Artigos / Notas


Como os 'dissidentes' de Cuba seriam tratados em outros países?

Em Cuba, existem cerca der 50 pessoas a quem os grandes meios de comunicação classificam como "presos políticos", "presos de consciência" ou "dissidentes". Os governos dos países mais poderosos e ricos do mundo se apóiam neste argumento para pressionar o governo cubano e forçar mudanças na ilha de acordo com seus interesses políticos e econômicos. A conhecida e prestigiosa organização Anistia Internacional também qualifica com estes termos estas pessoas. Porém, o que há de correto em tudo isso?

É preciso recordar que nenhum dos chamados "dissidentes" foram penalizados por delitos de opinião, mas por sua colaboração direta com o governo dos Estados Unidos por diferentes meios, basicamente a recepção de fundos econômicos.

Esta superpotência, cuja economia representa hoje cerca de um terço de toda a economia mundial, mantém um bloqueio econômico que provoca graves privações à população da ilha e que já foi condenado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 18 ocasiões. Além disso, protege em seu território pessoas responsáveis por centenas de vítimas de atos terroristas na ilha e mantém ocupada uma parte do território do país, a Baía de Guantânamo, contra a vontade expressa do povo e do governo cubanos.

Quer dizer, o governo dos Estados Unidos mantém uma guerra aberta e declarada contra Cuba, com o objetivo de derrubar o sistema político e social vigente na ilha. Para isso, destinou, só nos anos 2007 e 2008, US $ 45,7 milhões para os chamados "dissidentes", e outros US $ 100 para organizações radicadas nos Estados Unidos que atuam, em muitos casos, como financiadores intermediários dos mesmos.

Os delitos dos chamados " dissidentes", portanto, não têm nada a ver com a liberdade de expressão, mas com colaboração com uma superpotência estrangeira inimiga.

Mas o que aconteceria em outros países com pessoas com atuações semelhantes? (1)

O Código Penal dos Estados Unidos prevê uma pena de 20 anos para quem preconize a derrubada do governo ou da ordem estabelecida. Estipula 10 anos de prisão para quem emita "falsas declarações", com o objetivo de atentar contra os interesses dos Estados Unidos em suas relações com outra nação. E pena de três anos para quem "mantenha (...) correpondência ou relação com um governo estrangeiro (...). com a intenção de influir em sua conduta (...) a respeito de um conflito ou uma controvérsia com os Estados Unidos".

O Código Penal espanhol castiga com pena de 4 a 8 anos a quem "mantiver relações de inteligência ou relação de qualquer gênero com governos estrangeiros (...), a fim de prejudicar a autoridade do Estado ou comprometer a dignidade ou os interesses vitais da Espanha". Prevê pena de 10 a 15 anos aos responsáveis por crime de "rebelião", aplicado a quem se "levante violenta e publicamente" com objetivos como: derrubar ou modificar a Constituição, destruir ou suprimir faculdades do rei da Espanha.

A França castiga com pena de até 30 anos e multa de € 450 mil "o feito de manter relações de inteligência com uma potência estrangeira, (...) com vistas a sucitar hostilidades ou atos de agressão contra a França".

A Itália sanciona com pena entre 3 e 10 anos o " cidadão que, inclusive indiretamente, receba (...) do estrangeiro (...) dinheiro ou qualquer outro artigo (...) com o objetivo de cometer atos contrários aos interesses nacionais", com um incremento de pena se "o dinheiro (...) se entrega ou se promete mediante propaganda na imprensa".

Em qualquer um dos citados países, e em outros não mencionados, os denominados "dissidentes" cubanos receberiam, então, penas muito superiores que aquelas recebidas por seus delitos em Cuba. Contra todos eles (os dissidentes), ficou provado o recebimento, direto ou indireto, de fundos do governo dos Estados Unidos e colaboração com a política de guerra contra a ilha.

O pesquisador francês Salim Lamrani define a Anistia Internacional como uma organização "reconhecida por sua serenidade, profissionalismo e imparcialidade", porém critica seu tratamento em relação a Cuba. "A Anistia Internacional faria bem em reconsiderar seu juízo a respeito daqueles que considera presos de consciência em Cuba, pois ter duas medidas é inaceitável", afirma o professor.

(1) Salim Lamrani, “Las contradicciones de Amnistía Internacional”, no Rebelión de 7 de maio de 2008. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=67001

Fonte: Kaos en la Red, tirado de vídeo produzido por Cubainformación.
Tradução: portal Vermelho

Ocupação Silenciosa

Luís Carapinha*

Fonte: http://www.odiario.info/?p=1672

Neste texto, Luís Carapinha diz-nos que os EUA prosseguem o caminho iniciado de reintervenção na América Latina com o golpe de Estado nas Honduras: “Obama prossegue assim o bloqueio contra Cuba e intensifica a conspiração contra a Venezuela e os restantes países da ALBA, ao mesmo tempo que apoia a agenda da grande burguesia, como mostram os casos do Brasil e da Argentina. Reverter e derrotar as singulares experiências de transformação revolucionária e desarticular os diferentes espaços de integração latino-americana é condição essencial para a recolonização imperialista do sub-continente.”

Um ano após o golpe de Estado nas Honduras os EUA prosseguem a senda desenfreada de militarização do continente americano. A última investida corresponde à ocupação silenciosa da Costa Rica. Os factos são simples: com o apoio da presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, o parlamento do país centro-americano aprovou há dias um «acordo de segurança» com os EUA que prevê a entrada no seu território de sete mil soldados norte-americanos que se farão acompanhar por cerca de 50 vasos de guerra, incluindo um porta-aviões, e mais de duas centenas de helicópteros e aviões de combate.
A razão invocada para a deslocação do impressionante aparato bélico é no mínimo risível – o combate contra o narcotráfico. Ainda mais quando se sabe que os EUA são o maior consumidor mundial de drogas e que a Colômbia e o Peru, países que se encontram na órbita estadunidense, são os dois maiores produtores mundiais de cocaína.
O caso é muito sério. Depois da reactivação da IV Frota para a América Latina, ainda com Bush, e do afastamento do presidente Zelaya, já com Obama, os EUA estabeleceram mais sete bases militares na Colômbia, recuperaram a estratégica presença militar no Panamá – um dos resultados imediatos da eleição presidencial em 2009 de Martinelli –, invadiram o paupérrimo e destroçado Haiti e ampliaram a presença militar nas próprias Honduras, onde sob a fachada democrática resultante de umas eleições fraudulentas segue a campanha de violência e assassinatos do poder golpista.
A literal ocupação da Costa Rica – sem direito ao estatuto de notícia no «grande espaço mediático» – é particularmente escandalosa, pois, que se saiba, a Constituição ainda vigente em San José proíbe a presença de forças armadas no seu território, que aboliu em 1948, e proclama o país como zona de paz.
É certo que políticos como o anterior presidente, Óscar Arias – o eterno mediador do imperialismo – nunca regatearam esforços em melhor servir os interesses dos EUA na zona do seu «quintal das traseiras». Foi sob a sua alçada e não obstante o forte repúdio popular que a Costa Rica implementou em 2009 um Tratado de Livre Comércio com os EUA. É na sua esteira que Chinchilla, em cujo curriculum consta o facto de ter trabalhado para agências ligadas à CIA, como a USAID, e que tal como Arias integra a Internacional Socialista, pactua agora para tornar a Costa Rica num chinelo do imperialismo.
Trata-se este de mais um relevante sinal da contra-ofensiva dos EUA na América Latina. Cujo raio de acção não está circunscrito à obstinação em criar uma zona tampão na América Central e à ameaça directa aos governos da FSLN e FMLN, na Nicarágua e El Salvador. A preocupação central a que o Pentágono tenta dar resposta tem como foco principal os processos de resistência, acumulação de forças e mesmo transformação que se desenvolvem na América Latina.
Obama prossegue assim o bloqueio contra Cuba e intensifica a conspiração contra a Venezuela e os restantes países da ALBA, ao mesmo tempo que apoia a agenda da grande burguesia, como mostram os casos do Brasil e da Argentina. Reverter e derrotar as singulares experiências de transformação revolucionária e desarticular os diferentes espaços de integração latino-americana é condição essencial para a recolonização imperialista do sub-continente.
A irreprimível ambição de hegemonia absoluta obrigam doentiamente a economia mais endividada e parasitária do mundo a canalizar verbas astronómicas para a guerra. Munidos da doutrina do Ataque Imediato Global, porta-aviões e forças navais da super-potência imperialista sulcam os mares do mundo, das águas do Golfo Pérsico e costas iranianas até às cercanias da China.
Em plena crise do capitalismo, crescem exponencialmente os perigos do imperialismo e a máquina bélica dos EUA precipitarem novos focos de tensão e Guerra. Realidade a exigir impostergáveis e efectivas respostas em defesa da vida e da Paz.

* Analista de política internacional

Este texto foi publicado no Avante nº 1911 de 15 de Julho de 2010.

Financiamento dos EUA a meios e jornalistas venezuelanos

Documentos revelam financiamento dos EUA a meios e jornalistas venezuelanos
Mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências
estadunidenses e 25 páginas da internet foram financiadas na Venezuela
com o dinheiro estrangeiro.

Por Esther Banales Eva Golinger

Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos
Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas
siglas em inglês) evidenciam mais de 4 milhões de dólares em
financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos
anos.

O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de
Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação
Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês),
Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos
Estados Unidos (Usaid).

Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de
Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas
recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento
datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais
organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e
Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).

Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as
encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do
Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e
jornalistas venezuelanos.

Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou
programas na Venezuela dedicados à "promoção da liberdade dos meios e
das instituições democráticas", além de cursos de formação para
jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao
que considera as "constantes ameaças contra a liberdade de expressão"
e "o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios".

Financiamento a páginas web anti Chávez

Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu 699.996 dólares do
Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao "desenvolvimento dos
meios independentes na Venezuela" e para o jornalismo "via tecnologias
inovadoras". Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas
foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25
páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro.
Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em
âmbito nacional, que também incluiu a outorga de "prêmios" de 25 mil
dólares a vários jornalistas.

Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de
páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que
utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo
venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a
realidade sobre o que acontece no país.

Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram
jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso
dessas tecnologias e para criar o que chamam uma "rede de
ciberdissidentes" na Venezuela.

Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush,
juntamente com a organização estadunidense Freedom House convocou um
encontro de "ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos" e
"especialistas em Internet" para analisar o "movimento global de
ciberdissidentes". Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas,
foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da
Venezuela.

No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México
foi a sede da II Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis ("AYM", por
suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o
evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary
Clinton e vários "delegados" convidados pela diplomacia estadunidense,
incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana
Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera,
Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora
membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon
Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.

Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House,
o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o
Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de
"capacitação e formação" dos funcionários estadunidenses e dos
criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e
Youtube.

Financiamento a universidades

Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de
716.346 dólares via organização estadunidense Freedom House, em 2008,
para um projeto de 18 meses dedicado a "fortalecer os meios
independentes na Venezuela". Esse financiamento através da Freedom
House também resultou na criação de "um centro de recursos para
jornalistas" em uma universidade venezuelana não especificada no
relatório. Segundo o documento oficial, "O centro desenvolverá uma
rádio comunitária, uma página web e cursos de formação", todos
financiados pelas agências de Washington.

Outros 706.998 dólares canalizados pela Fupad foram destinados para
"promover a liberdade de expressão na Venezuela", através de um
projeto de 2 anos orientado ao jornalismo investigativo e "às novas
tecnologias", como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre
outras. "Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e
apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias
midiáticas em várias regiões da Venezuela".

"A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo
investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação
independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos
e incorporados no currículo universitário".

Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a
Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a
Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de
pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos,
financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três
universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis
antichavistas durante os últimos três anos.

Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios
privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu 545.804
dólares para um programa intitulado "Venezuela: As vozes do futuro".
Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a "desenvolver uma nova
geração de jornalistas independentes através do uso das novas
tecnologias". Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e
televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos
artigos e transmissões dos "participantes" do programa.

A Usaid e a Fupad

Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em
Caracas, que maneja um orçamento anual entre 5 a 7 milhões de dólares.
Esses milhões de dólares fazem parte dos 40 a 50 milhões de dólares
que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses
estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.

A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela
desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país
sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de
Estado em 1962, e é "filiada" à organização de Estados Americanos
(OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo
Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para
"promover a democracia" e "fortalecer a sociedade civil" na América
Latina e Caribe.

Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima
de 100 milhões de dólares na Colômbia, como parte do Plano Colômbia,
financiando "iniciativas" na zona indígena em El Alto; e leva 10 anos
trabalhando em Cuba, de forma "clandestina", para fomentar uma
"sociedade civil independente" para "acelerar uma transição à
democracia".

Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para "fortalecer os grupos locais
da sociedade civil". Segundo um dos documentos desclassificados, a
Fupad "tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido
outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs
venezuelanas".

Os "sócios" venezuelanos

Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo
jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web
(www.espaciopublic.org) destacar que a organização é "independente e
autônoma de organizações internacionais ou de governos", os documentos
do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento
multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses
documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não
somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como
seus "sócios" e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação
e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle
sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos
Estados Unidos.

O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um
porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment
for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o
Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald
Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é
membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão
(IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de
Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela
NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para
a Assistência para uma Cuba Livre.

Ver os documentos em:
http://centrodealerta.org/noticias/eeuu_financia_a_medios_y_pe.html

Publicado e traduzido por Adital.

PANAMÁ - Pedidos de ajuda para conter repressão chegam à OIT

Pedidos de ajuda para conter repressão contra trabalhadores chegam à OIT

Fonte: Adital

A fim de conter as investidas violentas e a repressão contra os
trabalhadores grevistas ordenadas pelo governo de Ricardo Martinelli,
o secretário geral da ‘Internacional de Trabalhadores da Construção e
da Madeira (ICM)’, Alberto Emilio Yuson, pediu à interferência da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos conflitos pela
derrogação da Lei 30. As manifestações ocorrem no Panamá desde o
último dia três e tiveram início no município de Bocas Del Toro.

Em carta enviada ontem (15), Emilio Yuson pediu ao diretor geral da
OIT, Juan Somavía, que ative o mecanismo de intervenção urgente,
devido à situação de perseguição e detenção arbitrária sofrida por
líderes sociais de diversas categorias e por dirigentes sindicais,
sobretudo do Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da
Construção e Similares (Suntracs).

Segundo informações da agência de notícias Rebanadas de Realidad, na
solicitação enviada à OIT, o secretário geral da ICM descreve os
transtornos e violências a que os manifestantes estão sendo submetidos
ao realizarem mobilizações e greves para reivindicar a derrogação da
Lei 30, mecanismo que vulnera os direitos humanos, trabalhistas e
ambientais.

Recebeu destaque na carta enviada à OIT, a situação vivida em Bocas
Del Toro e na capital, Cidade do Panamá, onde os confrontos com as
forças nacionais resultaram em centenas de feridos, muitos dos quais
correm o risco de ficarem cegos devido aos tiros e à violência
policial. Os confrontos também deixaram um saldo de mortos, mas ainda
não há um consenso sobre o número real. É certo que pelo menos duas
pessoas perderam a vida devido à repressão.

Emilio Yuson revelou ainda que o governo emitiu ordens de prisão
contra membros da Junta Diretiva do Suntracs, situação que forçou os
trabalhadores a se manterem escondidos até que as ordens caíssem.

Depois de muita pressão, Jaime Caballero, subsecretário geral do
Sindicato Único de Trabalhadores da Indústria da Construção e
Similares (Suntracs) e integrante da Frente Nacional pela Defesa dos
Direitos Econômicos e Sociais (Frenadeso), detido desde o dia 10, foi
liberado na noite de ontem (15). Desde então, ele se mantinha em greve
de fome.

O dirigente sindical foi preso pelos agentes do Conselho de Segurança
durante as repressões empreendidas em Bocas del Toro e levado à prisão
da Direção Nacional de Investigação Judicial da Polícia Nacional.

Os movimentos sindicais panamenhos denunciaram a irregularidade desta
e de outras detenções, como a dos dirigentes Ronaldo Ortiz e Alexis
Garibaldi. Segundo Informações do Instituto Observatório Nacional, os
presos não foram informados sobre os motivos de sua prisão e estão
sendo impedidos de contatarem advogados.

Outras situações irregulares também estão marcando este capítulo de
greve no Panamá. No último dia 10, cerca de 300 pessoas foram detidas
quando saiam do Encontro Nacional de Dirigentes Populares, realizado
na Cidade do Panamá. Antes disto, pelo menos 10 dirigentes sindicais e
trabalhadores já haviam sido alvos de detenções arbitrárias.

Na segunda-feira (12), o Fórum de Advogados pela Liberdade entrou com
pedidos de habeas corpus e, por este motivo, 127 pessoas tiveram suas
ordens de condução suspensas.

O pau que dá em Chávez, não dá em Berlusconi nem em Calderón

O prognóstico da tal "crise fatal" do governo Chávez parece não estar se confirmando. O curioso é que já li isso na mídia em umas 10 ocasiões. Claro que é prudente esperarmos as eleições, mas o fato é que ele já está novamente com um nível de aprovação de razoável para confortável: 61%. *1

Na verdade, retomei o assunto porque queria mostar-lhes, vejam que curioso, como o mundo dá voltas. Observem o que está ocorrendo com dois governos marcadamente de direita:

Governo Berlusconi sofre terceira baixa em dois meses *2

Calderón anuncia saída de ministros do Interior e da Economia *3

Agora eu pergunto, alguém ficou sabendo disso? O jornal O Globo botou em 1a página? A Miriam Leitão fará uma coluna inteira criticando esses governos? As profecias catastróficas do PIG vão surgir para estes presidentes?

Coletei algumas frases da cobertura deste mesmo jornal da época em que o tema era a saída de ministros do governo venezuelano. Percebam a diferença clara no destaque e no tom:

1) *4
"Renúncia de Ramón Carrizález, homem de confiança de Hugo Chávez, agrava crise na Venezuela"
"(...) o governo venezuelano liderado por Hugo Chávez deu na segunda-feira outro grave sinal de desgaste"
"Para analistas, a demissão do vice-presidente agrava a crise política no país."
"A saída de Carrizález é mais um capítulo da atual instabilidade enfrentada pelo presidente Chávez - cuja luta pela implantação de "um socialismo para o século XXI" parece entrar em colapso."
"A recente e forçada desvalorização do bolívar e a escalada da inflação - que especialistas acreditam que possa subir a 60% nos próximos meses - afundam a economia."

2) *5
"O governo se esfarela com a saída dos ministros (...)"
"A bonança terminou e levou a conta para o caudilho."
"Os venezuelanos pagam caro pela opção assistencialista do governo"
"O descontentamento popular se amplia."

