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Alerta! Bolívia

Bolívia: O cenário do golpe de Estado e a vitória camponesa e popular

Hugo Moldiz Mercado
Rebelión

Um motim policial, ativado por reivindicações salariais, deu início a um cenário de golpe de Estado que, sem dúvida, foi desmontado e derrotado pela articulação exitosa de uma condução presidencial que não caiu na armadilha da provocação e a vigorosa e crescente mobilização social, principalmente dos camponeses, para defender a revolução.

Uma ampla mobilização social em defesa da democracia e do processo de mudança, somada à inteligente posição governamental de não cair na armadilha da provocação, foram os componentes chave da estratégia político-militar com a qual se desmontou um cenário de golpe de Estado contra o presidente Evo Morales.

Era só questão de horas o trânsito do cenário de golpe de Estado à interrupção da ordem constitucional propriamente dita. Ou seja, o cenário de golpe de Estado, entendido como a configuração e articulação de atores, desenvolvimento de métodos conspirativos e violentos, metas comuns, a aparição de uma liderança e apoio social, não alcançou um nível de maturidade suficiente para sua materialização.

Somente uma obtusa posição contra o governo ou uma cumplicidade com o que se estava gestando, além de uma ignorância sobre os temas militares, poderiam conduzir a negação de que se estava construindo um cenário para um golpe de Estado “suave”, o segundo que Morales enfrenta desde que assumiu a condução do país.

O desenvolvimento do “golpe suave”, uma nova modalidade de desestabilização fabricada nos laboratórios da Central de Inteligência Americana (CIA) que já foi experimentada no leste da Europa e na Venezuela, se foi incubando nos setores radicalizados da ultra direita boliviana que vêem com temor o massivo apoio social com o qual conta Morales há mais de seis anos do exercício de seu mandato (quatro como presidente do Estado "mono civilizatório" e dois como presidente do Estado plurinacional).

Esta recriação do golpe como método para interromper processos de ampla participação popular, concebidos por intelectuais como o politólogo estadunidense Gene Sharp, passa por várias fases, desenvolvidas inclusive simultaneamente, que vão desde o abrandamento, deslegitimação, movimentações nas ruas, até a fratura institucional. A estratégia golpista foi executada com êxito na derrubada do presidente georgiano Eduard Chevarnadze, em novembro de 2003, e a ascensão ao poder de Viktor Yuschenko na Ucrânia, em dezembro de 2004.

Desde que a América Latina e o Caribe se converteram em cenário de disputa entre a emancipação e a dominação, a estratégia do “golpe suave” se registrou através de cinco modalidades. Triunfou em Honduras (2009) e no Paraguai (2012), mas fracassou na Venezuela (2002), Bolívia (2008 e 2012) e no Equador (2010).

Mudança de estratégias para o derrocamento

Se concebemos que a estratégia não é algo imutável no tempo, o golpe “suave”, como aposta fundamental da direita boliviana, experimentou por sua vez uma mudança de matizes nestes seis anos. Passou da estratégia da derrocada de Evo Morales através de métodos violentos (2006-2009) à estratégia de desgaste prolongado para a derrota do primeiro presidente indígena da América Latina e Caribe (janeiro de 2010 em diante).

Porém, a diferença entre uma e outra estratégia é o cenário de sua realização. A primeira se ativou com a participação de grupos paramilitares nos departamentos da chamada “Meia Lua” e a segunda se está desenvolvendo principalmente no ocidente. Não há dúvida, a aposta é quebrar onde mais forte for o processo de mudança e a liderança de Morales.

Com ambas estratégias de “golpe suave” se apegaram e seguramente seguirão buscando o objetivo fundamental de provocar a renúncia do presidente Evo Morales e alcançar a“reversão” da revolução mais profunda que vive este pequeno país localizado no coração da América do Sul e obviamente a convocatória de eleições antecipadas.

O “golpe suave” em sua segunda modalidade

Quando Evo Morales foi eleito com 64% dos votos em dezembro de 2009 –as primeiras eleições sob a nova Constituição Política do Estado-, era previsível que a direita ia mudar de métodos táticos e de cenários na materialização de sua estratégia contrarrevolucionária e subversiva.

Os métodos táticos baseados na apropriação do discurso de mudança buscaram, desde janeiro de 2010, montar-se sobre conflitos sociais protagonizados por organizações e movimentos sociais com expectativas sobre dimensionadas e em um momento de retorno aos particularismos. O eixo central da conspiração foi e será o surgimento e crescimento do conflito social e a geração de uma “sensação térmica” de ingovernabilidade, de tal maneira que meta o país em um beco sem outra saída que a de por sobre a mesa o questionamento da continuidade do processo de mudança. A conflitividade social é apresentada como um divórcio entre o governo e os setores sociais indígenas, de trabalhadores rurais e populares, quando a rigor o que se está vivendo é uma relação de correspondência não harmoniosa que em nenhum caso implica uma ruptura.

Não é que cada conflito social seja o resultado de uma capacidade organizativa da direita, pois isso seria dar-lhe mais força do que realmente tem, mas também seria ingênuo ignorar que não há mobilização social na que a oposição não queira montar – com recursos, infiltrados ou outras formas - para levar água ao seu moinho.

Nesse contexto é que, após fracassar a intenção da direita de envolver as forças armadas em seus planos desestabilizadores (2006-2009), a polícia se converteu para a embaixada dos Estados Unidos em outro de seus atores principais para a construção permanente da subversão. O esforço não é muito, já que esta força do aparato estatal – ainda não transformada radicalmente apesar do Pátria ou Morte com o que fecham seus principais atos-, tem há anos uma relação carnal com a ligação estadunidense e seus serviços secretos de inteligência, como a CIA e o FBI.

Em fevereiro passado, o alto comando policial de então descobriu uma operação clandestina da embaixada dos Estados Unidos para o traslado de armas, munições e equipamentos de telecomunicações do departamento de Beni para o departamento de Santa Cruz. Dois oficiais bolivianos – dos quais um é o chefe de segurança da embaixada estadunidense -, foram detidos em plena execução da operação.

A embaixada não ia ficar com os braços cruzados e aproveitou uma oportunidade para cortar a cabeça do general Jorge Santiesteban, que além disso foi um ator chave para desmontar em abril de 2009 os planos desestabilizadores e de magnicídio de um grupo paramilitar integrado por estrangeiros à iniciativa da ultra direita. Uma denúncia sobre o ingresso irregular de 54 jovens na Academia Nacional da Polícia, cuja origem todavia não está clara, foi o instrumento funcional do desenvolvimento crescente da conspiração desde a polícia. A nomeação do coronel Maldonado como substituto não freou o plano, senão que incorporou outro fator de mal estar nas filas policiais: não adveio da academia.
Então, apoiados em uma reivindicação, bastante compreensível pelas condições de trabalho e salariais dos policiais de base, se ativou um amotinamento que se iniciou e que passou aceleradamente da mobilização por demandas justas à construção de um cenário de golpe de Estado, entendido este conceito como o impulso de medidas ativas, próprias e distantes, para gerar uma crise política, aparente ou real, na perspectiva de sua articulação para interromper a ordem constitucional.

O cenário de golpe se caracterizou por: tomada violenta da sede da polícia (para reeditar simbolicamente os feitos de fevereiro de 2003), o uso de capuzes e a exibição de armas, a queima de documentação, a participação de ex-policiais e o alto grau de alguns, a designação não institucional da ex-esposa de um policial como procuradora da polícia, o ingresso de armas de grosso calibre nas unidades de La Paz, Cochabamba e Tarija, as arengas políticas contra o presidente Evo Morales, a busca de outros aliados contrários ao governo e os atentados com dinamite contra a Assembleia Legislativa Plurinacional, o Palácio de Governo e a Rádio Pátria Nova.

As aspirações golpistas se nutriam da esperança de que, com o tempo, convergiriam outros três elementos: que a marcha indígena chegasse antes do prazo previsto, que o governo tirasse os militares dos quartéis e que outros sindicatos radicalizados se somassem ao protesto. O objetivo, gerar uma “sensação térmica de ingovernabilidade” e provocar a morte de alguns civis, policiais e militares para convulsionar o país e dar a largada final.

O cenário de golpe se desativou, pelo contrário, pelas seguintes razões: a maioria dos indígenas da marcha aprovou a linha de atrasar sua concentração na sede do governo por 24 horas, e o presidente Evo Morales ordenou às forças armadas não sair por nenhum motivo; os militares da reserva não conseguiram agitar os militares ativos, os professores e trabalhadores da saúde não acataram a convocatória de seus dirigentes e a ausência de liderança foi notável.

Mas se há algo que contribuiu para desativar o cenário de golpe de Estado foi a combinação de dois fatores: primeiro, a resistência do governo de não cair na provocação e a crescente mobilização social em vários departamentos do país e particularmente na cidade sede do governo. Os trabalhadores rurais e urbanos abandonaram seus interesses particulares e protagonizaram uma poderosa mobilização social em ascenso. Como as vitórias conquistadas desde 2006, a derrota dos afãs golpistas só foi possível pela combinação do poder do Estado e do poder do povo nas ruas.

O uso dos meios de comunicação

Esta nova modalidade golpista teria poucas possibilidades de êxito sem o suporte, direto ou não, dos meios de comunicação privados que se encarregam de reproduzir e amplificar em detalhes os gritos da oposição e de calar as medidas e os reclames do oficialismo.

As experiências da Ucrânia, Geórgia, Venezuela, Equador e da Bolívia, que experimentaram a força do “golpe suave”, confirma o uso que os condutores da desestabilização fazem de climas construídos por certos critérios informativos, por muito inocentes que pareçam uma parte deles. Também, coincidência ou não, esta sorte de coordenação midiática se produz a partir do momento em que Morales assumiu a condução do país, seja para dar conta de uma posição frente à nacionalização do petróleo e a Assembleia Constituinte, para por em evidência o Observatório dos Meios da Fundação UNIR, ou em torno das consultas pelos estatutos autônomos, a eleição do Prefeito de Chuquisaca e o referendo revogatório de mandato. Todos no período 2006-2009.

A partir de janeiro de 2010, a ofensiva midiática se ampliou e tem mudado de orientação. Passou de legitimar a violência paramilitar para construir ao menos as seguintes matrizes de opinião: Evo, inimigo dos indígenas; Evo, desenvolvimentista e inimigo da Mãe Terra; Evo, permissivo com o narcotráfico; Evo, autoritário (violador dos direitos humanos e da livre expressão) e Evo aliado de países que alentam o terrorismo.

Chama a atenção que importantes meios de comunicação tenham contribuído –premeditadamente ou não- com o cenário de golpe de Estado ao dar ênfase às precárias condições dos policiais (que nunca foram negadas pelo governo) antes de alertar sobre os métodos e as formas violentas em que se dava o motim policial.

Uma revisão dos editoriais, dos títulos e das fontes consultadas permite apreciar, sem muito esforço, elementos comuns em vários meios de comunicação privados sobre sua posição frente ao governo, e que foi utilizado pela oposição em todos os seus âmbitos.

As etapas do “golpe suave”

De acordo com o politólogo estadunidense Gene Sharp, a estratégia do “golpe suave” pode ser desenvolvido por etapas hierarquizadas ou simultaneamente. No caso boliviano, mais ou menos se deu da seguinte maneira.

1ª etapa: abrandamento (empregando a guerra de IV geração):
• Desenvolvimento de matrizes de opinião centradas em déficits reais ou potenciais.
• Montagem nos conflitos e promoção do descontentamento.
• Promoção de fatores de mal estar, entre os que se destacam: desabastecimento, criminalidade, manipulação do dólar, greve patronal e outros.
• Denúncias de corrupção, promoção de intrigas sectárias e fratura da unidade.

2ª etapa: deslegitimação :
• Manipulação do anticomunismo.
• Impulsionamento de campanhas publicitárias em defesa da liberdade de imprensa, direitos humanos e liberdades públicas.
• Acusações de totalitarismo e pensamento único.
• Fratura ético-política.

3ª etapa: aquecimento das ruas:
• Montagem nos conflitos e fomento da mobilização nas ruas.
• Elaboração de uma plataforma de luta que globalize as demandas políticas e sociais.
• Geração de todo tipo de protestos, expondo falhas e erros governamentais.
• Organização de manifestações, fechamento e tomada de instituições públicas que radicalizam a confrontação.

4ª etapa: combinação de diversas formas de luta:
• Organização de marchas e tomada de instituições emblemáticas, com o objeto de cooptá-las e convertê-las em plataforma publicitária.
• Desenvolvimento de operações de guerra psicológica e ações armadas para justificar medidas repressivas e criar um clima de ingovernabilidade.
• Impulsionamento de campanha de rumores entre forças militares e tratar de desmoralizar os organismos de segurança

5ª etapa: fratura institucional:
Sobre a base das ações de rua, tomada de instituições e pronunciamentos militares, obrigando a renúncia do presidente.

Em caso de fracasso, se mantém a pressão de rua e se migra para a resistência armada.

Preparação do terreno para uma intervenção militar do império ou o desenvolvimento de uma guerra civil prolongada. Promoção do isolamento internacional e o cerco econômico.

Fonte: http://www.rebelion.org/
Tradução: PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

Venezuela: nos passos do desenvolvimento

A Radioagência NP apresenta a série especial “Venezuela: nos passos do desenvolvimento”, disponíveis em texto e áudio. A produção reúne sete reportagens que abordam os potenciais e desafios da nação que possui o menor índice de desigualdade social da América Latina.

Governada pelo presidente Hugo Chávez desde 1999, recentemente a Venezuela foi certificada como detentora da maior reserva de petróleo do mundo, com aproximadamente 297 bilhões de barris.

Esse potencial energético atingiu dimensões políticas, econômicas e sociais inéditas quando o Estado assumiu o controle da PDVSA, principal empresa do setor petrolífero, em 2003.

Programa 1: Políticas sociais e redução da pobreza
Com programas sociais chamados de “Misiones Sociales”, o governo Chávez vem melhorando o acesso e qualidade à moradia, saúde e educação no país.

Programa 2: Políticas econômicas e as nacionalizações
A renda do petróleo venezuelano passa a ser aplicada em projetos sociais e no fortalecimento de outros setores econômicos. Com essa política, o governo Chávez avança nas nacionalizações.

Programa 3: Petróleo e soberania nacional
A Venezuela é o 6º país que mais exporta petróleo no mundo, cerca de 3 milhões de barris diários, algo disputado pelas economias industrializadas, entre as quais os Estados Unidos.

Programa 4: Conflitos com a mídia e pluralidade da informação
No campo da comunicação, mudanças no marco regulatório com a finalidade de deixar a mídia mais plural, se chocam com a “guerra midiática” promovida contra o presidente Hugo Chávez.

Programa 5: Sistema democrático e participação popular
Na opinião de pesquisadores, o que acontece na Venezuela é uma democracia participativa e não uma ditadura. Nas próximas eleições, em outubro, estarão em disputa dois modelos vigentes na América Latina.

Programa 6: Relação com o Brasil e integração regional
A Venezuela tem no Brasil um de seus principais parceiros nos campos econômico e social. No país venezuelano, o Brasil contribui com projetos como a construção de moradias, rodovias, embarcações e de uma siderúrgica.

Programa 7: Autonomia política e econômica latino-americana
Os projetos de integração da América Latina possibilitam parcerias econômicas, políticas sociais, que contribuíram para que a região resistisse melhor à crise mundial, como apontam especialistas.

Ficha técnica
Coordenação: Danilo Augusto
Reportagens: Danilo Augusto, Jorge Américo, Pedro Carrano, Pilar Rodriguez e Vivian Fernandes
Revisão: Jade Percassi
Locução: Juliano Domingues e Vivian Fernandes; Alécio Oliani (vinhetas)
Arte: Aldo Gama
Sonoplastia: Adílson Oliveira e Jorge Mayer

Notícias do Foro de São Paulo, ocorrido em Carracas

Esquerda mundial expressa apoio a causas latinoamericanas

Caracas, (Prensa Latina) O Foro de São Paulo expressou seu respaldo às reivindicações de nações latinoamericanas na declaração final do encontro que reuniu, na Venezuela, a centenas de representantes de movimentos sociais e partidos de esquerda.

No texto, os delegados expressaram seu apoio à reivindicação argentina sobre as ilhas Malvinas, um arquipélago localizado a 400 milhas marítimas da costa do país austral e ocupado ilegalmente pelo Reino Unido desde 1833.

As organizações políticas e movimentos agrupados no Foro e outras organizações sociais "temos a tarefa de desempenhar todas as iniciativas possíveis para que o tema da independência de Porto Rico se converta em um ponto essencial da agenda das Nações Unidas", indica o documento.

É inconcebível que no século XXI persistam territórios coloniais em nossa região e no mundo, agregou a declaração, que manifesta a solidariedade dos delegados com a solicitação de excarcelamento do prisioneiro político boricua Oscar López Rivera.

Também expressaram sua vontade de implementar novas tarefas e um plano de ação conjunto contra o bloqueio dos Estados Unidos à Cuba, e pela liberdade dos cinco antiterroristas da ilha encarcerados nessa nação setentrional, em 1998.

Gerardo Hernández, Ramón Labañino, René González, Antonio Guerrero e Fernando González cumprem penas que chegam até dupla prisão perpétua mais 15 anos de cárcere por infiltrar grupos violentos que desde o estado norte-americano da Flórida operam contra o país caribenho.

O encontro apoiou o povo boliviano e seu presidente, Evo Morais, e expressou sua ativa solidariedade para com o povo paraguaio, depois do golpe de Estado parlamentar perpetrado contra o mandatário legítimo, Fernando Lugo.

Da mesma forma, os participantes se solidarizaram com o Haiti, em seu combate pela recuperação de sua dignidade e sua soberania nacional, e com o povo saharauí.

O Foro de Sao Paulo expressa seu apoio à luta pela soberania e autodeterminação da Palestina e seu renconhecimento pelas Nações Unidas, como membro de pleno direito, e se opõe a qualquer intervenção armada externa na Síria e no Irã, referiu a declaração divulgada no teatro Teresa Carreño.

Os congregados coincidiram em que "a batalha central dos próximos meses é a contenda eleitoral em Venezuela, que tem como data o 7 de outubro".

Praticamente todas as pesquisas arrojam que o presidente Hugo Chávez ganhará, por uma ampla diferença, frente ao candidato opositor, Henrique Capriles, da chamada Mesa da Unidade Democrática.

Fonte: Patria Latina-online

Argentina: Sequestrado em 1977 relata maus-tratos por falso pai

‘Era como um trófeu de guerra’, diz um dos roubados pela ditadura

Sequestrado em 1977 relata maus-tratos por falso pai, condenado a 15 anos de prisão
JANAÍNA FIGUEIREDO
CORRESPONDENTE

BUENOS AIRES — Francisco Madariaga pôde comemorar nesta quinta-feira seus 35 anos ao lado do pai, Abel, que conheceu há pouco mais de dois anos, no último dia do julgamento sobre a existência de um plano sistemático de roubo de bebês durante a ditadura. Madariaga nasceu numa maternidade clandestina de Buenos Aires, em 1977. Sua mãe, Silvia Quintela, fora sequestrada pelos militares quando estava grávida de quatro meses e continua desaparecida. O bebê foi entregue a Victor Alejandro Gallo - na época um oficial do Exército - e sua mulher, Susana Colombo, condenados ontem a 15 e 5 anos de prisão, respectivamente. Madariaga foi registrado como filho biológico deles e recebeu nome de Alejandro Ramiro. Assim começaram uma história de abusos e maus tratos e uma busca que terminou em fevereiro de 2010, quando Francisco descobriu sua verdadeira identidade e teve a sorte de ter um pai vivo e que o estava esperando.
O GLOBO: Como era sua vida antes de conhecer sua identidade?
FRANCISCO MADARIAGA: Fui roubado e para os que me roubaram eu era como um troféu de guerra. Recebi maus-tratos físicos e psicológicos desde muito pequeno. O militar que me roubou me agredia como se eu fosse seu inimigo. Cada vez que voltava do trabalho, ele praticava violência contra mim e fazia coisas terríveis. Foram anos de muito sofrimento. Lembro-me de que ele me fez pendurar no pescoço, como um colar, uma bala que usou numa operação contra opositores da ditadura. Perversões nunca vistas.
Você pode contar como era exercida essa violência física?
MADARIAGA: Ele tentou me afogar numa piscina, fazia comigo as mesmas coisas que fazia com presos políticos nos centros clandestinos de tortura.
Quantos anos você tinha quando começou a se perguntar se realmente era filho dessas pessoas?
MADARIAGA: Demorou muito, pois fui criado com medo, eles fizeram o possível para que eu nunca soubesse a verdade. Tentaram me doutrinar, para que eu pensasse como eles, mas comigo não conseguiram.
Quando as dúvidas começaram?
MADARIAGA: Na escola meus amigos me diziam que eu não me parecia com ninguém da minha família e aos 20 anos eu já sentia que carregava um peso muito grande nas minhas costas. Demorei outros 12 anos para me aproximar das Avós da Praça de Maio, e nesse período minha vida ficou paralisada.
Como era a sua relação com o casal que o criou?
MADARIAGA: Aos 16 anos fiquei sozinho com meus supostos irmãos, porque meu suposto pai foi preso por diversos delitos e minha mãe foi internada numa clínica psiquiátrica. A partir desse momento perdi contato direto com eles. Minha suposta mãe era uma pessoa desequilibrada, e hoje ela tenta se defender dizendo que também era maltratada pelo marido, que estava ameaçada, mas é tudo uma grande mentira. Ela nunca explicou por que e como eu fui roubado. Meu suposto pai é um criminoso, que nunca se arrependeu do que fez. Os advogados da acusação pediram 25 anos de prisão para ele e 16 para ela, espero que sejam condenados (a entrevista aconteceu horas antes da sentença).
Esse é um julgamento histórico para a Argentina...
MADARIAGA: Somos parte de um plano orquestrado pela ditadura para torturar suas vítimas e as famílias de suas vítimas. Porque a busca de um filho ou de um neto também é um tipo de tortura. Esse julgamento é importantíssimo porque a Justiça julgou e condenou os militares e seus cúmplices pelo crime que as avós estão denunciado há mais de 30 anos. Finalmente foi provado que existiu um grupo dedicado a roubar bebês e entregá-los a famílias ligadas aos militares. A sociedade sabe o que aconteceu, mas faltava a palavra da Justiça.
Como é sua relação com o seu pai?
MADARIAGA: Trabalhamos juntos (na associação das Avós da Praça de Maio) e nunca falamos sobre os 32 anos durante os quais estivemos separados. Pensamos apenas em estar juntos e aproveitar o presente que a vida nos deu. Em meu coração tenho um pedaço escuro, pois não conheci minha mãe e minha avó, mas o resto deve ser preenchido com vida.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/era-como-um-trofeu-de-guerra-diz-um-dos-ro... )

Destitución de Lugo, maniobra política de Estados Unidos

El día de la destitución, legisladores negociaban instalar una base militar

Destitución de Lugo, maniobra política de Estados Unidos
por Stella Calloni*

Red Voltaire | Buenos Aires (Argentina) | 3 de julio de 2012

El pasado 22 de junio de 2012, mientras se realizaba el juicio político exprés contra el presidente democráticamente electo de Paraguay Fernando Lugo, proceso considerado ilegal por los países vecinos, diputados paraguayos se reunían con militares de Estados Unidos para negociar la instalación de una base castrense en el Chaco, territorio extenso y despoblado del país sudamericano.
El legislador José López Chávez, quien respondía al grupo disidente del Partido Colorado (la Unace) –encabezado por el general golpista Lino Oviedo, con el cual tiene algunas diferencias– y ex presidente de la Comisión de Defensa de la cámara baja, expresó su esperanza en que Estados Unidos instale bases militares en el Chaco, según fuentes de ABC Color.
De acuerdo con ese medio, el más poderoso complejo mediático de la derecha en Paraguay y clave en la destitución de Lugo, el diputado López Chávez –acusado de conductas mafiosas– confirmó que dialogó con jefes militares estadounidenses sobre la posibilidad de instalar bases, aunque el tema está siendo analizado por el Pentágono
En declaraciones a una radiodifusora paraguaya (789 AM), el legislador argumentó que es necesario instalar dichas bases, ya que, según su apreciación, Bolivia constituye una amenaza para Paraguay, debido a la carrera armamentista que desarrolla. Asimismo alega que su país necesita mejorar su seguridad en las zonas despobladas.
La ayuda humanitaria
El posible acuerdo bilateral llevaría ayuda humanitaria de tropas estadounidenses para la población local. Como se sabe, la acción cívica y la ayuda humanitaria, que ya han realizado tropas de Estados Unidos en Paraguay, a las que se dio inmunidad diplomática en mayo de 2005, es un esquema de contrainsurgencia, espionaje y control poblacional y territorial.
Según las fuentes, esa propuesta tomó estado público el pasado 23 de junio, luego de un encuentro entre referentes de la Comisión de Defensa de la Cámara de Diputados con un grupo de generales de Estados Unidos, el cual llegó al país para dialogar sobre eventuales acuerdos de cooperación.
Esta podría ser una de las causas de la rapidez con que se sacó a Lugo del gobierno, por los compromisos con el Mercado Común del Sur (Mercosur) y la Unión de Naciones Sudamericanas, lo que no habría permitido avanzar en el proceso de bases castrenses.
En 2009 Lugo había rechazado, aunque débilmente, la posibilidad de grandes maniobras del Comando Sur en Paraguay, aduciendo los compromisos con naciones asociadas.
Pero desde mayo de 2005 –antes de la llegada de Lugo al gobierno– se permitió el ingreso de tropas estadounidenses a Paraguay con inmunidad, permiso de libre tránsito y permanencia para sus soldados con vigencia hasta diciembre de 2006, prorrogable automáticamente, como entonces publicó este periódico.
Fue uno de los golpes más fuertes que Washington asestó contra el Mercosur, el cual renunció así a su poder jurisdiccional, ya que las tropas pueden trasegar armamento, equipo y medicamentos y actuar en cualquier lugar del territorio, y sin nuevas autorizaciones en esos momentos entraron un contingente de 400 soldados –el primero– y grupos especiales.
En realidad, este tipo de tropas nunca se fueron de Paraguay. Cuando el dictador Alfredo Stroessner fue derrocado por un golpe entre amigos en febrero de 1989 se mantuvieron en el poder militares que habían participado en su larga dictadura (1954-1989).
Paraguay perdió el derecho de investigar los delitos que pudieran cometer las tropas extranjeras y no podrá demandar a Washington ante la Corte Penal Internacional, violando así su legislación.
En Paraguay, informes detallados de analistas militares advirtieron sobre la poderosa infraestructura de Estados Unidos en un país de importancia geoestratégica, porque limita con Bolivia, Brasil, Argentina y está relativamente cerca de otros donde hay bases castrenses estadounidenses.
Los militares del Comando Sur han marcado el territorio que está sobre el extenso acuífero guaraní, uno de los más grandes de agua potable del mundo, ubicado en la triple frontera que tiene Paraguay con Argentina y Brasil.
Según los informes castrenses, todos los cuarteles paraguayos cercanos a las fronteras están preparados como infraestructura para tropas estadounidenses, las cuales incluso han cavado pozos artesianos para agua potable, supuestamente para campesinos, que en realidad éstos no utilizan.
Así, el cuartel Mariscal Estigarribia, situado a sólo 250 kilómetros de Bolivia, tiene una pista de casi 3 mil 800 metros de largo, en un país que tiene escasas fuerzas aéreas.
Ésta fue construida por tropas estadounidenses, las cuales la modernizaron en años recientes y está diseñada para recibir aviones Galaxy y B-52, así como otras aeronaves portadoras de equipo y armamento de gran escala; también está preparada la pista de la base de Palmerola, en Honduras.
De la misma manera, allí pueden ubicarse miles de soldados si se requiere hacerlo en cualquier momento. Está catalogada como una de las bases con infraestructura más poderosa de Estados Unidos en América Latina.
Sin embargo, es evidente que ante la ofensiva en marcha contra los gobiernos de Sudamérica que posibilitaron un escenario golpista en Bolivia y Paraguay, en junio de este año, así como conatos desestabilizadores en Argentina, se necesita ubicar más tropas en ese lugar estratégico.
La noticia de los acuerdos mencionados entre los diputados ligados con la dictadura pasada y los generales estadounidenses no sorprende en estas circunstancias. Y precisamente en un país donde la lucha por las tierras robadas y mal habidas, como las caracterizó la Comisión por la Memoria, la Verdad y la Justicia, el conflicto social es cuestión permanente.
Para los campesinos, recuperar sus tierras es cuestión de vida o muerte. Especialmente por los ataques de los llamados brasiguayos y sus grupos de choque, empresarios soyeros de Brasil, pero como sostiene Martín Almada, defensor de los derechos humanos, forman parte de las grandes corporaciones, como Monsanto, que avanzan sobre el continente.
Detrás de la destitución de Lugo hay elementos que deben verse como un ataque estratégico para el proyecto de desestabilización, tendiente a golpear la integración latinoamericana.
Stella Calloni

Fonte: La Jornada (México) ( http://www.voltairenet.org/Destitucion-de-Lugo-maniobra )

* Escritora y periodista argentina. Última obra publicada: Operación Cóndor, pacto criminal
Al igual que hace 3 años en Honduras, un presidente democráticamente electo acaba de ser destituido en Paraguay por un parlamento bajo control de la oligarquía nacional. La periodista argentina Stella Calloni nos revela la mano –castrense y estadounidense– que se perfila tras este nuevo golpe institucional orquestado en Latinoamérica contra un gobernante electo según las reglas del sufragio universal en Latinoamérica.

