Artigos / Notas


Argentina: Encontrado 109º bebê sequestrado pela ditadura

Operação Condor: neto resgatado pelas Avós da Praça de Maio é filho de chilenos

As Avós da Praça de Maio, movimento que busca identificar crianças desaparecidas durante a ditadura militar argentina (1976-1983), divulgaram nesta quarta-feira (07/08) detalhes da identificação do neto recuperado número 109. Pablo Germán Athanasiu Laschan, de 37 anos, estava em contato com a organização desde abril de 2013 e há cerca de um mês decidiu fazer o exame de DNA que confirmou que era filho de desaparecidos.

Estela de Carlotto, líder das Avós da Praça de Maio, afirmou que anúncio “é consolidação da democracia" na Argentina

Seus pais, Frida Laschan Mellado e Ángel Athanasiu Jara, eram chilenos, militavam no MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) e se exilaram na Argentina depois do golpe militar no país andino (1973). O casal morou em Buenos Aires e em San Martín de los Andes, em Neuquén, no sul da Argentina. Em 1975, quando Frida já estava grávida de Pablo, ela e Ángel decidiram voltar à capital argentina porque foram informados de que eram vigiados pelas forças repressivas, que já operavam na Argentina antes do golpe militar.

Pablo nasceu em 29 de outubro de 1975 e em abril de 1976 foi sequestrado com os pais, em um operativo vinculado à Operação Condor, aliança político-militar entre os regimes ditatoriais da América do Sul.

Em uma coletiva de imprensa na sede de Avós da Praça de Maio, as tias paternas de Pablo, que moram no sul do Chile, participaram por vídeoconferência e puderam acompanhar o anúncio, muito emotivo, da identificação do jovem sequestrado quando tinha seis meses. Os pais de Pablo continuam desaparecidos e os avós, que tinham contato com a organização argentina, já faleceram. Foi necessário exumar os corpos para garantir a autenticidade do exame de DNA.

Apropriador preso

Segundo o comunicado divulgado pelas Avós, os apropriadores de Pablo, que mora na cidade de Buenos Aires, tinham “vínculos estreitos com o regime cívico-militar.” O casal registrou Pablo como filho próprio nascido em 7 de janeiro de 1976. O homem que o criou está preso por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura argentina. A mulher que registrou Pablo como filho está em liberdade.

Estavam presentes na sede das Avós da Praça de Maio representantes do BNDG (Banco Nacional de Dados Genéticos), da Secretaria de Direitos Humanos, da Conadi (Comissão Nacional para o Direito à Identidade), além de militantes das Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora e de H.I.J.O.S. (Filhos pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio). Muitos netos recuperados pelas Avós também acompanharam o ato.

A presidente da organização, Estela de Carlotto, afirmou que o anúncio “não é apenas um ato de alegria, de emoção, mas de consolidação da democracia. Estamos demonstrando aqui que o povo, que somos nós, e o governo, que foi eleito pelo povo, estamos fazendo coisas boas juntos.”

Estela também lembrou que “houve mortes, desaparecimentos, roubos de bebês, torturas, exílios e as famílias e os sobreviventes estão de pé e lutam. Isso é o que não conseguem perdoar. Quem hoje diz que vivemos em uma ditadura algum dia vão entender o que é uma ditadura.” E concluiu afirmando que a luta das Avós “não é um ato de vingança, é um ato de amor, de reparação. E se o Estado participa, por que não vamos reconhecer? Ainda que digam que somos governistas.”

O neto recuperado Horacio Pietragalla Corti manifestou “solidariedade com todos os familiares da América Latina que lamentavelmente não podem levar adiante o processo de memória, verdade e reparação como fazemos na Argentina.” Ele também encorajou os governos da região a refletirem sobre a importância de avançar no esclarecimento e julgamentos dos crimes cometidos pelo Estado durante as ditaduras da América Latina.

No fim do anúncio, os presentes lembraram os desaparecidos a gritos de “30 mil companheiros detidos-desaparecidos presentes, agora e sempre” e entoaram o canto que marca as marchas de 24 março, data do golpe de Estado na Argentina, em que reafirmam a luta por justiça. Jornalista e militantes cantaram “assim como aconteceu com os nazistas, vai acontecer com vocês: aonde forem nós vamos buscá-los.”

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30470/operacao+condor+net... )

Evo Morales critica criação da Aliança do Pacífico

Da Rede Brasil Atual

Aliança do Pacífico é tentativa de dividir América do Sul, afirma Evo

Ao encerrar evento que reuniu forças progressistas da América Latina, presidente boliviano lamentou que novo bloco, iniciativa dos EUA, proponha a privatização de serviços básicos, como água e luz

No Brasil para participar do Foro de São Paulo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou neste domingo (04/08) a criação da Aliança do Pacífico e classificou o novo bloco como uma “tentativa dos Estados Unidos de usarem um ou dois presidentes para dividir a América do Sul”.

“A Aliança do Pacífico quer estabelecer o livre comércio e privatizar serviços essenciais. Esses governos estão condenados a enfrentar os povos em seus países”, afirmou Morales em referência a Peru, Chile, México e Colômbia. Posteriormente, em coletiva de imprensa, o presidente boliviano também argumentou que “os serviços básicos, como luz e água, não deveriam ser tratados como um negócio”.

Evo Morales também deu detalhes de seu encontro de sábado (03/08) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o boliviano sugeriu a criação de um “conselho permanente para defender e cuidar dos presidentes anti-imperialistas da América Latina”.

“Temos que nos organizar para defender os processos de libertação. Não podemos nos mobilizar apenas quando há problemas. Propus a Lula a criação de comissões técnicas e jurídicas para prevenir problemas que se apresentam a governos esquerdistas e garantir o processo de mudanças na América Latina”, argumentou. Morales veio à capital paulista pois a Bolívia é a próxima anfitriã do Foro de São Paulo, em 2014.

Assim como Lula havia feito na sexta-feira, o boliviano opinou sobre como os partidos de esquerda devem fazer política. “Revolução não se faz com dinheiro, mas com a consciência do nosso povo. Política é a ciência de servir aos outros povos. Se nossos presidentes abusam do poder e da autoridade, se desmoralizam. Se os partidos só pensam nas próximas eleições, estão equivocados. Eles têm que pensar nas próximas gerações. Essa tem que ser nossa diferença em relação aos neoliberais.”

Declaração final

Como parte do último dia do XIX Encontro do Foro de São Paulo, três partidos foram oficialmente integrados à organização de esquerda. São eles: Frente Guasú, do Paraguai, Partido do Povo do Peru e Marcha Patriótica da Colômbia.

Durante os sete dias de encontro na capital paulista, participaram do evento 1.333 pessoas, sendo 359 estrangeiros de 39 países. Na declaração final do encontro foram incluídos dezenas de temas, como o apoio ao diálogo de paz entre o governo colombiano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia), uma denúncia contra a “sanguinária agressão das potências ocidentais e de seus aliados regionais à Síria” e a crítica à criação da Aliança do Pacífico, vista como uma “tentativa de sabotar a integração regional”.

Além disso, o Foro de São Paulo repudiou o “sequestro do avião” de Morales e a tentativa da “direita venezuelana e internacional de questionar e desestabilizar o mandato do presidente Nicolás Maduro”.

Fonte: Blog do Nassif ( http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/evo-morales-critica-criacao-da-... )

Cúpula Anti-imperialista e Anticolonialista começa nesta quarta,

Começa nesta quarta-feira, 31 de julho, a Cúpula Anti-imperialista e Anticolonialista, que será realizada em Cochabamba até a próxima sexta-feira, 02 de agosto. O evento está sendo organizado pela Coordenação Nacional para Mudança (Conalcam), por sua sigla em espanhol) que agrupa os movimentos sociais bolivianos.

Cerca de 20 organizações argentinas anunciaram que participarão da cúpula, entre elas: Sabaleros del Remanso, Convocatória pela Liberação Nacional e Social, FM Riachuelo, Coordenação Latino-Americana de Movimentos Territoriais Urbanos, Cooperativa de Moradia Los Pibes, Cooperativa de Trabalho Federal Los Pibes, Organização Social e Política Los Pibes (foto), Encontro Nacional e Popular Latino-Americano, Agrupamento Eva Perón, Corrente Política Enrique Santos Discépolo, Movimento Nacional Campesino Indígena-CLOC-VC, Cooperativa Su Lavandería, Agrupamento Envar El Kadri, Movimento de Trabalhadores Excluídos, Brigada 1958, Federação Juvenil Comunista, Movimento Patriótico Revolucionário Quebracho, Projeto Nacional, Confederação de Trabalhadores da Economia Popular do Movimento Evita, e a Assembleia do Parque Lezama.

A convocatória argentina tem como objetivo protestar contra a "agressão” sofrida pelo presidente da Bolívia, Evo Morales (foto) por países europeus, que impediram o tráfego aéreo do avião presidencial em seus espaços aéreos. "Essa convocatoria mostra a convicção e a maneira que as organizações populares alinhadas com um projeto de Pátria Grande, Livre e Soberana respondemos: repudiando a violência e a prepotência do imperialismo yankee, debatendo, planejando e coordenando ações e mobilizações nacionais e regionais”, afirma o comunicado das organizações argentinas.

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=76699 )

Certidão de nascimento 'colombiana' de Maduro é falsa

Certidão de nascimento 'colombiana' apresentada por opositores de Maduro é falsa
Ex-embaixador do Panamá na Organização dos Estados Americanos, Guillermo Cochez, exibiu uma certidão de nascimento colombiana com o nome de Maduro

O Registro Nacional de Estado Civil da Colômbia declarou tratar-se de falsificação uma certidão de nascimento segundo a qual o presidente da vizinha Venezuela, Nicolás Maduro, teria nascido em solo colombiano.

"O documento, ou o suposto registro de nascimento em questão, não possui as exigências legais", afirmou à Associated Press o diretor instituto de identificação da Colômbia, Carlos Alberto Arias.

Na véspera, o ex-embaixador do Panamá na Organização dos Estados Americanos (OEA), Guillermo Cochez, exibiu uma certidão de nascimento colombiana com o nome de Maduro.

Segundo o papel apresentado pelo diplomata panamenho, Maduro teria nascido em novembro de 1961 em Cúcuta, capital do departamento (Estado) colombiano de Norte de Santander, 400 quilômetros a nordeste de Bogotá.

Assim como acontece na maior parte do mundo, a Constituição da Venezuela determina que a presidência pode ser exercida somente por uma pessoa nascida no próprio país. Se fosse verdadeiro, o documento tornaria Maduro inelegível segundo as leis venezuelanas.

"O documento contém um NUIP (Número Unido de Identificação Pessoal), que é o 2317759. Este número pertence a outro cidadão" afirmou Arias. "Em síntese", prosseguiu ele, "se trata de um registro ilícito. É um documento não possui as características e as exigências legais".

Nem Maduro nem o Palácio de Miraflores pronunciaram-se sobre o documento apresentado por Cochez. Fonte: Associated Press.

Fonte: O Tempo (http://www.otempo.com.br/capa/mundo/certid%C3%A3o-de-nascimento-colombia...)

Uruguai: 6 meses de legalização do aborto, nehuma morte

Em seis meses de legalização, Uruguai não registra mortes de mulheres que abortaram
Foram realizados 2.550 abortos legais, cerca de 426/ mês.Uruguai é um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo

O subsecretário do Ministério da Saúde Pública do Uruguai, Leonel Briozzo, apresentou nesta semana os dados oficiais sobre interrupções voluntárias de gravidez dos primeiros seis meses desde a sua legalização no país. Entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registrada a morte de nenhuma mulher que abortou de forma regulamentada no Uruguai.

Foram realizados 2.550 abortos legais, aproximadamente 426 por mês. O Uruguai é um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo. Briozzo explicou que desde o novo marco legal para o aborto, o país os pratica de forma segura, com a consolidação de serviços de saúde para este fim.

A política pública do governo tem o objetivo de diminuir a prática de abortos voluntários a partir da descriminalização, da educação sexual e reprodutiva, do planejamento familiar e uso de métodos anticoncepcionais, assim como serviços de atendimento integral de saúde sexual e reprodutiva.

Segundo esses dados, o Ministério da Saúde Pública atesta que 10 em cada mil mulheres entre 15 e 44 anos abortam no Uruguai atualmente. Esses números situam o país entre um dos que têm menores indicadores, ao lado dos estados da Europa Ocidental.

* Originalmente publicado pelo Sul 21

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30115/em+seis+meses+de+le... )

O caso do navio norte-coreano detido no Panamá

Do blog de Alberto Buitre

10 verdades sobre o navio norte-coreano detido no Panamá

tradução no Nebulosa de Órion

Um novo escândalo(?) foi provocado esta noite no continente latino-americano, e trata-se da detenção no canal de Panamá de um navio norte-coreano proveniente de Cuba o qual acusaram de transportar armamento ilegalmente. Primeiro disseram que levava drogas, em seguida que o capitão do navio tentara suicidar-se; logo depois negaram. A única verdade até agora é a campanha midiática feita pelos EEUU contra Cuba lançada novamente -e de tabela, contra a Coréia do Norte-, tratando de passar o caso como suspeitos de intercâmbio ilegal entre os países socialistas. Por isso apresentamos aqui algumas precisões.

1.- O navio norte-coreano Chong Chong Gang detido no porto panamenho de Colón não transportava drogas, como as autoridades desse país -aliado de Washington-, alegaram e pelo qual o detiveram. Transportava 10 mil toneladas de açúcar, algo que os meios de comunicação capitalistas não se incomodaram em esclarecer.

2.- Logo disseram que portava "equipamento sofisticado de mísseis".Um mentira que não foi esclarecida e pela qual não se desculparam depois. O que se passou é que o governo de Cuba reconheceu que o navio levava sim armamento. Especificamente 240 toneladas métricas de armamento defensivo obsoleto -dois conjuntos complexos de foguetes antiaéreos Volga e Pechora, nove foguetes em partes e peças, dois aviões Mig-21 Bis e 15 motores deste tipo de avião, tudo de fabricação anterior a meados do século XX. Algo importante, este armamento é obsoleto, são armas que não servem, pois. Mas a massmedia tampouco quer esclarecer em suas notas.

3.- Tanto o transporte de açúcar como o armamento constituem parte dos acordos bilaterais entre Cuba e a RPD da Coréia. Específicamente no caso das armas, estas eram levadas para Pyonyang para serem reparadas por experts desse país, algo também de comum acordo entre ambos os países e algo que tampouco interessa a Washington.

4.- Os cables das agencias internacionais afirmaram num primeiro momento que o capitão do navio coreano havia se suicidado. Logo disseram que havia uma tentativa de suicídio. Depois informaram que o que passava é que não havia tradutores de coreano para espanhol, e portanto as autoridades panamenhas não sabiam chongas das declarações feitas pela tripulação. No entanto, a informação se deu por certa, sem esclarecimentos pelos erros (convenientes?) editoriais, e sem que qualquer correspondente se incomodasse em saber qual a versão precisa da RPD da Coréia.

5.- O que fazia o mesmíssimo presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, inspecionando o navio?Cumprindo missões especiais dos EEUU? E por que pediu explicações a 'organismos internacionais'? Não bastaria chamar Havana e Pyongyang para inteirar-se do que o Chong Chong Gang transportava?

6.- Quem disse ao Panamá que havia drogas no navio? Um muito incompetente, mas não tão inocente, trabalho de espionagem?

7.- Martinelli declarou às agencias internacionais, e estas por sua vez retomaram as palavras presidenciais, que "descobriram" o armamento "escondido" sob a carga de açúcar. Mas do que se surpreende o presidente panamenho? Sendo um país aduaneiro não deveria saber que as cargas pesadas são transportadas no fundo?

8.- O Panamá é um fiel servidor dos EEUU. De fato, Os EEUU são o único país que não faz fila no canal do Panamá e não merece inspeção alguma, nem em tempos de guerra, quando se supõe que carrega armamentos, mas este sim, mortal e pode ser até químico-nuclear. Exemplo um: a muito próxima crise no Pacífico onde Barack Obama ameaçou invadir a RPD da Corea. E agora isto? Muitas coincidências. Ou talvez não muitas, se considerarmos não esclarecidos ainda os fatos, Washington rapidamente "congratulou-se com a operação".

9.- O Panamá é aliada histórica na luta anticomunista da Casa Blanca. Só que às vezes se colocam em situações ridículas.

10.- O navio Chong Chong Gang não transportava nem drogas e nem armamento letal. Só açúcar e ferros. . Havana já esclareceu e Pyongyang seguramente não acreditará em Martinelli e nem em Obama, nem muito menos nas agencias internacionais, merecedoras de alguma explicação. Pelo qual, o caso dará uns dias de sensacionalismo nas provocações ditadas da Casa Branca para os meios de comunicação capitalistas do mundo, e até aqui. Nada de novo nos mais de 40 anos de guerra midiática contra Cuba.

Alberto Buitre

Fonte: Blog do Nassif ( http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-caso-do-navio-norte-coreano-d... )

Cuba: medicamento para câncer que não afeta célula saudável

Cuba desenvolve medicamento para câncer que não afeta célula saudável

O medicamento divulgado afeta apenas o tecido celular maligno. O câncer é a principal causa de morte em Cuba.

Cuba desenvolveu um medicamento contra o câncer que é diferente dos citostáticos conhecidos, pois não afeta as células saudáveis, informou José Antonio Fraga Castro, diretor de laboratórios estatais Labiofam. “É uma formulação que atravessa a membrana do núcleo da célula maligna e a necrosa”, disse Fraga Castro, que é sobrinho do presidente Raúl Castro, citado pelo jornal “Juventud Rebelde”.

Castro acrescentou que esse efeito é diferente do obtido com citostáticos, que envenenam a célula ruim e a matam, mas também afetam as células saudáveis. O medicamento divulgado afeta apenas o tecido celular maligno.

A formulação antitumor, obtida a partir do peptídeo RJLB14, está sendo sujeita a rigorosos testes de toxicologia e farmacodinâmica, e depois serão feitos testes clínicos em humanos para que haja garantias absolutas para se poder aplicar a droga nas pessoas, segundo o médico.

Os últimos resultados relativos ao peptídeo antitumoral foram apresentados ao Conselho de Administração do Ministério da Saúde, com evidências e provas relevantes relativas a testes pré-clínicos, informou o jornal “Juventud Rebelde”.

O câncer é a principal causa de morte em Cuba, seguido de doenças do coração.

Da France Presse ( http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/07/cuba-desenvolve-medicamento... )

Edward Snowden responde á Venezuela sobre asilo.

Snowden respondeu à Venezuela sobre asilo. Saiba o que ele disse.

Nesta sexta-feira, o portal WikiLeaks publicou a declaração do ex-colaborador da CIA, Edward Snowden, feita no aeroporto moscovita de Sheremétievo, diante dos defensores de Direitos Humanos.

“Vou apresentar minha solicitação à Rússia hoje e espero que seja aceita de forma favorável”, disse Edward Snowden, nesta sexta-feira, em declarações perante defensores de direitos humanos em Moscou e publicadas pelo portal WikiLeaks.

A seguir, o comunicado de Snowden:

Olá. Meu nome é Ed Snowden. Há um pouco mais de um mês, tinha família, um lar no paraíso e vivia numa grande comodidade. Também tinha a capacidade, sem nenhum mandato de busca, de captar e de ler correspondências. Correspondências de qualquer pessoas, em qualquer momento. Esse é o poder de mudar os destinos das pessoas.

Também é uma grave violação da lei. A Quarta e Quinta Emendas da Constituição de meu país, o artigo 12 da Declaração Universal de Direitos Humanos e numerosos estatutos e tratados proíbem este tipo de sistemas de vigilância massiva e invasiva.

Enquanto a Constituição dos EUA aponta estes programas como ilegais, o Governo de meu país argumenta que as decisões jurídicas secretas, que não é permitido ao mundo acessar, de alguma maneira legitimam um assunto ilegal. Estas decisões só corrompem o conceito mais básico da justiça: que deve ser visto para ser feito. O imoral não pode fazer-se moral através do uso da lei secreta.

Creio no princípio declarado em Nuremberg, em 1945: ”Os indivíduos têm deveres internacionais que superam as obrigações nacionais de obediência. Portanto, os cidadãos têm o dever de violar as leis nacionais para prevenir que ocorram crimes contra a paz e a humanidade”.

Portanto, fiz o que considerei correto e comecei uma campanha para corrigir esta má conduta. Eu não busco enriquecer. Eu não trato vendo segredos estadunidenses. Eu não me associei a nenhum governo estrangeiro para garantir minha segurança. Em vez disso, levei o que sabia ao público, para que tudo o que nos afeta possa ser discutido por todos nós, à luz do dia, e pedir ao mundo justiça.

Essa decisão moral de contar ao público sobre a espionagem que afeta a todos nós está sendo custosa, porém era o correto e não me arrependo.

Desde então, o Governo e os serviços de inteligência dos Estados Unidos da América tratam de fazer de mim um exemplo, uma advertência a todos os que possam falar como eu. Fui feito apátrida e perseguido por meu ato de expressão política. O Governo dos Estados Unidos me colocou nas listas de proibição de voos. Exigiu que Hong Kong me pusesse fora do marco de suas leis, em violação direta do princípio de não devolução, o Direitos de Gentes.

Ameaçam com sanções os países que defenderam meus direitos humanos e o sistema de asilo da ONU. Inclusive, deram um passo sem precedentes ao ordenarem aliados militares a fazerem aterrissar o avião de um presidente latino-americano, em busca de um refugiado político. Estas escaladas perigosas representam uma ameaça não só à dignidade da América Latina, mas aos direitos fundamentais compartilhados por todas as pessoas, todas as nações, a viverem livres da perseguição, e de buscar e receber asilo.

No entanto, mesmo diante desta agressão historicamente desproporcional, os países de todo o mundo ofereceram seu apoio e asilo. Estes países, entre eles a Rússia, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, têm minha gratidão e respeito por serem os primeiros a se posicionarem contra as violações de direitos humanos cometidas pelos poderosos contra os sem poder. Ao negarem-se a comprometer seus princípios frente a intimidação, ganharam o respeito do mundo. Tenho a intenção de viajar a cada um destes países para estender meu agradecimento pessoal a seu povo e seus dirigentes.

Hoje, anuncio a aceitação formal de todas as ofertas de apoio ou asilo que me foram estendidas e todas as demais que possam ser oferecidas no futuro. Por exemplo, com a concessão de asilo proporcionada pelo presidente da Venezuela, Maduro, minha condição de asilado agora é formal e nenhum Estado tem uma base sobre a qual limitar ou interferir em meu direito de desfrutar esse asilo.

Como vimos, no entanto, alguns Governos da Europa ocidental e dos Estados Unidos na América do Norte demonstram sua vontade de atuar à margem da lei, e este comportamento persiste hoje em dia. Esta ameaça ilegal impossibilita minha viagem para a América Latina e que eu desfrute do asilo concedido ali, de acordo com nossos direitos compartilhados.

Esta vontade dos Estados poderosos de atuar fora da lei representa uma ameaça para todos nós e não se deve permitir que tenham sucesso. Portanto, peço ajuda para solicitar garantias de trânsito seguro das nações pertinentes em assegurar minha viagem à América Latina, assim como solicitar asilo na Rússia até o momento que estes Estados respeitem a lei, e minha viagem legal esteja permitida. Vou apresentar minha solicitação à Rússia hoje e espero que seja aceita de forma favorável.

Se possuem alguma pergunta, vou responder o que puder.

Obrigado.

Vídeo:http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=0i2qPkvda64

Fonte: http://www.laiguana.tv/noticias/2013/07/12/6943/EXTRA-SNOWDEN-LE-RESPOND...

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Organização Não Governamental emite passaporte a Snowden

Da Redação GGN
Victor Saavedra

Jornal GGN – A organização não governamental (ONG) World Service Authority (WSA) emitiu um passaporte para Edward Snowden, o que permitiria ao ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos (EUA) viajar ao país que quiser.

Os representantes da WSA afirmaram ao Jornal GGN que a situação de Snowden é uma clara violação aos Direitos Humanos fundamentais, "uma violação flagrante do artigo 13 da Declaração Universal de Direitos Humanos, que estipula que toda pessoa tem direito pertencer a algum país, a viajar, e a pedir asilo se for perseguida”.

Leia a carta que Edward Snowden enviou ao presidente do Equador

Segundo a organização, Snowden deve ser considerado inocente até que sua culpa seja comprovada. "Emitimos o passaporte para que ele permaneça com seus direitos intactos, e também para que usufrua seu direito de estar em algum país”.

O fundador da WSA, Garry Davis, qualificou o caso de Snowden como algo "sem precedentes". Além de destacar a soberania individual, Davis comentou que essa situação revela dramaticamente o poder de um indivíduo a respeito do sistema de Estado-Nação. Para a WSA, o fato de que Snowden estar preso na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo, em Moscou, expõe ainda mais "a ficção das fronteiras".

WSA

A WSA foi fundada em 1954, e seus passaportes são reconhecidos por seis países: Equador, Burkina Faso, Tanzânia, Mauritânia, Togo e Zâmbia. Também conhecido como passaporte de cidadão do mundo, o documento tem inscrições em inglês, francês, espanhol, russo, árabe, chinês e esperanto. A WSA afirmou que a última versão do passaporte foi reconhecida pela Organização de Aviação Civil Internacional, o que, formalmente, deve permitir a qualquer pessoa viajar em aviões legalmente.

Muitas nações já declararam que não reconhecem o passaporte mundial, já que não é emitido por uma autoridade governamental competente. Os Estados Unidos, por exemplo, consideram-no um folheto sem validade.

Além de Snowden, Julian Assange, fundador do Wikileaks, também possui o passaporte emitido pela WSA.

Fonte: GGN ( http://jornalggn.com.br/blog/organizacao-nao-governamental-emite-passapo... )

Nota de Repúdio - João Luiz Duboc Pinaud (Presidente da Casa)

Na qualidade de cidadão latino americano, Presidente da Casa da América Latina, e em nome de toda a Diretoria, que é no Brasil, espaço legítimo da latino americanidade, quero manifestar repúdio ao ato violador do Direito Internacional , que tentando alcançar o Presidente da Bolívia , EVO MORALES, com a interdição do espaço aéreo , por parte da França, Itália, Espanha e Portugal, na realidade atingiu todos os países ,não apenas os da América Latina. Somente as Nações Unidas , em decisão necessariamente coletiva, são dotadas de poderes para o questionamento dos atos de outros países. Portanto, tal interdição ao Presidente Evo Morales foi também a indébita, inválida e tão grave negação do Direito Público Internacional e assim, deve ser repudiada.

