Que também me fazem muito feliz, me fazem melhor ser humano todos os dias. Pois são crianças muito especiais, com uma grande capacidade para amar. Trabalho também em casas de amparo. Dou consultas como médica, trabalho no centro de estudo Che Guevara, levando a imagem de Che. Meu salário é como medica, especialista de primeiro grau.
Você mora em Havana?
Sim. Minha filha menor vive comigo; a maior vive com sua avó paterna, pois seu pai faleceu há alguns anos. Tenho também meus irmãos.
O que eles fazem?
Camilo, 49, trabalha no centro de estudos Che Guevara. Célia é veterinária especialista em mamíferos marinhos e trabalha no aquário nacional de Cuba. Ernesto é advogado, mas gosta de trabalhar com motos. É mais mecânico do que advogado. Trabalha por sua conta. E mamãe, que é o centro. É diretora do centro de estudo Che Guevara.
Há machismo em Cuba?
Sim, há algo. Superamos muito com a revolução. Fizemos um giro de 180 graus. Não é possível arrancar tudo de uma vez. É lento. É possível fazer mudanças econômicas e sociais num estalar de dedos, mas mudanças mentais levam tempo. A geração das minhas filhas é muito mais forte, Sabem quem são e para onde vão. Também os homens têm hoje um conceito muito mais aberto. Temos avançado muito. A dupla jornada de trabalho da mulher vai diminuindo.
Como lidar com o mito Che?
Mito, não. Quando falas, por exemplo, de Cristo, é muito distante do ser humano, não sabes se existiu ou não. Che não pode converter-se num mito. Ele era um homem como qualquer um de nós. Isso é o que o faz bonito, completo. Que sendo humano, com todos os problemas e deficiências humanas, soube ser um ser humano melhor. É o que queremos que nossos filhos entendam, aprendam. E que consigam seguir esse exemplo de vida, de ação, de honestidade, de integridade como ser humano.
A imagem dele está por toda parte, mercantilizada em camisetas. Quem as usa sabe quem ele foi?
Algumas pessoas que usam essas camisetas sabem quem ele é e têm consciência. Outras não. Não sei por que usam. Talvez porque papai era muito bonito e as pessoas gostam da imagem. Não posso dizer. Já vi pessoas que não sabem quem ele é e usam sua camiseta. Na Itália, por exemplo, homens da juventude fascista pediram a meu irmão e a mim que assinássemos uma camiseta. E quando nos disseram que eram da juventude fascista, dissemos que eles estavam loucos, que precisavam estudar o Che para ver quem ele era.
Também aconteceu na Itália que dois homens começaram a me olhar muito. Estranhei. Quando perguntei por que me olhavam, me disseram: se tu és real, quer dizer que Che era um homem como nós. Me tocaram. Viram que eu era de carne e osso. Pela primeira vez me senti útil só por ser filha de Che. Sim, tão real como eles, e por isso tão difícil de alcançar. Superar outro ser humano que soube ser melhor que nós. Isso é difícil.
A sra. quase não conviveu como ele.
Muito pouco. Tinha quatro anos e meio quando ele partiu para o Congo. Depois ele regressou a Cuba de forma clandestina. Porque não queria de despedir novamente do povo cubano; já tinha feito isso oficialmente. E, quando voltamos a vê-lo, ele estava transformado numa outra pessoa. Portanto durante muitos anos eu não soube que aquele homem era meu pai. A mim me resta minha mãe, que o amou profundamente e passou esse amor a seus filhos e os seus amigos mais próximos, que sempre nos contavam coisas, mantendo essa imagem que eu admirava. Essa imagem foi crescendo muito. Quando completei 16 anos me perguntei porque eu gostava de meu pai, se não o tinha tido perto de mim quase nunca. Busquei alguns flashes de memória e me dei conta que esse homem que havia amado de verdade. O que tu podes fazer é devolver esse amor, apesar de não estar presente. É o que fazemos.
E você tem alguma lembrança forte dele?
Sim, por exemplo. Acho que foi nos últimos momentos antes da viagem para o Congo. Meu irmão Ernesto havia nascido há apenas um mês. Tenho uma imagem de minha mãe, com meu irmão apoiado sobre seu ombro. Eu estou embaixo olhando a cena. Meu pai está vestido como militar e tocado com uma mão muito grande a cabecinha do bebê. Essa imagem sempre me ficou na retina. Não falei com ninguém, era minha, muito linda. E eu sou mãe também e me ponho a pensar nesse momento, quem sabe de despedida, em quanta preocupação ele poderia estar tendo com esse bebê, se esse bebê, quando crescer, vai entender porque ele não estava. [Chora, tentando conter as lágrimas] Toda uma série de coisas. E esse momento me faz pensar em meu pai com muito amor, com muita força. Porque ele foi um homem capaz de amar com tanta ternura e, ao mesmo tempo, capaz de seguir o seu caminho, de saber que é mais útil noutro lugar. É o melhor exemplo de um verdadeiro homem, de um verdadeiro comunista: de oferecer o melhor da sua vida apesar de si mesmo.
Depois tive outro encontro, quando ele regressou do Congo, já transformado em outro homem. Não sabia que era papai. Essa noite eu caí, bati forte a cabeça. Ele me tomou em seus braços, me protegeu. No fim, eu disse alto: mamãe, acho que esse homem está apaixonada por mim. E deve ter sido algo muito duro para ele, porque não pode me explicar porque me queria de uma maneira muito especial. Mas para mim foi ótimo. Porque quando depois soube que aquele homem era meu pai, apesar de naquele momento não saber quem era, apesar do seu disfarce, eu senti que esse homem me amava de uma maneira muito especial e isso é bonito para qualquer filho.
Essa cena do disfarce está no filme de Steven Sodenbergh. O que achou dos filmes que foram feitos?
O filme com Benício não gostei. Gostei mais do filme de Walter Salles. Não que não goste do ator. Benício fez o maior esforço. Mas a coisa histórica. Na primeira parte, por exemplo, ocultou a parte de papai como formador de homens. Isso não se vê no filme, e talvez seja a parte mais importante de meu pai. Depois, a parte da Bolívia. Fazem toda uma película de guerra. Mas não está o sacrifício dos homens que, como meu pai, largaram tudo para ser útil para outro povo. Isso não se sente no filme. O filme de Walter Salles é muito melhor, muito mais respeitoso, mais real, feito com uma entrega total, eu me identifiquei muito.
Como foi desfilar no Carnaval de Florianópolis?
Levei uma bronca de minha mãe. O Carnaval de Cuba é diferente, é brincadeira. Aqui é uma expressão cultural, tem outra conotação. Depois aprece comigo, num carro alegórico tipo tanque, um homem vestido como meu pai. Isso para minha mãe é um insulto, porque ela respeita muito a sua imagem. Mas eu senti o respeito e a admiração desse jovem por meu pai. Mas minha mãe não gostou.
Como a sra. avalia a manutenção da memória sobre o seu pai?
Muitas coisas faltam. Um das mais importantes é que não há publicações suficientes para os jovens, sobre sua imagem, sua vida. Há muitos livros publicados por terceiros. Mas obras feitas por Che não há para toda a juventude. Esse é um dos objetivos do centro de estudos Che Guevara: fazer esse tipo de publicação.
Trabalhamos com uma editora australiana para levar toda a obra de meu pai aos jovens. Temos doze livros publicados. Há um dedicado aos jovens que se chama Che a partir da memória. É uma compilação de escritos dele desde que ele tinha 16 anos. Tem outro sobre América Latina. Outro sobre economia política, no qual ele faz uma crítica aos manuais de economia da URSS daquela época. Há apontamentos sobre o Congo. Tem discursos, como ele fez em Punta Del Este contra a Aliança para o Progresso. Há o discurso de Argel. Tem o texto sobre o homem e o socialismo em Cuba, que é, para mim, como uma bíblia.
Como está a juventude em Cuba?
Bastante sã. Não temos muito problemas com drogas e Aids. Estuda muito. Há um milhão de estudantes universitários para uma população de 11,5 milhões. Mas é preciso trabalhar todo o tempo. A pressão ideológica contra Cuba é muito forte. Os Estados Unidos criaram a TV José Marti. Há cinco estações de rádio que fazem emissões dos EUA em castelhano. Alguns escutam. Foi o que aconteceu há alguns anos, quando pessoas saíram no Malecón com malas esperando que os viessem buscar. Foi por causa das rádios, que diziam que lanchas iriam buscá-las.
Como a sra. explica isso? As pessoas querem fugir de Cuba?
Isso era no período especial, quando a situação em Cuba era de se arrancar os cabelos, era desesperadora. Então pessoas que não têm os princípios necessários para aguentar a situação pensaram que poderiam viver melhor em outro lugar. Mas se deram conta de que foram manipulados e enganados. Não havia ninguém. E saíram quebrando. E o povo cubano saiu a controlá-los. Não houve um policial cubano. Foi uma coisa espetacular. Chamaram Fidel e Fidel foi. E o povo gritou: viva Fidel. E ele neutralizou a situação. Um ano depois, os jovens fizeram nesse mesmo dia uma marcha espetacular debaixo de uma chuva tropical.
Mas hoje isso poderia acontecer?
Perfeitamente. A última marcha de primeiro de maio foi espetacular, 5.000 jovens fecharam a marcha. E não se vai à marcha de forma obrigada, se faz de coração.
É muito pesado ser filha do Che?
Não. Minha mãe sempre nos ensinou que iríamos receber coisas que não havíamos ganhado. Que teríamos que receber: o nome de meu pai. Mas que deveríamos colocar os pés firmes sobre a terra e deixar passar o que não ganhamos como ser humano. É o que fazemos. Recebemos o nome de papai, mas deixamos passar tudo o que não é para nós. Por isso vivemos muito tranquilos.
A mentalidade de hoje é mais à direita do que era nos anos 60?
Não. Depende de como a esquerda se comporta num momento como este. Se viveres de costas para o teu povo, perdeste tudo. Mas, se tu estás ao lado dos necessitados e segue trabalhando ao lado de teu povo nos momentos mais difíceis, esse povo se dá conta que tu existe, e que tem algo diferente a oferecer. O mundo não tende a pensar como uma direita conservadora. Veja o movimento nas ruas da Espanha, os indignados.
Mas na Espanha a direita ganhou as eleições.
Mas esse movimento nas ruas não se via há muito tempo. E é contra o capital. Sabem bem o que estão exigindo: os bancos não podem seguir ganhando a custa do povo. Isso não é direita. É esquerda, é um despertar da consciência social.
Mas a direita ganhou.
Depende como são as eleições, partidos que levam listas. É um rolo. A suposta democracia nesse sentido se emaranha muito para as eleições. Se não tens capital, não entras nas eleições.
Há democracia em Cuba?
A democracia é o poder do povo. É o que diz a palavra demos: poder do povo. E um Estado de direitos para todos os cidadãos. Isso em Cuba existe sem nenhum tipo de dúvida. O que o povo diz é o que se faz. O povo sempre tem a última palavra.
Como está o caso dos cubanos presos nos EUA?
A mídia nunca fala. Falam dos presos em Cuba, das senhoras de branco, mas nunca falam dos cinco heróis cubanos presos nos EUA. Cuba é um país agredido pelo governo dos EUA, que mantém organizações terroristas de origem cubana no sul da florida. Chegam à costa cubana e metralham. Ferem crianças e idosos. Não dizem nada contra isso. Envenenaram a água de uma escola infantil. A mulher que quis incendiar a telefonia estava sendo paga por eles. Colocaram fogo em um edifício onde havia uma escola infantil. A dengue hemorrágica foi introduzida em Cuba através dessa gente de Miami. As últimas bombas em Havana, quem foi? Um turista salvadorenho pago diretamente por essa gente. Ele está preso em Cuba. Seu telefonema. Está tudo gravado. Nunca uma organização internacional protestou contra as ações terroristas contra Cuba. O governo dos EUA declarou que vai lutar contra o terrorismo em qualquer parte do mundo. Exceto em seu território nacional.
Esses cinco cubanos entraram nessas organizações porque é a única maneira que temos de evitar esses atos. Eles estavam dentro dessas organizações para dar informações dos atos terroristas contra o nosso povo. Foram detectados. Essas organizações terroristas do sul dos EUA enriqueceram com o tráfico de drogas, de armas e de seres humanos. O FBI nos procurou e demos informação de boa fé. E o que fez o FBI? Prendeu os nossos e deixou livres os terroristas. Estão presos há 13 anos. Dois deles nasceram nos EUA. Três eram cubanos com nomes falsos. Por isso podem ser penalizados. Mas a pena é de um a cinco anos de prisão, pelas leis dos EUA.
Há antecedentes. Outros foram condenados a oito anos. O FBI não demonstrou que eles tinham informação que comprometesse a segurança dos EUA. Nenhum pode ser condenado por espionagem, porque não há prova. Não era isso que estavam fazendo. Apesar disso, foram condenados a penas perpétuas. Um deles a duas vezes a pena perpétua! Com toda a mobilização internacional demonstramos que foram cometidas violações tremendas dentro das leis dos EUA. Comprovados agentes foram condenados a 10, 20 anos. E esses, que não tiveram nada comprovado, têm a pena perpétua! Como é possível? Conseguimos um segundo julgamento por causa da pressão internacional. Se os EUA usassem sua própria lei, esses homens seriam colocados em liberdade já. Porque não há lei que sustente essas prisões. E tem que a questão da imparcialidade. Como vais julgar cinco homens cubanos, que tenham se infiltrado nas organizações terroristas em Miami, em Miami? É impossível. Não funcionam as leis nos EUA. Por isso precisamos da solidariedade internacional nesse caso. Para pressioná-los a fazer justiça. Só queremos que os EUA façam justiça e façam valer suas próprias leis.
Com essas reformas, o Estado vai se reduzir em Cuba?
O Estado de Cuba é o povo, o poder do povo. Nos sentimos muito bem representados pelo nosso Estado.