Escola das Américas

Equador não seguirá participando da "Escuela de las Américas"

Comunicado Urgente

Nesta quarta-feira, 27 de junho, o Presidente do Equador, Rafael Correa, a pedido de uma delegação da School of the Americas Watch, tomou a decisão de não continuar o envio de soldados equatorianos à Escola das Américas.

Queremos manifestar nossa alegria por esta decisão do governo do Equador, com a certeza de que a Escola das Américas – hoje chamada de Instituto de Segurança e Cooperação do Hemisfério Ocidental – eficazmente treinou e treina os soldados latino-americanos sob a doutrina da segurança nacional, baseada no combate ao inimigo interno, o que incide efetivamente em violações aos direitos humanos em toda América Latina.

No ano de 2010, o Informe da Comissão da Verdade, que investigou as violações aos direitos humanos no Equador, chamou a atenção sobre o treinamento recebido pelos militares equatorianos na Escola das Américas e recomendou ao Estado a não continuar o envio de soldados a este instituto militar. Hoje, essa recomendação foi levada em conta e nos sentimos felizes.

As milhares de vítimas de violações dos direitos humanos no Equador e em toda a América Latina têm o direito de conhecer os responsáveis pelos assassinatos, desaparecimentos forçados e torturas e que estes sejam levados à Justiça para que paguem por seus crimes. Ao mesmo tempo, os estados devem dar garantias de não repetição de tais crimes à sociedade e aos sobreviventes. Uma medida concreta é terminar com a formação militar na Escola das Américas, que tanto dano e sofrimento causou aos nossos povos.

O Equador se soma à Venezuela, ao Uruguai, à Argentina e à Bolívia, compreendendo que nada de bom pode esperar do treinamento oferecido pelo Exército dos Estados Unidos.

Conclamamos os demais países da América Latina a suspenderem o quanto antes os envios de soldados à Escola das Américas, que segue fomentando, agora sob o pretexto da luta contra o terrorismo e o narcotráfico, a violência contra a população.

Felicitamos o Presidente Rafael Correa por esta decisão soberana, impedindo que se cometam futuramente graves violações dos direitos humanos.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Fonte:www.soawlatina.org

Paraguai: outro golpe engendrado pelo Império

Carlos Aznárez*

O golpe de palácio que derrubou o presidente Lugo não é apenas produto de uma manobra dos sectores mais retrógrados da política local, firmemente ancorados nas ideias da ditadura stroessnista, que governou o país durante 35 anos e prolongou a sua presença nos governos que lhe sucederam. Surge também como resultado de uma estratégia ofensiva que o imperialismo norte-americano vem desenvolvendo em todo o continente.

A direita oligárquica paraguaia atingiu finalmente o seu objetivo: o presidente Lugo foi derrubado sem pena nem gloria. Sobretudo sem a última.

Este golpe de palácio, executado em tempo record, não é apenas produto de uma manobra dos sectores mais retrógrados da política local, firmemente ancorados nas ideias da ditadura stroessnista, que governou o país durante 35 anos e prolongou a sua presença nos governos que lhe sucederam, mas surge também como resultado de uma estratégia ofensiva que o imperialismo norte-americano vem desenvolvendo em todo o continente.

¿Porque fazemos esta afirmação? Se nos detivermos um instante a observar o mapa latino-americano, e virmos as últimas iniciativas empreendidas pelo Comando Sul, no sentido de ir instalando bases em cada um dos países que consideram chave para desenvolver as suas tarefas de ingerência, dar-nos-emos conta de que o sucedido no Paraguai é a consequência lógica de um novo dispositivo de ocupação territorial. Aos antigos enclaves militares em que ondula a bandeira norte-americana e onde se confundem instrutores gringos com tropas do país que os acolhe, têm vindo a acrescentar-se agora as bases de “ajuda humanitária” que abrem caminho - com claras cumplicidades locais- à presença explícita ou encoberta dos invasores.

A isto vêm juntar-se os diversos reveses eleitorais às mãos da direita que se vêm verificando nos últimos dois anos em vários países, como consequência da reacção imperial face à saudável experiência dos povos que conseguiram instalar durante mais de uma década, por meio do voto directo, governos revolucionários e progressistas. Mas se fizermos hoje o balanço a quantas dessas experiências hoje se mantêm ficaremos surpreendidos. A direita já governa Chile, Paraguai, Panamá, Guatemala, Costa Rica, Honduras, Colômbia e México, enquanto se encontram em processo de transição - por debilidade ideológica ou por simples traição aos seus objectivos de origem - Perú e El Salvador, cujos representantes elogiam persistentemente Washington, em detrimento da aliança anti-imperialista forjada nos países da ALBA.

É então neste quadro que se verifica o golpe no Paraguai. Mas existe aqui um outro elemento que não pode deixar de ser mencionado, e que diz respeito ao papel que desempenhou o próprio presidente Lugo. Por altura da construção da aliança que o levou ao Governo, ficou claro que esta assentava em dois importantes sectores: por um lado o movimento popular nutrido especialmente pelo combativo campesinato paraguaio, esse mesmo que constituiu uma dor de cabeça para o ditador Stroessner e para os latifundiários do Partido Colorado. Na outra plataforma desta mesma coligação, estava o centro-direitista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Uma plataforma que no essencial continua a sustentar os postulados ideológicos da sua casa matriz, os colorados stroessnistas. Foram eles precisamente quem colocou na posição-chave - a vice-presidência - Federico Franco, o Judas que agora se apropriou do poder em consequência do golpe parlamentar, militar, judicial y eclesiástico.

As hostes do luguismo sustentaram desde sempre que essa coligação eleitoral era necessária, porque sem ela seria impossível vencer a oligarquia do Partido Colorado. O problema é que, uma vez no governo, as concessões feitas foram ostensivamente inclinadas no sentido desse sector. O próprio Lugo, que quando era bispo em San Pedro se tinha comprometido a conseguir a reforma agraria e outras reivindicações para “o seu povo camponês “, foi lentamente virando as costas a estas reclamações. Mais ainda, não teve dúvidas em elaborar novos projectos de lei para reprimir aqueles que o interpelavam pelo incumprimento das suas promessas.

Antes de se chegar ao recente massacre de Curuguaty, houve numerosas e graves acções de violência estatal contra el campesinato, que depois de um primeiro ano de espera e frustração, se decidiu a fazer aquilo que marca a história do Paraguai contemporâneo: ocupar terras para sobreviver num país onde 20% de las famílias agrárias da oligarquia são donas de 80% do território. Situação que se tem vindo a agravar devido à falta de resposta estatal face à invasão que os “polvos sojeiros” (denominados “brasiguayos”) realizam a partir do Brasil, que não hesitaram em expulsar os camponeses paraguaios dos poucos hectares que lhes pertenciam.

Para deter as reclamações e protestos camponeses, Lugo viu-se pressionado a aceitar as receitas do Imperio, patrocinadas pela oligarquia latifundiária colorada. Foi assim que foram aprovadas a lei antiterrorista e a militarização do norte paraguaio, com a consequente detenção arbitrária de centenas de camponeses, ou a criminalização permanente daqueles dirigentes históricos que exigiam que fosse detida a repressão. Para “capacitar” ainda mais a polícia paraguaia Lugo abraçou-se ao seu colega Uribe Vélez, e deu início a um intenso tráfego de instrutores do temível DAS colombiano, justamente no momento em que os países da ALBA condenavam o governo colombiano por dar luz verde a novas bases norte-americanas no seu território.

Lugo foi optando, por fraqueza ou por falta de vontade política, por exercer um mandato muito condicionado. Embora parecesse, no exterior, partilhar do pensamento rebelde dos países que enfrentam diariamente o Imperio, na sua prática local enredava-se constantemente numa teia de aranha que o foi afastando daqueles que mais o apoiaram.

O que sucedeu em Curuguaty foi a gota de água que fez trasbordar o vaso. A polícia stroessnista, que Lugo não soube ou não pode depurar, montou um dispositivo repressivo -como tantos outros, salvo que neste se defrontou com resistência camponesa- e o resultado foi um massacre. Face a estes graves acontecimentos Lugo preocupou-se mais em acalmar os protestos do latifundiário colorado Blas Riquelme e em dar os pêsames pelos policias mortos do que em consolar os familiares dos onze camponeses assassinados e em alguns casos, anteriormente torturados. Mais ainda: em declarações pronunciadas nas primeiras horas, não teve dúvidas em criminalizar quem ocupava terras - sabendo que as mesmas eram mal apropriadas - como resultado de reivindicações históricas que nunca foram tidas em conta. Dos acontecimentos de Curugaytí resultaram também numerosos detidos, que foram também torturados, e que são agora acusados de homicídio.

Se alguma coisa faltava para demonstrar que o ex-presidente - aquele que legitimamente tinha sido eleito pelos sectores populares - já não governava, vieram as nomeações de um novo ministro do Interior e do chefe da polícia, ambos comprometidos com a corrupção e a repressão desenvolvida durante anos pelo partido Colorado.

Com todos estes ingredientes, e com a decisão dos seus aliados do PLRA de virar-lhe definitivamente as costas, a queda de Lugo foi uma questão de horas. Apesar disso, demonstrando uma vez mais a nobreza do sofrido povo paraguaio, milhares de camponeses cortaram estradas e mobilizaram-se a caminho de Asunción, rejeitando o julgamento político a um Presidente no qual já não confiavam, mas que preferiam mil vezes ao regresso dos herdeiros de Stroessner. Face a este levantamento patriótico emergente, Lugo volta a defraudar o seu povo e suicida-se literalmente. Não resiste nem apela à resistência. Aceita mansamente, ao contrário do que fez o seu colega Zelaya, a decisão dos golpistas, com a desculpa de mau pagador de não contestar a justiça. Nem sequer opta por jogar a carta possível de rebelar-se, sabendo que contava não apenas com o apoio do povo nas ruas mas que tinha igualmente a seu favor a solidariedade unânime dos governos da UNASUR.

Agora que as cartas já estão jogadas e que o Paraguai se converteu numa nova Honduras, seguramente que o campesinato e os trabalhadores do Paraguai serão quem vai sofrer as piores consequências dos acontecimentos mas, tal como o têm feito ao longo de décadas, terão que investir toda a sua imaginação em novas fórmulas de resistência.

No Paraguai o imperialismo voltou a comprovar a si próprio quão fácil lhe é conseguir derrubar um governo, e deixa o aviso de que continuará a tentá-lo em outros países do continente.
Por sua vez, estes acontecimentos sugerem várias conclusões que é indispensável ter em conta:
1) As limitações de governos que não se decidem a avançar, pela mão dos seus povos, no enfrentamento com o Imperio (como o têm feito, e bem, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, ou como sempre o tem demonstrado a Cuba socialista). Nesse sentido, de pouco servem os acordos ou autorizações que se concedem no continente às transnacionais, que actuam como quinta coluna dos interesses do capitalismo selvagem;
2) Não é possível governar se não se saneiam (ou pelo menos se tenta fazê-lo) as instituições centrais que durante anos têm estado ao serviço da direita oligárquica e pró-imperialista de cada país. Justiça, Forças Armadas, Igreja, Meios de comunicação, acabam por ser o estímulo a partir do qual se desestabilizam os processos de mudança no continente. As experiências paraguaia e hondurenha constituem o melhor exemplo disso.
3) Não serve de nada que, face à necessidade de alcançar o poder, se estabeleçam alianças contra natura. Tarde ou cedo, essa circunstância golpeará como um boomerang a cabeça daqueles que a engendraram.

No Paraguai inicia-se outra etapa, na qual a solidariedade latino-americana - a popular e também a diplomática - não deve ceder na ideia de apoiar as reivindicações dos mais humildes na sua luta pela terra e contra o latifúndio, em exigir que cesse a repressão e o paramilitarismo, em reclamar a saída do país dos agentes imperialistas da USAID e o encerramento da base ianque em Mariscal Estigarribia. É também de extrema urgência, na actual conjuntura, conseguir, através da pressão internacional, a libertação imediata dos presos políticos que há anos jazem nos cárceres do país, entre os quais os seis camponeses extraditados da Argentina, que a injustiça paraguaia quer condenar a prisão perpétua. Para eles, no imediato, torna-se imprescindível solicitar que possam ser visitados por organismos de Direitos Humanos para verificar o seu estado de saúde, porque não constitui qualquer exagero imaginar-se que venha a descarregar-se sobre os seus corpos todo o odio da oligarquia paraguaia agora no Governo.

*Director de “Resumen Latinoamericano”

O Golpe Paraguaio

O GOLPE PARAGUAIO

Laerte Braga

O golpe sumário dado pelo Parlamento do Paraguai contra o presidente Fernando Lugo tem a marca registrada da classe dominante naquele país. Latifundiários associados a multinacionais, uma força armada corrompida e cooptada por interesses de grandes corporações, bancos e os donos da terra.

O Paraguai jamais se recuperou da guerra contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai (1864/1870). O conflito foi estimulado pela Inglaterra, então maior potência do mundo, em defesa de seus interesses econômicos. O Paraguai não dependia de países da Europa, tinha uma indústria têxtil competitiva e era um dos grandes exportadores de mate, concorrendo com o império britânico.

O capital para a guerra foi dos ingleses e em meio ao conflito é que, praticamente, se construiu as forças armadas brasileiras, inteiramente despreparadas para um confronto de tal envergadura. Nos primeiros anos da guerra os soldados brasileiros passavam fome e os armamentos eram mínimos, insuficientes para o genocídio que viria mais à frente. Foi a conseqüência inicial da avidez do governo imperial de aceitar as libras inglesas.

Os países que formaram a chamada Tríplice Aliança, numa selvageria sem tamanho, mataram 70% da população paraguaia e até hoje a maioria acentuada entre os que nascem naquele país é de homens.

De lá para cá o Paraguai tem sido governado por ditadores, numa sucessão de golpes de estados e o breve período “democrático” que se seguiu à deposição do último general, Alfredo Stroessner (morreu exilado no Brasil, era capacho da ditadura militar brasileira), encerra-se agora com a deposição branca de Fernando Lugo. Um ex-bispo católico, conhecido como o “bispo dos pobres”. O mandato de Lugo terminaria no próximo ano. O vice-presidente é do Partido Liberal, aquele jogo político de amigos e inimigos cordiais, onde os donos se revezam no poder.

O pretexto para a deposição de Lugo foi um massacre de trabalhadores rurais sem terra, numa região próxima à fronteira com o Brasil. Morreram manifestantes e integrantes das forças de repressão. De lá para cá Lugo enfrenta um inferno.

Latifundiários brasileiros, a classe dominante paraguaia – subordinada a interesses do Brasil e de corporações internacionais – se uniram contra Lugo e o apoio de empresas como a MONSANTO, a DOW CHEMICAL. o silêncio formal e proposital dos EUA, todos esses ingredientes foram misturados e transformados em golpe de estado.

Tal e qual aconteceu em Honduras contra Manoel Zelaya. A nova “fórmula” para golpes de estado na América Latina. A farsa democrática, o rito constitucional transformado em instrumento golpista na falta de pudor da classe dominante. No caso do Paraguai, como no de Honduras, miquinhos amestrados do capitalismo internacional.

A elite paraguaia jamais permitiu ao longo desses anos todos, desde 1870, que o país se colocasse de pé novamente. Tem sido um apêndice de interesses políticos e econômicos de corporações estrangeiras e do sub-imperialismo brasileiro. Carregam as malas dos donos enquanto submetem os trabalhadores a um regime desumano e cruel que não mudou e nem vai mudar enquanto não houver resistência efetiva e nas ruas contra esse tipo de procedimento, contra essa subserviência corrupta e golpista.
E cumplicidade de governos vizinhos. Mesmo que por omissão, ou fingir que faz alguma coisa.

E necessária a consciência dos governos de países como o Brasil que situações de golpe são inaceitáveis. Que a integração latino americana é fundamental e se faz com democracia e participação popular. Não com alianças com Paulo Maluf.

Fernando Lugo cometeu erros. O maior deles o de acreditar que era possível governar o país com grupos da direita. As políticas de conciliação onde a elite é implacável e medieval, as forças armadas são agentes – em sua maioria esmagadora – de interesses estranhos aos nacionais e as forças populares sistematicamente encurraladas pela violência e barbárie.

Ou se percebe que o golpe contra Lugo é um golpe contra toda a América Latina, ou breve situações semelhantes em outros países. Por trás de tudo isso, em maior ou menor escala, mas de forma direta os EUA e o que significam no mundo de hoje.

No que o presidente do Irã, Mahamoud Ahmadinejad chama de colonizadores. No ano 2000 o economista César Benjamin, numa palestra na cidade mineira de Juiz de Fora espantou os ouvintes ao dizer que “o século XIX foi o dos grandes impérios colonizadores, o século XX o do fim do colonialismo, o século XXI vai assistir a um novo ciclo de colonização de países periféricos às grandes potências”.

A previsão está se confirmando.

O secretário geral da UNASUL, Ali Rodriguez disse em entrevista a vários jornalistas que “o Paraguai pode estar em meio a golpe de Estado devido à rapidez do julgamento político do presidente do país, Fernando Lugo” e mostrou-se preocupado com um possível “processo de violência. Tudo indica que uma decisão já foi tomada e que pela rapidez com a qual os eventos estão acontecendo, poderíamos estar perante um golpe de Estado”.

Basta que países como o Brasil e a Argentina, por exemplo, asfixiem econômica e politicamente o novo governo para que ele não se sustente. Depende da vontade política de um e outro de manter a democracia no Paraguai, mesmo frágil, de pé.

A classe dominante paraguaia nunca deu muita importância a isso, pois sempre consegue espaço para se acomodar e continuar a transformação do país em uma espécie de vagão a reboque principalmente do Brasil. Desde o fim da guerra, em 1870 tem sido assim.

Fernando Lugo foi acusado, entre as farsas várias, de humilhar as forças armadas (existem, ou são esbirros do capitalismo?) e colocar-se ao lado dos trabalhadores sem terra.

É velho e boçal latifúndio que no Paraguai é a força econômica mais poderosa.

Os protestos populares acontecem próximo ao Parlamento, mas já com forças policiais prontas para massacrar e impedir qualquer reação.

É preciso ir às ruas em toda a América Latina e é fundamental asfixiar essa elite que cheira a esgoto.

Se o governo brasileiro quiser não tem golpe que sobreviva. O problema é querer. A preocupação hoje, no entanto, é de “consenso possível” (um fracasso na RIO+20) e as eleições de outubro.

A mídia de mercado – fétida também – no Brasil já desestimula qualquer atitude mais forte do governo. Afirma que Lugo declarou que aceitará o “julgamento político”. É mais uma das muitas e constantes mentiras padrão GLOBAL.

O golpe no Paraguai fere o arremedo de democracia que sub existe no Brasil e outros países com o consentimento dos “poderes moderadores”. As elites políticas e econômicas são as mesmas, arcaicas, podres e totalitárias. Quando querem colocam as garras de fora.

Foi o que fizeram com Lugo. O que querem fazer com Chávez. Com Evo Morales e outros tantos.

E no fim de tudo atribuir a culpa ao Irã.

Lugo sob ameaça de golpe no Paraguai

Sob o pretexto de que o presidente Fernando Lugo teria sido negligente na resolução de conflitos agrários, Câmara paraguaia, dominada pelos partidos de direita, abriu processo de impeachment nesta quinta (21). Não é a primeira vez que setores dos grandes proprietários de terra aliados ao empresariado tentam interromper a vida democrática do país vizinho.
Gilberto Maringoni
A Câmara paraguaia, dominado pelos partidos de direita, abriu processo de impeachment nesta quinta-feira (21) contra o presidente Fernando Lugo. Senado agora também discutirá a medida. Trata-se de um eufemismo para golpe de Estado, segundo analistas consultados por Carta Maior.

Não é a primeira vez que setores dos grandes proprietários de terra aliados de setores empresariais tentam interromper a vida democrática do país vizinho. À diferença de outras situações ao longo do século XX é que a ação atual recobre-se de uma fachada legal.

O pretexto é que Lugo teria sido negligente na resolução de conflitos agrários, como o ocorrido há uma semana em Curuguaty, próximo a fronteira com o Brasil. Na ocasião morreram nove camponses e seis policiais.

Por "negligência" entenda-se as tentativas do mandatário de resolver os problemas com negociação e não através de violência pura que caracteriza historicamente a resolução de conflitos sociais no país.

Os presidentes da Unasul, reunidos no Rio de Janeiro, colocam-se frontalmente contra o golpe. A situação em Assunção é de calma aparente. Manifestações populares de apoio começam a acontecer na capital. Em pronunciamento feito nesta manhã e transmitido pela tevê paraguaia, Lugo descartou a possibilidade de renúncia.

Fonte: Agência Carta Maior, 22/06/12

Deter o golpe no Paraguai

Desde 2009 o presidente Fernando Lugo vem denunciando permanentes ações dos setores ultraconservadores para destituí-lo. Faltando nove meses para novas eleições presidenciais, a elite e os partidos de direita estão desesperados frente à iminente possibilidade de continuidade do governo.

Luciano Wexell Severo *

É tensa e lamentável a situação enfrentada pelo heroico povo do Paraguai. A democracia e os avanços sociais estão sendo ameaçados pelos setores mais conservadores e retrógrados da sociedade paraguaia. Está em execução um golpe de Estado dirigido por uma minoria privilegiada, por uma elite empresarial e uma oligarquia latifundiária, que cresceu e enriqueceu durante os 35 anos da ditadura militar de Alfredo Stroessner.

Os grandes meios de comunicação do Brasil, da América Latina e do mundo estão, naturalmente, em silêncio. Entretanto, graças às redes sociais e a iniciativas como o canal Telesul tem sido possível acompanhar os acontecimentos ao vivo. É importante lembrar que desde 2009 o presidente Fernando Lugo vem denunciando permanentes ações dos setores ultraconservadores para destituí-lo. Faltando nove meses para novas eleições presidenciais, a elite e os partidos de direita estão desesperados frente à iminente possibilidade de continuidade do governo.

Nesta quarta-feira, dia 21 de junho, em uma sessão relâmpago, 76 dos 80 deputados paraguaios aprovaram a abertura de um processo de impeachment contra o presidente. Os “argumentos” golpistas foram apresentados hoje e se pretende que o mandatário seja julgado e condenado amanhã, sexta-feira, até o final do dia. Quando pensamos que já vimos de tudo na América Latina surge algo novo. Trata-se de uma modalidade rara de golpe de Estado, sustentada por uma manipulação grosseira do poder legislativo. Houve três abstenções e a deputada Aida Robles, do Partido Participação Cidadã, foi a única que votou contra o julgamento-farsa.

A sessão parlamentar teve refinados toques de circo. Os deputados resolveram que amanhã, entre as 12h e as 17h30, se realizaria uma nova sessão. Conforme o estabelecido, o presidente Lugo teria duas horas para apresentar a sua defesa. Depois disso, os parlamentares propuseram analisar as “evidências” e anunciar o resultado. Obviamente, caso se leve a cabo este julgamento-farsa, o mandatário será destituído. Poucas vezes um parlamento de qualquer país do mundo tomou uma decisão tão importante em tão poucas horas. Isso não tem outro nome. É um golpe de Estado.

Entre os “motivos” apresentados pelos golpistas, prevalece o assunto do enfrentamento da semana passada, em Curuguaty, que causou a morte de 11 camponeses e seis policiais, além de haver deixado 50 feridos. Na ocasião, 100 famílias tentaram ocupar terras do latifundiário Blás Riquelme, ex-senador do Partido Colorado. Houve um tiroteio e este é o pano de fundo do golpe. Um dos parlamentares chegou a culpar Fernando Lugo de “cometer os piores crimes desde a Independência". Ou o deputado foi vítima de uma impressionante falta de memória ou tem o rabo preso com a ditadura de três décadas.

O caso de Curuguaty ainda não foi totalmente esclarecido, mas dirigentes dos movimentos sociais denunciam o envolvimento de franco-atiradores, que teriam disparado contra camponeses e policiais. Seria mais uma aplicação do chamado “crime de bandeira trocada”, a mesma estratégia tantas vezes utilizada na região para justificar intervenções e golpes.

O Paraguai é o quinto exportador de azeite de soja do mundo. Se bem a insatisfação da oligarquia latifundiária com o governo Lugo venha de longa data, recentemente houve um fato novo. O Serviço Nacional de Qualidade e Sanidade Vegetal e de Sementes (SENAVE) não autorizou o uso comercial da semente transgênica da Monsanto no país. Neste contexto, tem ganhado destaque a figura opositora de Aldo Zuccolillo, diretor proprietário do poderoso diário ABC Color e sócio principal da Cargill do Paraguai. O empresário opera em conjunto com a União de Grêmios de Produção (UGP), insinuando-se como uma possível liderança política.

Escutar as declarações e “acusações” dos deputados golpistas paraguaios gera uma mescla de sentimentos, que vão do espanto ao nojo. Comportaram-se como legítimos papagaios de Washington, portadores de um discurso digno da Guerra Fria e porta-vozes dos interesses da classe mais poderosa. Acusam o governo de “comunista”. Não faltaram patéticas referências à “paz”, à “liberdade” e à propriedade privada. Expressam, repetidas vezes e sem qualquer pudor, um profundo ódio às ações democratizantes do atual governo em benefício das classes populares, historicamente excluídas no país mais pobre da América do Sul.

De acordo com o Partido Popular Tekojoja, a iniciativa de realizar um julgamento deixa “evidente quem esteve por trás do massacre de camponeses e de policiais. Os principais beneficiados daquela tragédia agora revelam os seus verdadeiros interesses. Estão utilizando um acontecimento lamentável para atentar contra a democracia, o presidente e o povo paraguaio”.

Neste momento, uma missão oficial da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) está em Assunção reunida com o presidente paraguaio. Viajam os ministros de Relações Exteriores de Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Além disso, dezenas de milhares de paraguaios vindos de todas as regiões se dirigem às portas do parlamento na capital. Lugo, em cadeia nacional, afirmou que “o povo paraguaio saberá responder a esta ação de um setor egoísta que sempre concentrou privilégios e que agora não quer compartilhar os benefícios”. Finalizou dizendo que não renunciará e que saberá “honrar o compromisso assumido por meio da vontade das urnas”.

Como se sabe, Fernando Lugo é um ex-bispo católico, seguidor da Teologia da Libertação. Conta com o apoio de importantes movimentos sociais, mas sua maior debilidade parece estar no fato de não contar com uma estrutura partidária consolidada e organizada. Diversas iniciativas do governo têm sido boicotadas pelo parlamento opositor. Inclusive a entrada da Venezuela no Mercosul, amplamente vantajosa para a integração regional, está sendo trancada pelos deputados paraguaios há mais de cinco anos.

Somente a mobilização popular pode frear o golpe. Apenas para fazer referência ao período mais recente, que não se repita um golpe de Estado similar ao perpetrado sobre o presidente Manuel Zelaya, de Honduras, em 2009. E que prevaleça a vontade popular, a mobilização e a resistência, como ocorreu na tentativa frustrada de derrubar o presidente Rafael Correa, do Equador, em 2010. Ao mesmo tempo, espera-se que as Forças Armadas do Paraguai sejam dignas de suas fardas, livrem-se de uma vez por todas do fantasma da ditadura de Stroessner e se mantenham ao lado do povo. Há força suficiente para impedir o julgamento-farsa e deter o golpe.

(*) Professor Visitante da Universidade da Integração Latino-Americana (UNILA)

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5646 )

Ampla mobilização no Paraguai em defesa de Lugo

Ampla mobilização no Paraguai para defender permanência de Lugo
21/6/2012 11:12,

Marchas e vigílias cidadãs em zonas desta capital com assistência fundamental de jovens e um debate público sobre as responsabilidades nos incidentes ocorridos na passada sexta-feira em Curaguaty são temas centrais no panorama paraguaio.
Apesar do frio, grupos de pessoas, velas acesas nas mãos, permaneceram nesta quarta-feira (20)
à noite na Praça da Democracia, em frente ao Congresso da República, na denominada Vigília do Silêncio, reivindicando paz para o país e em homenagem aos falecidos no choque entre policiais e camponeses.
Leia também:
Felício: Após massacre, Lugo pode ter mesmo destino de Zelaya
Seis agentes e 11 camponeses sem terras que ocupavam parte de uma fazenda de um latifundiário acusado da obter ilegalmente foram mortos durante um desalojamento da propriedade, em um fato impactante para toda a sociedade.
Além dos manifestantes na praça, outra coluna de jovens autoconvocados mediante as redes sociais desfilou por zonas do centro desta capital, também realizando as mesmas reivindicações.
As demonstrações registraram-se poucas horas depois que o presidente da República, Fernando Lugo, falou à nação com uma mensagem, no qual anunciou a formação de uma comissão de personalidades destinada a levar adiante uma investigação do sucedido em Curuguaty.
Lugo defendeu-se também de acusações de grupos opositores que tratam de responsabiliza-lo pelo ocorrido e decidiram impulsionar um julgamento político contra o mandatário no seio do Parlamento.
O chefe de Estado justificou suas reuniões com os camponeses sem terras destacando que se trata também de paraguaios sofrendo exclusões na sociedade e assegurou que é presidente de todos os cidadãos do país.
A campanha desatada contra ele, especialmente pelo opositor Partido Colorado e alguns meios de imprensa, permite prever que o debate sobre o tema seguirá tendo destaque nacional nos próximos dias.
Fonte: Prensa Latina

Argentinos dizem não aos EUA *

* por Mário Augusto Jakobskind

Na Argentina, após intensa mobilização popular contra decisão do governador da região do Chaco, Jorge Capitanich, foi suspensa a instalação de uma base militar do Comando Sul dos Estados Unidos.