Rio de Janeiro, 4 de Julho de 2013.

João Luiz Duboc Pinaud. Cidadão, brasileiro, Presidente da Casa da América Latina.

25 verdades sobre o caso Evo Morales/Edward Snowden

Salim Lamrani

Opera Mundi

O caso Edward Snowden foi a origem de um grave incidente diplomático entre Bolívia e vários países europeus. Depois de uma ordem de Washington, França, Itália, Espanha e Portugal proibiram o avião presidencial de Evo Morales de sobrevoar seu território.

1. Após uma viagem oficial à Rússia para assistir a uma reunião de países produtores de gás, o Presidente Evo Morales tomou seu avião para regressar à Bolívia.

2. Os Estados Unidos, pensando que Edward Snowden, ex-agente da CIA e da NSA, autor das revelações sobre as operações de espionagem de seu país, encontrava-se no avião presidencial, ordenou aos quatro países europeus, França, Itália, Espanha e Portugal, que proibissem o sobrevoo de seu espaço aéreo à Evo Morales.

3. Paris cumpriu imediatamente a ordem procedente de Washington e cancelou a autorização de sobrevoo de seu território, concedida à Bolívia em 27 de junho de 2013, enquanto o avião presidencial encontrava-se a apenas uns quilômetros das fronteiras francesas.

4. Assim, Paris colocou em perigo a vida do Presidente boliviano, que precisou fazer um pouso de emergência na Áustria, por falta de combustível.

5. Desde 1945, nenhuma nação do mundo impediu um avião presidencial de sobrevoar seu território.

6. Paris, além de desatar uma crise de extrema gravidade, violou o direito internacional e a imunidade diplomática absoluta do qual goza todo chefe de Estado.

7. O governo socialista de François Hollande atentou gravemente ao prestígio da nação. A França aparece ante os olhos do mundo como um país servil e dócil, que não vacila um só instante em obedecer às ordens de Washington, contra seus próprios interesses.

8. Ao tomar semelhante decisão, Hollande desprestigiou a voz da França no cenário internacional.

9. Paris também se transformou em objeto de riso no mundo inteiro. As revelações feitas por Edward Snowden permitiram descobrir que os Estados Unidos espionava vários países da União Europeia, entre os quais a França. Depois dessas revelações, François Hollande pediu pública e firmemente a Washington que parasse esses atos hostis. Não obstante, na prática, o Palácio do Elysée seguiu fielmente as ordens da Casa Branca.

10. Após descobrir que se tratava de uma informação falsa e que Snowden não se encontrava no avião, Paris decidiu anular a proibição.

11. A Itália, Espanha e Portugal também seguiram as ordens de Washington e proibiram Evo Morales de sobrevoar seu território, antes de mudarem de opinião ao interarem-se de que a informação não era verídica e permitirem ao Presidente boliviano seguir sua rota.

12. Antes disso, a Espanha até exigiu a revista do avião presidencial, violando todas as normas legais internacionais. “Isto é uma chantagem. Não vamos permitir por uma questão de dignidade. Vamos esperar todo o tempo necessário”, replicou a Presidência boliviana. “Não sou um criminoso”, declarou Evo Morales.

13. A Bolívia denunciou um atentado contra sua soberania e contra a imunidade de seu presidente. “Trata-se de uma instrução do governo dos Estados Unidos”, segundo La Paz.

14. A América Latina condenou unanimemente a atitude da França, Espanha, Itália e Portugal.

15. A União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) convocou, em caráter de urgência, uma reunião extraordinária após este escândalo internacional e expressou sua “indignação” mediante seu Secretário Geral, Ali Rodríguez.

16. A Venezuela e o Equador condenaram “a ofensa” e “o atentado” contra o Presidente Evo Morales.

17. O Presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, condenou “uma agressão grosseira, brutal, inadequada e não civilizada”.

18. O Presidente equatoriano Rafael Correa expressou sua indignação: “Nossa América não pode tolerar tanto abuso!”.

19. A Nicarágua denunciou uma “ação criminosa e bárbara”.

20. Havana criticou o “ato inadmissível, infundado e arbitrário, que ofende toda a América Latina e o Caribe”.

21. A Presidenta argentina Cristina Fernández expressou sua consternação: “Definitivamente estão todos loucos. O chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não podemos permitir este grau de impunidade”.

22. Mediante a voz de seu Secretário Geral, José Miguel Insulza, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou a decisão dos países europeus: “Não existe circunstância alguma para cometer tais ações em detrimento do presidente da Bolívia. Os países envolvidos devem dar uma explicação das razões pelas quais tomaram esta decisão, particularmente porque isso pôs em risco a vida do primeiro mandatário de um País Membro da OEA”.

23. A Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) denunciou “uma flagrante discriminação e ameaça à imunidade diplomática de um Chefe de Estado”.

24. Ao invés de outorgar o asilo político à pessoa que permitiu descobrir que era vítima de espionagem hostil, a Europa, particularmente a França, não vacilou em criar uma grave crise diplomática com o objetivo de entregar Edward Snowden aos Estados Unidos.

25. Este caso ilustra que se a União Europeia é uma potência econômica, é um anão político e diplomático, incapaz de adotar uma postura independente dos Estados Unidos.

*Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Universidade de La Reunión e jornalista especialista das relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.

Livro: http://monthlyreview.org/press/books/pb3409/

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/babel/29786/25+verdades+sobre+el+c...

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Todos somos Bolívia!

Todos somos Bolívia! Governos e sociedade civil latino-americana repudiam seqüestro de Evo Morales

Adriana Santiago
Adital

Hoje o mundo está em polvorosa com o que a Bolívia qualificou como o sequestro de seu presidente Evo Morales. O incidente diplomático chamou a atenção do mundo e foi motivo de manifestações de governos latino-americanos e da sociedade civil. O mandatário boliviano ficou detido por 15 horas no aeroporto de Viena, na Áustria, após pouso de emergência depois que Portugal, Espanha, Itália e França revogaram as autorizações para cruzar o espaço aéreo ou pousar em seus territórios para reabastecimento. Evo Morales seguiu para La Paz depois da forte reação internacional ao ato que, segundo o governo boliviano, é contra a soberania da Bolívia e que ainda colocou o seu presidente em risco de morte. Com pousos previstos e autorizados nas Ilhas Canárias, na Espanha, e Fortaleza, no Brasil, para reabastecimento o presidente partiu para La Paz para um vôo de mais 15 horas sob forte expectativa da comunidade internacional.

Apesar de nenhum dos países ter admitido oficialmente, a maioria dos manifestos públicos aos atos condenam a ação como submissão à pressão do governo dos Estados Unidos, que suspeitou e que o avião levava o ex-técnico de informática da Agência Central de Inteligência (CIA), Edward Snowden, condenado por espionagem após revelar segredos da vigilância online estadunidense aos seus países parceiros ao WikiLeaks. Com passaporte americano revogado após condenação, o foragido está pedindo asilo político a mais de 20 países no aeroporto de Moscou. Evo Morales, que estava em Moscou para uma cúpula sobre as novas políticas internacionais de exploração de gás e chegou a anunciar que poderia avaliar o pedido de asilo a Snowden, foi tratado como suspeito de facilitar a fuga.

Além dos presidentes organizados em torno da União das Nações Sul-americanas (Unasur), através do informe assinado pelo secretário geral Alí Rodríguez Araque, que condenaram energicamente a sabotagem e o desrespeito de que foi vítima o presidente Evo Morales, pediram que os chefes de Estado da América e do mundo tomem as medidas necessárias. Ele qualificou de "indignantes e absurdas”. Há ainda articulações para reação com manifestação pública de Nicolás Maduro (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Nicolás Maduro (Venezuela), Daniel Ortega (Nicaragua) e o mais incisivo tem sido Rafael Correa (Equador). Na sua conta no Twitter (@MashiRafael), "ou nos nivelamos a colônias ou reivindicamos nossa independência, soberania e dignidade. Todos somos Bolívia”

Entre a sociedade civil, se manifestaram o Foro Internacional Pablo Neruda, a Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, que classificaram a ação como covarde e imperialista . O mesmo aconteceu com os países que integram a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA). Na Argentina, a Organização Social e Política Los Pibes convocaram um ato na porta da embaixada da Bolívia para repudiar a agressão imperialista covarde e manifestar o apoio ao povo boliviano. Rodrigo Cabezas, presidente do Parlamento Latino-americano, Grupo Venezuela, condenou a situação. "Este ato é uma clara violação do direito internacional e da imunidade dos chefes de Estados”. A mesma linha da Confederação Latino-americana e Caribenha de Trabalhadores do Estado(CLATE) , do Paraguai, Confederação dos Trabalhadores do Equador (CTE) e as delegação do Equador no parlamento Andino, entre tantas outras.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=76158

Não sou nenhum delinquente para que inspecione meu avião

Unasul se reunirá para discutir recusa de europeus a pouso de avião de Evo

Decisão de França, Itália, Espanha e Portugal foi tomada devido ao boato de que Snowden viajava com presidente boliviano

03/07/2013 Opera Mundi

O governo do Equador anunciou na noite desta terça-feira (02/07) que convocará uma reunião extraordinária da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) para tratar do fechamento do espaço aéreo de quatro países europeus para o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales. A decisão França, Itália, Espanha e Portugal foi tomada devido à suspeita de que o ex-agente da CIA e da NSA (Agência de Segurança Nacional) Edward Snowden teria embarcado em Moscou junto com Morales, o que ele nega.

Ao impedir que a aeronave com o presidente da Bolívia pousasse em seus territórios, os quatro países obrigaram uma mudança de rota do avião para abastecimento, foi permitido na Áustria. Em declarações à Agência Efe em Viena, Morales negou que Snowden estivesse a bordo do avião presidencial de seu país, para viajar com ele de Moscou a La Paz. "Jamais o vimos (em Moscou)", afirmou o governante no aeroporto de Viena, onde seu avião teve que aterrissar perto da meia-noite local (19h de Brasília).

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, que anunciou a intenção de reunir a Unasul, classificou a medida dos europeus como uma “grande ofensa”.

O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, argumentou que tal decisão viola os direitos de tráfego aéreo. “Nos comunicamos com o governo francês e eles nos disseram que [a decisão] foi por razões técnicas, mas depois averiguamos que era pela suspeita de que Snowden estivesse no avião. Fazemos essa denúncia à comunidade internacional porque a segurança do presidente esteve em risco”, afirmou o ministro boliviano.

O chanceler venezuelano, Elías Jaua, por sua vez, culpou os Estados Unidos pela situação desconfortável vivida pelo líder boliviano. “Responsabilizamos o governo dos Estados Unidos e todos os governos que impediram o trânsito aéreo do avião presidencial boliviano pela vida do presidente Morales.”

Mais cedo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que Snowden "merece proteção internacional" por "estar sendo perseguido no mundo sem nenhuma razão".

O ex-agente da CIA e da NSA é considerado o responsável pelo vazamento dos programas de espionagem do governo norte-americano a milhões de pessoas de diversos países. Desde então, os Estados Unidos pedem a extradição de Snowden, que, segundo a versão do site Wikileaks, ainda está no aeroporto de Moscou.

Na noite desta segunda-feira (01/07), a organização de Julian Assange divulgou que Snowden pediu asilo político a 21 países, inclusive o Brasil. Hoje, porém, a maior parte deles rejeitou a solicitação.

Evo Morales: No soy ningún delincuente para que inspeccionen mi avión

RT Rusia Publicado: 3 jul 2013

“Los gobiernos de Francia, España y Portugal tienen que explicar al mundo a qué se debe la retención”, subrayó el líder boliviano en declaraciones telefónicas a Telesur, y lamentó que esas acciones sean una muestra de “políticas represivas” por parte de algunos países europeos.

Morales subrayó que su país es una nación pequeña “pero con dignidad”, y recordó a los países europeos que “no estamos en tiempos de colonia”. Por otro lado, el presidente boliviano considera que la retención en Viena es un pretexto para intimidarlo, para tratar de acallar su lucha “contra las políticas económicas de saqueo”, “invasiones” y “dominación”.

El mandatario considera absurdo que algunos gobiernos creyeran que trasladaba en su avión al ex colaborador de la CIA, Edward Snowden, puesto que —dice— ese joven “no es una maleta” para que “pueda meterlo en el avión y llevármelo a Bolivia”.

El avión de Morales fue obligado a efectuar un aterrizaje emergencia en Viena después de que varios países europeos le cerraran su espacio aéreo. Tras permanecer cerca de once horas en ese aeropuerto, Morales ha confirmado que España ha dado permiso para que el avión presidencial cruce su espacio aéreo de regreso a Bolivia.

La policía del aeropuerto de Viena realizó un "registro voluntario", autorizado por el piloto del avión presidencial de Bolivia, y comprobó que Edward Snowden no se encontraba a bordo.

El vicepresidente de Bolivia, Álvaro García Linera, señaló horas antes que lo que ha pasado en Austria con la delegación de su país es una “violación absoluta de la Convención de Viena” que estable —recuerda— que “los vuelos de los presidentes del mundo no pueden ser obstruidos y tienen inmunidad”.

Moraes afirma no recibir explicaciones sobre el cierre de espacio aéreo

Publicado a las 13:40 Ria Novosti Rusia
Antes de salir, probablemente, para las islas Canarias, el presidente de Bolivia, Evo Morales, señaló en Viena que el extécnico de la CIA, Edward Snowden, debe resolver el problema que tiene con su país, EEUU, e indicó que hasta el momento no recibió ninguna explicación sobre el cierre del espacio aéreo por parte de varios estados europeos.

Morales subrayó que Snowden “no es ni una maleta, ni una muestra, ni nada similar” para poder llevarlo, según comunica la cadena de televisión rusa RT.

El presidente boliviano, que pasó la noche en el aeropuerto de Viena, señaló que no recibió ninguna explicación de parte de las autoridades de España, Francia y Portugal que, según la parte boliviana, cerraron su espacio aéreo para su vuelo sospechando que a bordo del avión se encontraba el fugitivo Snowden.

Morales agradeció a las autoridades austríacas que le permitieron aterrizar en el aeropuerto de Viena y a los presidentes latinoamericanos que le mostraron su solidariedad e inquietud.

Los agentes austríacos que revisaron el avión del mandatario boliviano no hallaron a Snowden.

Previamente, el ministro de Exteriores boliviano, David Choquehuanca, calificó la situación de trampa e intento de manipulación dirigido a señalar a Bolivia que no debe ayudar a Snowden y reafirmó que el estadounidense no se encontraba a bordo.
Fonte: Opera Mundi

A covardia europeia contra o presidente Evo Morales

Os europeus, os campeões da defesa da democracia, do Estado de Direito e da liberdade, demonstraram que suas relações com a Casa Branca estão acima de tudo e que podem pisotear os direitos de um avião presidencial caso isso seja preciso para que o grande império não se incomode com eles. Um rumor infundado sobre a presença no avião presidencial boliviano do ex-espião estadunidense Edward Snowden, conduziu a um sério incidente diplomático aeronáutico entre Bolívia, França, Portugal e Espanha.

por Eduardo Febbro, na Carta Maior

Paris – Os europeus são incorrigíveis. Para não ficar mal com o império norteamericano são capazes de violar todos os princípios que defendem nos fóruns internacionais. O presidente boliviano Evo Morales foi o último a experimentar as consequências dessa política de palavras solidárias e gestos mesquinhos.

Um rumor infundado sobre a presença no avião presidencial boliviano do ex-membro da Agência Nacional de Segurança (NSA) norteamericana, o estadunidense Edward Snowden, conduziu a um sério incidente diplomático aeronáutico entre Bolívia, França, Portugal e Espanha.

Voltando de Moscou, onde havia participado da segunda cúpula de países exportadores de gás, realizada na capital russa, Morales se viu forçado a aterrissar no aeroporto de Viena depois que França, Portugal e Espanha negaram permissão para que seu avião fizesse uma escala técnica ou sobrevoasse seus espaços aéreos.

Os “amigos” do governo norteamericano avisaram os europeus que Morales trazia no avião Edward Snowden, o homem que revelou como Washington, por meio de vários sistemas sofisticados e ilegais, espionava as conversações telefônicas e as mensagens de internet da maioria do planeta, inclusive da ONU e da União Europeia.

O certo é que Edward Snowden não estava no avião de Evo Morales. No entanto, ante a negativa dos países citados em autorizar o sobrevoo do avião presidencial, Morales fez uma escala forçada na Áustria. As capitais europeias coordenaram muito bem suas ações conjuntas para cortar a rota de Evo Morales.

Surpreende a eficácia e a rapidez com que atuaram, tão diferente das demoradas medidas que tomam quando se trata de perseguir mafiosos, traficantes de ouro, financistas corruptos ou ladrões do sistema financeiro internacional.

Segundo a informação da chancelaria boliviana, o avião havia obtido a permissão da Espanha para fazer uma escala técnica nas Ilhas Canárias. Essa autorização também foi cancelada e, finalmente, o avião teve que aterrissar no aeroporto de Viena.

Segundo declarou em La Paz o chanceler boliviano David Choquehuanca, “colocou-se em risco a vida do presidente que estava em pleno voo”. “Quando faltava menos de uma hora para o avião ingressar no território francês nos comunicam que tinha sido cancelada a autorização de sobrevoo”.

O ministro pediu uma explicação tanto da França quanto de Portugal, país que tomou a mesma decisão que a França.

“Queremos nos amedrontar. É uma discriminação contra o presidente”, disse Choquehuanca.

Em complemento a esta informação, o portal de Wikileaks também acusou a Itália de não permitir a aterrisagem do avião presidencial boliviano.

Em Paris, o conselheiro permanente dos serviços do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault disse que não tinha nenhuma informação sobre esse assunto. Por sua vez, a chancelaria francesa disse que não estava em condições de comentar ocaso.

Bocas fechadas, mas atos concretos.

Ao que parece, todo esse enredo se armou em torno da presença de Snowden no aeroporto de Moscou. Alguém fez circular a informação de que Snowden estava no aeroporto da capital russa com a intenção de subir no avião de um dos países latino-americanos dispostos a lhe oferecer asilo político. Snowden é procurado por Washington depois de revelar a maneira pela qual o império filtrava as conversações no mundo.

O chanceler boliviano qualificou como uma “injustiça” baseada em “suspeitas infundadas sobre o manejo de informação mal intencionada” o cancelamento das permissões de voo para o avião de Evo Morales.

“Não sabemos quem inventou essa soberana mentira; querem prejudicar nosso país”, disse Choquehuanca.

“Não podemos mentir à comunidade internacional e não podemos levar passageiros fantasmas”, advertiu o responsável pela diplomacia boliviana.

Em La Paz, as autoridades adiantaram que não receberam nenhum pedido de asilo por parte de Edward Snowden.

Evo Morales havia evocado a possibilidade de conceder asilo a Snowden, mas só isso. O mesmo ocorreu com outra vítima da informação e da perseguição norteamericana, o fundador do Wikileaks, Julian Assange.

O mundo ficou pequeno para Edward Snowden. 

Assange está refugiado na embaixada do Equador em Londres e Snowden encontra-se há dez dias na zona de trânsito do aeroporto de Sheremétievo, em Moscou. Segundo Dmitri Peskov, o secretário de imprensa do presidente Vladimir Putin, o norteamericano havia solicitado asilo a Rússia, mas depois “renunciou a suas intenções e a sua solicitação”.

Peskov esclareceu, porém, que o governo russo não entregaria o fugitivo para a administração norte-americana: “o próprio Snowden por sincera convicção ou qualquer outra causa se considera um defensor dos direitos humanos, um lutador pelos ideais da democracia e da liberdade pessoal. Isso é reconhecido pelos ativistas e organizações de direitos humanos da Rússia e também por seus colegas de outros países. Por isso é impossível a entrega de Snowden por parte de quem quer que seja a um país como os EUA, onde se aplica a pena de morte.

Quando se referiu ao caso de Snowden em Moscou, Evo Morales assinalou que “o império estadunidense conspira contra nós de forma permanente e quando alguém desmascara os espiões, devemos nos organizar e nos preparar melhor para rechaçar qualquer agressão política, militar ou cultural”.

Os europeus, os campeões da defesa da democracia, do Estado de Direito e da liberdade, demonstraram que suas relações com a Casa Branca estão acima de tudo e que podem pisotear os direitos de um avião presidencial caso isso seja preciso para que o grande império não se incomode com eles.

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22291 )

Europa envergonha o mundo; Unasul reage por Evo

2 de Jul de 2013 | 22:35

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou que convocará uma reunião extraordinária da Unasul – União das Nações Sul-Americanas, para protestar contra a absurda proibição de França, Espanha, Portugal e Itália de que pousasse, para escala técnica, o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales.

A negativa de pouso foi feita a pedido dos Estados Unidos, que suspeitavam que Morales pudesse estar conduzindo Edward Snowden, responsável pelo vazamento das informações de que o governo americano estava monitorando as comunicações telefônicas e cibernéticas de milhões de seus próprios cidadãos.

Morales, em Viena, Áustria, onde seu avião foi admitido, deu entrevista dizendo que nem viu Snowden em Moscou, nem trato do caso com o governo russo.

O mais deprimente é que esse absurdo ocorre dois dias depois da revelação de que os escritórios da própria União Europeia, integrada pelos quatro países, foram espionados pelo governo dos Estados Unidos.

Como se vê, desnecessariamente. Seria só pedir e os líderes franceses, italianos, portugueses e espanhóis autorizariam suas conversas serem gravadas, não é?

Vamos ter que mudar o chavão ufanista: mais uma vez a Europa se curva ante…os EUA. Que triste fim vem chegando para aquele que já foi o continente das luzes.

Por Fernando Brito

Fonte: Tijolaço ( http://www.tijolaco.com.br/index.php/europa-envergonha-o-mundounasul-rea... )

Repressão policial mata dois camponeses em protesto na Colômbia

Repressão policial deixa dois camponeses mortos em protesto na Colômbia

Manifestantes culpam discurso do presidente do país, Juan Manuel Santos, que os comparou a membros de guerrilhas

Dois trabalhadores rurais foram mortos e oito ficaram feridos neste último final de semana na Colômbia durante uma manifestação na região de Catatumbo, noroeste do país. De acordo com relatos de camponeses à imprensa local, a polícia teria começado a atirar indiscriminadamente nos manifestantes, que reclamavam das políticas agrícolas e de mineração na região, além de reivindicar a criação de uma zona de reserva própria.

A ação policial resultou na morte dos jovens Leonel Jacome, de 20 anos, e Edílson Jaime Franco, de 21. A manifestação contou com a presença de cerca de sete mil trabalhadores, que ocuparam o aeroporto de Ocaña, fator que teria provocado a intervenção das forças de segurança. Os camponeses criticaram o pronunciamento do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em uma coletiva de imprensa, no qual ele afirmou que os camponeses eram integrantes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ordenou a evacuação.
De acordo com Juan Carlos Quintero, porta-voz dos manifestantes em entrevista à multiestatal Telesur, a responsabilidade pela violência e as mortes é do presidente Santos. Para ele, ocorreu “um ato desproporcional de forças públicas”, que dispararam armas de fogo contra os manifestantes, usando inclusive fuzis, cujas balas provocaram as mortes.

“Não é possível que o governo responda desta maneira a protestos sociais, muito menos a reivindicações”, afirmou.

Os camponeses têm organizado protestos desde o último dia 12, e reclamam de descaso por parte do governo. Segundo o porta-voz, estão planejadas duas reuniões, uma delas na Casa de Nariño (sede presidencial da Colômbia, em Bogotá), onde irão propor a nomeação de mediadores entre camponeses e o governo. Outro encontro está marcado para o próximo dia 3, em julho, com o ministro da Agricultura.

Reivindicações

Catatumbo está localizado na fronteira do país com a Venezuela. É uma região montanhosa, onde há vários anos os camponeses se organizam para que se reconheça seu território como uma ZRC (Zona de Reserva Camponesa), decisão que garantiria uma série de direitos aos trabalhadores locais, inclusive na tomada de decisões.

De acordo com o site Agenda Colômbia-Brasil, esta região é afetada por cultivos ilícitos de coca, como muitas regiões da Colômbia, pela falta de políticas agrícolas que permitam aos seus moradores ter acesso a terra e desenvolver programas de agricultura sustentável. O governo colombiano teria concedido a empresas estrangeiras o direito de exploração de minérios nessas terras sem consultar a seus habitantes.

A cidade de Ocaña, segunda maior cidade do departamento de Norte de Santander, com cerca de oitenta mil habitantes, fica a 687 km da capital do país, Bogotá. O aeroporto da cidade só tem voos domésticos e é utilizado também pelas empresas estrangeiras de mineração e pelo exército colombiano para realizar operações militares.

As comunidades camponesas do Catatumbo exigem a presença de organizações de direitos humanos nacionais e internacionais para a verificação das violações dos direitos. Da mesma forma, tem definido manter os protestos que já completam doze dias e divulgaram uma lista com suas demandas. Eles exigem o fim da exploração de minérios, de políticas consideradas nocivas contra a região, o reconhecimento da ZRC, a construção e manutenção de estradas e a realização de um programa agrário com a participação ativa da população camponesa.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/29607/repressao+policial+... )

Peru: Humala e o discreto encanto do liberalismo

Ollanta Humala teve seu nome escolhido por seu pai, um advogado marxista: de origem inca, a palavra ollanta quer dizer guerreiro que tudo vê. E Ollanta, eleito presidente do Peru em 2011, olhou, olhou, e acabou vendo o liberalismo com crescente benevolência. Por Eric Nepomuceno

Eric Nepomuceno

Seu pai, um advogado marxista que foi líder socialista durante quase toda a vida, pôs nos filhos nomes incas. Ollanta, explica Isaac Humala, quer dizer guerreiro que tudo vê. E Ollanta, eleito presidente do Peru no dia 5 de junho de 2011, quando derrotou por pequena margem, no segundo turno, Keiko Fujimori, olhou, olhou, e acabou vendo o liberalismo com crescente benevolência.

Sua trajetória errática vem merecendo, há tempos, a atenção dos analistas. De formação militar – estudou na famigerada Escola das Américas, uma usina de ditadores criada por Washington –, ocupou postos de relativo destaque no combate à guerrilha do Sendero Luminoso. Aos poucos, foi adotando posições mais e mais nacionalistas.