É assim que a gente desmascara a manipulação desse caras! :)

*1 http://www.aporrea.org/actualidad/n159962.html
*2 http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/14/governo-berlusconi-sofre-te...
*3 http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/07/14/calderon-anuncia-saida-de-m...
*4 http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/01/25/renuncia-de-ramon-carrizale...
*5 http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/01/27/a-conta-de-chavez-9157193...

por Gustavo Marun

Dicas de programas, TV Brasil

Dicas de programas, TV Brasil:

Os presidentes da América Latina - Rafael Correa: Sexta-feira, 16/07 às 22h

http://www.tvbrasil.org.br/ospresidentes/index.php

Abreu e Lima - general de Bolívar: Sábado, 17/07 às 23:30h

UNICEF confirma: em CUBA, 0% de desnutrição infantil

06 JULHO 2010

Cira Rodríguez César

Prensa Latina

A existência no mundo em desenvolvimento de 146 milhões de crianças menores de cinco anos com baixo peso contrasta com a realidade das crianças cubanas, reconhecida mundialmente por estar fora deste mal social.

Esses números alarmantes apareceram em um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado Progresso para a Infância, um boletim sobre Nutrição, lançado na sede da ONU.

Segundo o documento, a percentagem de crianças com baixo peso é de 28 por cento na África subsaariana, 17 no Oriente Médio e no Norte da África, 15 na Ásia Oriental e Pacífico e 7 na América Latina e Caribe.

O quadro é completado pela Europa Central e Oriental, com 5 por cento, e outros países em desenvolvimento, com 27 por cento.

Cuba não tem esses problemas, e é o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil grave, graças aos esforços do governo para melhorar a nutrição das pessoas, especialmente as mais vulneráveis.

As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas sofrem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5.200.000 pessoas subnutridas e no Haiti, três milhões e 800 mil, enquanto em todo o mundo morrem de fome a cada ano mais de cinco milhões de crianças.

De acordo com estimativas das Nações Unidas, seria muito caro conseguir saúde básica e nutrição para todos os povos do Terceiro Mundo.

Porém, bastaria para atender a essa meta 13 bilhões de dólares adicionais por ano para o que se pretende agora, uma cifra que nunca foi alcançada e é minúscula em comparação com os milhões de milhões que são gastos anualmente em publicidade comercial, os 400.000 milhões movimentados pela venda de drogas, ou de até oito bilhões dos gastos em cosméticos nos Estados Unidos.

Para a satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que este é o país com maior progresso na América Latina na luta contra a desnutrição.

O Estado cubano garante uma cesta básica que permite a alimentação da sua população, pelo menos nos níveis básicos, através da rede de distribuição de produtos regulamentados.

Da mesma forma, são feitos ajustes econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a nutrição do povo cubano e aliviar a escassez de alimentos. Especialmente mantém-se uma vigilância constante sobre a vida de crianças e adolescentes. Assim, a atenção para a nutrição começa com a promoção de uma forma melhor e natural de nutrição da espécie humana.

Desde os primeiros dias de vida os inúmeros benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços feitos em Cuba para a saúde e o desenvolvimento da sua infância.

Isso permitiu aumentar a percentagem de recém-nascidos que permanecem até o quarto mês de vida, a amamentação exclusiva e até mesmo a continuidade do consumo de leite, complementada com outros alimentos até os seis meses de idade.

Atualmente, Cuba tem 99 por cento dos recém-nascidos egressos de maternidades com aleitamento materno exclusivo, superior a meta que era de 95 por cento, segundo dados oficiais, o que indica que todas as províncias cumprem essa meta.

Apesar das difíceis condições econômicas atravessadas pela Ilha, se garante a alimentação e nutrição das crianças mediante a entrega diária de um litro de leite a todas as crianças de zero a sete anos de idade.

Adicionando a isso a entrega de outros alimentos, como geléias, sucos e carnes, que, dependendo da disponibilidade econômica do país, são distribuídos de forma equitativa para crianças em idades menores.

Até os 13 anos de idade a prioridade de distribuição subsidiada de produtos complementares, tais como o iogurte de soja, e em catástrofes naturais, as crianças são protegidas pela distribuição gratuita de alimentos básicos.

Crianças incorporadas aos Círculos Infantis (berçários) e escolas primárias com regime de semi-internado também se beneficiam do esforço contínuo para melhorar suas dietas, em termos de componentes dietéticos lácteos e proteína.

Com o apoio da produção agrícola, mesmo em condições de seca severa, e do aumento das importações de alimentos, a ingestão de nutrientes atinge por cima os padrões estabelecidos pela FAO.

Em Cuba, este indicador é a média ficcional da soma do consumo de alimentos pelos ricos e pelos famintos.

Além disso, o consumo social inclui a merenda escolar que é distribuída gratuitamente a centenas de milhares de estudantes e trabalhadores da educação, as cotas especiais de alimentos para crianças de até 15 anos e pessoas acima de 60 nas províncias orientais.

Nesta lista estão cobertas as gestantes, mães lactantes, idosos e portadores de necessidades especiais, suplemento alimentar para crianças com baixo peso e pequeno tamanho, e fonte de alimento para os municípios em Pinar del Rio, Havana e a Ilha da Juventude.

Estas instituições foram atingidas por furacões no ano passado, enquanto as províncias de Holguín, Las Tunas e Camagüey e cinco municípios estão enfrentando a seca.

Nesse empenho colabora o Programa Alimentar Mundial (PAM), que contribui para a melhoria do estado nutricional das populações vulneráveis na região leste, onde se beneficiam mais de 631.000 pessoas.

A cooperação do PAM com Cuba remonta a 1963, quando a agência prestou assistência imediata às vítimas do furacão Flora. Até essa data, realizaram no país cinco projetos de desenvolvimento e 14 operações de emergência.

Recentemente, Cuba deixou de ser um receptor para ser um país doador.

A questão da desnutrição torna-se muito importante na campanha das Nações Unidas para alcançar em 2015 os Objetivos do Milênio, adotada na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada em 2000, e entre seus objetivos está a erradicação da pobreza extrema e da fome até essa data.

Porém, os cubanos dizem que essas metas não vão assustar ninguém, pois a própria ONU coloca o país na vanguarda do cumprimento desses desafios em matéria de desenvolvimento humano.

Não sem deficiências, dificuldades e sérias limitações impostas por um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de quatro décadas.

Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem abaixo do peso no mundo hoje é cubana.

A felicidade impossível - por Fidel Castro

A FELICIDADE IMPOSSÍVEL

Prometi que seria o homem "mais feliz do mundo se estivesse errado" e infelizmente a minha felicidade duraria muito pouco.

Ainda não concluiu a Copa do Mundo de Futebol. Faltam ainda seis dias para a partida final.

Que extraordinária oportunidade perder-se-ão possivelmente o império ianque e o Estado fascista de Israel para manterem afastadas as mentes da imensa maioria dos habitantes do planeta de seus problemas fundamentais!

Quem terá percebido os sinistros planos do império no que se refere ao Irã e seus grosseiros pretextos para agredi-lo?

Ao mesmo tempo pergunto-me: o que fazem pela primeira vez os navios de guerra israelenses nas águas do Golfo Pérsico, do Estreito de Ormuz e nas áreas marítimas do Irã?

É possível imaginar que os porta-aviões nucleares ianques e os navios de guerra israelenses irão embora dali com o rabo entre as pernas, quando forem cumpridos os requisitos acordados na Resolução 1929 do dia 9 de junho de 2010, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que mantém a autorização para inspecionar os navios e aeronaves iranianas com a possibilidade de realizá-la no território de qualquer Estado e que nesta ocasião autoriza a fazê-la aos navios em alto mar?

A Resolução também estabelece que a inspeção dos navios iranianos não se realizaria sem o consentimento do Irã. Nesse caso, a negação seria objeto de análise.

Outro elemento acrescentado é a possibilidade de confiscar o inspecionado caso se confirme que viola o disposto na Resolução.

Um Irã desarmado foi vítima daquela cruel guerra com o Iraque na qual massas de Guardiões da Revolução limpavam os campos minados avançando sobre as mesmas.

Este não é o caso de hoje. Nas Reflexões anteriores expliquei que Mahmoud Ahmadinejad foi chefe dos Guardiões da Revolução no Oeste do Irã, que levou o peso principal daquela guerra.

Anos mais tarde, um governo do Iraque estimulado enviou a maioria de sua Guarda Republicana e se anexou o Emirado Árabe de Kuwait rico em petróleo, que foi presa fácil.

O governo do Iraque mantinha com Cuba uma estreita amizade e recebia, desde os tempos em que não guerreava com ninguém, importantes serviços de saúde. O nosso país tentou persuadi-lo para que abandonasse o Kuwait e terminasse a guerra que tinha provocado a partir de pontos de vista errados.

Hoje é sabido que uma medíocre embaixadora ianque, que tinha excelentes relações com o Governo do Iraque o induziu ao erro cometido.

Bush pai atacou o seu antigo amigo chefiando uma potente coligação com uma forte composição árabe-muçulmana-sunita de países que fornecem petróleo a grande parte das nações industrializadas e ricas, a qual avançou desde o Sul do Iraque para cortar a retirada à Guarda Republicana que se dirigia para Bagdá, a qual por prudência da Infantaria da Marinha e das Forças Armadas dos Estados Unidos -sob o comando de Colin Powell, general com prestígio, e posteriormente Secretário de Estado de George W. Bush- escapou para a capital do Iraque.

Por pura vingança, contra ela utilizaram projéteis contaminados com urânio empobrecido, com os quais pela primeira vez experimentaram o dano que poderiam produzir nos soldados adversários.

O Irã que agora é ameaçado com seus exércitos de ar, mar e terra, de religião muçulmano-xiita, em nada é parecido com a Guarda Republicana que atacaram impunemente no Iraque.

O império está a ponto de cometer um impagável erro sem que nada o possa impedir. Avança inexoravelmente para um sinistro destino.

O único que pode afirmar-se é que houve quartas de final na Copa do Mundo de Futebol. Assim, os fãs do esporte pudemos desfrutar dos emocionantes jogos em que vimos coisas incríveis. Afirma-se que, em 36 anos, o time da Holanda não perdia em uma sexta-feira em jogos da Copa do Mundo de Futebol. Apenas, graças aos computadores poderia fazer-se esse cálculo.

O fato real é que o Brasil foi eliminado das quartas de final da Copa.

Um juiz deixou o Brasil fora da Copa. Pelo menos essa foi a impressão que não deixou de repetir um excelente comentarista esportivo da televisão cubana. Depois a FIFA declarou que era correta a decisão do árbitro.

Mais tarde, o próprio juiz deixou o Brasil com 10 jogadores em um momento decisivo, quando ainda restava mais da metade do segundo tempo do jogo. Com certeza essa não foi nunca a intenção do árbitro.

Ontem a Argentina foi eliminada. Nos primeiros minutos o time alemão através do meio-campo Muller, surpreendeu a confiada defesa e o goleiro argentino conseguindo marcar um gol.

Posteriormente, não menos de 10 vezes, os centroavantes argentinos, por uma do time alemão, não conseguiram marcar um gol.

Pelo contrário, o time alemão marcou outros três gols e até Ângela Merkel, Chanceler Federal da Alemanha aplaudia com muito entusiasmo.

Assim, novamente, um dos times favoritos perdeu. Dessa forma, mais de 90% dos fãs do futebol em Cuba ficaram atônitos.

A maioria esmagadora dos amantes desse esporte nem sequer sabem em que continente está localizado o Uruguai. Uma final entre países europeus será o mais descolorido e anti-histórico desde que nasceu esse esporte no mundo.

No entanto, na arena internacional aconteceram fatos que não tem nada a ver com os jogos de azar e sim com a lógica elementar que rege os destinos do Império.

Uma série de notícias foram veiculadas nos dias 1, 2 e 3 de julho.

Todas giram em torno de um fato: as grandes potências representadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas com direito a veto, mais a Alemanha, chamaram no dia 2 de julho o Governo do Irã a dar "uma rápida resposta" ao convite que lhe foi feito para reiniciar as negociações sobre o seu programa nuclear.

O Presidente Barack Obama assinou no dia anterior uma Lei que alarga as medidas existentes contra as áreas energética e bancária do Irã e poderia punir as companhias que realizarem negócios com Governo de Teerã. Quer dizer, o bloqueio rigoroso e o estrangulamento do Irã.

O Presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o seu país reiniciará as conversações no fim de agosto e destacou que nelas devem participar países como o Brasil e a Turquia, os dos únicos membros do Conselho de Segurança que rejeitaram as sanções do passado dia 9 de junho.

Um funcionário de alto nível da União Europeia advertiu, pejorativamente, que nem o Brasil nem a Turquia serão convidados para participar das conversações.

Não faz falta nada mais para tirar as conclusões pertinentes.

Nenhuma das duas partes cederá; uma, pelo orgulho dos poderosos, e a outra, pela resistência ao jugo e pela capacidade para combater, como tinha acontecido tantas vezes na história do homem.

O povo do Irã, uma nação de milenares tradições culturais, sem dúvidas, vai defender-se dos agressores. É incompreensível que Obama pense seriamente que o Irã aceitará suas exigências.

O Presidente daquele país e os seus líderes religiosos, inspirados na Revolução Islâmica de Ruhollah Khomeini, criador dos Guardiões da Revolução, das Forças Armadas modernas e do novo estado do Irã, resistirão.

Os povos pobres do mundo, que não temos a menor culpa do colossal enredo criado pelo imperialismo, localizados neste hemisfério ao Sul dos Estados Unidos, o resto situados no Oeste, no Centro e no Sul da África, e os outros que possam ficar ilesos da guerra nuclear no resto do planeta apenas temos a alternativa que encarar as consequências da catastrófica guerra nuclear que vai estourar em breve tempo.

Infelizmente não tenho nada que retificar e me responsabilizo plenamente com todo o que escrevi nas últimas Reflexões.

Fidel Castro Ruz

4 de julho de 2010

Alcaldes de la Amazonía boliviana expulsan a USAID de municipios

Alcaldes de la Amazonía boliviana expulsan a USAID de sus municipios

Wilson García Mérida
Bolpress

Pando es declarado “territorio amazónico libre de Usaid”. Son expulsadas de sus comunas autónomas varias ONG’s dependientes de la agencia de cooperación de Estados Unidos como “Conservation Strategy Fund” (CSF), “Herencia”, “Puma”, “WCS Rainforest Alliance” y “Armonía”. Tienen plazo hasta el 30 de julio para entregar sus informes y documentos de cierre de gestión.

Un hecho de trascendencia acaba de suceder en el Estado Plurinacional de Bolivia. Los alcaldes de los municipios en el departamento autónomo de Pando, dentro la Amazonía boliviana, decidieron expulsar de sus jurisdicciones a varias ONG’s, fundaciones y empresas que operan en este territorio con financiamiento de la Agencia de Cooperación de los Estados Unidos (Usaid, por su sigla en inglés), al haberse constatado que estas entidades “son las que generan conflictos internos dentro el país, interfiriendo en nuestro proceso histórico de liberación nacional para socavar la legitimidad democrática de nuestro Gobierno”, según un pronunciamiento emitido el pasado 6 de julio por las autoridades municipales de esta región amazónica fronteriza con Brasil y Perú.

Tras comprobarse que funcionarios pagados por Usaid intentaron provocar un cisma en el movimiento indígena boliviano enfrentando a las organizaciones campesinas de la amazonía boliviana con el propio Gobierno que los representa, los alcaldes de Pando decidieron “expulsar de cada una de nuestras jurisdicciones a las ONG`s, empresas, agencias y proyectos financiados a través de Usaid y sus aliados, para acabar con la impostura de los traficantes internacionales del medio ambiente, poner fin a las maniobras políticas del Gobierno de Estados Unidos en nuestro rico territorio amazónico y liberarnos de las viejas prácticas prebendales impuestas por esta perversa ‘cooperación’ cuyos míseros centavos envilecieron la conciencia de nuestros pueblos, de sus campesinos y de nuestras valerosas representaciones indígenas”.

Entre las ONG’s y fundaciones que “a partir de la fecha” deben abandonar el territorio autónomo de Pando, figuran “Conservation Strategy Fund” (CSF), “Herencia”, “Puma”, “WCS Rainforest Alliance” y “Armonía”, las cuales además, en un plazo que vence el próximo 30 de julio, están obligadas a brindar informes sobre sus programas, proyectos y actividades, así como el origen de su financiamiento, además de los montos recibidos en los últimos 10 años y los resultados tangibles logrados hasta la fecha. “Caso contrario nos veremos obligados a someterlos, en el marco de la nueva Constitución Política del Estado, a los tribunales de justicia por vulnerar nuestra autonomía y atentar contra nuestra soberanía territorial e institucional”, advierte el pronunciamiento emitido por la Asociación de Municipios de Pando (Amdepando).

El pronunciamiento explica que mediante programas como el denominado “Madre de Dios, Acre y Pando” (MAP) y la “Iniciativa de la Cuenca Amazónica” (ICCA), Usaid y sus ONG’s han convertido al departamento amazónico de Pando “en un territorio enajenado e intervenido abusivamente”. Afirma asimismo que bajo el maquillaje de “lucha contra la pobreza”, “preservación del medio ambiente”, con enfoque capitalista, y programas racistas denominados “Protección de Paisajes Indígenas”, suplantan a la autoridad autónoma de los municipios e intervienen políticamente haciendo circular clandestinamente millones de dólares en las comunidades indígenas y campesinas para enfrentar al pueblo con su propio Gobierno, buscando desestabilizar al régimen que preside el líder indígena Evo Morales.

El mal llamado “Manejo efectivo de la diversidad biológica y los servicios ambientales”, agrega el documento, “es sólo un pretexto para trasnacionalizar nuestros recursos naturales, intervenir las organizaciones sociales y alinearlas con los intereses del imperio para terminar dominando nuestros territorios, sus bosques y la biodiversidad”.

En ejercicio soberano de sus competencias conferidas por el nuevo régimen autonómico boliviano establecido en la actual Constitución Política del Estado, los munícipes pandinos han declarado al departamento de Pando “Territorio Amazónico Libre de Usaid”.

Con dicha declaración, los munícipes amazónicos apoyan la decisión del presidente Evo Morales Ayma, oficializada ya fines de 2008, de expulsar definitivamente a Usaid de nuestro país. “Este será un gesto histórico, soberano y ejemplar, destinado a lograr el respeto frente al arrogante intervencionismo extranjero”, reza el pronunciamiento, además de declarar “estado de emergencia en nuestros municipios para defender la dignidad y soberanía nacional ante la desestabilización democrática propiciada por los enemigos internos y extranjeros de este proceso de cambio”.

Advierten las autoridades comunales que “a partir de la fecha ninguna ONG, Fundación —nacional o extranjera—, empresa y/o proyecto que no cuente con la autorización de los alcaldes y sus concejos municipales, podrá hacer intervención alguna en nuestro territorio”.