Um fato chama a atenção, o total silêncio da mídia de mercado sobre o tema. Ou seja, se não fossem os movimentos sociais, a base militar seria instalada sem que a maioria do povo soubesse o que estava acontecendo em matéria de envolvimento da Argentina com a nação do Norte que ainda acredita que o continente latinoamericano não passa de um quintal ou pátio traseiro.

A história começou em setembro de 2010 quando o governador de Chaco autorizou a instalação da base e em pronunciamento para uma delegação de parlamentares estadunidenses disse em alto e bom som: “Defendo uma aliança estratégica com os Estados Unidos e estou disposto a lutar por essa ideia".

Na verdade, políticos do gênero Capitanich existem aos borbotões por esta América Latina e o melhor antítodo para evitar que prosperem é a mobiização, como fizeram os argentinos no Chaco. O silêncio quase total da mídia de mercado sobre o tema é sintomático.

Mas todo cuidado é pouco, porque tanto o governo dos EUA como seus aliados na América Latina não descansam e se utilizam de métodos sofisticados para conseguir os objetivos. Ou seja, tentam enganar meio mundo com linguagem do gênero altruista.

No caso do Chaco, a base militar foi apresentada inicialmente como "centro de ajuda humanitária, de atenção a emergências ou de treinamento". Como essa linguagem dissimulada, os "altruistas" do Pentágono vão tentando conseguir os objetivos.

Mas a tentativa de enganar os argentinos foi abortada e se não fosse prejudicaria não apenas o país anfitrião, como os vizinhos, inclusive os brasileiros.

Enquanto isso, no Chile, saudosistas dos tempos de torturas e assassinatos praticados por um Estado terrorista decidiram fechar um teatro para homenagear nada mais nada menos do que Augusto Pinbochet, uma figura sanguinária que se equipara a Calígula, Hitler, Mussolini e tantos outros criminosos do gênero.

A homenagem foi coordenada por militares da reserva que tinham comando durante aqueles trágicos anos e cuja figura principal reverenciam onde for possível.

A Justiça chilena permitiu a realização da homenagem em nome do direito e da democracia. Algo do gênero como se na Alemanha a justiça autorizasse neonazistas a reverenciarem o patono Adolfo Hitler. Qual a diferença entre um e outro?

Os chilenos saudosistas de um tempo de trevas se equiparam a alguns brasileiros do gênero do capitão da reserva José Geraldo Pimentel, um dos organizadores de um manifesto indecoroso exortando militares da ativa a ocultar documentos que possam vir a ser requisitados pela Comissão da Verdade.

Nesse sentido, o Ministério Público Militar (MPM) pediu que o Exército instale Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a criação de uma cartilha de uma autodenominada Frente Nacional contra a Comissão da Verdade.

Pimentel comporta-se como um marginal e ainda por cima conclama os militares da ativa a não informarem os locais em que foram enterrados os corpos de vítimas da repressão política.

Além das providências legais a serem adotadas pelas autoridades, outro antídoto contra esta gente é a mobilização popular, do tipo como tem feito o Levante Popular da Juventude esculachando torturadores e assassinos na porta de suas residências.

Nesse sentido, os ainda adeptos de Pinochet e os saudositas da ditadura brasileira se encontram ao longo da vida. Até porque, os militares que tinham comando naquela época no Chile não esquecem do pleito de gratidão que nutrem aos companheiros de farda brasileiros que colaboraram com o golpe de 11 de setembro de 1973.

Já em Washington, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial e que deixará o cargo no fim do mês, confirmou sua presença no rol dos defensores do enquadramento do continente latinoamericano aos interesses dos Estados Unidos.

Como os tempos hoje são distintos dos de 30 e 40 anos atrás, quando organismos internacionais em conluio com sucessivos governos estadunidenses davam total apoio a regimes de força, figuras como Zoellick saem em campo para combater o governo bolivariano da Venezuela, de quebra Cuba e outros países que não aceitam as regras estabelecidas por Washington.

Nesse sentido, Robert Zoellick apenas está cumprindo um papel que lhe cabe no jogo da tentativa de retomar a hegemonia em um continente que não aceita mais ser considerado quintal ou pátio traseiro de quem quem quer que seja.

E, por fim, Zoellick em seus pronunciamentos ainda fala em defesa da democracia. Ou seja, a mesma retórica utilizada por generais de plantão nos anos de chumbo.

O Rio entrou no clima de Rio + 20. O lobie da economia verde, uma estratégia do capital que visa manter a hegemonia do setor com o papo verde, já está em ação. Mas os movimentos sociais do Brasil e de várias partes do mundo que estaráo reunidos na Cúpula dos Povos estão alertas e não querem se enganados com discursos e belas palavras, que não dão em nada ou apontam até para um retrocesso ambiental sem tamanho.

O ceticismo de alguns setores é tão grande que já tem gente mudando o nome de Rio + 20 por Rio – 20 ou Rio + 20 é igual a zero.

Em tempo: Koffi Anan apresentou uma fórmula para tentar impedir o prosseguimento do banho de sangue na Síria. Uma reunião com os cinco países integrantes do Conselho de Segurança da ONU, mais a União Européia, Liga Árabe e países vizinhos da Síria, entre os quais o Irã.

Os Estados Unidos de antemão vetou o Irã, numa demostração prática de que a única saída defendida por Washington é que a crise se encerre com a vitória de um dos lados, exatamente o dos mercenários que recebem seu apoio.

Fonte: Direto da Redação ( http://www.diretodaredacao.com/noticia/argentinos-dizem-nao-aos-eua )

Hallan más de 180 fosas comunes en Colombia

Según la Fiscalía colombiana, los cadáveres encontrados hasta el momento en las fosas comunes de Chocó, Antoquia y Caquetá son de personas ejecutadas por paramilitares de las Autodefensas Unidas de Colombia (AUC).

Al menos 181 fosas comunes fueron halladas en varios sectores selváticos de Colombia por las autoridades; 180 se ubicaron en los departamentos de Chocó y Antioquia (noroeste), mientras que el otro lugar de entierro clandestino fue localizado en Cartagena del Chairá en el Caquetá (suroriente).

Las fosas comunes de Chocó y Antioquia fueron dadas a conocer por el ex jefe paramilitar Freddy Rendón, alias "El Alemán", que guió a las autoridades hasta esas zonas donde se presume que estén enterradas 150 personas.

"El Alemán" acompañó a los investigadores de la Unidad Nacional de Fiscalías a los lugares donde, según sus confesiones, fueron enterradas personas asesinadas entre 1995 y 1997.

En el hallazgo también participaron otros cabecillas de las Autodefensas Unidas de Colombia (AUC), actualmente detenidos junto a Rendón, como Carlos García, alias "Fuete", y William Soto. Todos fueron trasladados desde la cárcel de máxima seguridad de Itagüi en Antioquia para que señalaran el lugar a excavar.

"El Alemán" y los miembros de su bloque, más de mil 500, se desmovilizaron entre abril y agosto de 2006.

El corresponsal de teleSUR en Colombia, Felipe Sinesterra informó este miércoles que tras el hallazgo de las fosas comunes "familiares de las víctimas entre 1995 y 1997 se reúnen con organizaciones sociales, que están en contacto con la Fiscalía para determinar los nombres de las víctimas una vez que se produzca la identificación" de los cadáveres.

Señaló que "se espera que en los próximos días se puedan conocer la ubicación de nuevas fosas comunes".

El número de víctimas de la vieja coalición de paramilitares es de 173 mil 183, según datos de la Unidad Nacional de Fiscalías para la Justicia y la Paz, una jurisdicción especial de la Fiscalía General instituida en la Ley de Justicia y Paz, norma adoptada en 2005 como marco para la reinserción social de los ex miembros desmovilizados de las AUC.

Además de los homicidios, los paramilitares desaparecieron a 34 mil 467 personas, extorsionaron a tres mil 532, secuestraron a tres mil 527 y ejercieron violencia sobre 677 mujeres, informó la Fiscalía.

El Ministerio Público de Colombia tiene constancia de que las AUC cometieron mil 597 asesinatos.

Fosa en Caquetá

La Fiscalía de Colombia reveló este miércoles las primeras fotos de la fosa común que se encuentra en Cartagena del Chairá en el departamento de Caquetá y según informaron las autoridades del organismo se han hallado ocho cadáveres, entre ellos siete del género masculino.

Tras este hallazgo, el Cuerpo Técnico de Investigación (CTI) de la Fiscalía presentó el pasado 4 de junio un informe en el que indicó que en el lugar podrían encontrarse al menos 100 cuerpos, que "pertenecían a víctimas de los paramilitares".

Asimismo, indicó que esta fosa es una de las "más grandes halladas" por la Fiscalía en los últimos años y que los agentes deshicieron mil pozos de sondeo para buscar los restos humanos.

Los restos óseos permanecen en los laboratorios de identificación especializada del CTI.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/2012/06/13/hallan-mas-de-180-fosas-co... )

Falsa Reportagem Sobre a Saúde de Hugo Chávez

Falsa Reportagem Sobre a Saúde do Presidente da Venezuela Hugo Chávez

Eva Golinger – Postcards from the Revolution – 30/05/2012

O Presidente venezuelano Hugo Chávez foi diagnosticado com câncer e um tumor maligno foi removido de sua região pélvica em junho passado. Todos os tipos de rumores, mentiras e especulações têm circulado sobre sua saúde. A maior parte da campanha publicitária vêm da imprensa anti-chavista, tais como Miami Herald e vários blogs online coordenados por extremistas de direita como o ex-Secretário-Assistente de Estado de Bush, Roger Noriega, que tem estado obcecado com Chávez há anos. Todos se referem a fontes anônimas que alegam ter “informação de dentro” sobre a saúde do Chefe do Estado venezuelano.

Pouco surpreende que as manchetes dessas mídias, conhecidas por suas distorções de longa data sobre a realidade da Venezuela, publicassem tais falsidades e relatos mórbidos sobre o Presidente Chávez. Mas que um jornalista investigativo veterano e sério como Dan Rather iria entrar na narrativa necrófila sobre o Presidente venezuelano é realmente decepcionante.

Rather, que agora dirige seu próprio programa na HDNet, Dan Rather Reports, publicou uma notícia na quarta-feira, 30 de maio, alegando que a saúde do Presidente Chávez está “terrível” e “entrou no estágio final”. Rather também afirma que sua fonte não identificada de “alto nível” disse-lhe que Chávez não viverá “mais do que uns poucos meses no máximo”. Em seu breve informe, o qual ele chama de “exclusivo”, Rather também aposta em sua linguagem tendenciosa, ao chamar o Presidente venezuelano eleito democraticamente de “ditador”.

O que levou Dan Rather a escrever tal diatribe? Por que ele se juntaria às fileiras de Roger Noriega, do desditoso Miami Herald e de uma série de pseudo-jornalistas babando seus sonhos mórbidos a respeito do enfraquecimento da saúde do Presidente Chávez?

O que é aparente é que Rather teve pressa em “disparar” a estória “exclusiva” dele. Exatamente um dia antes, o Presidente Chávez dirigiu uma reunião de gabinete transmitida ao vivo em televisão que durou mais de quatro horas. O dirigente do Estado venezuelano apareceu energizado, otimista e focado em suas atribuições, e até cantou algumas canções, como é costumeiro fazer o eclético e carismático Chávez. Ele reafirmou sua candidatura para as eleições presidenciais de 7 de outubro. (Sim, a Venezuela é uma democracia!). Muito diferente de se estar em seu “leito de morte”, como Rather sugere.

O Presidente Chávez de fato tem câncer. Ele foi o primeiro a informar sobre sua saúde, e tem se mantido aberto sobre o seu tratamento e recuperação desde sua primeira operação em junho passado para remover um tumor inicial. Chávez então foi submetido a cinco sessões de quimioterapia – quatro das quais foram feitas em Cuba. Estava se recuperando bem e até atuou como anfitrião em uma cúpula histórica importante em Caracas em dezembro último para inaugurar a recém-formada Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe (CELAC), na qual todas as 33 nações da região estão representadas.

Mas, no início de fevereiro, Chávez anunciou que um segundo tumor, de tamanho menor, havia sido detectado na mesma área de sua região pélvica, e teve que ser removido. Ele novamente retornou a Cuba para uma cirurgia, e subsequentemente recebeu várias rodadas de terapia de radiação. De acordo com Chávez, não havia metástase, e nenhum de seus órgãos foi afetado. Em 11 de maio, ele retornou à Venezuela depois de completar o tratamento e expressou seu otimismo na recuperação. “Estou no avião... voltando à Pátria venezuelana. Com mais otimismo do que nunca! Viveremos e venceremos!” Disse Chávez em mensagem de twitter naquele dia.

Desde então, o Presidente venezuelano tem participado em várias reuniões televisionadas e telefonado para diferentes programas de notícias para discutir suas políticas e fornecer atualizações sobre sua saúde. Ele admitiu que não pode mais ser o “trabalhador compulsivo” que era antes, e agora deve limitar-se a uma jornada de 8 horas diárias, assegurando que mantém sua dieta e dorme o tempo devido. Mas antes desse susto em sua saúde, Chávez era um super-presidente, aparecendo na televisão em eventos públicos durante horas – às vezes até por oito horas – e participando em três ou quatro atividades diariamente, geralmente em partes diferentes do país. Ele raramente dormia, e bebia quantidades excessivas de café preto adoçado. Trabalhava até altas horas da madrugada e ouvia a todos e atendia a cada pedido. Seu nível de energia era extremo, tanto quanto a sua ansiedade e comprometimento para continuar a reconstrução da Venezuela e assegurar suas políticas para reduzir a pobreza e atender aos mais necessitados.

Agora, como Chávez concorre ao seu terceiro mandato integral, seu ritmo não é mais exagerado, mas certamente é igual ou superior ao de seus homólogos. Mesmo ao longo de seus tratamentos contra o câncer, o Presidente Chávez esteve à frente de suas atribuições, informando ao público via televisão e twitter sobre questões de orçamento e novos projetos em andamento. Ele nunca deixou a bola cair, apesar da severidade de sua condição.

Chávez tem câncer, e ele está lutando muito, com a mesma força que usa para impelir sua nação adiante, geralmente contra os obstáculos os mais difíceis. Mas o Presidente Chávez não está “fora do jogo”, como Dan Rather morbidamente afirma. As pesquisas o mostram com uma vantagem de dois dígitos sobre o candidato presidencial da oposição, Henrique Capriles Radonski, um neoconservador conhecido por seu papel violento em abril de 2002 no golpe de estado contra Chávez. A maioria dos venezuelanos sabem – e amam – o Presidente Chávez por sua imensa humanidade e seu comprometimento apaixonado por melhorar suas vidas. E eles vão votar nele outra vez.

Dan Rather sempre enfatizou a necessidade de “coragem” na comunicação, no entanto mostra covardia e ambição enlameada ao apressar-se em noticiar informações não confirmadas sobre a saúde do Presidente Chávez, e alardeando epítetos caluniosos para descrever o dirigente do Estado venezuelano. Ele também demonstra uma completa falta de respeito pela pessoa humana do Presidente Chávez ao perpetuar rumores horríveis sobre sua morte. O senhor Rather parece ter deixado sua ética jornalística e seus princípios para trás, e escolheu – pelo menos neste caso – ser um peão do jornalismo marrom.

Fonte: http://www.chavezcode.com/

TV recebeu dinheiro público para manipular eleições mexicanas

Televisa recebeu dinheiro público para manipular eleições mexicanas, diz jornal
Guardian afirma ter recebido documentos com estratégias e pagamentos para enaltecer Peña Nieto e prejudicar campanha de Obrador em 2006

A Televisa, maior rede de televisão do México, é acusada de ter recebido dinheiro público em troca de uma cobertura ampla e favorável ao candidato à Presidência Enrique Peña Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional) em seus programas jornalísticos e de entretenimento, enquanto este era governador do Estado do México e já preparava sua atual estratégia eleitoral.

Além disso, a rede de TV é acusada de ter promovido, na eleição presidencial passada, em 2006, uma campanha com o objetivo de prejudicar a imagem de Andrés Manuel Lopez Obrador, do PRD (Partido da Revolução Democrática), principal rival de Peña Nieto e derrotado na ocasião por apenas 0,68% dos votos a menos do que Felipe Calderón.

A informação diz é do jornal britânico The Guardian, que afirmou ter recebido cópias de uma série de documentos de um funcionário da própria Televisa. E que, embora não tenha como confirmar a autenticidade do papéis, realizou extensas verificações cruzadas entre os nomes, as ações de mídia e situações mencionadas se alinham com o conteúdo obtido.

A Televisa afirma, em comunicado, que os documentos são falsos, “pouco profissionais e sem rigor jornalístico”. Para ela, o Guardian deveria se desculpar publicamente. Por sua vez, Peña Nieto desqualificou o jornal, dizendo que as provas carecem de autenticidade. “Trata-se de uma repetição da mesma informação que o PRD anunciou no primeiro debate” e que todas as suas ações de propaganda enquanto governador foram “transparentes” e “seguiram a lei”.

A eleição presidencial mexicana será disputada em turno único, no dia 1º de julho, e o próximo chefe de Estado governará o país por seis anos, sem direito à reeleição. Peña Nieto lidera as pesquisas, mas Obrador tem ganho terreno a cada semana, em parte impulsionado pelo movimento popular #Yo Soy 132, que critica a relação do candidato do PRI com a mídia, especialmente a Televisa.

O conteúdo

Os documentos, que consistem em uma série de arquivos de computador, incluem um esboço das taxas cobradas, aparentemente para enaltecer a atuação de Peña Nieto quando este foi governador do Estado do México.

Além disso, os documentos também mostram o envolvimento do ex-presidente Vicente Fox (2000-2006), do PAN (Partido da Ação Nacional), que embora seja do PAN, declarou apoio a Peña Nieto nesta semana, em detrimento à candidata de seu partido, Josefina Vásquez Mota. Segundo o Guardian, Fox teria chegado a um acordo com a Televisa e a TV Azteca, as duas principais redes de TV do país, para impedir que Obrador chegasse à Presidência em 2006, quando perdeu por muito pouco para Felipe Calderón, também do PAN. Até hoje, Obrador e seus seguidores acusam a eleição de ter sido fraudulenta.

A estratégia de como derrotá-lo na ocasião estava detalhadamente explicada em um PowerPoint, na véspera do dia 4 de abril de 2005, quando Fox teria se encontrado com os representantes dos dois grupos de mídia. Fox se encontrava estava em uma virulenta disputa política contra Obrador, então prefeito da Cidade do México. Para esse acordo, Fox teria repassado às TVs recursos públicos, destinados à propaganda oficial das ações da Presidência.

Entre as ações de mídia, a Radar sugeriu que Fox declarasse luto nacional em razão da morte do papa João Paulo II (morto em 2 de abril de 2005), o que ele fez, para apaziguar o clima de confronto político. Também propôs que as TVs realizassem matérias sobre a criminalidade na capital, envolvendo casos envolvendo celebridades locais, além de relembrarem casos de corrupção envolvendo ex-aliados de Obrador – o que também aconteceu. Outra recomendação contida no documento orientava que, no programa humorístico El Privilégio de Mandar, o personagem que representava o candidato do PRD parecesse “desajeitado” e “despreparado”.

Um ex-funcionário da Televisa, que o Guardian afirma não ser a mesma fonte dos documentos, afirma que participou de encontros onde a estratégia anti-Obrador foi amplamente discutida. “Essa estratégia existiu, assim como existiu um cliente que pagou muito dinheiro”.

Essa mesma fonte afirmou que a Televisa estava contente em patrocinar atualmente a campanha de Peña Nieto, por considerá-lo “o melhor produto”, embora isso não significasse um pacto de lealdade a longo termo. Ele lembrou também que as relações entre a TV e Obrador estavam normalizadas antes do início da atual campanha. “Nunca se esqueça de que estamos falando de negócios. A lealdade é com o cargo [de presidente], nunca com a pessoa”.

Fox e outros políticos citados no documento se recusaram a falar com o Guardian.

Ex-amante

Os documentos, segundo o Guardian, tem grande possibilidade de serem originários da agência de propaganda Radar Servicios Especializados, dirigida por Alejandro Quintero, um dos vice-presidentes da Televisa. Isso porque eles foram salvos no nome de Yessica de Lamadrid, na época funcionária da Radar e amante de Peña Nieto, quando este era casado com sua primeira esposa, já falecida – o candidato e Lamadrid chegaram a ter um filho, que morreu de câncer aos dois anos. Ela trabalhou na campanha de Peña Nieto para governador em 2005.

Perguntada pelo Guardian, Lamadrid disse acreditar que os documentos são falsos, pois as ações de mídia citadas pelo jornal nunca existiram.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22323/televisa+recebeu+di... )

Colômbia: maior número de sindicalistas assassinados em 2011

Colombia registra el mayor número de sindicalistas asesinados en 2011

Condiferentes acciones los colombianos rechazan los homicidios. (Foto: laradiodelsur.com)

Miembros de la Confederación Sindical Internacional (CSI) destaca a Latinoamérica como la “región más peligrosa para los líderes de los trabajadores". Precisaron que por realizar actividades sindicales en 2011 fueron asesinadas en Colombia 29 personas.

La Confederación Sindical Internacional (CSI) divulgó un informe este miércoles en el que precisa que al menos 76 personas fueron asesinadas en el mundo por realizar actividades sindicales en 2011 y destaca que 29 homicidios se registraron en Colombia.

La coordinadora del texto sobre violaciones de los derechos sindicales de la CSI, Sara Hammerton, señaló que con 56 sindicalistas asesinados el año pasado Latinoamerica es “región más peligrosa para los líderes de los trabajadores”.

Hammerton agregó que 29 muertes ocurrieron en Colombia y otras 10 en Guatemala, con respecto a 76 asesinatos de sindicalistas registradas en todo el mundo el año pasado.

Acotó que en 2011 se reconoció por primera vez la responsabilidad del Estado colombiano, a través de un fallo judicial, en la muerte de un sindicalista, hecho ocurrido en 2004.

En tal sentido, Sara Hammerton subrayó que los homicidios son extremadamente grave y recordó que 184 fueron los líderes sindicales asesinados en el país suramericano en 2001.

Resaltó que el segundo caso latinoamericano que más preocupa a la Confederación Sindical Internacional es el de Guatemala, que "sigue a Colombia de cerca y se convierte también en un país muy peligroso para los sindicalistas".

"Cuando hay un sindicalista que es asesinado no hay ninguna investigación para encontrar al responsable y determinar cómo ocurrió. Este es un gran problema en Guatemala", manifestó la coordinadora del informe.

Por su parte, la secretaria general de la CSI, Sharan Burrow, indicó que el grupo más vulnerable de trabajadores lo constituyen cerca de 100 millones de trabajadores y trabajadoras que apenas conocen sus derechos y no disponen de ningún medio para defenderlos.

De acuerdo con un reciente estudio del Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo (Pnud), Colombia es uno de las naciones con peores índices tanto de libertad sindical, como de derechos laborales.

Realizadores de la investigación contabilizaron más de dos mil 800 homicidios de sindicalistas y trabajadores sindicalizados entre 1984 y 2011.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/2012/06/06/colombia-registra-el-mayor... )

Gilmar Mendes afronta venezuelanos com "profunda ignorância"

Gilmar Mendes afronta venezuelanos com "profunda ignorância", diz embaixador
Ministro do STF acusou Hugo Chávez de perseguir magistrados

Diplomatas venezuelanos criticaram nesta quarta-feira (30/05) declarações dadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil Gilmar Mendes ao jornal O Globo. Referindo-se a "ações orquestradas contra o Supremo", o magistrado afirmou que o Brasil não poderia se comportar como a Venezuela, país onde seu líder, Hugo Chávez, supostamente "mandou até prender juiz".
De acordo com o embaixador venezuelano em Brasília, Maximilien Arveláiz, Mendes teria agido de forma "ignorante" e "indecorosa". Em nota emitida pela embaixada, o diplomata diz que "as declarações do ministro do STF Gilmar Mendes ao jornal O Globo, se de fato ocorreram, constituem uma afronta à população venezuelana”, o que demonstra “profunda ignorância sobre a realidade” do país.
Desde terça-feira (29/05), Gilmar Mendes tem declarado à imprensa seu incômodo com a suposta atitude do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um possível encontro dos dois com o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. De acordo com uma reportagem publicada pela revista Veja, Lula teria pedido a Mendes que postergasse o julgamento do mensalão.

Leia abaixo a íntegra da ​nota emitida pela Embaixada da Venezuela no Brasil:

Nota oficial Embaixada da República Bolivariana da Venezuela
As declarações do ministro do STF Gilmar Mendes ao jornal O Globo, se de fato ocorreram, constituem uma afronta à população venezuelana, e demonstram profunda ignorância sobre a realidade de nosso país.
Nossa Constituição, elaborada pela Assembleia Constituinte e referendada pelas urnas, determina a separação de poderes, estabelece direitos de cidadania e configura os instrumentos judiciais cabíveis, ou seja, o presidente da Venezuela não manda prender cidadão algum, independentemente do cargo que ocupe.
Recorrer à desinformação para envolver a Venezuela em debates que dizem respeito apenas aos brasileiros é uma atitude indecorosa - ainda mais partindo de um ministro da mais alta corte da nação irmã - e não reflete a parceria histórica entre Brasil e Venezuela.

Maximilien Arveláiz

Embaixador da República Bolivariana da Venezuela no Brasil

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22166/gilmar+mendes+afron... )

Após protestos, candidato da esquerda ganha força no México

Andrés Manuel López Obrador cresce nas pesquisas e desbanca segundo lugar
O GLOBO
COM EL PAÍS E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

REUTERS
CIDADE DO MÉXICO — Ao que tudo indica, as recentes manifestações estudantis têm surtido efeito no México. Enrique Peña Nieto, candidato favorito para ganhar as eleições presidenciais no dia 1º de julho, perde pontos percentuais pela primeira vez em uma pesquisa divulgada nesta terça-feira. Apesar da grande vantagem, Peña Nieto tem 35,6% das intenções de votos, contra 20,5% do esquerdista Andrés Manuel López Obrador (PRD). É seu pior índice desde o início da campanha, em março.

Segundo a sondagem da empresa Mitofsky, o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) tem 2,3 pontos percentuais a menos que no último levantamento, realizado na semana passada. A grande surpresa é o crescimento de Obrador, que se mantém pela segunda semana consecutiva como segundo candidato, com 1,2 pontos percentuais a mais que na última semana. A candidata do partido governista (PAN), Josefina Vázquez Mota teria apenas 20,4%. Nesta segunda-feira, outra pesquisa nacional, realizada pelo Instituto Ipsos Bimsa, colocava Peña Nieto em primeiro lugar, com 36% dos votos, seguido por López Obrador com 24%.
Há oito meses, poucos haveriam apostado nas possibilidades de eleição de Andrés Manuel López Obrador, ou AMLO, com é conhecido no país. Depois de perder as eleições em 2006 para o atual presidente Felipe Calderón por apenas 0,56% dos votos — uma derrota que ele nunca aceitou —, o político, de 58 anos, passou a ser visto como uma figura do passado, sinônimo de controvérsia. Agora, a pouco mais de um mês das urnas, AMLO desbancou o segundo lugar da candidata do PAN e vem reduzindo a distância de Penã Nieto.
Manuel Camacho Solís, líder da esquerda, considera que a corrida presidencial será decidida apenas entre os dois primeiros candidatos: “Se a distância entre o candidato do PRI e AMLO diminuir a cinco pontos percentuais de diferença, a eleição será uma incógnita”.
Estudantes “revoltados” vão às urnas
Os estudantes são os grandes protagonistas das próximas eleições. Enganados e ignorados, são os chamados “estudantes revoltados”, a maioria de universidades privadas, que estão cansados de uma democracia desvalorizada, e têm ido às ruas para protestar contra a corrupção, os atuais partidos políticos e a manipulação informativa das grandes redes de televisão.
O estopim para uma cadeia de protestos começou no dia 11 de maio, quando o candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, foi vaiado durante um comício na Universidade Iberoamericana. Em meio a gritos de “fora, fora” e “assassino”, Peña Nieto acabou deixando a palestra. Nove dias depois do incidente, estudantes das maiores universidades privadas do país se uniram aos da Universidade Iberoamericana na Marcha Anti-EPN (iniciais do candidato) que levou milhares de mexicanos — perto de 46 mil, segundo os organizadores — às ruas de Cidade do México para mostrar sua oposição ao favorito nas pesquisas das eleições presidenciais.
Em outro golpe para o partido, a justiça americana apreendeu, há alguns dias, os bens do governador de Tamaulipas, Tomás Yarrington, que haviam sido comprados com supostas propinas de uma facção de traficantes. O PRI decidiu, no último fim de semana, suspender os direitos de Yarrington enquanto ele está sendo investigado.