Chile adianta férias escolares devido aos protestos estudantis

Chile adianta férias escolares por causa dos protestos estudantis

Estudantes protestam em Santiago / Reuters

SANTIAGO DO CHILE - O governo chileno decidiu nesta terça-feira adiantar as férias de inverno em mais de 200 colégios ocupados por estudantes que exigem melhoras na educação no ensino médio.

Há cerca de um mês o governo enfrenta protestos estudantis e a ocupação de escolas públicas, assim como de universidades.

A decisão foi tomada um dia depois que os dirigentes estudantis de universidades e do ensino médio recusaram a resposta do governo a suas demandas após uma reunião no último fim de semana. Os jovens anunciaram sua participação em uma greve nacional nesta quinta que também incluirá os professores. O sindicato dos professores também exige reformas profundas na educação.

O ministro da Educação, Joaquín Lavín, informou que a partir de hoje se iniciará o período de férias de inverno de duas semanas em 206 escolas da capital ocupados por estudantes. O período de férias de inverno estava previsto para o período de 11 a 23 de julho.

- A razão disso é que os alunos não seguem perdendo aulas - disse Lavín.

Anteriormente o ministro já havia anunciado o prolongamento do ano escolar até 14 de janeiro. O calendário normal de aulas devia ser concluído até o começo de dezembro.

Lavín sustentou que o objetivo da decisão não é enfraquecer o protesto estudantil, mas evitar que os alunos continuem a perder aulas e que o período escolar se prolongue durante o verão. O ministro destacou que medida similar será adotada nas províncias, onde também foram registradas greves e ocupações de colégios.

Freddy Fuentes, porta-voz dos estudantes do ensino médio da capital, reagiu destacando que a decisão do governo "deixa em evidência a incapacidade de resolver os conflitos".

Nesta quinta-feira os reitores das principais universidades do país deverão resolver se aceitam ou recusam as propostas de melhoras e maiores recursos que Lavín lhes adiantou na semana passada. O governo ofereceu destinar US$ 75 milhões extras em cinco anos a 25 universidades de todo o país para apoiar projetos universitários.

O presidente Sebastián Piñera disse ontem em referência aos protestos estudantis que eles devem ser feitos dentro dos limites da lei e que alunos que não desejam participar do protesto não devem ser impedidos de estudar.

Camila Vallejos, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, disse ontem que "Lavín é questionável em seu papel de interlocutor porque não tem sido capaz de responder a nossas demandas e tem adotado uma série de ações desesperadas para nos desacreditar".

Por sua vez, o representante dos estudantes da Universidade Católica, Giorgio Jackson, avalia que "o que se pretende é desgastar e matar a educação pública".

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/06/28/chile-adianta-ferias-escola... )

ONU reconhece luta da Venezuela contra narcotráfico

Do Portal Vermelho

ONU reconhece êxitos da Venezuela no combate ao tráfico de drogas

O escritório das Nações Unidas contra o crime e a droga, em seu informe anual, ratificou, pelo sexto ano consecutivo, a inexistência de cultivos ilícitos de narcóticos na Venezuela.

"Temos sido avaliados e temos obtido este resultado importantísimo no que se refere à luta contra o tráfico de drogas. A Venezuela é território livre de cultivos ilícitos de droga", destacou o ministro para as Relações Interiores e Justiça, Tareck El Aissami.

"A Venezuela, inclusive, deixa de ser país qualificado como país de trânsito, debido às políticas que o governo realiza. É uma batalha frontal, decidida e inquebrantável, que hoje moviliza a Força Armada Nacional Bolivariana e o país", manifestou.

Igualmente, o informe - publicado na última sexta-feira (24 ) – assinala que a Venezuela figura como quinto país de maior apreensão de drogas ao realizar "4% das apreensões mundiais, sobretudo no que se refere à cocaína", detalhou El Aissami.
"A Venezuela não é um país produtor nem tampouco somos qualificados como país consumidor", esclareceu o titular da pasta do Interior e Justiça.

O ministro recordou que recentemente foram apreendidos 5.052 quilos de cocaína de alta pureza, que se somam aos 16.935 quilos de diferentes drogas confiscadas até agora no ano de 2011.

"Sessenta por cento desse total de droga foi apreendido pela Guarda Nacional Bolivariana", detalhou El Aissami, que enviou uma mensagem de reconhecimento aos funcionários da corporação.

Finalmente, o ministro disse que a Venezuela é um dos principais países que impulsionou políticas preventivas sobre o consumo de drogas.

"São políticas claras e sólidas. Nunca antes na Venezuela tinham sido obtidos éxitos tão tangíveis como estes, nem o país havia figurado como referência nesta materia como agora", ressaltou.

Agência Venezuelana de Notícias

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/onu-reconhece-luta-da-venezuela...

Uruguai abre via legal para julgar ex-militares da ditadura

MONTEVIDÉU - O Uruguai revogará por decreto resoluções de governos anteriores que impediam o julgamento de ex-militares acusados de violações aos direitos humanos durante a ditadura. A decisão deve levar à reabertura de casos que estavam resguardados pela chamada Lei de Caducidade.

O presidente uruguaio, José Mujica, ex-guerrilheiro de esquerda, encomendou a redação do documento a ser assinado na próxima quinta-feira, disse na segunda-feira o secretário da Presidência, Alberto Breccia. A medida permitirá a revisão de casos vinculados ao último regime militar (1973-85).

Além disso, a Justiça terá o poder de decidir quais denúncias estão ou não amparadas sob a Lei de Caducidade, algo que até agora era exclusividade do Executivo.

- O senhor presidente decidiu (...) que se dite um decreto pelo qual se revogam por razões de legitimidade todos os atos administrativos ditados pelo Poder Executivo (...) que consideraram que os fatos denunciados estavam compreendidos na (...) referida lei - disse Breccia.

Há cerca de 20 militares detidos no Uruguai por crimes cometidos durante a ditadura, inclusive o ex-ditador Gregorio Alvarez. Mujica e seus ministros concluíram os detalhes da resolução no dia em que o golpe de Estado completa 38 anos.

Em maio, o Congresso rejeitou a proposta de revogar a Lei de Caducidade. Em seguida, a Suprema Corte de Justiça considerou que os crimes cometidos por militares durante a ditadura eram considerados homicídios simples, e não crimes de lesa-humanidade.

Por esse enfoque, os crimes prescreveriam no começo de novembro, e os militares que não forem julgados antes dessa data ficariam impunes.

Estima-se que cerca de 200 uruguaios desapareceram durante a ditadura, e que muitos outros foram torturados e presos. O próprio Mujica passou mais de uma década detido.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/06/27/uruguai-abre-via-legal-para... )

BIOPIRATARIA: Empresa dos EUA vende sangue de índios da Amazônia

BIOPIRATARIA: Empresa dos EUA vende amostras de sangue de índios da Amazônia por US$ 85 na internet

Caso já foi até capa do jornal The New York Times. Apesar da repercussão, a Coriel Cell Repositories ainda mantém à venda por US$ 85 amostras de células e de DNA de índios das tribos Karitiana, Suruí e Ianomâmi

CHICO ARAÚJO
chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br

BRASÍLIA – A empresa norte-americana Coriel Cell Repositories, sediada em Camden Nova Jersey, mantém à venda em seu site amostras de sangue de índios brasileiros. Por módicos US$ 85 (R$ 134,13) uma pessoa de qualquer lugar do planeta pode comprar, sem sair de casa, amostras de linhagens de células e de DNA do sangue das etnias Karitiana, Suruí e Ianomâmi. Se tiver disposta a gastar mais, a pessoa pode também encomendar amostras de sangue de índios do Peru, Equador, México, Venezuela e de diversos outros países.

A oferta do sangue ocorre há mais de uma década. No ano 2005 o caso veio à tona. À época, a CPI da Biopirataria – que estava a pleno vapor – pediu explicações à Fundação Nacional do Índio (Funai). Num passe de mágica, a Funai anunciou ter acionado a Polícia Federal (PF) e o Itamaraty para solicitar ao governo dos EUA a suspensão da oferta de sangue no site da Coriel. Mércio Pereira da Silva, então presidente da Funai, anunciou no dia 13 de abril de 2005, ao depor da CPI, que todas as medidas haviam sido adotadas no sentido de coibir o comércio do sangue.

Seis anos se passaram da promessa da Funai. Atenta aos assuntos de interesse nacional, a Agência Amazônia foi conferir se, de fato, a Coriel Repositories havia suspendido a oferta de sangue dos índios brasileiros. Um novo susto: como há quatro anos, o sangue dos índios do Brasil e de outros países ainda é oferecido a quem se dispuser pagar US$ 85 (R$ 134,13) por amostra de célula e de DNA encomendados. Para adquirir as amostras basta o comprador clicar aqui e seguir todos os passos indicados pela Coriel.

Assunto é capa do NY Times

No Brasil os jornais e as autoridades silenciaram sobre o assunto. O mesmo não aconteceu no exterior. Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times destaca o assunto em primeira página, na edição do dia 20 de junho de 2007. Assinada por Larrry Rohter, correspondente do jornal no Brasil, destaca a polêmica envolvendo tribos indígenas da Amazônia e institutos de pesquisas estrangeiros que vendem sangue coletado dos nativos nos anos 70 e 90

Fonte: http://www.agenciaamazonia.com.br/index.php?option=com_content&view=arti...

Monitoramento das redes sociais pelo Governo do Chile

Da Folha

Governo do Chile decide monitorar redes sociais

Para oposição, medida viola direito à intimidade e liberdade de expressão

Presidência diz querer saber o que a população pensa; gestão de Piñera perde popularidade e é alvo de manifestações

DE BUENOS AIRES

O governo do Chile contratou uma empresa de mídia para monitorar o que a população do país comenta em redes sociais como Twitter e Facebook, além de blogs.

A medida integra um novo plano de comunicações do governo. Segundo explicou a porta-voz da Presidência chilena, Ena Von Baer, monitorar o que as pessoas dizem na internet é a "única maneira de saber o que elas pensam".

Para executar a medida, o governo do conservador Sebástian Piñera contratou a empresa BrandMetric, que se apresenta na internet como uma companhia capaz de "monitorar, escutar, medir e participar das conversas sobre sua marca". O serviço contratado custará por ano quase US$ 3 milhões.

A medida, que a oposição tem chamado de orwelliana (de George Orwell, escritor inglês, autor de "1984"), causou polêmica. Há mais de um ano no cargo, Sebástian Piñera vem perdendo popularidade e seu governo é alvo de constantes manifestações sociais.

No final de maio e no início deste mês, estudantes e professores entraram em confronto com a polícia após manifestação que cobrou melhorias nas universidades públicas do Chile. Os distúrbios ocorreram em frente ao Palácio La Moneda, sede do governo, no centro de Santiago.

"Não há nada que justifique tal medida, e o governo tampouco deixou claro como vai monitorar os comentários", disse à Folha Lorena Donoso, advogada e pesquisadora da Fucatel (Fundação de Capacitação Audiovisual), ligada à Unesco, que acompanha a situação da liberdade de expressão no país.

O que preocupa os críticos da medida é que a empresa BrandMetric poderá identificar onde está o autor de cada comentário. Para eles, funcionários públicos poderão sofrer perseguição pelo que dizem nas redes sociais.

"Todo governo busca saber o que pensa a população, mas o problema é como utilizar essas informações. O problema aqui no Chile é que a Presidência decidiu monitorar as redes sociais, medida que afeta os direitos coletivos, sem nenhum tipo de consulta prévia à população", ressaltou Donoso.

Oposicionistas acusam o governo Piñera de ferir a liberdade de expressão e o direito à intimidade.

"Os cidadãos financiam o Estado para que ele proteja nossas liberdades, não para vigiar as formas legítimas com que as exercemos", disse Carolina Tohá, presidente do opositor PPD (Partido para a Democracia).

Von Baer, a porta-voz da Presidência do Chile, argumentou que as redes sociais são um "sistema de comunicação público".
(LUCAS FERRAZ)

Fonte: Blog do Nassif (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/monitoramento-das-redes-sociais...)

O papel de Wall Street no narcotráfico

O papel de Wall Street no narcotráfico

A política dos EUA para o México é um pesadelo. Ela minou a soberania mexicana, corrompeu o sistema político e militarizou o país. Obteve também como resultado a morte violenta de milhares de civis, pobres em sua maioria. Mas Washington não está nenhum pouco preocupado com os “danos colaterais”, desde que possa vender mais armas, fortalecer seu regime de livre comércio e lavar mais lucros das drogas em seus grandes bancos. Os principais bancos dos EUA se tornaram sócios financeiros ativos dos cartéis assassinos da droga. A guerra contra as drogas é uma fraude. Ela não tem a ver com proibição, mas sim com controle. O artigo é de Mike Whitney.