O aparecimento de Hugo Chávez, militar como ele, na Venezuela deu a Ollanta uma nova fonte de admiração. Em outubro de 2000, ao lado do irmão Antauro, também militar, encabeçou uma rebelião contra o presidente Alberto Fujimori, que naquela altura naufragava em marés de denúncias de corrupção e violações dos direitos humanos. A rebelião fracassou, e ele, como Chávez oito anos antes na Venezuela, foi preso. Pouco ficou na cadeia, sempre ao lado do irmão: o advogado dos dois reivindicou o direito de insurreição diante de um governo ilegítimo e totalitário, e conseguiu no Congresso uma anistia para eles.

De volta à ativa, no governo de Alejandro Toledo ele foi contemplado com o posto de adido militar na França e na Coréia do Sul. Acabou sendo passado para a reserva em dezembro de 2004, com o posto de tenente-coronel. Meses depois, criou o Partido Nacionalista Peruano e anunciou que seria candidato à presidência nas eleições de 2006.

Esse o resumo biográfico de Ollanta Humala. Com um discurso radical de esquerda, alinhado a Hugo Chávez e a Evo Morales, em 2006 ele acabou sendo derrotado por Alan García, mas inscreveu o nome no cenário político peruano com destaque.

Chamava a atenção pelo seu duro discurso contra o neoliberalismo, por sua furibunda crítica aos partidos tradicionais e pelo apoio explícito que sua candidatura recebeu de Hugo Chávez e Evo Morales. Defendia cinco pontos básicos para transformar o país: redução dos preços de gás e combustíveis; o equilíbrio no orçamento; abrir mão do salário de presidente, e ficar apenas com o soldo de militar da reserva; aumentar a jornada escolar, incluindo o café da manhã e o almoço; e denunciar o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.

Acabou perdendo para Alan García no segundo turno, mas se tornou figura nacional. Nas eleições seguintes, em 2011, apareceu redesenhado, com um discurso menos duro, tratando de deixar claro que naquela vez seu modelo já não era nem Chávez nem Evo Morales, mas Lula. E foi eleito.

Passados dois anos, é outro o seu retrato. Depois de se unir ao Chile, ao México e à Colômbia – estrelas da contramão em que caminha a maioria dos governos latino-americanos – na firme defesa do livre mercado e do Estado mínimo, ele agora foi se aconchegar numa animada conversa com Barack Obama, para tratar de abertura econômica, novas relações comerciais e projetos de desenvolvimento.

Não faz muito tempo, Ollanta Humala recebeu em Lima Tom Donohue, o presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, de quem recebeu elogios cálidos, principalmente por estar ‘conectado com o empresariado’. Quer dizer: a figura assustadora de 2006 se tornou apenas preocupante em 2011, para agora virar modelo de sensatez e de boa conduta.

A economia peruana continua pujante. Os programas sociais lançados por Humala em seus primeiros tempos de presidente foram mantidos, embora sua anunciada expansão tinha ficado nos anúncios. Ao mesmo tempo, vem levando adiante projetos de mineração que põem o meio ambiente em perigo, e ameaçam vastas áreas indígenas.

A adesão de seu governo aos tratados de livre comércio com Chile, Colômbia e México marcou, num primeiro momento, o início de uma mudança surpreendente – ao menos para governos como os da Argentina, Venezuela, Equador, EL Salvador, Nicarágua e Bolívia.

Aliar-se à linha mais conservadora da região chamou a atenção de analistas. Há quem mencione seu pragmatismo na defesa da linha de crescimento da economia peruana, que fechou em 6,29% em 2012 e deverá crescer outros 5% este ano. Há, nos Estados Unidos, quem desconfie de sua súbita conversão aos deuses do mercado. E há, enfim, os que digam que ele está apenas, e uma vez mais, dando mostras exuberantes de seu oportunismo desenfreado: soube ser chavista quando Chávez estava no auge, soube ser lulista quando isso poderia tranquilizar o eleitorado, e finalmente está mostrando quem realmente é.

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22213 )

Paramilitares colombianos detidos poderiam atentar contra Maduro

Paramilitares colombianos detidos poderiam atentar contra Maduro, diz ministro

Miguel Rodríguez Torres afirmou que os capturados integram duas importantes quadrilhas de “criminosos” da Colômbia

O ministro das Relações Interiores, Justiça e Paz da Venezuela, Miguel Rodríguez Torres, ofereceu detalhes, nesta segunda-feira (10/06) sobre os colombianos apreendidos pelo Serviço Inteligência do país neste domingo. De acordo com ele, os capturados integram duas importantes quadrilhas de “paramilitares e criminosos” do país vizinho, uma conhecida como “Los Rastrojos” e a outra liderada por “Chepe Barrera”. Com os nove capturados, foram encontrados diversos equipamentos e armamentos, que segundo o ministro, poderiam ser destinados ao assassinato do presidente Nicolás Maduro.

Torres afirmou que os interrogatórios preliminares com os supostos paramilitares levaram à informação de que os grupos se dirigiriam à capital do país “para cumprir uma missão que seria dada quando já estivessem em Caracas”. De acordo com ele, um terceiro grupo de paramilitares colombianos pode já estar na capital venezuelana à espera para atuar. “O Serviço Bolivariano de Inteligência continua rastreando estes grupos para capturá-los e esclarecer quais são os fins e motivações que todos estes paramilitares colombianos têm em nosso território”, garantiu.

Seis membros de um dos grupos foram apreendidos em Táchira, Estado que faz fronteira com a Colômbia, levavam um fuzil AK-47 “com número de série desgastado” e dois carregadores, duas pistolas 9 mm, um revólver de calibre 38, uma escopeta, cinco celulares e uma moto. Posteriormente, três foram presos na cidade de Guanare, capital do Estado de Portuguesa, onde teriam alugado um sítio que funcionaria como “centro de operações”. “Conseguimos determinar, com a análise de conexões, de que haveria vinculações entre os dois grupos”, explicou o ministro.

Ex-vice-presidente diz que opositores venezuelanos teriam comprado 18 aviões de guerra dos EUA
De acordo com Torres, o segundo grupo pertence à quadrilha colombiana liderada por “Chepe Barrera” e foi capturado com um fuzil de fabricação norte-americana, carregadores, cartuchos, uma pistola e uniformes militares com a simbologia do exército venezuelano. Além disso, também foram encontrados equipamentos de aeronaves como uma caixa preta “para sistema de gravação de cabine e dados aeronáuticos”. Ainda se investiga o modelo de equipamento encontrado. “Essa caixa poderia ser utilizada para o falso-positivo de um acidente aéreo”, analisou Torres.

“Esse tipo de fuzis de assalto são utilizados sem dúvida nenhuma para operações que esses senhores colombianos conhecem muito bem, como os assassinatos por aluguel e magnicídio [assassinato presidencial]”, disse, afirmando o fato de que os grupos se dirigiriam a Caracas leva à suspeita de que estes tenham "conexões políticas com elementos da extrema direita venezuelana”.

Torres disse ainda estar apresentando dados “com toda a responsabilidade e seriedade”. “Estamos atrás das pistas que estes dois grupos estão dando nos interrogatórios e análises, e como eles mesmos informam, já deve ter em Caracas outro grupo armado com fuzis de franco-atiradores e armas longas, que eles não sabem onde estão, mas imaginam que já devem estar na capital”, afirmou.

“Presumimos com muita força que [os paramilitares no país] são parte de um plano que está sendo orquestrado de lá [Colômbia] contra a vida do nosso presidente e atentar contra a estabilidade do governo bolivariano”, considerou, mencionando a recente denúncia realizada pelo ex-vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, de que venezuelanos da oposição teriam comprado 18 aviões de guerra dos Estados Unidos, que seriam levados a uma base militar norte-americana na Colômbia.

O presidente Nicolás Maduro, que havia anunciado ontem a captura dos paramilitares, voltou a se manifestar em uma sequência de posts no Twitter: “Ratifico [que] da Colômbia se conspira contra nossa Pátria, a direita coordenou novamente que grupos assassinos venham à nossa pátria”, escreveu, após afirmar que seu país está “enfrentando um plano da direita fascista com o apoio da Colômbia, de grupos violentos, para assaltar o poder político”. “A guerra psicológica e a campanha suja contra nossa Pátria têm como base trazer a violência fascista com paramilitares da Colômbia”, complementou o chefe de Estado, que garantiu: “Vamos a fundo contra a conspiração”.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/29372/paramilitares+colom... )

Opositores venezuelanos teriam comprado 18 aviões de guerra

Ex-vice-presidente diz que opositores venezuelanos teriam comprado 18 aviões de guerra dos EUA

Ex-candidato Capriles ironizou denúncia e qualificou suposto plano de agressão ao governo como “uma boa piada”

O ex-vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel, afirmou neste domingo (09/06) que “venezuelanos da oposição” teriam comprado, no final de maio, 18 aviões de guerra visando uma “agressão armada” à Venezuela. Segundo Rangel, que também é jornalista e atuou como ministro da Defesa e chanceler do falecido presidente Hugo Chávez, os aviões seriam levados para uma base militar dos Estados Unidos na Colômbia.

“Segundo a informação que tenho, em 27 de maio de 2013, levou-se a cabo uma reunião na cidade de Santo Antônio, no Texas, entre executivos da indústria de aviões de guerra e venezuelanos da oposição. Tema: a possível aquisição deste tipo de aviões por parte dos venezuelanos. Estes viram alguns catálogos e optaram por um determinado modelo. Assinaram contrato de compra para, no mais tardar, o começo do mês de novembro deste ano, de 18 aviões que serão localizados numa base militar dos EUA localizada na Colômbia”, expressou, em seu programa dominical transmitido pela emissora Televen.
[José Vicente Rangel: "venezuelanos da oposição" teriam comprado, no final de maio, 18 aviões de guerra visando uma "agressão armada" à Venezuela]

Rangel qualificou a informação como “extremamente grave”, e questionou se os organismos de segurança podem averiguar a informação com autoridades colombianas e norte-americanas. Segundo ele “a informação não deve ser subestimada”, devido ao “clima que atualmente existe de agressões midiáticas e políticas contra a Venezuela”. “Prepara-se uma agressão armada devidamente camuflada com a participação de mercenários, como aconteceu tantas vezes em diferentes momentos e nações?”, questionou o ex-vice-presidente, complementando que deixa “esta interrogante no ar”.

Nesta segunda-feira, o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, se manifestou no Twitter sobre as declarações do jornalista: “Diante das denúncias de José V. Rangel na Venezuela acho que o melhor que a Colômbia pode fazer é solicitar a verificação da ONU”, escreveu, sem se estender sobre o caso.
Reação da oposição

O ex-candidato à presidência, Henrique Capriles, respondeu por sua conta de Twitter que as declarações de Rangel são uma “boa piada”. “Que boa piada isso dos aviões de guerra, só é possível em uma mente retorcida e obscura como a deste nefasto personagem”, escreveu, em referência ao ex-vice-presidente. O líder opositor expressou ainda que Rangel “sempre está presente onde há tráfico de influências, comissões e sempre foi assim, corruptelas”.
O prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, disse em um programa de rádio que é preciso “ser muito irresponsável” para efetuar este tipo de denúncias. Segundo ele, a oposição não tem 18 aviões, mas sim “aviões artilhados com votos”. “Os aviões que temos são os candidatos legitimados nas prefeituras e também temos um navio insigne que é nosso candidato à presidência Henrique Capriles”, afirmou.

Ledezma disse ainda os governistas não devem “se esmerar muito em buscar golpistas”, porque segundo ele, o que “está derrubando o governo é a inflação”. Segundo ele, em vez de “tanques de guerra ou bombas”, a gestão de Maduro seria “o único caso do mundo” que cairia “pela força dos rolos de papel higiênico”. “Este governo não está sendo derrubado por aviões, nem por tanques de guerra, mas sim por papel higiênico, farinha, azeite, manteiga e café!!”, escreveu no Twitter, onde também questionou se o ex-vice-presidente “sofre de alucinações”.

Já o deputado opositor Eduardo Gómez Sigala disse à emissora colombiana NTN24 que a denúncia de Rangel carece de sustentação. “Essas são fantasias de José Vicente Rangel, que sempre esteve especulando com este tipo de notícias. Seria bom que apresentasse informações que tivessem alguma sustentação. O governo venezuelano tem problemas suficientemente sérios agora para pensar que alguém esteja comprando aviões para derrotar um governo que está caindo sozinho pela falta de papel higiênico, pela falta de alimentos, pela falta de gestão”, garantiu.
Paramilitares

A denúncia de Rangel vem no dia seguinte ao anúncio do presidente Nicolás Maduro, através de sua conta de Twitter, da captura de dois grupos de paramilitares colombianos que entraram na Venezuela. Segundo Maduro, os suspeitos teriam entrado no território para “atacar” o país. No último sábado, durante um ato do denominado “governo de rua”, o chefe de Estado convocou uma sessão do Conselho de Estado de seu país para definir as relações com o Estado e o governo da Colômbia.

As últimas semanas foram marcadas pela tensão diplomática entre as nações vizinhas, desatada pela reunião entre o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o ex-candidato opositor Henrique Capriles. Na ocasião, Maduro disse ter perdido a confiança em Santos e que a permanência de seu país como acompanhante do diálogo de paz entre o governo colombiano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) seriam avaliadas.

Na última sexta, no entanto, o presidente afirmou que poderia se reunir pessoalmente com Santos em uma iniciativa intermediada pelo ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em reiteradas ocasiões, Maduro acusou o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe Vélez de conspirar contra sua vida e contra a estabilidade política da Venezuela, supostamente aliado a mercenários e a ultra-direita dos EUA.

Outro ponto de discordância entre os países foi o anúncio de Santos sobre a intenção de que a Colômbia ingressasse na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico do Norte), que também provocou alerta nos governos da Nicarágua e da Bolívia. Frente às declarações, o presidente boliviano Evo Morales pediu uma reunião de emergência com o Conselho de Defesa da Unasul (União de Nações Sul-americanas) para analisar o tema. Dias depois, no entanto, o ministro de Defesa da Colômbia negou que seu país queira aderir à aliança militar.

Fonte: Opera Mundi ( http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/29369/ex-vice-presidente+... )

A Colômbia na OTAN?

Luis Gutiérrez Esparza

Tradução: ADITAL

05.03.2013

Os três mil quilômetros de fronteira entre o México e os Estados Unidos são a fronteira da América Latina com a Aliança Atlântica.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, decidiu assumir abertamente filiações e lealdades que havia mantido sob um véu de dissimulo, acentuado por algumas decisões de política exterior e sua disposição a negociar com as Farc e, no sábado passado, anunciou que seu governo iniciará uma "aproximação” à Otan, com o propósito de um possível ingresso. Vale à pena recordar que o tema não é precisamente novo: em 2008, o Círculo Latinoamericano de Estudios Internacionales (Claei) denunciou o envio de um contingente militar colombiano ao Afeganistão, como parte das forças da Aliança Atlântica.

Conforme foi divulgado por Santos, este mês a Otan "assinará um acordo com o governo colombiano, com o Ministério da Defesa, para iniciar todo um processo de aproximação, de cooperação, com vistas a ingressar nessa organização”. Por sua vez, o Ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, disse que a decisão colombiana se baseia em que a Aliança "tem umas forças militares respeitosas do direito internacional”. E, para rematar: "Como em outros aspectos, o país está pensando grande, inclusive em matéria de segurança”.

Ante essa afirmação, cabe perguntar-se a que aliança se refere Pinzón. Como venho escrevendo e denunciando há anos, nesse e em outros fóruns, a Otan é um pacto ofensivo, sem lei e assassino, que se reserva de forma unilateral o direito de reeditar em âmbito mundial sua agressão armada nos Bálcãs, no Iraque e no Afeganistão. É uma ameaça para a humanidade; e a América Latina a tem ao seu lado: os três mil quilômetros de fronteira entre o México e os Estados Unidos são a fronteira da América Latina com a Otan.

O de menos é que, segundo divulgou a agência Efe, "fontes da Otan” comentaram que a Colômbia "não cumpre os critérios geográficos” para ser membro. Esse argumento é absurdo e até ridículo: em uma aliança que compreende teoricamente a região do Atlântico Norte, a Turquia e a Albânia nada teriam que fazer; porém, são membros de pleno direito... como nações da Europa Central ou do Báltico. Ora, até o governo de Carlos Menem quase consegue a inclusão da Argentina...

A Otan prepara um acordo que "permitiria o intercâmbio de informação classificada com a Colômbia”; porém, segundo isso, "não há planos imediatos para estabelecer uma associação formal” entre ambas partes.

E assim começa a discreta revisão da proposta inicial: "Não há planos imediatos”. Em curto prazo, é outra coisa. A Otan corteja a Colômbia, a Argentina, o Brasil, El Salvador... O de menos, no final das contas, seria a modalidade de inclusão ou de associação. Dispõe de estruturas como a sarcasticamente denominada Associação para a Paz (Partnership for Peace).

Apesar das vozes que se mobilizam com o intuito de desqualificá-lo, tem muito sentido o chamado do presidente da Bolívia, Evo Morales, que fala de uma ameaça para a região e pediu ao secretário geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o venezuelano Alí Rodríguez, que convoque, "de emergência”, uma reunião de seu Conselho de Segurança. Morales faz perguntas relevantes: "Como é possível que a Colômbia peça para fazer parte da Otan? Para quê? Para agredir a América Latina; para submeter a América Latina; para que a Otan nos invada, como invadiu na Europa e na África?”.

Também os presidentes da Venezuela –Nicolás Maduro- e da Nicarágua –Daniel Ortega- manifestaram sua preocupação. Maduro comentou: "Não podemos vincular-nos a projetos de guerra no mundo; a armas nucleares; tem que ser um território livre de armas nucleares; um território de paz”. E Ortega: "Que um país latino-americano queira incorporar-se à Otan, será instrumento de uma política para debilitar e tentar destruir o processo de unidade vivido na região”.

De fato, as bases militares dos Estados unidos e da Grã-Bretanha na América Latina são da Otan. A ambição colombiana de protagonismo belicista implica um passo a mais na direção da submissão, da desunião e da instabilidade.

Fonte: Adital ( http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=75676 )

Denúncias À Dilma:

Denúncias
À Dilma: Desqualificação da Funai repete último governo militar

publicado em 3 de junho de 2013 às 20:25

Convocada pela bancada ruralista, a ministra da Casa Civil, Gleise Hoffmann, compareceu à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, para “prestar esclarecimentos acerca de identificação e demarcação de terras indígenas no Brasil”.

Carta à presidenta Dilma Rousseff

A atitude do governo federal de desqualificar, através da Casa Civil, os estudos antropológicos desenvolvidos pela FUNAI e que servem de base aos processos administrativos para efetivar as demarcações de terras indígenas, gerou uma insegurança jurídica para os interesses dos povos indígenas no Brasil.

A decisão da Casa Civil da Presidência da República apresentada aos representantes do agronegócio e parlamentares do Mato Grosso do Sul, em reunião na semana passada em Brasília, de que a Embrapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério do Desenvolvimento Agrário, “avaliarão e darão contribuições” aos estudos antropológicos realizados pela FUNAI, repete a ação do último governo militar ao instituir o famigerado “grupão” do MIRAD, capitaneado pelo general Venturini, para “disciplinar” a FUNAI e “avaliar” as demandas indígenas.

O caminho para uma demarcação de terra indígena hoje é complexo e apesar do Decreto 1.775/96 (da lavra do então Ministro Nelson Jobim) facultar o contraditório em todas as fases do processo administrativo, este processo acaba indo parar na justiça a partir da simples nomeação, pela FUNAI, do grupo técnico encarregado de identificar uma terra indígena. E a judicialização é cheia de percalços e artimanhas jurídicas, medidas liminares a serviço do impedimento, chegando a absurdos como, por exemplo a Reclamação 8070 (relativa a terra indígena Raposa Serra do Sol), que ocupou tempo e trabalho de juízes. Mecanismos de protelação judicial que empurram a solução dos conflitos por décadas afrontando a obrigação constitucional da União de concluir as demarcações até cinco anos após a promulgação da Constituição de 1988.

O processo das terras terenas, onde acaba de ser assassinado pela Polícia Federal o índio Oziel Gabriel de 35 anos, chegou ao STF depois de 13 anos de tramitação e ao alcançar tão alta instância do judiciário brasileiro, com aprovação em plenário, onde analisou-se nos autos as provas de cada lado envolvido juntadas em todos estes anos de tribunais, retorna à Justiça do Mato Grosso do Sul, para novas perícias e faz-se um looping para não resolver o problema. Será que começa do zero?

A proposta da Ministra Gleisi Hoffmann introduz uma nova rota de fuga para criação de contraditórios jurídicos. É mais um mecanismo que favorece a geração de novos impedimentos jurídicos por parte do agronegócio, proporcionando que a ação de demarcação de terras, continue circulando nas instâncias da justiça. Agora, também com questionamentos embasados em contra-laudos e opiniões de setores do próprio estado e cujos interesses são distintos dos interesses indígenas, representados constitucionalmente pela FUNAI, através de laudos antropológicos aprovados pelo Ministério da Justiça para as questões de demarcação de suas terras.

A medida atinge os estudos já aprovados pelo Ministério da Justiça, aqueles que aguardam homologação e os em curso e abre também possibilidades de questionamento na justiça de terras já demarcadas, promovendo uma insegurança jurídica, que evidentemente é sentida por todos os povos indígenas envolvidos em disputas territoriais e setores da sociedade que acompanham e atuam neste problema.

Com tal medida fica evidente a responsabilidade da Ministra Gleisi Hoffmann pela radicalização da tensão no Mato Grosso do Sul e que atinge também outros povos de outros estados. O governo erra ao escolher lidar com o problema pelo caminho da protelação e do desmonte constitucional das funções da FUNAI, priorizando aspectos de desenvolvimento econômico e eleitorais frente aos direitos indígenas. Atenta aos direitos humanos e gera mais tensão no conflito indígena brasileiro.

No Mato Grosso do Sul a não solução da demarcação das terras indígenas é uma das várias guerras de baixa intensidade que vivemos em nosso país. São centenas de milhares de pessoas atingidas e a mudança de rito de tramitação da demarcação de terras indígenas, abrindo à consulta e apreciação os laudos antropológicos produzidos pela FUNAI para setores antagônicos à demarcação, contrariamente o que pensa a Casa Civil, só trará mais resistência indígena e mais conflitos.

Estes povos vivem em conflito permanente com o desenvolvimento de nossa sociedade há muitas décadas, em 1908 uma área de hum milhão de hectares é arrendada para uma empresa de mate, como se lá não existissem índios, 1955 houve uma CPI para apurar a apropriação ilegal de suas terras por grandes figuras da política mato-grossense, em 1965 um IPM é instaurado para apurar o roubo de terras indígenas, em 1968 o Relatório Figueiredo [leia-o aqui], recentemente localizado, aponta inúmeras violências e esbulhos de suas terras e renda, documentos que jogam luz sobre conflitos que se arrastam por décadas, causando sofrimento e dor em uma das maiores populações indígenas do Brasil.

Num país em que engatinhamos no direito de acesso à informação pública, cuja lei foi aprovada junto com a que criou a Comissão Nacional da Verdade, onde muitos documentos continuam escondidos, fora de catalogação institucional e portanto do acesso público, a hipótese de que terras demarcadas não possam mais ser objeto de ampliação é atitude antagônica ao momento em que vive a sociedade brasileira de busca por verdade e memória, justiça, reparação e não-repetição.

A justiça de transição, que reclamamos aos mortos e desaparecidos políticos, aos atingidos por torturas, aos perseguidos pela ditadura de 64, também alcança os povos indígenas brasileiros. Em sua grande maioria foram perseguidos, sofreram atentados, assassinatos, chacinas, massacres, como também sofreram torturas, prisões, desaparecimentos, remoções forçadas, escravização e hoje tais violações são objeto de estudo pela Comissão Nacional da Verdade.

O documento anexo [aqui,o Relatório Figueiredo], desaparecido por 45 anos, contém o depoimento dado pelo Chefe da Inspetoria Regional do Serviço de Proteção do Índio de Campo Grande ao procurador Jader de Figueiredo Correia, presidente da Comissão de Investigação do Ministério do Interior, onde aponta nomes de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, juízes e outras pessoas que se apossaram de forma ilegal de terras indígenas no antigo estado do Mato Grosso.

A questão indígena dará o tamanho da régua que apontará a medida da evolução democrática de nossa sociedade, que está entre reconhecer os erros cometidos pelo estado, mudar condutas, reparar direitos destes povos e desenvolver mecanismos de não-repetição ou seguir o rumo da protelação judicial e os retrocessos em direitos humanos com o retorno de assassinatos, demonstração de e uso indevido de força e censura.

No passado muitos crimes foram cometidos em nome do desenvolvimento e da lei de segurança nacional, hoje tais práticas se escondem atrás de um discurso sobre a necessidade de “governabilidade” e de um “governo em disputa”, porém na prática os crimes continuam os mesmos, mudamos os atores e não avançamos em mudarmos estas condutas do estado brasileiro, gerando mecanismos de respeito aos cidadãos e garantias de seus direitos.

Assinam:

Anivaldo Padilha – membro do Konoinia, Presença Ecumênica e Serviço

Dalmo Dallari – jurista e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo

Gilberto Azanha – antropólogo e coordenador do Centro de Trabalho Indigenista

Marcelo Zelic – vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de SP

Roberto Monte – membro do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular do Rio Grande do Norte

Anexo: Folhas 3780 a 3785 dos autos do processo da Comissão de Investigação do Ministério do Interior de 1967-1968 conhecido como Relatório Figueiredo. Apresenta o depoimento do Sr. Helio Jorge Bucker, então Chefe da 5ª Inspetoria Regional do Serviço de Proteção ao Índio, ao procurador federal Jader de Figueiredo Correia tomado em 19/11/1967 em Campo Grande.

Fonte:Viomundo

Presos em greve de fome em Guantánamo divulgam carta aberta

Do Esquerda.net
Guantanamo: Carta aberta dos presos em greve aos médicos militares
A greve de fome na prisão de Guantanamo foi a forma de 103 dos 166 prisioneiros chamarem a atenção do mundo para a sua situação. Um grupo de treze destes detidos publicou uma carta aberta a exigir tratamento médico independente e acusam os médicos militares de violarem a ética da profissão por alimentá-los à força.