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/mundo/apos-protestos-candidato-da-esquerda-ganha...)

CVC Bloqueia viagens a Cuba e especula com mercado de ações

Depois de comprada pela Carlyle, um chamado Fundo Global americano, em 2009 a agencia de viagens CVC, a maior do Brasil, suspende todos os pacotes a Cuba.

Hoje pela manhã, nosso Jornal ligou para o telefone (11) 2191-8410 da CVC e a atendente informou que não opera mais com Cuba. Perguntamos se era em função do bloqueio americano e ela, gentilmente ..., confirmou que deixou de operar com Cuba justamente por conta do bloqueio americano à Cuba.

Histórico

O fundo 'private equity' americano Carlyle acertou em dezembro de 2009 a compra da CVC, maior agência de turismo do Brasil. A transação avaliou a CVC em um bilhão de reais. O fundo americano passou a controlar a agência, com cerca de 60% do capital, e seu fundador, Guilherme Paulus, tornou-se acionista minoritário.

Agora, março de 2012, o Carlyle Group LP e Guilherme Paulus, acionistas da CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens SA, querem que a operadora de turismo seja avaliada em mais de R$ 6 bilhões na venda de parte das ações, de acordo com duas pessoas diretamente ligadas ao assunto. Uma avaliação destas, ou seja, uma avaliação de muito mais de 6 vezes em 2 anos, só pode ser mágica ou, o que é comum vindo dos EUA, uma enorme especulação para retirar do pais o que pode usando a bolsa de valores e o custo zero do dinheiro nos EUA.

Vale a pena declarar boicote a agência CVC de turismo, aliás Carlyle Group LP, e investigar este lançamento de ações na bolsa.

O que é o Carlyle Group?

O Carlyle Group negociou a compra da CVC por cerca de dois anos. Para o fundo americano, há vários motivos para a aquisição. A CVC é a maior operadora de turismo do Brasil em número de fretamentos aéreos – 5.400 voos charters em 2008. Possui 400 lojas e 8.000 agências de viagens credenciadas pelo país, e opera viagens para mais de 80 destinos nacionais e no exterior. Mas à parte do lucrativo negócio, quais os reais motivos da compra feita pelo Carlyle Group?

O Grupo Carlyle é a maior corporação de investimentos de capital do mundo, com amplas ramificações políticas que afetam nosso cotidiano. É uma das maiores contratantes mundiais da indústria de militar de defesa e telecom, dentre outras. O Carlyle Group foi iniciado em 1987 por Steven Morris, um membro da familia que controla a Marriot Corporation – gigante da indústria de hoteis. Seu conselho de administração é composto por políticos, ex-políticos bem como servidores públicos de governos do mundo inteiro. Frank Carlucci, Secretário de Defesa durante o governo Reagan foi ex-presidente do Conselho, assim como o ex-Diretor da CIA e ex-Presidente George H. W. Bush, que atualmente ocupa o cargo de Conselheiro Sênior. Outro ex-presidente do grupo, Louis V. Gerstner, Jr. é um conhecido membro do clube Bilderberg.

Fonte: REDE DEMOCRÁTICA ( http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=1472... )

EUA multam Ericsson por violar bloqueio a Cuba

EUA multam Ericsson por violar bloqueio a Cuba

De Opera Mundi

EUA multam Ericsson em US$ 1,5 milhões por romper bloqueio a Cuba

Celulares da fabricante eram enviados para assistências-técnicas norte-americanas

A sucursal do Panamá da Ericsson, maior fabricante do setor de celulares, terá que pagar uma multa de 1, 55 milhões de dólares ao Departamento de Comércio dos EUA por violar os bloqueios de exportação impostos pelo país contra Cuba.

De acordo com o documento obtido pela Reuters, a pena foi anunciada na última quinta-feira (24/05), mas ainda não foi publicada oficialmente. A sentença revela que a sucursal panamenha da companhia enviava equipamentos danificados de Cuba para assistências técnicas dos EUA.

Por pressão da diplomacia norte-americana, a Ericsson do Panamá confessou voluntariamente suas práticas dentro do mercado cubano de comunicação móvel e concordou com a multa estabelecida.

No texto, consta que a companhia “sabia que as exportações dos EUA a Cuba eram ilegais, já que havia sido informada por sua matriz sobre a restrição imposta pelo país a Cuba”.

O porta-voz da Ericsson, Federico Hallstan, se pronunciou na sede da companhia, na Suécia, e disse que “este não era o procedimento padrão” da empresa. Mais além, ele assegurou que os procedimentos “já foram modificados”.

Os três empregados que supostamente lideraram essas negociações com Cuba foram despedidos depois que o plano veio à tona dentro da companhia. Os EUA perseguem por todo o planeta os contratos de qualquer empresa ou sucursal norte-americana que mantenha relações com Cuba. Isso em virtude de um bloqueio econômico, financeiro e mediático que dura mais de 50 anos.

Fonte: Blog do Nassif ( http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/eua-multam-ericsson-por-violar-... )

Lançamento Agenda Colômbia Brasil/Rio de Janeiro

Prezad@s companheir@s e amig@s

É com muita alegria que a Casa da América Latina, repassa esse importante convite. Precisamos unir esforços na solidariedade ao povo colombiano, que tem sido refém de um Estado de repressão, assassinatos, deslocamentos e desaparecimentos.
A solidariedade é dos povos. Não à violação sistemática e permanente dos Direitos Humanos.
Se possível faça essa divulgação para seus contatos.

Saudações Latino Americanas

Quarta-feira 30 de maio de 2012 às 18h
Centro Cultural do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB)
Rua Teixeira de Freitas nº5, sala 301
Lapa, Rio de Janeiro, RJ

Abraços fraternos!

#Yosoy132: levante estudantil motiva "primavera mexicana"

#Yosoy132: levante estudantil motiva "primavera mexicana" antes das eleições

Em uma sociedade sufocada pela violência, movimento espontâneo arrebata as estruturas do país

No México, a campanha para as eleições presidenciais de 1 de julho caminhava sem emoções. Após um mandato de cinco anos de Felipe Calderón, conquistado após suspeitas de fraude e marcado pelo salto da violência do crime organizado, a população parecia apática. Até que chegou o dia 11 de maio. Em uma universidade privada, aos gritos de “Assassino!” e “Fora daqui”, centenas de estudantes da UIA (Universidade Iberoamericana), instituição jesuíta bastante influente e considerada um baluarte conservador, expulsaram o candidato do PRI (Partido Revolucionário Institucional), Enrique Peña Nieto.

Dali em diante, um movimento espotâneo, denominado “Yo Soy 132” (Eu sou 132), arrebatou o México. Predominantemente juvenil, apesar de reunir integrantes de todas as camadas da população em seus protestos – nas ruas e nas redes sociais –, a movimentação que surpreendeu o país acendeu as esperanças de que uma “primavera mexicana” está em curso.

Tido pela grande maioria dos meios de comunicação mexicanos como o favorito, até antes da campanha presidencial, Peña Nieto foi pego de surpresa. Os estudantes lembraram os seis anos do massacre de Atenco, quando uma operação policial no Estado de México, cujo governador era o presidenciável, deflagrou uma repressão brutal para desarticular a FPDT (Frente de Povos em Defesa da Terra) em sua luta contra a construção de um aeroporto em Texcoco. Dois jovens foram mortos e mais de 207 presos. Quarenta e sete mulheres foram violentadas sexualmente, de acordo com a CNDH (Comissão Nacional de Direitos Humanos). Nenhum dos culpados foi punido.

O PRI reagiu ao ataque a Peña Nieto e acusou a universidade de ter sido manipulada por um grupo de provocadores e inimigos políticos infiltrados. Os principais meios de comunicação fizeram coro. Em resposta, 131 estudantes gravaram um vídeo em que mostram a carteira de estudante, desmentindo as acusações. Em questão de horas o “Yo Soy 132” eclodiu na web e manifestações contra Peña Nieto e os meios de comunicação hegemônicos foram agendadas.

“Sou bonita, mas não idiota!” dizia a faixa de Karina, vestida com roupas de marca. Com um sorriso no rosto, a estudante da UIA explica porque foi à marcha de quarta-feira (23/05), em repúdio à imprensa: “Essa é a primeira vez que participo de um movimento como esse. Sou de uma geração que cresceu nas redes sociais e em um país oprimido por informações manipuladas. Quando percebemos como Peña Nieto e suas emissoras quiseram esconder nossa indignação, a resposta surgiu automaticamente”, contou ao Opera Mundi.

A jovem ressaltou que a onda de protestos é ainda incipiente, mas lembrou que pode crescer ainda mais. “É evidente que as reivindicações são muitas, mas finalmente saímos às ruas para expressá-las juntos. Penso que existem ainda mais pessoas que querem mudanças neste país, muito mais do que os que estão aqui [na marcha]. O futuro é nosso e já se foram os tempos de autoritarismo.”

Já são milhares de estudantes e jovens nas ruas do país sob o grito de “Estudantes informados, jamais manipulados”. Organizada nas redes sociais com a ajuda do Twitter, Facebook e Youtube por alunos de universidades públicas e privadas, a mobilização estudantil das últimas semanas representa o evento mais interessante da campanha presidencial. As mobilizações se repetem em vários estados: #Yosoy132 #Córdoba #Guadalajara #Jalapa #León #Pachuca #Puebla #Querétaro #Saltillo #Tijuana são as hashtags mais usadas no Twitter.

Peña Nieto recebeu críticas dos estudantes da Ibero e não soube contestá-las. Defendeu sua decisão repressora em Atenco afirmando que, “nesse caso, tomou a decisão de usar a força pública para recuperar a ordem e a paz”. No final do evento, sob as vaias dos jovens, chegou a se esconder em um banheiro da universidade antes de escapar pelas portas dos fundos. VEJA O VÍDEO ABAIXO

A resposta dos principais meios de comunicação foi imediata. Encabeçados pela Televisa, a principal emissora do México, acusaram os estudantes de terem sido pagos pelo candidato da esquerda, Andrés Manuel López Obrador, e de terem agido como provocadores antidemocráticos. Além disso, alguns expoentes do PRI chegaram a ameaçá-los. Esse foi o caso do líder nacional do partido, Pedro Joaquín Coldwell, que disse que “esses jovens provocadores pagos para importunar deveriam ser investigados”.

Raúl, estudante do ITAM, diz desejar destacar o caráter amplo da luta estudantil. “Todos somos estudantes e não massa de manobra. Queremos estimular a consciência crítica por meio da cidadania e de uma informação livre e respeitosa com a realidade. Assim, cada um poderá eleger livremente o que quer. Mas deve haver informação livre. Este movimento está aqui para denunciar todo tipo de prática jornalística de ‘desinformacão’”.

Em meio a uma campanha eleitoral que era tida como decidida de antemão, dado o orçamento do PRI, os fundos de seu candidato, e o apoio da Televisa, os estudantes surgiram na opinião pública em resposta a um fato que parecia marginal.
União

Na marcha estão todos presentes: estudantes da Ibero com os da UNAM, do Instituto Politécnico Nacional, da Universidade Autônoma Metropolitana, da Universidade Autônoma da Cidade do México, do Claustro de Sor Juana, da TEC de Monterrey, do ITAM e da ANÁHUAC. Todos unidos em uma crítica à manipulação da informação, à desonestidade dos meios de comunicação e ao apoio dado por eles a Peña Nieto. Camponeses de Atenco, atacados em 2006 por Peña Nieto, também participaram.

Alberto Navarrete, estudante da Ibero, explica, erguendo seu cartaz: “O monopólio televisivo idiotiza! E Peña Nieto, além de ser ignorante e repressor, não está à altura de governar este país. Não sou de esquerda, nunca votei na esquerda. Só estou farto dessas mentiras, dessa arrogância e ignorância. Não somos minoria. Se levarmos em conta os jovens com idade entre 18 e 30 anos, somos a maioria no México e vão ter que nos escutar”.

História

De fato, quase toda a totalidade da população nasceu em um México priísta quando, de 1929 a 2000, o presidente designava seu sucessor, e as eleições era um mero trâmite. Contudo, nas duas últimas eleições, outro partido conseguiu chegar ao poder, o PAN (Partido da Ação Nacional). A "transição à democracia", como foi chamado o momento no México, não trouxe ganhos sociais e colocou o país em um espiral de violência.

Com essa conjuntura, o PRI pretendia captar o voto jovem. Um em cada quatro eleitores tem menos de 29 anos e mais de 13 milhões votarão pela primeira vez. No entanto, a reação dos estudantes a Peña Nieto mostra que não se esqueceram da história e que são, de fato, um nicho de voto poderoso.

De acordo com o professor Lorenzo Meyer, docente do Colégio do México, presente à marcha de quarta-feira, “um incidente trivial” na Ibero trouxe tudo à superfície, quase como o que aconteceu na Tunísia, quando Mohammed Bouazizi, farto da repressão se imolou e desencadeou uma revolução. “No mínimo, estamos diante de uma primavera mexicana”, sentenciou Meyer.

Na opinião do jornalista da publicação semanal Proceso Jenaro Villamil tudo é muito claro: “A primavera mexicana, ainda que muitos digam o contrário, é um movimento antiautoritário, como a primavera de Praga, como o maio francês, como a primavera árabe. Estão conduzindo uma mobilização contra o autoritarismo, algo que não mudou neste país com a estrutura monopólista da informação”

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/22082/%23yosoy132+leva... )

Paraguaios se mobilizam na web e nas ruas contra deputados

Paraguaios se mobilizam na web e nas ruas contra abuso de deputados

Manifestação lembrou o Março Paraguaio, quando a população conseguiu derrubar o governo de Raúl Cubas

Os cidadãos que se reuniram na Praça de Armas de Assunção, em frente ao Congresso Nacional, na noite de sexta-feira (25/05), para protestar contra uma lei criada pelos deputados que destina fundos do orçamento para pagar salários de operadores políticos, esperavam encontrar poucos manifestantes, mas se surpreenderam ao ver o local ocupado por mais de 5 mil pessoas indignadas.

“Essa manifestação não reunirá mais que quatro gatos pingados”, anunciou ironicamente, horas antes do evento, o deputado Magdaleno Silva, do Partido Colorado, um dos legisladores que defendeu publicamente seu “direito” de dispor de verba pública para “dar trabalho aos amigos”.

Mas a realidade surpreendeu a todos. Até mesmo o músico Emilio García e o estudante Maximiliano Urbieta, que lançaram os primeiros convites para a manifestação através de suas contas de Twitter e Facebook, para o ato contra “a roubalheira dos deputados” que denominaram “After Office Revolucionário” (para que as pessoas fossem à praça após a saída do trabalho, às 18h), se mostraram assustados pela massiva resposta.

Uma heterogênea multidão fez transbordar a praça. Cidadãos de todas as idades e classes sociais, de crianças e adolescentes até adultos e idosos, passando por secretárias, administrativos, estudantes, artistas, donas de casa, celebridades e ativistas sociais, mas principalmente cidadãos comuns, demonstravam sua fúria contra os “depuchorros” (deputados ladrões), pintavam cartazes, desenhavam mensagens satíricas.

“Eu vim para cá com temor. Havia muito desencanto, ceticismo e passividade da cidadania diante dos abusos. Não esperávamos que tanta gente viesse se manifestar, e os políticos contavam com isso para atuar com impunidade. Mas acabou a paciência. O que aconteceu foi maravilhoso. É como se o Paraguai estivesse outra vez despertando, como em 1999, durante o levante cidadão conhecido como Março Paraguaio, quando assassinaram o então vice-presidente (Luis María Argaña) e a população foi às ruas para derrubar o governo (do presidente Raúl Cubas, deposto no dia 28 de março de 1999)”, disse Gloria Martínez, estudante universitária de psicologia.

A lei que causou tanta indignação popular foi aprova pelo Congresso paraguaio em dezembro de 2011, e previa uma ampliação no orçamento público, que destinaria 215 bilhões de guaranis (R$ 99,8 milhões) à Justiça Eleitoral, para pagar salários de operadores dos principais partidos políticos com representação parlamentária, supostamente contratados para inscrever novos cidadãos ao padrão eleitoral, embora todos saibam que o dinheiro é utilizado para comprar favores políticos.

No último dia 9 de maio, o presidente Fernando Lugo aplicou o veto constitucional para rechaçar a lei, alegando que além de ser imoral, não havia dinheiro nos cofres públicos para pagar tais salários. Mas a lei retornou à Câmara dos Deputados, onde, apesar de todas as críticas, foi novamente aprovada, eliminando uma parte destinada à inscrição de paraguaios residentes no exterior, mas deixando 150 bilhões de guaranis (pouco menos de R$ 68 milhões) para os operadores políticos.

Foi o estopim da ira popular. A praça central da capital foi dominada por cidadãos indignados, desencadeando uma reação de repúdio contra a classe política, como não se havia visto em muitos anos no país. A maioria dos deputados acusados e dirigentes de partidos saiu de cena, e os celulares foram apagados, para não ter que responder aos meios de comunicação, que queriam declarações sobre os protestos. “É uma situação nova é visível o receio dos políticos, porque se encontram diante de uma forma de mobilização cidadã, dessas que derrubam governos”, definiu a cientista política Milda Rivarola.

Tudo indica que o novo movimento dos indignados no Paraguai apenas começou. Já foi convocada uma nova grande manifestação, na noite da próxima quarta-feira (30/05), na mesma Praça de Armas, em frente ao Congresso – com réplicas em várias cidades do interior do país – , que foi anunciada como uma “vigília democrática” para sitiar o Congresso na véspera do dia decisivo, em que os senadores deverão votar entre respaldar o desperdício impulsado pelos deputados ou dar marcha à ré na lei.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22099/paraguaios+se+mobil... )

Producción agrícola de Cuba creció 9,8 por ciento

Producción agrícola de Cuba creció 9,8 por ciento en primer trimestre de 2012

La estatal Oficina Nacional de Estadísticas precisó recientemente que en los tres primeros meses del año la producción de vegetales alcanzó las 465 mil toneladas, superior en 5,3 por ciento al mismo período de 2011. El crecimiento está vinculado a políticas productivas impulsada por el Gobierno de la isla.
La producción agrícola cubana creció en 9,8 por ciento durante el primer trimestre de 2012, con alzas notables en alimentos básicos como el arroz y el frijol, según informó recientemente la estatal Oficina Nacional de Estadísticas (ONE).

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La producción de vegetales en los tres primeros meses del año fue de 465 mil toneladas, superior en 5,3 por ciento al mismo periodo del año anterior, mientras que la de raíces y tubérculos fue 324 mil un 0,2 por ciento más.

El aumento en la producción de alimentos está vinculado a las estrategias impulsadas por el presidente de la nación caribeña, Raúl Castro, que desde el inicio de su administración priorizó el trabajo en tierras ociosas e impulsó una reforma agrícola que incluye el pago de mejores precios a productores y la entrega de créditos con bajos intereses.

En tal sentido, el funcionario adscrito al Ministerio de la Agricultura de Cuba, Pedro Olivera, precisó que desde 2008 el Gobierno ha entregado a los agricultores más de 1,4 millones de hectáreas de tierras estables ociosas, a través de un programa orientado al aumento de la producción de alimentos.

En declaraciones a medios locales, Olivera indicó que “más de un millón 495 mil hectáreas de la superficie ociosa con que contábamos al principio del proceso ha sido entregada y más del 79 por ciento ha sido puesta en producción”.

Añadió que más de 163 mil agricultores se han beneficiado por la entrega de terrenos. Un 59,4 por ciento están dedicados fundamentalmente a la ganadería, mientras que un 23 por ciento a cultivos varios.

Olivera destacó que el Centro Nacional de Control de la Tierra dispone de 901 mil hectáreas ociosas disponibles y que la cifra puede aumentar debido a que todavía “persisten entidades que ocultan esas áreas para no entregarlas al Estado”, por lo que existe “dificultades” en el proceso de reparto de tierras que comenzó hace tres años.

De acuerdo con la Oficina Nacional de Estadísticas de Cuba, la nación caribeña tiene una superficie agrícola de 6,6 millones de hectáreas, de la que hasta 2007 solo unas tres millones estaban cultivadas.

En la víspera los agricultores cubanos celebraron el Día del Campesino con la convicción de aprovechar más las potencialidades de la tierra y los adelantos de la ciencia y la técnica, para incrementar la entrega de alimentos a la población.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/2012/05/18/gobierno-cubano-ha-entrega... )

PIB de Venezuela creció por quinto trimestre consecutivo

El ministro de Planificación y Finanzas, Jorge Giordani, informó este jueves que el país ha acumulado "cinco trimestres consecutivos de crecimiento". Venezuela cerró el primer trimestre del 2012 con un 5,6 por ciento y "entra en una nueva fase de crecimiento", informó Giordani.

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El Producto Interno Bruto (PIB) de Venezuela creció un 5,6 por ciento en el primer trimestre del 2012, acumulando cinco trimestres consecutivos de crecimiento, anunció este jueves el ministro de Planificación y Finanzas de Venezuela, Jorge Giordani.

El titular de la cartera de Planificación y Finanzas detalló que con esto “Venezuela entra en una nueva fase de crecimiento”, explicó que el área que mayor desarrollo ha obtenido en este trimestre es el sector Construcción el cual aumentó “casi el 30 por ciento debido a los programas y misiones sociales, como la Misión Vivienda Venezuela”.

En rueda de prensa conjunta con el presidente del Banco Central de Venezuela (BCV), Nelson Merentes, Giordani explicó que “la inversión social es la base fundamental del crecimiento, y se está evidenciado en casi todos los sectores de la economía".

Afirmó que el índice obtenido en este trimestre, permite prever un crecimiento sostenido para este año y agregó “la tendencia puede estar entre cinco y seis por ciento”.

Giordani destacó que el aumento del PIB de Venezuela "contrasta con otros países en América Latina y en Europa, donde hay una economía de recesión, caracterizada por el alto desempleo”.

Resaltó que "el caso venezolano tiene un rumbo diferente debido a la política social impulsada por el gobierno de Hugo Chávez" y apuntó que la política de integración con los países de América Latina "ayuda a mantener las perspectivas de un crecimiento sostenido que ya les presentamos”.

Asimismo el presidente del BCV, Nelson Merentes describió que la actividad petrolera creció un 2,2 por ciento en este período, la actividades de comunicaciones un siete, los productos textiles en 23,1, los vehículos automotores en 16,5 y productos de plástico y caucho en 15,8 por ciento.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/2012/05/17/con-5-6-del-pib-venezuela-... )

BASES MILITARES DOS EUA NA AMÉRICA DO SUL

BASES MILITARES DOS EUA NA AMÉRICA DO SUL/Walter Goobar
Na Argentina, SIM, foi instalada uma base militar estadounidense
Autores: Indira Carpio Olivo e Ernesto J. Navarro
Data da publicação: 08/05/2012

Em 24 de março de 2012, a página web aporrea.org publicou uma nota de 4 dias antes, de matrizur.org, na qual afirma que o governador da Província de El Chaco, outorgava permissão para a instalação de uma base militar do Comando Sul nesse território argentino(1).
Diz o texto: “O edifício, que será inaugurado este mês, está localizado no prédio do aeroporto de Resistência – capital da Província do norte do Chaco – e encontra-se em sua etapa final de construção, será assim, o primeiro centro de operações na Argentina. Só falta equipá-lo com tecnologia de informática e ceder o lugar para, em seguida, concluir com uma capacitação de pessoal”, disse o comandante estadunidense Edwin Passmore, do Comando Sul, que reuniu-se semanas antes com o governador Jorge Capitanich”.
Dias mais tarde, em 05 de abril, o Chile de Sebastián Piñera, abria as portas a esse mesmo Comando Sul.
Um complexo militar, localizado no Forte Aguayo da comunidade de Concón, região de Valparaíso, a uns 130 quilômetros a noroeste da capital Santiago, foi inaugurado com honras.
Frente aos protestos, quem aparece é o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmando que não é uma base militar operada por seu país, mas sim uma base chilena para treinamento de forças de paz das Nações Unidas (2).
Atualmente o Comando Sul opera bases militares no Paraguai, El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Colômbia e Perú.
Em entrevista ao programa de rádio La Brújula del Sur (3), Walter Goobar, escritor editor do semanário dominical Miradas al Sur e colunista do diário Tiempo Argentino, comentou que o Governo dos Estados Unidos já não chama “bases militares” a essas instalações financiadas pelo Comando Sul, agora em seu novo discurso são denominadas: Deslocamento Cooperativo de Segurança, CSL (iniciais em inglês) ou Deslocamento Adiantado Operativo, FOL.
“O Comando Sul, nos explica, está tentando penetrar em diferentes países com programas que não sejam militares (ajudas para catástrofes, emergências, etc) com os quais se pode evitar as autorizações dos congressos, ou das autoridades nacionais”.
Apesar de o Governador da Província de El Chaco, Jorge Capitanich, negar rotundamente que a instalação cedida ao exército dos EUA seja uma base militar Goobar assinala: “Para mim é óbvio que se trata de instalações militares, financiadas pelo Comando Sul. Quem aparece da parte dos EUA, assinando acordos com o governador do Chaco, é o comandante Edwin Passmore um homem conhecido na Venezuela já que foi expulso por realizar atividades de espionagem, é um homem da inteligência estadunidense”.

CONTROLE DA TRÍPLICE FRONTEIRA
O escritor e analista argentino assegura que a província de El Chaco é altamente transcendental por várias razões, “neste caso específico (uma base) se permite ao Comando Sul o controle de uma zona estratégica que é para onde convergem as fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai e por onde corre o famoso Aqüífero Guarani”.
Ao perder a dianteira política na América do Sul, os Estados Unidos tem uma necessidade de controle do tipo territorial, Goobar agrega que “a instalação de bases em El Chaco e no Chile, permitirá também recrutar forças locais para tê-las sob suas ordens e em sua folha de pagamento”.
Consultado sobre as razões do governador de El Chaco para outorgar a permissão, Walter Goobar nos disse: “Pessoalmente creio que o governador Capitanich está tratando de conduzir uma espécie de política exterior por conta própria. Está contradizendo os postulados básicos da política exterior de Néstor e Cristina Kirchnner”.

CERCADOS?
Em seus artigos (4) Goobar analisa o deslocamento militar do Comando Sul e considera que “sim há razões para preocupar-se. Este deslocamento militar anda de mãos dadas ou no mesmo passo que o deslocamento da Grã-Bretanha no Atlântico Sul, nas ilhas Malvinas, com naves de tipo nuclear”.
“Parte deste deslocamento tem a ver com o Pentágono prevendo algum tipo de crise nos países da ALBA (5) e também com um eventual ataque por parte de Israel e/ou Estados Unidos contra o Irã e a necessidade de ter sob controle seu próprio pátio traseiro”.

DESEMBARQUE MILITAR
A base oferecida ao Comando Sul na Argentina pelo governador de El Chaco sob o eufemismo de “base de ajuda a emergências” está localizada no aeroporto principal da região.
A razão? Walter Goobar explica: “Neste momento, a principal arma dos Estados Unidos são 7.500 aviões não tripulados chamados drones, e para operar estes aviões não é necessário o desembarque de fuzileiros, o único deslocamento militar necessário é um joystick (6), 14 telas de computador e um piloto que seja capaz de voar 3 drones ao mesmo tempo”.
Cuide-se.

PASSMORE
O Coronel cumpriu “tarefas humanitárias” na invasão ao Afeganistão comandando suas tropas. Além disso, foi assessor de Inteligência do ministro da Defesa do Kuwait durante a invasão do Iraque.
Desde 2005 serviu como adido militar na embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, país do qual foi expulso por atividades de espionagem no ano de 2008.
Em fevereiro de 2011, Edwin Passmore foi protagonista da introdução das valises diplomáticas “secretas” que continham aparatos para comunicações secretas, codificação e interceptação de comunicações, equipamentos de posicionamento global (GPS), pacotes de software (suporte lógico) e uma grande lista de substâncias narcóticas e psicotrópicas (7).

Para conhecer a reportagem completa escute a este AUDIO aqui:
http://soundcloud.com/des-union-radio-noticias/entrevista-a-walter-goobar
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indiracarpio.blogspot.com @icarpio / ernestojnavarro.blogspot.com @ernestojnavarro
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Para ampliar as informações:
(1) Argentina: governador do Chaco dá permissão ao Comando Sul para instalar uma base militar de “Ajuda Humanitária” http://www.aporrea.org/tiburon/n201515.html
(2) Em: http://www.soychile.cl/Santiago/Sociedad/2012/04/26/87398/El-secretario-...
(3) La Brújula del Sur é um programa que se transmite na emissora do Ministério do Poder Popular para a Cultura, Alba Ciudad (albaciudad.org, @albaciudad, 96.3 FM) y Radio Rebelde (radiorebelde.info, @radiorebelde915, 91,5 FM), conduzido por Ernesto J. Navarro e produzido por Indira Carpio Olivo.
(4) A página de Walter Goobar: www.waltergoobar.com.ar
(5) Em: http://www.patriagrande.com.ve/temas/internacionales/comando-sur-de-eeuu...
(6) Em: http://www.alegsa.com.ar/Dic/joystick.php
(7) Pode-se ampliar o currículo de Passmore aqui: http://www.contrainfo.com/1171/el-coronel-de-eeuu-que-negocio-con-capita...