Mike Whitney - SinPermiso
Imagine qual seria sua reação se o governo mexicano decidisse pagar 1,4 milhões de dólares a Barack Obama para usar tropas norte-americanas e veículos blindados em operações militares em Nova York, Los Angeles e Chicago, estabelecendo postos de controle, e elas acabassem se envolvendo em tiroteios que resultassem na morte de 35 mil civis nas ruas de cidades norte-americanas. Se o governo mexicano tratassem assim os Estados Unidos, vocês o considerariam amigo ou inimigo? Pois é exatamente assim que os EUA vêm tratando o México desde 2006.

A política dos EUA para o México – a Iniciativa Mérida – é um pesadelo. Ela minou a soberania mexicana, corrompeu o sistema político e militarizou o país. Obteve também como resultado a morte violenta de milhares de civis, pobres em sua maioria. Mas Washington não está nenhum pouco preocupado com os “danos colaterais”, desde que possa vender mais armas, fortalecer seu regime de livre comércio e lavar mais lucros das drogas em seus grandes bancos. É tudo muito lindo.

Há alguma razão para dignificar essa carnificina chamando-a de “Guerra contra as drogas”?

Não faz nenhum sentido. O que vemos é uma oportunidade descomunal de empoderamento por parte das grandes empresas, das altas finanças e dos serviços de inteligência norteamericanos. E Obama segue meramente fazendo seu leilão, razão pela qual – não é de surpreender – as coisas ficaram tão ruins sob sua administração. Obama não só incrementou o financiamento do Plano México (conhecido como Mérida), como deslocou mais agentes norteamericanos para trabalharem em segredo enquanto aviões não tripulados realizam trabalhos de vigilância. Deu para ter uma ideia do cenário?

Não se trata de uma pequena operação de apreensão de drogas, é outro capítulo da guerra norteamericana contra a civilização. Vale lembrar uma passagem de um artigo de Laura Carlsen, publicado no Counterpunch, que nos mostra um elemento de fundo:

“A guerra contra as drogas converteu-se no veículo principal de militarização da América Latina. Um veículo financiado e impulsionado pelo governo norteamericano e alimentado por uma combinação de falsa moral, hipocrisia e muito de temor duro e frio. A chamada “guerra contra as drogas” constitui, na realidade, uma guerra contra o povo, sobretudo contra os jovens, as mulheres, os povos indígenas e os dissidentes. A guerra contra as drogas se converteu na forma principal do Pentágono ocupar e controlar países à custa de sociedades inteiras e de muitas, muitas vidas”.

“A militarização em nome da guerra contra as drogas está ocorrendo mais rápida e conscienciosamente do que a maioria de nós provavelmente imaginou com a administração de Obama. O acordo para estabelecer bases na Colômbia, posteriormente suspenso, mostrou um dos sinais da estratégia. E já vimos a extensão indefinida da Iniciativa de Mérida no México e América Central, incluindo, tristemente, os navios de guerra enviados a Costa Rica, uma nação com uma história de paz e sem exército...”

“A Iniciativa de Mérida financia interesses norteamericanos para treinar forças de segurança, proporciona inteligência e tecnologia bélica, aconselha sobre as reformas do Judiciário, do sistema penal e a promoção dos direitos humanos, tudo isso no México” (“The Drug War Can’t Be Improved Only be Ended” – “A Guerra contra as drogas não pode ser melhorada, só terminada”, Laura Carlsen, Counterpunch)

A impressão que dá é que Obama está fazendo tudo o que pode para converter o México em uma ditadura militar, pois é exatamente isso o que ele está fazendo. O Plano México é uma farsa que esconde os verdadeiros motivos do governo, que consiste em assegurar-se de que os lucros do tráfico de drogas acabem nos bolsos das pessoas adequadas. É disso que se trata: de muitíssimo dinheiro. E é por isso que o número de vítimas disparou, enquanto a credibilidade do governo mexicano caiu como nunca em décadas. A política norteamericana converteu grandes extensões do país em campos de morte e a situação não para de piorar.

Veja-se esta entrevista com Charles Bowden, que descreve como é a vida das pessoas que vivem na Zona Zero da guerra das drogas no México, Ciudad Juárez:

“Isso ocorre em uma cidade onde muita gente vive em caixas de papelão. No último ano, dez mil negócios encerraram suas atividades. De 30 a 60 mil pessoas, sobretudo os ricos, mudaram-se para El Paso, no outro lado do rio, por razões de segurança. Entre eles, o prefeito de Juárez, que prefere ir dormir em El Paso. O editor do diário local também vive em El Paso. Entre 100 e 400 mil pessoas simplesmente saíram da cidade. Boa parte do problema é econômico. Não se trata simplesmente da violência. Durante esta recessão desapareceram pelo menos 100 mil empregos das empresas fronteiriças devido à competição asiática. As estimativas são de que há entre 500 e 900 bandos de delinquentes”.

Há 10 mil soldados das tropas federais e agentes da Polícia Federal vagando por ali. É uma cidade onde ninguém sai à noite, na qual todos os pequenos negócios pagam extorsão, onde foram roubados oficialmente 20 mil automóveis no ano passado e assassinadas 2.600 pessoas no mesmo período. É uma cidade onde ninguém segue o rastro das pessoas que foram sequestradas e não reaparecem, onde ninguém conta as pessoas enterradas em cemitérios secretos onde, de forma indecorosa, volta e meia aparecem alguns corpos em meio a alguma escavação. O que temos é um desastre e um milhão de pessoas que são muito pobres para poder ir embora. A cidade é isso”. (Charles Bowden, Democracy Now)

Isso não tem a ver com as drogas; trata-se de uma política externa louca que apoia exércitos por delegação para impor a ordem por meio da repressão e militarização do Estado policial. Trata-se de expandir o poder norte-americano e de engordar os lucros de Wall Street. Vejamos mais alguns dados de fundo proporcionados por Lawrence M. Vance, na Future of Freedom Foundation:

“Um número não revelado de agentes da lei norteamericanos trabalha no México (...) A DEA tem mais de 60 agentes no México. A esses se somam os 40 agentes de Imigração e Aduanas, 20 auxiliares do Serviço de Comissários de Polícia e 18 agentes da Agência de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos, mais os agentes do FBI, do Serviço de Cidadãos e Imigração, Aduana e Proteção de Fronteiras, Serviço Secreto, guarda-costas e Agência de Segurança no Transporte. O Departamento de Estado mantém também uma Seção de Assuntos de Narcóticos. Os EUA também forneceram helicópteros, cães farejadores de drogas e unidades de polígrafos para examinar os candidatos a trabalhar em organismos de aplicação das leis”.

“Os aviões não tripulados norteamericanos espionam os esconderijos dos carteis e os sinais rastreadores norte-americanos localizam com exatidão os carros e telefones dos suspeitos. Agentes norteamericanos seguem os rastros, localizam chamadas telefônicas, leem correios eletrônicos, estudam padrões de comportamento, seguem rotas de contrabando e processam dados sobre traficantes de drogas, responsáveis pela lavagem de dinheiro e chefes dos cartéis. De acordo com um antigo agente anti-droga mexicano, os agentes norteamericanos não estão limitados em suas escutas no México pelas leis dos EUA, desde que não se encontrem em território norteamericano e não grampeiem cidadãos norteamericanos. (“Why Is the U.S. Fighting Mexico’s Drug War?”, “Por que os EUA travam a guerra contra as drogas no México?”, Laurence M. Vance, The Future of Freedom Foundation).

Isso não é política externa, mas sim outra ocupação norteamericana. E adivinhem quem enche os cofres com essa pequena fraude sórdida? Wall Street. Os grandes bancos ficam com sua parte como sempre fazem. Vejamos essa passagem de um artigo de James Petras intitulado “How Drug profits saved Capitalism” (“Como os lucros das drogas salvaram o capitalismo”, publicado em Global Research). É um estupendo resumo dos objetivos que estão configurando essa política:

“Enquanto o Pentágono arma o governo mexicana e a DEA (Drug Enforcement Agency, a agência anti-droga dos EUA) põe em prática a “solução militar”, os maiores bancos dos EUA recebem, lavam e transferem centenas de bilhões de dólares nas contas dos senhores da droga que, com esse dinheiro, compram armas modernas, pagam exércitos privados de assassinos e corrompem um número indeterminado de funcionários encarregados de fazer cumprir a lei de ambos os lados da fronteira...”

“Os lucros da droga, no sentido mais básico, são assegurados mediante a capacidade dos carteis de lavar e transferir bilhões de dólares para o sistema bancário norteamericano. A escala e a envergadura da aliança entre a banca norteamericana e os carteis da droga ultrapassa qualquer outra atividade do sistema financeiro privado norteamericano. De acordo com os registros do Departamento de Justiça dos EUA, só um banco, o Wachovia Bank (propriedade hoje de Wells Fargo), lavou 378.300 milhões de dólares entre 1° de maio de 2004 e 31 de maio de 2007 (The Guardian, 11 de maio de 2011). Todos os principais bancos dos EUA tornaram-se sócios financeiros ativos dos cartéis assassinos da droga”.

“Se os principais bancos norteamericanos são os instrumentos financeiros que permitem os impérios multimilionários da droga operar, a Casa Branca, o Congresso dos EUA e os organismos de aplicação das leis são os protetores essenciais destes bancos (...) A lavagem de dinheiro da droga é uma das fontes mais lucrativas de lucros para Wall Street. Os bancos cobram gordas comissões pela transferência dos lucros da droga que, por sua vez, emprestam a instituições de crédito a taxas de juros muito superiores às que pagam – se é que pagam – aos depositantes dos traficantes de drogas.

Inundados pelos lucros das drogas já desinfetados esses titãs norteamericanos das finanças mundiais podem comprar facilmente os funcionários eleitos para que perpetuem o sistema”. (“How Drug Profits saved Capitalism, James Petras, Global Research).

Vamos repetir: “Todos os principais bancos dos EUA se tornaram sócios financeiros ativos dos cartéis assassinos da droga”.

A guerra contra as drogas é uma fraude. Ela não tem a ver com proibição, mas sim com controle. Washington emprega a força para que os bancos possam garantir um bom lucro. Uma mão lava a outra, como ocorre com a Máfia.

(*) Mike Whitney é um analista político independente que vive no estado de Washington e colabora regularmente com a revista norteamericana CounterPunch.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=179... )

Revolta dos estudantes no Chile

Do Unisinos

Alerta para Piñera: Os pinguins estão chegando

O movimento estudantil das escolas públicas do Chile continua ganhando força. Ontem, segundo dados oficiais, 98 estabelecimentos foram ocupados e cerca de 40 estão sem aulas. Pedem que o governo, de direita, responda às suas exigências.

A reportagem é de Christian Palma e publicado pelo Página/12, 14-06-2011. A tradução é do Cepat.

Até o momento, o movimento não tem a força e nem a mística do chamado "pingüinazo" de 2006, quando milhares de estudantes secundaristas foram às ruas para exigir melhorias na educação no Chile. No entanto, o novo movimento estudantil das escolas públicas está ganhando força. Não derrubou ainda nenhum ministro ou colocou em xeque o La Moneda, como cinco anos atrás, mas o alerta já chegou até o gabinete do ministro da Educação, o presidenciável da UDI, Joaquín Lavín, e do seu chefe, Sebastián Piñera.

Há uma semana, o centenário Liceu Manuel Barros Borgoño amanheceu tomado pelos estudantes. Depois de um enfrentamento com a polícia, 74 foram presos e houve grandes perdas em infra-estrutura. Este fato foi o ponto de partida de uma reivindicação nacional, a da nacionalização do ensino secundário hoje em mãos da municipalidade, que em muitos casos não têm os recursos necessários – passe escolar gratuito o ano todo, melhora da qualidade dos liceus técnicos e capacitação profissional e acelerar a reconstrução de escolas em áreas afetadas pelo terremoto.

Borgoño Barros precisou ser transferido para outro estabelecimento que não dispõe de instalações adequadas para o ensino. O mesmo acontece com o Liceu de Aplicação e o Liceu Internato Nacionaonal Barros Arana, que tem 60 por cento da capacidade fechada, as três escolas emblemáticas, começaram com as ocupações. Gradualmente, outras instituições aderiram como o Instituto Nacional, a principal escola pública do Chile, e o Liceu 1, de meninas, todos formadores de grandes personalidades da política, das artes, das ciências e negócios.

Ontem, segundo números oficiais, 98 estabelecimentos estavam ocupados e cerca de 40 em greve. De acordo com o subsecretário da Educação, Fernando Rojas, o governo está disposto a discutir o pedido dos estudantes, que também exigem mudanças constitucionais para melhorar a área, mas “esperamos que os alunos parem com a ocupações e a greve para começar a conversar”.

Freddy Fuentes, presidente do Centro de Estudantes do Liceu da Aplicação, disse que “se não houver mudança na Constituição estes problemas vão continuar e não queremos soluções parciais", e instou as autoridades a responder rapidamente os pedidos para definir o caráter das próximas manifestações. Anteriormente, o ministro Lavin disse que o problema não será resolvido com manifestações de rua. Contudo, continuam as ocupações nas escolas, sob o olhar atento dos Carabineiros, que aguardam o pedido do prefeito de Santiago para desocuparem as escolas. O mesmo em outras regiões, através de autarquias locais.

Os alunos, entretanto, que entregaram oficialmente ao ministro a pedido de suas demandas, anunciaram uma passeata até o coração de Santiago, com a idéia, como dizem, para avançar na “revolução pinguim”, iniciada em 2006.

A porta-voz da Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (Aces), Laura Ortiz, disse que “temos claro que comparar as situações não é o caso porque agora aconteceu uma explosão social, mas a cada dia mais escolas se somam ao movimento”. Por outro lado, o arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzati, se mostrou diposto a colaborar no conflito como facilitador do diálogo entre alunos, professores e governo.