ARTIGO | 2 JUNHO, 2013 - 12:08
Carta aberta dos prisioneiros em greve de fome aos médicos militares da Base Naval, Baía de Guantánamo

Senhores médicos:

Não quero morrer, mas estou preparado para o risco de vir a morrer, porque estou em ato de protesto contra o facto de permanecer preso por mais de uma década, sem julgamento, submetido a tratamento desumano e degradante, sem acesso à justiça.

Não tenho outro meio para fazer ouvir essa mensagem. Os médicos sabem que as autoridades tiraram de mim todos os meios e objetos pelos quais pudesse comunicar.

Por essa razão, respeitosamente peço que me seja garantida a assistência por profissionais médicos independentes, que sejam autorizados a entrar em Guantánamo para me tratar, e que lhes seja dado pleno acesso aos meus registos médicos, para que possam determinar o melhor tratamento para o meu caso.

Os senhores médicos militares aos quais tenho acesso dizem que cumprem seu dever médico de preservar minha vida. Essa atitude vai contra o meu desejo expresso de não me alimentar.

Como os senhores devem saber, sou competente para tomar uma decisão própria sobre tratamento médico para mim mesmo. Quando tento recusar o tratamento que os senhores trazem, os senhores o impõem, às vezes com violência. Por essas razões, não tenho dúvidas de que os senhores violam o compromisso ético profissional, como a Associação Médica Norte-Americana e a Associação Médica Mundial já declararam bem explicitamente.

Minha decisão de fazer greve de fome e de manter-me em estado de subnutrição por mais de cem dias não foi tomada levianamente. Faço o que faço, porque não encontrei outro meio para chamar a atenção do mundo exterior para o que acontece aqui. A resposta que os senhores médicos dão à minha decisão cuidadosamente refletida não permite que se conclua, logicamente, que os senhores estejam tentando salvar a minha vida. Nenhuma de suas ações ao longo já de vários meses comprova essa inferência.

Para aqueles de nós que têm sido alimentados contra nossa vontade, o processo de ter um tubo repetidas vezes forçado para dentro de nossas narinas ou pela garganta até o estômago, para que assim sejamos mantidos em estado de seminutrição, é extremamente doloroso, e as condições sob as quais se executam esses procedimentos é abusiva. Se os senhores realmente tivessem em vista meus melhores interesses, de receber tratamento médico realmente recomendado, seria indispensável que tivessem falado comigo como ser humano, sobre minhas escolhas e decisões, em vez de me impor tratamento, de modo tal que se sinto como se estivesse sendo castigado por alguma coisa.

Os senhores devem saber que os excessos que têm cometido relacionados à minha participação no movimento coletivo de greve de fome de vários outros prisioneiros já foram condenados por mais de uma alta autoridade, entre as quais a ONU. O Relator Especial da ONU para Assuntos de Saúde declarou, inequivocamente que “o pessoal médico não pode exercer pressão indevida de qualquer tipo sobre indivíduos que tenham recorrido ao recurso extremo de uma greve de fome, nem é aceitável que usem ameaças de alimentação forçada ou outros tipos de coerção física ou psicológica contra indivíduos que voluntariamente decidam-se por uma greve de fome.”

Seja como for, não posso confiar no que os senhores digam ou façam, sobre minha saúde, porque os senhores devem obediência aos seus superiores militares que exigem que os senhores me imponham qualquer meio inaceitável para mim, e os senhores põem o dever de obedecer aos militares seus superiores acima dos deveres de médico que têm para comigo. Esse tipo de dupla fidelidade impede completamente que eu confie nos senhores.

Por essas razões, a relação médico-paciente que se criou entre nós absolutamente não pode contribuir para diminuir os riscos que essa greve de fome gere para minha saúde. Os senhores talvez sejam capazes de manter-me vivo por longo tempo, em estado de debilitação extrema. Mas aqui, com tantos prisioneiros, como eu, também em greve de fome, os senhores estão, isso sim, conduzindo um experimento, um tratamento experimental, em escala jamais vista. E nada garante que não ocorra erro humano, que resulte na morte de um ou mais de um de nós, não por greve de fome, mas por culpa ativa ou erro dos médicos que nos estão sendo impostos.

Seus superiores, incluindo o presidente Obama, comandante-em-chefe dos seus superiores, reconhecem que minha morte ou de qualquer outro prisioneiro em greve de fome geraria consequências graves e indesejáveis para eles. Os senhores, médicos, receberam portanto ordens para garantir – com certeza absoluta – minha sobrevivência, uma ordem que nem os senhores nem qualquer médico poderá jamais aceitar, porque não pode garantir, com certeza, que possa cumpri-la.

A posição impossível em que estão os médicos de Guantánamo hoje me inspira alguma simpatia. Quer continuem como militares, quer retornem à vida civil, os senhores terão de sobreviver com a consciência do que fizeram e não fizeram aqui em Guantánamo, até o dia de morrerem. Mas se se opuserem às ordens absurdas, os senhores conseguirão fazer alguma diferença. Os senhores podem escolher parar de contribuir ativamente para manter a condição de permanente abuso às quais estou hoje exposto.

Peço apenas que levem aos seus superiores meu pedido urgente para que eu seja submetido a exame médico por médico ou médicos independentes, a serem escolhidos por meus advogados, nos quais eu confie, e que esses médicos recebam todas as notações médicas com as quais os senhores trabalham aqui, para que as estudem antes de me examinarem. É o mínimo que os senhores podem fazer, para manter, minimamente, a palavra que empenharam quando juraram “não causar dano” a ninguém de quem os senhores se aproximem, como médicos.

Atenciosamente,

[assinam] treze prisioneiros em greve de fome na Base Naval, Baía de Guantánamo, alguns representados pelos seus advogados:

Younous Chekkouri, ISN 197

Nabil Hadjarab, ISN 238

Abdul Haq Wasiq, ISN 004

Mohammad Nabi Omari, ISN 832

Shaker Aamer, ISN 239

Ahmed Belbacha, ISN 290

Abu Wa’el Dhiab, ISN 722

Samir Mukbel, ISN 043

Mohammed Ghanem, ISN 044

Adel al-Hakeemy, ISN 168

Sanad al-Kazimi, ISN 1453

Mohammed Hidar, ISN 498

Abdullatif Nasser, ISN 244

Fonte: Blog do Nassif ( http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/presos-em-greve-de-fome-em-guan... )

Bloqueio bem pago

Norte-americanos receberam milhões para manter o bloqueio a Cuba
Segundo organização, quase 400 políticos ganharam cerca de US$11 milhões para fazer lobby contra a Ilha.

17 de novembro de 2009

Quase 400 legisladores e candidatos norte-americanos receberam, desde 2004, cerca de US$11 milhões de “mecenas” partidários pela manutenção do bloqueio e qualquer medida restritiva contra Cuba, segundo aponta um informe da organização independente Public Campaign. De acordo com o jornal espanhol El País, entre os congressistas que receberam dinheiro está o ex-candidato à Presidência dos EUA John McCain.

O grupo, que defende o financiamento público de campanhas, afirma que três congressistas republicanos da Flórida, profundos defensores de uma política mais dura contra o regime cubano, encabeçam a lista. A organização diz ainda que é significativo o número de doações para democratas, especialmente depois que o partido conquistou o controle das Câmaras, em 2006.

Entre os membros da bancada cubano-americana no Congresso, o deputado Lincoln Diaz-Balart, segundo a organização, recebeu US$366.964; seu irmão, Mario, US$364.176,00, e Ileana Ross-Lehtinen, US$240.050,00. O senador McCain teria recebido US$183.415,00. O senador democrata de origem cubana Bob Menendez ganhou US$165.800,00. Curiosamente, os maiores beneficiários da lista, exceto o senador independente Joseph Lieberman, são democratas, entre eles quatro representantes da Flórida.

Segundo o jornal, o comitê de ação política do grupo US Cuba Democracy, fundado em 2003, é o canalizador do dinheiro repassado. Seu diretor, Mauricio Claver-Carone, defende o direito constitucional e democrático de apoiar legisladores com afinidades em comum, assim como fazem os sindicatos, a Câmara de Comércio e o Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel, por exemplo.

O informe da Public Campaign mostra que ao menos 18 legisladores mudaram de opinião sobre Cuba após receber as doações. David Donnelly, diretor da Public Campaign, afirmou ao El Pais que o sistema de doações é uma “armadilha”. “São boas pessoas presas em um sistema. Se os legisladores têm que dedicar muito tempo para arrecadar dinheiro (para campanha), não haverá remédio senão ouvir aqueles que fazem doações. Porém, a realidade é que parece existir uma clara diferença entre o que as pessoas querem e o que alguns políticos defendem no Congresso.”

Postado por Síntese Cubana às 14:29

Sem médicos cubanos, o que dizer à população desassistida?

Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura?

Por Frei Betto*

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está indignado frente ao anúncio da presidente Dilma de que o governo trará 6.000 médicos de Cuba, e outros tantos de Portugal e Espanha, para atuarem em municípios carentes de profissionais da saúde. Por que aqui a grita se restringe aos médicos cubanos? Detalhe: 40% dos médicos do Reino Unido são estrangeiros.

Também em Portugal e Espanha há, como em qualquer país, médicos de nível técnico sofrível. A Espanha dispõe do 7º melhor sistema de saúde do mundo, e Portugal, o 12º. Em terras lusitanas, 10% dos médicos são estrangeiros, inclusive cubanos, importados desde 2009. Submetidos a exames, a maioria obteve aprovação, o que levou o governo português a renovar a parceria em 2012.

Ninguém é contra o CFM submeter médicos cubanos a exames (Revalida), como deve ocorrer com os brasileiros, muitos formados por faculdades particulares que funcionam como verdadeiras máquinas de caça-níqueis.

O CFM reclama da suposta validação automática dos diplomas dos médicos cubanos. Em nenhum momento isso foi defendido pelo governo. O ministro Padilha, da Saúde, deixou claro que pretende seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissionais.

A opinião do CFM importa menos que a dos habitantes do interior e das periferias de nosso país que tanto necessitam de cuidados médicos. Estudos do próprio CFM, em parceria com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, sobre a “demografia médica no Brasil”, demonstram que, em 2011, o Brasil dispunha de 1,8 médico para cada 1.000 habitantes.

Temos de esperar até 2021 para que o índice chegue a 2,5/1.000. Segundo projeções, só em 2050 teremos 4,3/1.000. Hoje, Cuba dispõe de 6,4 médicos por cada 1.000 habitantes. Em 2005, a Argentina contava com mais de 3/1.000, índice que o Brasil só alcançará em 2031.

Dos 372 mil médicos registrados no Brasil em 2011, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, e pouco mais de 15 mil na região Norte.

O governo federal se empenha em melhorar essa distribuição de profissionais da saúde através do Provab (Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica), oferecendo salário inicial de R$ 8 mil e pontos de progressão na carreira, para incentivá-los a prestar serviços de atenção primária à população de 1.407 municípios brasileiros. Mais de 4 mil médicos já aderiram.

O senador Cristovam Buarque propõe que médicos formados em universidades públicas, pagas com o seu, o meu, o nosso dinheiro, trabalhem dois anos em áreas carentes para que seus registros profissionais sejam reconhecidos.

Se a medicina cubana é de má qualidade, como se explica a saúde daquela população apresentar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices bem melhores que os do Brasil e comparáveis aos dos EUA?

O Brasil, antes de reclamar de medidas que beneficiam a população mais pobre, deveria se olhar no espelho. No ranking da OMS (dados de 2011), o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os EUA ocupam o 37º lugar. Cuba, o 39º. O Brasil, o 125º lugar!

Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura?

Cuba, especialista em medicina preventiva, exporta médicos para 70 países. Graças a essa solidariedade, a população do Haiti teve amenizado o sofrimento causado pelo terremoto de 2010. Enquanto o Brasil enviou tropas, Cuba remeteu médicos treinados para atuar em condições precárias e situações de emergência.

Médico cubano não virá para o Brasil para emitir laudos de ressonância magnética ou atuar em medicina nuclear. Virá tratar de verminose e malária, diarreia e desidratação, reduzindo as mortalidades infantil e materna, aplicando vacinas, ensinando medidas preventivas, como cuidados de higiene.

O prestigioso New England Journal of Medicine, na edição de 24 de janeiro deste ano, elogiou a medicina cubana, que alcança as maiores taxas de vacinação do mundo, “porque o sistema não foi projetado para a escolha do consumidor ou iniciativas individuais”. Em outras palavras, não é o mercado que manda, é o direito do cidadão.

Por que o CFM nunca reclamou do excelente serviço prestado no Brasil pela Pastoral da Criança, embora ela disponha de poucos recursos e improvise a formação de mães que atendem à infância? A resposta é simples: é bom para uma medicina cada vez mais mercantilizada, voltada mais ao lucro que à saúde, contar com o trabalho altruísta da Pastoral da Criança. O temor é encarar a competência de médicos estrangeiros.

Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades este outdoor que vi nas ruas de Havana: “A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”.

* é escritor, autor de “O que a vida me ensinou”, que a editora Saraiva faz chegar esta semana às livrarias. Artigo publicado em Adital

Fonte: ACJM-RJ ( http://josemartirj.webnode.com/news/frei-betto-medicos-cubanos-no-brasil-/ )

Fórum termina com unidade de movimentos pela paz na Colômbia

Coincidentemente, horas depois do término do Fórum em Porto Alegre, foi anunciado em Havana o acordo do primeiro ponto dos diálogos entre governo colombiano e Farc

Comitê organizador do Fórum

“O Fórum pela Paz na Colômbia foi um sucesso porque esteve cheio de povo, de amor e de espírito unitário de toda nossa América”. Assim começou a declaração final elaborada depois de dois dias de reunião de cerca de mil pessoas e diversas organizações sociais em Porto Alegre (RS). O Fórum, que contou com apoio de mais de 70 entidades brasileiras, aconteceu de 24 a 26 de maio na capital gaúcha.

Representantes de países como Colômbia, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Cuba e País Basco marcaram presença para realizar articulações e propostas, e prestar solidariedade aos movimentos sociais colombianos que defendem um processo de paz com justiça social e apoiam as negociações de paz que acontecem em Cuba entre o governo colombiano e as Farc.

Foram realizadas diversas mesas de trabalho setoriais para preparar as propostas finais. O Fórum contou ainda com uma videoconferência com Victoria Sandino, Andrés Paris e Marco León Calarcá, membros das Farc que participam da mesa de diálogos com o governo colombiano em Havana. Eles explicaram a posição do movimento insurgente e suas propostas para a paz, e responderam perguntas do público. Diante da falta de resposta do governo colombiano, foi exibido um vídeo no qual o líder do governo nos diálogos, Humberto La Calle, expõe a visão governamental sobre o processo. O Exército de Libertação Nacional, outro movimento revolucionário armado que não está incluído nos diálogos, também enviou uma saudação e sua análise sobre o conflito e a saída política para ele.

Os participantes ainda realizaram outra conferência com a ex-senadora e porta-voz do movimento Marcha Patriótica, Piedad Córdoba, uma das maiores referências da esquerda colombiana. Além disso, o Fórum contou com o Show pela Paz na Colômbia, no qual a música foi instrumento para manifestar solidariedade ao povo colombiano.

Na declaração final, a organização do evento considera que os objetivos foram cumpridos. O encontro permitiu avançar em temas como a “unidade do povo latino-americano para exigir o cessar fogo bilateral, a participação plena dos movimentos políticos e sociais na mesa de diálogos e o acompanhamento dos povos do continente e do mundo no processo de Paz com Justiça Social, Soberania e Democracia”.

Poucas horas depois, seria anunciado em Havana o acordo no primeiro de seis pontos da negociação de paz entre governo e Farc: o tema da reforma rural integral para o campo colombiano.

Clique aqui para ver fotos do encontro.

Confira, abaixo, a declaração final do Fórum pela paz na Colômbia:

DECLARAÇÃO FINAL DO FÓRUM PELA PAZ NA COLÔMBIA

Porto Alegre, 24 a 26 de maio de 2013

“A unidade de nossos povos não é uma simples quimera dos homens,

e sim um inexorável decreto do destino”

Simón Bolívar

O Fórum pela Paz na Colômbia foi um sucesso porque esteve cheio de povo, de amor e de espírito unitário de toda nossa América, aquela que se vêm construindo com o suor de trabalhadores e trabalhadoras, com a resistência dos povos indígenas, com a coragem dos e das afrodescendentes, com a alegria dos e das jovens, com a valentia das mulheres e, claro, com o empenho de toda gente que dia a dia faz o possível e o impossível para sobreviver.

Ainda que com o cansaço pelos preparativos, pelas longas viagens, pelas tarefas realizadas em nossos locais mas com muito ânimo, confluímos no Fórum com a expectativa de nos encontrar, de escutar-nos e de construir os apoios necessários para a construção da paz com justiça social, soberania e democracia em nosso país irmão colombiano.

Ratificamos que a paz do continente está ligada à superação do conflito social e armado colombiano. Por isso, todas as organizações sociais e populares, os partidos políticos democráticos, progressistas e de esquerda, devemos nos comprometer na construção de um movimento nossoamericano pela paz com justiça social na Colômbia.

Este é um momento histórico em que se abriu uma possibilidade de diálogo que leve à concretização de um tratado de paz que mude o rumo da realidade colombiana, razão pela qual respaldamos sem hesitar o diálogo que acontece na emblemática cidade de Havana entre o Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, e clamamos pelo início do diálogo entre o Governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional, ratificando o que o movimento social colombiano assinalou: “O diálogo é o caminho”.

Assim como apoiamos o diálogo do governo com as forças insurgentes, também sinalizamos a necessidade fundamental de incluir a todo o povo colombiano na construção dos acordos, dedicando todos os esforços para construir uma realidade cheia de Justiça Social como baluarte de reconciliação entre colombianos e colombianas através da participação popular como mostra da ampliação da democracia.

Estes desejos expressados em todo o desenvolvimento do Fórum não podem ficar na retórica, em declarações ou em boas intenções. É urgente a mobilização de esforços políticos e sociais de todos e todas sul-americanos/as para que os inimigos da paz e da justiça social não imponham sua lógica de violência e para que não sigam utilizando o conflito colombiano como pretexto intervencionista contra os avanços democráticos de nossos povos e de nossa autodeterminação.

Nosso fórum identifica como uma ameaça real à paz da Colômbia e do continente as manobras ofensivas contra a América Latina realizadas pelos Estados Unidos e seus aliados. Sabemos que têm o propósito de conquistar o controle absoluto sobre as riquezas de nossos povos e subordinar nossos destinos a seus interesses imperialistas. Por isso, a luta contra a militarização e pela paz com justiça social atinge níveis de urgência, exige a unidade de nossos povos e a concretização de ações que mostrem rechaço a tais propósitos.

Além da militarização da região, reconhecemos como problemáticas centrais a dependência de nossas economias do capital transnacional, a exclusão e a violência contra as mulheres, a violência contra os povos indígenas, o ataque contra a produção camponesa e, em especial, a desestabilização dos processos revolucionários e democráticos, destacadamente contra nossa irmã República Bolivariana da Venezuela.

Neste sentido, o fórum conseguiu sintetizar propostas e promover ações destinadas a materializar esses objetivos, que refletem nossos sonhos e desejos de independência, justiça social, democracia e soberania:

• Participaremos na mobilização continental de 24 de julho, dia do nascimento do libertador Simón Bolívar, em apoio ao povo venezuelano e a sua Revolução Chavista e Bolivariana. No contexto desta atividade também levantaremos as vozes de nossa América pela paz na Colômbia

• Trabalharemos para construir uma plataforma continental pela paz com justiça social para a Colômbia que tenha expressões unitárias e diversas em cada um de nossos países.

• Participaremos na jornada proposta pelos Movimentos Sociais para a ALBA contra a militarização e as transnacionais no próximo mês de outubro.

• Neste fórum se reafirma que as mulheres são fundamentais para a paz na Colômbia. Propomos o fortalecimento das Mulheres do Mundo pela Paz, que fizeram um árduo trabalho de gerar o ambiente propício para o início do diálogo de paz na Colômbia e irão promover ações de acompanhamento aos mais de 9500 presos e presas políticas, convocando a mais organizações de mulheres, e participar no mês de setembro da mobilização de mulheres pela paz com justiça social que será realizada na Colômbia.

• Os e as estudantes e jovens da América do Sul empreenderão com sua alegria e vitalidade a bela tarefa de trabalhar na Rede Latino-americana de Jovens e Estudantes pela paz na Colômbia, que começará suas ações nos próximos 8 e 9 de junho, dias em que se comemora a luta dos/das estudantes colombianos/as.

• Nos comprometemos a estar no Fórum Permanente pela Paz na Colômbia, transmitindo a voz dos movimentos sociais e populares pelos meios de comunicação das organizações, partidos políticos e centrais de trabalhadores/as.

• Os e as parlamentares reunidos/as no dia 25 de maio no contexto do fórum, farão uma declaração para ser assinada massivamente por parlamentares respaldando os diálogos de paz na Colômbia e a solicitação do cessar foto bilateral e apoiando o movimento social colombiano.

• Este fórum começa a organizar uma visita à Colômbia com brasileiros, argentinos, uruguaios e pessoas de outros países que queiram se somar, para realizar uma agenda de apoio ao movimento social colombiano. Esta visita estará organizada com atividades nas Zonas de Reserva Camponesas, com estudantes, trabalhadores/as e parlamentares. Se propõe que esta atividade seja realizada no próximo dia 13 de setembro no contexto da mobilização de mulheres pela paz na Colômbia.

• O fórum convida organizações sociais e populares, partidos políticos, mulheres, estudantes, juventudes, negritudes e povos indígenas a construir grupos amplos de solidariedade com a Colômbia.

• Aproveitamos este fórum para enviar uma mensagem de paz e amor a nosso querido povo da Palestina, a Euskal Erria e ao povo Curdo, que enfrentam há anos conflitos sociais e armados. Todas nossa solidariedade sempre será incluída em nossas mobilizações, ações ou declarações.

• Finalmente, há uma unanimidade em exigir que sejam restituídos os direitos políticos à extraordinária lutadora pelos direitos das mulheres e incansável construtora da paz, nossa amiga e companheira Piedad Córdoba.

Com essas propostas conseguimos avançar nos objetivos que traçamos como organizadores e organizadoras do Fórum pela Paz na Colômbia. Com a unidade do povo latino-americano para exigir o cessar fogo bilateral, a participação plena dos movimentos políticos e sociais na mesa de diálogos e o acompanhamento dos povos do continente e do mundo no processo de Paz com Justiça Social, Soberania e Democracia.

VIVA A PAZ COM JUSTIÇA SOCIAL NA COLÔMBIA!

VIVA A UNIDADE DO POVO LATINO-AMERICANO!

DAREMOS PELA PAZ COM DEMOCRACIA, JUSTIÇA SOCIAL E SOBERANIA ATÉ A ÚLTIMA GOTA DE NOSSOS SONHOS!

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/node/13041 )

Um passo na Mesa de Diálogo entre As Farc e Governo colombiano.

FARC fazem 49 anos um dia após acordo histórico com governo colombiano. Resolução na questão agrária repercutiu bem na população e obteve elogios de especialistas

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) comemoram nesta segunda-feira (27/05) 49 anos de existência um dia depois do anúncio de um acordo histórico com o governo sobre o tema agrário entre o governo e a guerrilha. As duas partes, ao término do nono ciclo de negociações que têm sido realizadas em Havana, Cuba, foi celebrado com o documento intitulado “Para um novo campo colombiano: reforma rural integral”.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, comentou os resultados em sua conta no microblog Twitter, utilizando um tom otimista, mas cauteloso. “Celebramos este passo fundamental em Havana, em direção a um pleno acordo para pôr fim a meio século de conflito. Continuaremos com o processo com prudência e responsabilidade”, escreveu.

Agência Efe (26/05)

Mesa de negociações em Havana, no dia em que guerrilha e governo anunciaram acordo na questão agrária

O acordo significará "o início de transformações radicais da realidade rural e agrária da Colômbia com equidade e democracia", segundo o comunicado conjunto.

O acordo foi divulgado em um ato formal no Palácio de Convenções de Havana, onde estiveram presentes os negociadores do governo e da guerrilha, e representantes dos países fiadores do processo (Cuba e Noruega) e dos acompanhantes (Venezuela e Chile).

Conteúdo

As partes chegaram a acordos sobre aspectos como o acesso e o uso da terra, as terras improdutivas, a formalização da propriedade, a fronteira agrícola e a proteção da Zona de Reserva, segundo um comunicado conjunto da mesa de negociação, lido pelos representantes dos países fiadores do processo de paz, Carlos Fernández de Cossío, de Cuba, e Dag Mylander, da Noruega.

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Também foi anunciado que o acordo busca o desenvolvimento econômico e social nas zonas rurais e a entrega de terras para os camponeses de baixa renda. Um dos objetivos também é "reverter os efeitos do conflito e que as vítimas do despojo e do deslocamento forçado sejam restituídas".

O governo e as FARC também conseguiram definir aspectos como programas de desenvolvimento com enfoque territorial, infraestrutura e adequação de terras e o fomento do desenvolvimento social no campo em áreas como saúde, educação, habitação e erradicação da pobreza.

O negociador-chefe das Farc, Iván Márquez, esclareceu, no entanto, que ficaram pendentes algumas "habilitações específicas" sobre o assunto, que será assumida por ambos os lados no final das negociações. "Nós fizemos um progresso na construção de um acordo, com exceções específicas, o que, necessariamente, têm de ser tomadas antes da decisão final sobre um acordo", disse Márquez, número dois da guerrilha.

O décimo ciclo do processo de paz será iniciado no dia 11 de junho com uma nova rodada que tratará o ponto da participação da guerrilha na vida política da Colômbia assim que a paz for alcançada.

Mais de 100 mil pessoas morreram e milhões foram deslocadas em consequência do conflito de guerrilha mais longo da América Latina, que atualmente está em intensidade baixa diante das discussões de paz realizadas em Cuba.

Repercussões

O presidente da Fundação Cultura Democrática, professor Álvaro Villarraga, comentou à Agência Brasil que o anúncio do acordo parcial é uma “boa notícia”. Ele disse que ainda que não seja possível saber com exatidão o que o acordo definiu, pelo resumo divulgado nos comunicados das Farc e do governo é possível avaliar a dimensão do que está sendo feito.