Falece no Maranhão o Combativo Neiva Moreira

Neiva Moreira outra bandeira libertária que se vai, aos 94 anos

Às 02:45 hs. desta madrugada (10/05/2012) morreu, em São Luis, sua terra natal, Neiva Moreira, um dos gigantes do nacionalismo brasileiro e latino-americano. Jornalista, deputado, ativista internacional, Neiva, que ia completar 95 anos em outubro, destacou-se no plano nacional como uma espécie de lugar-tenente de Leonel Brizola, a partir da defesa do regime constitucional do presidente João Goulart, em 1964.
Deputado pelo Maranhão, secretário-geral da Frente Parlamentar Nacionalista e repórter super bem informado (a revista O Cruzeiro foi um de seus veículos), Neiva percorreu o país contra o golpe que se avizinhava e levava quase diariamente a Jango as notícias conspirações militares, articuladas na maioria por generais de dentro e fora da caserna.
Foi cassado, preso e exilado, quando construiu uma militância internacional, sobretudo latina e africana, que ficou imortalizada em alguns de seus livros que popularizaram o nasserismo, o nacionalismo peruano do general Alvarado, precursor do chavismo, e nos seus Cadernos do Terceiro Mundo, inicialmente publicados no México.
No Uruguai, foi encarregado por Brizola de organizar a resistência, e, juntamente com Eduardo Galeano, revolucionou a imprensa participativa, através dos jornais La Época e La Marcha. A experiência não durou muito tempo, porque, a direita que armava outro golpe, deu-lhe 24 horas para abandonar o país, sob pena de ser assassinato. Na Argentina, que vivia uma suposta primavera com a volta de Perón, em 1973, também trabalhou ativamente, no jornalismo e na militância por uma América Latina soberana. Dali a menos de dois anos, também era “convidado” a retirar-se pela sinistra Tríplica A, do ex-ministro José López Rega. De lá, seguiu depois para a Bolívia e Peru, onde novos golpes eliminariam as frágeis experiências nacionalistas.
Sem ter para onde ir, Neiva que naquela altura estava casado com a jornalista Beatriz Bissio, então grávida da filha Micaela, partiu com ela para a África, onde também se encontrava seu sonho de autodeterminação, fixando-se inicialmente na Argélia, recém libertada do jugo francês por um regime de cunho nacionalista. Antes tinha ao Egito, onde entrevistou o presidente Gamal Abdel Nasser, o precursor dos movimentos libertários africanos e terceiromundistas, numa reportagem de página para o Jornal do Brasil. Fazia sua base a partir de Argel, para cobrir as guerras libertadoras de Angola, Moçambique e outras colônias europeias. Da África, partiu para o México, um dos poucos países latinos não atingidos pelas ditaduras patrocinadas pelos Estados Unidos.
A anistia de 1979 e o movimento de recuperação do trabalhismo liderado por Brizola, se articularia com Neiva, chamado para a reunião, em Lisboa, em junho daquele ano, e de onde sairia o PDT, partido que Neiva presidiu e foi seu líder na Câmara dos Deputados, em duas oportunidades.
Ele se reelegeria deputado, sempre por sua terra, o Maranhão, onde dizia que ia viver até o final de seus dias, como ex-deputado, assessor do governador Jackson Lago e, finalmente, como simples militante do PDT. Sempre vivendo modestamente e ultimamente casado com Vânia Souza, com quem teve uma serena convivência de 10 anos, Neiva vinha desenvolvendo intensa militância, inclusive com viagens ao interior, até o seu internamento no hospital há cerca de um mês, onde veio a falecer.

Nota da Casa da América Latina: "Sobre a nacionalização da YPF"

Sobre a nacionalização da YPF

Em 16 de abril de 2012 a Argentina renacionalizou o controle da sua principal empresa petrolífera, que, entre outras coisas pelo seu nome - YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales, ou Jazidas Petrolíferas do Estado), nunca deveria ter saído do controle público, mas foi privatizada a preço vil pelo governo entreguista de Carlos Menem, sob pressão do FMI. A reação de nossa grande imprensa foi em geral de agressiva defesa dos interesses da multinacional que controlava a YPF, e de repúdio a mais uma medida "populista" da Presidente Cristina Kirchner, que ajudaria a levar a Argentina à perda de confiança dos investidores internacionais e ao fundo do poço. Essas previsões catastrofistas da grande imprensa sobre a Argentina não são novidade. Foram feitas também em relação à Bolívia, quando da nacionalização do Petróleo e do Gás, à Venezuela e ao Equador, sempre que tomam medidas que defendem seus países da rapina do capital multinacional. Curiosamente, os mesmos países também são sistematicamente acusados de violar a liberdade de imprensa, sempre que tomam medidas para democratizar o acesso à informação e diminuir a concentração de poder dos grandes grupos privados que controlam a mídia.
Ao contrário do que fariam supor as notícias sobre a Argentina que a grande imprensa tem publicado nos últimos anos, o país tem crescido bem mais que o Brasil - cresceu 96% contra 41% entre 2003 e 2011. Sua presidente Cristina Kirchner, acusada de cercear a imprensa, de uma gestão econômica catastrófica e de manipular índices de inflação, foi reeleita no primeiro turno com cerca de 55% dos votos, seguida pelo candidato do Partido Socialista Hermes Binner, numa eleição em que os setores conservadores tradicionais tiveram resultados absolutamente inexpressivos.
Todos os países soberanos que produzem petróleo mantêm o controle nacional (e quase sempre estatal) sobre suas principais empresas petrolíferas, por seu caráter estratégico. A YPF privatizada foi usada para especulação financeira, foi sucateada e cortou investimentos, levando a Argentina, que era um país exportador de petróleo, a gastar US$ 10 bilhões em importação de derivados de petróleo em 2011. Em 1998, antes da privatização, a YPF produzia 800000 barris/dia, e, segundo os dados mais recentes, sua produção em 2010 caiu para 650000 barris/dia, num período em que o consumo interno de derivados de petróleo cresceu consideravelmente. A recuperação de seu controle é um dever do Estado, para proteger a economia argentina e defender a soberania do país.
Mais recentemente, em 1° de maio, o governo boliviano anunciou a nacionalização da Transportadora de Electricidad, controlada pela multinacional espanhola Red Eléctrica, medida que foi mais uma vez atacada por nossa grande imprensa, com argumentos análogos aos usados contra a nacionalização da YPF.
A Casa da América Latina expressa sua solidariedade aos governo argentino e boliviano, e repudia os ataques do imperialismo e de seus porta-vozes locais contra este atos soberanos, que esperamos que estimulem outros países (em particular o Brasil) a reparar outros crimes contra suas economias cometidos por governos neoliberais entreguistas.

SDH firma parcerias para comissões da verdade em sindicatos

SDH firma parcerias para criar comissões da verdade em sindicatos

De acordo com o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana, a efervescência social suscitada pela expectativa de instalação da Comissão da Verdade tem provocado o surgimento de novas denúncias, que reforçam a tese de que o impacto da ditadura militar na vida dos brasileiros é muito superior ao conhecido. Nesse contexto, as parcerias são fundamentais para resgatar a memória dos trabalhadores brasileiros no período.

Najla Passos

Brasília - A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência está firmando parcerias com sindicatos e entidades de classe para resgatar a memória dos trabalhadores brasileiros vítimas da ditadura militar. De acordo com Gilney Viana, coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, a proposta é criar “comissões da verdade” em todas as entidades interessadas, à exemplo do que já vem sendo feito em assembleias legislativas, câmaras de vereadores e entidades de direitos humanos de todo o país. “Os sindicatos têm que assumir a responsabilidade pelo seu passado”, afirma.

Viana avalia que a efervescência social suscitada pela expectativa de instalação da Comissão da Verdade, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em outubro e que, agora, aguarda a indicação dos seus sete membros para começar a atuar, tem provocado o surgimento de novas denúncias sobre violações de direitos, que podem alterar drasticamente a forma com que o país e o mundo encaram o mais sangrento período da história recente brasileira. “Essas denúncias reforçam a tese de que o número de vítimas é muito superior do que o já reconhecido”, afirma.

Para o eterno militante que ficou preso nos porões da ditadura por quase 10 anos, nem a Comissão de Mortos e Desaparecidos, criada de 1995, e nem a Comissão de Anistia, de 2001, foram capazes de dar conta do grau de impacto da ditadura na vida dos brasileiros. “A Comissão de Mortos e Desaparecidos, por exemplo, reconhece apenas 17 camponeses vítimas do período. E os relatos já sistematizados indicam que pelo menos 450 vítimas. Além disso, há as perdas institucionais que também foram enormes. A Universidade de Brasília (UnB), para citar a mais prejudicada, perdeu cerca de 80% do quadro docente”, reforça.

Gilney acredita que, neste contexto, o apoio dos sindicatos e entidades de classe é fundamental para o resgate da história. Ele explica que a SDH oferecerá todo o suporte para a efetivação das parcerias, mas que cada entidade terá total autonomia para decidir como encaminhará seus trabalhos.

Já demonstraram interesse em participar do projeto a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central Sindical e Popular – Conlutas, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O convite será estendido a todas as entidades representativas dos trabalhadores.

O coordenador relata, inclusive, que algumas ações já estão em curso. O Sindicato dos Químicos de São Paulo assumiu o resgate da história do químico Virgílio Gomes da Silva, ex-militante da ALN, que foi morto após comandar o sequestro do embaixador norte-americano no Brasil. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo também já se responsabilizou por resgatar a memória de profissionais como o ex-diretor da TV Cultura, Vladimir Herzog, morto nos porões do DOI/CODI, após intensa seção de tortura.

Direito à Memória e à Verdade
Desde o início do governo Dilma Rousseff, o Projeto Direito à Memória e à Verdade trabalha com o propósito principal de estimular um ambiente político que favorece a criação da Comissão da Verdade. As frentes de trabalho são as mais diversas: edições de livros, exposições, memoriais. Do ano passado para cá, investiu no estímulo à criação de comissões da verdade regionais, no âmbito das Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas e entidades de defesa dos direitos humanos.

Agora, serão os sindicatos e entidades de classe. “Hoje, já temos uma verdadeira rede que atua em todo o país e cresce a cada dia. Nossa expectativa é que o trabalho produzido por esta ajude a Comissão da Verdade a fechar um relatório final com o peso que todo nós esperamos”, acrescenta.

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20058 )

Senado argentino aprova expropriação da YPF

Semana que vem será a vez dos deputados, que deverão transformar o projeto kirchnerista em lei, também com uma folgada maioria dos votos

Janaína Figueiredo

BUENOS AIRES — O Senado argentino aprovou na noite desta quarta-feira o projeto de lei que prevê a expropriação de 51% da Repsol-YPF, iniciativa anunciada semana passada pela presidente Cristina Kirchner. Como era esperado, o resultado da votação representou uma importante vitória para a Casa Rosada: 63 votos a favor, três contra e quatro abstenções. Semana que vem será a vez dos deputados que deverão transformar o projeto kirchnerista em lei, também com uma folgada maioria de kirchneristas e aliados circunstanciais, entre eles a União Cívica Radical (UCR) e a Frente Ampla Progresista (FAP).

Ambos partidos são opositores mas, neste caso, disseram votar a favor do governo por considerar fundamental que a Argentina recupere um "recurso estratégico" para o país. Também respaldou o governo o Projeto Sul, liderado pelo cineasta e deputado Fernando "Pino" Solanas, que há muitos anos defende a importância de renacionalizar empresas que foram privatizadas na década de 90, pelo governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999). Ontem, até mesmo Menem, reeleito senador em 2011, votou a favor da expropriação de uma empresa que seu governo privatizou.

Muitos dirigentes da oposição apoiaram a medida, mas acusaram o governo de ser o grande responsável pela crise energética que assola o país e pela deterioração da principal companhia petrolífera com operações no país. Senadores do governo e da oposição lamentaram a perda de reservas da empresa e a queda de sua capacidade de produção.

— Até agora ninguém nos disse como vão recuperar a YPF e qual será o plano energético do governo — disse o senador Mario Cimadevilla, da UCR.

Deputados opositores também questionaram a falta de ações em relação às demais empresas que operam no país e, principalmente, ao grupo Petersen, da família argentina Eskenaki, que controla 25% da YPF e não foi alvo da expropriação. O grupo comprou sua participação entre 2007 e 2011, com o claro respaldo do governo Kirchner.

— Por que o governo não fala nos Eskenaki, porque estamos castigando apenas a Repsol — perguntou a senadora Norma Morandini, do FAP.

Os votos negativos foram pouco. Á senadora Maria Eugenia Estenssoro, da Coalizão Cívica, terminou optando pela abstenção, já que "seu coração lhe dizia que votasse a favor e sua razão contra". A senadora é filha de José Estenssoro, que comandou a YPF antes da privatização, e pertence ao movimento fundado pela deputada Elisa Carrió, para quem este projeto "não representa nem nacionalização, nem expropriação. Representa corrupção".

— Não podemos votar este projeto sem antes investigar a atuação dos funcionários deste governo, que são os culpados pela crise energética e agora administração da YPF — enfatizou Estenssoro.

Para outros senadores, esta quarta foi um dia histórico para o país.

— Já dizia o general Perón: "a energia é para o desenvolvimento de um país o que o alimento é para o desenvolvimento do ser humano" — afirmou a senadora Maria Higonet, do Partido Justicialista (PJ).

Fonte: O Globo ( http://oglobo.globo.com/economia/senado-argentino-aprova-expropriacao-da... )

36 mil trabalhadores despedidos durante a privatização da YPF

“36 mil trabalhadores foram despedidos durante a privatização da YPF nos anos 90”

Em entrevista à Carta Maior, Hernán M. Paerlo, investigador do Centro de Estudos e Pesquisa do Trabalho do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (CONICET) e docente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade Nacional Arturo Jauretche, fala sobre como a privatização da indústria petrolífera argentina atingiu os trabalhadores. De 1990 a 1994 foram demitidos compulsoriamente quase 36 mil trabalhadores.

Francisco Luque - De Buenos Aires

Buenos Aires - O trabalho foi o processo mais afetado pela privatização da YPF no princípio dos anos 90. Para entender esta problemática, a Carta Maior conversou com Hernán M. Palermo, investigador do Centro de Estudos e Pesquisa do Trabalho do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (CONICET) e docente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade Nacional Arturo Jauretche, sobre a situação trabalhista antes e durante a privatização da petrolífera argentina. Palermo também é membro do Centro de Estudos de Antropologia do Trabalho, da UBA.

Dentro de seu extenso trabalho de pesquisa, Palermo editou o livro Cadenas de oro negro em el “esplendor” y “ocaso” de YPF (Cadeias de ouro negro no esplendor e ocaso da YPF), um texto que se centra na questão da dinâmica das relações entre o capital e o trabalho a partir de uma retomada histórica da constituição da YPF estatal até sua mutação para Repsol.

Como era a situação trabalhista dos trabalhadores da YPF antes da processo de privatização dos anos 90?

Em todo o processo histórico no qual a empresa YPF foi estatal, os trabalhadores contavam com convênios coletivos de trabalho altamente protecionistas, com amplos direitos obtidos historicamente. A empresa também garantia aos trabalhadores e à família em seu conjunto toda uma infraestrutura social como moradia, hospitais, educação, instituições de ócio e lazer, etc.

Existem dois momentos no processo de privatização da YPF: o primeiro é o “Plano de Transformação Global”, no começo dos 90, e depois, o ingresso do capital privado através da Repsol. Que características têm estes processos?

O “Plano de Transformação Global”, através do decreto 2.778/90, assinado no dia 31 de dezembro de 1990, é a pedra inaugural da privatização da YPF. Este plano foi elaborado por José Estensoro para transformar a empresa, dar início na alienação das ações da YPF e abrir as portas para o desembarque do capital privado. O decreto do “Plano de Transformação Global” termina por desferir o último golpe no modelo de petrolífera do Estado, habilitando uma nova forma de exploração do petróleo regido pelas regras do direito privado. A implementação do “Plano de Transformação Global” realizou uma sistematização daquelas áreas que eram estratégicas. Se uma área era estratégica e rentável, ficava em propriedade da YPF Sociedade Anônima.

Mas, se uma área era classificada como estratégica, mas não rentável, se decidia a associação ou venda. Neste último caso se incluem as áreas de sísmica, perfuração, aviões, frota de caminhões, engenharia de obras, plano de saúde, oficina naval, boias, portos, plantas de logística e distribuição, ativos tecnológicos, etc. Se, em todo caso, a área não era rentável nem estratégica, se resolvia sua venda ou fechamento. Por exemplo, e neste sentido, o Laboratório de Florencio Varela da YPF foi fechado.

No ano de 1998 é onde aparece pela primeira vez a empresa espanhola Repsol. Esta surge na cena petrolífera argentina com a ideia de se posicionar no setor de forma dominante. A empresa de capitais espanhóis acede a 5% das ações, diminuindo a porcentagem das províncias e do pessoal da YPF S.A., enquanto o setor privado aumenta significativamente. Em janeiro de 1999 com o pagamento de uma cifra de mais de dois bilhões de dólares, a Repsol compra do Estado seus 14,99%, com o fim de constituir-se no principal acionista da YPF. Finalmente, em junho de 1999 e com o prévio pagamento de 13 bilhões de dólares, a Repsol passa a controlar quase a totalidade do pacote acionário da YPF. Desta forma, no final do ano de 1999, a Repsol concretiza a aquisição de 83.24% das ações da YPF S.A.

Desta forma, a Repsol se converteu no sócio majoritário e dominante da ex-petrolífera estatal YPF, ficando só a ação de ouro em mãos do Estado. Para o ano 1999, a Repsol/YPF conseguia se posicionar como empresa com maior concentração econômica no setor petrolífero e como proprietária das maiores reservas confirmadas de petróleo na Argentina. Cabe esclarecer que as reservas confirmadas foram exploradas exclusivamente na época estatal e que a Repsol nunca realizou sérias tarefas de exploração.

Qual é a situação dos trabalhadores com a YPF já privatizada e de que maneira foram afetados seus direitos trabalhistas?

De 1990 a 1994 foram demitidos compulsoriamente quase 36 mil trabalhadores, a maior parte deles (cerca de 25 mil) entre 1991 e 1992. Mas outro fator importante é descrever como foram estas demissões. Em primeiro lugar, foi posto em marcha um plano de demissão voluntária e aposentadorias antecipadas para os trabalhadores que já “não eram necessários para a empresa” no discurso do Governo, com o pagamento de altas indenizações. A esta primeira etapa de racionalização de pessoal aderiram uma grande porcentagem do pessoal da YPF. Na perspectiva dos ex-trabalhadores “eram demissões voluntárias obrigatórias, que assinavas sim ou sim”, dado o contexto coercitivo no qual se levou a cabo esta política de demissões. As ameaças constantes das chefias eram moeda corrente no espaço de trabalho.

Fundamentalmente, os que não aderiam às demissões voluntárias eram fustigados com a demissão e a perda do benefício da indenização.
Por outro lado, os cursos de capacitação, outra estratégia de racionalização de pessoal, constituíram a antessala da demissão do trabalhador. Com esta política se afastava de forma definitiva o trabalhador do âmbito de trabalho. O trabalhador devia escolher entre diversos cursos de capacitação e a empresa arcava com todos os gastos. Os cursos duravam aproximadamente um ano. O discurso oficial que justificava os cursos se centrava na possibilidade dos demitidos poderem inserir-se novamente no mercado laboral, ainda que se tratasse de programas e cursos que não refletiam uma capacitação orientada às exigências de um mercado com uma taxa de desocupação elevada.

Os empreendimentos foram uma saída dos trabalhadores diante da eminente reestruturação da empresa. O pessoal demitido da YPF se organizou tomando distintas formas jurídicas - seja como sociedades anônimas, cooperativas ou SRL (Sociedade de representação limitada) - para oferecer o mesmo trabalho/serviço que antes faziam do interior da empresa, agora como pessoal subcontratado. Estes empreendimentos ficaram, em sua maioria, sem efeito, já que tiveram que participar em processos licitatórios com empresas mais competitivas, melhor capacitadas tecnologicamente, frente à sua inexperiência em matéria empresarial.

O que aconteceu com os trabalhadores demitidos e o que fez o Estado para atenuar esta desocupação?

Neste contexto, a desocupação naquelas regiões onde se privatizava a YPF crescia a níveis inéditos comparativamente à desocupação geral da Argentina.

No caso de Comodoro Rivadavia e General Mosconi, o desemprego e o subemprego se tornaram estruturais, tornando-se as localidades com o maior índice de desocupação do país. Comodoro Rivadavia foi uma das cidades onde o processo de privatização da YPF causou mais impacto, com o índice de desemprego alcançando, em 1993, 14,8%. No ano de 2001 os índices de desocupação gerais da Argentina aumentavam e, naquelas zonas onde se havia levado adiante a privatização da YPF, saltava a níveis inéditos. A região que melhor ilustrou esta situação foi General Mosconi e Tartagal com 42,8 % de desocupação para o ano de 2001.

Neste cenário começaram a surgir diferentes conflitos em vários territórios da Argentina como consequência da privatização da YPF. Organizados a partir da perda do trabalho, se tornaram conhecidas, entre outras, as “puebladas” e os “piquetes” nas cidades petrolíferas de Cutral-Có e Plaza Huicul, Província de Neuquém, ou Gral. Mosconi e Tartagal na Província de Salta. Também se organizou na cidade de La Plata a “Agrupação Mosconi”, congregando os trabalhadores da YPF e da Gas del Estado. Outras das organizações surgidas a partir da privatização da YPF é a “Oro Negro”. Neste contexto o Estado, durante a década dos 90 e até o ano de 2003, teve um papel particularmente repressivo com estas organizações de ex-trabalhadores.

Qual foi o papel dos sindicatos neste processo de demissões?

A federação SUPE - Sindicato União Petroleiros do Estado - com Diego Ibañes como Secretário Geral teve um papel ativo em concretizar a privatização. Ainda que seja necessário dizer que as filiais tiveram posturas diferentes. Por exemplo, a filial de Comodoro Rivadavia do SUPE teve um papel combativo contra a privatização.

Em que se consistiu o Programa de Propriedade Participada (PPP), que deixava 10% da YPF em mãos dos trabalhadores?

A lei 23.969, de Reforma do Estado, estabelecia a implementação do Programa de Propriedade Participada, que habilitava os trabalhadores das empresas a privatizar, uma parte do pacote acionário. No total, os trabalhadores da YPF tiveram acesso a um percentual de participação de 10% das ações classe “C” da empresa. Por sua vez, os trabalhadores-acionistas poderiam escolher um delegado para formar parte do diretório da empresa, o qual representaria aquele 10% das ações.

Finalmente, como em quase todas as estratégias políticas que conformaram as privatizações, o PPP constituiu um instrumento que tentou amortecer os efeitos negativos da privatização e romper qualquer prática de resistência. A designação de um representante dos trabalhadores no diretório da empresa nunca se concretizou e, por outro lado, a implementação do PPP se levou a cabo a partir de 1993. Ou seja, a representação dos trabalhadores no diretório foi só um enunciado sem nenhum tipo de sustentação e só conseguiram cobrar o PPP aqueles trabalhadores que haviam continuado suas funções na YPF até 1993, data na qual já se havia levado a cabo mais de 75% da racionalização de “ypefeanos”.

Qual é a sua opinião sobre a pretensão de compra de 51% da YPF por parte do Estado argentino?

Os últimos acontecimentos políticos me parecem uma restituição histórica em dois sentidos: primeiro volta ao controle do Estado um recurso estratégico como o petróleo e, segundo, situa a Argentina em sintonia com um contexto latinoamericano no qual todos os países produtores de petróleo têm sua empresa estatal: o Brasil (Petrobras), a Bolívia (YPFB), a Venezuela (PDVSA) e até o México (PEMEX), ainda que este último se tenha alienado aos interesses da Repsol.

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20027 )

O 'Schindler' italiano que salvou centenas de vidas na Argentina

O diplomata italiano Enrico Calamai foi um herói silencioso que atuou no Consulado em Buenos Aires durante a ditadura, quando arriscou sua vida e sua carreira para facilitar a fuga de centenas de dissidentes políticos e partidários que pegaram em armas contra o experimento neonazista dos generais argentinos. Em conversa com a Carta Maior, em Roma, Calamai fala sobre a Operação Condor, sobre o envolvimento de diplomatas e da ditadura brasileira em assassinatos e sobre a cumplicidade do Vaticano com a ditadura argentina.

Darío Pignotti - Especial para a Carta Maior

Roma - Se a Itália fosse uma Meca do cinema político como o era nos anos 60 e 70, seguramente os estúdios romanos de Cinecittá teriam filmado algo parecido à Lista de Schindler, aquela produção de Hollywood sobre um magnata alemão que resgatou cerca de mil judeus condenados a morrer em Auschwitz. O protagonista do filme que nunca se realizou seria o diplomata italiano Enrico Calamai, um herói silencioso que atuou no Consulado em Buenos Aires durante a ditadura, quando arriscou sua vida e sua carreira para facilitar a fuga de centenas de dissidentes políticos e partidários que pegaram em armas contra o experimento neonazista dos generais argentinos.

"Nunca me detive a contar as pessoas que passaram pelo Consulado. Em um programa da RAI (TV italiana) disseram que foram mais de 400, sinceramente não sei se esse número é correto, não sei quantos receberam nossa ajuda para poder sair com vida da Argentina".

A biografia de Calamai é a de um diplomata incomum no outono portenho de 1976 quando a chegada ao poder do general Videla era bem acolhida pela maioria das embaixadas ocidentais e comemorada secretamente pela do Brasil, como consta na intensa comunicação gerada pelo então embaixador João Batista Pinheiro.

DESAFIANDO A OPERAÇÃO CONDOR
"Nós sabíamos que a Operação Condor estava atuando, ainda não a conhecíamos por esse nome, mas tínhamos notícias de que os militares brasileiros e argentinos estavam articulados para deter quem fugia da matança em Buenos Aires, por isso decidi viajar com dois ítalo-argentinos, Piero Carmelutti e Santiago Camarda, até o Rio de Janeiro. Era arriscado que fossem sozinhos. Foi no carnaval de 1977".

“Estes rapazes estiveram um tempo ocultos no Consulado, um deles tinha uma destreza artesanal para falsificar documentos e confeccionou uns que de autênticos tinham apenas as fotos”.

“Fez isso com meu auxílio, utilizando alguns carimbos que lhe facilitei, era um método não formal de fazer documentação para sair do país, não tínhamos apoio institucional, fizemos tudo às costas da Embaixada, que não me apoiava nisto”.

“Também não obtive apoio de um funcionário da Alitalia a quem propus que fizesse vista grossa e nos desse passagens diretas até Roma, o que ele recusou, escandalizando-se. Finalmente conseguimos as passagens diretas, graças ao representante da Varig na Argentina, um ítalo-brasileiro robusto e cordial".

"Nossa premissa era evitar que fossem interrogados no Rio, porque ali possivelmente havia gente do aparato de inteligência militar, e minha função era estar junto a eles para fazer valer minha condição de diplomata denunciando um eventual sequestro, como ocorreria em 1980 com o ítalo-argentino Domingo Campiglia, capturado precisamente no Rio de Janeiro" conta Calamai, com o rigor próprio de um historiador.

"Eles não podiam permanecer em Buenos Aires, mas por sua vez tinham que atravessar o cerco da Operação Condor no Rio, a única forma para que chegassem com vida à Itália".

A resistência à ditadura havia sido fraturada militarmente em 1977, ano de intenso intercâmbio entre os serviços de inteligência dos ditadores Ernesto Geisel e Jorge Videla.

Documentos a que Carta Maior teve acesso, datados daquele ano, confirmam a prioridade dada por Brasília à localização e detenção de "elementos Montoneros e do ERP (Exército Revolucionário do Povo)", para serem entregues à Buenos Aires.

Os aparelhos repressivos trabalhavam em notável sintonia. Tanto que as agências de inteligência brasileiras recebiam informações sobre as atividades da resistência argentina na Itália.

Dentro da documentação até agora secreta, obtida por Carta Maior, consta um dossiê do Estado Maior do Exército brasileiro, originado na Itália em junho de 1978, intitulado como “Movimento Peronista Montonero no exterior, Acionar, Contatos, Conexões com Grupos Terroristas, Antecedentes”.

CONSPIRAÇÃO DIPLOMATICA
As centenas de argentinos que escaparam do genocídio graças ao trabalho de Calamai não lhe valeram muito para obter uma promoção em sua carreira diplomática, dado que após haver trabalhado cinco anos na Argentina, um destino considerado de relativa importância, foi enviado a outro considerado irrelevante: o Nepal.

Diferente foi a sorte do embaixador brasileiro João Batista Pinheiro que, após seus bons ofícios diante da Junta Militar portenha, foi promovido a chefe da missão diplomática em Washington.

Pouco depois da derrubada do governo civil argentino, Pinheiro trabalhou para que Geisel enviasse, em abril de 1977, um representante a Buenos Aires, um gesto crucial para Videla, que temia sofrer o isolamento diplomático do qual padecia seu colega chileno Augusto Pinochet.

"Até agora não se estudou a fundo como atuaram os serviços diplomáticos em geral frente à ditadura", afirma Calamai durante a conversa com a Carta Maior em Roma.