Isso porque os estudantes estão jogando pesado. Para a próxima quinta-feira, estudantes e professores universitários convocaram uma greve nacional, fato que será acompanhado por manifestações em várias cidades, sendo em Santiago, a principal delas. "Como colegiado de professores fazemos parte deste movimento. Esperamos que
O ministro da Educação receba isso como um sinal para estabelecer um diálogo de verdade e que responda as demandas deste movimento estudantil transversal que acontece em todo país. Não podemos continuar em um diálogo de "surdos”, disse o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo. A mobilização terá início às 11hs na Praça Italia, indo pela alameda em direção à Praça da Cidadania, onde será realizado o ato principal.

Por sua vez, a presidenta da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (Fech), Camila Vallejo, disse: “É uma vergonha que se trate o movimento de pouco representativo e violento. É legítimo, representativo e transversal porque expressa uma necessidade para o país”, disse.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/revolta-dos-estudantes-no-chile

CELAC: A nova ferramenta para a libertação da América Latina

A Comunidade dos Estados Latino Americanos e Caribenhos (CELAC) será sacramentada oficialmente no dia 5 e 6 de julho de 2011 na cidade de Caracas, capital da Venezuela, com a presença de 32 Chefes de Estado e de Governo de todas as Américas com exceção dos Estados Unidos e Canadá. Essa é mais uma vitória dos povos desse Continente e que terá repercussão mundial.

Em um período histórico relativamente curto (em apenas 12 anos), que começa em 1998 com a vitória eleitoral de Hugo Rafael Chávez Frias e a instalação de um governo bolivariano na Venezuela a América Latina mostra sua nova cara que é atualmente majoritariamente ousada, altiva, anti-colonial, anti-imperialista, anti-neoliberal revolucionária e que busca por caminhos próprios, a justiça social, a quebra das grandes distorções econômicas que afetam a sua enorme população de mais de quinhentos milhões de habitantes e a construção do socialismo, o socialismo em sua versão original idealizado Marx, Engels e Lenin. Essa nova América Latina da CELAC rejeitará a hegemonia dos Estados Unidos e procurará assim unida e coesa enfrentar os grandes blocos de interesses capitalistas centrados nos Estados Unidos e na Comunidade Européia e o que é mais importante em termos estratégicos enterrará de vez a famigerada Organização de
Estados Americanos (OEA).

Destaca-se aqui o grande papel desempenhado por Cuba socialista a heróica ilha da resistência anti-imperialista que por mais de meio século sobreviveu aos bloqueios estadunidense e ao mesmo tempo prestou ajuda solidária aos povos desse Continente e da África. Sua sobrevivência como estado soberano articulado estrategicamente desde 1998 com a Venezuela bolivariana foi de grande importância para a criação da CELAC e de outros fóruns de integração regional como a UNASUR, TELESUR, BANSUR, PETROCARIBE, ALBA e outros. Fóruns esses que criarão as bases sociais e econômicas da nova América Latina.

Transcrevo logo a seguir artigos que analisam a importância da criação desses novos fóruns de articulação regional.

Jacob David Blinder

http://www.youtube.com/watch?v=__PFV-REKJ4

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PC de Argentina: La CELAC, nueva herramienta para las propuestas de liberación de Nuestra América

Tribuna Popular – PCV – 10/06/2001

BUENOS AIRES, 8 JUN. 2011, TRIBUNA POPULAR TP/Editorial de Nuestra Propuesta del 9 de junio de 2011.- El año pasado en Cancún, el Grupo de Río acordó la creación de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y del Caribe, CELAC, compuesta por treinta y dos países, con la exclusión deliberada de Estados Unidos, Canadá y España y con el objetivo de desmarcarse de la influencia norteamericana.

En abril se aprobaron el documento estructural y los estatutos del organismo regional, que diseñará políticas de seguridad alimentaria, salud, educación, tecnología y deportes, y el 5 de julio en Caracas, Venezuela, fecha del bicentenario de la Independencia de la República Bolivariana de Venezuela, se instalará la Comunidad con la aprobación de la Carta de Derechos Sociales, además de un fondo para erradicar la pobreza.

Esta unificación de distintas instancias de acuerdo regional evidencia aun más, si fuera posible, el curso declinante de la Organización de Estados Americanos, como bien dijera Raúl Castro, fruto de la Guerra Fría y sus doctrinas ya obsoletas, como ministerio de colonias de Estados Unidos.

Por esa razón aseguró el Presidente cubano, Cuba no regresará jamás a la OEA, y sí hay que agregar que Cuba será parte de la CELAC.

Por esto es de destacar la firme posición de Ecuador al tratarse el reingreso de Honduras a la OEA, su presidente Correa se mantuvo fiel al principio de que los acuerdos al respecto no debieron haber pasado por alto las sanciones a los golpistas y al régimen por ellos instaurado, por los crímenes y violaciones de los derechos humanos al reprimir las protestas populares. Es en este contexto contradictorio que el pueblo hondureño afronta ahora una etapa novedosa de su lucha, contra la resistencia sangrienta que oponen la oligarquía y los políticos golpistas.

De igual manera el pueblo venezolano se levantó para rechazar la calificación de “auxiliador del terrorismo” que le endilgó el Pentágono, porque la empresa venezolana PDVSA se ha tomado el derecho de promover proyectos y relaciones con Irán, socio petrolero, sin consultar al departamento de Estado, que angurriento, quiere los pozos de gas, petróleo y agua dulce, octava reserva más grande del planeta.

Por estas razones tan valiosas, el pueblo venezolano y los pueblos latinoamericanos merecen, como lo explica el Partido Comunista de Venezuela, que finalice la política de entregas de prisioneros y toda colaboración con países imperialistas y sus lacayos, en este caso el presidente colombiano Santos.

Habría que agregar que Perú se ha desmarcado del eje preparado por Estados Unidos en la zona andina con el triunfo de Ollanta Humala y así de seguido, avances y retrocesos, presiones y hechos alentadores, que acontecen en nuestros países.

Las circunstancias reclaman que hoy, cuando se ha avanzado un trecho importante en políticas antineoliberales, es necesario comprender que en la presente situación, en que la cultura política se ha acrecentado y se plantean nuevas aspiraciones, no alcanza con gobiernos que hagan las cosas mejor que los anteriores, ni con mejorías en las situaciones económico sociales, sino que es preciso tener programas y fuerzas políticas sólidas y democráticas de carácter liberador para realizar cambios reales.

http://www.youtube.com/watch?v=__PFV-REKJ4

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Unasur debate una política monetaria propia, alejada del neoliberalismo

Por: Agencias /América XXI – Venezuela

Fecha de publicación: 09/06/11

La Unión de Naciones Suramericanas (Unasur) comenzará este jueves en Buenos Aires dos días de debate de una política monetaria propia, alejada del neoliberalismo, en el marco de la primera cita del Consejo de Ministros de Economía y Presidentes de Bancos Centrales de los doce países del foro.

Los debates, que coinciden con el proceso para elegir al director gerente del Fondo Monetario Internacional (FMI) en reemplazo del dimitido Dominique Strass-Kahn, se llevarán a cabo a puerta cerrada, informaron a Efe fuentes oficiales.

Funcionarios técnicos de los países del foro suramericano analizarán el jueves iniciativas y estrategias para la integración monetaria y el uso coordinado de las reservas internacionales con el fin de preservar a la región de la crisis de la economía global.

Además, evaluarán sistemas multilaterales de pagos y créditos, entre otros asuntos que quedarán a consideración de la reunión del consejo de ministros que el viernes cerrará los debates.

A la cita este viernes en Buenos Aires también asistirán la secretaria general de la Unasur, la excanciller colombiana María Emma Mejía, y el presidente de la Corporación Andina de Fomento (CAF), el boliviano Enrique García.

En la Unasur hay un consenso en favor de dejar atrás a las recetas neoliberales que predominaron en la región en la década de los años 90 para buscar nuevas fórmulas que contribuyan al desarrollo y la integración económica, dijeron los portavoces.

En este sentido, los debates de Buenos Aires apuntan a sentar las bases de un mecanismo de coordinación que permita el uso de reservas monetarias en auxilio de aquel socio del foro regional que afronte problemas financieros o ataques especulativos contra su moneda.

Además, se busca coordinar el uso de recursos financieros para obras de desarrollo de la infraestructura regional con base en la experiencia de la CAF, que en los últimos años ha financiado proyectos de países ajenos a la Comunidad Andina de Naciones.

Brasil y Argentina tienen vigente un mecanismo de asistencia mutua en caso de dificultades monetarias y su comercio bilateral cuenta desde 2008 con un sistema de pagos en moneda local que reduce los costes de comercialización de las pequeñas y medianas empresas.

El viceministro de Economía argentino, Roberto Feletti, dijo hoy en un seminario que el comercio entre los países de la Unasur, que alcanza a los 120.000 millones de dólares, se da “en un contexto de volatilidad de los mercados y de la moneda extracontinental en la cual realizamos ese comercio”, en referencia al dólar estadounidense.

En ese sentido, defendió la puesta en marcha de un sistema regional de pago con monedas locales para comerciar como modo de “bajar la volatilidad del dólar y hacer menos dependiente el comercio” de la región de esa moneda.

Por otra parte, Feletti dijo que también está en discusión la capacidad de los bancos centrales de los países de la región para “ampliar sus stocks de intervención” ante “ataques especulativos contra su moneda”.

Señaló que se discute crear algo similar al ya existente Fondo Latinoamericano de Reservas, que acumula unos 900 millones de dólares, “y ponerlo en la órbita del Banco del Sur o ampliar el Fondo ya existente con la incorporación de Brasil y Argentina”.

Los bancos centrales de los países de Unasur suman reservas monetarias por unos 470.000 millones de dólares.

En tanto, los socios de la Unasur no han definido una posición común sobre el sucesor de Strauss-Kahn al frente del Fondo Monetario, cargo al que aspiran la ministra francesa de Finanzas, Christine Lagarde, y el gobernador del Banco de México, Agustín Carstens, por lo que ese asunto podría ser tratado en la cita de Buenos Aires, indicaron las fuentes consultadas.

Carstens visitó la semana pasada a los ministros de Hacienda de Brasil, Guido Mantega, y al de Economía de Argentina, Amado Boudou, a quienes prometió defender los intereses de América Latina en caso de acceder a la dirección del Fondo Monetario.

Argentina y Brasil forman parte del lote de países en desarrollo que reclaman que el nuevo director gerente del Fondo Monetario esté comprometido con el proceso de cambios puesto en marcha por Strauss-Kahn.

INTELECTUAIS CONTRA A PRISAO NA VENEZUELA DO COMANDANTE DAS FARC

*PROTESTO DE INTELECTUAIS REVOLUCIONÁRIOS CONTRA A PRISAO NA VENEZUELA E
ENTREGA AO GOVERNO COLOMBIANO DO COMANDANTE DAS FARC JULIÁN CONRADO*

* *

A prisão na Venezuela, com a colaboração da inteligência militar
colombiana,
do comandante Julián Conrado das FARC e a decisão do governo de Hugo
Chavez
Frias de entregar aquele destacado revolucionário ao governo
neofascista de
Juan Manuel Santos foi recebida a nível mundial com surpresa e
indignação.

Os argumentos citados pelo governo venezuelano para justificar a medida
(pedido da Interpol, acordos com Bogotá, etc, são inaceitáveis e mesmo
ridículos). É chocante invocar a luta contra o terrorismo no âmbito de
uma
parceria com um governo narcotraficante como o de JMSantos, que
pratica o
terrorismo de estado como estratégia de poder. Com uma agravante:
durante
anos, o Presidente Hugo Chavez apelou para o reconhecimento das FARC
como
força revolucionaria beligerante.

A nossa preocupação e indignação é tanto maior quanto o governo de
Bogotá,
segundo as agências noticiosas, estaria já estudando a possibilidade de
atender a um eventual pedido de extradição do comandante Julián Conrado
para
os Estados Unidos.

Temos presente que a atitude assumida pela Venezuela se insere na
continuidade de uma cooperação espúria com a polícia colombiana que se
traduziu recentemente na entrega a Juan Manuel Santos do jornalista
sueco
Joaquin Perez Becerra, diretor da agencia ANNCOL, e de destacados
combatentes das FARC.

Na esperança de que as autoridades venezuelanas libertem imediata e
incondicionalmente o comandante Julián Conrado, os abaixo assinados ?
solidários com a Revolução Bolivariana- sublinham que as opções
democráticas
e progressistas do governo de Hugo Chavez são incompatíveis com o gesto
que
motiva o nosso protesto veemente.