El departamento de Pando está ubicado al norte de la República de Bolivia sobre una extensión de 64.000 kilómetros cuadrados en la cuenca del gran Amazonas, con más de 50.000 habitantes según el censo del 2001; contiene 5 provincias, 15 municipios y 51 cantones. Es uno de los territorios más ricos de Bolivia en biodiversidad y donde se halla la mayor cantidad de tierras fiscales disponibles para ser distribuida entre indígenas y campesinos sin tierra que vienen llegando de otros confines del país, en un proceso que intentó ser revertido por la ingerencia norteamericana e intereses de latifundistas que propiciaron la masacre indígena del 11 de septiembre del 2008, en el municipio de Porvenir.

llactacracia@yahoo.com

http://www.bolpress.com/art.php?Cod=2010070802

Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=109377

Campanha pela Memória e pela Verdade - OAB-RJ

Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.

http://www.oab-rj.org.br/forms/abaixoassinado.jsp

Vídeos da campanha: http://www.youtube.com/user/oabriodejaneiro

O governo e o capital dos EUA conspiram contra a America Latina

O governo e o capital dos Estados unidos conspiram quotidianamente contra os povos da America Latina

por Altamiro Borges

Para os que acham que a crítica às ações expansionistas dos EUA é
coisa de “esquerdistas com mentalidade conspirativa”, sugiro a leitura
do livro “Legado de cinzas: uma história da CIA”, publicado pelo
jornalista estadunidense Tim Weiner em 2008. Já para os que se
iludiram com a eleição de Barack Obama, sonhando que ela poderia
aplacar a gula imperialista, indico a leitura dos artigos da escritora
estadunidense-venezuelana Eva Golinger, uma atenta pesquisadora dos
documentos desclassificados das várias “agências de ajuda” dos EUA.

No seu mais recente artigo, ela comprova que os EUA continuam bastante
ativos na montagem de rede de conspiradores pelo mundo: “Durante o
último ano, distintas agências de Washington têm financiado, promovido
e organizado grupos de jovens e estudantes na Venezuela, Irã e Cuba,
para criar movimentos de oposição contra seus governos. Os três
países, considerados ‘inimigos’ pelo governo estadunidense, têm sido
vítimas do incremento de agressões de Washington, que busca provocar
mudanças de ‘regime’ favoráveis aos seus interesses”.

Recursos milionários das “agências”

Na semana passada, um dos líderes da oposição anti-chavista, Roderick
Navarro, presidente da Federação de Centros Universitários da
Universidade Central da Venezuela, esteve em Miami para organizar “uma
rede internacional, que inclua estudantes do Irã e Cuba, para que o
mundo saiba das violações dos direitos humanos em nossos países”,
segundo confessou à imprensa. A sua principal visita foi ao Diretório
Democrático Cubano, organização de gusanos cubanos que é financiada
pela USAID e pela NED, duas das mais ativas agências intervencionistas dos
EUA.

“Desde 2005, Washington está reorientando recursos através da NED e da
USAID para o setor estudantil da Venezuela. Dos 15 milhões de dólares
invertidos e canalizados por estas agências neste país, mais de 32%
são dirigidos a organizações ‘juvenis’. Seu programa principal está
direcionado à ‘capacitação no uso de novas tecnologias e de redes
sociais para se organizar de maneira política’, segundo afirmam os
próprios informes da USAID”, denuncia Golinger.

Ingerência agressiva no continente

A escritora afirma que Barack Obama não só manteve estes planos
ilegais de ingerência, como intensificou as ações. “Em agosto de 2009,
Washington começou uma ofensiva mundial usando estudantes venezuelanos
como porta-vozes da oposição. De agosto a setembro, o Departamento de
Estado organizou a visita de oito jovens aos EUA para denunciar o
governo Chávez e para estreitar os vínculos com jovens estadunidenses.
Os oito foram selecionados pelo Departamento de Estado como parte do
programa ‘A democracia para os jovens líderes políticos’”.

“Os jovens venezuelanos, pagos e acompanhados pelo Departamento de
Estado durante a visita, deram declarações à imprensa tentando
desacreditar o governo Chávez. Justamente depois desta visita, foi
organizada uma manifestação através do Facebook, intitulada “No más
Chávez”, que incitou o magnicídio [assassinato] de Chávez... Um mês
depois, em outubro de 2009, a Cidade do México sediou o segundo
encontro da Aliança de Movimentos Juvenis (AYM). Patrocinado pelo
Departamento de Estado, o evento contou com a participação de Hillary
Clinton” e de vários direitistas da América Latina – incluindo do
Brasil, que não teve o seu nome revelado.

Investindo pesado na Internet

Além dos debates políticos, com palestras de agentes do Instituto
Republicano Internacional, do Banco Mundial e do Departamento Estado,
os presentes tiveram vários cursos de “capacitação e formação” em
Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube. O império estadunidense
tem investido pesado na utilização destas ferramentas da Internet.
Segundo a AYM, entidade criada em 2008, "o uso destas técnicas mais
modernas tem resultado em coisas assombrosas”. Ela se jacta de várias
manifestações direitistas organizadas através da Internet.

Como alerta Eva Golinger, “as novas tecnologias – Twitter, Facebook,
Youtube e outros – são suas principais armas nesta nova estratégia, e
os meios tradicionais, como a CNN e as afiliadas, exageram o impacto
real destes movimentos, promovendo opiniões falsas e distorcidas”.
Para a escritora, o objetivo é criar uma “ciber-dissidência”, que
desestabilize governos progressistas, apropriando-se de bandeiras como
as da “liberdade de expressão e dos direitos humanos”.

O Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos

Após audiências públicas em San José, na Costa Rica, familiares que representam 25 desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia acreditam que a Corte condenará o Estado brasileiro

Michelle Amaral da Redação

Familiares de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia acreditam que o Brasil possa ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Oraganização dos Estados Americanos (OEA). O Estado brasileiro é réu em um processo de responsabilização por crimes cometidos durante a repressão à Guerrilha do Araguaia, entre os anos de 1972 e 1974.

Em uma sessão pública na Câmara Municipal de São Paulo, realizada em junho, familiares das vítimas e representantes das organizações que moveram a ação contra o Estado Brasileiro se reuniram para fazer um relato de como foram os seus depoimentos nas audiências públicas realizadas pela Corte, em San José, na Costa Rica.

Nestas audiências, que aconteceram entre os dias 20 e 21 de maio, prestaram depoimento representantes das vítimas, testemunhas, peritos e representantes do Estado brasileiro. Com isto, foi iniciado o processo de finalização do julgamento, restando agora a sentença da Corte, que deverá ser emitida no final de agosto.

“A gente tem certeza que o Brasil vai ser condenado, a gente já tinha antes da audiência e com a audiência ficou mais explícito”, afirma Beatriz Stella de Azevedo Affonso, do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), que representa os familiares das vítimas no processo. Segundo ela, as falas dos juízes e o modo como o julgamento foi conduzido permitem esta certeza.

A ação contra o Estado brasileiro foi movida pelo Cejil, pela organização Tortura Nunca Mais e pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo.

Julgamento

As audiências fazem parte do julgamento em curso contra o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de 70 pessoas, pela impunidade dos crimes cometidos e pelo não esclarecimento da verdade sobre os fatos ocorridos na Guerrilha do Araguaia - resistência guerrilheira existente na região amazônica brasileira entre o final da década de 60 até meados dos anos 70, ao longo do rio Araguaia -, durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).

A ação n° 11552, chamada "Caso Gomes Lund e outros", tramitou por 13 anos na Comissão de Direitos Humanos da OEA (CIDH) que, como não obteve uma resposta do governo brasileiro que atendesse à demanda dos familiares dos desaparecidos, o levou ao julgamento da Corte em 2008.

Em seu parecer, a CIDH considerou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de membros do PCdoB e camponeses na Guerrilha do Araguaia.

Os familiares que representam 25 desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia passaram a cobrar na Justiça brasileira a localização e recuperação dos restos mortais a partir de 1982, com o início do processo de redemocratização do país. E, em 1995, sem nenhum resultado no sistema judicial interno, resolveram levar o caso à CIDH.

"Para mim foi muito sofrido ter que buscar justiça para meus companheiros, para meus familiares fora do meu país”, disse Criméia Almeida, sobrevivente do Araguaia e que até hoje busca os corpos do marido André Grabois e do sogro Maurício Grabois, militantes da guerrilha mortos em 1973.

Segundo ela, o mais triste é saber que os familiares dos desaparecidos do Araguaia não são os únicos que não conseguem obter Justiça no Brasil. “Talvez tantos outros brasileiros, não só desaparecidos políticos, mas vítimas de tantos outros desrespeitos aos direitos humanos, não estão conseguindo seus direitos aqui no Brasil e talvez nem tenham condições de buscar os seus direitos fora”.

No mesmo sentido, Suzana Lisboa, ex-integrante Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça (CEMDP), lamentou o fato de se ter “que buscar uma instância no exterior para encaminhar e julgar questões tão básicas”.

Condenação

Laura Petit, irmã da ex-guerrilheira do Araguaia, Mária Lúcia Petit, primeira militante a ter seu corpo identificado – somente dois corpos foram identificados até hoje, o segundo foi Bergson Gurjão Farias -, afirmou ter esperança de que haja uma condenação internacional e que isto represente o fim da impunidade dos torturadores.

"A gente sente a diferença de estar falando para uma Corte que se preocupa com os diretos humanos do que estar falando aqui no Brasil, porque a gente tem repetido essa história da luta dos familiares pela busca dos desaparecidos durante décadas e não se fez nada", relatou Petit.

De acordo com o advogado Belisário dos Santos Júnior, que também participou como testemunha nas audiências realizadas pela Corte, uma condenação do Estado brasileiro pela OEA acarretaria sérias consequências jurídicas.

“Poderia implicar na obrigação de se revogar uma parte da Lei de Anistia. Poderia implicar na atribuição de outras indenizações aos familiares, mais completas. Poderia implicar na obrigação do Estado brasileiro perseguir judicialmente a responsabilidade pelas torturas que foram cometidas naquele período, pelas graves violações dos direitos humanos que foram cometidas”, estima o advogado.

Apesar da importância de uma condenação pela Corte da OEA, Criméia alega que, para que ela seja cumprida, ainda será necessária muita luta por parte dos familiares dos desaparecidos. "Espero que o país seja condenado sim, e sei que ainda vou ter que lutar muito para que essa sentença seja cumprida", disse.

Fonte: Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/o-brasil-na-corte-in...

Começam preparativos para Brigada contra o Terrorismo Midiático

Começam preparativos para Brigada de Luta contra o Terrorismo Midiático

07.07.10 - CUBA

Tatiana Félix *

Fonte: Adital
"Já faz alguns anos que se observa a ofensiva na Internet contra os povos que lutam pela sua liberdade. A web já se transformou em novo cenário de luta, e os primeiros meses deste ano de 2010 puseram em evidência o emprego destas novas tecnologias contra Cuba mediante uma campanha midiática feroz nas quais sobressaem a mentira, a traição e a desonra".
É para tentar reverter esta situação, descrita em convocatória, que o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), convoca a população, veículos de comunicação e demais entidades a participarem da primeira edição da Brigada Mundial de Luta contra o Terrorismo Midiático, que se realizará nas cidades de Holguín e Havana, em Cuba, entre os dias 15 e 28 de novembro deste ano. Para os interessados em participar deste momento, a inscrição deve ser feita até 10 de outubro.

O objetivo do evento é fortalecer a mídia do país e demais setores da sociedade cubana, e também analisar o caso dos Cinco Heróis Cubanos presos nos Estados Unidos, há mais de dez anos, acusados de terrorismo. "Todos os povos tem sofrido o assédio moral midiático. Hoje, o combate é ainda mais amargo. É necessário fazer frente com mente fria e coração ardente, de forma coordenada e com a caneta na mão", afirma o Instituto Cubano.

A programação inclui visitas, intercâmbios e conferências relacionadas com o tema dos meios de comunicação em Cuba, os desafios desta batalha e a projeção de acordos para fortalecer a colaboração entre todos os participantes. Ao todo são seis noites no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella (CIJAM), no município de Caimito, à 45 quilômetros da Cidade de Havana, e 6 noites na província de Holguín, durante a realização do VI Colóquio.

Aproveitando a mobilização, será realizado o VI Colóquio pela Liberdade dos Cinco Heróis Cubanos presos nos Estados Unidos. Este programa prevê um workshop com os meios de comunicação participantes como uma das sessões de trabalho mais importantes.

Mais informações em: http://www.icap.cu/

* Jornalista da Adital

O que diriam se isto ocorresse na Venezuela?

6 julho 2010 - O governo dos EUA emitiu uma nova norma que converte em delito grave para qualquer jornalista, repórter, blogger, fotógrafo ou cidadão que aproximar-se de qualquer operação de limpeza de óleo, equipamento ou embarcação no Golfo do México. Qualquer pessoa capturada está sujeita a prisão, uma multa de US $ 40.000 e o julgamento por um delito federal.

Fonte: http://www.aporrea.org/medios/n160676.html
Vídeo em inglês: http://www.youtube.com/watch?v=TyUjgRfOdDg

Tradução: Gustavo Marun

Como a blogosfera detonou a SporTV no Paraguai

por Luiz Carlos Azenha (com dicas do Stanley Burburinho e Conceição Oliveira)

Em comum, todos tem um sorriso permanente estampado no rosto. Sorriso plastificado. Nem disfarçam mais, fazendo “cara de conteúdo”. Difícil discernir entre os locutores que fazem televendas, os humoristas do CQC e os telejornalistas encarregados das coberturas esportivas. Eles estão permanentemente de bom humor e tratam o telespectador como um imbecilóide, como a criança que recém migrou do show da Xuxa para a adolescência das coberturas esportivas e que, se tudo der certo, em breve se tornará bovinamente “consumidor de notícias” do Jornal Nacional.

O mais curioso é que os mentores dessa imbecilização generalizada se alimentam de preconceitos antigos para suas “sacadas” modernosas. Nascem daí momentos imperdíveis de nosso telejornalismo, como o que o SporTV produziu sobre o Paraguai, a título de fazer uma graça. Houve, sim, um tímido pedido de desculpas (mas eles continuam pensando a mesma coisa sobre o Paraguai, só lamentam não poder dizer isso em voz alta). É produto genuinamente brasileiro, como a jabuticaba: um tele-entretenimento jornalístico que ganha dinheiro reproduzindo a própria ignorância.

PS: Um leitor do Viomundo me enviou um e-mail dizendo que havia denunciado a SporTV ao jornal paraguaio La Nación, inclusive postando no You Tube o vídeo imbecilizante da emissora. Infelizmente, não consigo localizar a mensagem para dar crédito ao internauta.

Aqui para a nota de protesto do jornal La Nación

Aqui para ver o vídeo

Aqui para ir ao Somos Andando, da Cristina Rodrigues, que acompanha de perto

PS 2: Com a ajuda da Conceição Oliveira, reconstituí o “ciclo” da denúncia contra a SporTV. Foi o Vinicius Duarte que divulgou primeiro no twitter (ele tem o blog Com Fel e Limão); a partir disso, o blog do Esquerdopata (do Valdir Fiorini) encaminhou a denúncia ao jornal paraguaio ABC Color (uma vez que a Globo bloqueia o conteúdo fora do Brasil, o blog cuidou de subir o vídeo no You Tube). Só depois disso outro jornal paraguaio, o La Nación, publicou.

Para ir ao Esquerdopata, aqui

Para ir ao Com Fel e Limão, aqui

Veja aqui a resposta da cantora Ramonita Vera à SporTV (dica do Doladodelá)

Aqui, o pedido de desculpas da SporTV via ABC Color

Aqui a carta que Eduardo Guimarães escreveu ao povo paraguaio

Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/como-ganhar-dinheiro-vendendo...

Organizações rechaçam presença de forças militares dos EUA

05.07.10 - COSTA RICA

Natasha Pitts *

Fonte: Adital

Com 31 votos a favor e 8 contra, os membros da Assembleia Legislativa da Costa Rica decidiram, na última sexta-feira (2) pela entrada, no país, de 48 navios de guerra e 7 mil militares estadunidenses, que chegarão nos próximos seis meses e permanecerão até dezembro, no oceano Pacífico e Mar do Caribe. De acordo como o Governo costarriquenho, a intenção dos militares é combater o narcotráfico. A entrega da soberania nacional do país causou o descontentamento e o repúdio de diversas organizações populares.
Ciente da gravidade da situação, o legislador da Unidade Social Cristã (PUSC), Luís Fishman, sugeriu a quebra do quórum para não votar a permissão. No entanto, não recebeu o apoio necessário para executar seu plano. Os partidos da Liberação Nacional (PLN), Movimento Libertário (ML) e Renovação Costarriquense (RC) foram os principais responsáveis pela outorga da permissão para a entrada dos militares.

Organizações sociais e políticas da Costa Rica se mostraram descontentes com a decisão da Assembleia e emitiram um comunicado urgente alertando sobre o perigo da entrada das forças militares estadunidenses no país e abrindo os olhos da população para as reais intenções da chefe de Estado Laura Chinchilla.
Com esta ocupação, os EUA inserem a Costa Rica em sua agenda de guerra e transformam este território em um objetivo militar. Além disso, de acordo com o comunicado da Comissão Nacional de Enlace (CNE), com a ação, a Costa Rica adere abertamente ao ‘Plano Colômbia’ e passa a fazer parte dos planos de "agressão e guerra" dos Estados Unidos contra países latino-americanos, como a Venezuela.

"A historieta vendida pelo governo de Laura Chinchilla de que esta avançada militar vem para lutar contra o narcotráfico e que os "marinheiros" vêm para construir escolinhas ninguém crê. Nesta nova fase, a ocupação militar, é uma consequência direta derivada dos compromissos adquiridos no capítulo de segurança no marco do TLC [Tratado de Livre Comércio], assinado por Oscar Arias, que já tinha convertido a Costa Rica num protetorado dos EUA", esclarece o comunicado.

A CNE, desde já, responsabiliza os membros do PLN, ML e RC por quaisquer situações negativas que ocorram durante a permanência dos militares, já que estes "adquirem direitos para fazer o que lhes dá vontade no território nacional sempre que considerem que seja necessário para cumprir ‘sua missão’".

Partidos como Ação Cidadã (PAC), Frente Ampla (FA) e Unidade Social Cristã (PUSC) se opuseram à ocupação militar, justificando que a quantidade de militares estadunidenses é excessiva e desproporcional para o trabalho que ‘supostamente’ será realizado. Este número de material e pessoal militar estadunidense não era vista no país desde 1821, ano em que a Costa Rica conseguiu a independência.

Mediante todas as ações de rechaço, neste domingo (4) o Governo costarriquenho negou que esta medida seja uma tentativa de permitir a militarização do país por parte dos Estados Unidos. Segundo informações da TeleSul, Laura Chinchilla afirmou que o ministro de Segurança daria, nesta segunda-feira (5), mais detalhes sobre o acordo firmado com Washington.

José María Tijerino, ministro de Segurança, adiantou à imprensa que a presença dos militares servirá para reforçar o trabalho que os guarda-costas estadunidenses realizam há 11 anos para combater o narcotráfico. Tijerino esclareceu ainda que o efetivo militar estará sob suas ordens.

* Jornalista da Adital

AINDA SOBRE ACORDOS MILITARES BRASIL/ESTADOS UNIDOS:

por Ivan Pinheiro

A divulgação da Nota Política “Fora qualquer base norte-americana no
Brasil” cumpriu o
importante papel de chamar a atenção para as negociações em curso
entre o Brasil e os
Estados Unidos, no campo militar. Até então, o tema era apenas objeto
de especulações da
imprensa, sem que o governo brasileiro prestasse ao país qualquer
informação a respeito.
Só depois que as notícias vieram à luz do dia é que os porta-vozes do
governo e do PT
passaram a se pronunciar.