“Acredito que há vontade política para solucionar a questão agrária – cerne deste conflito que vivemos. Isto está claro nos discursos e nas reformas jurídicas que estão sendo preparadas, como a Lei de Vítimas e de Terras”, comentou.

(*) com informações da France Presse, Efe e Agência Brasil
Fonte: operamundi

Dia de Ação pela Guatemala denuncia assassinato de sindicalistas

Leonardo Severo,

de São Paulo (SP)

Convocado pela Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), o Dia de Ação pela Guatemala contra o assassinato de sindicalistas e a impunidade reuniu na sexta-feira (17) dezenas de militantes em frente ao consulado do país em São Paulo (SP) para cobrar o fim da barbárie contra os trabalhadores.

São 15 dirigentes sindicais assassinados anualmente no país, cuja população é de cerca de 15 milhões, instaurando uma cultura do terror que fez a taxa de sindicalização despencar para 1,6%, em meio às perseguições e ameaças, particularmente nas plantações de café e banana, que reproduzem um esquema feudal em prol das transnacionais.

Na oportunidade, o secretário geral da Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), Víctor Báez Mosqueira; o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, e o representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Josemar Andrade de Assis, entregaram ao cônsul honorário da Guatemala, Arthur Wolkovier, um manifesto cobrando ações imediatas para que se faça justiça, pondo fim à onda de assassinatos.

“Para pôr um ponto final nesses crimes e perseguições, é hora de ampliar a solidariedade do movimento sindical brasileiro e internacional em defesa da vida e dos direitos humanos dos trabalhadores guatemaltecos. Não podemos compactuar com a impunidade, que é uma prática de governos autoritários que atentam contra a liberdade”, afirmou João Felício.

Justiça

Conforme o dirigente cutista, “o exemplo guatemalteco de não coibir e não julgar os criminosos é extremamente nefasto e nocivo não só para a prática sindical, mas para a própria democracia, que se vê amordaçada”. “É uma quantidade enorme de assassinatos que tem o objetivo claro de calar a luta por direitos elementares dos trabalhadores como a negociação sindical e a convenção coletiva”, enfatizou.

Representando a Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Monica Valente alertou para o “clima de medo” que reina no país, “onde além do grande número de assassinatos de dirigentes sindicais e trabalhadores que lutam por seus direitos estão as ameaças de morte e de sequestro aos seus familiares”. “O sindicalista na Guatemala coloca a sua vida em risco. Recentemente foi assassinado o companheiro Carlos Hernandez, trabalhador da cultura ligado à ISP. E várias outras lideranças que lutam contra a privatização e a entrega dos serviços públicos continuam sendo mortas. Isso precisa acabar!”, condenou.

Com o objetivo de virar esta triste página, ressaltou Monica, o governo da Guatemala, “país que é atualmente o número um em assassinato de sindicalistas no mundo”, será denunciado na Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), no dia 5 de junho, em Genebra, na Suíça. “Também vamos denunciar e pressionar para que o país não tenha assento nas organizações internacionais, como a OMC. Como disse o companheiro João Felício, precisamos cobrar respeito a direitos básicos dos trabalhadores”, frisou.

Para Josemar Andrade de Assis, da UGT, “providências são necessárias e inadiáveis, pois as lideranças sindicais da Guatemala estão sofrendo à bala, pagando com a própria vida a decisão de lutar pelos direitos da classe trabalhadora”.

Greve de fome

Diante de “tantos e tão graves atropelos”, o secretário geral da CSA, Víctor Báez Mosqueira, disse que se colocava à disposição do movimento “para realizar uma greve de fome com o intuito de sensibilizar a opinião pública internacional e ampliar a denúncia, a fim de que os responsáveis pelos crimes sejam punidos”.

Para Víctor, “a mais absoluta impunidade” que reina na Guatemala é o caldo de cultura para que os assassinatos de lideranças dos movimentos de trabalhadores se multipliquem, jogando ao piso as taxas de sindicalização, “devido ao clima de terror”.

Infelizmente, lembrou, apesar das ações da CSI (Confederação Sindical Internacional) e da CSA, que já realizaram várias manifestações de solidariedade e, inclusive, duas conferências internacionais contra a impunidade na Guatemala, “que trouxeram à luz a violência antissindical no país, a situação de desrespeito aos direitos humanos e a criminalização dos protestos se agravaram”.

Fonte: Brasil de Fato ( http://www.brasildefato.com.br/node/12970 )

Operação Condor: laço entre Videla e Geisel é revelado

Operação Condor: laço entre Videla e Geisel é revelado em investigação sobre morte de Goulart

Ditadores argentino e brasileiro trocaram cartas antes e depois da morte do presidente derrubado por um golpe militar

Jorge Videla cumpriu o papel que dele se esperava na Operação Condor, o pacto terrorista que há 27 anos ocupou um capítulo importante na agenda argentina com o Brasil. O ditador Ernesto Geisel recebeu de bom grado a “nova” política externa do processo de reorganização nacional (e internacional), tal como se lê nos documentos, em sua maioria secretos, até hoje, obtidos pela Carta Maior.

“Foi com a maior satisfação que recebi, das mãos do excelentíssimo senhor contra-almirante César Augusto Guzzetti, ministro de Relações Exteriores, a carta em que Sua Excelência teve a gentileza de fazer oportunas considerações a respeito das relações entre nossos países...que devem seguir o caminho da mais ampla colaboração”.

A correspondência de Ernesto Beckman Geisel dirigida a Videla exibe uma camaradagem carregada de adjetivos que não era característico desse general, criado numa família de pastores luteranos alemães.

“O Brasil, fiel a sua História e ao seu destino irrenunciavelmente americanista, está seguro de que nossas relações devem basear-se numa afetuosa compreensão...e no permanente entendimento fraterno”, extravasa Geisel, o mesmo que havia reduzido a quase zero as relações com os presidentes Juan Perón e Isabel Martinez, quando seus embaixadores na Argentina pareciam menos interessados em visitar o Palácio San Martin do que frequentar cassinos militares, trocando ideias sobre como somar esforços na “guerra contra a subversão”.

A carta de Geisel a Videla, de 15 de dezembro de 1976, chegou a Buenos Aires dentro de uma “mala diplomática”, não por telefone, como era habitual. No documento consta “secreto e urgentíssimo”, ao lado dessa nota.

Em 6 de dezembro de 1976, nove dias antes da correspondência de Geisel, o presidente João Goulart havia morrido, em seu exílio de Corrientes, o qual, de acordo com provas incontestáveis, foi um dos alvos prioritários da Operação Condor no Brasil, que o espionou durante anos na Argentina, no Uruguai e na França, onde ele realizava consultas médicas por causa de seu problema cardíaco.

Mais ainda: está demonstrado que, em 7 de dezembro de 1976, a ditadura brasileira proibiu a realização de necropsia nos restos do líder nacionalista e potencial ameaça, para que não respingassem em Geisel a parada cardíaca de origem incerta.

Não há elementos conclusivos, mas suspeitas plausíveis, de que Goulart foi envenenado com pastilhas misturadas entre seus medicamentos, numa ação coordenada pelos regimes de Brasília, Buenos Aires e Montevidéu, e assim o entendeu a Comissão da Verdade, da presidenta Dilma Rousseff, ao ordenar a exumação do corpo enterrado na cidade sulista de São Borja, sem custódia militar, porque o Exército se negou a dar-lhe há 10 dias, depois de receber um pedido das autoridades civis.

Carta

Geisel escreveu em resposta a outra carta, de Videla (de 3 de dezembro de 1976), na qual ele se dizia persuadido de que a “Pátria...vive uma instância dinâmica no plano das relações internacionais, particularmente em sua ativa e fecunda comunicação com as nações irmãs”.

“A perdurável comunidade de destino americano nos assinala hoje, mais do que nunca, o caminho das realizações compartilhadas e a busca das grandes soluções”, propunha Videla, enterrado junto aos crimes secretos transnacionais sobre os quais não quis falar perante o Tribunal Federal N1, onde transita o mega processo da Operação Condor.

Os que estudaram essa trama terrorista sul-americana sustentam que ela se valeu dos serviços da diplomacia, especialmente no caso brasileiro, onde os chanceleres teriam sido funcionais aos imperativos da guerra suja. Portanto, esse intercâmbio epistolar enquadrado na diplomacia presidencial de Geisel e Videla, pode ser lido como um contraponto de mensagens cifradas sobre os avanços do terrorismo binacional no combate à resistência brasileira ou argentina. Tudo em nome do “interesse recíproco de nossos países”, escreveu Videla.

Em dezembro de 1976, 9 meses após a derrubada do governo civil, a tirania argentina demonstrava que, além de algumas divergências geopolíticas sonoras com o sócio maior, havia de fato uma complementariedade das ações secretas “contra a subversão”. Assim, pouco após a derrubada de Isabel Martínez, o então chanceler brasileiro e antes embaixador em Buenos Aires, Francisco Azeredo da Silveira, recomendou o fechamento das fronteiras para colaborar com Videla, para impedir a fuga de guerrilheiros e militantes argentinos.

Por sua parte, Videla, assumindo-se como comandante do Condor celeste e branco, autorizava o encarceramento de opositores brasileiros, possivelmente contando com algum nível de coordenação junto aos adidos militares (os mortíferos “agremiles”) destacados no Palácio Pereda, a mansão de linhas afrancesadas onde tem sede a missão diplomática na qual, segundo versões, havia um número exagerado de armas de fogo.

Entre março, mês do golpe, e dezembro de 1976, foram sequestrados e desaparecidos na Argentina os brasileiros Francisco Tenório Cerqueira Júnior, Maria Regina Marcondes Pinto, Jorge Alberto Basso, Sergio Fernando Tula Silberberg e Walter Kenneth Nelson Fleury, disse o informe elaborado pelo Grupo de Trabalho Operação Condor, da Comissão da Verdade. O organismo foi apresentado por Dilma perante rostos contidamente iracundos dos comandantes das Forças Armadas, os únicos, entre as centenas de convidados para a cerimônia, que evitaram aplaudi-la.

Ao finalizar o ato realizado em novembro de 2011, o então secretário de Direitos Humanos argentino Eduardo Luis Duhalde, declarava a este site que um dos segredos melhor guardados da Operação Condor era a participação do Brasil e a sua conexão com a Argentina, e que essa associação delituosa só será revelada quando Washington liberar os documentos brasileiros com a mesma profusão com que liberou os documentos sobre a Argentina e o Chile.

Pistas diplomáticas

Averiguar até onde chegou a cumplicidade de Buenos Aires e Brasília será mais difícil depois do falecimento de Videla, mas não há que se subestimar as pistas diplomáticas.

Em 6 de agosto de 1976, um telefonema “confidencial” elaborado na embaixada brasileira informa aos seus superiores que o ministro de Relações Exteriores Guzzetti falou sobre a “nova” política externa vigente desde que “as forças armadas assumiram o poder” e a da vocação de aproximar-se mais do Brasil, após anos de distanciamento.

Ao longo de 1976, os chanceleres Azeredo da Silveira e Guzzetti mantiveram reuniões entre si e com o principal fiador da Condor, Henry Kissinger que, segundo os documentos que vieram a público há anos a pedido do “Arquivo Nacional de Segurança” dos EUA, recomendou a ambos ser eficazes na simulação no trabalho de extermínio dos inimigos.

“Nós desejamos o melhor para o novo governo (Videla)...desejamos seu êxito...Se há coisas a fazer, vocês devem fazê-las rápido...”, recomendou o Prêmio Nobel da Paz estadunidense, ao contra-almirante e chanceler Guzzetti, em junho de 1976.

Fonte: Carta Maior ( http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22068 )

Tortura era praticada na ditadura militar antes da luta armada

Tortura era praticada na ditadura militar antes da luta armada, diz Comissão da Verdade

Luciano Nascimento
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Comissão Nacional da Verdade informou que a tortura passou a ser prática sistemática da ditadura militar logo após o golpe, em 1964. Durante o balanço de um ano de atividades, os integrantes da comissão desmentiram a versão de que a prática tenha sido efetivada em resposta à luta armada contra a ditadura, iniciada em 1969.

“A prática da tortura no Brasil como técnica de interrogatório nos quartéis é anterior ao período da luta armada, ela começa a ser praticada em 1964”, disse a historiadora Heloísa Starling, assessora da comissão. "O que é importante notar é que ao contrário do que supunha boa parte da nossa bibliografia, o que nós temos é a tortura sendo introduzida como padrão de interrogação nos quartéis em 64 e explodindo a partir de 69," argumentou.

O balanço divulgado pela comissão considera que o uso da violência política permitiu ao regime construir um Estado sem limites repressivos. “Fez da tortura força motriz da repressão no Brasil. E levou a uma política sistemática de assassinatos, desaparecimentos e sequestros.”

A comissão revelou ainda que a Marinha ocultou informações sobre mortes na ditadura, quando foi questionada em 1993 pelo governo Itamar Franco.

De acordo com levantamentos da Comissão da Verdade, cerca de 50 mil pessoas foram presas só no ano de 1964, em operações nos estados da Guanabara (atual Rio de Janeiro), de Minas Gerais, de Pernambuco, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. A comissão identificou prisões em massa em navios-presídios.

A comissão também relatou ter identificado 36 centros de tortura em sete estados, inclusive em duas universidades - na Universidade Federal do Recife e na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. “Nós identificamos que as pessoas foram presas dentro dos campus da universidade e as práticas de violência ocorreram dentro do campus”, disse Heloísa Starling.

A historiadora disse que a comissão está no caminho de desmontar a tese de que a tortura foi praticada sem o consentimento do alto escalão militar. Ela apresentou um organograma de 1970, ano de criação do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi), que mostra que as informações sobre o que ocorria no órgão eram de conhecimento do alto escalão do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Toda a bibliografia, segundo a assessora, mostra que a estrutura de comando vai até o segundo nível, onde está o Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), Centro de Informações do Exército (CIE) e o Centro de Informações da Marinha. “É muito pouco provável que o general Médici [presidente Emílio Garrastazu Médici] não recebesse informações do seu ministro mais importante, que era o ministro do Exército, Orlando Geisel”, disse.

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: Agência Brasil ( http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-21/tortura-era-praticada... )

Governo Videla queimava corpos de opositores em hospitais

Governo Videla queimava corpos de opositores em fornos de hospitais, mostra documento secreto no Brasil

Morreu o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla. Tirano com viés nazistoide, o general acumulou perversidades em seus tempos de poder, quando, só para lembrar, trocava salamaleques com o presidente da Fifa, João Havelange.

Ao contrário do que muita gente pensa, não foram abertos os arquivos da repressão argentina. Os acervos de 1976 a 83 foram destruídos ou escondidos. Sumiram. Restaram muito poucos documentos do horror.

Acabei por descobrir no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro uma preciosidade histórica: um relatório da Força Aérea Brasileira, da época da “nossa” ditadura, nítida tradução de original argentino, dando conta de um “problema” em 1977. A ditadura vizinha atirava corpos mutilados de oposicionistas no rio da Prata, mas os cadáveres desaguavam no Uruguai, causando constrangimentos. A “solução”: passaram a cremá-los em fornos de hospitais.

O documento foi revelado na “Folha de S. Paulo” em maio de 2000. No dia seguinte, o jornal “Página 12”, de Buenos Aires, noticiou a matéria e tascou o título na capa: “Auschwitz argentino”. Eis a íntegra da reportagem que escrevi:

*

O regime militar da Argentina (1976-83) sumia com os corpos de opositores de esquerda assassinados pelas forças de repressão jogando-os no rio da Prata ou cremando-os em fornos de hospitais públicos.
Essa afirmação consta do informe confidencial nº 013/A-2 do 3º Comar (Comando Aéreo Regional), da Aeronáutica.
O relatório foi escrito num formulário do Cisa (Centro de Informações da Aeronáutica) no dia 11 de agosto de 1977, com o título “Evolução da Luta Anti-subversiva na Argentina – Período de Janeiro a Maio de 1977″.
A Folha encontrou uma cópia guardada no Arquivo Público do Estado do Rio. Sobre o papel, foi impresso o carimbo “Ministério da Aeronáutica, 2ª Seção do Estado-Maior, 3º Comando Aéreo Regional”.
O último parágrafo do texto de duas páginas diz: “Dado que o lançamento de cadáveres no estuário do rio da “Plata” causa, vez por outra, problemas no Uruguai, com o aparecimento de corpos mutilados nas praias, estão sendo empregados fornos crematórios de hospitais estatais para cremação de subversivos abatidos”.
Informado ontem pela Folha sobre a existência do relatório da Aeronáutica, o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, Jair Krischke, disse que essa é a primeira vez que aparece, no Brasil ou na Argentina, um documento relatando os métodos de desaparecimento de militantes argentinos.
“No Brasil, nunca se conheceu um documento sobre isso”, disse Krischke. “Na Argentina, o que existiram foram depoimentos de pessoas que participaram da repressão. Não vieram a público documentos dos órgãos de informação falando a respeito dos desaparecimentos.”
Krischke lembrou um livro de um ex-integrante do aparato repressivo argentino contando que corpos de oposicionistas eram jogados no mar. “Mas não havia documentos.”
O informe da Aeronáutica dá mais pistas sobre o fenômeno do sumiço de corpos na Argentina: “A imprensa noticia que, entre 1º de janeiro e 31 de maio (de 1977), foram abatidos 325 subversivos, número este que está muito aquém da realidade, pois, somente em confrontos, entre 24 e 29 de maio, mais de cem subversivos foram mortos, tendo sido noticiados apenas 32″.
O que o relatório indica é o seguinte: em cinco dias, no máximo uma em cada três mortes se tornou pública.
Os outros dois terços podem não ter tido as mortes registradas, com o consequente desvio dos corpos.
Há vários indícios de que a fonte dos detalhes apresentados pelo 3º Comar foram órgãos repressivos argentinos. No começo, o texto registra que “esta agência tomou conhecimento e difunde o seguinte informe”.

Portunhol

O rio da Prata é chamado de “Plata”, em espanhol. O líder da Juventude Universitária Peronista José Pablo Ventura, “abatido”, não é descrito como líder ou cabeça da organização, mas como “cabecilha”, do castelhano “cabecilla”.
Outra militante assassinada (“abatida”, para os militares brasileiros) foi Norma Inês Cerrota, “responsável sindical” da Coluna Sul do maior grupo de guerrilha argentino, os Montoneros.
“Responsável sindical”, tradução literal de nomenclatura empregada pela esquerda em francês e espanhol, significa “líder sindical” no Brasil.
Com entusiasmo, a Aeronáutica afirma que “os grandes êxitos que vêm alcançando as Forças Armadas e de segurança são derivados, em parte, do grande número de subversivos (cerca de 200 no último mês) que desertaram e se apresentaram àquelas forças, que deles obtêm informações sobre os movimentos dos subversivos, em troca de garantia de suas vidas”, conforme o documento.
A Argentina foi o país do Cone Sul com maior número de desaparecimentos políticos nas ditaduras militares.
A Comissão Nacional de Desaparecidos comprovou 8.961 casos, de acordo com Jair Krischke.
A organização Mães da Praça de Maio e outras entidades de defesa dos direitos humanos estimam o número em 30 mil.
A colaboração entre o regime militar do Brasil (1964-85) e o da Argentina foi intensa.
No sábado, a Folha publicou uma lista de 149 argentinos procurados em território brasileiro, em 1976, a pedido do governo daquele país.
Em 1975, foi criada a Operação Condor, uma ação conjunta de combate a militantes de esquerda que reuniu os governos militares de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia.
Antes da Condor já havia colaboração intensa entre as Forças Armadas da América do Sul.

Fonte: Blog do Mário Magalhães ( http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2013/05/17/governo-vid... )

Ex-ditador Jorge Videla, morre aos 87 anos

Morre Jorge Videla, o maior genocida da América Latina

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla morreu de causas naturais, na Penitenciária Marcos Paz. Ele cumpria pena de prisão perpétua por crimes de lesa-humanidade. (Foto AFP)

"O inferno é pouco", definiu o jornal argentino Página 12, sobre a morte do ditador Jorge Videla; responsável por milhares de assassinatos, pelos quais foi condenado a prisão perpétua, Videla morreu de causas naturais aos 87 anos, na Penitenciária Marcos Paz; ele próprio admitiu a responsabilidade pelas "mortes e desaparecimentos de entre 7 mil e 8 mil pessoas" durante seu governo.

"Tenho peso na alma, mas não estou arrependido de nada", declarou; líder político carrega nas costas também o comando da trágica Guerra das Malvinas e a conquista da Copa roubada da Argentina em 1978.

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla morreu nesta sexta-feira (17), às 6h30, de causas naturais, na Penitenciária Marcos Paz. Ele cumpria pena de prisão perpétua por crimes de lesa-humanidade.

Videla, que tinha 87 anos, presidiu a Argentina no período de 1976 a 1981. Ele foi o líder do golpe de 24 de março de 1976. Quando a democracia foi restabelecida no país, em 1993, o ex-ditador e outros membros das juntas militares que governaram o país foram processados por crimes contra a humanidade. Videla foi condenado à prisão, mas acabou sendo anistiado no governo Carlos Menen.

Em 2003, Néstor Kirchner assumiu a Presidência da Argentina e revogou as leis de anistia em vigor no país. Com isso, Videla foi novamente processado. Em dezembro de 2010, ele foi condenado à prisão perpétua. A pena, desta vez, teve de ser cumprida em cela comum e não mais em uma prisão militar.

O ex-ditador foi acusado de ser o responsável pelo desaparecimento de pessoas e por roubos de bebês. Essas crianças eram filhos de desaparecidos, e nasceram em cativeiro ou foram sequestradas enquanto estavam com os pais e entregues para adoção, muitas vezes a famílias ligadas ao regime.

Cerca de 30 mil pessoas desapareceram na ditadura argentina, segundo organizações de direitos humanos. Até os últimos dias de vida, Videla defendeu a atuação dos militares na ditadura. Para ele, a "guerra suja" era necessária contra a guerrilha armada. O ex-ditador nunca informou o paradeiro dos corpos dos desaparecidos nem dos bebês sequestrados.

Com informações da Agência Brasil e Brasil 247
Fonte: Patria Latina -online

Guantánamo: o horror forçou detentos à greve de fome

Enquanto o protesto ameaça ceifar vidas, a repulsa mundial cresce diante da sina dos prisioneiros e Obama enfrenta intensa pressão para agir

Quando os médicos militares na baía de Guantánamo, em Cuba, alimentam à força o prisioneiro Fayiz al-Kandari com um tubo enfiado em seu estômago, há três etapas de dor.

Primeiro, a sensação do tubo passando próximo aos seios faciais enquanto é empurrado pelo nariz e pela garganta, o que faz seus olhos lacrimejarem. Depois há uma intensa sensação de queimação e sufocamento enquanto o objeto passa pela garganta. Finalmente, quando o tubo entra no estômago, há uma forte ânsia de vômito.

A experiência, descrita por al-Kandari para seu advogado, Carlos Warner, tem uma última implacável humilhação. Quando o tubo despeja o alimento em seu estômago, provoca o momento mais doloroso de todos: o retorno da sensação de fome. "Ele diz que isso talvez seja o pior", conta Warner.

Al-Kandari é um dos pelo menos 100 homens em greve de fome no polêmico campo de prisioneiros terroristas dos Estados Unidos em Cuba. Desse número, cujo protesto de dois meses provocou manchetes em todo o mundo, 21 estão sendo obrigados a alimentar-se à força para continuarem vivos.

Como outros 85 dos 166 detidos no campo, al-Kandari foi liberado para soltura, mas continua sendo detido sem acusação. O horrível sofrimento de muitos desses homens -- presos sem julgamento há mais de uma década, em muitos casos, e liberados mas não libertados -- gerou uma onda de repulsa em todo o mundo, enquanto a greve de fome ganhava força.

A Cruz Vermelha Internacional protestou contra o tratamento e as condições dos presos. Um grupo de autoridades de direitos humanos da ONU exigiu o fim da alimentação forçada, alegando ser uma forma de tortura. "Os grevistas deveriam ser protegidos de todo tipo de coerção, ainda mais quando isso é feito por meio da força e, em alguns casos, de violência física", disse o grupo em uma declaração na última semana.

Raramente na década que se passou desde que Guantánamo se tornou um campo de prisioneiros fora de jurisdição para supostos militantes islâmicos capturados na "guerra ao terror", a base americana apareceu com tanto destaque nas manchetes. Os manifestantes famintos levaram a existência do campo para todo o noticiário nos EUA, forçando Barack Obama a voltar a prometer que vai fechá-lo. "A ideia de que manteríamos para sempre um grupo de indivíduos que não foram julgados é contrária a quem nós somos. Isso é contrário aos nossos interesses, e precisa parar", disse o presidente dos EUA em uma entrevista coletiva.

Muita gente concordaria com ele. Mas não é fácil. Apesar da crescente pressão e do desejo de Obama em fechar a base, os EUA estão descobrindo que a existência de Guantánamo e seus manifestantes miseráveis e famintos não pode ser resolvida tão facilmente.

Já em janeiro de 2004, um relatório operacional da Cruz Vermelha fez uma observação sobre o impacto psicológico que o conceito de detenção indefinida tinha sobre os prisioneiros do campo. Ele revelou que tinha-se "observado uma preocupante deterioração na saúde psicológica de grande número deles".

Isso foi há nove anos. Não admira que os que continuam lá -- ainda sem perspectivas de libertação ou julgamento -- tenham entrado em greve de fome para mudar seu destino. A Cruz Vermelha observa de perto a situação atual. Segundo uma fonte, "as greves de fome são um reflexo do desespero de indivíduos que não têm perspectiva clara de seu futuro. A incerteza é o que está levando a isto".

Surpreendentemente, porém, a greve não começou especificamente por causa dessas questões. Nem envolveu de imediato um grande número de detidos. As declarações de prisioneiros transmitidas por seus advogados e liberadas para divulgação pelas autoridades militares da base, mostram que em 6 de fevereiro houve uma intensa varredura nas acomodações dos prisioneiros no campo 6 da base.

Os internos tiveram de sair, e artigos pessoais como cartas, escovas de dente e livros foram vasculhados e às vezes confiscados. Alguns prisioneiros afirmaram que seus exemplares do Corão foram manipulados de modo errado pelos guardas -- uma alegação insistentemente negada pelos militares.

Seja qual for a verdade, foi demais para alguns. O prisioneiro afegão Obaidullah disse em uma declaração obtida pela Anistia Internacional: "Eu não tinha participado de greves de fome ou organizado protestos antes, mas os últimos atos nos campos me desumanizaram, por isso decidi entrar em ação. Onze anos de minha vida foram tirados de mim e agora, com os últimos atos das autoridades, também tiraram minha dignidade e desrespeitaram minha religião."