Anita Leocádia Prestes ? professora universitária, Brasil

Angeles Maestro, médica, dirigente partidária, Espanha

Annie Lacroix Riz, historiadora, França

Carlos Aznarez, jornalista, Argentina

Daniel Antonini, dirigente partidário, França

Domenico Losurdo, filósofo e professor universitário, Itália

Edmilson Costa, professor universitário e dirigente partidário, Brasil

Filipe Diniz, arquiteto, Portugal

Francisco Melo, editor, Portugal

George Gastaud, filósofo e dirigente politico, França

George Hage, ex deputado, França

Henri Alleg, escritor, França

Istvan Meszaros, filósofo e professor universitário, Reino Unido-Hungria

Ivan Pinheiro, advogado e dirigente político, Brasil

James Petras , sociólogo, professor universitário, EUA

Jean Salem, historiador, professor universitário, França

John Catalinotto, escritor e dirigente partidário, EUA

Jorge Figueiredo, economista, editor de resistir.info, Portugal

Jose Paulo Gascao, editor de odiario.info, Portugal

Jose Paulo Netto, professor universitário, Brasil

Leyla Ghanem, antropóloga e dirigente política, Líbano

Luciano Alzaga, jornalista, Argentina

Marina Minicuci, jornalista, Itália

Mauro Iasi, professor universitário e dirigente partidário, Brasil

Miguel Urbano Rodrigues, escritor, Portugal

Pavel Blanco Cabrera, dirigente politico, México

Pierre Pranchere, ex deputado, combatente da Resistência, França

Virginia Fontes, historiadora e professora universitária, Brasil

*Adesões: odiario.info ou resistir.info*

EUA PLANEJAM ROUBAR O PETROLEO DA VENEZUELA

Por Nil Nikandrov

Tem-se cada vez mais a impressão de que a Venezuela com as suas riquezas
de petróleo é o próximo país na lista de interesse dos EUA. Teria que
ser um idealista muito grande para poder acreditar que depois das
cruzadas sangrentas dos Estados Unidos através dos países produtores de
petróleo na Ásia e na África- os depósitos de petróleo da Venezuela, até
agora fora do controle dos Estados Unidos, poderiam de alguma maneira
evadir-se ao apetite ganancioso de Washington. De acordo com varias
avaliações internacionais as reservas energéticas da Venezuela devem
durar para 100-150 anos e isso em condições de exploração intensa.

O disparo de partida para uma guerra permanente do petróleo contra a
Venezuela ouviu-se no começo de dezembro de 2002, quando a direção da
imensa companhia de petróleo do país, PDVSA na sigla inglesa, organizou
uma greve golpista envolvendo cerca de 20.000 pessoas. Os inimigos de
Hugo Chávez esperavam que a destabilização do setor do petróleo através
de todo o país, as filas de muitos quilômetros nas estações de gasolina,
assim como os problemas com o fornecimento do gás domestico, entre
outras atividades conspiratórias dos mesmos, iriam minar o regime de
Hugo Chávez.

Entretanto, os partidários de Chávez continuaram firmes e na
resistência. Os conspiradores sofreram a definitiva derrota em fevereiro
de 2003 quando a conspiração foi controlada e a PDVSA foi convertida
numa companhia estatal.

Os conspiradores, os quinta colunas trabalhando na companhia de petróleo
a serviço dos Estados Unidos, foram expostos e muitos dos cabeças
fugiram da Venezuela. Os prejuízos da companhia foram da ordem de $10
bilhões de dólares e 15.000 pessoas foram despedidas. A recuperação e o
renascimento da PDVSA foi um trabalho muito difícil para o governo da
Venezuela assim como para os empregados da companhia que tinham
resistido às chantagens e as ameaças dos conspiradores da greve
golpista.

Subseqüentemente Hugo Chávez agiu no sentido de fortalecer a Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Chávez trabalhou para
regularizar o volume da extração do petróleo, para estabelecer preços
justos e para favorecer o aumento do nível de autoridade e influencia da
OPEP. Essas medidas vieram a promover o nível de influencia da OPEP no
âmbito internacional. As atividades de Chávez também vieram a beneficiar
a Rússia, cuja economia é sustentada pelos dividendos do petróleo. O
trabalho de Hugo Chávez também ajudou a Cuba que estava tendo problemas
no seu setor energético.

São muito sombrios, escuros e soturnos os prognósticos que os
companheiros das companhias de petróleo dos Estados Unidos e da Europa
Ocidental fazem, vendo como irremediavelmente perdida e condenada a
política de Hugo Chávez. O que vêem como irremediavelmente perdida é a
sua orientação social, tendo o curso dirigido ao vantajoso abastecimento
do petróleo em favor do consumidor latino americano, assim como a
construção do PetroCaribe. Pondere-se que é exatamente o fator da
estabilidade do abastecimento do petróleo que é um dos fatores mais
importantes no contexto socioeconômico, sendo esse também um fator
importante a dar autoridade e respeito ao governo de Chávez junto a
círculos internacionais. O que se ressalta nas análises efetuadas da
situação lê-se:-

O caso da Venezuela mostra a simples verdade de que o controle estatal
sobre os recursos energéticos é a solução adequada para se manter a
estabilidade dentro de um país e essa verdade aplica-se a todos os
países.

Seria o resultado de muita inocência acreditar-se nas explicações de
Washington de que suas sanções para o setor do petróleo da Venezuela
deve-se somente ao fato da agora companhia estatal PDVSA ter enviado um
navio tanque carregado com 20.000 tons de gasolina para o Irã. O vice-
secretario do estado (Deputy Secretary of State) dos Estados Unidos
especificou que companhias de outros países também se veriam com sanções
similares se entrassem em compromissos e contratos com o Irã. Isso foi
dito como um aviso e uma advertência.

É verdade que até agora as sanções impostas à Venezuela se podem
entender como um ato de intimidação: O setor do petróleo da Venezuela
está impedido de escrever contratos com companhias americanas, de fazer
empréstimos para a importação e exportação, assim como para adquirir nos
Estados Unidos maquinas avançadas para extração e refinação do petróleo.

PDVSA sobrevive facilmente a tudo isso. Ela já se libertou da
administração dos Estados Unidos há muito tempo e tem um grande parque
de tecnologias avançadas independentemente dos mesmos.

Hugo Chávez respondeu as pressões do Departamento do Estado americano
via Twitter:- ?Sanções contra a pátria de Bolivar? Imposta pelo governo
gringo imperialista? Muito bem. Traga todas elas, Mr Obama! Não se
esqueça que somos filhos de Bolivar!? Chávez afirmou que ainda estava
para ser visto se a PDVSA seria posta fora do mercado americano.

Quando as noticias das sanções americanas chegaram à mídia no dia 24 de
maio, o Ministro do Exterior da Venezuela, Nicolas Maduro declarou que o
governo do país estava analisando as potenciais conseqüências para a
estabilidade da PDVSA e para o fornecimento de 1.2mbpd (na medida
americana) de petróleo cru para o mercado americano.

Maduro prometeu uma resposta adequada à agressão imperialista e disse
que Venezuela estaria mais do que nunca comprometida às suas relações
fraternais com o Irã. Ele disse também, que por si mesmo o Irã de
maneira alguma apresentava qualquer ameaça a paz mundial. Afirmou que a
administração da Venezuela tinha declarado muitas vezes sua posição em
relação às ambições iranianas quanto ao uso da energia nuclear e que
essas ambições não davam motivos para criticas. Especificou também que:-

Washington estava agora a difamar Teerã como tinha difamado Bagdá quando
a invasão do Iraque estava se anunciando no horizonte e que a propaganda
de guerra tinha feito com que o publico dos conglomerados midiáticos
sentisse que o perigo apresentado por Saddan Hussein era imediato e que
suas armas de destruição massiva seriam usadas por ele mais cedo ou
mais tarde.

A administração de G. Bush foi a grande causadora dos estereótipos
anti-Chavez, assim como das falsas acusações e mitos que se seguiram.
Recentemente tivemos a historia dos moinhos de vento tomados por
assustadores mísseis iranianos.

As eleições de 2012 estão se aproximando e as sondagens mostram que os
rivais de Chávez não estão apresentando hipóteses ou chances. Pelo menos
até hoje Chávez não tem sido confrontado com nenhum rival a altura.
Reagindo a essa situação os Estados Unidos estão tentando por fogo em
conflitos domésticos que tenham qualquer chance em serem usados como
faíscas. A intenção é de usar o modelo da Tunísia, Egito e Líbia, usando
entre alternativas a chamada mídia social, os NGOs (organizações não
governamentais na sigla inglesa), certos grupos juvenis ou mesmo
possíveis guerrilhas colombianas para conseguir seus objetivos.

Os coordenadores dessa intriga, com possibilidades de tornar-se numa
outra conspiração, podem estar olhando para potenciais aliados nas
fileiras da própria administração. Figuras ambiciosas se divorciaram de
Chávez ao correr dos anos e todos eles são bem-vindos nos canais de
televisão da oposição. A lavagem cerebral iniciada pela mídia da
oposição vai a proporções impressionantes e a propaganda da mídia
simpatizante com o imperialismo norte americano divulga o que de pior
podem imaginar contra o governo social do país.

Simpatizando com os Estados Unidos a mídia solta fogo criticando o
governo por diversificar seus contactos econômicos internacionais e de
interesses recíprocos com outros povos e regimes, por exemplo, na área
da tecnologia, da energia e mesmo na área da cooperação militar. A
capacidade de defesa da Venezuela está sendo atacada e prejudicada como
resultado das sanções impostas pelos Estados Unidos à companhia chave da
defesa da Venezuela e a Cavim está continuamente abaixo desses ataques
como um meio de atingir o país.

Entretanto, a mídia se dá a criticar o esforço da Venezuela em se
libertar e agir independentemente atacando as alternativas do governo em
negociar e cooperar, por exemplo, com a Rússia e a China. Só há uma
explicação:-

Os Estados Unidos estão atrás das culissas manejando a mídia nacional,
especialmente ao que se refere ao mercado do petróleo, da tecnologia e
da defesa.

No contexto geral especificado não se pode nem descartar o perigo de
assassinatos políticos com o fim de provocar sérios distúrbios e
destabilização social. Sendo a destabilização suficientemente séria o
resto seria fácil de manipular, pensam eles.

[Com olhos de aves de rapina aqui temos certamente a constelação
EUA-OTAN-UE]

Tradução: Anna Malm*

O original ?US Planing to Grab Venezuela´s Oil? encontra-se em
www.strategic-culture.org/ - The Strategic Culture Foundation-
on-line journal.

Notas:

With special thanks to the Strategic Culture Foundation ? on-line
journal. Com agradecimentos para a Fundação Estratégia e Cultura.

*Anna Malm é correspondente do Pátria Latina em Estocolmo, Suécia

A “Casa da América Latina” na internacional Foz do Iguaçu

Foz do Iguaçu é peculiar no cenário mundial. Ela poderia simplesmente ser mais uma cidade orgulhosa por abrigar atrativos e pessoas de diferentes nacionalidades em aparente harmonia, mas tímida na hora de enfrentar os seus problemas sociais. Sua realidade, entretanto, é mais complexa.

A cidade é lembrada quando o assunto é contrabando, tráfico, turismo, belezas naturais, integração latino-americana, Mercosul, terrorismo, energia, aqüífero guarani, base militar dos EUA etc. Sua localização geográfica fomenta discussões que se renovam nos bancos escolares, na imprensa, nos livros, enfim, onde existir alguém interessado em entender as relações daqui com o mundo.

Entender essa vastidão é um dos objetivos da Casa da América Latina, que recentemente ampliou sua ação para o município. Com sede no Rio de Janeiro, a associação civil sem fins lucrativos estabeleceu uma subsede na região para difundir e preservar a amizade entre os latino-americanos; defender seus interesses e direitos à soberania, à autodeterminação e à construção de sociedades justas e fraternas.

Sua proposta aqui é ajudar a compreender a contradição, o interesse por esse pedaço da América e as relações além das pontes. Os trabalhos iniciaram com um cineclube, em 2010, em conjunto com a Guatá e Casa do Teatro. O projeto consiste na projeção mensal de um filme e conta com apoio de professores e acadêmicos da Unila, que têm pensado conjuntamente os filmes e nomes para instigar o debate pós-exibição.

O sonho maior, entretanto, é ser internacionalista na raiz da palavra. Para isso propõe-se a promover ações culturais, políticas e sociais; editar material impresso e eletrônico e dialogar com os países vizinhos e nos solos fronteiriços. Para enfrentar esse desafio, a CAL formalizou sua diretoria na cidade, homologada agora em maio numa assembléia da sua diretoria nacional no Rio de Janeiro, cidade sede da entidade.

A subsede nasceu reunindo militantes de diferentes áreas e nacionalidades. Ela está aberta à participação de toda pessoa que se identificar com sua causa. Para participar basta declarar o desejo de associar-se e começar a ajudar a quebrar as engrenagens. Simples assim, porém com um sem número de fronteiras pra derrubar.

Alexandre Palmar – jornalista e membro da “Casa da América Latina”.
Publicado no blog UNILA – História e Direitos Humanos na América Latina.

CÓDIGO FLORESTAL - por Murilo Alves

O CÓDIGO FLORESTAL estará aprovado amanhã, 11 de maio de 2011. Assim, impotente diante dos fatos e dos erros da esquerda brasileira, ao ler artigo raro na grande imprensa, adaptei-o para lançar este grito de denúncia.

Há um confronto entre duas posições a respeito da questão agrária no Brasil: uma que visa o lucro desenfreado a qualquer preço através de latifúndios onde desenvolvem monocultura totalmente mecanizada e a outra que visa principalmente a produção de alimentos, respeitando a biodiversidade e preservando o meio ambiente e a vida.

A primeira posição, cega pelo lucro, ignora o fato de o desrespeito ao meio ambiente tornar as terras improdutivas, gerar desemprego e miséria no campo, êxodo rural , inchaço desplanejado e conseqüente caos das cidades.

O último senso (2010) mostra que 84% da população brasileira está nas cidades, correspondendo a um aumento de 23 milhões de habitantes, concentrados nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país; coincidentemente também onde se concentram a produção das commodities agrícolas sob monocultura mecanizada.