Estes porta-vozes não negam as negociações, tampouco a iminente
assinatura do acordo.
Usam a tática de procurar subestimar os entendimentos, para evitar a
mobilização dos
setores antiimperialistas e para preservar Lula e sua candidata, no
único tema a que se
apegam para tentar caracterizar seu governo como de esquerda: a
política externa.

Recorrem a uma discussão semântica sobre o conceito de base militar,
insistindo em que
não se trata de uma base do tipo colombiano e que o acordo não prevê
presença de tropas
norte-americanas em solo brasileiro.

É óbvio que não faz sentido uma base militar clássica dos EUA (com
soldados armados e
fardados) em território brasileiro ou de qualquer outro país da
América do Sul, exceto na
Colômbia, onde a insurgência das FARC é militar, um Exército do Povo,
com milhares de
combatentes e quase 50 anos de resistência.

Nos demais países da região, os EUA não precisam manter soldados de
plantão, mas bases de
inteligência e espionagem. Na grande maioria dos casos, como o do
Brasil, porque as
classes dominantes não contrariam os interesses do imperialismo. Além
do mais, as tropas
norte-americanas já rondam os mares do nosso continente, armadas até
os dentes, numa
imensa base móvel chamada IV Frota, reativada há poucos anos. As
tropas dos EUA podem ser
transportadas rapidamente, como foi no caso do Haiti. A pretexto do
terremoto, em 48
horas os Estados Unidos invadiram o país com mais de 10.000 soldados,
um contingente
maior do que o total das tropas da ONU, vergonhosamente comandadas
pelo Brasil.

Pelo que apuramos com responsabilidade, em consultas a diversas
fontes, inclusive algumas
de nossas relações internacionais, a presença militar norte-americana
no Brasil será uma
importante base de inteligência e espionagem, como algumas que já
existem no Paraguai
(para parte do Cone Sul), no Peru (para a região andina) e em El
Salvador (para a América
Central). São bases que abrigam centenas de militares
norte-americanos em roupa civil e
agentes da CIA, que têm como suas principais missões a escuta
telefônica e o controle de
toda a comunicação via Internet nas regiões de sua jurisdição.

O Pentágono, hoje em dia, privilegia este tipo de bases como um novo
sistema de controle
militar regional. Chamam-nas de FOL (Forward Operation Location),
centros de “mobilidade
estratégica” para guerras-relâmpago, usando tropas aerotransportadas
de rápida
mobilização.

Há indícios de que a base de inteligência pode ser instalada próximo
ao Rio de Janeiro,
para criar um triângulo de espionagem envolvendo bases similares em
Portugal e na
Flórida. Há indícios também de que o poderoso ministro da Defesa de
Lula, Nelson Jobim,
já estaria em Washington para acertar os detalhes finais e
possivelmente assinar o
acordo. Interessante notar que o assunto está sendo tratado pelos
Ministérios da Defesa
dos dois países, e não pelos de Relações Exteriores.

Só o Presidente Lula é quem pode hoje impedir a assinatura deste
absurdo acordo. Caso ele
assine, restará uma luta para que o Congresso Nacional não o
homologue. Só a pressão da
opinião pública poderá revogar o acordo.

Resta-nos aguardar alguns dias para que o quadro fique mais claro,
mas sem deixar de nos
mobilizarmos através da mais ampla denúncia dos entendimentos em
curso.

Rio de Janeiro, 11 de abril de 2010
Ivan Pinheiro

Obs.: Como subsídio, anexo aqui dois importantes textos sobre o
assunto:
- “O império e o sub-império”, de Manuel Freytas;
- “Um tratado indesejável”, de Mauro Santayana.

Adendo:
* ACORDO MILITAR BRASIL ESTADOS UNIDOS

Argentina: Não à poluição da mineração

Há tempos a Argentina vem lutando contra a mineração poluente, a mineração química prejudicial para o ambiente. Conciencia Solidaria é uma organização interprovincial Argentina sem fins lucrativos que vem dizendo NÃO à poluição da mineração em várias províncias do país.

No dia 24 de junho passado, a ONG Conciencia Solidaria saiu em defesa da lei de mineração 9526 que, precisamente, proíbe que se explore qualquer tipo de minerais metálicos a céu aberto, já que tanto a extração de tório e urânio como o uso de produtos químicos tóxicos com fins extrativos são altamente poluentes. Com o apoio da presidente e representante da ONG na cidade de Córdoba, Conciencia Solidaria pode fazer uma apresentação para o Superior Tribunal de Justiça. A lei abrange o território da província de Córdoba, Argentina, contra a predação da mineração nuclear e da mineração em grande escala. Como sabemos, a poluição é um dos principais flagelos dos quais é vítima nosso meio ambiente em todos os países do mundo.

A província de Córdoba é uma das sete províncias do país que possuem essa lei que proíbe a megamineração, e luta-se para que a lei se cumpra estritamente e para que se estenda a todas as províncias da Argentina. Dizer Não à mineração poluente é dizer Sim ao meio ambiente e à preservação da água.

Conciencia Solidaria, em sua campanha intitulada "Mineração poluente. Você sabe o que é?", lançou um vídeo explicando os efeitos prejudiciais causados pela poluição da mineração. Deste vídeo participaram diretores, técnicos e conhecidos atores argentinos como Georgina Barbarossa, Julieta Díaz, Taibo Raul, Juan Palomino, Leonor Manso, Nicholas e Gaston Pauls e Silvia Perez, entre outros. Todos se solidarizaram com a causa de forma voluntária com o objetivo de fazer circular livremente este vídeo para conscientizar a população da problemática meio-ambiental e recolher assinaturas para o "Não à poluição da mineração".

Fonte: El Blog Verde

Vídeo com legendas em português: www.concienciasolidaria.com.ar/videos/brasil.html

Tradução: Gustavo Marun

Carta a Milton Neves do Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete"

Carta para Milton Neves do Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" com relação a nossa seleção ALBIRROJA

São Paulo,
30 de junho de 2010

Prezado Milton Neves, Rede Bandeirantes

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” [1] – grupo formado por
paraguaios residentes no Brasil, que se dedica à divulgação da cultura
e história do Paraguai no país – gostaria, através desta carta, de
fazer alguns esclarecimentos.
O povo paraguaio, embora sofrido, representa uma nação de gente
lutadora e audaz, forjada no meio de perdas e dores profundas. A mais
expressiva e contraproducente foi a da Guerra da Tríplice Aliança. Na
época, a Argentina e o Uruguai tiveram participação pouco ativa,
cabendo ao Brasil combater e aniquilar o povo paraguaio. A guerra foi
tão brutal ao ponto do Conde D´Eu ordenar que ateassem fogo num grupo
de meninos que, disfarçados de adultos, ajudavam a combater os
brasileiros. Acreditamos que este pequeno relato histórico lhe sirva
para algumas reflexões.
O objetivo desta carta é com relação a um dos seus programas onde
comenta sobre o desempenho dos times durante os jogos da Copa de 2010.
Além dos comentários abaixo citados temos ouvido outros posteriores,
não menos pejorativos, que desdenham o esforço do time de um país como
qualquer outro participante de um campeonato mundial, e que não há
necessidade de transcrever aqui.
Em determinado momento do programa o senhor disse: “O time do Brasil
está igual aos dos paraguaios”, ao que acrescentou: “O Paraguai vai
ser campeão em 2094”. Ao comparar o desempenho do time brasileiro com
o do Paraguai o senhor deixa a mensagem implícita de um time que “não
joga nada”. Uma verdade, porém, dita com deboche. De fato, o Paraguai
não tem um time “forte” em campo, nunca fez “história” no futebol, nem
como time, nem pela equipe técnica, muito menos por suas “técnicas de
jogo” que, reconhecemos, não possui. No entanto, o senhor deve
conhecer alguns jogadores paraguaios que jogaram em times brasileiros
e que mereçam seu respeito. Talvez, de maneira inconsciente, o senhor
tenha algum preconceito com relação ao nosso país.

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, nem mesmo gostar de um país,
mas pedimos gentilmente que quando vá se referir ao Paraguai o faça
com respeito e sem chacota, pois o senhor é uma pessoa da esfera da
comunicação que, queira ou não, exerce alguma influência naqueles que
o ouvem, seus ouvintes.
Nós paraguaios – os que residimos no Brasil, os espalhados pelo mundo
e os que se encontram no Paraguai – acreditamos fervorosamente que
somos merecedores de respeito, assim como todos os brasileiros que
apreciam sua nacionalidade e defendem-na com carinho.

Permita-nos, por favor, sugerir-lhe alguns títulos que poderão
acrescentar ao senhor e à sua equipe algum conhecimento sobre a
história e a cultura do nosso Paraguai:
· Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda;
· Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire;
· As Américas e a Civilização, O Dilema da América Latina e
América Latina: A Pátria grande, títulos de Darcy Ribeiro;
· Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai, de Julio José Chiavenato.
Um detalhe que gostaríamos de compartilhar com o senhor é que há no
momento em solo brasileiro um grande número de paraguaios que, através
das mais diversas áreas profissionais, têm contribuído para o
desenvolvimento do Brasil.

Muitos de nós acompanhamos os programas de rádio e televisão e somos
fãs do grupo Bandeirantes. Gostaríamos de preservar esta admiração,
por isso, pedimos de modo gentil que sejam mais criteriosos quando
forem exprimir suas idéias sobre nosso Paraguai, afinal de contas, é
nossa gente, nossa nacionalidade, somos nós...

Para finalizar, nos colocamos à disposição se precisarem de
informações sobre a cultura ou história do Paraguai, pois nosso grupo
conta com colaboradores que podem significar fontes confiáveis para um
jornalismo de qualidade.

Atenciosamente,
· Maria Angélica Soler, Professora de História da PUC-SP

· Mario Villalba, Jornalista e professor do idioma guarani

· Carolina Ramirez, Jornalista e Tradutora
carolina_ramirezbr@yahoo.com – (11) 8132-3826

· Celeste Benza de Castro, Analista de Sistemas

· Juan Carlos Espínola Cassas, Advogado (Campinas)

· Nancy Areco, Jornalista
nancyareco@hotmail.com – (11) 9885.4542

Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete”
nucleoculturalguaraniparaguayteete@hotmail.com

COMO GOSTARIA DE ESTAR EQUIVOCADO por Fidel Castro Ruz

Quando estas linhas forem publicadas no Jornal Granma, amanhã,
sexta-feira, o 26 de julho, data em que sempre recordamos com orgulho
a honra de ter resistido aos embates do império, ficará distante,
apesar de faltarem apenas 32 dias.

Os que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade - o
imperialismo dos Estados Unidos, uma mistura de mesquinhos interesses
materiais, desprezo e
subestima com as demais pessoas que habitam o planeta - calcularam
tudo com precisão matemática.

Na reflexão do dia 16 de junho escrevi: "entre jogo e jogo da Copa
Mundial de Futebol, as diabólicas notícias vão deslizando pouco a
pouco, de maneira que ninguém
se ocupe delas."

O famoso evento esportivo entrou em seus momentos mais emocionantes.
Durante 14 dias, as equipes integradas pelos melhores jogadores de 32
países estiveram
competindo para avançar à fase de oitavas de final; depois virão,
sucessivamente, as fases de quartas de final, semifinais e o final do
evento.

O fanatismo esportivo cresce incessantemente, cativando a centos e
talvez milhares de milhões de pessoas em todo o planeta.

Teríamos que perguntar quantos, em troca, ficaram sabendo que desde 20
de junho, navios militares norte, incluindo o porta-aviões Harry S.
Truman, escoltado
por um ou mais submarinos nucleares e outros navios de guerra com
foguetes e canhões mais potentes que aqueles dos velhos encouraçados
utilizados na última guerra
mundial entre 1939 a 1945, navegavam para as costas iranianas através
do Canal de Suez.

Junto as forças navais ianques avançam navios militares israelenses,
com armamento igualmente sofisticado, para inspeccionar qualquer
embarcação que parta para
exportar ou importar produtos comerciais que o funcionamento da
economia iraniana requer.

O Conselho de Segurança da ONU, por proposta dos Estados Unidos, com o
apoio da Grã-Bretanha, França e Alemanha, aprovou uma dura resolução,
que não foi vetada
por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito.

Outra resolução mais dura foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos.

Posteriormente, uma terceira, mais dura ainda, foi aprovada pelos
países da Comunidade Européia.

Tudo aconteceu antes de 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente
do presidente francês Nicolás Sarkozy à Russia, segundo notícias,
para encontrar-se com o Chefe
de Estado desse poderoso país, Dmitri Medvedév, com a esperança de
negociar com o Irã e evitar o pior.

Agora se trata de calcular quando as forças navais dos Estados Unidos
e Israel se desprenderão frente as costas do Irã, unindo-se ali aos
porta-aviões e demais navios
militares norteamericanos que montam guarda nessa região.

O pior é que, igual aos Estados Unidos, Israel, sua policia no oriente
médio, possui moderníssimos aviões de ataque e sofisticadas armas
nucleares subvencionadas pelos
Estados Unidos, que o converteu na sexta potência nuclear do planeta,
por seu poder de fogo, entre as oito reconhecidas como tal, que
incluem a India e Paquistão.

O Xá do Irã tinha sido derrubado pelo Ayatollah Rouhollah Khomeini em
1979 sem empregar uma arma. Estados Unidos impôs depois uma guerra
àquela nação com o
emprego de armas químicas, cujos componentes subvencionou ao Iraque
junto com as informações requeridas por suas unidades de combate e que
foram empregadas
por esta contra os Guardiões da Revolução. Cuba conhece porque era
então, como já explicamos outras vezes, Presidente do Movimento de
Países Não-Alinhados.
Sabemos bem os estragos que causou em sua população. Mahmud
Ahmadinejad, hoje Chefe de Estado do Irã, foi chefe do 6º Exército dos
Guardiões da Revolução e
chefe dos Corpos dos Guardiões nas provincias ocidentais do país, que
levaram o peso principal daquela guerra.

Hoje, em 2010, tanto Estados Unidos como Israel, depois de 31 anos,
subestimam o milhão de homens das Forças Armadas do Irã e sua
capacidade de combate em
terra e as forças de ar, mar e terra dos Guardiões da Revolução.

A estas se incluem os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60
anos, escolhidos e treinados sistemáticamente, por suas diversas
instituições armadas entre
os 70 milhões de pessoas que habitam o país.

O governo dos Estados Unidos elaborou um plano para levar a cabo um
movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista,
dividisse os iranianos e
derrubasse o regime.

Tal esperança é agora inócua. É risível imaginar que com os navios
estadounidenseses, unidos aos israelenses, despertem a simpatia de um
só cidadão iraniano.

Acreditava, da minha parte, inicialmente, ao analizar a atual
situação, que a contenda começaria pela península da Coréia e ali
estaria o que detonaria a segunda
guerra coreana que, por sua vez, daria lugar de imediato a segunda
guerra que os Estados Unidos imporia ao Irã.

Agora, a realidade muda as coisas em sentido inverso: a do Irã
detonará de imediato a da Coréia.

A direção de Coréia do Norte, que foi acusada do afundamento do
"Cheonan" e sabe de sobra que foi afundado por uma mina que os
serviços de inteligência ianque
conseguiram colocar no casco desse navio, não esperará um segundo em
atuar logo que no Irã se inicie o ataque.

É muito justo que os fanáticos do futebol desfrutem a sua vontade dos
jogos da Copa do Mundo. Cumpro só o dever de alertar o nosso povo,
pensando sobretudo em
nossa juventude, cheia de vida e esperança e especialmente em nossas
maravilhosas crianças, para que os acontecimentos não nos surpreendam
absolutamente
desprevenidos.

Me dói pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e as
assombrosas criações que foram capazes em só alguns poucos milhares de
anos.

Quando os sonhos mais revolucionários estão se cumprindo e a Pátria se
recupera com firmeza...como gostaria de estar equivocado!

Tradução: Carmen Ponte

Um DNA dos jornais argentinos

Stella Calloni de Buenos Aires
La Jornada

Sob um clima de tensões e preocupações, começaram no dia 7, no Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG), as perícias para determinar se as duas crianças adotadas pela diretora do jornal e do Grupo Clarín, Ernestina Herrera de Noble, durante a última ditadura argentina (1976-1983), são filhos de desaparecidos políticos.

Depois de se esquivar de todo tipo de obstáculos impostos pelos advogados de Ernestina para impedir o exame, a Justiça argentina conseguiu se impor e fazer reunir dados genéticos importantes que podem determinar, em um lapso de 29 a 45 dias, se Felipe e Marcela Noble estão entre as 500 crianças roubadas pelos militares.

No BNDG, está guardada uma quantidade de mostras de DNA de familiares, recolhidas depois de um árduo trabalho das Avós da Praça de Maio, que procuram seus netos e denunciam há anos o plano sistemático utilizado pelos agentes da ditadura, que mantinham com vida as mulheres grávidas que sequestravam em operações de guerra suja e, depois que estas tinham seus filhos em condições atrozes, nos centros clandestinos de detenção ou hospitais das Forças Armadas, os arrancavam para entregá-los para a adoção.

Obstáculos

Mais de cem crianças foram encontradas, já jovens, em mãos de militares, policiais ou amigos destes. Há anos, Ernestina Herrera de Noble burla as disposições judiciais. Seus advogados pediram a recusa da juíza Sandra Arroyo Salgado, que ficou à frente da causa depois de ter ordenado o afastamento do magistrado anterior, Conrado Bergesio, que cometeu irregularidades para impedir os testes de DNA.

A Câmara Federal de San Martín estuda o assunto. A juíza não aceitou a recusa da família Noble e demonstrou que tem documentados todos os passos que deu, para impedir que se tente forçar seu afastamento do caso, como se fez até agora.

Tal medida já foi tomada em outros momentos. Vale lembrar o caso de Evelyn Vázquez – apropriada pelo militar da Marinha Policarpio Vázquez e sua esposa Ana Ferra –, que se negava a cumprir a lei que obriga a determinar a identidade nesses casos. Em fevereiro de 2008, a Justiça ordenou a polícia a entrar em sua residência para retirar material pessoal. O Banco de Dados confirmou, finalmente, que a jovem era filha de Susana Pegoraro e Rubén Bauer, desaparecidos durante a ditadura.

A vice-presidente da Avós da Praça de Maio, Rosa Roisinblit, lembrou que, “durante 20 anos, Evelyn disse que não queria prejudicar seu pai. Agora que se sabe quem são seus pais, vai se dar conta de que não o prejudicará, porque ele mesmo reconheceu o delito de apropriação”.

Abraço simbólico

Outros jovens filhos de desaparecidos que recuperaram sua identidade nos últimos dois anos denunciaram as ações do advogados dos Noble, que tenta pôr em dúvida o BNDG. Eles destacaram que, se alguém pode burlar a lei porque é poderoso economicamente, então tudo que se conseguiu até agora para se fazer justiça se perderá.

Centrais sindicais como a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) e outras organizações sociais deram, no mesmo dia 7, um abraço simbólico no Hospital Durand, onde fica o BNDG, para defender a lei em um tema tão sensível como o das crianças apropriadas e repartidas como botim de guerra.

No ato de abertura dos envelopes que guardavam as prendas dos filhos de Ernestina Herrera de Noble, estiveram presentes a juíza Sandra Arroyo, peritos, advogados das partes e o jornalista e advogado Pablo Llonto, denunciante nessa causa.