A greve de fome começou a se espalhar. Durante esse tempo, advogados relataram que um número crescente de detidos estava protestando: alguns recusavam totalmente alimentos, outros deixavam de comer em grau menor. As autoridades militares minimizaram o problema.

Em um depoimento ao Congresso em março, o general John Kelly só admitiu que 24 prisioneiros de Guantánamo estavam em "greve de fome leve" e comendo "um pouco, mas não muito". Alguns deles, confessou o general, estavam sendo alimentados à força, mas "se apresentam diariamente, em calma, de maneira totalmente cooperativa, para serem alimentados por um tubo". Ele chegou a acrescentar que suspeitava que alguns deles levassem lanches escondidos quando voltavam para suas celas.

Conforme cresciam as manchetes, e também o número de grevistas, tornou-se impossível levar a situação levianamente. Então, em 13 de abril, começou a repressão. Para quebrar a greve, os guardas aparentemente tentaram forçar uma política de colocar os grevistas de fome em acomodações individuais, longe das partes comunitárias do campo. Alguns resistiram e a violência irrompeu, com os militares disparando a chamada munição "não letal" diversas vezes e ferindo vários prisioneiros.

Younous Chekkouri, falando por telefone com um advogado da instituição de direitos humanos Reprieve, descreveu que os guardas usaram gás lacrimogêneo e "espingardas com pequenas balas [de borracha]" para dominar um protesto pacífico depois que os guardas descobriram câmeras dentro das celas. "Os guardas estavam assustados, estavam prontos para usar armas, usar a força, foi muito assustador", disse ele.

Al-Kandari também descreveu a cena, incluindo a visão de "muitas" pessoas atingidas pelas "balas de borracha" que eram usadas pelos guardas. "As mãos de todos foram atadas às suas costas e os homens foram deixados no chão durante seis horas na posição de rosto para baixo. Suas roupas estavam empapadas de spray de pimenta", disse em um telefonema para seu advogado.

Agora a crise havia se agravado tanto que, em meio a advertências de que alguém poderia morrer, uma equipe médica militar de 40 pessoas foi levada à base no início da semana passada, para realizar a alimentação forçada e manter os prisioneiros vivos.

Omar Farah, um advogado do Centro para Direitos Constitucionais, baseado em Nova York, visitou pessoalmente vários detidos na semana passada na prisão, incluindo Fahd Ghazy. Ele ficou chocado com o que viu. "Fahd parecia ter perdido cerca de um quarto de seu peso corporal", relatou, descrevendo outros detidos cujas mãos tremiam de fraqueza e eram incapazes de realizar tarefas simples como levantar uma garrafa de água. "Fiquei chocado com a ruína física que vi."

Um homem mais que qualificado para falar sobre o que deveria acontecer em Guantánamo é o coronel Morris Davis, ex-promotor-chefe nas comissões militares do campo. Ele serviu lá durante dois anos, vendo as acusações feitas contra o militante australiano David Hicks e Salim Hamdan, que foi motorista de Osama bin Laden. Ele se orgulha do tempo que passou na base -- embora tenha sido demitido em 2007 depois que comandantes quiseram usar as evidências obtidas por meio da técnica de tortura por afogamento.

Mas Davis hoje é um crítico declarado da base militar. "Por mais ilógico que pareça o suicídio, ficar lá pelo resto de suas vidas provavelmente o faz parecer uma opção racional", disse. Davis lançou vários abaixo-assinados para que o governo Obama feche a base. Mas ele se recusa a ser otimista. "Não posso acreditar que estamos aqui, em 2013, ainda falando sobre isso."

Tudo o que há são palavras. O próprio Obama reconheceu na semana passada que a base é um desastre de publicidade para os Estados Unidos -- há poucas ferramentas de recrutamento melhores [para os terroristas] que o conhecimento de que tantas pessoas estão detidas há tanto tempo sem acusação. Mas, mesmo enquanto repetia sua promessa não cumprida da campanha de 2008 de fechar a base, o democrata deixou claro que buscaria o apoio do Congresso para isso.

É o estilo do presidente buscar a parceria com seus adversários republicanos, mas é exatamente o caminho que o impediu de fechar a base em seu primeiro ano no cargo. Muitos republicanos, que controlam a Câmara dos Deputados, são implacavelmente contra libertar qualquer prisioneiro ou mudá-los para instalações seguras em território americano.

É algo que Davis não pode compreender. "Eles dizem: 'Não podemos cuidar de todas essas pessoas perigosas e malucas'. Mas eu posso lhe dizer que nosso sistema prisional já cuida muito bem de milhares de pessoas perigosas e malucas", ressaltou. De fato, todos os principais casos recentes de terrorismo -- desde os bombardeios em Boston no mês passado até a tentativa de um carro-bomba em Times Square vários anos atrás -- entraram no sistema da justiça civil dos EUA.

Obama poderia facilmente tomar medidas concretas de imediato e sem o apoio dos republicanos. Ativistas de direitos humanos e grupos de defesa legal lhe pediram para nomear uma autoridade para cuidar do problema. Eles dizem que o presidente poderia suspender a proibição de enviar prisioneiros liberados para a libertação no Iêmen -- um aliado americano cujo governo insiste que os receberia. Esse ato por si só poderia liberar dezenas de detidos do campo, incluindo al-Kandari. "Os homens estão além da conversa. Precisamos retomar as transferências", disse Farah.

Mas para fazê-lo Obama terá de assumir o risco de agir sozinho, expondo-se a acusações de não ser firme com o terrorismo depois do atentado em Boston e com a aproximação das eleições intermediárias de 2014. Para muitos observadores, isso seria esperar que Obama dê um passo grande demais. Mas mesmo que ele fechasse o campo, libertasse os absolvidos e levasse os outros detidos para uma prisão de segurança máxima nos EUA, e depois?

Os que permanecerem sob custódia dos EUA ainda ficariam detidos indefinidamente sem julgamento, uma clara violação dos direitos humanos. Afinal, esses homens que protestam desesperadamente não estão recusando alimentação simplesmente para trocar o ar tropical de Cuba por uma cela gelada em Illinois. Eles querem que seus casos sejam processados, não apenas uma mudança do cenário vislumbrado por trás das grades.

E assim os grevistas de Guantánamo continuarão famintos. Parece quase uma tragédia kafkiana, misturando burocracia e política em uma combinação que poderá ser letal. Como contou Warner que al-Kandari lhe disse: "Eles não vão nos julgar. Eles não vão nos deixar viver em paz e não vão nos deixar morrer em paz".

Fonte: Carta Capital ( http://www.cartacapital.com.br/internacional/como-o-horror-de-guantanamo... )

Justiça eleitoral venezuelana - auditoria ao vivo pela internet

Justiça eleitoral venezuelana transmite auditoria ao vivo pela internet

Leandra Felipe
Correspondente da Agência Brasil/EBC

Bogotá - O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela iniciou hoje (14) a transmissão ao vivo, via internet, da auditoria de "verificação cidadã" nos 46% das urnas ainda não auditados após as eleições presidenciais.

De acordo com uma nota divulgada pelo conselho, a transmissão será feita de forma contínua. Nos primeiros dias do processo, o CNE informou que encontrou 99,98% de coincidência entre os comprovantes de votação e as atas de escrutínio. Além disso, o resultado também coincide com o contabilizado pelo Centro Nacional de Totalização.

Os técnicos do CNE e das organizações políticas já auditaram 355 mesas de votação, com um total de 147.216 comprovantes verificados. A solicitação para verificar todas as urnas foi feita pela oposição, liderada pelo candidato derrotado nas eleições, o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles.

Apesar de haver solicitado e ter liderado protestos no país, alegando a existência de irregularidades nas eleições, Capriles não aceitou o modelo de auditoria. Segundo ele, era necessário verificar também os cadernos de votação com os nomes dos eleitores que compareceram às sessões.

A oposição também exigia a recontagem manual dos votos, mas segundo o CNE a norma eleitoral venezuelana não contempla esse tipo de verificação. Capriles apresentou um pedido de impugnação das eleições presidenciais. A demanda está sendo analisada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a Corte Constitucional venezuelana.

De acordo com o cronograma do Poder Eleitoral, a verificação está prevista para terminar no começo de junho, com auditoria diária de 350 caixas de resguardo (que guardam os comprovantes impressos com os votos digitados pelos eleitores) e 10.500 votos. A transmissão online da auditoria pode ser acompanhada pelo link http://www.movipbox.com/nuevo/embed/cne.html.

Edição: Davi Oliveira

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Fonte: Agência Brasil ( http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-14/justica-eleitoral-ven... )

Governo colombiano pagava recompensa aos militares por mortes

Governo colombiano pagava recompensa aos militares por guerrilheiros mortos

Leandra Felipe
Correspondente da Agência Brasil/EBC

Bogotá – Os chamados de “falsos positivos” - os casos de execuções extrajudiciais na Colômbia – foram revelados entre 2008 e 2009. As mortes tiveram a participação de integrantes do Exército colombiano. Adolescentes e jovens civis, com faixa etária entre 16 e 33 anos, foram mortos sob a alegação de que estavam em combate e que pertenciam a grupos armados ilegais, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A partir de 2005, uma diretiva do Ministério da Defesa do país, na época governado por Álvaro Uribe, intensificou a premiação dos resultados militares no marco do conflito armado. A Diretiva 29 de 2005 determinava prêmios em dinheiro e promoções aos militares que apresentassem mortes de guerrilheiros em combate.

As chamadas Mães de Soacha lutam para esclarecer a morte de 17 jovens da cidade, conhecida por abrigar milhares de deslocados internos pelo conflito armado. As famílias dos jovens assassinados dizem que as vítimas não atuavam na guerrilha, não estavam envolvidos no conflito armado e também não praticavam a delinquência comum.

Os processos judiciais em andamento na Justiça colombiana apontam que os militares envolvidos vestiram os jovens após a execução com uniformes de guerrilheiros e deixavam instrumentos usados em combate juntos aos corpos, como granadas e armas.

As investigações comprovaram que a troca de roupa por uniforme militar era feita após a morte dos jovens. Entre os principais indícios estão a ausência de marca de tiro nas roupas, que pareciam novas; os calçados vestidos com os lados trocados; e muitas vezes com número maior que o do corpo.

Em Soacha, há 19 casos registrados de vítimas de falsos positivos, mas o governo colombiano estima que ocorreram 4.716 casos de execuções extrajudiciais no país, de 2002 até agora.

O atual presidente, Juan Manuel Santos, prometeu apoio às Mães de Soacha para esclarecer a verdade sobre os assassinatos. Alguns casos registrados ocorreram quando ele era ministro da Defesa de Álvaro Uribe.

Edição: Davi Oliveira

Fonte:
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O Paraguai de sempre

Agora tudo voltou aos eixos. Foi eleito presidente um candidato do Partido Colorado, o mesmo que durante décadas sufocou o país em violência, corrupção e fraudes. Ele se chama Horacio Cartes*. É um empresário polêmico, muitas vezes milionário, totalmente inexperiente (bem, é verdade que presidiu um clube de futebol, mas na política, nada) e com uma constrangedora lista de denúncias que vão de lavagem de dinheiro a contrabando de cigarros. Aos 56 anos, nunca havia votado na vida. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Eric Nepomuceno

Fernando Lugo, defenestrado da presidência paraguaia no ano passo graças a um insólito golpe parlamentar – foi julgado e condenado em 48 horas, sem tempo de defesa –, foi um tão fugaz como inconsistente. Aquilo que parecia, no início, um furacão de esperanças de mudança acabou transformado em brisa. Os frágeis movimentos destinados a mudar, ainda que só um pouco, o rosto deformado de um país injusto e apodrecido, não deram em nada.

Agora tudo voltou aos eixos. Foi eleito presidente um candidato do Partido Colorado, o mesmo que durante décadas sufocou o país em violência, corrupção e fraudes. Ele se chama Horacio Cartes. É um empresário polêmico, muitas vezes milionário, totalmente inexperiente (bem, é verdade que presidiu um clube de futebol, mas na política, nada) e com uma constrangedora lista de denúncias que vão de lavagem de dinheiro a contrabando de cigarros. Aos 56 anos, nunca havia votado na vida.

Esse desnecessário reforço para a imagem negativa do Paraguai obteve ampla maioria de votos, suficiente para assegurar o controle de um Congresso escorregadio. O mais surpreendente disso tudo foi o caudaloso volume de votos que o novo presidente levantou entre o eleitorado mais jovem, e não só no interior mais isolado e menos desenvolvido.

O tempo gasto por Cartes para deixar a presidência do clube Libertad e chegar à presidência do país foi de escassos três anos. Gastou do próprio bolso pelo menos 20 milhões de dólares na campanha presidencial. Para ele, isso significa um ou dois amendoins: sua fortuna é calculada em pelo menos dez vezes mais.

É um conservador puro sangue. Tem um conglomerado de 25 empresas, entre elas um banco poderoso. Foi investigado no Brasil por suspeita de contrabando de cigarros. Durante quatro anos, ainda em tempos de Alfredo Stroessner, foi um foragido da Justiça: vendia no mercado negro os dólares comprados a preços preferenciais para comprar insumos agrícolas. Também foi investigado por Washington, mas não pelas suas relações políticas: havia indícios (não comprovados até hoje) de relações com narcotraficantes. Essa fina flor virou presidente de um país de miseráveis.

Em setembro de 2009 afiliou-se ao Partido Colorado, no impulso de duas de suas características: poder de decisão rigoroso e contas bancárias imensas. Os estatutos do partido diziam que, para ser candidato presidencial, era preciso estar afiliado há pelo menos dez anos. Ele resolveu convocar uma convenção nacional e, ao amparo de forte distribuição de benesses, reformou o estatuto, baixando a exigência para um ano só. Naquela época o ex presidente Nicanor Duarte afirmou, com todas as letras, que com a chegada de Cartes ao partido “começa a era da obscenidade, da pornografia política, e todos os vícios se tornam explícitos”. Hoje, os dois são fortes aliados.

O Partido Colorado volta ao poder, o mesmo poder que Stroessner, um ditador sanguinário, populista e corrupto exerceu com pés de chumbo e botas de lodo durante 34 longos e obscuros anos.

Em muitos aspectos o país que cai nas mãos de Cartes é certamente diferente do de Stroessner e de seu mesmo Partido Colorado. Aquele Paraguai era povoado por um batalhão de funcionários públicos afiliados ao partido, numa corrupção generalizada que se desdobrava em lances absurdos. Claro que ainda existe tudo isso, mas há novidades – e nem sempre para o bem.

Na última década o país viveu um crescimento econômico formidável, ao impulso do agronegócio. Hoje, o Paraguai é o quarto maior produtor de soja do mundo. As previsões para este ano indicam um crescimento de 13% na economia, marca invejável até para os chineses. A inflação não deve passar de 4%. No primeiro trimestre de 2013, e apesar de suspenso do bloco desde a deposição de Lugo, o país viu suas exportações para o Mercosul aumentarem 57%.

Esse é o cenário que não faz mais do que perpetuar o outro lado da realidade: os 10% mais pobres da população recebem 1% do que o país produz, e os 10% mais ricos levam 41%. Outra cifra da desigualdade: 35% dos paraguaios vivem em situação de pobreza e, desses 35%, a metade vive em estado de indigência aguda. Uma parte significativa dos paraguaios se dedica olimpicamente ao esporte do consumo desmesurado. Nunca antes tantos paraguaios viajaram ao exterior, compraram celulares, automóveis e motocicletas de luxo, e o país se tornou um paraíso para os cartões de crédito.

Mas essa bonança extraordinária não chega, nem de longe, a desfazer a realidade: o Paraguai continua sendo um dos países mais pobres da América do Sul, e a pobreza extrema não diminui um milímetro sequer. Há desemprego vasto, e o subemprego atinge 30% da população economicamente ativa.

O Partido Colorado volta ao poder para fazer o que sempre fez: perpetuar esse abismo social, dar brilho novo a essa injustiça atávica. Este ano a colheita de soja deverá chegar a dez milhões de toneladas. Para um pouco mais de dois milhões de paraguaios – aqueles que sobrevivem entre a pobreza extrema e a indigência aguda – isso não vai fazer a menor diferença. Continuarão à míngua e à margem, vultos sem rosto nem voz. Continuarão no mesmo breu de onde jamais saíram: no Paraguai de sempre.

* Em 21 de abril de 2013, Cartes foi eleito presidente do Paraguai com 45,80 por cento dos votos, com oito por cento a mais que o segundo colocado.

Fonte: Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=219...)

Médicos cubanos no Brasil não é novidade

Brasil trará 6.000 médicos cubanos para atender moradores de áreas carentes
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil, em Brasília

06/05/201315h14
Os governos do Brasil e de Cuba, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, estão acertando como será a vinda de 6.000 médicos cubanos para trabalharem nas regiões brasileiras mais carentes. Os detalhes estão em negociação. Os ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e o cubano Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, anunciaram nesta segunda-feira (6) a parceria.

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- Os ministros das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, e do Brasil, Antonio Patriota, concedem entrevista no Palácio Itamaraty. Os governos do Brasil e de Cuba, com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde, estão acertando como será a vinda de 6.000 médicos cubanos para trabalharem nas regiões brasileiras mais carentes Wilson Dias/ABr

Patriota e Rodríguez não informaram como será a concessão de visto – se será definitivo ou provisório. Segundo o chanceler brasileiro, há um déficit de profissionais brasileiros na área de saúde atuando nas áreas carentes do país, daí a articulação com Cuba.
"Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos aqui, em vista do déficit de profissionais de medicina no Brasil. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e à qual atribuímos valor estratégico", disse ele.
As negociações para o envio dos médicos cubanos para o Brasil foi iniciada pela presidente Dilma Rousseff, em janeiro de 2012, quando visitou Havana, a capital cubana. Ela defendeu uma iniciativa conjunta para a produção de medicamentos e mencionou a ampliação do envio de médicos cubanos ao Brasil, para apoiar o atendimento no SUS (Serviço Único de Saúde).

"Cuba tem uma proficiência grande na área de medicina, farmacêutica e de biotecnologia. O Brasil está examinando a possibilidade de acolher médicos por intermédio de conversas que envolvem a Organização Pan-Americana de Saúde, e está se pensando em algo em torno de seis mil ou pouco mais", destacou Patriota.

Segundo o chanceler brasileiro, as negociações estão em curso, mas a ideia é que os profissionais cubanos atuem nas áreas mais carentes do Brasil. "Ainda estamos finalizando os entendimentos para que eles possam desempenhar sua atividade profissional no Brasil, no sentido de dar atendimento a regiões particularmente carentes no Brasil", disse.

A visita do chanceler de Cuba ocorre no momento em que o presidente cubano, Raúl Castro, implementa mudanças no país, promovendo a abertura econômica e avanços na área social. Segundo Bruno Rodríguez, a parceria com o Brasil é intensa principalmente nas áreas econômica, social e turística. "Há um excelente intercâmbio de ideias", disse o cubano.

O comércio entre Brasil e Cuba aumentou mais de sete vezes no período de 2003 a 2012, segundo o Ministério das Relações Exteriores. De 2010 a 2012, as exportações brasileiras para Cuba cresceram 36,9%. No ano passado, o comércio bilateral alcançou o recorde de US$ 661,6 milhões.

Militarizando o Atlântico Sul a partir da base em Malvinas

http://www.odiario.info/?p=2840

A Colômbia alinha-se como aliado da OTAN na sua ameaça nuclear contra a América do Sul

Cronicon.net

Enquanto Cavaco Silva escolhe visitar dois dos países da América Latina – Colômbia e Peru – onde o poder mais investe na aliança com o imperialismo, a Colômbia avança na integração militar na estratégia da OTAN. A determinação imperialista de manter na América Latina uma situação de dominação colonial ou neocolonial inclui a crescente presença e ameaça militar, incluindo a instalação de armamento nuclear.

Enquanto o governo da presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner vem denunciando perante a comunidade internacional que a Grã-Bretanha - com o decidido apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) - estabeleceu uma importante base militar nas Ilhas Malvinas (Mount Pleasent) com o propósito de amedrontar o sul do continente, base a partir da qual operam aviões de caça supersónicos, submarinos atómicos, e onde foi instalado um arsenal de armas atómicas, a Colômbia une-se a esta associação militar europeia, que está sob a autoridade e o controlo dos Estados Unidos, como único país latino-americano seu aliado.

Com efeito, o governo colombiano enviou a sua vice-ministra da Defesa, Diana Quintero, à reunião da OTAN realizada na cidade de Monterrey no Estado da Califórnia entre 28 de Fevereiro e 1 de Março.

Segundo as informações à imprensa, a Colômbia é a única nação latino-americana que marcou presença nesta reunião da OTAN. Ao fim e ao cabo este país andino cumpre fielmente as orientações de Washington e segue sem falhas o guião dos estrategas do Pentágono e do Departamento de Estado, que lhe atribuíram a função de se consolidar como o Israel da América do Sul, como bem assinalou o politólogo argentino Atilio Boron.

Merece a pena referir que os relatos oficiais colocam a ênfase na “honra” que constitui para a Colômbia ter sido o único país da América Latina convidado a participar neste encontro, denominado “Construindo Integridade”, que reuniu representantes militares de 138 países.

O convite a Colômbia, segundo o governo de Juan Manuel Santos, surgiu “graças ao reconhecimento dos seus progressos na boa utilização dos recursos do sector Defesa”.

ENCLAVE MILITAR COLONIALISTA

O objectivo da OTAN, com a acumulação de armamentos e tropas na América do Sul, é converter os mares del sul num enclave militar colonialista sob o absurdo pretexto de se tratar de um “santuário ecológico”. Trata-se, sem dúvida, de uma escalada da política imperialista e colonialista da Grã-Bretanha e dos seus aliados da OTAN que, como se sabe, estabeleceram uma importante base militar nas Ilhas Malvinas (Mount Pleasent), a partir da qual operam aviões de caça supersónicos e submarinos atómicos.

O Ministério de Relações Exteriores da Argentina acusou o Reino Unido de, em cumplicidade com a OTAN, instalar armas nucleares próximo das disputadas Ilhas Malvinas e de militarizar o Atlântico Sul.

Adicionalmente, o governo argentino denunciou a precária implementação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares na América Latina face à desproporcionada e injustificada presença militar do Reino Unido no Atlântico Sul, presença que inclui a deslocação de submarinos nucleares com capacidade de transportar armamento desse tipo. Tudo isso com o apoio da OTAN e dos Estados Unidos.

Para alguns organismos de direitos humanos é evidente que a inexistência de um poder militar antagónico equivalente no Atlântico Sul faz com que a presença armada de um país membro da OTAN nessa zona apenas possa ter um carácter agressivo. É uma clara ameaça do uso da força para preservar o estatuto colonial dos arquipélagos do Sul, por parte de um país que, é necessário não o esquecer, é uma potência nuclear e conta com o aval e a cumplicidade dos Estados Unidos.

A esta agressão une-se de forma cúmplice o governo colombiano de Juan Manuel Santos.

NOTAS DE REBELIÓN:

- Contabilizam-se até este momento meia centena (47) de bases militares estrangeiras na América Latina. Dado o seu interesse, recomendamos a leitura do inventário realizado pelo Movimento pela Paz, a Soberania e a Solidariedade entre os Povos e publicado por Rebelion.org em 18 de Maio passado: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=149829
do qual extraímos a seguinte informação e anexamos os mapas publicados por http://www.dossiergeopolitico.com/2012/05/47-bases-extranjeras-en-latino...
- No arquipélago das Malvinas, ocupado colonialmente pela Grã-Bretanha, destaca-se a fortaleza da OTAN em Mount Pleasent, Isla Soledad, cuja pista maior tem um comprimento de 2.600 metros. A actual dinamização da militarização do Atlântico Sul posiciona a Fortaleza Malvinas como a força mais importante da OTAN nessa região.

Fonte: http://cronicon.net/paginas/edicanter/Ediciones82/NOTA001.htm

Corpo do ex-presidente João Goulart será exumado

Objetivo é esclarecer se a causa da morte foi um ataque cardíaco, conforme divulgaram autoridades do regime militar, ou outro fator, como envenenamento

Elder Ogliari, do Estadão

Porto Alegre - O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS) e a Comissão Nacional da Verdade (CNV) decidiram exumar o corpo do ex-presidente João Goulart, que governou o País entre 1961 e 31 de março de 1964.

A decisão foi tomada durante reunião da comissão ocorrida em Brasília, no dia 24 de abril. O objetivo é esclarecer se a causa da morte - o ex-presidente morreu no dia 6 de dezembro de 1976 em Mercedes, cidade do Norte da Argentina - foi um ataque cardíaco, conforme divulgaram na ocasião as autoridades do regime militar, ou outro fator, como por exemplo envenenamento. Esta segunda hipótese poderia ter ocorrido, segundo algumas fontes, com a substituição de medicamentos rotineiros de Goulart, que teria sido feita por agentes da repressão uruguaia. É o que supõem pessoas da família e amigos próximos do ex-presidente naquele período. Goulart foi sepultado em São Borja (RS), sua terra natal.

Embora a decisão já tenha sido tomada pela comissão, há diversas situações a serem esclarecidas antes de se afirmar que a exumação será mesmo feita, adverte a procuradora federal Suzete Bragagnolo. "Estamos estudando os procedimentos adequados", diz ela. "Se o pedido será feito à Justiça ou se será administrativo (ao responsável pelo cemitério, a prefeitura de São Borja). Isso porque existe esta possibilidade", aponta a procuradora do Ministério Público Federal. Ela acrescenta: "Também precisamos nos cercar do máximo de rigor técnico possível, com consultas a peritos, para sabermos quais as chances de o resultado ser conclusivo".

A procuradora admite que há uma forte possibilidade de que a exumação, feita tantos anos depois da morte de Goulart, seja inconclusiva, mas acredita que com as técnicas e reagentes hoje disponíveis a possibilidade de um bom resultado é maior. "Havendo essa hipótese, vamos apostar nela."

A família de João Goulart, que já tornou pública a autorização para exumação, ainda desconhecia a decisão da CNV e do MPF/RS. O advogado Christopher Goulart, neto do ex-presidente, disse que vai tomar informações nesta sexta-feira, 3.