E amplia: "não digo só pela Itália, me refiro à maioria dos países ocidentais, que foram completamente omissos ante as violações dos direitos humanos na Argentina".

Como nos pactos mafiosos, o grosso dos diplomáticos instalados em Buenos Aires, salvo os da embaixada do México, onde o ex-presidente democrático Héctor Cámpora recebeu refúgio durante anos, optou por omitir-se.

"Direta ou indiretamente, as principais embaixadas, inclusive aqui as da Itália, e acho lógico que também a do Brasil, embora não tenho informação concreta, foram informadas de que viria o golpe de Estado".

"Estes avisos sobre a eminente derrubada do governo civil eram também uma forma de advertir que não aceitariam que as embaixadas recebessem refugiados, como havia feito nossa embaixada e outras depois do golpe do Chile. E quase todos os países que receberam o aviso dos militares argentinos, pelo visto, entenderam o recado e o aceitaram".

"Agora, com o passar do tempo, compreendo que em torno da Operação Condor havia uma colaboração estreita das embaixadas e dos militares argentinos, e das embaixadas e seus próprios agregados militares. A diplomacia é algo muito próximo ao poder, e o foi durante as ditaduras, os diplomatas sabem que se se opuserem ao poder serão ou marginalizados, ou eliminados. Nessa época isto era um risco real".

SANTA CUMPLICIDADE
Antes da entrevista, Calamai nos mostra o Antico Café do Brasile, a poucos metros de sua casa: "antes de ser papa, João Paulo II, quando era seminarista, vinha habitualmente a este café, é um lugar simples, como podem ver".

As exéquias de João Paulo I, antecessor do papa polaco que frequentava o bairro de Calamai, foram um pretexto para estreitar as relações entre o Vaticano e Videla, que foi um dos chefes de Estado convidados. As gestões para a viagem de Videla e seu encontro com o então primeiro ministro italiano, foram realizadas pela loja maçônica Propaganda Due (P2), segundo consta em um livro lançado este ano na Universidade Roma Três.

"A loja P2 se movia como um poder oculto e gozava de uma notável influência no serviço exterior italiano e no Vaticano, e um de seus principais homens, Licio Gelli, mantinha boas relações na Igreja".

"O Vaticano esteve muito próximo do regime argentino, não só porque coincidia com seu anticomunismo, mas porque contribuía na decisão de Roma de terminar com a teologia da liberação na América Latina. Dizia-se que o núncio apostólico jogava tênis com o almirante (Emilio) Massera", um dos membros da Junta, a quem correspondia o controle do Ministério do Exterior argentino.

"Mas também é preciso lembrar que os motivos ideológicos que levaram o Vaticano a apoiar os militares eram tão importantes como os interesses econômicos de empresas ligadas à Igreja que estavam radicadas na Argentina".

Estas razões contribuem para explicar, segundo Calamai, porque o Estado do Vaticano omitiu-se durante anos em denunciar o genocídio argentino e negou ajuda aos familiares dos desaparecidos e prisioneiros.

"Existem muitas coisas que escaparam da minha memória, mas o que lembro é que, quando falava com diplomatas de outros países sobre as violações dos direitos humanos, praticamente todo mundo dizia que ninguém ia à Nunciatura porque não os recebiam".

Tradução: Libório Junior

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19977 )

Esquerda espanhola critica reação do governo sobre YPF

Esquerda espanhola critica reação do governo após expropriação da YPF

O deputado da Esquerda Unida, Alberto Garzón, lembrou que a Repsol é controlada pelo capital estrangeiro

A coalizão de esquerda espanhola Izquierda Unida (Esquerda Unida) classificou como “vergonhosa” a atuação do governo do país frente à retomada do controle da petrolífera YPF, filial da Repsol, pela Argentina. Segundo Alberto Garzón, porta-voz econômico e deputado da IU, a decisão argentina não é um “ataque à Espanha”, já que a Repsol é uma entidade privada de “diversas nacionalidades”. As informações são do jornal Publico.es.

“A Repsol não é uma empresa tecnicamente espanhola”, lembrou Garzón, ao ressaltar que mais de 50% da multinacional é controlada pelo capital estrangeiro. Além disso, a empresa declara que apenas 25% do seu lucro total provêm da Espanha.

Para Garzón, a decisão da presidente argentina, Cristina Kirchner, de retomar 51% das ações da YPF não pode ser caracterizada como um conflito de interesses entre duas nações. “[É um conflito] entre os interesses nacionais da Argentina e os interesses econômicos de particulares de distintas nacionalidades – entre elas, em menor grau –, espanhóis”, completou o deputado.

A reestatização, continuou o deputado, “não é uma guerra dos trabalhadores espanhóis e por isso é uma vergonha que o governo saia em defesa dos interesses das grandes empresas que possuem um capital minoritário da Repsol, prejudicando os interesses nacionais de um país soberano como a Argentina”.

“É uma falácia considerar esta medida econômica como um ataque a Espanha. É uma compra legal, que pode ser subestimada, e que afeta os interesses de entidades empresariais e bancos, que não partilham os lucros com o resto da sociedade”, concluiu Garzón.

Ameaças

Logo após o anúncio de Cristina Kirchner em Buenos Aires, nesta segunda-feira (16/04), o governo espanhol e a Repsol reagiram com agressividade e ameaças. O ministro de Indústria da Espanha, José Manuel Soria, e o chanceler José Manuel García-Margallo, afirmaram que o país atuará contra a decisão com medidas “claras e contundentes", que serão divulgadas ao longo dos próximos dias.

O ministro afirmou ainda que a decisão argentina “quebra o clima de cordialidade e amizade que sempre presidiu as relações”. Além disso, classificou como “hostil” a atitude do governo de Cristina Kirchner.

Por sua vez, o presidente da Repsol, Antonio Brufau, afirmou que a decisão da presidente argentina de retormar o controle da empresa petrolífera YPF “não ficará impune”, e que a indenização paga pelo governo argentino deverá ser de mais de 10 bilhões de dólares.

Cristina justificou sua decisão ao afirmar que o governo já previa retomar o controle da empresa por conta da queda de produção registrada pela YPF nos últimos meses. De acordo com a presidente, a filial da Repsol não recebia investimentos.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/21227/esquerda+espanhola+... )

Carta de Rafael Correa a Manoel Santos

Rafael Correa, presidente do Equador, não assistirá em Cartagena à VI Cúpula das Américas. O presidente equatoriano rechaçou o convite do presidente Juan Manuel Santos e, numa carta dirigida ao mandatário colombiano, manteve sua postura diante da não presença de Cuba na mencionada reunião.

Segundo o jornal El Comercio (Quito), a carta diz que depois de ter refletido cuidadosamente, “decidi que, enquanto for Presidente da República do Equador, não voltarei a participar de nenhuma Cúpula das ‘Américas’, até que sejam tomadas as decisões que a Pátria Grande nos exige (sobre a participação de Cuba no referido encontro)”.

Correa foi o primeiro mandatário que exigiu a presença de Cuba no Encontro, exigência que motivou o governo colombiano a avançar nas gestões diplomáticas, em busca de um consenso, para superar o obstáculo em que se converteu o cenário do convite ao governo de La Habana.

O presidente colombiano Juan Manuel Santos se reuniu com o presidente da ilha, Raúl Castro, e com Hugo Chávez, manifestando a impossibilidade de convidar Cuba.

Correa, então, disse que consultaria “o povo equatoriano” acerca de sua presença em Cartagena. Em 2 de março, dirigiu sua resposta definitiva. Não estarão no Encontro das Américas.

A carta de Rafael Correa a Juan Manuel Santos

Senhor Doutor

Juan Manuel Santos

Presidente Constitucional da República de Colômbia

Estimado Presidente e amigo:

Valorizo e agradeço profundamente o seu gentil e reiterado convite para a VI “Cúpula das Américas”, a ser celebrada na lindíssima Cartagena de Indias, nos dias 14 e 15 de abril. Lamentavelmente, ainda que na V Cúpula das Américas, celebrada em Trinidad e Tobago, em 17 a 19 de abril de 2009, tenha sido rechaçada a incompreensível exclusão da República de Cuba das reuniões americanas, uma vez mais, este país irmão não foi convidado.

Por definição, não se pode denominar de “Cúpula das Américas” uma reunião, onde um país americano é, intencional e injustificadamente, relegado. Muito se fala de “falta de consenso”, porém todos nós sabemos que se trata do veto dos países hegemônicos, situação intolerável em nossa América do Século XXI.

Da mesma maneira, é inaceitável que nestes encontros não sejam discutidos temas tão fundamentais, como o desumano bloqueio a Cuba, assim como a absurda colonização das Ilhas Malvinas, questões que têm merecido críticas quase unânimes das nações do mundo.

Jamais buscaríamos causar o menor problema nem ao seu governo e nem à querida Colômbia. No entanto, trata-se, como dizia Bolívar, de sentir verdadeiramente que a Pátria é a América e, em algum momento, começar a denunciar e enfrentar com força estas, repito, intoleráveis e até berrantes situações. Por isso, depois de refletir cuidadosamente, decidi que, enquanto for Presidente da República do Equador, não voltarei a participar de nenhuma Cúpula das “Américas”, até que sejam tomadas as decisões que a Pátria Grande nos exige.

Nossos povos podem se cansar de que seus mandatários estejam em tantos encontros, enquanto, todavia, existam abismos a serem superados, como a pobreza e a iniquidade que mantém a América Latina como a região mais desigual do mundo; a ineficaz estratégia de luta contra o problema mundial das drogas; a profunda transformação do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, hoje zelador de interesses distantes de seus princípios fundamentais; a vigência de uma verdadeira liberdade de expressão que não se encontre reduzida aos interesses dos negócios dedicados à comunicação social; ou a completa supremacia do capital sobre os seres humanos, como demonstra a crise hipotecária na Espanha, que afeta centenas de milhares de cidadãos, entre eles muitos migrantes latino-americanos.

Esperamos que nossa ausência seja um cordial convite para o debate essencial e a atuação em conjunto, ratificando o apreço e respeito que sentimos por todos os nossos colegas, Chefas e Chefes de Estado do Continente, queridos amigos com quem compartilhamos sonhos de melhores dias para nossos povos.

Desejamos, pelo bem da região e do mundo, que a Cúpula de Cartagena seja exitosa. O desejo de acompanhá-los é enorme, somente superado pela firmeza de nossas convicções.

Até a vitória sempre!

Rafael Correa Delgado

Presidente Constitucional da República do Equador

Quito, 2 de abri de 2012.

Fonte: http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/04/02/correa-no-va-a-la-cumbre-de...

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)

Declaração do Instituto Luiz Carlos Prestes

Declaração do Instituto Luiz Carlos Prestes

O Instituto Luiz Carlos Prestes, entidade de perfil cultural, cujo objetivo é preservar e difundir a memória desse grande brasileiro - patriota, revolucionário e comunista, contando com o apoio de companheiros e amigos do Cavaleiro da Esperança, declara de público sua indignação e repulsa à atitude oportunista do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que vem lançando mão da manipulação grosseira da memória histórica dos comunistas brasileiros e, em particular, da trajetória revolucionária de Prestes com vistas a prestigiar-se perante a opinião pública nacional.

Assim, em seus programas eleitorais difundidos em rede nacional pela TV, o PCdoB vem utilizando de maneira indevida e inaceitável imagens de Luiz Carlos Prestes na tentativa de associar sua atuação à frente do PCB com suposta participação na história do PCdoB. Na realidade, o PCdoB foi criado em 1962, resultando de cisão com o PCB e com Luiz Carlos Prestes, então secretário-geral deste partido. Prestes jamais ingressou no PCdoB ou lhe concedeu qualquer apoio, sendo que o PCdoB durante anos o combateu com extrema virulência.

Um partido como o PCdoB, que apoia o novo código florestal, que é absolutamente acrítico às medidas neoliberais dos governos Lula/Dilma, imergido em denúncias de corrupção, e que ousa apresentar Prestes em seu Programa de TV é algo totalmente inaceitável.

A direção do PCdoB manipula também, entre outras, a memória do fundador do PCB, o conhecido intelectual comunista Astrojildo Pereira, que, ao falecer em 1965, continuava militando nas fileiras do PCB.

Nós, signatários desta declaração, conclamamos companheiros e amigos, bem como todos os brasileiros sinceramente interessados na defesa da preservação da história de nosso país, a denunciar e repudiar as manobras de falsificação da trajetória histórica de Luiz Carlos Prestes, das lutas dos comunistas brasileiros e da própria história do Brasil, realizada pela direção do Partido Comunista do Brasil.

Com esta atitude, desejamos expressar nossa posição intransigente de defesa de uma história objetiva de Luiz Carlos Prestes, dos comunistas, e do Brasil, baseada em fatos, e não em falsificações convenientes a esse ou àquele grupo político. Com esta atitude, queremos contribuir para o esclarecimento de amplos setores da opinião pública e evitar que outros se aventurem nos caminhos da falsificação de nossa história, conforme vem sendo feito pela direção do PCdoB.

Assina Anita Leocadia Prestes

Declaração de Apoio à República Argentina Pelas Ilhas Malvinas

DECLARAÇÃO DE APOIO À REPÚBLICA ARGENTINA PELAS ILHAS
MALVINAS, GEORGIAS E SANDWICH DO SUL

As Ilhas Malvinas constituem uma parte integral e indivisível do território argentino. Em 1833

foram ocupadas ilegitimamente pela Grã-Bretanha e sua população foi expulsa. Desde então, a

República Argentina denunciou e reclamou ao país ocupante, solicitando iniciar as negociações

que permitam encontrar uma solução para a disputa de soberania.

O reclamo de soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas é uma causa de todos os países da

América Latina e da comunidade internacional.

Queremos somar-nos a este reclamo pois é um sentimento comum, que provém de uma história de

lutas compartilhadas contra o colonialismo e a favor da liberdade. Nossa história está

profundamente castigada pelo sofrimento que durante séculos nossos povos tiveram que

enfrentar pela opressão e a dependência de potências estrangeiras.

O colonialismo foi causa do saqueamento dos nossos recursos naturais, que condenaram à

pobreza a países ricos, injusta e ilegitimamente. Antes foi a borracha, o ouro, a prata, as

madeiras preciosas. Hoje, as reservas petroleiras do nosso subsolo continental oceânico e as

imensas riquezas pesqueiras de nossos mares.

Queremos que esta Declaração se converta num apelo para gerar um âmbito amplo e aberto a

todas as correntes e idéias políticas, a partir do qual se poderá conhecer e difundir melhor tudo o

que significa o regime colonial e a presença militar britânica nas Ilhas Malvinas e que expresse

nossa convicção de que somente por via das negociações se alcançará uma solução pacífica e

definitiva. Já não há lugar nem tempo em nosso continente para que esta anacrônica situação

continue.

Eleições em Cuba

Para algumas pessoas no mundo deve ter soado um pouco estranho o anúncio do Conselho de Estado da República de Cuba de que no domingo 25 de abril se efetuarão as eleições para delegados às 169 Assembléias Municipais do Poder Popular.

Isso é perfeitamente compreensível, pois um dos componentes principais da guerra midiática contra a Revolução cubana tem sido negar, escamotear ou silenciar a realização de eleições democráticas: as parciais, a cada dois anos e meio, para eleger delegados (concelhos), e as gerais, a cada cinco, para eleger os deputados nacionais e integrantes das assembléias provinciais.

Cuba entra no seu décimo terceiro processo eleitoral desde 1976 com a participação entusiasta e responsável de todos os cidadãos com mais de 16 anos de idade. Nesta ocasião são eleições parciais.

Com a tergiversação, a desinformação e a exclusão das eleições em Cuba da agenda informativa de cada um, os donos dos grandes meios de comunicação tentaram afiançar a sua sinistra mensagem de que os dirigentes em Cuba, a diferentes níveis, não são eleitos pelo povo.

Apesar de, felizmente, nos últimos anos, sobretudo depois da irrupção da internet, os controles midiáticos se terem ido quebrando aceleradamente, e a verdade sobre a realidade de Cuba, nas eleições e noutros acontecimentos e temas, foi vindo à tona.

Não dar informação sobre as eleições em Cuba, nem da sua obra na saúde, educação, segurança social e outros temas, obedece a que os poderosos do mundo do capital temem a propagação do seu exemplo, à medida vai ficando completamente a nu a ficção de democracia e liberdade que durante séculos se vendeu ao mundo.

Apreciamos, no entanto, que o implacável passar do tempo é adverso aos que tecem muros de silêncio. Mesmo que ainda andem por aí alguns comentadores tarefeiros ou políticos defensores de interesses alheios ou adversos aos povos que continuam a afirmar que “sob a ditadura dos Castro em Cuba não há democracia nem liberdade nem eleições”. Trata-se de uma ideia repetida frequentemente para honrar aquele pensamento de um ideólogo do nazismo segundo o qual uma mentira repetida mil vezes poderia converter-se numa verdade.

À luz das eleições convocadas para o próximo dia 25 de abril, quero apenas dizer-vos neste artigo, dentro da maior brevidade possível, quatro marcas do processo eleitoral em Cuba, ainda susceptíveis de aperfeiçoamento, que marcam substanciais diferenças com os mecanismos existentes para a celebração de eleições nas chamadas “democracias representativas”. Esses aspectos são:

1) Registro Eleitoral;

2) Assembléias de Nomeação de Candidatos a Delegados;

3) Propaganda Eleitoral; e

4) A votação e escrutínio.

O Registro Eleitoral é automático, universal, gratuito e público. Ao nascer um cubano, não só tem direito a receber educação e saúde gratuitamente, como também quando chega aos 16 anos de idade automaticamente é inscrito no Registro Eleitoral. Por razões de sexo, religião, raça ou filosofia política, ninguém é excluído. Nem se pertencer aos corpos de defesa e segurança do país. A ninguém é cobrado um centavo por aparecer inscrito, e muito menos é submetido a asfixiantes trâmites burocráticos como a exigência de fotografias, selos ou carimbos, ou a tomada de impressões digitais. O Registro é público, é exposto em lugares de massiva afluência do povo em cada circunscrição.

Todo esse mecanismo público possibilita, desde o início do processo eleitoral, que cada cidadão com capacidade legal possa exercer o seu direito de eleger ou de ser eleito. E impede a possibilidade de fraude, o que é muito comum em países que se chamam democráticos. Em todo o lado a base para a fraude está, em primeiro lugar, naquela imensa maioria dos eleitores que não sabe quem tem direito a votar. Isso só é conhecido por umas poucas maquinarias políticas. E, por isso, há mortos que votam várias vezes, ou, como acontece nos Estados Unidos, numerosos cidadãos não são incluídos nos Registros porque alguma vez foram condenados pelos tribunais, apesar de terem cumprido as suas penas.

O que mais distingue e diferencia as eleições em Cuba de outras, são as assembléias de nomeação de candidatos. Noutros países a essência do sistema democrático é que os candidatos surjam dos partidos, da competição entre vários partidos e candidatos. Isso não é assim em Cuba. Os candidatos não saem de nenhuma maquinaria política. O Partido Comunista de Cuba, força dirigente da sociedade e do Estado, não é uma organização com propósitos eleitorais. Nem apresenta, nem elege, nem revoga nenhum dos milhares de homens e mulheres que ocupam os cargos representativos do Estado cubano. Entre os seus fins nunca esteve nem estará ganhar lugares na Assembléia Nacional ou nas Assembléias Provinciais ou Municipais do Poder Popular. Em cada um dos processos celebrados até à data foram propostos e eleitos numerosos militantes do Partido, porque os seus concidadãos os consideraram pessoas com méritos e aptidões, mas não devido à sua militância.

Os cubanos e as cubanas têm o privilégio de apresentar os seus candidatos com base nos seus méritos e capacidades, em assembléias de residentes em bairros, demarcações ou áreas nas cidades ou no campo. De braço no ar é feita a votação nessas assembléias, de onde resulta eleito aquele proposto que obtenha maior número de votos. Em cada circunscrição eleitoral há varias áreas de nomeação, e a Lei Eleitoral garante que pelo menos 2 candidatos, e até 8, possam ser os que aparecem nos boletins para a eleição de delegados do próximo dia 25 de Abril.

Outra marca do processo eleitoral em Cuba é a ausência de propaganda custosa e ruidosa, a mercantilização que está presente noutros países, onde há uma corrida para a obtenção de fundos ou para priviligear uma ou outra empresa de relações públicas. Nenhum dos candidatos apresentados em Cuba pode fazer propaganda a seu favor e, obviamente, nenhum necessita de ser rico ou de dispor de fundos ou ajuda financeira para se dar a conhecer. Nas praças e nas ruas não há ações a favor de nenhum candidato, nem manifestações nem carros com altofalantes, nem cartazes com as suas fotografias, nem promessas eleitorais; na rádio e na televisão também não; nem na imprensa escrita. A única propaganda é executada pelas autoridades eleitorais e consiste na exposição em lugares públicos na área de residência dos eleitores da biografia e fotografia de cada um dos candidatos. Nenhum candidato é privilegiado sobre outro. Nas biografias são expostos méritos alcançados na vida social, a fim de que os eleitores possam ter elementos sobre condições pessoais, prestígio e capacidade para servir o povo de cada um dos candidatos e emitir livremente o seu voto pelo que considere o melhor.

A marca final que queremos comentar é a votação e o escrutínio público. Em Cuba não é obrigatório o voto. Como estabelece o Artigo 3 da Lei Eleitoral, é livre, igual e secreto, e cada eleitor tem direito a um só voto. Ninguém tem, pois, nada que temer se não for ao seu colégio eleitoral no dia das eleições ou se decidir entregar o seu boletim em branco ou anulá-lo. Não acontece com em muitos países onde o voto é obrigatório e as pessoas são compelidas a votarem para não serem multadas, ou serem levadas a tribunal ou até para não perderem o emprego.

Enquanto noutros países, incluindo os Estados Unidos, a essência radica em que a maioria não vote, em Cuba garante-se que quem o deseje possa fazê-lo. Nas eleições efectuadas em Cuba desde 1976 até à data, em média, 97 % dos eleitores foram votar. Nas últimas três votaram mais de 8 milhões de eleitores.

A contagem dos votos nas eleições cubanas é pública, e pode ser presenciada em cada colégio por todos os cidadãos que o desejem fazer, inclusivamente a imprensa nacional ou estrangeira. E, para além disso, os eleitos só o são se alcançam mais de 50% dos votos válidos emitidos, e eles prestam contas aos seus eleitores e podem ser revogados a qualquer momento do seu mandato. Aspiro simplesmente a que com estas marcas agora enunciadas, um leitor sem informação sobre a realidade cubana responda a algumas elementares perguntas, como as seguintes: onde há maior transparência eleitoral e maior liberdade e democracia? onde se obtiveram melhores resultados eleitorais: em países com muitos partidos políticos, muitos candidatos, muita propaganda, ou na Cuba silenciada ou manipulada pelos grandes meios, monopolizados por um punhado de empresas e magnatas cada vez mais reduzido?

E aspiro, para além disso, a que pelo menos algum dia, cesse na grande imprensa o muro de silêncio que se levantou sobre as eleições em Cuba, tal como noutros temas como a obra na saúde pública e na educação, e isso possa ser fonte de conhecimento para outros povos que merecem um maior respeito e um futuro de mais liberdades e democracia.

Tradução de Alexandre Leite para Investigando o novo Imperialismo (InI) http://investigandoonovoimperialismo.blogs.sapo.pt/

Fonte: Pravda ( http://port.pravda.ru/mundo/24-04-2010/29404-eleicoes_cuba-0/ )

O fim da exclusão de Cuba nas Cúpulas das Américas

De EFE / Terra

Brasil e Argentina não querem Cúpulas das Américas sem Cuba

O chanceler argentino, Héctor Timerman, de visita no Brasil, e seu colega brasileiro, Antonio Patriota, manifestaram nesta terça-feira sua intenção de que a próxima Cúpula das Américas, que será realizada na Colômbia em abril, seja a última sem a participação de Cuba.

"Esta tem que ser a última cúpula da qual Cuba não participa", disse o ministro argentino de Relações Exteriores em entrevista coletiva conjunta com Patriota em São Paulo.

Timerman, que nesta terça-feira se reuniu com o chefe da diplomacia brasileira, acrescentou que seu Governo "agradece à Colômbia", país anfitrião, pelos esforços realizados.
p>O ministro acrescentou que a presença da ilha caribenha na reunião é necessária para que "finalmente a Cúpula seja das Américas".

Patriota mostrou sua concordância com a postura de Timerman e acrescentou que na reunião anterior o então presidente Lula já tinha manifestado sua intenção de que Cuba participasse do encontro.

Por outra parte, o ministro brasileiro expressou seu objetivo de visitar a Argentina "em breve" e anunciou reuniões mais frequentes entre os subsecretários dos dois ministérios para "aprofundar a agenda de cooperação" entre os países.

O chanceler brasileiro também afirmou que a reunião tinha sido eminentemente de caráter político e que tinham revisado os assuntos bilaterais, regionais e globais.

A primeira Cúpula da Américas aconteceu em Miami em 1994 com a participação dos 34 países-membros ativos da Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual Cuba foi suspensa em 1962.

A suspensão foi levantada em 2009, mas o Governo cubano não fez os trâmites para se reincorporar e disse que não tem intenção de fazer.

O Governo dos EUA manifestou abertamente sua rejeição a convocar Cuba a Cartagena de Indias, onde será realizada a reunião de abril, por considerar que esse país não cumpre com os requisitos democráticos fixados em 2001 pelos participantes.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-fim-da-exclusao-de-cuba-nas-c...

Comissão da Verdade

Instalar imediatamente a Comissão da Verdade.

Punir os militares que afrontam a democracia

Testemunhamos nos últimos dias, entre militares da reserva, o ressurgir de vozes lúgubres, de oposição à criação e ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade.

As manobras dos indivíduos que buscam calar o direito à Memória, à Verdade e à Justiça tentam, por um lado, golpear a democracia, atingir e desmoralizar o governo federal e suas autoridades; por outro lado, envolver as Forças Armadas dos dias de hoje na defesa dos crimes cometidos, há décadas, pela Ditadura Militar, e implicá-las na defesa de militares e civis que foram os executores desses crimes.

O chamado “Manifesto à Nação” assinado por militares da reserva, entre os quais conhecidos torturadores, é uma enorme afronta ao governo federal legitimamente eleito e aos Poderes da República, e seus ataques à Comissão Nacional da Verdade são inadmissíveis.

Externamos nosso integral apoio à decisão da presidenta Dilma Rousseff e do ministro da Defesa, Celso Amorim, de punir esses autores de crimes de desacato, e reiteramos a necessidade da instalação imediata da Comissão Nacional da Verdade, único instrumento capaz de investigar, conhecer e divulgar a verdade sobre as graves violações de direitos humanos praticadas pelos órgãos de repressão da Ditadura Militar, e a sanção de seus autores, nos termos da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos e do Supremo Tribunal Federal quanto aos crimes permanentes.

Por fim, face ao crescimento das adesões de militares a esse manifesto de vocação golpista, a punição aos seus subscritores tornou-se uma questão não só imprescindível, como urgente, sob pena de fragilizarem-se a Democracia e os Poderes constitucionais da República.

São Paulo, 7 de março de 2012

Casa da América Latina lança filial em Goiânia

A inauguração foi parte dos eventos da Calourada Unificada do DCE, e trouxe a Goiânia o boliviano Jorge Cárpio, um dos diretores da CAL

Tiago Gebrim

Como parte das atividades da Calourada Unificada do Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFG), foi lançada ontem à noite, 8/3, a Casa da América Latina (CAL) – seção Goiás. A iniciativa integra a mobilização de professores de várias universidades goianas, entre eles, Jamesson Buarque e Hugo Leonardo (UFG), Marta Jane (IFG) e Robson de Moraes (UEG), além do Partido Comunista Brasileiro e de outras entidades.

A Casa da América Latina foi fundada em 2007, no Rio de Janeiro, com a finalidade de promover a divulgação e o intercâmbio culturais entre o Brasil e os países vizinhos, além de produzir conhecimento e pesquisa acerca desses países. Sua criação foi um consenso entre aproximadamente 350 intelectuais fluminenses acerca da urgência do Brasil voltar os olhos para a cultura latino-americana, tradicionalmente rebaixada pela influência europeia e estadunidense.

Aqui em Goiás a filial da CAL tem a pretensão de continuar esse intercâmbio, angariando outros movimentos sociais que estejam dispostos a contribuir com os ideais da casa. “A nossa ideia é que a casa esteja aberta a diferentes movimentos sociais e sujeitos que estejam ligados ao debate de solidariedade entre os países da América Latina”, informa Marta Jane. Existindo na forma de associação, a CAL depende da contribuição dos filiados para sua manutenção. Qualquer estado ou grupo interessado poderá abrir uma filial da casa, desde que se submeta ao estatuto que regulamenta sua existência.

O diretor de eventos e mobilidade social da CAL, Jorge Cárpio Del Solar, esteve em Goiânia para o lançamento da seção de Goiás, e falou sobre a importância do projeto: “A Casa da América Latina representa para nós o resgate da consciência da intelectualidade brasileira para os países hispano-americanos. Até hoje só tínhamos as culturas europeia e americana como paradigma para o desenvolvimento do nosso conhecimento sobre a América Latina. Nunca sequer pensamos que nela, na Bolívia, na Argentina, Uruguai, Peru, Venezuela, enfim, havia pensadores, intelectuais, historiadores que professavam seus povos, o continente, o mundo. Temos os prêmios Nobel de literatura da Colômbia e do Chile, por exemplo, que nos legaram um atributo intelectual de imenso valor, mas pouco reconhecido aqui no Brasil. Só nos últimos anos é que se deu importância à cultura latino-americana como instrumento de libertação de seu povo.”