No senso de 2006 o número de propriedades sob agricultura familiar era 4,3 milhões contra cerca de 800mil não familiares.

Enquanto a área da agricultura familiar ocupava apenas 24% do total das terras produtivas, a sua produção era de 38% do total, mostrando rendimento maior por hectare. O mesmo se dá na média de pessoas empregadas por 100 hectares: 15,4 em propriedades familiares contra 1,7 nas não familiares.

Em detrimento do imenso alarde dos latifundiários, dos seus porta vozes na política e da grande mídia em favor da importância econômica do agronegócio, a agricultura familiar é responsável por parcela substancial da renda agrícola e, de fato, pelo que resta na manutenção da população rural.

O atual Código Florestal está alheio a tudo isto.

Não se trata de eximir o pequeno proprietário rural de suas responsabilidades quanto às reservas legais e às APPs (áreas de proteção permanentes). Trata-se de se atribuir ônus e bônus de acordo com o respectivo merecimento, onde se leve em conta todos os números acima, que não são apenas meros números mas relevantes fatores de qualidade de vida para milhões de brasileiros e brasileiras.

Mas Reforma Agrária, dignificação do trabalhador rural, oferta de todos os serviços públicos no campo, são justas bandeiras históricas que tingem vergonhosamente o solo brasileiro com o sangue dos campesinos e motivo de golpe de estado. Até quando?

Murilo Alves

Chávez aumenta salário mínimo venezuelano em 26,5%

Valor, que será aplicado em duas etapas, é equivalente a R$ 700

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta terça-feira (26) um aumento de 26,5% do salário mínimo no país. O valor, equivalente a R$ 700, será implantado em duas etapas: 15% a mais em maio e o restante, em setembro.

Chávez também afirmou que modificará a legislação vigente para que todas as empresas passem a pagar subsídios de refeição aos seus empregados.

De acordo com um relatório do Banco Central venezuelano, o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu de 3% para 4% no primeiro trimestre deste ano.

Fonte: R7 ( http://noticias.r7.com/internacional/noticias/chavez-aumenta-salario-min... )

Reflexões de Fidel Castro: Os debates do Congresso

O comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, comenta os trabalhos do 6º Congresso do Partido Comunista Cubano, iniciado no último sábado (16). Fidel enaltece a nova geração de comunistas cubanos e assinala sua responsabilidade: "É dever da nova geração de homens e mulheres revolucionários ser modelo de dirigentes modestos, estudiosos e incansáveis lutadores pelo socialismo".
Escutei neste domingo, às 10 da manhã, os debates dos delegados ao 6º Congresso do Partido.

Eram tantas as Comissões que, como é lógico, não pude escutar todos os que falaram.

Eles estavam reunidos em cinco Comissões para discutir numerosos temas. Eu também aproveitava os intervalos para respirar com calma e consumir algum energético de origem agrícola. Eles seguramente o faziam com mais apetite por seu trabalho e sua idade.

Assombrava-me a preparação desta nova geração, com tão elevado nível cultural, tão diferente da que se alfabetizava precisamente em 1961, quando os aviões ianques de bombardeio, em mãos mercenárias, atacavam a Pátria. A maior parte dos delegados ao Congresso do Partido era criança ou não tinha nascido.

Não me importava tanto o que diziam, mas a forma como diziam. Estavam tão preparados e era tão rico seu vocabulário, que eu quase não os entendia. Discutiam cada palavra, e até a presença ou a ausência de uma vírgula no parágrafo em debate.

Sua tarefa ainda é mais difícil que a assumida por nossa geração quando se proclamou o socialismo em Cuba, a 90 milhas dos Estados Unidos.

Por isso, persistir nos princípios revolucionários é, a meu juízo, o principal legado que podemos deixar-lhes. Não há margem para o erro neste instante da história humana. Ninguém deve desconhecer essa realidade.

A direção do Partido deve ser a soma dos melhores talentos políticos de nosso povo, capaz de enfrentar a política do império que põe em perigo a espécie humana e gera bandidos como os da Otan, capazes de lançar em apenas 29 dias, desde o inglório “Odisseia do Amanhecer”, mais de 4 mil missões de bombardeio sobre uma nação da África.

É dever da nova geração de homens e mulheres revolucionários ser modelo de dirigentes modestos, estudiosos e incansáveis lutadores pelo socialismo. Sem dúvida, constitui um difícil desafio, na época bárbara das sociedades de consumo, superar o sistema de produção capitalista, que fomenta e promove os instintos egoístas do ser humano.

A nova geração está chamada a retificar e mudar sem vacilação tudo o que deve ser retificado e mudado, e seguir demonstrando que o socialismo é também a arte de realizar o impossível: construir e levar a cabo a Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes, e defendê-la durante meio século da mais poderosa potência de todos os tempos.

Fidel Castro Ruz
17 de abril de 2011
20h33

Fonte: Prensa Latina
Tradução: José Reinaldo Carvalho

POEMAS SEM TERRA

Carlos Pronzato
cineasta documentarista/poeta
cidade da Bahia, Brasil
www.lamestizaaudiovisual.blogspot.com

POEMA 1
Reforma Agrária
É palavra
Que dói na alma
Que grita na calma
De quem
Não se levanta
Reforma Agrária
É bandeira
Que clama
Revolta
E apenas reclama
“na lei ou na marra”
Com uma palavra:
Terra!

POEMA 2
As cercas
Crescem com o dia
Demarcam
A imensidão
Do latifúndio
E calam
O murmúrio
Das sementes
Nas madrugadas
O camponês
Arma o coração
Da derrubada
O arame farpado
Não deterá jamais
O grito
Da aurora
Ocupada!

POEMA 3
Quem te dará
A terra
Se não forem
Tuas mãos?
Quem te dará
A terra
Se não forem
Teus braços?
Quem te dará
A terra
Se não fores tu
Trabalhador do campo
Que semeias
Com suor
E sangue
O silêncio
Que geme na terra
O teu canto?
Quem?

POEMA 4
Teus pés
Tocaram
A terra ensangüentada
Teu coração
Decidiu
Tomar as armas
Tua cabeça
Ajusta
O alvo.

POEMA 5
Oh Liberdade!
Espalha no sereno
As armas
Da ocupação
Somos cúmplices
Das flores
Abre a facão
Uma clareira
No tenebroso
Latifúndio
Somos cúmplices
Dos pássaros
Assobia para nós
Aquele cântico
Infinito dos rebeldes
Somos cúmplices
Do vento
Oh Liberdade!
O teu coração
Tem o cheiro
Da terra
Do outro lado
Da cerca.

POEMA 6
A lua ilumina
A extensão
Do latifúndio
A terra encarcerada
Chama seus guerreiros
Aguarda noturna
Seus filhos
De punhos erguidos
Seu grávido silencio
Cresce
No grito
Que nascerá amanhã
Infinito
A terra cultivada
É um sulco
Na memória
Recorda ao Homem
Seu estado continuo
De semente
Seu instante
Seu fim
E o seu principio.

POEMA 7
Escorre a terra bruta
Entre os dedos rudes
Do camponês/artista
Deslizam
As sementes
Soprando vida
No antigo latifúndio
Improdutivo
Como o escultor
Seu bloco de pedra
Suas mãos fecundam
O relevo da terra
Tornam a matéria
A arte milagrosa
Do alimento
Esse pedaço
De pedra
De terra
Em breve
Será pão
Será sustento
Escultura
Da terra lapidada
A partir de uma semente.

POEMA 8
Fileiras de eucaliptos
Asfixiam o horizonte
Os tanques
Das multinacionais
Esmagam a natureza
Com a indústria
Da celulose
A tarde espalha
Seu cântico de resistência
No som agudo e afiado
Dos facões
Fileiras de sem terras
Enfrentam
A invasão
Das empresas escandinavas
A intifada camponesa
Resiste
Á machadadas.

POEMA 9
As mãos
Afundam seu suor
Na terra
A semente
Pergunta:
“Aonde estão
As outras mãos
Tantas mãos
Que querem
Plantar?”
“Presas
Nas correntes do latifúndio”
Respondem
As mãos
Que podem
Plantar
“E essas correntes
São tão indestrutíveis
Que milhões de trabalhadores
Não as podem quebrar?”
Disse a semente
Antes de mergulhar
Definitivamente
A resposta
Foi um eco de silencio
Que perdura...
E a semente
Desde o fundo
Da terra
Ainda pergunta:
“Até quando?”.

POEMA 10
O camponês
Como o pescador
Lança sua mão
Armada
De enxada
E chão
Recolhe
Seu sustento
Até onde o latifúndio
Impõe
Seu horizonte
De desolação
E fome
O camponês
Aguarda
Sua úmida lagrima
Molhará
A semente
Da Reforma Agrária.

POEMA 11
Para encontrar
Tua imagem
Segue o vento
O rumo das estrelas
Camponesas
Ela irrompe
No sereno
Derramando as luzes
Da manhã
Vêem dos ossos
Daqueles que tombaram
Na luta
Pela Reforma Agrária
Para encontrar
Tua imagem
Segue o rasto
Da chuva
No horizonte
Ela reflete
No sulco
Que deixam
As enxadas
Para encontrar
Tua imagem
Respira fundo
A umidade da terra
Molhada.

POEMA 12
Terra
Aguda flor
Em infinito parto
Mestiça e nômade
Pólen que alimenta
Seu ventre
Sempre aguarda
Uma semente
A terra
É como um berço
Seu embalo
É o sopro
Do universo.

POEMA 13
Ocupação
Não rima com
Latifúndio
Cooperativas
Não rimam
Com exploração
Reforma Agrária
Não rima com
Herança escravocrata
Camponês
Não rima com
Usineiro
Liberdade
Não rima com
Opressão
Sem terras
Só rimam
Sem cercas.

POEMA 14
Nos campos devastados
Pelo lucro transgênico
transnacional
Mãos sem terra
Plantam o mastro
Com a bandeira
Do MST
Nos olhos
Camponeses
Refletem as lagrimas
Da terra liberada
Tremula o coração
No vento matinal
O arame farpado
Ficou no chão
Por cima
Passaram as mãos
Com sementes naturais
Por cima
Passaram os pés
Da Liberdade!

POEMA 15
Mulher camponesa
Desata a alegria
Do teu ventre
Que o teu silencio grite
E espalhe sua semente!
Ocupa o ar
Com teu boné vermelho
E marcha
Sobre as terras
Que invadiu o latifúndio!
Não há maior vitoria
Que dar a luz
Do outro lado
Da cerca derrubada
À luz das terras
Recuperadas!

POEMA 16
Na lona preta
Caiu uma estrela
Fugaz e repentina
Como o sono
Dos camponeses
Que aguardavam
Para ocupar
Uma fazenda improdutiva
Na escura madrugada
Sua luz amiga
Iluminou
O caminho

Cuba e a repórter da Folha, quem afunda?

por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior

Alaine Gonzáles e Reinel Herrera são trabalhadores autônomos cubanos. Ambos foram escolhidos pela jornalista Flávia Marreiro, enviada especial da Folha de São Paulo a Havana, como personagens errantes de uma economia em frangalhos. Seguindo um padrão de cobertura vigente há 50 anos, a repórter elabora um texto com pouca informação e direcionamento enviesado, não somente sobre o país, no sentido político e econômico, mas principalmente sobre o povo, sua história, sua cultura e seus hábitos.

A enorme propaganda orquestrada contra o regime cubano acabou por criar, como subproduto previsto e planejado, uma imagem distorcida sobre os habitantes da Ilha, apresentados ora como guerrilheiros ferozes, desconhecedores de fronteiras, ora como prisioneiros, tristes e infelizes, de uma ditadura. É compreensível o sucesso desse tipo de campanha, quando se avalia o poder da rede de comunicação capitalista.

É natural que o jornalismo nativo não possa perceber a dinâmica que se apresenta aos seus olhos. Se Flávia Marreiro conseguisse se desvencilhar da viseira ideológica, talvez conseguisse enxergar os personagens com outras roupagens e expectativas. Alaine e Reinel, como o restante do povo cubano, têm consciência das suas dificuldades. Por outro lado, crêem na revolução porque sabem que são participantes ativos de um processo tão rico quanto denso. Não se sentem impotentes diante dos problemas: reclamam e atuam dentro de uma estrutura política que lhes permite, independentemente do poder econômico ou dos conchavos políticos, resolver problemas que os afligem.

Como cidadão esclarecido, bem informado e politizado, o cubano é o verdadeiro crítico do regime. Critica e aponta saídas. Trabalha e, quando a nação necessita da sua presença, lá está ele, pronto para defender sua revolução com o seu próprio sangue. Aqueles que não quiseram trabalhar pela coletividade ou que sequer queriam trabalhar se foram pelo Porto Mariel, iludidos pela falsa propaganda que vinha dos Estados Unidos, onde pensavam encontrar dinheiro fácil. Flávia chegou tarde, com uma pauta envelhecida.

Nem Alaine, nem Reinel Herrera viveram os problemas da etapa anterior a 1959, quando o desemprego era superior a 16,4% e o subemprego estava em torno de 34,8%. Eles já vieram ao mundo num país de – praticamente-pleno emprego. Também não conviveram com as taxas de analfabetismo de 23,6%, nem com o sistema escolar que, de 100 crianças matriculadas nas escolas públicas, deixava 64 no meio do caminho, sem terminarem o 6º ano. Hoje, apesar de todos os problemas, a taxa de analfabetismo não chega a 3% e não existem crianças em idade escolar sem colégio.