Escândalo

Enquanto isso, continua crescendo o escândalo pela forma com que os grupos de comunicação Clarín, La Nación e La Razón passaram a controlar a companhia Papel Prensa, produtora de papel de jornal, durante a ditadura. Ao testemunho da viúva de David Graiver – dono original da empresa, morto em um estranho acidente de aviação –, que relatou as terríveis torturas que ele sofreu durante o regime militar para que entregasse suas ações, se uniu a voz de Rafael Ianover, que foi vice-presidente da companhia entre 1973 e 1977.

Ele afirmou que, em agosto de 1976, ao regressar à sua casa, encontrou sua família sendo ameaçada por um grupo armado que havia revirado todo o local. A partir de então, começou um processo extorsivo e se chegou ao extremo de fazerem-no assinar um documento de venda sem se estabelecer preço ou condições.

“Assina que não vai te acontecer nada”, lhe disseram. Pouco tempo depois, Rafael foi preso. Tais testemunhos, assim como o do ex-diretor do diário La Opinión, Jacobo Timermman, que esteve sob torturas em um centro clandestino de detenção em La Plata, província de Buenos Aires, conformam os relatos mais terríveis sobre a cumplicidade de grupos econômicos e meios de comunicação com a ditadura.

Tradução: Igor Ojeda

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/um-dna-dos-jorn...

Cuba: Encontro debate campanha midiática e solidariedade ao país

Cuba: Encontro no Brasil discute campanha midiática e enfoca solidariedade ao país

Karol Assunção *

Entre os 4 e 6 de junho, a cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do
Sul, foi palco de mais uma Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba.
O evento, que acontece todos os anos desde 1993, reuniu cubanos,
militantes e representantes de entidades do Brasil que atuam em
solidariedade à ilha caribenha.
De acordo com Zuleide Faria de Melo, presidente da Associação Cultural
José Martí do Rio de Janeiro (ACJM-RJ), o objetivo da Convenção é
"congregar as entidades para discutir o que está acontecendo em Cuba e
se solidarizar com o país". Segundo ela, a ideia é que a Convenção
ocorra em um local diferente a cada ano. "Esse [encontro] aconteceu no
Rio Grande do Sul. O próximo será em São Paulo", revela.

A presidente da ACJM-RJ destaca que, somente no Brasil, há quase 50
entidades que realizam atividades em apoio à causa humanitária cubana.
Em todo o mundo, segundo ela, são 3.000 organizações, incluindo países
da Europa. Apesar da solidariedade internacional não ser uma ação
recente, Zuleide afirma que o número aumentou com o passar dos anos.

Segundo ela, a situação atual do mundo, com a ameaça do capital,
mostrou para as entidades a importância da luta contra a violência e
contra os ataques internacionais. "A solidariedade é o alicerce, a
base para a paz mundial", acredita, acrescentando que o apoio a Cuba é
"fundamental contra o bloqueio e as tentativas dos Estados Unidos de
prejudicar o país".

Tal apoio, de acordo com ela, pode ser tanto através do envio ao país
de materiais e brigadas de solidariedade, quanto por meio da
divulgação da realidade de Cuba aos demais países. "A solidariedade
ocorre de diversas formas: através de filmes, seminários e debates
sobre a situação do país; e também de brigadas que realizam trabalho
voluntário e de conhecimento das vitórias, lutas e conquistas de
Cuba", comenta.

Mídia

Bloqueio Midiático. Esse foi o tema central dos debates da Convenção
Nacional deste ano. De acordo com Zuleide de Melo, é importante
observar como as grandes empresas de comunicação internacionais
apresentam a situação de Cuba para, a partir dessa observação, fazer
uma ação que contraponha essa visão midiática. "Há muito tempo os
grandes conglomerados de mídia acusam Cuba de coisas que não são
verdade", afirma.

Segundo ela, o que a grande imprensa alardeia são ações ocorridas em
Cuba realizadas por pequenos grupos financiados pelos Estados Unidos
"para fazer uma revolução interna". Por conta disso, Zuleide destaca
que é fundamental haver uma divulgação que mostre o que acontece no
país e o que a grande mídia destaca.

Essa ação já começou nessa 18ª Convenção Nacional de Solidariedade a
Cuba, com o lançamento de um jornal mensal realizado pela ACJM-RJ e do
livro "Cuba sim - em nome da verdade". Para Zuleide, as publicações
são necessárias para as pessoas terem uma "contrapartida do que a
grande imprensa diz". Os materiais são distribuídos gratuitamente na
sede da Associação (Av. 13 de maio, 23, salas 1623/1624, Centro - Rio
de Janeiro/RJ).

* Jornalista da Adital

Washington, ainda sem entender o que acontece na América Latina

A elite de Washington ainda não entende a América Latina. Um dia vai entender?

por Mark Weisbrot, no jornal britânico The Guardian, em 26.06.2010

No filme “Guantanamera”, o último do renomado diretor cubano Tomás Gutiérrez Alea, o mito de criação iorubá é apresentado como metáfora para as dificuldades em provocar mudanças. Nesse mito, os humanos eram inicialmente imortais, mas o resultado é que os velhos acabavam sufocando os jovens, e assim a morte teve de ser criada.

Aqui em Washington, muitas vezes só a morte ou aposentadoria permitem a possibilidade de mudança — e ainda assim as instituições permanecem imortais e muitas vezes imutáveis. Em nenhum outro lugar isso é mais verdadeiro que no establishment de política externa.

Nas últimas semanas eu visitei cinco países e participei de numerosos eventos que cercaram o lançamento recente de um documentário — como Guantanamera, “South of the Border” também é um road movie — que Oliver Stone dirigiu e eu escrevi com Tariq Ali. Retornando a Washington, a grande distância que separa a elite da política externa dos Estados Unidos da vasta maioria de seus vizinhos ao Sul nos atinge como um choque cultural.

Para as pessoas dessa elite, as mudanças históricas que varreram a América Latina — especialmente a América do Sul — na última década são vistas através das lentes da mentalidade da Guerra Fria que julga toda mudança em termos de como ela afeta o poder dos Estados Unidos na região.

Jorge Castañeda é um ex-ministro das relações exteriores do México que ensina na Universidade de Nova York e se tornou um porta-voz na mídia para o establishment de política externa de Washington. Em um recente artigo, ele divide o continente entre “aqueles que são neutros no confronto entre Estados Unidos e o presidente venezuelano Hugo Chávez (e Cuba), ou que se opõem abertamente aos assim chamados governos ‘bolivarianos’ da Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela”, que ele rotula de “Americas-2″ e “esquerda radical”.

Para Castañeda, como para a secretária de Estado Hillary Clinton, é particularmente irritante que “tão recentemente quanto em 7 de junho, os países bolivarianos foram capazes de evitar o restabelecimento de Honduras à Organização dos Estados Americanos, apesar das eleições essencialmente livres e justas que foram realizadas em novembro passado”.

Mas não foram apenas os “paises bolivarianos” que não aceitaram eleições realizadas sob ditadura como “livres e justas”. O Brasil, a Argentina e governos representando a maior parte do hemisfério estão no mesmo campo. Na verdade, quando o Grupo do Rio divulgou sua declaração em novembro de 2009 dizendo que a imediata restituição de Mel Zelaya era uma condição necessária para o reconhecimento das eleições, mesmo os governos de direita aliados de Obama — Colômbia, Peru e Panamá — se sentiram obrigados a apoiar.

O golpe de Honduras, promovido por aliados dos Estados Unidos e por oficiais treinados pelos Estados Unidos contra um presidente eleito democraticamente, foi um marco nas relações entre Washington e a América Latina. Foi mais ou menos um ano atrás, em 28 de junho, que a esperança de que o governo Obama trataria seus vizinhos ao Sul de forma diferente do que fazia o time de Bush, foi destruída. Enquanto o confidente e assessor dos Clinton, Lanny Davis, aconselhava e fazia lobby em nome do regime golpista, o governo Obama fez tudo o que pôde para ajudar a ditadura sobreviver e se legitimar.

Isso apesar de resoluções unânimes da OEA e das Nações Unidas pedindo o “restabelecimento imediato e incondicional” do presidente Zelaya, duas palavras que o governo Obama nunca pronunciou, assim como ignorou por mais de cinco meses os assassinatos, o fechamento de órgãos da mídia e outras violações maciças de direitos humanos que tornaram o “livres e justas” das eleições de novembro em Honduras uma piada doentia. A União Europeia e a Organização dos Estados Americanos nem mesmo mandaram observadores.

Mas com Washington ainda lutando para legitimar o governo hondurenho — apesar do assassinato de dezenas de ativistas políticos e de nove jornalistas desde que o governo “eleito” assumiu o poder — é típico retratar essa tentativa como uma luta contra governos “inimigos” em vez de uma disputa com a maior parte da região. O que essas pessoas não podem reconhecer, ou talvez nem mesmo entendam, é que se trata de uma questão de independência e autodeterminação, assim como de democracia.

Michele Bachelet do Chile e Lula da Silva do Brasil ficaram tão revoltados quanto os governos “Americas 2″ quando o governo Obama decidiu em agosto passado expandir sua presença em sete bases militares na Colômbia. E foi Felipe Calderón, o presidente direitista do México, que sediou a conferência de fevereiro em Cancún que decidiu criar uma nova organização para as Américas, que poderia eventualmente substituir a OEA, sem Estados Unidos e Canadá. O papel dos Estados Unidos e do Canadá ao bloquear medidas mais fortes da OEA contra a ditadura de Honduras sem dúvida jogou um papel motivador nessa medida.

Naturalmente, Washington tem o poder de tornar sua visão de Guerra Fria em relação ao hemisfério parecer meio real, ao adotar medidas de tratamento especial para governos mais à esquerda. Na Bolívia, a eleição de Evo Morales causou mudanças análogas ao fim do apartheid na África do Sul, com a maioria indígena do país ganhando voz em seu governo pela primeira vez em 500 anos. Seria o caso de imaginar que o governo Obama teria senso comum no cérebro para entrar do lado certo nesta questão. Mas não, eles continuam a aplicar sanções comerciais impostas inicialmente pelo governo Bush contra a Bolívia sob o assim chamado Andean Trade Promotion and Drug Eradication Act (ATPDEA), retiraram a certificação da Bolívia como país que coopera com a Guerra contra as Drogas e continuam a não informar quem exatamente os Estados Unidos financiam na Bolívia — isto é, quais grupos de oposição — com dinheiro do Departamento de Estado.

Tive o privilégio de assistir “South of the Border” em um estádio com mais de 6 mil pessoas em Cochabamba, Bolívia, algumas semanas atrás. Num momento do filme Evo Morales conta a história de Tupac Katari, um líder indígena que lutou contra os colonizadores espanhóis no século 18. Evo relembra as últimas palavras de Tupac Katari, antes dele ser esquartejado pelos espanhóis: “Morro como um, mas voltarei como milhões”.

Evo então olha para a câmera e diz: “Agora somos milhões”.

Ao contrário do que acontece em Washington, toda pessoa que estava naquele estádio sabia exatamente o que Evo queria dizer.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/washington-ainda-sem-entender-o-...

56% do eleitorado adoptou a posição das FARC

Presidenciais na Colômbia:
56% do eleitorado adoptou a posição das FARC
*por James Petras
[*]
*

*Chury: Bem, Petras, conta-me os
temas em que estás a trabalhar agora... *

Petras: Em primeiro lugar, o mais importante que estamos a analisar é o
processo eleitoral na Colômbia. Esse é o tema principal que temos tratado
porque a própria esquerda semeou muita confusão sobre os resultados do
processo eleitoral. Ou melhor, não trataram o resultado eleitoral num
contexto mais amplo e é isso que o que devemos discutir. Porque o facto mais
destacado é que 56% do eleitorado não votou. Ou seja, 56% consciente ou
inconscientemente tomaram a posição das FARC. Não digo que estejam
informados pelas FARC nem necessariamente que seja simpatizantes, mas por
várias razões compartilham a ideia de que não vale a pena votar nas eleições
principalmente porque ambas as opções eram muito desfavoráveis e nada
ofereciam ao povo.

Para entender isso creio que devemos voltar uns anos atrás, particularmente
aos últimos 10 anos do governo de Uribe e inclusive antes. Este resultado
eleitoral tem como contexto o deslocamento de 4,3 milhões de pessoas. Tem o
contexto de uma repressão feroz que matou mais de 1.800 sindicalistas,
incluindo dirigentes. Mataram centenas de activistas de direitos humanos,
advogados e jornalistas. E isso influi muito sobre a atitude das pessoas
para com as eleições. Em dois sentidos: sentem-se aterrorizados pelo governo
e alguns, neste contexto, pressionados a votar porque os militares estavam
presentes em todos os lugares de votação. Os paramilitares e os políticos
vinculados ao paramilitarismo, que chega ao próprio governo, influenciavam
em todos os lugares de votação.

Mas antes de mais nada devemos entender que quando se organiza uma eleição
isso é um processo de debate, de reivindicar e não reivindicar as
necessidades do povo. E num contexto de terrorismo prolongado e generalizado
não se pode avaliar o que sentem as pessoas, o que um contexto pacífico e
democrático pode permitir. Neste contexto temos um país militarizado, 300
mil soldados, mais polícias, mais paramilitares, não é um contexto
democrático para eleições.

E além disso o Estado utiliza todos os mecanismos, os meios de comunicação e
incomunicação, utilizam tudo o que são as prebendas do Estado circulando nos
bairros para conseguir algum voto. E também temos o facto de que o candidato
presidencial, o que ganhou, o "Diabo" Santos, é uma pessoa envolvida nos
assassinatos, foi o ministro da Defesa que organizou os chamados "falsos
positivos", estimulando os militares a matar civis para mostrar que o
exército teve grandes êxitos matando subversivos.

Descobrimos em pouco tempo que muitas das vítimas nada tinham a ver com a
guerrilha nem com os grupos simpatizantes. Eram simplesmente civis,
camponeses principalmente e gente pobre, escolhidos para assassinatos para
mostrar que o exército teve grandes êxitos no combate. O senhor Santos é
implicado e julgado neste contexto.

Os diários, tanto no Uruguai como no México, dizem que a direita arrasa.
Arrasa o que? O voto em Santos foi simplesmente 30,8% do eleitorado. Se
consideramos os que não votaram, os 70% que conseguiu, os 70% de 44% não
chegam ao que eles dizem, chegam a 30 e poucos por cento.

E é preciso analisar os lugares onde votaram e não votaram. Nos grandes
bairros popular o absentismo foi quase de 65%. O mesmo se passou em sectores
rurais, algumas províncias tiveram quase 75% de absentismo.

Onde conseguiram uma maioria esmagadora de votantes foi nos bairros
influentes, os bairros da classe média acomodada, e na classe média baixa em
menor percentagem. Mas nos bairros altos conseguiram uns 70% ou 75%. Então
há uma grande diferença entre os sectores populares e as regiões no
resultado das votações. Muitos sindicalistas, particularmente nas
províncias, não votaram por nenhum dos dois. E o mesmo se passou com alguns
grupos de direitos humanos.

Agora, para disfarçar este processo eleitoral ilegítimo, os oficialistas
utilizaram dois pretextos. Primeiro disseram que as chuvas reduziram a
participação. Se alguém não quiser molhar-se por um candidato isso é um bom
indicador do desprestígio que tem o sistema eleitoral.

E segundo, o campeonato mundial, não afecta todas as horas do dia, há tempo
para ver as partidas e há tempo para votar. Assim, estas desculpas para
justificar a baixíssima participação não têm legitimidade.

Por que os diário estão a dar tanta publicidade, disfarçando o facto de que
o pior assassino do governo Uribe ganha as eleições com uns 30,8% do
eleitorado. Por que? Creio que indica estarem preparados para apoiar-se numa
nova política de acomodação com o imperialismo norte-americano. É um sinal
de que no próximo período o senhor Santos, com Obama e a direita na América
Latina, estão preparados para uma nova ofensiva. E os meios de comunicação,
inclusive os jornais supostamente progressistas, estão dispostos a entrar
nesse jogo.

*Chury: Petras, passemos a outra das realidades que estamos a analisar e de
que tens geralmente informação muito profunda. Parecem haver-se aplacado as
repercussões dos delitos de lesa humanidade cometidos por Israel. O sionismo
tem tanto poder sobre os meios de comunicação que já está a conseguir a
amnésia e o esquecimento no mundo. Como se pode analisar isto? *

Petras: Há duas razões. Primeiro, o poder que tem Israel a partir da quinta
coluna das organizações sionistas e da grande maioria das organizações
judias que são filiadas ao sionismo. Chega a tal ponto a força do sionismo
que a partir dos Estados Unidos está a globalizar-se. Uma expressão disso é
o forte trabalho que o sionismo norte-americano faz sobre o governo de
Kirchner [presidenta da Argentina] e particularmente através do novo
chanceler, senhor Héctor Timerman.

Timerman é a ligação entre o sionismo norte-americano e Israel com a
política argentina. E a senhora Kichner nomeou Timerman, primeiro como
embaixador nos Estados Unidos e agora como chanceler em substituição de
Taiana, um funcionário que em certa medida mantinha alguma posição de
distância em relação ao sionismo. Agora tem um funcionário a tempo inteiro a
trabalhar por Israel e coordenando a política com os sionistas dos Estados
Unidos. Aqui o vimos actuar uma forma muito vergonhosa, pior do que qualquer
outro embaixador em Washington pelas suas relações promíscuas e íntimas com
os sionistas e este problema vai repercutir na América Latina.

Aqui estão a dar repercussão nos meios publicitários ao facto de Israel, sob
enorme pressão, estar a permitir entrar comida e medicamentos, pelo menos
algumas linhas de alimentos de consumo em Gaza. O que não está a permitir
são maquinarias para que os palestinos não só possam consumir como possam
produzir, cultivar, exportar, possam abrir fábricas que estão todas
fechadas. Há que continuar o boicote os protestos. Este fim-de-semana, na
cidade Oakland, perto de San Francisco, Califórnia, que é o quito porto mais
importante dos EUA, os portuários organizaram um boicote a um navio de
Israel: não deixaram descarregar a mercadoria e isso foi um grande êxito. A
companhia requereu um processo judicial para terminar o boicote. O juiz
decidiu que Israel era um violador de direitos humanos e que têm razão
aqueles que organizaram o boicote.

A consciência do assassinato da flotilha é muito generalizada. Os outros
crimes diários que Israel comete, como o de ontem, a morte de um pai de
família com três filhos, ou ante ontem outros palestinos na fronteira. As
atrocidades de Israel não saem na primeira página e nem na segunda. Se há
alguma reportagem é uma pequena notícia nas páginas internas. Aqui, em caso
algum temos uma condenação a Israel nos meios de comunicação.

Agora a campanha dos sionistas no *New York Times, *no *Washington Post *e
no *Wall Street Journal, *que são quase jornais da embaixada de Israel e cem
por cento a favor de qualquer crime, lançaram uma propaganda feroz contra a
Turquia. Se se pensar por um momento, há três todo o grupo de Israel aqui
nos Estados Unidos actuava a favor da Turquia. De repente a Turquia critica
Israel pelos assassinatos dos seus cidadãos e os assassinatos em Gaza, de
repente a maquinaria faz uma volta de 180 graus e passa a dizer que a
Turquia é um país de terroristas islâmicos, os mortos na flotilha eram
islâmicos. E lançaram uma campanha lançando lixo sobre o primeiro-ministro
da Turquia. Não têm vergonha nenhuma.