Fonte: Site da UFG - Universidade Federal de Goiás ( http://www.ufg.br/page.php?noticia=8490 )

A privatização da guerra- Doutrina Rumsfeld

A doutrina Rumsfeld: alta tecnologia e privatização da guerra

Nos últimos dias nos deparamos com noticias sobre o uso civil dos veículos aéreos não tripulados, VANT. Os VANT são fruto do desenvolvimento tecnológico militar que por suas virtudes, ao agregar poder de fogo e observação, mobilidade e redução de custos, foram impondo-se nos exércitos de todo o mundo. Hoje em dia existem 700 tipos, 500 deles exclusivamente militares, presentes em 25 países.

Por Javier Couso
artigo enviado por Jorge Peres costa

Os líderes na fabricação destes aparatos são Estados Unidos e Israel e não é casualidade já que seu desenho e implantação foi favorecido de maneira decisiva pela chamada “Doutrina Rumsfeld” que é, de fato, um projeto de reorganização das forças armadas estadunidenses, similar ao que foi impulsionado anteriormente por Brzezinsky, eminência parda do verdadeiro poder estadunidense.

O que torna diferente ambas a doutrinas é o aspecto tático, o qual gira exclusivamente sobre o poder aéreo, as forças especiais, a tecnologia, a informação e, como elemento coesionador, a privatização de grandes áreas que dizem respeito à defesa.

Frente à visão de Colin Powell sobre o uso de um poder militar esmagador e decisivo, Rumsfeld propõe reduzir os gastos em armamentos já que na concepção das novas guerras, e sem ter em frente exércitos de divisões com similar poder, é preferível uma força menor apoiada, isso sim, pela mais alta tecnologia e a melhor informação.

Curiosamente, e apesar de ser un republicano neoconservador, Rumsfeld em sua visão estratégica coincide com o democrata Brzezinsky. Este aponta a China como o verdadeiro inimigo, prevê um isolamento dos EUA cada vez maior, descarta o Atlântico Norte e a Europa Central como eixos centrais e dedica cuidados aos países europeus da Otan outorgando um uso tático ao Oriente Médio onde, se as forças de intervenção estadunidenses se adiantem e se estas dominam zonas estratégicas, podem propiciar como objetivo prioritário o isolamento que leve à neutralização da China.

No princípio o conceito “complexo militar industrial” se opunha frontalmente aos planos de Rumsfeld, mas a realidade nos demonstra que finalmente houve uma adequação dos mesmos, já que o orçamento da Defesa aumentou com uma orientação mais tecnológica e os empreendimentos que se dedicam à construção de material militar de alta tecnologia saíram reforçados.

Quando se reflete sobre doutrina estratégica estadunidense se observam mudanças de elementos táticos, novos teatros de operações, mas a indicação da China como prioridade é anterior à queda da URSS, embora se consolide depois deste fato.

Dentro destas similitudes vemos que Rumsfeld impulsiona, desde 2001, o falsamente denominado “Escudo antimísseis”, que pretende deixar fora do jogo a Rússia ao obrigá-la a empreender uma nova corrida aos armamentos, deixando o peso desta iniciativa aos países europeos da Otan (mais a Turquia).

Polônia, Romênia e Espanha são atores destacados. Uns põem bases de mísseis e esta última aporta os melhores e mais modernos meios navais, as fragatas dotadas com o sistema Aegis.

O importante do pensamento de Rumsfeld não é tanto o conceito estratégico que, como já vimos, bebe do de Brzezinsky, mas sua aplicação tática nova que dá o pontapé inicial à preeminência de alta tecnologia fundida com o pensamento neoliberal de privatização de áreas e recursos, os quais na concepção de Estado Nação tradicional estavam em mãos exclusivas do Estado.

Esta ideia é a que faz com que, para manter essa pequena força estatal, se recorra a ceder à iniciativa privada áreas de segurança e informação vitais. Funções assumidas imediatamente por empresas de segurança, conhecidas popularmente como “contratistas”, maneira eufemística de chamar o que sempre foi o aluguel de mercenários.

A partir das invasões do Afeganistão e Iraque, assistimos à proliferação desta privatização da guerra e da inteligência, que leva a criar grandes empresas com mais poder que alguns países. Seus benefícios imediatos convencem os governos: são mais baratas de manter do que as estruturas castrenses tradicionais, não têm responsabilidades fora do tempo de contrato e ao mesmo se estabelece o negócio com setores ideologicamente afins que podem chegar aonde as próprias Forças Armadas, algo constrangidas pelo Direito Internacional Humanitário, não convém que cheguem.

Igual ao que ocorre com a segurança, na logística se aplica o mesmo princípio. A alimentação, os transportes, a construção de bases, sua manutenção … tudo é posto em mãos privadas. Nas mãos privadas dos amigos.

Ainda que menos vistosa, a logística é a alma de um exército. Não é em vão que os grandes historiadores militares falam com admiração da logística das Legiões Romanas ou da dos exércitos de Alexandre, o Grande, que lhes permitia percorrer centenas de quilômetros tendo assegurados a comida, o descanso, o material… em definitivo, todas as necessidades na vida de milhares de homens em movimento. Imaginemos o formidável negócio que é manter o deslocamento de centenas de milhares de soldados em oitocentas bases ao redor do mundo.

Como conclusão, devemos ter sempre presente o pensamento de Rusmfeld, pois, com as bases estratégicas de Brzezinski, faz uma construção tática e ideológica da projeção do poder estadunidense que estamos vivendo hoje em dia, que se resume em: alta tecnologia e privatização. Puro pensamento neoliberal no âmbito militar imperial.

Tudo está relacionado neste tabuleiro mundial onde se joga a geopolítica, embora o emaranhado de ações não nos deixe ver o núcleo do bosque.

Fica claro que esta é a construção ideológica de um futuro em que as grandes corporações vão minando e substituindo o poder dos Estados, chegando inclusive a devorar quem lhes permitiu crescer e desenvolver-se: os Estados Unidos.

O que pareciam distopias literárias ou cinematográficas de um mundo dominado por um governo mundial de grandes corporações se torna cada vez mais possível com a permisividade e o impulso de um pensamento que enfraquece as competências do Estado dos cidadãos, emanado da Revolução Francesa, para entregá-lo a entidades privadas com uma visão feudal do mundo.

Fonte: Cubadebate

Em Risco a Sobrevivência da Humanidade

Em risco a sobrevivência da humanidade

Por Raymundo de Oliveira

Não há registro na história da humanidade de uma nação relativamente tão poderosa quanto os atuais Estados Unidos. Quantas bases militares tem a China no exterior? E a Rússia? E o Irã? E a Síria? E o Brasil, Cuba, Venezuela, Japão, Alemanha? Posso afirmar que não têm nenhuma base militar no exterior. Por quê, com que direito os EUA têm dezenas de bases militares em todas as partes do mundo?
América Latina
Não há um só país na América Latina que não tenha sido vítima da agressão dos EUA, direta ou indiretamente. O golpe de Pinochet, no Chile, foi diretamente apoiado pelo governo americano. O golpe de 64, no Brasil, tinha a Quarta Frota norte americana preparada para a eventualidade de não dar certo.
O México foi esquartejado pelos EUA no século XIX e quando Cárdenas resolveu nacionalizar o petróleo, a pressão foi imediata e direta, ficando célebre a expressão: “ México, triste México, tão longe de Deus e tão próximo dos Estados Unidos”. Hoje a NAFTA está destruindo a indústria mexicana. A ALCA, no restante da América Latina, tinha o mesmo objetivo, felizmente afastado.
Poderíamos citar ainda a Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Argentina, Colômbia, Haiti, Peru, Equador, Bolívia, Uruguai, Paraguai. Cada país uma história triste, os EUA sempre apoiando os governos repressivos, onde os interesses das grandes empresas americanas se confundem com aqueles dos grupos internos de empresários associados a elas. É quase sempre uma história similar.
E não me referi ainda a Cuba, onde o domínio americano substituiu o espanhol, na passagem do século XIX para o XX. Vem daí a excrescência histórica da base de Guantánamo que os EUA se recusam a devolver a Cuba e que foi transformada em centro de tortura de militantes árabes. Além disso, até hoje o Império mantem o criminoso bloqueio a Cuba.
Como a política venezuelana não é aquela que os americanos gostariam, eles construíram sete bases militares na Colômbia e armaram fortemente este país, insuflando a guerra, que todos sabemos seria instrumento da destruição da Venezuela pelos EUA, tendo como objetivo verdadeiro as reservas petrolíferas do país.
Quando o Brasil descobre o pré-sal, num momento em que as multinacionais procuram desesperadamente novas reservas de petróleo, imediatamente é reativada a Quarta Frota que, há décadas, estava adormecida. Esse acordar da Quarta Frota está sendo um aviso aos brasileiros e latino-americanos de que um poder mais alto está de olho nessa riqueza estratégica.
Oriente Médio
Sem qualquer simpatia pelo Iraque sob o governo de Saddam Hussein, período em que os comunistas e a esquerda em geral estavam na cadeia, é preciso reconhecer que se tratava de um país com uma das melhores qualidades de vida na região e onde as mulheres tinham mais direitos. Porém, possuía a terceira maior reserva de petróleo do mundo.
Tendo perdido a confiança dos EUA, o Iraque é invadido por decisão unilateral dos norte-americanos, sem, para isso, ter conseguido nem mesmo o apoio da própria Europa. Alegavam que o Iraque teria armas de destruição em massa, o que ficou provado que era mentira. São tão fortes que não precisam dar satisfação a ninguém. Destruído o país, Saddam é preso e levado a julgamento, durante o qual foram assassinados três advogados de defesa e trocado o juiz-chefe. Imaginem se isso tivesse acontecido em Cuba!!!!
Procuraram impedir qualquer pronunciamento de Saddam Hussein, tendo o julgamento sido interrompido diversas vezes. Seu depoimento seria perigoso, pois poderia dizer de quem recebeu os gases tóxicos que usou contra os curdos. Poderia relembrar o apoio que tivera dos EUA na guerra contra o Irã. Moral de história: os defensores da “democracia ocidental e cristã”, os norte-americanos, forçaram seu enforcamento, transmitido ao vivo pela Internet. Há poucas barbaridades tão graves no passado recente e tão bem documentadas.
Hoje o Iraque é um país arrasado, sem infraestrutura de saneamento, sem hospitais, suas estradas destruídas, escolas fechadas, toda uma juventude, que chegou a ser das mais instruídas da região, sem condições de assistir às aulas. Mas seu petróleo está controlado pelos EUA e as empresas americanas contratadas para reconstruírem o país.
Esse processo se repetiu na Líbia, que também possui enorme reserva de petróleo, tendo sido assassinado Muammar Kadhafi pelas forças da OTAN, sob orientação dos EUA.
Há pouco mais de um ano, as coisas fugiram do controle no Egito, à época comandado por Hosni Mubarak, homem de confiança dos EUA. Rapidamente, a Sra. Hillary Clinton deixou claro que Mubarak era amigo e o defendeu contra os que se levantavam por eleições livres. Não deu certo, o movimento cresceu, Mubarak caiu. A palavra final não foi dita, mas os americanos estão apoiando o que restou da ditadura militar anterior, receosos de que as coisas possam ir longe demais.
Os EUA querem continuar decidindo o destino de cada país e controlando suas riquezas estratégicas. Serão melhores, por acaso, os dirigentes da Arábia Saudita ou eles estão sobrevivendo porque são submissos e permitem que seu petróleo, a maior reserva do mundo, seja utilizada livremente pelo maior império da história da humanidade?
Há quarenta anos os norte-americanos saíram enxotados do Vietnam, após causarem milhões de mortes. Hoje estão destruindo o Iraque e o Afeganistão e se preparando para destruir a Síria.
E, com tudo isso, querem impedir que o Irã se prepare para a guerra, construindo suas próprias armas. O que aconteceu no Iraque e na Líbia é incentivo para que se armem as nações ameaçadas pelos EUA.
O drama é ainda mais profundo, pois Síria, Irã, Líbia, Afeganistão, Iraque entre outros têm tido governos deploráveis, ditaduras teocráticas, algo que sonhávamos não seria visto no século XXI. É inconcebível qualquer apoio a esses governos, por tudo o que têm representado de atraso. Porém, não se pode dar uma carta em branco para os EUA escolherem que ditaduras podem ficar e quais as que ele decidiu acabar. A superação desses governos precisa ser algo vivido por seus povos, nascido de suas lideranças, superado pelo avanço de seus próprios quadros: cientistas, mulheres e homens, profissionais liberais, trabalhadores e suas organizações.
Crise e Guerra
Como colocado no início, não há registro na história da humanidade de uma nação tão poderosa. Sua atuação no exterior é suportada pelo desnível nos armamentos onde os EUA têm larga vantagem sobre todos os outros países somados. O perigo adicional é que, numa dessas crises cíclicas a que somos levados pela lógica do Capital, como a que estamos vivendo, o Império se desespere e faça “bobagem maior”. A história mostra que a guerra é sempre uma possibilidade nas grandes crises.
Em risco a sobrevivência da humanidade.

Raymundo de Oliveira- Presidente da Mesa do Conselho da Casa da América Latina

Mulher Coragem

Leocádia Prestes: mãe coragem

Leocádia Prestes nasceu no dia 11 de maio de 1874, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Dotada de caráter enérgico e independente, Leocádia destacou-se das jovens da sua classe social. Falava vários idiomas, era exímia pianista, estudou pintura, canto, declamação. No entanto, tais predicados não lhe bastavam. Ela gostaria de ser professora pública, o que não pôde exercer devido aos preconceitos sociais. A política a interessava, fato inusitado entre as moças de seu tempo.

Em 1896, casou-se com o capitão Antônio Prestes, engenheiro militar, que participara da proclamação da República. Era um homem culto, partidário do Positivismo, que era a corrente filosófica mais progressista no Brasil, no fim do século XIX. O convívio com o marido contribuiu para que Leocádia Prestes ampliasse sua cultura e aprofundasse ainda mais o seu interesse pela política e pelas questões sociais. Anos mais tarde, ela contaria aos filhos a ansiedade com que ela e o marido viveram o episódio da Guerra de Canudos. A morte prematura do marido deixou-a em situação precária. A pensão não era suficiente para o sustento dos filhos. O caminho mais fácil teria sido arrimar-se a algum parente rico. Ela preferiu, porém, conservar a sua independência.

Deu aulas de idiomas e música, trabalhou de modista, balconista e até de costureira do Arsenal de Marinha. Em 1915, foi nomeada professora da escola pública, cargo que exerceu durante 15 anos. Trabalhava à noite, nos cursos destinados a comerciários, operários e domésticas. Era um trabalho árduo. Pela primeira vez, ela pôde ter um maior contato com as camadas mais pobres da sociedade e isso aguçou ainda mais sua revolta contra as injustiças sociais.

Ao educar os filhos, sua preocupação foi a de incutir-lhes o amor ao trabalho, à natureza e por tudo que é belo. A música, a poesia, o pôr do sol ou o desabrochar de uma flor, a emocionavam igualmente. A luta pela sobrevivência não fez diminuir seu interesse pelo que ocorria no mundo. Mesmo nos momentos mais difíceis, em sua casa nunca faltou um jornal. Assim, em 1910, empolgou-se com Rui Barbosa e fazia questão de comparecer aos comícios, levando consigo o filho mais velho, Luiz Carlos, que contava apenas doze anos de idade, para que ouvisse a pregação cívica do mestre baiano.

Por isso mesmo, em 1922, quando seu filho Luiz Carlos Prestes, já oficial do Exército, começa a participar da política, atuando no movimento tenentista, ela lhe deu apoio, incentivando-o inclusive a continuar a luta, após a derrota do movimento. Em 1924, ocorreu o levante do Rio Grande do Sul, liderado por Luiz Carlos Prestes, dando início à grande marcha através do Brasil que duraria até fevereiro de 1927. Foram anos duros para as famílias dos participantes da Coluna Prestes.

Leocádia Prestes, mesmo sabendo que a vida do filho corria perigo, nunca perdeu a coragem. Para que não houvesse dúvidas sobre o seu apoio às ideias do filho, ela trazia sempre ao peito, bem visível, um medalhão com o retrato dele. Sua firmeza impressionava. Com o fim da censura, em 1927, os feitos heroicos da Coluna Prestes tornaram-se conhecidos do povo brasileiro. Prestes passou a ser considerado herói nacional – o Cavaleiro da Esperança – e Leocádia Prestes era a Mãe de todos os brasileiros. Sua modesta casa de subúrbio no Rio fervilhava de admiradores e políticos.

Getúlio Vargas, aproveitando-se do prestígio de Prestes e do movimento Tenentista, comandou a Revolução de 1930. Os tenentes, antigos participantes da Coluna Prestes, aderiram em massa ao Movimento de 30. Prestes, convidado recusou-se a participar, por considerar o Movimento conservador e reacionário. Ainda em 1930, Prestes lançou um manifesto, pregando uma revolução popular, agrária e anti-imperialista. O documento, qualificado de comunista, caiu no Brasil como uma bomba. Os políticos abandonaram a casa de Leocádia Prestes. Em público, viravam-lhe as costas. Ela reagia com altivez, reiterando sua solidariedade ao filho querido.

Convencida de que o filho não poderia retornar ao Brasil, ela demonstrou toda sua coragem: licenciou-se do emprego, liquidou a casa e, acompanhada das quatro filhas, partiu para a Argentina, para ficar ao lado do filho. Iniciava-se, então, um longo exílio. Em Buenos Aires, a vida foi dura. Era impossível conseguir trabalho. Poucos dias após a chegada da família, Prestes foi preso, sendo obrigado a asilar-se em Montevidéu. Leocádia Prestes permaneceu em Buenos Aires, com as quatro filhas, lutando como podiam para sobreviverem. Foi nesse período que a família Prestes se aproxima do marxismo.

Em 1931, Luiz Carlos Prestes foi convidado pelo governo soviético para trabalhar como engenheiro. Sua família, mais uma vez, não vacilou em acompanhá-lo. Leocádia Prestes dizia: “se meu filho seguiu este caminho, este é o caminho certo”. Contudo, seu primeiro contato com a sociedade socialista não foi fácil. Arrasada pelas guerras, a União Soviética atravessava enormes dificuldades. Faltava tudo. Para uma senhora de quase 60 anos, de origem aristocrática e que havia passado toda sua vida sob o regime capitalista, a realidade soviética suscitava muitas dúvidas. Seu espírito de justiça, porém, ajudou-a a superar as incompreensões. Pouco a pouco, ela foi compreendendo a causa das dificuldades e a grandeza da luta do povo soviético.

Em agosto de 1934, Luiz Carlos Prestes foi finalmente aceito no Partido Comunista Brasileiro (PCB), terminando assim sua penosa trajetória do tenentismo ao marxismo. E, em dezembro do mesmo ano, partia para o Brasil, para a luta clandestina. Iniciou-se, então, para Leocádia Prestes, um longo período de sofrimento. Ela não duvidava de que, se o filho fosse preso, seria morto. Contudo, procurava manter-se firme, buscando uma forma de participar da luta, aprendeu datilografia a fim de ajudar na cópia e tradução de documentos.

Em 5 de março de 1936, Prestes foi preso no Rio de Janeiro, junto com sua companheira Olga Benário. Graças à coragem de Olga, que o protegeu com seu corpo, não conseguiram matá-lo no ato da prisão. Foi decidido, então, levantar uma campanha internacional em defesa da vida de Prestes e de todos os presos no Brasil. E Leocádia Prestes foi escolhida para encabeçar essa campanha.

Aquela foi a sua primeira missão política. Tarefa difícil para uma senhora de 62 anos que havia sido, até então, apenas mãe de família e, quando muito, professora de subúrbio. Contudo, ela não desanimou. Acompanhada de sua filha Lygia, partiu de Moscou, em fins de março de 1936, dando início à campanha.

Foram anos de trabalho. Eram comícios, conferências, visitas a jornais, sindicatos, partidos políticos, parlamentares ou a chefes de governos. Viagens frequentes e demoradas. Era um trabalho extenuante. Com sua filha Lygia, ela percorreu os principais países europeus, denunciando o terror desencadeado no Brasil, o perigo de morte para os presos políticos e pedindo solidariedade e apoio para a sua luta. Comitês em defesa de Prestes foram criados em vários países. Do mundo inteiro, o governo brasileiro era bombardeado com milhares de cartas, exigindo a libertação de Prestes e de seus companheiros ou, pelo menos, o respeito às suas vidas.

Em fins de 1936, com a extradição de Olga Benário para a Alemanha nazista, a campanha se duplica. Surge uma campanha paralela, destinada a salvar a vida de Olga e do bebê que estava para nascer. Leocádia Prestes e sua filha Lygia vão a Genebra pedir ajuda a Cruz Vermelha Internacional. Graças às gestões da campanha, foi possível receber, em 1937, notícias de Olga e de sua filha, Anita Leocádia, nascida em 27 de novembro de 1936.

Três vezes Leocádia Prestes foi com sua filha Lygia à Alemanha, enfrentar a Gestapo e exigir a libertação de Olga e da criança. Delegações internacionais foram também a Berlim, com o mesmo objetivo. Malgrado todos os esforços, não foi possível salvar Olga. O mais que se obteve foi a libertação da pequena Anita Leocádia, em janeiro de 1938.

Ante a iminência da guerra, Leocádia Prestes vê-se forçada a deixar a Europa, com a filha Lygia e a neta Anita, e parte para o México, cujo presidente, general Cárdenas, concedera-lhes asilo. Com a guerra, Leocádia Prestes perde o contato com as outras três filhas que haviam ficado em Moscou. Além da sorte do filho, na prisão, preocupa-a agora também a situação dos seus outros entes queridos, ameaçados pela guerra. Quando as hordas nazistas avançavam pela União Soviética, ela costumava dizer aos amigos: “Vocês não conhecem aquele povo! Quem passou tantas privações e sofrimentos para construir o socialismo em seu país, não vai fraquejar agora. Eles são invencíveis!”.

Leocádia Prestes não teve a alegria de assistir à vitória final dos povos sobre o nazismo nem a libertação dos presos políticos, no Brasil, em 1945. Após longa e penosa enfermidade, ela veio a falecer no México, no dia 14 de junho de 1943. Sua morte comoveu o mundo. Ao velório, na cidade do México, compareceram milhares de pessoas, inclusive numerosos estrangeiros. Todos os ministros de Estado estiveram presentes, a começar pelo general Cárdenas, na época Ministro da Defesa, no Governo de Ávila Camacho. No dia 18 de junho de 1943, realizou-se o enterro, que se transformou em uma verdadeira manifestação popular. O cortejo atravessou toda a cidade a pé até o cemitério. O caixão, coberto pela bandeira brasileira, foi levado em ombros e cercado por bandeiras de várias nações. À beira da sepultura, oradores de diversos países se fizeram ouvir. O poeta chileno Pablo Neruda leu o seu poema “Dura Elegia”, escrito para aquele momento, no qual ele define Leocádia Prestes com estas singelas palavras: “Señora, hiciste grande, más grande, a nuestra América...”.

Cubanos presentaron prototipo de vacuna contra el Sida

Científicos cubanos presentaron prototipo de vacuna contra el Sida

Científicos cubanos expusieron este lunes durante un congreso de biotecnología que se realiza en La Habana, los avances logrados en el desarrollo de una vacuna contra el Síndrome de Inmunodeficiencia Adquirida (Sida) , que fue probada con éxito en experimentos con ratones y que dentro de poco se efectuarán ensayos en humanos que contrajeron el virus.

''El nuevo candidato vacunal contra el Sida" ya fue "probado con éxito" en ratones y "ahora estamos preparando" un "ensayo clínico fase uno, muy pequeño, muy controlado" con pacientes "seropositivos" que "no están en etapas avanzadas" de la enfermedad'', indicó a los periodistas el científico cubano, Enrique Iglesias.

Iglesias lidera el equipo de expertos que diseñó la vacuna en el Centro de Ingeniería Genética y Biotecnología (CIGB) ubicado en la capital de la isla caribeña.

Iglesias explicó que la vacuna Teravac-HIV-1 se desarrolló a partir de "una proteína recombinante (mediante técnicas de ingeniería genética)", y busca inducir "una respuesta celular contra el virus".

No obstante, el científico pidió "no crear falsas expectativas", pues "no existe un modelo animal de la infección del Sida que reproduzca la enfermedad tal cual ocurre en humanos".

"Hasta ahora se han hecho más de 100 ensayos clínicos (en humanos) en VIH" en Cuba y otros países, y "todos han fallado", sentenció.

El Congreso Internacional Biotecnología (CIGB) Habana 2012, comenzó este lunes en la capital cubana y reúne a 600 científicos de 38 países

Entre el panel de expertos se encuentran el biólogo estadounidense Peter Agree, Premio Nobel de Química 2003, y científicos del CIGB y del Instituto de Medicina Tropical de La Habana (IPK).

Según el Ministerio de Salud Pública de Cuba, la isla invierte más de 200 millones de dólares al año en programas de promoción, prevención y atención a pacientes con Sida, lo que incluye el tratamiento gratuito para cada enfermo con medicinas retrovirales, algunas de la cuales se producen en el país.

Informes locales señalan que Cuba se encuentra entre los 22 países menos afectados por el Sida con 12 mil contagios y dos mil 63 muertes por el virus desde que fue detectada la enfermedad en el territorio en 1986.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/cientificos-cubanos-desarrollan-vacun... )

Os haitianos pedem a retirada dos Capacetes Azuis do Haiti

02.03.12 - Haiti
Plataforma de Organizações revela violações de direitos humanos praticadas pela Minustah desde 2004
Natasha Pitts
Jornalista da Adital

Recentemente, a Plataforma de Organizações Haitianas de Direitos Humanos (POHDH) divulgou o relatório A Minustah e a violação dos Direitos Humanos no Haiti mostrando o fracasso e os prejuízos causados pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que desde 2004 ocupa o país a pretexto de garantir a paz, instalar um estado de direito e oferecer segurança.
O relatório aponta que cada vez mais a atuação da Minustah no Haiti é alvo de críticas severas por parte da sociedade haitiana. Isso pode ser constatado ao se relembrar as inúmeras manifestações da população e da sociedade civil organizada pedindo a saída dos militares.

Não por acaso o povo pede que os ‘cascos azuis’ - como os soldados são conhecidos - batam em retirada. O relatório da Plataforma de Organizações Haitianas revela que o clima de insegurança cresceu depois da chegada das tropas e relembra que a introdução e propagação da cólera foram obras dos militares da Minustah.

O documento também cita as atrocidades cometidas pelos militares, sobretudo, nos bairros mais pobres, como Cité Soleil, Bel Air e Martissant, onde se tem registro de operações que mataram, feriram, maltrataram e destruíram bens privados. De fevereiro de 2004 a dezembro de 2006, apenas na região metropolitana da capital, Porto Príncipe, 74 pessoas foram mortas nas intervenções da Minustah. Em outros departamentos também foram catalogadas violações de direitos. A POHDH cita o enforcamento de Gerald Gilles no Cabo Haitiano, a violação de Johny Jean em Port-Salut e a de Roody Jean em Gonaives, e o assassinato de Widerson Gena, que foi vitimado quando participava de uma manifestação em Verettes.

Nem mesmo a polícia está livre dos desmandos dos militares. A POHDH descobriu casos de violência e tentativa de violação contra agentes da polícia por parte de soldados. Um dos casos aconteceu em 29 de maio de 2008. O policial Luckinis Jacques, da delegacia de Cité Soleil, foi violentado por agentes da Minustah. O mesmo aconteceu em seis de agosto de 2008 com os policiais Donson Bien-Aimé A2 e Ronald Denis A3, também da delegacia de Cité Soleil. Há cerca de um ano, do dia 13 para 14 de março, o policial Orline Mérilan sofreu tentativa de violação por parte de Muhammad Naseem, também membro da Missão.

A Plataforma de Organizações Haitianas assegura que em nenhum dos casos foram feitos procedimentos para punir os culpados e oferecer reparação às vítimas.

Além de todo o mal que a permanência dos militares provoca à população, a POHDH aponta que a Minustah demanda uma soma extraordinária de dinheiro. "O custo de sua operação deixa pressagiar um antagonismo flagrante entre a vontade de criar a estabilidade do Haiti em vista do desenvolvimento sócio-econômico do país e do enriquecimento dos atores internacionais, deixando jogados na miséria uma grande proporção da população”, criticam.
Os diversos casos comprovam que a atuação da Minustah no país viola normas nacionais e internacionais de proteção aos direitos humanos, dentre elas a Declaração Universal de DH, da qual o Haiti é signatário e que em seu artigo terceiro define que todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança.