Com uma assistência médica nacionalizada, nenhum dos dois conheceu o país que concentrava 65% da população nas áreas urbanas, que tinha 70% da indústria farmacêutica controlados por empresas estrangeiras, em que a expectativa de vida era de 62 anos e a mortalidade infantil de 40 por mil nascidos vivos. Já a mortalidade materna era de 118,2 por 10 mil nascidos. Esses dados, por certo, não estão no departamento de pesquisa dos jornais dos Frias, Marinhos e Mesquitas. Flávia, a nossa brava repórter, talvez não disponha de outras informações que lhe seriam de extrema utilidade na cobertura da reunião do Partido Comunista Cubano.

Antes da revolução, menos de 2.500 proprietários possuíam 45% das terras do país e 8% das fazendas concentravam 71% da área disponível. Até 1959, somente 11,2% dos trabalhadores agrícolas tomavam leite, 4% comiam carne,1% consumia peixe. Na Cuba de Alaine e Herrera, o consumo de leite e carne é superior a todos os outros países do continente. Se nos anos 1980, quando os dois entrevistados nasceram, a implementação do processo revolucionário continuava, foi a década de 1960 que abriu caminho ao desenvolvimento econômico e, sobretudo aquela em que se resistiu às agressões armadas, bombardeios e à tentativa de invasão norte-americana que definiu o caráter socialista da revolução.

Todo o conjunto de medidas políticas e econômicas custou a Cuba o bloqueio econômico e diplomático imposto pelos Estados Unidos. A situação voltaria a se agravar após o fim da URSS e do bloco socialista, mas o colapso tão esperado pelo Império e seus sócios não veio.

O sistema econômico procurou proporcionar o desenvolvimento e o crescimento do país de uma forma igualitária. Ernesto Che Guevara, quando ministro da Indústria, ilustrou bem qual a diferença entre sistema econômico e desenvolvimento. Para ele, um anão enorme com tórax enchido é subdesenvolvido, porque seus curtos braços e débeis pernas não se articulam com o resto de sua anatomia. É produto de um desenvolvimento teratológico que distorceu suas formações sociais. A descrição sobre o restante da América Latina não podia ser mais precisa.

Se, de fato, o Partido decidir demitir 500 mil funcionários, enxugar o Estado e aumentar a produtividade, como relata a grande imprensa, a anatomia cubana não permite vislumbrar um mergulho na lógica fria dos ditames do mercado. A perspectiva que só a história dá, para avaliar em toda a sua dimensão, os erros e acertos, o processo que implantou, pela primeira vez, o socialismo na região, mostra um organismo social saudável, preparado para mudanças necessárias.

O célebre “mudamos ou afundamos” atribuído a Raul Castro não é, como supõe a matéria da Folha, a expressão dramática de uma situação. As crises permanentes que a revolução atravessou, impostas para fazê-la fracassar, fizeram com que a retificação de rumos e a concepção de novas idéias se tornassem elementos constitutivos da nação caribenha. Fátima Marreiro pode ter uma certeza: Cuba não afundará.

Fonte: Vi o Mundo ( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/gilson-caroni-cuba-e-a-reporter-... )

Juiz pede exumação de corpo de ex-presidente chileno Allende

Juiz pede exumação de corpo de ex-presidente chileno Salvador Allende para comprovar tese de suicídio

SANTIAGO - O juiz chileno Mario Carroza, que investiga casos de violação de direitos humanos no durante a ditadura do general Pinochet (1973-1990), ordenou nesta sexta-feira a exumação do cadáver do ex-presidente Salvador Allende para uma nova autópsia. O decreto partiu de um pedido da família de Allende, formulado na última quarta-feira por suas filhas Carmen Paz e Isabel Allende.

A advogada, Pamela Pereira, que representa a família do ex-presidente, afirmou que a autópsia será realizada na segunda quinzena de maio pelo Serviço Médio Legal do Chile. O objetivo é confirmar ou não se Allende se suicidou para evitar ser preso por militares golpistas, que lhe tomaram o poder no dia 11 de setembro de 1973.

Depois de sua morte, no dia do golpe, os militares levaram o corpo de Allende ao Hospital Militar, onde a primeira autópsia foi realizada. Seus restos mortais foram, então, entregues a sua viúva Hortensia Bussi, dentro de uma urna lacrada. Até 1990, a urna permaneceu em um túmulo anônimo do cemitério da cidade e Viña del Mar, a 120 quilômetros da capital Santiago. Com a queda do regime ditatorial, o urna foi removida para um mausoléu na capital.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/04/15/juiz-pede-exumacao-de-corpo... )

Senado uruguaio aprova fim da Lei da Anistia

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

O Senado uruguaio aprovou no fim da noite desta terça-feira um projeto de lei que anula a Lei de Anistia do país. A medida poderá abrir caminho para o julgamento de militares policiais acusados de crimes na ditadura militar, entre 1973 e 1985.

Após mais de 12 horas de debates, a votação terminou quase empatada, com 16 votos a favor da anulação e 15 votos contra.

O site Observa, do jornal El Observador, informou que os senadores aprovaram especificamente quatro artigos da chamada ‘Lei da Caducidad’, sob argumento de que “violam a constituição e carecem de valor jurídico”.

As mudanças afetam os militares que ainda não respondem a processo judicial, segundo afirmaram parlamentares da base governista e da oposição.

Segundo a imprensa local, o resultado foi comemorado no plenário da Casa.

“Vai ser aberta uma discussão jurídica sobre esta medida a partir de agora”, disse o senador da oposição e ex-presidente, Luis Alberto Lacalle.

O senador Rafael Michelini, que apoiou o fim da lei de anistia, afirmou que “hoje é um dia histórico”.

O texto deverá ser enviado para a Câmara dos Deputados e a expectativa é que caberá ao presidente José ‘Pepe’ Mujica sancionar ou rejeitar a medida do legislativo.

Mujica era guerrilheiro quando foi preso, inclusive em regime de prisão solitária, nos anos da ditadura uruguaia.

Condenação

A votação contou com apoio de grande parte da base governista, mas gerou questionamentos entre alguns parlamentares do bloco.

A chamada Lei de Caducidad entrou em vigor em 1986 e foi submetida a dois plebiscitos populares – em 1989 e em 2009 – que a mantiveram em vigor.

No entanto, mais recentemente a lei tem sido alvo de ataques neste país de pouco mais de três milhões de habitantes.

Mais importante, no fim de março, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o Uruguai em um caso interposto por familiares de duas vítimas da ditadura militar e determinou que o país abrisse os arquivos do período.

Na opinião da Corte, a lei da anistia constituía um “obstáculo ao esclarecimento dos crimes contra a humanidade durante a ditadura”.

O caso levado à Corte foi iniciado pela família do escritor argentino Juan Gelman, que localizou a neta, Macarena, nascida nos porões da ditadura. Os pais da menina estão desaparecidos desde então.

Na segunda-feira, um dia antes da votação, militares da reserva e da ativa divulgaram um comunicado assinado por 1.200 deles, anunciando que entrarão com ação contra o Estado nos tribunais internacionais – a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Corte de Haia.

Em sua argumentação, os processos de ‘lesa humanidade’ são ‘arbitrários e irregulares’.

Alguns dos acusados daqueles crimes encontram-se presos, como o ex-presidente do país, Juan Maria Bordaberry, que cumpre prisão domiciliar.

Fonte: Conversa Afiada ( http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2011/04/13/senado-uruguaio-aprova... )

Wikileaks, Brasil, Imprensa e liberdade religiosa

É espantoso o teor do documento vazado (extrato abaixo) sobre as relações entre a embaixada norte-americana e parte da imprensa brasileira. Objetivo: cultivar uma linha de não recriminação contra "difamação de religião", especialmente contra muçulmanos. E vale realçar: a fonte do documento é a embaixada dos EUA.
(…) Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país.
Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. Outra vez, especialistas e funcionários de outros governos e países que apóiem nossa posição a favor de não se punir quem difame religiões garantiriam importante ímpeto aos nossos esforços. (…)

Se os órgãos citados negam isso ou não, surpreende a desenvoltura dos próprios agentes da embaixada. Eles consideram fácil cultivar sua "linha" de intervenção na imprensa brasileira.

O que, curiosamente, evoca dois temas bastante citados neste blog. O primeiro é Robert Fisk comentando sobre a política externa norte-americana da segunda metade do século XX, em A Grande Guerra pela Civilização [livro, livrarias]. Fisk recolhe lá diversos relatos (iguais a esse) sobre como a política norte-americana pode apelar internamente ao princípio das liberdades democráticas, porém opondo-se externamente (inclusive com intervenções bélicas) a elas.

O segundo tema são as palavras de Charles Darwin [livro, livrarias] ao passar pelo Brasil. Dizia ele, no longínquo século XIX: "Se um crime, não importa quão grave seja, é cometido por um homem rico, ele logo estará em liberdade. Todo mundo pode ser subornado".

***

E por falar em política externa: a Líbia tem petróleo; a Costa do Marfim não.

Fonte: Pandorama ( http://pandorama.com.br/content/wikileaks-brasil-imprensa-e-liberdade-re... )

Morre Alberto Granada, por Walter Salles

A notícia apareceu primeiro na internet, com a frieza característica dos meios eletrônicos: "Morre o companheiro de Ernesto Guevara na viagem de motocicleta através da América Latina."

Logo, começaram a chegar mensagens emocionadas de todos os cantos por onde filmamos: Argentina, Cuba, Chile, Peru. A mesma pessoa que nos havia unido em torno de "Diários de motocicleta", que ele havia idealizado junto com seu amigo Ernesto, nos reunia uma vez mais: Alberto Granado. As muitas cartas recebidas coincidiam: que sensação de vazio para aqueles que tiveram o privilégio de conhecer Alberto.

O jovem de 80 anos que nos recebeu em Havana para uma longa entrevista era luminoso
As imagens de nosso primeiro encontro voltam à tona. O jovem de 80 anos que nos recebeu em Havana para uma longa entrevista era luminoso. Para o roteiro do filme, relembrou cada etapa da odisseia vivida através de um continente que lhe era então desconhecido. Era um grande contador de histórias - cada caso soava melhor do que o outro, o que triplicou o trabalho do roteirista.

Alguns meses mais tarde, levei Gael García Bernal e Rodrigo de la Serna para conhecê-lo. A foto acima foi tirada nessa ocasião. Alberto era cinéfilo, conhecia bem os filmes que Gael havia feito e tinha visto "Central do Brasil" no Festival de Havana. Já Rodrigo era um estreante no cinema, mas isso não arrefeceu o entusiasmo de Alberto. Apoiou desde o início um ator ainda desconhecido, confiando no seu instinto. Também não se importou com o fato de que um ator mexicano iria viver o seu amigo Ernesto, argentino de origem e cubano de coração. Confiou naquele grupo improvável composto por um brasileiro, um mexicano e um argentino estreante.

Passamos vários dias com ele, e fomos aprendendo a conhecê-lo melhor. Alberto era um homem de fortes convicções, sem nunca ser impositivo ou dogmático. Tinha um humor desconcertante. Uma vez, nos ofereceu vinho "feito em casa" às 9h da manhã. Gael perguntou se era branco ou tinto. "Nessa ordem", respondeu Alberto. "É feito de arroz. Nos três primeiros dias é branco, depois vira tinto." Cada ocasião era propícia para seu brado de guerra: "Que buena ocasión para un brindis."

Um ano depois, quando o filme começou a ser rodado e ele veio nos visitar, usava essa frase para comemorar um bom dia de filmagem, ou para nos ajudar a esquecer alguma frustração maior. Nunca fez reparos ao roteiro, ou a uma cena que estivesse sendo construída. Filme montado, não pediu uma mudança sequer. Fez questão de nos dar liberdade total na adaptação da sua própria vida.

Isso não quer dizer que Alberto não tenha sido determinante para "Diários de motocicleta". Poucos dias antes da filmagem, ele percebeu o quanto estávamos tensos e liberou Gael de um peso que ele (e eu) tinha dificuldade em carregar. "Não quero me intrometer no filme", disse para Gael, "mas se você me permite uma observação, não tente mimetizar Ernesto. Você tem a mesma idade que ele tinha quando fizemos a viagem, 23 anos, é igualmente inteligente e sensível, está lendo os mesmos livros que ele lia. Encontre a sua própria voz para viver essa história, e assim você fará justiça a ele."

Foi uma chave fundamental para Gael - e para "Diários". Adaptar aquela história não era uma questão de reproduzir exatamente cada etapa do relato, mas encontrar a essência da viagem. Daí surgiu a ideia de que o filme deveria ser, antes de mais nada, sobre uma escolha - a da margem do rio em que aqueles dois jovens iriam passar o resto de suas vidas.

Quando acabou a montagem do filme, algo parecia estar faltando. Fui até Havana com uma pequena equipe e pedi a Alberto para filmá-lo se lembrando do momento em que, após oito meses na estrada, os dois amigos se separaram. Filmamos um único plano. Alberto olhou para o horizonte, na direção que lhe pedi - onde o avião que levava Ernesto estaria. Foi a única vez que o vi tomado por um sentimento de gravidade e de tristeza. É o plano que fecha o filme. Até hoje, penso que aquele olhar foi determinante - ancorou o filme.