Quando Israel muda a linha eles dão um giro de 180 graus. Os sionistas são
piores que os piores momentos do estalinismo. Não têm nada independente na
cabeça, são apenas voz de Israel e é uma coisa espantosa. Não importa se é
um cirurgião, um prémio Nobel, se é um famoso actor ou director de
Holliwood, têm toda esta mentalidade de fidelidade incondicional a qualquer
acto de delinquência do Estado de Israel. O servilismo aqui é incrível.

*Chury: Houve críticas para com o presidente Correa, do Equador, pelos
problemas que estão os movimentos indígenas, particularmente pela lei da
água. O que sabe disso? *

Petras: Correa é um político com tinturas reformistas pela sua política
reivindicacionista, atando algumas concessões a programas sociais,
subvenções, mas no âmbito macroeconómico é uma política destrutiva.
Convidaram a multinacionais mineiras e explorarem a jazidas e muitas delas
estão nos territórios tradicionais dos indígenas.

Agora cometeu dois erros. Primeiro, sem consultar os indígenas assinou estes
contratos marginalizando as condições ambientais, as condições de pesca e de
água do povo indígena.

Segundo, tomou estas decisões com beligerância para com os opositores e
críticos, actuando com uma agressividade que não tolera uma reconsideração.
E isso provou a ira dos grupos indígenas.

E terceiro, os grupos indígenas têm muita experiência nestas histórias de
exploração, tanto de agrotóxicos e petróleo como de outras minas que no
passado contaminaram enormes regiões de cultivos, ar, água e terras dos
povos. Então, não falam de forma teórica, tiveram experiências negativas.

E para o Equador, para Correa, é uma política destrutiva. O que ele quer é
estimular o crescimento a partir das exportações mineiras para compensar a
queda nas exportações industriais e agrícolas. Primeiro porque não mudaram a
moeda, continua a utilizar o dólar, o que torna caras as exportações não
tradicionais como as manufacturas. E isso também criou uma situação em que
Correa mantém um discurso populista, crítico de aspectos da política externa
dos EUA, mas por outro lado é muito amistoso para com as multinacionais.

Ultimamente deu meia volta em relação à política norte-americana, abraçando
Hillary Clinton e dizendo que estão a caminho de melhoria das relações.
Temos que ver até que ponto isso é influenciado pela sua política mineira.
Está-se a combinar agora a resolução da contradição entre uma política
interna mineira conservadora com uma crítica ao imperialismo. Agora parece
que há uma aproximação com o governo de Obama-Clinton juntamente com este
projecto de explorar a mineração.
25/Junho/2010

*[*] Comentários transmitidos pela CX36 Radio
Centenario ,
em 21/Junho/2010.

O original encontra-se em http://www.lahaine.org/index.php?blog=3&p=46482 *

*Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .*

Governo boliviano de olho na USAID

Novas leis e USAID destacam-se em semana boliviana
sábado, 26 de junho de 2010

La Paz, 26 jun (Prensa Latina) A promulgação
da lei do Órgão Judicial e novas acusações por ingerência política da
Agência dos Estados Unidos para a Cooperação Internacional (USAID)
sobressairam na semana noticiosa que encerra hoje na Bolívia.

Ao promulgar a norma, na quinta-feira passada, o presidente Evo
Morales precisou que se trata da segunda de cinco leis orgânicas
previstas para serem aprovadas antes de 23 de julho, segundo
estabelece a Constituição Política do Estado.

Morales assinalou que quando há advogados comprometidos com seu povo e
consciência social é possível elaborar regulamentos próprios e não
copiar os alheios, e se declarou comprazido pelo trabalho de deputados
e senadores.

Também saudou as propostas construtivas de alguns parlamentares
opositores e destacou a importância do acordo.

A julgamento do presidente da Câmera baixa (Deputados), Héctor Arce,
com esta norma nasce uma nova justiça e marca-se mais um triunfo da
Revolução democrática e cultural que vive o país.

Arce recordou que lamentavelmente em épocas anteriores a justiça
tinha-se convertido num privilégio de poucos, uma prerrogativa dos
poderosos, e não um direito de todos. Elogiou como aspectos
fundamentais da lei judicial a descolonização, a introdução a sério da
gratuidade e a criação do Defensor do litigante para proteger ao
cidadão comum.

A primeira norma a ser aprovada foi a do �"rgão Eleitoral
Plurinacional e ainda estão em debate a do Regime Eleitoral, o
Tribunal Constitucional e a Lei Marco de Autonomias e
Descentralização.

Nesta semana, o Executivo também mostrou provas e novas evidências
sobre a ingerência política da USAID em assuntos internos e a
incidência em protestos de algumas organizações indígenas, afins a
Palacio Quemado, como a Confederação de Povos Indígenas do Oriente
Boliviano (CIDOB).

O próprio vice-presidente do país, Álvaro García, manifestou que
espera uma mudança de atitude da USAID e negou que se tenha decidido
expulsar ao organismo.

García ratificou à imprensa que os vínculos governamentais com essa
organização cessaram em 2008, quando foi expulso o então embaixador
estadunidense, Philip Goldberg.

Recordou ademais que nesse momento estabeleceram que nenhuma
colaboração do governo estadunidense podia se envolver em temas
políticos ou organizativos do povo boliviano.

Qualquer colaboração deve ser de Estado a Estado, nem política, nem
ideológica, nem jurídica; dissemo-lo publicamente desde 2008,
manifestou.

No entanto, assinalou que a USAID o fez à margem deste pedido da
Bolívia, não somente com publicações, como também promovendo
seminários e cursos nos quais priorizavam inimigos do governo.

Fazem isso em nome de seu país para qualificar a quantidade das
organizações ou dos dirigentes "amigos", em uma intromissão brutal na
soberania de nosso país, denunciou.

A este respeito, apontou que com essa atitude não ajudam a Bolívia,
senão aos militantes políticos, porque tanto a embaixada dos Estados
Unidos como a USAID querem construir uma freguesia política, de
dirigentes e organizações afins.

Por sua vez, setores governamentais como organizações sociais como a
Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia
insistiram nos últimos dias em suas acusações de ingerência da USAID.

Questionaram ademais uma marcha da CIDOB de Trinidad (Beni) até a
cidade de La Paz, exigindo mais terras e autonomias plenas, que
consideram anticonstitucionais, ao mesmo tempo em que ressaltaram a
via do diálogo para atender suas exigências.

Os bolivianos assistiram também nesta semana às primeiras imputações e
a saída do cargo do ex-prefeito de Sucre, Jaime Barrón, acusado de ser
responsável por vexames contra camponeses em maio de 2008.

O Executivo, vários parlamentares e representantes do Alto
Comissionado para os Direitos Humanos da ONU, exortaram a Barrón que
se submetesse à justiça e se defendesse com argumentos e sem
violência.

lac/ga/cc

Fonte: www.prensa-latina.cu/

Honduras, um ano do golpe

Honduras: convocam protestos por aniversário do golpe de Estado
Escrito por Erica Soares
Sexta, 25 de junho de 2010

Tegucigalpa, 25 jun (Prensa Latina) A Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) realizará a partir deste fim de semana manifestações de protesto em todos os departamentos hondurenhos com motivo do primeiro aniversário do golpe de Estado.

Indígenas, camponeses, sindicalistas, mulheres e membros de partidos progressistas integrados na frente participarão de caminhadas, vigílias e panelaços para repudiar a ruptura institucional e recordar às vítimas daqueles acontecimentos.

Na madrugada do dia 28 de junho de 2009 um grupo de militares, em aliança com a oligarquia, sequestrou o presidente Manuel Zelaya em sua residência, levou-o à base militar de Palmerola e daí conduziu-o à força à Costa Rica.

O objetivo dos golpistas era impedir a realização nesse dia de uma pesquisa nacional para conhecer a opinião do povo em torno de futuras reformas constitucionais.

A partir desse momento usurpou o poder um regime de facto que desatou a repressão contra os opositores, com saldo de dezenas de mortos e feridos, milhares de detenções ilegais, torturas, atropelos e outras violações.

A Frente Nacional de Resistência Popular, criada no mesmo dia do golpe de Estado, realiza neste momento o recolhimento de mais de 1,2 milhão de assinaturas para conseguir a volta de Zelaya a Honduras e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

"Só com uma nova constituição vamos ter as armas para a transformação econômica e social do país", declarou Carlos H. Reyes, dirigente do FNRP.

A Lei Primigênia da nação foi aprovada em 1982, sob a tutela de uma ditadura militar, e contém sete artigos pétreos que não se podem modificar e impedem realizar mudanças profundas quanto à forma de governo e à distribuição das riquezas.

Como resultado da iniquidade e das políticas neoliberais aplicadas durante os últimos anos, Honduras é hoje, após o Haiti, o país mais menos desenvolvido do hemisfério ocidental, com cerca de 80 por cento da população na pobreza.

Cuba é nova vice-presidente no Cons. dos Direitos Humanos da ONU

Cuba é eleita vice-presidente no Cons. dos Direitos Humanos da ONU

Cuba foi eleita, em 21 de junho, vice-presidente do Conselho dos
Direitos Humanos (CDH), o órgão principal das Nações Unidas
especializado na promoção e na proteção deste tema.

Durante uma sessão organizativa anual desta instância, seus membros
decidiram por aclamação a eleição do embaixador cubano em Genebra,
Rodolfo Reyes Rodríguez, para o cargo, o que foi considerado um
reconhecimento ao trabalho da Ilha no setor.

“A eleição de Cuba para este importante cargo é um reconhecimento à
exemplar execução e à obra da Revolução cubana a favor dos direitos
humanos de seu povo e de todo o mundo”, precisa uma declaração da
Embaixada cubana em Genebra.

“É, também, uma clara confirmação do respeito ao desempenho
comprometido e ativo de nosso país — membro fundador do CDH — em
defesa da verdade e da justiça e a sua liderança na reivindicação das
causas mais nobres”, acrescenta.

Precisa a nota que “esta eleição constitui uma rotunda resposta da
comunidade internacional à brutal campanha política anticubana na
mídia, reforçada nos últimos meses pela reação internacional”.

Reyes, que ocupará a vice-presidência correspondente ao Grupo da
América Latina e o Caribe (Grulac), cumprirá seu mandato como membro
da Mesa Diretiva do Conselho, até junho de 2011.

O embaixador da Tailândia, Sihasak Phuangketkeow, foi eleito para
presidir o órgão no mesmo período. Segundo a prática, cabe aos membros
da Mesa conduzir o processo de revisão do CDH, que terá lugar nos
próximos 12 meses de trabalho.

“Cuba contribuirá substancialmente para este trabalho, a partir de sua
ampla experiência como membro do órgão e da desaparecida Comissão dos
Direitos Humanos”, aponta a nota.

Fonte: Gramma

Fidel: A suástica do Führer parece ser hoje a bandeira de Israel

Na terça-feira, 8 de junho, escrevi a reflexão "No limiar da tragédia", por volta do meio-dia, e, mais tarde, vi o programa televisivo "Mesa-Redonda", de Randy Alonso, que é exibido normalmente às 18h30.

Nesse dia, destacados e prestigiosos intelectuais cubanos que participavam da Mesa, perante as agudas perguntas do diretor, responderam com eloquentes palavras que respeitavam grandemente minhas opiniões, mas que não acreditavam que haveria razão para que o Irã recusasse a possível decisão, já conhecida, que adotaria o Conselho de Segurança, na manhã de 9 de junho, em Nova Iorque, sem dúvida alguma combinada entre os líderes das cinco potências com direito ao veto: os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, com os da Rússia e da China.

Nesse instante, expressei às pessoas próximas que costumam acompanhar-me: "Lamento imensamente não ter podido finalizar minha reflexão expressando que ninguém desejava mais que eu estar enganado!", mas era já tarde, não podia atrasar seu envio ao site CubaDebate e ao jornal Granma.

No dia seguinte, às 10h, sabendo que essa era a hora da reunião, pensei em sintonizar a CNN em espanhol, que, com certeza, daria notícias do debate no Conselho de Segurança. Pude assim escutar as palavras com que o presidente do Conselho apresentava um projeto de resolução, promovido dias antes pelos Estados Unidos, apoiado pela França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Falaram também vários representantes dos principais países envolvidos no projeto. A representante dos Estados Unidos explicou por que seu país aprovava isso, com o pretexto já sabido de sancionar o Irã por ter violado os princípios do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Por sua vez, o representante da Turquia - nação cujos navios foram vítimas do brutal ataque das forças de elite de Israel, que, transportadas em helicópteros, assaltaram na madrugada de 31 de maio a flotilha que levava alimentos para o milhão e meio de palestinos sitiados num fragmento de sua própria Pátria - manifestou a intenção de seu governo de se opor a novas sanções ao Irã.

A CNN, no espaço que dispunha para notícias, apresentou várias imagens de mãos leventadas, na medida em que expressavam com gestos visíveis sua posição, entre elas, a do representante do Líbano, país que se absteve durante a votação.

A presença serena dos membros do Conselho de Segurança que votaram contra a Resolução se expressou com a direita firme de uma mão de mulher, a representante do Brasil, que tinha exposto antes com tom seguro as razões pelas quais sua Pátria se opunha ao acordo.

Faltava ainda um monte de notícias sobre o tema; sintonizei a Telesur, que durante horas satisfez a incontável necessidade de informação.

O presidente Lula da Silva expressou na cidade de Natal, ao nordeste do país, duas frases lapidárias: que as sanções aprovadas eram impostas por "aqueles que acreditam na força e não no diálogo", e que a reunião do Conselho de Segurança "poderia ter servido para discutir o desarmamento dos que já têm armas atômicas".

Nada de estranho se tanto Israel como Estados Unidos e seus estreitos aliados com direito a veto no Conselho de Segurança , França e Grã-Bretanha, queiram aproveitar o enorme interesse que desperta o Mundial de futebol para tranqüilizar a opinião internacional, indignada pela criminosa conduta das tropas de elite israelenses na Faixa de Gaza.

É, portanto, muito provável que o golpe arteiro se dilate algumas semanas, e inclusive, seja esquecido pela maioria das pessoas nos dias mais calorosos do verão boreal. É preciso observar o cinismo com que os líderes israelenses responderão as entrevistas da imprensa nos próximos dias, em que serão bombardeados com perguntas. Oportunamente, eles irão elevando o rigor de suas exigências antes de apertar o gatilho. Anseiam repetir a história de Mossadegh, em 1953, ou levar o Irã à idade de pedra, uma ameaça da qual gosta o poderoso império em seus tratos com o Paquistão.

O ódio do Estado de Israel contra os palestinos é tal, que não hesitaria em enviar o milhão e meio de homens, mulheres e crianças desse país aos crematórios nos quais foram exterminados pelos nazistas milhões de judeus de todas as idades.

A suástica do Führer parece ser hoje a bandeira de Israel. Esta opinião não nasce do ódio, mas do sentimento de um país que se solidarizou e prestou auxílio aos judeus nos duros dias da Segunda Guerra Mundial, quando o Governo pró-americano de Batista tratou de enviar de volta de Cuba uma embarcação carregada deles, que escapavam da França, Bélgica e Holanda, por causa da perseguição nazista.

Conheci muitos membros da numerosa comunidade judaica radicada em Cuba, quando triunfou a Revolução; visitei-os e falei com eles várias vezes. Nunca os expulsamos de nosso país. As diferenças com muitos deles surgiram por ocasião das leis revolucionárias que afetaram interesses econômicos, e, por outro lado, a sociedade de consumo atraía a muitos, frente aos sacrifícios que implicava a Revolução. Outros permaneceram em nossa Pátria e prestaram valiosos serviços a Cuba.

Uma etapa nova e tenebrosa abre-se para o mundo.

Ontem, às 0h44 falou Obama sobre o acordo do Conselho de Segurança.

Eis algumas notas do que expressou o presidente, tomadas da CNN em espanhol.

"Hoje, o Conselho de Segurança da ONU votou, por maioria, a favor de uma sanção contra o Irã por seus repetidos descumprimentos…".

"Esta resolução é a sanção mais forte que enfrenta o governo iraniano e envia uma mensagem inequívoca sobre o compromisso da comunidade internacional de frear a expansão das armas nucleares."

"Por anos, o governo iraniano descumpriu suas obrigações recolhidas no Tratado de Não-Proliferação Nuclear."

"Enquanto os líderes iranianos se escondem por trás de retórica, suas ações os comprometeram".

"De fato, quando tomei posse, há 16 meses, a intransigência iraniana era forte".

"Oferecemos-lhes perspectivas de um melhor futuro se cumprissem suas obrigações internacionais".

"Aqui não há duplo padrão".

"O Irã violou suas obrigações sob as resoluções do Conselho de Segurança, para suspender o enriquecimento de urânio".

"Por isso, estas medidas tão severas".

"São as mais rigorosas que já enfrentou o Irã".

"Isto demonstra a visão partilhada de que, no Oriente Médio, a ninguém convêm desenvolver estas armas".

Estas frases que selecionei de seu breve discurso são mais que suficientes para demonstrar quão fraca, débil e injustificável é a política do poderoso império.

O próprio Obama admitiu em seu discurso, na universidade islâmica de Al-Azhar, no Cairo, que "em meio à Guerra Fria, os Estados Unidos desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano eleito democraticamente", apesar de que não disse quando nem com que propósitos. É possível que nem sequer se lembrasse como o levaram a cabo contra Mossadegh, em 1953, para instalar no governo a dinastia de Reza Pahlevi, o xá do Irã, ao qual armaram até os dentes, como seu principal gendarme nessa região do Oriente Médio, onde o déspota acumulou uma imensa fortuna, derivada das riquezas petroleiras desse país.

Naquela época, o Estado de Israel não possuía uma só arma nuclear. O império tinha um enorme e insuperável poder nuclear. Então, os Estados Unidos pensaram na arriscada ideia de criar, em Israel, um gendarme no Oriente Médio, que hoje ameaça uma parte considerável da população mundial e é capaz de atuar com a independência e o fanatismo que o caracterizam.

Fidel Castro Ruz
10 de junho de 2010
11h59.

CARTA DE PORTO ALEGRE - Solidariedade ao povo de Cuba

Os participantes da XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, realizada na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, entre os dias 04 e 06 de junho de 2010, reiteram, por meio dessa Carta, o compromisso solidário e incondicional com os princípios da vitoriosa
Revolução Cubana que, em 1º de janeiro de 1959, iniciou o processo de desenvolvimento social de caráter autônomo e soberano naquele país.

Para nós, a visão revolucionária e socialista de Cuba, com forte influência do pensamento de seu herói nacional, José Martí, aponta para o apoio mútuo entre os povos e a valorização do ser humano e da sua cultura.

Assim, solidários à luta permanente de Cuba pela defesa da sua soberania e, alinhados ao seu povo, nos colocaremos contra qualquer tipo de governo que desrespeite o direito a sua autodeterminação.