"Indícios (de envenenamento) existem muitos", admitiu. "(A exumação) produziria a prova material para comprovar ou não a causa da morte e poderia corrigir a história oficial informando que um presidente da República morreu assassinado". Lembrou ainda que o esclarecimento do mistério poderá coincidir com os 50 anos do golpe militar, em 2014.

Fonte: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/corpo-do-ex-presidente-joao-go...

Venezuela: Estadounidense vinculado a planes desestabilizadores

Capturan a estadounidense vinculado a planes desestabilizadores en Venezuela

El ministro de Interior y Justicia, Miguel Rodríguez Torres, informó este jueves que fue capturado un sujeto de nacionalidad estadounidense que estaría vinculado a los hechos de violencia generados por grupos de la derecha venezolana el pasado 15 de abril, cuando fallecieron 9 personas y 78 resultaron heridas, tras el llamado del antichavista Henrique Capriles a desconocer los resultados de los comicios presidenciales.

Rodríguez precisó que detuvieron a un ciudadano de nacionalidad norteamericana identificado como Timothy Hallet Tracy, de 34 años, quien se había infiltrado en una organización de jóvenes de la derecha venezolana que llevan a cabo una denominada "Operación Soberanía".

“Detectamos a una persona de nacionalidad norteamericana (...) Presumimos que pertenece a una organización de inteligencia porque pudimos detectar que tiene preparación en esa materia", detalló.

El titular del Ministerio de Interior apuntó que Tracy "tiene entrenamiento, sabe como infiltrarse, recibió financiamiento que dio a estos jóvenes para realizar movilizaciones violentas”.

Agregó que la intención de este sujeto "era incitar movilizaciones, una vez se emitieran los resultados, para conducir al país a una guerra civil".

"Tenemos los documentos de comunicaciones directas y la intención era llevarnos a una guerra civil, ya que, según ellos, eso conllevaría a la intervención por parte de Estados Unidos en nuestro país", reiteró.

Rodríguez sostuvo que “yo estoy seguro de que nadie en este país, solamente esos extremistas de la derecha, quiere una guerra civil. Aquí todos queremos paz”.

Durante la rueda de prensa, el ministro de interior presentó a los medios un video grabado por los estudiantes de las organizaciones de ultraderecha en los que hablan sobre el financiamiento para generar desestabilización en todo el país.

En el material audiovisual, uno de los jóvenes afirma que "para activar la situación en Mérida (oeste) necesitan 600 millones de bolívares (95 millones 424 mil dólares), eso fue lo que pidieron".

Más adelante, uno de los presentes pregunta a los demás que ¿sin los 100 millones de bolívares pudieramos haber alzado cuatro estados?. En otro punto de la grabación los jóvenes afirman ante la cámara que quieren dólares, "muchos dólares baby".

Para ver el video completo ingrese a este link: http://bit.ly/11nCN9J

La fiscal general de Venezuela, Luisa Ortega Díaz, informó este miércoles que hasta la víspera se registró el fallecimiento de nueve personas fallecidas y 78 lesionadas, a causa de los ataques de grupos antichavistas que luego de desconocer los resultados de los comicios presidenciales perpetraron hechos violentos en todo el territorio nacional instados por el excandidato Henrique Capriles.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/25/capturan-a-estadounidense-... )

Almada - Relatos sobre Arquivo do Terror à Comissão da Verdade

Ativista paraguaio que descobriu Arquivo do Terror vai depor à Comissão da Verdade

O ativista Martin Almada, 76 anos, que descobriu o 'Arquivo do Terror' paraguaio, em 1992, e que recebeu em 2002 o Prêmio Nobel Alternativo (entregue pelo parlamento sueco), aceitou convite para prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV), em Brasília, em junho próximo, em sessão pública.

A proposta foi discutida na última terça, 09/04, no Rio de Janeiro com a advogada Rosa Cardoso, membro da CNV e coordenadora do grupo de trabalho que investiga a Operação Condor, a conexão repressiva clandestina entre as ditaduras do Cone Sul, que perseguiu, sequestrou e matou milhares de dissidentes políticos nas décadas de 70 e 80.

Além de Rosa e Almada, participaram do encontro o advogado Modesto da Silveira, o Coordenador da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilles Gomes, a assessora da CNV Nadine Borges e o colaborador da CNV, Luiz Cláudio Cunha.

Rosa Cardoso debateu com Almada uma agenda de trabalho com foco em dois temas: os 20 anos da descoberta do 'Arquivo do Terror', um acervo de três toneladas de documentos hoje tombado pela Unesco como patrimônio da memória mundial e o testemunho direto de uma vítima da Condor no Paraguai em um caso que contou com a participação do Brasil.

O acervo do arquivo pode ser acessado, via internet, aqui: http://www.unesco.org/webworld/paraguay/

"Em novembro de 1974, voltando do exílio na França, fui preso, torturado e levado a um tribunal militar clandestino em Assunção, integrado por outros cinco países, além do Paraguai: Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia e Brasil. Todos os militares usavam óculos escuros. O primeiro a me interrogar foi um coronel chileno, seguido por um argentino. Na sequência, fui interrogado por um brasileiro, que não identifiquei pelo posto. Tudo o que eu queria saber era a razão de ser torturado em meu país por militares estrangeiros. Ali, foi a primeira vez que ouvi a palavra Condor", lembrou Almada.

Prisioneiro durante 1.000 dias da ditadura de Alfredo Stroessner, Almada passou a maior parte do tempo em que ficou preso num campo de concentração militar na capital paraguaia, que abrigava cerca de 400 prisioneiros.

EXPLOSÃO DA MEMÓRIA – Martin Almada, consultor da Unesco para a América Latina, durante muitos anos foi considerado 'persona non grata' pelos regimes militares que imperavam na região. Anônimo professor de escola primária no Paraguai, era hostilizado e perseguido pelo Governo Stroessner pela devoção aos textos de dois 'subversivos' brasileiros: o educador Paulo Freire, autor de Pedagogia do Oprimido, e o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, mentor da Teoria da Dependência.

"Eu não era comunista, nem anticomunista. Era apenas um professor primário. Mesmo assim, era definido pela repressão como um 'terrorista, intelectual e ignorante'. Toda ditadura sempre tem a vocação do ridículo", lembrou Almada, que até hoje enfrenta nos bairros mais nobres de Assunção a hostilidade gratuita por seu ativismo. "Às vezes, num carro de luxo, alguém me reconhece, freia, abaixa o vidro e grita: 'Bolchevique! Eu te odeio'. Eu apenas respondo: 'Pois eu te amo'. E a vida segue", diz Almada.

Martin Almada lembra que o Paraguai não passou ileso por 35 anos da ditadura Stroessner, derrubada em 1989. "O medo era a segunda pele dos paraguaios. Era preciso vencer o medo".

Ele conta que isso começou a ser superado em 1993, quando se instituiu um inédito Tribunal Ético de Consciência, destinado a julgar um general que atemorizava o país com seu poder no aparato repressivo. Durante 40 anos, o general Ramón Duarte Vera atuou também com o narcotráfico e acabou condenado em 1994, para espanto do país, a 12 anos de prisão. O tribunal era composto por 13 pessoas: seis de esquerda e outros seis de direita. O presidente da corte era o próprio Almada.

"Isso tudo provocou uma explosão de memória. A atuação dessa corte de consciência aqueceu o país e nos ajudou a superar o medo", recorda ele. Todas as sessões do tribunal foram transmitidas ao vivo e com boletins distribuídos à imprensa do país e do exterior. "Com o apoio da opinião pública e a presença da mídia, conseguimos enfrentar e vencer o medo", concluiu.

Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação

Mais informações à imprensa: Marcelo Oliveira
(61) 3313-7324 | comunicacao@cnv.presidencia.gov.br

Fonte: Comissão Nacional da Verdade ( http://www.cnv.gov.br/index.php/outros-destaques/237-ativista-paraguaio-... )

Dados manipulados sobre a Venezuela

Globo ataca governo venezuelano com dados manipulados

Carta de Victor Leonardo de Araujo à Sandra Cohen, Editora do caderno Mundo de O Globo

Prezada Senhora Sandra Cohen
Editora de Mundo de O Globo
Já é sabido que o jornal O Globo não nutre qualquer simpatia pelo governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, e tem se esforçado a formar entre os seus leitores opinião contrária ao chavismo – por exemplo, entrevistando o candidato Henrique Caprilles sem oferecer ao leitor entrevista com o candidato Nicolás Maduro em igual espaço. Isto por si já é algo temerário, mas como eu não tenho a capacidade de modificar a linha editorial do jornal, resigno-me. O problema é que o jornal tem utilizado sistematicamente dados um tanto quanto estranhos na sua tarefa de formar a opinião do leitor. Sou professor de Economia da Universidade Federal Fluminense e, embora não seja “especialista” em América Latina, conheço alguns dados sobre a Venezuela e não poderia deixar de alertá-la quanto aos erros que têm sido sistematicamente cometidos.

Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou a economia “em frangalhos”, o jornalista José Casado, em matéria publicada em 15/04/2013 (“Economia em frangalhos no caminho do vencedor”) informa que o déficit público em 2012 foi de 15% do PIB. Infelizmente, as fontes desta informação não aparecem na reportagem (apenas uma genérica referência a “dados oficiais e entidades privadas”!!!), uma falha primária que nem meus alunos não cometem mais em seus trabalhos. Segundo estimativas apresentadas para o ano de 2012 no “Balanço Preliminar das Economias da América Latina e Caribe”, da conceituada Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o déficit foi de 3,8% do PIB, ligeiramente menor do que no ano anterior, mas muito inferior ao apresentado pelo jornal. Caso o jornalista queira construir a série histórica para os resultados fiscais para a Venezuela (e qualquer outro país do continente), pode consultar também as várias edições do “Estudio Económico” também da Cepal.

Para poupar o seu trabalho: a Venezuela registrou superávit primário de 2002 a 2008: 2002: 1% do PIB; 2003: 0,3; 2004: 1,8; 2005: 4,6; 2006: 2,1; 2007: 4,5; 2008: 0,1; e déficit nos anos seguintes: 2009: -3,7% do PIB; 2010: -2,1; 2011: -1,8; 2012: -1,3. O déficit é decrescente, mas bem distante dos 15% do PIB publicados na matéria.

Afirmar que o déficit público na Venezuela corresponde a 15% do PIB tem sido um erro recorrente, e também aparece na matéria intitulada “Onipresente Chávez”, publicada na véspera, também no caderno “Mundo” do jornal O Globo em 13/04/2013. A este propósito, tenho uma péssima informação a lhe dar: diante de um quadro fiscal tão saudável, o presidente Nicolás Maduro não precisará realizar ajuste fiscal recessivo, e terá condições de seguir com as políticas de seu antecessor.

A matéria do dia 15/04/2013 possui ainda outros erros graves. O primeiro é afirmar que existe hiperinflação na Venezuela, e crescente. Não há como negar que a inflação é um problema grave na Venezuela, mas O Globo não tem dispensado o tratamento adequado para informar os seus leitores. A inflação na Venezuela tem desacelerado: foi de 20% em 2012, contra 32% em 2008 (novamente utilizo os dados da Cepal). Tudo indica que o jornalista não possui conhecimento em Economia, pois a Venezuela não se enquadra em qualquer definição existente para hiperinflação – a mais comumente utilizada é de 50% ao mês; outras, mais qualitativas, definem hiperinflação a partir da perda da função de meio de troca da moeda doméstica, situações bem distantes do que ocorre na Venezuela.

Outro equívoco é afirmar que “não há divisas suficientes para pagar pelas importações”. A Venezuela acumula superávits comerciais e em transações correntes (recomendo que procure os dados - os encontrará facilmente na página da Cepal). Esta condição é algo estrutural, e a Venezuela é a única economia latino-americana que pode dar-se ao luxo de não precisar atrair fluxos de capitais na conta financeira para financiar suas importações de bens e serviços. Isto decorre exatamente das exportações de petróleo.

O problema, Senhora Sandra Cohen, é que os erros cometidos ao expor a situação econômica venezuelana não se limitam à edição do dia 15/04, mas tem sido sistemáticos e corriqueiros. Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou uma “herança pesada”, a jornalista Janaína Figueiredo divulgou no dia 14/04 (“Chavismo joga seu futuro”) que em 1998 a indústria respondia por 63% da economia venezuelana, e caiu para 35% em 2012. Infelizmente, a reportagem comete o erro primário que o seu colega José Casado cometeu: não cita suas fontes. Em primeiro lugar, a informação dada pelo jornal é que a Venezuela era a economia mais industrializada do globo terrestre no ano de 1998. Veja bem: uma economia em que a indústria representa 63% do PIB é super-hiper-mega-industrializada, algo que sequer nos países desenvolvidos foi observado naquele ano, nem em qualquer outro. E a magnitude da queda seria digna de algo realmente patológico. Como trata-se de um caso de desindustrialização bastante severo, procurei satisfazer a minha curiosidade, fazendo algo bastante corriqueiro e básico em minha profissão (e, ao que tudo indica, o jornalista não fez): consultei os dados.

Na página do Banco Central da Venezuela encontrei a desagregação do PIB por setor econômico e lá os dados eram diferentes: a indústria respondia por 17,3% do PIB em 1998, e passa a representar 14% em 2012. Uma queda importante, sem dúvida, mas algo muito distante da queda relatada por sua jornalista. Caso a senhora, por qualquer juízo de valor que faça dos dados oficiais venezuelanos, quiser procurar em outras fontes, sugiro novamente a Cepal, (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). As proporções mudam um pouco (21% em 1998 contra 18% em 2007 – os dados por lá estão desatualizados), mas sem adquirir a mesma conotação trágica que a reportagem exibe. Em suma: os dados publicados na matéria estão totalmente errados.
O erro cometido é gravíssimo, mas não é o único. A reportagem ainda sugere que a Venezuela é fortemente dependente do petróleo, respondendo por 45% do PIB. Novamente, a jornalista não cita suas fontes. Na que eu consultei (o Banco Central da Venezuela), o setor petróleo respondia por 19% do PIB em 1998, contra pouco mais de 10% em 2012. Como a Senhora pode perceber, a economia venezuelana se diversificou. Não foi rumo à indústria, pois, como eu mesmo lhe mostrei no parágrafo acima, a participação desta última no PIB caiu. Mas, insisto, a dependência do petróleo DIMINUIU, e não aumentou como o jornal tem sistematicamente afirmado.

A edição de 13/04/2012, traz outros erros graves. Eu já falei anteriormente sobre os dados sobre déficit público apresentados pela matéria assinada pelo jornalista José Casado (“Onipresente Chávez”). A mesma matéria afirma que a participação do Estado venezuelano representa 44,3% do PIB. O conceito de “participação do Estado na economia” é algo bastante vago, e por isso era importante o jornalista utilizar alguma definição e citar a fonte – mas isto é algo, ao que tudo indica, O Globo não faz. Algumas aproximações para “participação do Estado na economia” podem ser utilizadas, e as mais usuais apresentam números distantes daqueles exibidos pelo jornalista: os gastos do governo equivaliam a 17,4% do PIB em 2010 (contra 13,5% em 1997) e a carga tributária em 2011 era de 23% (contra 21% em 2000), nada absurdamente fora dos padrões latino-americanos.

Enfim, no afã de mostrar uma economia em frangalhos, O Globo exibe números simplesmente não correspondem à realidade da economia venezuelana. Veja bem: eu nem estou falando de interpretação dos dados, mas sim de dados que equivocados!

Seria importante oferecer ao leitor de O Globo uma correção dessas informações – mas não na forma de errata ao pé de página, mas em uma reportagem que apresente ao leitor a economia venezuelana como ela é, e não o caos que O Globo gostaria que fosse.
E, por favor, nos próximos infográficos, exibam suas fontes.
Atenciosamente,
Victor Leonardo de Araujo

PS: Não sei porque ainda perco tempo, mas enviei o e-mail abaixo para O Globo. Como a linha editoria não será modificada, peço que divulguem. Abs, Victor

http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=4284...

Avanços sociais na Venezuela em perigo

PCV ALERTA QUE A DIREITA TENTA CRIAR UM QUADRO QUE CONDUZA A UMA GUERRA CIVIL

Última atualização em 15.04.2013

Oscar Figuera, secretario general del Partido Comunista de Venezuela PCV

Oscar Figuera, secretário geral do Partido Comunista da Venezuela PCV

Caracas, 15 abr. 2013, Tribuna Popular TP.- O Birô Político do Partido Comunista da Venezuela (PCV), junto à análise da jornada eleitoral vivida na Venezuela no dia de ontem, alertou o povo de que a direita fascista nacional e internacional, aliada ao imperialismo, tenta montar uma emboscada para o povo e o processo democrático, objetivando criar um quadro que nos conduza a uma Guerra Civil.

Assim manifestou Oscar Figuera, secretário geral do PCV, ao rechaçar a atitude assumida pela oposição de não reconhecer os resultados das eleições presidenciais.

“Queremos denunciar Guilhermo Aveledo, o candidato e toda equipe por tentarem criar uma armadilha para nosso povo e para o processo democrático venezuelano, da mesma forma como, em abril de 2002, foram parte das forças que insurgiram contra o estado de mudança e o processo democrático”, afirmou Figuera.

Para o PCV é importante que o povo venezuelano não perca de vista o caráter pseudodemocrático, o anseio golpista e a ação desestabilizadora em que se pauta hoje a oposição.

“É isso que vemos no fato de o candidato da oposição não reconhecer os resultados, ainda que saibam que esses são os resultados. Se 54% das máquinas foram auditadas e tudo está bem, com o aval de seus próprios fiscais, o que esperam conseguir com os 46% restantes?”, perguntou o dirigente comunista, manifestando ainda ser favorável que se auditem 100% das papeletas ou comprovantes do voto das venezuelanas e dos venezuelanos no sistema automatizado.

O Partido Comunista denunciou que a direita pró-imperialista tenta criar um ambiente de dúvida sobre os órgãos responsáveis pelos processos eleitorais e pela divulgação dos resultados, a fim de “gerar exasperação no povo”, enfatizou Oscar Figuera.

Figuera recordou que Guillermo Aveledo, dias atrás, afirmou que esperava que o governo respeitasse os resultados, “Ah, porém, esperam que o governo respeite os resultados, mas eles não estão dispostos a respeitá-los. Isso é parte dessa conduta pseudodemocrática, de golpistas disfarçados, conforme demonstraram em abril de 2002. São os mesmos atores, não são novos. O que existe é um grande nível de impunidade”.

O partido do Galo Vermelho manifestou que a oposição está jogando com o não reconhecimento definitivo dos resultados eleitorais. “Estão tentando colocar em prática um projeto conspirativo, desestabilizador, dirigido a criar condições que permitam colocar o país em uma confrontação fratricida aberta. Para isso, contam com a mão invisível e visível do imperialismo norte-americano e com os núcleos paramilitares semeados em nosso país pela direita venezuelana e internacional”, denunciou Figuera.

O Partido Comunista fez um chamado àqueles que votaram em Nicolás Maduro e pela oposição, “para que atuemos com a maturidade política que demanda o momento, rechaçando qualquer tipo de provocação e plano que esteja dirigido a produzir um quadro de confrontação, desestabilização e crise geral, que torne ingovernável a sociedade venezuelana”.

Acrescentou que “existem mecanismos e vias para que se torne cada vez mais transparente o resultado das eleições, com imensa participação de nosso povo. Para isso, não podemos permitir, enquanto povo, a manipulação, a provocação que tire o processo político venezuelano de seu desenvolvimento natural, favorecendo o avanço da oposição”, enfatizou Oscar Figuera.

O dirigente comunista informou que, frente à gravidade do momento, “na madrugada de hoje, alertamos nossos quadros dirigentes de todo o país a permanecerem alerta e ativos para impedir as atuações contrarrevolucionárias, reacionárias e a serviço do imperialismo, que busca criar um quadro que nos leve a uma guerra civil”.

Fonte: http://www.tribuna-popular.org.ve/index.php/features/resolucion-xii-conf...

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Antichavistas rodearon teleSUR y amenazaron a sus trabajadores

Antichavistas rodearon sede de teleSUR y amenazaron a sus trabajadores

Grupos afectos al excandidato presidencial antichavista Henrique Capriles rodearon este lunes la sede del canal de televisión teleSUR y amenazaron a sus trabajadores, informó la presidenta del canal, Patricia Villegas.

"Han amenazado a nuestro personal, los trabajaores del canal están en sus puestos de trabajo (...) han amezado de manera permanente", denunció la presidenta de teleSUR Patricia Villegas.

“No se sabe si son las mismas personas (que asediaron hace unos instantes al canal del Estado Venezolana de Televisión), pero sí responden al mismo movimiento politico que ha llamado a la desestabilizacion”, detalló Villegas.

En entrevista telefónica, Villegas precisó que los grupos de derecha arribaron “hace unos cinco a siete minutos ha llegado este grupo de opositores partidarios de Capriles, que perdió las elecciones, y que gritan ¡fraude! ¡fraude!, y han amenazado a los trabajadores del canal''.

“Todo nuestro equipo periodístico se mantiene aquí funcionando nuestros reporteros se encuentran en los alrededores de la ciuidad de Caracas”, agregó.

Al igual que teleSUR, la sede de la estatal Venezolana de Televisión (VTV), también fue asediada por seguidores del candidato opositor Henrique Capriles Randonski, lo que fue rechazado por el presidente de la planta televisiva, William Castillo.

Asimismo, también fueron hostigadas las casas de la presidenta del Consejo Nacional Electoral (CNE), Tibisay Lucena, y de los padres del exministro de Comunicación e Información y miembro del comando de campaña Hugo Chávez, Andrés Izarra.

Mientras tanto, el corresponsal de teleSUR, William Parra, reportó desde el noreste de Caracas que ''hay un gran sector de seguidores de Hugo Chavez que han venido a resguardar la casa del jefe de campaña, Jorge Rodríguez''.

"Nosotros lo único que le decimos a ese candidato facista es que no se equivoque porque aquí hay un pueblo arrecho, esta patria se respeta (...) que no se equivoque Capriles'', dijo una seguidora del presidente Chávez a las cámaras de teleSUR.

La residencia de Jorge Rodríguez, jefe del Comando de Campaña Hugo Chávez, fue también rodeada este lunes.

Fonte: Telesur ( http://www.telesurtv.net/articulos/2013/04/15/grupos-violentos-rodean-se... )

A boliviana que falou

Por Ana Aranha | Reportagem 3 por 4 – qui, 11 de abr de 2013

Tainá tem boas recordações dos quatro dias de viagem que fez ao lado da mãe no trajeto de La Paz, capital da Bolívia, até São Paulo. Pulando de ônibus em ônibus, entre rodoviárias e longas filas nos guichês de imigração, as duas mal conseguiam dormir de tanta saudade para matar. “Eu fui contando tudo que não tinha falado pelo telefone naqueles anos. A gente ria e chorava junto”.
O reencontro era esperado. Tainá viveu dos 7 aos 17 longe da mãe, período em que morou e trabalhou na casa da madrinha na capital boliviana. A mãe mora no Brasil desde que Tainá tinha 3 anos. No começo, ela até tentou conciliar o trabalho em oficina de costura com a presença da filha pequena. Tainá morou em São Paulo dos 3 aos 7 anos e lembra passar tardes amarrada num canto, junto com o cachorro, para que não pudesse se aproximar das máquinas. Por situações como essa, sua mãe julgara que era melhor viverem separadas.
O retorno ao Brasil vinha cheio de promessas: morar com a família, voltar a estudar, ter um bom emprego.
Alguns anos depois de sua chegada, porém, Tainá se viu no mesmo lugar da mãe quando tiveram que se separar. Em uma oficina de costura abafada, obrigada a trabalhar das 7 da manhã às 10 da noite enquanto a filha de 2 anos circulava entre as máquinas. Tainá estava grávida do namorado, com quem morava no mesmo local de trabalho.

No fim da jornada, pegava fila para tomar banho no único banheiro disponível para os 17 bolivianos que trabalhavam e moravam no local. E, finalmente, deitava no quarto sem janelas, onde a cama disputava espaço com a pia e o fogão. Ao fim do mês, não chegava perto do pagamento, que ficava com o namorado, que era primo do dono da oficina.
Também boliviano, para o dono não era difícil controlar os trabalhadores. A maioria era recém chegada no Brasil, não falava português e ainda devia o valor da viagem a ele. Tainá ouviu o dia em que um grupo pediu licença para tirar os documentos brasileiros e o dono disse que teriam de pagar multa, pois eram ilegais. Uma mentira, já que a Bolívia pertence ao Mercosul e os bolivianos podem circular livremente no Brasil. Para trabalhar, basta um registro no consulado.
Eles estavam no mesmo lugar, mas Tainá tinha condições diferentes. Ela já falava português e sabia circular pela cidade. Quando pedia para ir ao médico, levava bronca e recebia ameaças, mas não desistia. Quando insistiu em sair para fazer o pré-natal, o marido lhe empurrou com força e a fez cair. Levantou-se e, no dia seguinte, argumentou de novo.
Quando finalmente conseguiu sair para uma consulta, desabafou com a enfermeira. Ao falar, quebrou o abismo que separa a comunidade boliviana dos direitos e obrigações trabalhistas no Brasil. Tainá contou sobre a exaustão diária, as ameaças e as agressões. A Unidade Básica de Saúde entrou em contato com o Centro de Defesa e Convivência da Mulher Mariás, que acionou o Disque 100. Semanas depois, recebeu uma ligação no celular: “prepare-se, a equipe de fiscalização do trabalho está chegando”.
“De repente entrou um monte de gente, ficamos muito assustados”. Quando ouviram os fiscais do trabalho falando em espanhol, os bolivianos responsáveis pela oficina passaram a dar ordens em Aimará, língua de origem indígena falada nos países andinos. “Mandavam a gente ficar quieto e mentir que o trabalho era só até às 19h”, lembra Tainá. Uma parente do dono percebeu que ela fizera a denúncia e lhe ameaçou na frente dos fiscais, que não entenderam suas palavras: “você vai pagar e não vai ficar barato”.
A ação concluiu que as condições eram similares ao trabalho escravo e a oficina foi interditada. Como sofreu agressão física, Tainá foi levada a um abrigo para mulheres. Os outros bolivianos ficaram no local e o mais provável é que, a essa altura, estejam de volta a oficinas similares.
A ação ocorreu em janeiro e foi uma de muitas promovidas pela Superintendência regional do Trabalho e Emprego de São Paulo. Estima-se que existam ao menos 8 mil oficinas assim na grande São Paulo, onde trabalham cerca de 100 mil bolivianos, paraguaios e outros sul-americanos.
Essa rede sustenta marcas famosas, que possivelmente estão na etiqueta da roupa que você veste. As fiscalizações já flagraram trabalho escravo em oficinas que forneciam para a cadeia produtiva da Zara, Pernambucanas, Marisa, C&A , Gregory , Collins, 775 além da empresa GEP, formada pelas marcas Cori, Luigi Bertolli e Emme, e que pertence ao grupo que representa a grife internacional GAP no Brasil.
Tudo que Tainá quer, agora, é se livrar dessa cadeia. É como se ela estivesse percorrendo uma segunda viagem ao Brasil, dessa vez para um país diferente. No abrigo onde aguarda o nascimento do segundo filho, ela estuda e faz acompanhamento psicológico. Terá tempo para planejar como reconstruir a vida com os 18 mil reais que recebeu como indenização trabalhista, mais o auxílio desemprego e maternidade. Por enquanto, o plano é alugar uma casa e procurar trabalho como assistente de cozinha. “No começo, pensava em voltar pra casa da minha mãe, voltar a costurar, mas acho que estava muito dependente daquela vida”, Tainá reflete, e conclui: “preciso encontrar o meu lugar”.
*o nome foi trocado para proteger sua identidade. “Tainá” foi o nome escolhido pela entrevistada.