Por esta soma de motivos, a Plataforma recrimina a permanência dos militares no país. "(...) nenhuma mudança real aconteceu em nível do aparato judicial que fomenta, todavia, a impunidade e a violação dos Direitos Humanos. Várias pessoas seguem sendo objeto de detenções ilegais e arbitrárias com prisão preventiva prolongada, enquanto os criminosos de grande porte como Jean-Claude Duvalier seguem aproveitando da impunidade”, criticam, comprovando que os oito anos de Minustah no Haiti não trouxeram benefícios para a população ou para o país.
A Plataforma de Organizações Haitianas de Direitos Humanos faz um apelo e pede aos países que se dizem amigos do Haiti que apoiem não os projetos estrangeiros, mas as iniciativas nacionais inspiradas nas necessidades prioritárias da maioria da população haitiana.

Fonte: Adital- online

FARC-EP e a Libertação dos Prisioneiros de Guerra

AS FARC-EP ANUNCIAM A LIBERTAÇÃO DE TODOS OS PRISIONEIROS DE GUERRA

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, 26 de fevereiro de 2012

Cada vez que as FARC-EP falam de paz, de soluções políticas para o confronto, da necessidade de conversar para obter uma saída civilizada para os graves problemas sociais e políticos que originam o conflito armado na Colômbia, o coro dos apaixonados pela guerra se levanta inflamado, desqualificando os nossos propósitos de reconciliação. De imediato, recaem sobre nós as mais perversas intenções, apenas com o intuito de insistir que a única coisa que nos cabe é o extermínio. Em geral, esses apaixonados nunca vão à guerra e nem permitem a ida de seus filhos.

São quase 48 anos na mesma situação. Cada ofensiva militar redundou num subsequente fortalecimento nosso, contra o qual voltam a agigantar-se as investidas, reiniciando o círculo. O fortalecimento militar das FARC de hoje ocorre sob os narizes daqueles que proclamaram o seu fim e os incita a proclamarem a necessidade de aumentar ainda mais o terror e a violência. Da nossa parte, consideramos que não cabe mais a possibilidade de longas conversações.

Por isso, queremos comunicar nossa decisão de somar à anunciada libertação dos seis prisioneiros de guerra, a dos quatro restantes em nosso poder. Ao agradecer a disposição generosa do governo que preside Dilma Rousseff (*), que aceitamos sem vacilação, queremos manifestar nossos sentimentos de admiração para com os familiares dos soldados e policiais em nosso poder. Jamais perderam a fé em que os seus recobrariam a liberdade, ainda que em meio ao desprezo e à indiferença dos seguidos governos, comandos militares e comandos policiais.

Em atenção a eles, queremos solicitar à senhora Marleny Orjuela, essa incansável e valente mulher, dirigente da ASFAMIPAZ, que os receba na data acordada. A tal efeito, anunciamos ao grupo de mulheres do continente, que trabalham ao lado do Colombianas e Colombianos pela Paz, que estamos prontos para concretizar o que seja necessário para agilizar este propósito. A Colômbia inteira e a comunidade internacional serão testemunhas da determinação demonstrada pelo governo de Juan Manuel Santos, que já frustrou um final feliz em novembro passado.

Muito se tem falado acerca das retenções de pessoas, homens ou mulheres da população civil que, com fins financeiros, nós das FARC efetuamos para sustentar nossa luta. Com a mesma vontade indicada acima, anunciamos também que, a partir desta data proscrevemos a prática delas em nossa atuação revolucionária. A parte pertinente da lei 002, expedida pelo nosso Pleno do Estado Maior, no ano de 2000, fica, por conseguinte, revogada. É o momento de começar a esclarecer quem e com quais propósitos se sequestra hoje na Colômbia.

Sérios obstáculos se interpõem à concretização de uma paz concertada em nosso país. A arrogante decisão governamental de aumentar o gasto militar, o corpo de força e as operações, indica a prolongação indefinida da guerra. Ela trará consigo mais morte e destruição, mais feridas, mais prisioneiros de guerra de ambas as partes, mais civis encarcerados injustamente. Além disso, ela indica a necessidade de recorrer a outras formas de financiamento ou pressão política de nossa parte. Essa é a hora do regime pensar seriamente numa saída distinta, que comece ao menos por um acordo de regularização do confronto e da libertação de prisioneiros políticos.

Desejamos, finalmente, expressar nossa satisfação pelos passos que vem sendo dados para a formação da comissão internacional. Caberá a essa comissão verificar as denúncias sobre as condições desumanas de reclusão, o desconhecimento dos direitos humanos e de defesa jurídica que afrontam os prisioneiros de guerra, os prisioneiros de consciência e os presos sociais nos cárceres do país. Esperamos que o governo colombiano não tema e não obstrua este legítimo trabalho humanitário impulsionado pela comissão de mulheres do continente.

* Um comando das Forças Armadas brasileiras vai, dentro em breve, resgatar os reféns na selva, em local indicado pelas FARC,.e entregá-los em Bogotá.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Notícias das Montanhas

Nossa terra
– 15/02/2012

Por Iván Márquez Por Ivan Marquez
Integrante del Secretariado de las FARC-EP Membro do Secretariado das FARC-EP

Nossa terra, que pertence a nós porque nascemos nele, nosso país tornou-se um tesouro cobiçado por pirataria transnacional e tempo de decaimento da crise sistêmica do capital.

. Transnacionais, Sarmiento Angulo e Santodomingo, Efremovich e Francisco Santos, e patch pirata muitos outros feroz e faca, se apressaram para saquear as riquezas que ainda tem para a Colômbia, com o gangster consentimento e carta branca Presidente Santos.

Investir na terra, agora tem implicações estratégicas. . A geografia, território, tornou-se obcecado com a ganância do capital. . Com o declínio das empresas globais de produção de petróleo viraram seus olhos para a perspectiva de lucros rápidos com a produção de agrocombustíveis e de exploração do subsolo. A Amazônia, do Orinoco e do longo trecho do Pacífico são os novos espaços cobiçados por ganhos de capital de mineração, por qualquer meio.

A terra já não tão interessados ​​em produção de gado como meio de geração e soberania alimentar, não.. O negócio é a produção de biocombustíveis, etanol, no cultivo de milho, cana e de palma de óleo, e os saques do que está na superfície e abaixo dela: petróleo, ouro, carvão, coltan, ferro-níquel , água e biodiversidade, sem quaisquer barreiras ou sócio-ambientais da ética.

Por 25 anos, o último governo pavimentou o caminho para o assalto. Temos vivido um quarto de século de expropriação violenta liderada pelo Estado para expropriar terras, massacres paramilitares, deslocamento forçado. Definitivamente o lado negro do estado é os paramilitares. Durante esse tempo eles foram deslocados 5 milhões de agricultores e 7 milhões de hectares desapropriados. O paramilitar do Estado, o Plano Colômbia, a intervenção dos EUA no conflito interno, foram utilizados como um aríete para quebrar criminal para as pessoas e criar condições seguras para a entrada de investidores.

Após 8 anos de governo ilegítimo, ilegal e máfia, Uribe encerrou a coroa até sangrando. Santos é simplesmente lavando o sangue que espalha o regime. Samaritano é uma farsa tentando cobrir com cosméticos internacional desacreditar um governo. É diferente porque ele não mata desembozadamente Uribe, mas mata e rouba nome da Constituição e da Lei

Alterando a aparência, mas os lucros e pilhagem, são sagrados. Não toque.. Isso é exatamente o mesmo ou pior do que Uribe. A confiança dos investidores é um eufemismo que esconde a transferência da soberania. Uribe assinou os contratos de segurança em transnacionais legais até 20 anos, encheu-os de incentivos, isenções fiscais, garantias para a pilhagem ... maços de dólares e moedas de prata aumentaram o estoque do Judas da Colômbia. E Santos? Está fazendo o mesmo. . Ele trabalha para aprofundar as políticas neoliberais e, neste contexto é o proponente da legislação que favorece os direitos do capital contra o interesse comum e do próprio país. Fez 90 000 soldados do exército colombiano de os vigias multinacionais taciturnos, guardiões da infra-estrutura e ganhos de capital estrangeiro contra a agitação social.

Aquele não era o papel atribuído à Liberator do Exército pai. defender Ele falou de defender as fronteiras e garantias sociais.

Noite e dia, centenas de carros de carvão e cerca de um milhão de barris de petróleo fora do país para o mercado internacional, além de pulverização, alta poluição, e Santos, cheios de gratidão a realizar, proclama que as exportações estão crescendo, e a economia de 7%. Vale a pena perguntar, como sugerido por especialistas e acadêmicos do país, como a Colômbia é a economia colombiana? Quem exporta o petróleo, carvão, ferro-níquel, ouro? Transnacionais. país. Prosperidade é, então, multinacionais e governantes vendidos, não o país. A Um é só os buracos e túneis estão vazios eo desastre sócio-ambiental.

A população inteira de Marmato tradição mineira, Caldas-pessoas de idade, destinado a ser deslocado pelo governo para uma empresa multinacional canadense pode explorar o seu ouro a céu aberto.

. Agora eles estão tentando criminalizar a mineração artesanal de que depende o sustento de milhares de colombianos, para dar o monopólio da mineração de ouro para as multinacionais. Al frente de esa campaña está el ministro de Minas y Energía. Liderando a campanha é o ministro de Minas e Energia. Onde quer que você ouvir a sua mentira mineração cantilena ela está ligada a organizações criminosas e terrorismo. O cúmulo da imprudência! Precisam urgentemente de amarrar que burocrata maluco que colocou na cabeça do ministério Santos, Mauricio Cárdenas, antes do shred pouco de soberania que, miraculosamente, o que nos resta.

Todos os esforços são direcionados Santos estratégia para legalizar o roubo, ou seja, para roubar e desapropriar, em nome da lei, suavemente, sem o derramamento de sangue que a opinião tanto chocado internacional. Esse é o espírito que domina o pacote legislativo perante o Congresso será a partir de março.

A Lei de Terras e reparação para as vítimas patrocinados pelo Santos é um hoax, como também está confuso sobre a verdadeira identidade dos autores. Então, sem precedentes é dada pela proclamação ultimamente, armas de arremesso, que a insurgência é a causa do saque, quando historicamente se mostra que a carga é o estado com o seu exército, os seus paramilitares, seus proprietários, seus animais e sua leis. Presidente e ao ladrão que grita: agarrar o ladrão!

Sim Santos começou a pousar proprietário suspeita ou real de deslocados, mas o que está dando o direito de superfície, uma parte de ilusões que faz você pensar que o agricultor que possui a terra, quando na verdade o que é dar um título a ser vendida ou arrendada. Logo você vai cair para o camponês, como abutres carniceiros transnacionais e do agronegócio, para arrendá-los direito a 20 e 30 anos para produzir etanol e extrair o ouro, carvão, petróleo e coltan, enquanto o agricultor continua confinado na mesma favelas das grandes cidades, longe de casa, talvez vivendo uma renda precária.

A terra nessas circunstâncias, torna PÁTRIA categoria percebida nítida e agarrar com toda a sua força ao coração dos colombianos. Luta pela soberania não é mais uma bandeira abstrata e etérea mal para se tornar a procura de dignidade da maioria. Assim, punho do país contra a pilhagem da riqueza nacional ea devastação do meio ambiente, toma novas dimensões e também indica um novo nível de consciência da luta popular.Defenda o que é nosso, nossa terra, é para defender a nossa dignidade.

Montañas de Colombia, febrero de 2012 Montanhas da Colômbia, fevereiro de 2012

A Luta de Hugo Chávez contra o cancer.

Chávez volta a Cuba onde passa por nova cirurgia para a retirara de tumor

France Presse

Publicação: 23/02/2012 18:39

Caracas - O Parlamento da Venezuela autorizou nesta quinta-feira (23) o presidente Hugo Chávez a viajar a partir de sexta-feira a Cuba e por um período superior a cinco dias para se submeter a uma nova cirurgia "inadiável" na mesma região de onde extraiu um tumor cancerígeno em 2011.

A autorização foi "aprovada por unanimidade", disse o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, diante dos legisladores, que receberam uma carta do presidente fazendo a solicitação.

"Solicito a autorização correspondente para me ausentar do território nacional a partir de 24 de fevereiro por mais de cinco dias com o objetivo de me submeter novamente a uma necessária e inadiável intervenção cirúrgica na cidade de Havana", diz a carta que foi lida diante do plenário, de maioria governista.

Na terça-feira, Chávez anunciou que deveria se submeter a uma nova cirurgia após ter detectado uma "lesão" que tem uma "alta" probabilidade de ser cancerígena - segundo ele - na mesma região onde extraíram um tumor cancerígeno em junho de 2011 em Havana.

Cabello rejeitou um pedido da oposição de que Chávez delegue suas funções durante sua ausência ao vice-presidente Elías Jaua, como exigiu no ano passado quando o governante se ausentou várias vezes do país para se operar na primeira vez e se submeter a tratamentos de quimioterapia em Havana.

Em 2011, Chávez continuou emitindo decretos e aprovando leis de Havana, apesar de posteriormente ter delegado parcialmente algumas de suas funções em Jaua.

Chávez, no poder desde 1999, havia dado por superado o câncer que lhe foi diagnosticado em 2011 e confiante sobre sua recuperação reiterou que buscará ser reeleito para um terceiro mandato nas eleições presidenciais de 7 de outubro nas quais competirá com o candidato opositor Henrique Capriles Radonski.

Fonte: correio braziliense- online

A Defesa é a principal prioridade

Barack Obama vai ao supermercado de armas

Sacrifícios e cortes para tudo, mas não para os mercadores da morte. A administração Obama apresentou ao Congresso a proposta de previsão orçamentária para 2013 para a rubrica da “defesa”: 613 bilhões de dólares, sendo 525 para pagamento de pessoal e compras de caças-bombardeiros, mísseis, tanques de guerra e bombas nucleares e 88 bilhões para as missões de guerra em ultramar.

Por Antonio Mazzeo, em Marx 21

É menos do que pediam os generais e almirantes mas no final das contas todos ficaram contentes: a Marinha confirmará os seus onze grupos navais guiados por porta-aviões a propulsão nuclear, a Aeronáutica e os Marines terão novos caças e helicópteros para múltiplas missões, o Exército se deleitará com superblindados, tanques, radares e interceptores terra-ar. Graças às ordens do Pentágono, poderão brindar a bolsa e as empresas líderes do complexo militar-industrial estadunidense, a inoxidável Boeing, General Dynamics, Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon etc.

Quase um terço das despesas irão para a aquisição e a modernização dos sistemas de guerra mais sofisticados, aviões com e sem piloto, navios e submarinos de ataque, mísseis de médiio e longo alcance e satélites. Exatamente 179 milhões de dólares, 7% a menos do orçamento previsto para 2012, mas com quase 70 milhões a destinar à pesquisa e ao desenvolvimento de novos instrumentos de morte. A parte do leão é destinada aos famigerados caças-bombardeiros F-35 “Joint Strike Fighters” de Lockheed Martin que tanto prazer dão aos ministros-almirantes italianos. No próximo ano, o Departamento da Defesa quer adquirir 29, sendo que destes destinará 19 à US Air Force e 10 à US Navy, por um valor total de 9,2 bilhões de dólares. O programa dos F-35 será, contudo, redimensionado para poder economizar nos próximos cinco anos ao menos 15 bilhões.

A Força Aérea e o Corpo de Marines poderão contar com 835 milhões de dólares para adquirir, sempre da Lockheed Martin, 7 grandes tanques aéreos e de transporte pesado HC/MC-130J “Hercules” para as operações especiais. Estão previstos no orçamento também 21 bimotores de decolagem vertical V-22 “Osprey”, o falcão pescador projetado pelo consórcio Bell-Boeing para o apoio às missões de guerra. Importantes financiamentos serão dados depois à Aeronáutica para prosseguir os programas de modernização da frota das grandes aeronaves de transporte C-17 e C-16 e para o reabastecimento em voo KC-10 e KC-135 e comprar novos radares para os caças F-15C/D e F-16.

O Pentágono pediu depois 1,3 bilhão de dólares para potenciar a frota dos cargueiros C-5 “Galaxy”, fundos para melhorar os sistemas de comunicação dos bombardeiros estratégicos stealth (invisíveis) B-2, potenciar as armas de precisão dos velhos B-52 e modernizar o sistema de mísseis intercontinentais “Minuteman III” ICBM. No orçamento destina-se ainda 1,8 bilhão de dólares para financiar a pesquisa e o desenvolvimento do KC-46, futuro avião-tanque da Força Aérea, 808 milhões para melhorar os componentes do supercaça F-22A “Raptor” e 292 milhões para a projeção de um novo caça-bombardeiro estratégico stealth.

Verbas bilionárias são destinadas a grandes e pequenas aeronaves sem piloto UAV para espionagem e lançamento de bombas e mísseis, já amplamente empenhados no Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão, Somália e Iêmen. O orçamento de 2013 prevê uma despesa de 1,2 bilhão de dólares para seis novos RQ-4 “Global Hawk”, Hawks Northrop Grumman Global, 3 para abastecer a Marinha no âmbito do programa Broad Area Maritime Surveillance e 3 para a Otan para a AGS (Alliance Ground Surveillance), o novo programma de vigilância terrestre da aliança atlântica, cujo centro de comando e controle será instalado na base siciliana de Sigonella.

O Departamento da Defesa pediu ao Congresso autorização para comprar 43 drones hunter-killer com mísseis “Hellfire” produzidos pela General Atomics, ao custo total de 1,9 bilhão de dólares. Desses, 24 serão do tipo MQ-9 “Reaper” (28 horas de autonomia e possibilidade de transportar bombas GBU-Paverway), os restantes 19 na versão mais avançada MQ-1C “Grey Eagle” (36 horas de autonomia). O US Army receberá 234 mini-aviões sem piloto RQ-11 “Raven” produzidos pela AeroVironment (valor de 184 milhões de dólares).

O exército terá a possibilidade de potenciar o próprio parque de helicópteros graças ao financiamento de três programas distintos ao custo total de 3,6 bilhões de dólares. O primeiro cobrirá a compra de 10 novas aeronaves de ataque Boeing AH-64 “Apache” e a modernização de outros 40 já em dotação do mesmo modelo (Northrop Grumman e Lockheed Martin). O segundo será para a compra de 25 novos meios de transporte Boeing CH-47 “Chinooks” e modernização de outros 19. O terceiro para a compra de 59 helicópteros multifuncionais UH-60 “Black Hawks” (produtor Sikorsky). Outros 272 milhões serão utilizados para adquirir 34 helicópteros leves UH-72 produzidos pela EADS North America.

“Especialmente no Afeganistão, pela sua particular condição ambiental, há uma tremenda demanda de helicópteros por parte das forças terrestres”, explicou o general Peter Chiarelli do Exército dos Estados Unidos. Está programado o fornecimento de 28 helicópteros de ataque Bell H-1 ao Corpo de Marines (852 milhões de dólares).

Quase 11 bilhões de dólares foram pedidos pelo Pentágono para financiar a compra ou a pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas de guerra terrestre. Trata-se especificamente do “Joint Light Tactical Vehicle”, aeronave leve para o patrulhamento e comboio de escolta para cenários como o do Afeganistão e que será produzido a partir do final deste ano pela General Dynamics (116,8 milhões de dólares); do caminhão de transporte de meios táticos “MTV” da Oshkosh Corporation (1.471 unidades a um custo total de 377,4 milhões ); do meio pesado M1135 Stryker Nuclear, Biological and Chemical Reconnaissance Vehicle (NBCRV) da General Dynamics para a vigilância e detecção de riscos NBC (58 unidades ao custo de 332 milhões). A General Dynamics poderia receber 74 milhões para modernizar os tanques M1 “Abrams”.

O maior percentual das despesas de guerra para 2013 é destinado à Marinha de guerra (156 bilhões de dólares). Entre os programas mais importantes está a aquisição de cinco bimotores Northrop Grumman E-2D “Hawkeyes” para a vigilância marítima e a defesa das unidades de superfície (1,2 bilhão); de 26 caças embarcados Boeing F/A-18E/F “Super Hornets” (2,2 bilhões); de 12 aeronaves para guerra eletrônica Boeing EA-18 “Growler” com decolagem de porta-aviões. A Marinha de Guerra dos EUA comprará também 33 novos caças para adestramento (trata-se dos chamados “T-6”) para o qual concorre também a italiana Alenia Aermacchi, (286 milhões) e 37 helicópteros multifuncionais Sikorsky MH-60 “Seahawk” (1,33 bilhões de dólares). 3 bilhões e 200 milhões de dólares serão destinados aos 13 primeiros patrulhadores marítimos de última geração P-8 “Poseidon” destinados a substituir progressivamente os velhos P-3C “Orion”. Também o “Poseidon”, como o “Global Hawk” e o “Reaper” encontrarão hospitalidade na base de Sigonella.

Outros 22 bilhões e meio de dólares serão destinados ao lançamento de novas unidades navais e submarinos. Em particular, a Marinha comprará dois caças torpedeiros da classe “Arleigh Burke” (3,5 bilhões de dólares) e quatro navios de combate de superfície “LCS” (Littoral Combat Ship). Na realização deste último, concorrem dois consórcios “internacionais” dirigidos respectivamente pela Lockheed Martin (com possíveis subcontratações pela italiana Fincantieri) e a General Dynamics-Northrop Grumman.

No programa está também o trabalho para completar a unidade naval veloz para o transporte de tropas e meios “Joint High Speed Vessel” (191 milhões) e do porta-aviões CVN 21 da nova classe “Gerald R. Ford” (966 milhões), gigante de 320 metros e 104.000 toneladas acionado por dois reatores nucleares A1B 320, que poderá embarcar até 75 caças. A Marinha depois pediu 4,3 bilhões para comprar dois moderníssimos submarinos nucleares hunter-killer da classe “Virginia” (General Dynamics e Northrop Grumman) e 1,6 bilhão de dólares para reparar o porta-aviões “Abraham Lincoln”.

Estão previstos 8 bilhões de dólares para os programas de hipermilitarização do espaço, quase tudo contratado com a empresa Lockheed Martin, os mais relevantes dos quais dizem respeito ao desenvolvimento do sistema de raios infravermelhos “Space Based Infrared System” (950 milhões) e do sistema de satélites “Advanced Extremely High Frequency” (786 milhões, incluída a instalação da estação MUOS em Niscemi); ou a aquisição de quatro sistemas de lançamento “United Launch Alliance Evolved Expendable Vehicles” (1,7 bilhão) e de dois 2 satélites GPS III (1,3 bilhão).

Graças ao orçamento de 2013, o Departamento da Defesa poderá dar um forte impulso ao desenvolvimento dos chamados planos nacionais de “defesa de mísseis balísticos”. A despesa prevista é de 9,7 bilhões de dólares, dos quais 1,3 bilhão para completar a produção de 29 interceptores SM-3 Block 1B “Standard-Missile” da Raytheon; 777,7 milhões para o desenvolvimento do programa “THAAD” (Terminal High Altitude Area Defense) para a interceptação no espaço de “possíveis ameaças de mísseis contra as tropas dos EUA, as forças aliadas a população civil e a infraestrutura crítica”; 763 milhões para comprar à Raytheon 84 interceptores terra-terra “Patriot” PAC-3; 401 milhões para aviar a substituição do sistema antimísseis “Patriot” com o novo sistema de defesa aérea de médio alcance “Medium Extended Air Defense System” (MEADS) a realizar no âmbito da Otan (hoje só a Itália e a Alemanha se declararam disponíveis à parceria com os Estados Unidos).

Por último, mas não menos importante, o Pentágono pediu 903 milhões de dólares para desenvolver o sistema de defesa com base terrestre “Ground-Based Midcourse Defense” da Boeing, que será administrado pela agência militar nacional de mísseis.

Para o municiamento de mísseis a curto e médio alcance, o Pentágono prevê gastar até 10,2 bilhões de dólares. As principais encomendas dizem respeito às novas bombas de pequeno diâmetro (216 milhões); 180 mísseis ar-ar guiados por radar AI-120 AMRAAM da Raytheon (423 milhões); 314 mísseis de infravermelho AIM-9X também da Raytheon (200 milhões); 157 mísseis ar-superfície “Joint Standoff” da Lockheed (248 milhões); 4.678 munições Raytheon para ataque direto (133 milhões).

Com a aprovação do orçamento, o exércitro poderá adquirir 400 mísseis terra-ar de curto alcance “Javelin” de produção britânica (86 milhões) e 1.794 sistemas de lançamento de foguetes “Guided Multiple Launch Rocket Systems” da Lockheed Martin (382 milhões), enquanto a Marinha poderá dotar-se de 192 novos mísseis de cruzeiro “Tomahawh” da Raytheon (valor de 320 milhões de dólares) e do sistema de mísseis balísticos “Trident II” da Lockheed Martin (1,5 bilhão).

Para cortar verdadeiramente as despesas militares, segundo a administração Obama, será necessário esperar os próximos cinco anos, ainda que seja presumível que se limitará a ajustes e adiamentos entre rubricas orçamentárias, evitando o máximo possível prejudicar os recursos para o sistema de armas. As novas linhas guias do Pentágono, apresentadas no início de janeiro, delineando estas perspectivas de revisão do orçamento, privilegiando em particular as intervenções estratégicas da Marinha e Aeronáutica no Oriente Médio e no Oceano Pacífico.

“As forças militares serão menos numerosas mas mais ágeis, flexíveis, prontas e tecnicamente avançadas”, explicou o secretário da Defesa, Leon Panetta, por ocasião da apresentação da previsão para 2013. Sempre segundo Panetta, “em 2017, o exército dos Estados Unidos sofrerá uma redução de 547.000 a 490.000 homens, enquanto o Corpo dos Marines sofrerá um corte de 182.000 unidades”. Ao final, serão eliminadas oito brigadas de rápida intervenção, duas das quais hoje hospedadas na Alemanha, contudo, será duplicado o número de militares do exército acantonados em Vicenza. Mas para além dos “bons” propósitos da administração dos EUA, no próximo ano o pessoal à disposição das quatro forças armadas sofrerá uma redução de apenas 1,5%. Permanecerão operativos 1,4 milhão de militares, sempre mais do que eram em 2001 antes dos atentados de 11 de setembro e da declaração de guerra global ao “terrorismo” internacional.

Fonte: www.marx21.it

Vale é responsável conflito na Colômbia

Protesto contra a Vale deixa um morto e vários feridos na Colômbia

Uma manifestação contra a Vale que começou nesta terça, 14, na cidade de La Loma, no departamento de Cesar, na Colômbia, já contabiliza um policial morto, vários feridos e casas e carros incendiados. A dificuldade em se avançar nas negociações sobre o reassentamento de três comunidades foi o estopim para a crise. Os moradores têm sofrido com a contaminação gerada pela mineradora, muitos estão doentes, e exigem que a negociação seja feita diretamente com a empresa, não apenas por intermédio do governo.

O protesto começou em Plan Bonito, onde a estrada e a linha férrea que escoam o carvão foram interrompidas. Mais de 100 caminhões com capacidade de 35 toneladas cada não puderam passar, assim como um trem com 135 vagões que carrega 60 toneladas de minério cada um. Ao saber do bloqueio, os moradores de La Loma também organizaram uma manifestação, que terminou em conflito com a chegada da polícia anti-distúrbios, um grupo especial da Polícia Nacional da Colômbia. O clima é tenso no local.

Os moradores de La Loma exigem que a Vale remova o depósito de rejeitos da mina e que comece a fazer aterros, além de interromper o corte de eucaliptos, única proteção ambiental da região. Os manifestantes querem também investimento em capacitação e oportunidades de trabalho, e poder negociar diretamente com um representante da Vale da Colômbia ou do Brasil. As negociações até o momento têm sido através do Fundo Nacional de Desenvolvimento – FONADE, uma instituição do governo colombiano contratada pela empresa, mas que não tem cumprido com prazos e exigências da população.

Na Colômbia a Vale produz carvão térmico extraído da mina a céu aberto El Hatillo. Localizada ao lado da cidade de La Loma, a mina ocupa uma área de 9.693 hectares. A empresa opera também o Porto de Rio Córdoba, situado na costa caribenha do departamento de Magdalena, e conta com 8,4% de participação na Ferrocarriles Del Norte de Colombia S.A. (FENOCO), que administra a ferrovia de ligação entre as operações de carvão da Vale e o porto. As mineradoras Drummond, Glencore e CNR também exploram minério no departamento de Cesar.

Manifestações contra a Vale se espalham pelo mundo

Desde o começo do ano houve praticamente um protesto popular por semana contra a Vale, com bloqueio das operações da empresa. Em janeiro e fevereiro, houve manifestações em Açailandia e Buriticupu (Maranhão, Brasil), Cateme (Moçambique), Sudbury (Canadá), Morowali (Indonésia) e agora na Colômbia. Já em Altamira, no Pará, onde a Vale é sócia do consórcio que constrói a hidrelétrica de Belo Monte, manifestantes ocuparam a primeira barragem do rio Xingu e interromperam os trabalhos das máquinas.

Coincidentemente, o último conflito na Colômbia aconteceu exatamente nos dias em que a Vale divulgou seus lucros bilionários e novos recordes de investimento e renda. “São duas faces do mesmo ‘desenvolvimento’, que atropela sem escrúpulos as comunidades que habitam as regiões onde a Vale faz seu lucro estratosférico”, afirma Andressa Caldas, do Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale.

Recentemente a empresa foi escolhida a pior corporação do mundo no Public Eye Awards, conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial. Criado em 2000, o Public Eye é concedido por voto popular em função de problemas ambientais, sociais e trabalhistas, e entregue durante o Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos.

Fonte:Justiça Global

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