Aos ilegais e abusivos bloqueios econômicos, financeiro e comercial impostos a Cuba pelo imperialismo estadunidense e seus colaboradores – com sérias aplicações extraterritoriais –, alia-se o bloqueio midiático. Ele tem a vergonhosa intenção de desvalorizar e descaracterizar a luta de um país que, apesar dos permanentes ataques, responde com ações de ajuda humanitária a diversos países do mundo, e concede ao seu povo, de modo universal e gratuito, os direitos fundamentais que constroem a sua cidadania, como educação, saúde, cultura, lazer e trabalho.

Ao lado dos revolucionários cubanos, nos manteremos firmes no propósito de defender o caminho que escolheram. Como movimento de solidariedade a Cuba, permaneceremos lutando contra os bloqueios, o isolamento e todos os tipos de violações impostos àquele país.

Defenderemos, ainda, a efetiva integração econômica, política e cultural de Cuba em toda a nossa América.

Lutaremos, também, pelo fechamento da base militar de Guantánamo – utilizada como cárcere pelos Estados Unidos –, e pela devolução do seu território a Cuba.

Da mesma forma, exigimos a liberdade dos cinco heróis cubanos, presos arbitrariamente nos Estados Unidos, para que se restabeleçam os princípios de justiça com respeito aos direitos humanos e aos direitos internacionais.

Por fim, considerando as diretrizes apresentadas nessa Carta, nos comprometemos a desenvolver as ações discutidas e aprovadas nos painéis e grupos de trabalho da XVIII Convenção.

Estados participantes: RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, SE, CE, PE, RN, DF, BA e PB.

Porto Alegre, 05 de junho de 2010

No limiar da tragédia * por Fidel Castro

Fidel Castro: No limiar da tragédia

Desde o dia 26 de março, nem Obama nem o Presidente da Coreia do Sul têm podido explicar o que realmente aconteceu com o navio insígnia da Marinha de Guerra sul-coreana - o moderníssimo caça-submarino Cheonan, que participava de uma manobra com a Armada dos Estados Unidos ao oeste da Península da Coreia, próximo aos limites das duas Repúblicas -, deixando 46 mortos e dezenas de feridos.

Por Fidel Castro, em Portal Cuba

O embaraçoso para o império é que seu aliado conheça, de fontes fidedignas, que o navio foi afundado pelos Estados Unidos. Não existe maneira de eludir esse fato que os acompanhará como uma sombra.

Em outra parte do mundo, as circunstâncias se ajustam igualmente a fatos muito mais perigosos que os do Leste da Ásia e que não podem deixar de acontecer sem que a superpotência imperial consiga formas de evitá-los.

Israel não se absteria de ativar e usar, com total independência, o considerável poder nuclear criado nesse país pelos Estados Unidos. Pensar de outra maneira é ignorar a realidade.

Outro assunto muito grave é que as Nações Unidas tampouco têm alguma maneira de mudar o curso dos acontecimentos e muito em breve os ultra-reacionários que governam Israel se chocarão com a indomável resistência do Irã, uma nação de mais de 70 milhões de habitantes e de conhecidas tradições religiosas que não aceitará as ameaças insolentes de nenhum adversário.

Em duas palavras: o Irã não cederá perante as ameaças de Israel.

Os habitantes do mundo, logicamente, desfrutam cada vez mais dos grandes acontecimentos esportivos, aqueles relacionados com o divertimento, a cultura e outros que ocupam seus limitados espaços de lazer, no meio dos deveres que lhes ocupam grande parte de seu tempo dedicado aos afazeres cotidianos.

Nos próximos dias, o Campeonato Mundial de Futebol que acontecerá na África do Sul lhes arrebatará todas as horas livres de seu tempo. Com crescente emoção, acompanharão as vicissitudes das personagens mais conhecidas. Observarão cada passo de Maradona e não deixarão de lembrar o instante do espetacular gol que decidiu a vitória da Argentina num dos clássicos.

Novamente outro argentino vem surgindo espetacularmente, de estatura baixa, mas veloz, que aparece como raio e, com as pernas ou a cabeça, dispara a bola à velocidade insólita. Seu sobrenome: Messi, de origem italiana, já é bem conhecido e mencionado por todos os fanáticos.

A imaginação deles é levada até o delírio quando chegam as imagens dos numerosos estádios onde ocorrerão as competições. Os projetistas e arquitetos criaram obras jamais sonhadas pelo público.

Aos governos que sempre estão reunidos para cumprir as obrigações que a nova época impôs sobre seus ombros, o tempo é curto para conhecerem a imensa quantidade de notícias que a televisão, o rádio e a imprensa escrita divulgam constantemente.

Quase tudo depende exclusivamente da informação que recebem dos seus assessores. Alguns dos mais poderosos e importantes Chefes de Estado, que tomam as decisões fundamentais, costumam usar os telefones celulares para se comunicar diariamente entre eles várias vezes.

Um número crescente de milhões de pessoas no mundo vive apegado a esses pequenos aparelhos sem que ninguém saiba qual o efeito que terão na saúde humana. Dilui-se a inveja que deveríamos sentir por não ter desfrutado dessas possibilidades em nossa época, que se afasta pela sua vez velozmente em muito poucos anos e quase sem dar-nos conta.

Ontem, em meio à voragem, foi publicado que possivelmente hoje Conselho da Segurança das Nações Unidas poderia votar uma resolução pendente para decidir se é imposta uma quarta rodada de sanções ao Irā, por negar-se a parar o enriquecimento do urânio.

O irônico desta situação é que se fosse Israel, os Estados Unidos da América e seus aliados mais próximos diriam logo que Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e vetariam a resolução.

No entanto, se o Irã é acusado simplesmente de produzir urânio enriquecido até 20%, é solicitada imediatamente a aplicação de sanções econômicas para asfixiá-lo e é óbvio que Israel atuaria como sempre, com fanatismo fascista, igual como fizeram com os soldados das tropas de elite lançados de helicópteros, em horas da madrugada, sobre os que viajavam na flotilha solidária, que transportava alimentos para a população sitiada em Gaza, matando várias pessoas e ferindo dezenas que foram depois presas juntamente com os tripulantes das embarcações.

Logicamente tentarão destruir as instalações onde o Irã enriquece uma parte do urânio que produz. Também é lógico que o Irã não se conformará com esse tratamento desigual.

As conseqüências dos enredos imperiais dos Estados Unidos poderiam ser catastróficas e afetariam a todos os habitantes do planeta, ainda mais do que todas as crises econômicas juntas.

Fidel Castro
8 de Junho de 2010

Zelaya critica Comissão da Verdade formada por golpistas

Zelaya critica Comissão da Verdade formada por pessoas em favor do Golpe

Karol Assunção *

Fonte: Adital

Quase um ano do Golpe de Estado que destituiu Manuel Zelaya do poder de Honduras e a situação no país ainda está longe de ser resolvida. Ontem (7), Zelaya, agora presidente do Governo do Poder Cidadão, fez um pronunciamento sobre a Comissão da Verdade instalada no mês passado no país centro-americano. Na ocasião, o mandatário derrocado criticou a Comissão da Verdade e pediu que nenhum funcionário do Poder Cidadão colaborasse com ela.

Instalada em Honduras no início de maio pelo atual presidente do país, Porfirio Lobo, a Comissão da Verdade tem a finalidade de tentar esclarecer o golpe ocorrido no dia 28 de junho do ano passado, o qual depôs Manuel Zelaya, então mandatário hondurenho, do poder.

No entanto, na opinião do presidente destituído, a Comissão tem outro objetivo. "Através desta Comissão da Verdade se pretendem manipular as causas e os terríveis efeitos do Golpe de Estado em uma falsa tentativa de aliviar suas consequências mediante o reconhecimento internacional", afirmou.

As declarações presentes no comunicado não são por acaso. Segundo o mandatário derrocado, tal Comissão não possui membros do Governo do Poder Cidadão e nem integrantes da resistência e personalidades internacionais opositoras ao Golpe. Por conta disso, crê "firmemente que a informação poderá ser manipulada para apresentar conclusões que favoreçam os interesses do setor que a forma".

Diante desse quadro, Zelaya acredita que a comissão pretenderá: apresentar os golpistas como vítimas; afirmar que a proposta da Quarta Urna era uma estratégia do então mandatário hondurenho para permanecer no poder; e colocar que a adesão da Alternativa Bolivariana para as Américas representava um ameaça a soberania do país.

"Esta comissão surge do viciado Acordo Tegucigalpa-San José, o qual foi violado pelo Governo de Fato, situação que trago como consequência o isolamento que sofre hoje nosso país. Esta comissão também surge do apoio que os Estados Unidos da América deram às ilegítimas eleições que se deram em um ambiente de repressão e violações aos direitos humanos sem a presença dos observadores qualificados e sem que eles tivessem analisado o dano que se estava fazendo ao Povo Hondurenho", destacou.

Zelaya também deixou claro no comunicado que não confia na Comissão e aproveitou a oportunidade para pedir aos funcionários do Poder Cidadão que não ajudem a Comissão até que esta esteja de acordo com as exigências necessárias para tornar-se imparcial. Da mesma forma, estimulou o povo hondurenho a ser firme e manter uma posição sólida contrária à Comissão.

"Nossa participação nestas condições poderia provocar ainda mais danos e efeitos negativos que os sofridos pelo golpe de estado até a data, já que um relatório falso, com nosso aval, ficaria na história como ‘a verdade’, eximindo de culpabilidade aqueles que participaram e cometeram este crime de lesa humanidade contra o povo de Honduras", considerou.

* Jornalista da Adital

Carta ao governo israelense * por Silvio Tendler

Carta ao governo israelense

Senhores que me envergonham:
Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.

As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.

Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!

Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.

Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.

A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..

O Sr., Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.

Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.

Abaixo o fascismo!

Paz Já!

Silvio Tendler é cineasta

Colombia: Vitória folgada de governista levanta suspeitas

Vitória folgada de governista levanta suspeitas e surpreende analistas

Juan Manuel Santos vai enfrentar 2º turno, mas teve margem de quase 4 milhões de votos.

Mesmo com a perspectiva de um segundo turno, a liderança folgada do candidato governista, Juan Manuel Santos, levantou suspeitas, surpreendeu analistas e contrariou pesquisas que apontavam um empate técnico entre os dois candidatos.

"Indiscutivelmente é uma surpresa", afirmou à BBC Brasil Alejandra Barrios, diretora do Movimento de Observação Eleitora (MOE).

"Vemos que os votos de Facebook e Twiiter não se transformaram em votos reais, afirmou Barrios em alusão à campanha do partido Verde, impulsada por meio dessas redes sociais. "

Para ela, Santos "possivelmente será o próximo presidente", como planejou Uribe.

O analista político e historiador Medófilo Medina vai mais longe e questiona a ampla diferença entre Santos e Mockus, de mais de 3,7 milhões de votos favoráveis ao candidato governista.

'Fantasma de irregularidades'

"Nenhum prognóstico apontava uma diferença tão ampla entre os dois candidatos. Isso surpreende e tendo em conta os delitos eleitorais do processo legislativo de março, esse fantasma de irregularidades volta a aparecer no horizonte", afirmou à BBC Brasil.

O MOE afirma não ter provas de irregularidades na contagem dos votos.

"Não temos dúvida de que a contagem reflete a vontade do eleitor, diferentemente do que ocorreu nas eleições legislativas, onde claramente houve fraude em alguns departamentos (estados)".

Segundo o MOE, a abstenção foi de 56%, uma das mais altas dos últimos quatro processos eleitorais.

No jogo de alianças que passará a ser negociado a partir de agora, de acordo com Medina, Santos tende à capitalizar a maioria dos votos dos partidos conservadores. O esquerdista Polo Democrático tenderá a negociar com o partido Verde uma possível coalizão para o segundo turno.

A posição do partido Cambio Radical de German Vargas Llera, que obteve mais de 1,4 milhões de votos pode ser decisiva, em especial para Mockus, que na opinião de analistas, necessitará contar com o maior número de alianças e de conquistar novos eleitores que não votaram, para poder vencer o candidato governista.

Lleras disse que "ainda não pode decidir em nome dos colombianos que o apoiaram" que candidato seu partido apoiará.

Fonte: Estadão / BBC Brasil

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,vitoria-folgada-de-gove...

Oito jornalistas assassinados em Honduras: quem chama o FBI

por Jean-Guy Allard

Oscar Álvarez, o ministro da Segurança do governo de Lobo, é sobrinho do melhor aliado do ex-embaixador Negroponte, o general Gustavo Álvarez, de sinistra reputação, então chefe das Forças Armadas do país

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O ministro hondurenho da Segurança, Oscar Alvarez, que acaba de solicitar aos Estados Unidos a ajuda do FBI para "esclarecer as circunstâncias" da onda de assassinatos de jornalistas em Honduras, ocupava o mesmo posto em 2004, no governo de Ricardo Maduro, quando o terrorista Luis Posada Carriles chegou ao país centro-americano onde encontrou, com sua cumplicidade, um refúgio seguro.
O membro do governo de Porfirio Lobo é sobrinho do general Gustavo Alvarez Martínez, ex-chefe das Forças Armadas de Honduras, aliado a John Dimitri Negroponte quando este agente da CIA e criminoso de guerra era embaixador em Tegucigalpa e dirigia os planos macabros da administração de Ronald Reagan contra o governo sandinista da Nicarágua. Alvarez Martínez se tornou famoso por suas perseguições a jovens, religiosos e militantes de esquerda e por sua absoluta submissão aos norte-americanos.

Em 2004, no show mediático que se forjou ao chegar Posada em 26 de agosto, Oscar Alvarez foi quien, seis dias depois, declarou à agência de imprensa norte-americana AP que seus serviços de imigração eram incapaces de localizar o terrorista ainda que, dizia, a policía havia localizado "várias residências" onde "se acredítava" que pudesse estar alojado.

Uns dias depois, entretanto, sugeria uma falsa pista: Posada "poderia haver partido do país e acreditamos que está nas Bahamas". O Governo das Bahamas desmentiu imediatamente a informação.

"Nossos informantes nos dizem que Posada Carriles poderia haver usado Honduras como escala para viajar ao Caribe", declarou também Álvarez.

Posada entrou em Honduras no mesmo dia de sua libertação pelo aeroporto de San Pedro Sula, com passaporte norte-americano falso, num jato privado contratado por cúmplices de Miami, proveniente da capital panamenha.

Não se falou mais da suposta investigação desde que a imprensa deixou de se interessar pelo tema.

Numa ampla investigação sobre o incidente publicada em Rebelión no final de 2004, o investigador e jornallista Carlos Fazio assinalava que "existem indícios de que o presidente de Honduras, Ricardo Maduro, fez parte de uma transação que levou ao desaparecimento de Posada Carriles em San Pedro Sula".

"É evidente - continuava Fazio - que para que isso se desse houve um terceiro e poderoso ator que das sombras moveu os fios da trama: os Estados Unidos".

Em 2005, confirmou-se que o Birô Federal de Investigação (FBI) dos Estados Unidos e a proradoria hondurenha protegeram então Posada Carriles quando o advogado Juan Carlos Sánchez, representante legal do destituído diretor de Imigração e Extrangeiros de Honduras, Ramón Romero, apresentou ante um tribunal um documento onde alegava que Posada chegou a Honduras protegido por elementos da polícia federal estadunidense.

Ainda que Posada fosse reclamado pela Venezuela como autor da explosão de um avião da Cubana de Aviação em 1976, com 73 pessoas a bordo, não apareceu rastros do terrorista internacional.

Em janeiro de 1994, Posada planificou em Honduras um plano fracassado de atentado contra Fidel Castro, financiado de Miami pela FNCA, que previa executá-lo na tomada de posse do presidente Reina. Até 1996, Posada encabeçou um grupo de sicários de origem cubana que junto com militares hondurenhos executaram mais de 40 atentados nesse país.

Oscar Alvarez, filhote do império

Alvarez foi aluno da Texas A&M University, canteiro de agentes da CIA. Trata-se de um campus desta mesma universidade onde se situa a George Bush Presidencial Library. Nessa instituição de corte militar, se incorporou ao Corpo de Cadetes onde recebeu a preparação para se somar à US Army. Continua como presidente da Associação de ex-alunos hondurenhos da Texas A&M.

Durante um longo período, Alvarez residiu em Dallas, onde foi cónsul de Honduras.

O atual ministro do governo Lobo, exerceu esse mesmo cargo no governo de Ricardo Maduro até 2005 e comandou a repressão contra dirigentes populares e selvagens operações de "limpeza" em bairros pobres de Tegucigalpa, com um desprezo total pelos direitos humanos.

Ricardo Maduro participou, ao lado de Roberto Micheletti, do golpe de Estado contra o presidente constitucional Manuel Zelaya, e foi um dos primeros golpistas a ser acolhido em Washington pelos congressistas da ultra-direita cubano-americana que lideravam a operação de legitimação.

Ao anunciar sua solicitação de "ajuda" ao FBI, há uns dias, Álvarez afirmou que acudiu à policía estadunidense com o propósito de "que haja transparência no processo" de investigação sobre o assassinato de oito jornalistas desde o principio do ano neste país.

Há uns dias, o próprio Alvarez entregou ao Congresso Nacional um relatório no qual deu sua versão sobre "o avanço das investigações" sobre as mortes de jornalistas que incluiu os nomes de seus supostos autores.

Os jornalistas assassinados em Honduras este ano são Nicolás Jesús Asfura Asfura, Joseph Ochoa, David Meza, Nahum Palacios, Bayardo Mairena, Manuel Juárez, Luis Antonio Chévez e Georgino Orellana.

O pró-consul Llorens, de pura cepa bushista

O embaixador norte-americano Hugo Llorens, que admitiu haver participado de reuniões nas quais se discutiram os planos de golpe antes do sequestro do presidente Zelaya, em 28 de junho de 2009, é um cubano-americano emigrado em Miami que se converteu em diretor de assuntos andinos do Conselho Nacional de Segurança em Washington, D.C., depois de uma carreira como agente da CIA.

Quando ocorre o golpe de Estado de 2002 contra o presidente venezuelano Hugo Chávez, Llorens se encontra como assistente do Sub-secretário de Estado para Assuntos Hemisféricos Otto Reich e do conspirador por excelência Elliot Abrams.

Pouco depois do golpe de Tegucigalpa, o próprio The New York Times confirmou que o Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas A. Shanon, assim como o embaixador Llorens, haviam "falado" com altos oficiais das Forças Armadas e com líderes da oposição sobre "como derrubar o Presidente Zelaya, como prebndê-lo e que autoridade poderia fazê-lo".

Em julho de 2008, Llorens substituiu o embaixador Charles "Charlie" Ford, a personagem que se atreveu a propor, por sugestão de George W. Bush, que Posada Carriles recebesse asilo permanente em Honduras.

FBI, famoso por acobertar terroristas e torturadores

Nos EE.UU., o FBI - a policía federal encarregada da contra-inteligência e, notadamente, dos casos políticos - se distingue por tolerar a presença em território estadunidense de dezenas de indivíduos procurados em seus países por crímes políticos.

Em Miami, o santuário de refugiados de procedência latino-americana, entre eles ex-mandatários corruptos, esbirros, torturadores, terroristas e promotores de ações terroristas, o FBI tem uma política bem acertada de inércia, tolerância e inclusive de cumplicidade com tudo o que tem a ver com as atividades ilegais de ultradireitistas latino-americanos.