Fonte: Yahoo notícias ( http://br.noticias.yahoo.com/blogs/3-por-4/boliviana-que-falou-163058884... )

Dama de Ferro e a Ditadura Argentina

Ditadura argentina ajudou a construir mito da "dama de ferro"

Dois fatos definiram a vida política de Margaret Thatcher: a guerra das Malvinas e o radical programa de privatização econômica. Ambos tiveram a particular contribuição da junta militar argentina encabeçada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri à história universal do século XX: sem as Malvinas, Thatcher não teria se convertido na heroína da economia de mercado que começou a se expandir por todo o planeta desde meados dos 80. O artigo é de Marcelo Justo, de Londres/Carta Maior.

Londres - No plano internacional ela era a “dama de ferro”. Entre os britânicos tinha outro apelido mais emblemático: “ladra do copo de leite”. Dois fatos definiram sua vida política: a guerra das Malvinas e o radical programa de privatização econômica. Ambos marcam a particular contribuição da junta militar argentina encabeçada pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri à história universal do século XX: sem as Malvinas, Thatcher não teria se convertido na heroína da economia de mercado que começou a se expandir por todo o planeta desde meados dos 80.

Nascida Margaret Roberts no dia 13 de outubro de 1925, em Grantham (norte da Inglaterra), de um quitandeiro e pastor laico metodista, de quem diria em sua autobiografia teria aprendido “tudo o que sabia de política”, Thatcher chegou ao Parlamento em 1959 e aos primeiros escalões do governo, dois anos mais tarde. Obteve um grande apoio político das mãos do conservador Edward Heath, que agradeceu seu apoio em sua eleição como líder partidário, nomeando-a ministra da Educação em 1970 com a missão de reduzir o gasto estatal.

Convencida que a presença do Estado na economia e na vida individual era uma das grandes maldições do Reino unido, Thatcher agradeceu a oportunidade dada por Heath e eliminou o copo de leite para as crianças entre 7 e 11 anos, episódio que lhe valeu o apelido de ladra. “Aprendi uma lição muito importante”, diria em sua autobiografia, “consegui atrair o máximo nível de ódio coletivo com o mínimo nível de benefício político”.

O governo de Edward Heath caiu em 1974 arrastado por uma crise petroleira internacional e – fato que a dama de ferro jamais esqueceria – e pela greve de mineiros e a semana de trabalho de três dias por causa dos cortes no fornecimento de energia. Em 1975, foi ao escritório de seu mentor político, o mesmo Heath, para informá-lo que tentaria disputar a liderança do Partido Conservador. “Nunca ganhará. Bom dia”, foi a resposta de Heath.

Convertida em líder da oposição, um diário soviético a chamou de “dama de ferro” após um virulento discurso contra a política de direitos humanos da União Soviética, ajudando-a como ninguém a forjar, com esse apelido, sua imagem pública. A crise econômica do governo trabalhista de James Callaghan e o famoso “inverno do descontentamento”, com greves de lixeiros e coveiros que deixaram uma imagem de paralisia absoluta de um país onde nem os mortos podiam descansar em paz, prepararam o caminho para sua vitória nas eleições de 1979.

Seu primeiro encontro com a imprensa é lembrado por uma citação que fez de São Francisco de Assis e por um pouco usual tom pacificador. “Onde houver desacordo, que eu traga harmonia. Onde houver erro, que eu traga a verdade. E onde houver desespero, espero trazer esperança”. São Francisco de Assis não voltou a frequentar seus discursos.

Com um duríssimo programa de austeridade, com cortes do gasto público e aumento de impostos, a economia afundou em uma recessão e, em dezembro de 1980, só 23% dos britânicos a apoiavam, o nível mais baixo desde o início das pesquisas de avaliação de um primeiro ministro. Os violentos distúrbios sociais nas principais cidades britânicas em 1981 e um desemprego que superou a casa de três milhões de pessoas – o triplo do que havia com o governo trabalhista – golpearam ainda mais a escassa popularidade de seu governo.

Tudo seguiu assim até que apareceu a junta militar argentina. A guerra das Malvinas permitiu-lhe reafirmar como nunca antes sua imagem de dama de ferro por mais que documentos secretos liberados no ano passado mostrem que durante o conflito sua posição mais flutuante do que foi propagado com a vitória militar. Esta vitória abriu caminho para o triunfo eleitoral em 1983 com uma maioria absoluta que lhe permitiu avançar com um radical programa de privatização e desregulação financeira que mudariam o Reino Unido do pós-guerra.

A forte presença estatal na economia foi drasticamente reduzida (venda da indústria automobilística Jaguar, da telefônica British Telecom, da British Aerospace, da British Gas, etc.) e praticamente aniquilada com a segunda onda de privatizações que se seguiu à vitória eleitoral de 1987 (aço, petróleo, a British Airways, a Rolls Royce, água e eletricidade). Apenas o Serviço Nacional de Saúde e o sistema ferroviário se salvaram da poda que incluiu o poderoso setor de habitações municipais construído no pós-guerra. A esta revolução neoliberal se somou a desregulação do setor financeiro com as novas regras que passaram a reger a Bolsa de Londres em 1986, o célebre Big Bang que muitos analistas situam como a origem da turbulência financeira mundial que sacode o mundo desde 2007-2008.

Ao mesmo tempo, sua imagem de dama implacável se consolidou com o atentado que sofreu do IRA em 1984 e com sua vitória sobre a greve dos mineiros que terminou de desarticular o poderoso movimento operário britânico do pós-guerra. Essa imagem, tão importante em sua carreira política, terminou convertendo-se na armadilha que precipitaria sua queda.

Apaixonada por sua própria intransigência principista, assumindo ares de rainha com o eleitorado e com seu próprio gabinete, Thatcher implantou um imposto municipal que se baseava no número de pessoas que vivia em uma casa e não no valor do imóvel. Em março de 1990, uma manifestação de centenas de milhares de pessoas no centro de Londres abriu a cortina para a primeira cena do último ato. Apesar de só 12% dos britânicos terem apoiado a medida, Thatcher apelou a esse escudo público que havia forjado nos anos mais exitosos de sua carreira – “vocês mudem, esta dama jamais fará isso”, disse certa vez – e se negou a recuar. Foi um erro gigantesco. A gota que fez o copo d’água transbordar foram suas eternas brigas com a Europa e o desdém público com que tratou o seu então vice-primeiro ministro Geoffrey Howe – um dos cérebros econômicos do thatcherismo – forçando sua renúncia.

Em novembro de 2011, um ex-ministro, Michael Heseltine, forçou uma votação sobre a liderança do Partido Conservador e ainda que Thatcher tenha vencido o primeiro turno, seus próprios ministros e assessores deixaram claro que perderia o segundo. “Foi a típica traição com um sorriso nos lábios”, diria Thatcher a BBC. Desconsolada, a dama de ferro renunciou ao seu cargo. Uma foto da época mostra-a com os olhos chorosos olhando desde a janela de sua limusine a parta de 10 Downing Street, residência oficial que acabava de deixar após 11 anos no poder. Era uma imagem atípica, feroz, que muitos britânicos celebraram nos pubs. Nada havia comovido a dama de ferro em todos esses anos. Nada salvo esse sonho desfeito de eterno poder.

Tradução: Katarina Peixoto/Carta Maior

Fotos: The Guardian

Não a 11ª rodada de leilões do petróleo

Usurpação da esperança

(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 05/04/13)

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

O presente artigo trata da 11ª rodada de leilões de blocos para exploração e produção de petróleo, que o governo brasileiro está determinado a realizar em 14 e 15 de maio próximo. Para atrair investidores estrangeiros para esta rodada, atração esta desnecessária, a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) declarou, no seminário técnico e ambiental promovido por esta Agência no dia 18 de março, que poderão ser encontrados, só na margem equatorial brasileira, até 30 bilhões de barris de petróleo in situ.

Este fato é gravíssimo por representar a capitulação final do atual governo brasileiro às multinacionais do petróleo. Com relação às rodadas de leilões, o governo do PT se iguala ao governo do PSDB. A única voz audível neste silêncio sepulcral promovido pela mídia entreguista foi a do senador Roberto Requião, que usou um dos poucos espaços democráticos restantes no nosso país, a TV Senado, e proferiu memorável discurso no dia 27 de março passado (http://www.viomundo.com.br/politica/requiao-a-pauta-das-oposicoes-midiat...). O conluio da mídia muda, comprometida com os grupos estrangeiros interessados em levar nosso petróleo em troca de irrelevante royalty e com políticos corruptos, abate a esperança dos brasileiros conscientes.

Algum leitor não acostumado ao tema do petróleo pode perguntar o porquê destes leilões serem prejudiciais aos brasileiros. Em respeito a ele, vou dar uma resposta. A 11ª rodada só conterá blocos fora da área do Pré-sal, sendo regida, portanto, pela lei 9.478. Se fossem blocos da área do Pré-sal, seria regida por outra lei. Pela lei 9.478, quem descobre petróleo é dono dele e faz dele o que bem quiser. Nenhuma empresa estrangeira demonstra interesse em construir refinarias no país, quer seja para abastecer o mercado interno ou exportar derivados, como também não tem intenção de vender o petróleo a ser produzido à Petrobras. Então, o objetivo delas é unicamente exportar o petróleo in natura.

Nenhuma empresa estrangeira compra plataforma no Brasil. Falo do item “plataforma” porque ele representa mais de 80% dos investimentos e as compras na fase dos investimentos são a quase totalidade das compras de um campo. As compras na fase de produção são pouco representativas. Desde 1999, quando ocorreu a primeira rodada, as empresas estrangeiras receberam concessões e nunca compraram uma plataforma no país. Só quem compra plataforma no Brasil é a Petrobras.

Neste setor, a geração de mão de obra ocorre mesmo com a encomenda de plataformas. Como as empresas estrangeiras não compram no país, elas não abrem oportunidades de trabalho. A mão de obra para operar as plataformas é mínima comparativamente, podendo ser desprezada. Ademais, as petroleiras estrangeiras não contratam desenvolvimentos tecnológicos no país, nem projetos de engenharia.

Pelas determinações da lei 9.478, não existe obrigatoriedade de as empresas suprirem recursos para nenhum Fundo Social, como existe no caso da lei da área do Pré-sal, que é destinado para programas sociais. Quando a lei 9.478 era a única a reger todas as explorações e produções de petróleo no Brasil e não existia a lei dos contratos de partilha, um estudo comparativo do nível das taxações em diferentes países foi feito, concluindo que as “participações governamentais” aqui representam somente 45% do lucro da atividade petrolífera, enquanto a média mundial está em 65%. Países como Noruega, Venezuela e Colômbia taxam até mais de 80% do lucro. Por isso é que classificamos o royalty cobrado atualmente no Brasil como irrelevante.

Argumentam que há necessidade dos leilões para o abastecimento do país, o que seria cômico, se não fosse de extremo mau gosto. As empresas estrangeiras só querem exportar o petróleo que descobrirem. Se não tiverem esta possibilidade, não se inscrevem nos leilões. Quem abastece o Brasil é a Petrobras. Às vezes, neste ponto, perguntam: “E por que não exportar petróleo?”. Concordo que poderíamos exportar petróleo, desde que ele não faltasse para o abastecimento interno por um número razoável de anos futuros e que ficasse no país um bom quinhão do lucro da atividade para a sociedade brasileira, o que não acontece se a lei 9.478 estiver regendo a concessão.

Outro argumento usado é que só 7% das bacias sedimentares brasileiras teriam sido pesquisadas e, por isso, devem ser feitos leilões. Notar que a concessão é para a exploração, quando o petróleo é procurado, e se houver descoberta, para a produção também. Então, pelo argumento, o Brasil deve entregar um bloco para ser explorado, para melhorar o nível de conhecimento das nossas bacias. Mas, se for descoberto petróleo, ele será levado sem grande usufruto para a sociedade?

Argumentar que esta rodada inclui áreas em regiões pobres que, hoje, não recebem nenhum royalty é explorar a inocência alheia. Supondo que vai ser descoberto petróleo na região, eu acharia até meritório se o royalty fosse, no mínimo, o triplo do que é hoje. Estão achando que prefeitos e governadores de regiões pobres aceitam qualquer esmola.

Chego a um ponto em que muitos desavisados e outros avisados, mas devotos do mercado, acreditam ser irrelevante. O aspecto geopolítico é negligenciado nas diversas rodadas de leilões de blocos que já ocorreram no Brasil. Entretanto, Daniel Yergin tem um livro de 800 páginas citando inúmeros casos de guerras, conflitos, acordos, espionagens, traições, deposições e assassinatos ocorridos no mundo graças ao petróleo, além de mostrar claramente o poder que sua posse representa. Contudo, nós, brasileiros, entregamos a posse do nosso petróleo a empresas que irão arrematar um bloco no leilão por cerca de 0,2% do valor do petróleo a ser produzido no bloco, durante a vida útil. E mais nada!

No entanto, o que mais me dói, atualmente, além da enorme perda para a tão sofrida sociedade brasileira, é reconhecer que, na última campanha presidencial, o candidato José Serra tinha razão, quando, no horário eleitoral gratuito, dizia que a candidata Dilma iria deixar as empresas estrangeiras levarem o petróleo brasileiro. Lembro-me bem da imagem na tela da TV de um canudinho, pelo qual o petróleo brasileiro era sugado pelas multinacionais. Obviamente, não acreditava nem acredito que José Serra fizesse diferente. Mas nunca pude imaginar que Dilma, consciente de todos estes aspectos citados, pela sua formação e trajetória, fosse chegar à presidência para abrir o setor petrolífero brasileiro às empresas estrangeiras sob a péssima lei 9.478.

Tinha esperança que a insustentabilidade dos leilões pela lei 9.478 fosse reconhecida, vez que cria um passivo de petróleo a ser pago por gerações futuras, transformando o petróleo de um passaporte para um futuro melhor em uma dívida a ser paga por nós, nossos filhos e netos. Usurpamos, assim, a esperança, nossa e dos nossos descendentes, para que prepostos das multinacionais, apaniguados do poder e corruptos tenham uma vida boa.

Como a vida, enquanto não se esvai, é luta, sugiro aos homens e mulheres de bem que se revoltem, comentem estes fatos com amigos, colegas de trabalho ou de sala de aula, parentes e vizinhos. Que procurem se informar mais, mas não através dos canais comprometidos com o assalto à sociedade, participem de movimentos sociais, visitem o sítio da Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br) e, principalmente, busquem barrar a 11ª rodada de leilões da ANP.

Blog do autor: http://paulometri.blogspot.com.br/

Motorista de Neruda critica equipe escolhida para exumar poeta

Motorista de Neruda critica equipe de legistas escolhida para exumar poeta

Santiago do Chile, 3 abr (EFE).- O antigo motorista do poeta Pablo Neruda, Manuel Araya, criticou nesta quarta-feira a equipe de legistas escolhida para participar da exumação do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1971, que será realizada na próxima segunda-feira.
Araya defende que Neruda não morreu por causa do câncer de próstata do qual sofria, mas que foi assassinado com uma injeção letal nos primeiros dias da ditadura de Augusto Pinochet. A hipótese foi exposta por ele em 2011, em entrevista a uma revista mexicana.
Essa suspeita levou o Partido Comunista (PC) - do qual Neruda pertencia - a apresentar, em maio de 2011, uma acusação judicial que levou o juiz da Corte de Apelações de Santiago, Mario Carroza, a abrir uma investigação que inclui a exumação dos restos do poeta.
No comunicado emitido hoje do qual a Agência Efe teve acesso, Araya garante que o juiz Carroza "vetou a equipe de peritos proposta pela família de Pablo Neruda, e representada pelo sobrinho do poeta Rodolfo Reyes, e pelo integrante do PC Eduardo Contreras".
No entanto, Eduardo Contreras disse à Efe que não concorda com o conteúdo desse comunicado, e que o PC contará com a perita Gloria Ramírez, com o neurologista e psiquiatra Luis Fornazzari e com o geneticista Cristián Orrego durante a exumação e os exames posteriores.
Contreras concordou com Manuel Araya em relação ao fato de que o juiz deveria ter aceitado a proposta da família de Neruda, assim como a presença do perito Luis Ravanal, que em 2008 ficou conhecido por divulgar um relatório sobre a morte de Salvador Allende (1973) no qual atestou que o crânio do líder político tinha recebido dois tiros de armas de calibres diferentes.
No entanto, em 2011 uma investigação judicial concluiu que Allende se suicidou com um fuzil automático, que permite o disparo de duas balas de uma só vez.
O antigo motorista de Neruda também criticou a participação de três profissionais do Serviço Médico Legal (SML) na exumação.
Um deles é o doutor Germán Taipa, que de acordo com Araya deveria ter sido descartado por emitir uma opinião prévia sobre o caso, já que elaborou, em 2012, um relatório, a pedido do juiz, no qual considerava que não havia elementos suficientes que pusessem em dúvida que o poeta morreu de câncer.
Manuel Araya também questiona que participem da equipe o diretor do SML, o médico Patrício Bustos, e o subdiretor administrativo, Cristián Díaz.
Fontes ligadas ao juiz Carroza disseram à Efe que Bustos participará como diretor do SML, mas que não vai fazer parte da equipe pericial. Além disso, Cristián Díaz só exercerá trabalhos de coordenação logística, segundo explicou outra fonte que possui informações sobre o processo.
Apesar de não integrarem a equipe de exumação, o procedimento terá como observadores o próprio Manuel Araya; o advogado Eduardo Contreras; o sobrinho do poeta, Rodolfo Reyes; e o presidente do PC, Guillermo Teillier, acrescentou a fonte judicial. EFE

O dever de evitar uma guerra na Coreia

Por Fidel Castro

Faz alguns dias me referi aos grandes desafios que hoje a humanidade enfrenta. A vida inteligente surgiu no nosso planeta há cerca de 200 mil anos, salvo novas descobertas que demonstrem outra coisa.

Não confundamos a existência de vida inteligente com a existência da vida, que, desde suas formas elementares no nosso sistema solar, surgiu há milhões de anos.

Existe um número praticamente infinito de vida. No trabalho sofisticado dos mais eminentes cientistas do mundo se concebeu a ideia de reproduzir os sons que se seguiram ao Big Bang, a grande explosão que ocorreu há mais de 13.700 milhões de anos.

Seria esta introdução demasiado extensa não fosse para explicar a gravidade de um fato tão incrível e absurdo como a situação criada na Península da Coreia, em uma área geográfica onde se agrupam quase 5 dos 7 bilhões de pessoas que neste momento habitam o planeta.
Trata-se de um dos mais graves riscos de guerra nuclear depois da Crise de Outubro, em 1962, em torno de Cuba, há 50 anos.

No ano de 1950, se desatou ali uma guerra que custou milhões de vidas. Fazia apenas 5 anos que duas bombas atômicas haviam explodido sobre as cidades indefesas de Hiroshima e Nagasaki, as que em questão de minutos mataram e irradiaram sobre centenas de milhares de pessoas.

Na Península Coreana o General Douglas MacArthur quis empregar as armas atômicas contra a República Popular Democrática da Coreia. Nem sequer Harry Truman o permitiu.

Segundo se afirma, a República Popular da China perdeu um milhão de valentes soldados para impedir que um exército inimigo se instalasse na fronteira deste país com a sua Pátria. A URSS, à sua vez, forneceu armas, apoio aéreo e ajuda tecnológica e econômica.

Tive a honra de conhecer Kim Il Sung, uma figura histórica, notavelmente valente e revolucionária.

Se lá estourar uma guerra, os povos de ambas as partes da Península serão terrivelmente sacrificados, sem benefício para nenhum deles. A República Democrática da Coreia sempre foi amistosa com Cuba, como Cuba tem sido sempre e seguirá sendo com ela.

Agora que demonstrou seus avanços técnicos e científicos, lhe recordamos seus deveres com países que foram seus grandes amigos, e não seria justo esquecer que tal guerra afetaria de modo especial mais de 70% da população do planeta.

Se um conflito desta índole estourar, o governo de Barack Obama em seu segundo mandato ficaria sepultado por um dilúvio de imagens que o apresentariam como o mais sinistro personagem da história dos Estados Unidos. O dever de evitá-lo é também seu, e do povo dos Estados Unidos.

Fonte: Prensa Latina
Tradução da redação do Vermelho

Nota de Pesar - Pedro Castro

A Casa da América Latina Lamenta profundamente a perda do querido Pedro Castro, membro fundador e integrante de seu Conselho, e membro da Mesa do Conselho durante a gestão do Presidente Raimundo de Oliveira. Pedro Castro foi valioso intelectual e incansável militante em várias lutas contra a opressão e a injustiça. Onde houvesse manifestação política em prol da Liberdade , Direitos Humanos, e, integração da América Latina, era sempre dos primeiros a chegar. Pedro Castro manteve, em sua atuação, o devotamento que raros ofereciam. Marcando pela fidelidade aos seus ideais em favor de um mundo sem separação de classes e livre de qualquer tipo de opressão.

Portanto,Camarada Pedro Castro, Presente. Agora e Sempre.

Casa da América Latina

João Luiz Duboc Pinaud

Notícias do Paraguai

PROCESSO CRÍTICO EM NOSSO PAÍS NO MARCO DAS TENSÕES INTERNACIONAIS

O pesado clima das eleitorais no Paraguai se configura em meio aos profundos conflitos mundiais que ameaçam com um desenlace bélico de consequências desastrosas para a humanidade.

O governo ilegítimo e ilegal de Federico Franco, Presidente golpista e usurpador, preside as eleições fraudulentas do próximo 21 de abril/ 13, nas quais os questionados Horacio Cartes e Efrain Alegre, são os candidatos que – o principal eleitor – a Embaixada norte-americana/ USAID planeja impor por meio de uma escandalosa fraude, de tipo stronista.

De fato, após o Golpe de Estado parlamentar em 22 de junho passado, apenas no dia 25 do mesmo mês o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) reconheceu o governo golpista e começou a aplicar a gigantesca fraude, permitindo propagandas permanentes e absolutamente desiguais que lavam dinheiro mafioso. Naturalmente, os meios massivos de comunicação são cúmplices da grande fraude eleitoral pela manifesta desigualdade nos espaços para uma ou outra proposta, deturpando ou inviabilizando algumas candidaturas e propagando outras.

O povo vai lutar nas urnas e nas ruas, defendendo a vontade da maioria a favor dos candidatos populares que se apresentem, particularmente da Frente Guasu: o Dr. Carrillo Iramaín, à Presidente da República; o dirigente camponês Luis Aguayo, à Vice-Presidente, e Fernando Lugo, ao cargo de primeiro senador e todos os candidatos a senadores, deputados, governadores e conselheiros departamentais da lista 40 da Frente.

Os ianques que interveem em nossa Pátria a favor dos Cartes e dos Alegre, dos candidatos do narcotráfico, do contrabando, da corrupção e do neoliberalismo, das transnacionais, da oligarquia da soja e pecuária, são os mesmo que agrediram e invadiram o Iraque, o Afeganistão e a Líbia, são aqueles que hoje estão ameaçando o Irã e a Coreia do Norte com as armas nucleares de extermínio maciço, com risco de extinção da vida sobre a Terra.

É conhecida a ficha mafiosa de Horacio Cartes, que algum “esquerdista” renegado admira como empresário de sucesso, assim como a condição neoliberal capitalista de Efrain Alegre, a quem se acusa de corrupto e desvio de verbas.

O imperialismo norte-americano necessita impor aos mandatários servis seus planos de converter o Paraguai em uma potência econômica, política e militar, enganando com o populismo e reprimindo nosso povo quando o mesmo se mobiliza, o que já está fazendo Federico Franco, especialmente contra os camponeses que lutam combativamente em Curuguaty (Canendiyú).

O golpe de Estado parlamentar em nosso país foi perpetrado contra nosso povo e contra o movimento de libertação nacional da Venezuela, da Bolívia, do Equador, da Nicarágua e contra o desenvolvimento democrático e soberano do Brasil, da Argentina e do Uruguai.

Quando existe crise internacional, quando existe preparação de guerra e, diretamente, existem conflitos bélicos internacionais, imediatamente são sentidas suas consequências em âmbito nacional. Assim foi, não há muito tempo, quando a “Guerra Fria” contra o comunismo, que se traduziu em nossos países no lema da “Doutrina de Segurança Nacional”, foram impostas as ditaduras terroristas, como a do General Alfredo Stroessner, hoje ponderada por Horacio Cartes, o candidato a carrasco de nosso povo.

Temos que estar alertas e mobilizados na luta por nossos direitos, através das mobilizações populares unidas e amplas, e pelos candidatos populares nos próximos comícios, participando do movimento mundial pela paz, contra o belicismo imperialista, pela autodeterminação dos povos e contra a intervenção estrangeira.

UNIDADE POPULAR E AMPLA PARA TRIUNFAR NAS RUAS E NAS URNAS!

UNIDADE ANTI-IMPERIALISTA PELA PAZ E PELO DESARMAMENTO DOS EUA!

COMISSÃO POLÍTICA

PARTIDO COMUNISTA PARAGUAIO
Fonte: Partido Comunista Brasileiro

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