Alberto não pôde acompanhar a estreia de "Diários" no Festival de Sundance - o visto americano lhe foi negado. Mas veio para Cannes, e de lá fez questão de seguir para uma série de outros festivais. A cada nova cidade, era o último a fechar a noitada, e sempre bailava um tango com uma pessoa diferente - era exímio dançarino. Se o filme chegou à marca de 12 milhões de espectadores, foi em parte graças a Alberto e aos amigos que ele fez no caminho.

Os anos passaram, e a família de "Diários", como todas as famílias de cinema, partiu para outras aventuras. Mas continuamos em contato com Alberto e sua família, e nos correspondíamos com constância. Até que a notícia que não queríamos ler se materializou.

"Às vezes, é preciso perder alguém para compreendermos o quanto essa pessoa foi determinante em nossas vidas", escreveu-me Rodrigo de la Serna, ao saber da morte de Alberto. Foi uma sensação que ainda não havíamos vivenciado, a de perder ao mesmo tempo um amigo e um ponto de referência.

Alberto viveu de forma plena e coerente. Bioquímico especializado no combate à lepra, aceitou o convite de Ernesto Guevara para ir trabalhar em Cuba e nunca abandonou o amigo - ou a sua memória.

Não era uma pessoa melancólica. Para Alberto, não havia lugar para esse sentimento. Foi o que sua mulher, Delia, me lembrou quando falamos por telefone, pouco depois do seu desaparecimento.

"Foi uma morte tranquila e feliz, como uma extensão de sua vida. A biblioteca da nossa casa está cheia de flores e de música. Acabamos de ler uma carta de Gael para toda a família. Há muita claridade e luz."

Antes de desligarmos, Délia me perguntou se havia uma garrafa de vinho por perto. Pegou um copo de tinto em Havana, e eu, outro aqui no Brasil. "Que buena ocasión para un brindis", exclamou, ecoando o brado de guerra de Alberto.

Bebemos então à memória da pessoa única que foi Alberto Granado. Assim terminou a nossa conversa.

Um amigo chileno me lembrou que, ao perder uma pessoa próxima, o escritor Eduardo Galeano disse: "Uma parte de mim morre com ele, uma parte dele vive em mim."

É verdade. E quanto mais penso em Alberto, mais recordo uma das aventuras mais extraordinárias que o cinema me possibilitou viver.

* Walter Salles é cineasta e dirigiu "Diários de motocicleta" em 2004

Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/26/em-artigo-walter-salles-r...

OLLANTA HUMALA ASSUME LIDERANÇA DA CORRIDA PRESIDENCIAL NO PERU

LIMA, 28 MAR (ANSA) - O candidato à presidência do Peru Ollanta Humala subiu do terceiro para o primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, alterando todo o cenário até então conhecido, no qual o ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) aparecia como o favorito na disputa do primeiro turno.

Os números foram apresentados pelo instituto de pesquisa Companhia Peruana de Investigação de Mercado (CPI) a duas semanas do pleito, que está marcado para o dia 10 de abril.

Humala, comandante reformado do Exército Peruano e candidato da coalizão Ganha Peru aparece na sondagem com 21,2% das intenções de voto, seguido pela deputada Keiko Fujimori, da aliança Força 2011e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, com 19%, e de Toledo, do Peru Possível, com 18,6%.

Ainda participam da disputa Pedro Pablo Kuczynski, ex-ministro da Economia, que tem 16,1% da preferência dos eleitores, e Luis Castañeda, ex-prefeito de Lima, com 15,5%.

A pesquisa praticamente confirma a existência do segundo turno já que dificilmente um dos candidatos atingirá mais de 50% dos votos válidos, o necessário para a disputa ser encerrada em uma única etapa.

No segundo turno, de acordo com o levantamento, Castañeda, do Solidariedade Nacional, seria eleito no confronto com todos os outros adversários. Por exemplo, se a disputa se desse com Toledo, Castañeda teria 49,7% da preferência contra 34% do ex-presidente. Em outro cenário, dessa vez em um enfretamento direto com Keiko Fujimori, o ex-prefeito de Lima venceria com 48,6% dos votos, enquanto a deputada registraria 33%.

O esquerdista Ollanta, por sua vez, só sairia vencedor no segundo turno se a disputa ocorresse com Kuczynski, da Aliança para a Grande Mudança.

A sondagem, realizada entre 21 e 24 de março, tem um nível de confiança de 95,5%, o que significa que os cinco candidatos estão tecnicamente empatados.

Este panorama já havia sido apresentado na semana passada com a divulgação dos resultados da pesquisa realizada pelo Datum Internacional. Nesse levantamento, feito nas áreas urbanas, Toledo apresentava 19,4% das intenções de voto, seguido por Humala, com 17,6%, por Kuczynski, com 17,5%, por Keiko, com 16,1% e, finalmente, por Castañeda, com 15,5%. (ANSA)

Fonte: Ansalatina ( http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/fdg/201103281008398282/201103281... )

Nota de Repúdio da Casa da América Latina: FORA OBAMA!

FORA OBAMA

A Casa da América Latina repudia que o líder da nação mais covarde e sanguinária do planeta contamine nosso território com a sua nefasta presença e de sua comitiva espúria.
Não se trata de um visitante qualquer, estamos sob o incômodo de um representante do império do mal, que para manter o elevado padrão de vida do seu povo é capaz de impor à nossa América Latina ditaduras assassinas, como ocorreu, não só em 1964, com o Brasil, mas, praticamente em todo o continente.
Aquele país não é governado simplesmente por um mero Presidente, mas pelos poderosos senhores donos do complexo industrial militar e da Wall Street, onde a guerra imperialista se constitui no seu principal instrumento de acumulação.
Um grave exemplo da imoralidade e da falta de democracia interna Norte Americana se constitui no fato de as grandes corporações fazerem campanhas eleitorais diretamente ou financiarem, com vultosas quantias, candidatos; o que foi aprovado recentemente pelo atual Congresso em nome da “liberdade de expressão”, derrotando proposta de reforma política. Hoje, os EUA, com um modelo econômico e moral decadente, nada têm a nos oferecer mas muito a nos usurpar. Este país gerou, em 2008, uma das piores crises econômicas no mundo, ainda não saiu dela, nem sairá tão cedo. Internamente expõe quase trinta milhões de trabalhadores ao desemprego e outros tantos ao subemprego. As suas exportações para o nosso país geram lá 250.000 postos de trabalho. Eles exportam para a América Latina três vezes o que vendem para a China, cuja economia continua liderando o crescimento mundial, com 8 a 9%, apesar da crise internacional. O nosso déficit comercial com o país de Obama é crescente, passando de 4,5 bilhões de dólares em 2009 para 7,8 bilhões em 2010.
Segundo confissão da Hillary Clinton: “nossa segurança energética depende desse continente. O Brasil se tornará grande fornecedor de petróleo para nós graças às suas recentes descobertas em águas profundas”.
Em 2010 o Brasil já exportava 500mil barris por dia para os EUA, sendo o principal mercado desse precioso produto. São eles os maiores consumidores do mundo com 20,800 milhões por dia, enquanto a China consome 6,930 milhões de barris e o Brasil 2,100 milhões ( Index Mundi-2009 ). Desse elevado consumo, eles importam 58 %. Têm a 11ª reserva mundial ( 21 bilhões de barris), sendo os campeões em consumo ( Guia do Exportador ), enquanto o Brasil tem uma reserva estimada entre 70 e 120 bilhões de barris( Sérgio Gabriele em Internacional Press ).
A produção de energia nuclear após o acidente japonês sofrerá pressões que favorecerão o petróleo, principalmente, além das fontes de energia renováveis, nas quais o nosso país é pródigo e devemos valorizar isso.
As rebeliões instabilizantes no Norte da África e no Oriente Médio, associadas ao ódio justificado que a maioria daqueles países têm para com os EUA valorizam o petróleo da América Latina.
Estamos com Cesar Benjamim quando afirma que a natureza nos ofertou o pré-sal de maneira generosa ao nos impor tanto investimento em tecnologia e mão de obra para retirá-lo de camadas tão profundas; além de guardá-lo para quando o preço do petróleo explodir no mercado internacional, nos obrigará a crescer e gerar emprego.
A cadeia industrial a ser gerada pelo pré-sal empurrará o Brasil para um patamar produtivo de crescimento, geração de renda, de emprego e elevação do PIB que nos colocará como uma das principais economias do mundo.
Temos que dar um basta aos leilões e criar indústrias genuinamente nacionais para o nosso país capacitar-se a prospectar e produzir o óleo do pré-sal.
Não queremos os EUA como nosso principal parceiro; hoje exportamos para lá menos de 10% dos nossos produtos, sendo o petróleo a principal commoditie vendida para eles. Devemos exportar apenas os derivados, buscar incrementar o comércio latino-americano, atualmente com 80% de valor agregado nas exportações e negociar multilateralmente com diferentes países da Ásia, África, Oriente Médio e Europa.
Entendemos que só o povo organizado tem força para defender o nosso país e lutar pela união e emancipação econômica e política da América Latina, nos inspirando em Abreu e Lima, Simão Bolivar e José Marti.
Imperialismo nunca mais!

Reflexão de Fidel Castro: A aliança igualitária

Reflexão de Fidel Castro: A aliança igualitária

Ao anoitecer do sábado (19), depois de farto banquete, os líderes da Otan ordenaram o ataque contra a Líbia. Desde então, nada poderia ocorrer sem que os Estados Unidos reclamassem seu papel irrenunciável de chefe máximo. Desde o posto de comando dessa instituição na Europa, um oficial superior proclamou que se iniciava a “Odisseia do Amanhecer”.

Por Fidel Castro Ruz

A opinião pública mundial estava comovida com a tragédia do Japão. O número de vítimas do terremoto, do tsumani, do acidente nuclear, não parou de crescer. São dezenas de milhares de pessoas mortas, desaparecidas e irradiadas. Também crescerá consideravelmente a resistência ao uso da energia nuclear.

O mundo está sofrendo as consequências das mudanças climáticas; a escassez e o preço dos alimentos, os gastos militares e o desperdício dos recursos naturais e humanos crescem. Uma guerra era o mais inoportuno que poderia ocorrer nestes momentos.

O giro de Obama pela América Latina passou para segundo plano. No Brasil, se tornaram evidentes as contradições de interesses entre os Estados Unidos e esse país irmão. Não se pode esquecer que o Rio de Janeiro competiu com Chicago pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Obama quis cortejar o gigante sul-americano. Falou da “extraordinária ascensão do Brasil” que tem chamado a atenção internacional e elogiou sua economia como uma das que cresce mais rapidamente no mundo, mas não se comprometeu nem um pouco em apoiar o Brasil como membro permanente do privilegiado Conselho de Segurança.

A presidente brasileira não vacilou em expressar sua inconformidade com as medidas protecionistas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil, por meio de tarifas e subsídios, que têm constituído um forte obstáculo à economia desse país.

O escritor argentino Atilio Boron afirma que para Obama:

“…o que (…) mais interessa em sua qualidade de administrador do império é avançar para o controle da Amazônia. O requisito principal desse projeto é entorpecer, já que não pode deter a crescente coordenação e integração política e econômica em curso na região e que foi tão importante para fazer naufragar a Alca em 2005 e frustrar a conspiração secessionista e golpista na Bolívia (2008) e no Equador (2010). Também deve tratar de semear a discórdia entre os governos mais radicais da região (Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador) e os governos ‘progressistas’ – principalmente Brasil, Argentina e Uruguai…”

“Para os mais ousados estrategistas estadunidenses, a região amazônica, assim como a Antártida, é uma área de livre acesso, onde não se reconhecem soberanias nacionais…”

Amanhã, Obama viajará ao Chile. Chegará precedido de uma entrevista que concedeu ao diário “O Mercúrio”, publicada ontem, domingo (20), na qual confessa que o “Discurso para as Américas” – assim o qualifica – se fundamenta em uma “aliança igualitária” com a América Latina, que quase nos deixa sem fôlego ao relembrar “A Aliança para o Progresso” que precedeu a expansão mercenária de “Playa Girón”.

Obama confessa textualmente:

“Nossa visão para o hemisfério (…) se baseia no conceito de aliança igualitária que tenho perseguido desde que assumi a Presidência dos Estados Unidos.

“Também terei como foco áreas específicas nas quais podemos trabalhar juntos, como o crescimento econômico, a energia, a segurança cidadã e os direitos humanos”.

“Essa visão, pontuou, tem por objetivo ‘melhorar a segurança comum, expandir oportunidades econômicas, assegurar um futuro energético limpo e apoiar os valores democráticos que compartilhamos”.

(...) “promover um hemisfério seguro, estável e próspero, no qual os Estados Unidos e nossos aliados compartilhem responsabilidades em assuntos chaves, tanto em nível regional como global.”

Tudo como se pode apreciar maravilhosamente belo, digno de se enterrar como os segredos de Reagan, para publicar em 200 anos. O problema é que, como informa a agência DPA, segundo sondagem realizada pelo diário A Terceira “em 2006, 43% da população chilena rechaçava as centrais nucleares”.

“Dois anos depois do rechaço, subiu para 52% e em 2010 chegou a 74%”. Hoje, depois do que aconteceu no Japão alcança “86% dos chilenos…”

Faltaria fazer somente uma pergunta a Obama. Levando em conta que um de seus ilustres antecessores, Richard Nixon, promoveu um golpe de Estado e a morte heroica de Salvador Allende, as torturas e o assassinato de milhares de pessoas, o senhor Obama pedirá desculpas ao povo do Chile?

Fidel Castro Ruz
20 de março de 2011
20h14

Fonte: CubaDebate
Tradução de Fabíola Perez

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