Nol caso de Cuba, são inumeráveis os casos de cubano-americanos, como Orlando Bosch e Luis Posada Carriles, relacionados a ações terroristas que se beneficiam de uma proteção absoluta. Muitos deles foram utilizados pelos próprios serviços de inteligência norte-americanos na guerra suja livrada pelos EE.UU., durante décadas, contra as aspirações legítimas dos povos.

Os EE.UU. acolheram nos últimos anos a dezenas de "opositores" venezuelanos que se caracterizam por sua vinculação com grupos protagonistas do uso da violência. A agente da CIA Patricia Poleo, prófuga da justiça venezuelana no caso do assassinato do promotor Danilo Anderson, continua refugiada em Miami. Entre muitos outros prófugos venezuelanos protegidos pelo FBI na Flórida, se encuentram o ex-presidente Carlos Andrés Pérez e Henry López Sisco, torturador e assassino de sua polícia secreta.

Miami dá também asilo ao empresário boliviano Branko Marinkovic, croata de origen, que organizou e financiou a intentona de magnicídio de abril de 2009 contra o presidente Evo Morales.

Em Honduras, o FBI sempre manteve uma presença de uma forma ou de outra. É na própria embaixada USA de Tegucigalpa que o Agente Especial George Kiszynski interrogou, em 1992, Posada Carriles sobre o seu papel no tráfico de armas contra drogas na base salvadorenha de Ilipango. Anos depois, Posada declarava ao New York Times que Kiszynski, apesar de tudo, era "um muito bom amigo".

Fonte: Granma Internacional Digital, 24 de maio de 2010

Venzuela: PCV propõe medidas revolucionárias

Venzuela: PCV propõe medidas revolucionárias para enfrentar o processo de
inflação no país

*Caracas, 10de maio de 2010, Tribuna Popular TP.- *O Bureau Político do
Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV) propôs hoje uma série
de medidas econômicas, legislativas, políticas e estruturais que devem ser
assumidas pelo Executivo Nacional. O objetivo é o enfrentamento do processo
de inflação que afeta o país, que prejudica os trabalhadores, trabalhadoras
e demais setores populares da Venezuela.

Assim disse o deputado Oscar Figuera, Secretário Geral do PCV, à Assembleia
Nacional, na coletiva de imprensa que coincidiu com o pronunciamento do
Presidente Chávez. Nesse pronunciamento, Chávez atribuiu o processo
inflacionário de abril, que chegou à 5,2%, a um plano desestabilizador da
oligarquia criolla e do imperialismo.

“É o aprofundamento das ações que, no campo da especulação financeira e
monopolista, se desenvolvem no terreno econômico, numa linha
desestabilizadora do processo social, político e cultural venezuelano”,
apontou.

Por outro lado, o Partido Comunista foi enfático em assinalar que existe um
fator chave que permite que os setores que majoritariamente controlam a
economia e as finanças do país, implementem suas políticas especulativas. É
o baixo desenvolvimento das forças produtivas venezuelanas e a capacidade de
produzir o fundamental para o abastecimento da população, apesar dos
esforços que realiza o governo.

*Elementos em desenvolvimento no contexto político.*

São 2 vertentes que se deve ter em conta ao analisar os feitos comentados. 1
- A contra-ofensiva reacionária do Imperialismo norte-americano e a
oligarquia criolla e, 2 - As deficiências que ainda persistem no controle da
economia e o desenvolvimento das forças produtivas na perspectiva da
soberania alimentar.

*Contra-ofensiva do imperialismo norte-americano e a oligarquia criolla.*

“Temos dito que avança um plano geral da contra-revolução com o objetivo de
parar o processo de troca continental”, destacando que o processo de
acumulação de forças que realizam os povos e alguns governos progressistas
latino-americanos “debilitam a hegemonia do imperialismo no continente”.

Por isso, as poderosas potências internacionais vem propondo dar um “basta”
a esse processo e dificultar o processo de transformação na Venezuela,
desenvolvendo planos que vão desde o político, militar, cultural até a área
econômica.

*Especulação financeira*

Para o PCV, a especulação que se expressa visivelmente no terreno da
inflação, é uma especulação mais profunda, que abarca todo o sistema
financeiro privado do país, “que, no final das contas, quando analisamos a
estrutura de dominação à nível mundial e nacional, vemos que o setor
financeiro, especulativo do capital é o que está no alto da pirâmide de
dominação”, assinalou.

Esta cadeia especulativa, da qual não escapa o organismo controlador das
divisas do país, ou seja CADIVI, é uma linha de contra-ofensiva reacionária
expressa no financeiro e no econômico. Para o PCV é necessário desmontá-la.

*Medidas efetivas: *

1.- Nacionalização de todo o sistema financeiro venezuelano.

2.- Nacionalizar - com o controle dos trabalhadores - as cadeias produtivas
de produção e comercialização de alimentos, de caráter monopolista,
nacionais e internacionais.

3.- Controle dos trabalhadores e trabalhadoras dos processos produtivos,
impulsionando na Assembleia Nacional (AN), a aprovação em primeira discussão
e de caráter urgente, o projeto de Lei dos Conselhos Socialistas de
Trabalhadores e Trabalhadoras.

4.- Impulsionar uma Lei Especial em todas as cadeias produtivas de controle
dos custos, preços, lucros e distribuição que permita favorecer a força de
trabalho.

5.- Revisão urgente dos salários, avançando a um reajuste global de 40% para
o ano 2010, tendo em conta os 25% já aprovados e em curso.

6.- Aprofundar nas políticas de desenvolvimento produtivo nacional que
substituam as importações.

7.- Eliminar o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) e reformar a lei do
Imposto Sobre a Renda (ISLR).

Óscar Figuera assegurou que o Governo Nacional deve realizar ajustes
econômicos no país, como eliminar o Imposto ao Valor Agregado e reformar a
lei do Imposto Sobre a Renda (ISLR).

VÍDEO DA COLETIVA DE IMPRENSA (ver:
http://www.pcv-venezuela.org/index.php/pcv/6722-pcv-propone-medidas-revo...
)

1o de Maio em Cuba

Quando meia-dúzia de mercenárias que recebem dinheiro do govenro dos Estados Unidos ou de entidades direitistas dosEUA vão para as ruas em Cuba, a notícia sai na CNN, TVE, GLOBO, SBT, RECORD, ESTADÃO, ZH , etc.
Agora quando mais de 1 milhão de cubanos vão para as ruas para defender o socialismo ninguém fala nada... que liberdade de expressão é essa?

Veja algumas fotos no link

http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/05/01/las-fotos-del-desfile-del-p...

O povo da Grécia Luta pela Humanidade - por Miguel Urbano

O povo da Grécia Luta pela Humanidade

Miguel Urbano Rodrigues

Fonte: O Diário.Info - http://www.odiario.info/?p=1592

As gigantescas manifestações de protesto do povo grego contra a política do Governo do Partido Socialista e as medidas impostas ao país pela União Europeia e o FMI iluminam nestes dias a amplitude e complexidade de uma crise sem precedentes.
A grande maioria da Humanidade não tomou ainda consciência de que o seu futuro é inseparável da luta de classes em desenvolvimento na terra que foi berço da civilização europeia e do conceito de democracia política.
Um sistema mediático controlado pelo imperialismo insiste em apresentar os acontecimentos da Grécia como episódio de uma crise financeira mundial prestes a ser superada.
Trata-se de uma inverdade. A Humanidade enfrenta uma crise global e estrutural do capitalismo que se agrava a cada semana nas frentes económica, financeira, cultural, energética, ambiental, militar, social e politica.

O MITO OBAMA

A crise iniciou-se nos EUA, o principal baluarte do imperialismo. A potência que os media portugueses insistem em apresentar como «a maior economia do mundo» entrou num processo de decadência irreversível. Os EUA são hoje o país mais endividado do mundo. A sua dívida externa no final de 2008 atingia 13,77 milhões de milhões de dólares, o equivalente ao PIB do país; actualmente já o excede. É actualmente superior a todas as dívidas externas somadas da Europa, Ásia, África e América Latina. Uma divida impagável, anunciadora de um estouro que abalará o mundo. Por si só, a China é possuidora de mais de 900 mil milhões de dólares em reservas de dólares e títulos do Tesouro norte-americano.
Por que se mantém então a hegemonia dos EUA?
Dois factores a garantem. O primeiro é o seu imenso poderio militar. O outro a permanência do dólar como moeda de referência no comércio internacional, nomeadamente a divisa utilizada nas transacções do petróleo. E não há controlo para a emissão do bilhete verde.
Mas como os EUA se transformaram numa sociedade parasitária que consome muito mais do que produz, o país avança para um desastre, sem data no calendário, de proporções colossais.
O gigante tem pés de barro. O seu deficit comercial ultrapassou um milhão de milhões de dólares no ano passado. Este ano será superior.
Como a acumulação capitalista não funciona mais de acordo com a lógica do sistema, Washington, na fidelidade a uma estratégia de dominação universal, saqueia os recursos naturais de dezenas de países e desencadeia guerras de agressão ditas «preventivas» com a cumplicidade dos seus aliados da União Europeia.
Neste contexto o presidente Barack Obama, apresentado pela propaganda como político progressista e humanista, desenvolve uma politica que é indispensável e urgente desmistificar porque configura uma ameaça à Humanidade.
A falsificação da História não pode apagar a realidade. O homem distinguido com o Nobel da Paz ampliou a politica belicista de Bush. Manteve a ocupação do Iraque, intensificou a guerra de agressão no Afeganistão, iniciou os bombardeamentos no Noroeste do Paquistão, mantém a aliança com o sionismo neofascista israelense.
Crimes monstruosos, sobretudo no Afeganistão, comparáveis aos das SS nazis na II Guerra Mundial, são cometidos rotineiramente pelas Forças Armadas dos EUA. A barbárie militar tem aliás por complemento uma vaga de barbárie cultural. Essa é porém assunto a que os grandes media dedicam atenção mínima. Seria incómodo lembrar a destruição e saque de patrimónios da Humanidade na antiga Mesopotâmia. Informar por exemplo que nas ruínas de Babilónia estacionam tanques da US ARMY, que a maior base americana no Afeganistão, Begram, está instalada no espaço arqueológico de Kapisa, a antiga capital da desaparecida civilização Kuchana.
O Nobel da Paz dos EUA é o primeiro responsável pelo golpe de Estado nas Honduras (ver odiario.info de 26 de Julho e 1 de Dezembro de 2009), retoma a política de hostilidade à Revolução Cubana, volta a enviar a IV Esquadra para águas da América Latina, ameaça a Venezuela Bolivariana, o Equador e a Bolívia, cria 7 novas bases militares norte-americanas na Colômbia, instala em África o AFRICOM, um exército permanente dos EUA naquele Continente, bombardeia a Somália e o Iémen.
O presidente dos EUA é elogiado como defensor de um mundo sem armas nucleares. Mas na recente Conferência sobre Desnuclearização ameaçou usá-las contra o Irã, se o seu governo não se submeter às exigências de Washington.
A CUMPLICIDADE COM A FINANÇA
Diariamente lemos nos jornais portugueses e ouvimos em programas televisivos em que pontificam politólogos do sistema que a recessão terminou na maioria dos países da União Europeia, que a retomada é uma realidade e que nos EUA a economia cresceu no último trimestre mais do que o previsto. A Grécia, Portugal, a Espanha, a Irlanda e a Itália seriam excepções. A «turbulência» dos mercados mantinha-se, com bruscas oscilações nas bolsas, mas isso resultaria da acção de especuladores.
Os governantes e a comunicação social esforçam-se por persuadir os povos de que tudo voltará em breve à normalidade graças a sábias políticas financeiras - insinua-se - que salvaram a banca e a medidas de austeridade impostas pela necessidade de reduzir os deficits orçamentais. Em Portugal, o PEC seria a solução salvadora. Com custos, é um facto, mas a hora exigiria sacrifícios de «todos» a bem da pátria.
O discurso da mentira e da hipocrisia pode mudar na forma, mas o seu conteúdo é fundamentalmente o mesmo de Washington a Paris, de Tóquio a Londres.
O objectivo é enganar os povos para impedir que a intensificação das lutas sociais abale as bases do sistema.
Uma vez mais são os EUA quem comanda a campanha de desinformação.
Na realidade, muito pouca coisa mudou ali no mundo corrupto da finança. Centenas de milhões de dólares foram injectadas no «mercado» pela Administração Obama, mas não para acudir às grandes vítimas da crise, as camadas mais pobres do povo norte-americano. As medidas tomadas pelo Governo Federal visaram salvar da falência os responsáveis pelas acções criminosas que desencadearam a crise, sobretudo a grande banca, as seguradoras, os gigantes da indústria automóvel.
Os patrões da finança são os mesmos e continuam a atribuir-se salários e prémios milionários (em Portugal acontece o mesmo) e retomam os métodos fraudulentos que estão na origem do tsunami financeiro.
Prémios Nobel da Economia como Joseph Stiglitz, Paul Krugman e académicos de prestígio mundial como Noam Chomsky arrancam a máscara ao governo federal, desmontando a mentira da recuperação. Acusam frontalmente Obama de, ao invés de punir os cardeais da finança ter colocado muitos deles em postos chave da Administração. É o caso do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, um ex-magnata de Wall Street, hoje responsável pela política monetária do país. Mais expressivo ainda é o caso de Larry Summers. Esse homem foi, durante o governo de Clinton o autor intelectual da revogação da lei que impedia a chamada «desregulamentação», isto é as politica criminosas que provocaram falências em cadeia. Que fez Obama? Nomeou-o seu assessor económico.
Em 1929, no auge da crise iniciada com o crash de Wall Street, John Kenneth Galbraith, o eminente economista liberal afirmou que «o sentido de responsabilidade da comunidade financeira perante a sociedade (…) é praticamente nulo».
Nada mudou desde então.
Obama comprometeu-se a reformar profundamente o sistema financeiro. Mas, em vez de cumprir a promessa, manteve os privilégios dos cardeais da finança.
O desemprego, entretanto, cresce. A pobreza alastra em cidades como Detroit (antes pulmão da indústria automobilística) e Pittsburg (antiga capital do aço) onde bairros inteiros, desabitados, oferecem uma imagem de decadência que nega os slogans do american way of life.
A chanceler Merkel e o presidente Sarkozy bradam que «é preciso refundar o capitalismo». Mas, conscientes de que o capitalismo não é humanizável, tudo fazem para o recauchutar.
O EXEMPLO DA GRÉCIA
Foi ilusório acreditar que a Europa escaparia aos efeitos da crise nos EUA.
Sucedem-se as crises na Islândia, na Espanha, na Irlanda, em Portugal, na Grécia.
O euro desvaloriza-se em ritmo alarmante. A taxa de desemprego atinge já os 20% em Espanha. Na Alemanha e na Grã-Bretanha a gravidade da crise será transparente após as eleições. Em França, Sarkozy tenta em vão ocultar o profundo descontentamento do povo que se expressa na amplitude assumida pela contestação social.
Na Grécia a economia desmoronou-se. O alarme foi tamanho em Bruxelas que os grandes da União Europeia, temendo o contágio, aprovaram com o FMI, após tumultuosos debates, marcados por contradições e hesitações, um plano dito de «ajuda» que na realidade impõe ao país medidas que, a serem aplicadas, o reduziria à condição de colónia administrada pela finança internacional.
Subestimaram o espírito de luta do povo grego, a sua firmeza no combate em defesa de direitos históricos adquiridos há muitas décadas.
Sete greves gerais nos últimos cinco meses expressaram a recusa dos trabalhadores gregos a submeter-se ao chamado «programa de austeridade», eufemismo que encobre as exigências impostas pelo grande capital, violadoras da soberania nacional.
A greve do dia 5 de Maio, gigantesca, paralisou o país. Centenas de milhares de trabalhadores protestaram em Atenas e 68 outras cidades contra a agressão exterior mascarada de «ajuda».
Como era de esperar, os media internacionais desinformaram na Europa e nos EUA. Reduziram a dimensão do protesto e deturparam o significado da grande jornada de luta.
Mas o objectivo de caluniar o povo grego não foi atingido. Era impossível ocultar que o país parou. Transportes, escolas, hospitais, fábricas, portos, aeroportos, comércio; o sector privado juntou-se ao público.
Elementos da extrema direita provocaram distúrbios na manifestação em frente do Parlamento. Entre eles havia polícias à paisana. Mas a tentativa de responsabilizar o PAME - a Frente Sindical que mobilizou os trabalhadores - fracassou porque o protesto foi pacífico, excluindo todas as formas de violência.
Os governantes e banqueiros da UE insistem em falar do «caos grego», criticam os grevistas que se opõem a medidas de austeridade concebidas para «salvar o país». Mentem conscientemente. A Grécia projecta nestas semanas a imagem de uma luta de classes exemplar na qual o seu povo, no confronto com o capital, assume o papel de sujeito histórico. O mundo do trabalho não está disposto a pagar a factura da política capituladora que lhe é imposta, prevista aliás no Tratado de Maastricht: eliminação dos 13º e 14º salários, redução de pensões de reforma, corte brutal nos salários, congelamento dos mesmos, etc.
No dia 4 de Maio, reagindo à estratégia de Bruxelas, o Partido Comunista da Grécia (KKE), ocupou simbolicamente a Acrópole, em Atenas, e desfraldou naquela colina milenar bandeiras com uma inscrição desafiadora: «Povos da Europa levantai-vos!»
O KKE está consciente de que a Europa não se encontra no limiar de uma situação pré-revolucionária. Na própria Grécia não estão reunidas condições para um assalto ao poder.
Nem por isso o brado revolucionário do KKE é menos comovente e oportuno. Também em 1848 Marx sabia, quando redigiu com Engels o Manifesto do Partido Comunista, que a Revolução socialista na Europa não iria concretizar-se no futuro próximo. Mas o grito «Proletários de todos os países uni-vos!» ecoou no Continente como incentivo à luta de classes, desencadeando um vendaval de esperança nas massas oprimidas.
As grandes revoluções não se forjam em dias, sequer em meses ou anos. Não existe para elas data previsível porque resultam de uma soma de pequenas e grandes lutas inseridas em contextos históricos favoráveis.
Os comunistas gregos não ignoram que a derrota do capitalismo vai tardar. Mas adquiriram há muito a convicção inabalável de que deve ser frontal e sem concessões no combate ao sistema que invoca a necessidade de «reformas» e de «políticas de austeridade» para reforçar a opressão social.
Uma certeza: a crise, na Grécia e no mundo, vai agravar-se com pesado custo para o proletariado de novo tipo que engloba a nível planetário centenas de milhões de trabalhadores.
E não será dos Parlamentos transformados em instrumentos da dominação das classes dominantes que sairá a saída para a crise global que vivemos e ameaça a Humanidade.
Por isso mesmo, a exemplar lição de combatividade dos trabalhadores gregos e do seu heróico partido, vanguarda revolucionária na melhor tradição leninista, é tão importante, bela e simbólica.
Nesta Primavera europeia do ano 2010, os filhos da Grécia voltam a lutar pela Humanidade.

V.N.de Gaia, 9 de Maio de 2010

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