Artigos / Notas


A Chacina que o Brasil não viu

Mineradoras estrangeiras: A Chacina que o Brasil não viu
26/08/2017

imagemGenocídio no Brasil, Campo de concentração em Minas Gerais, aquela que depois se tornaria o grande ícone da imprensa no Brasil dá um show de desinformação; estrangeiros vêm ao Brasil, filmam tudo e as imagens rodam o mundo.

A reportagem foi publicada por Tv cidade e reproduzida por Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos, 07-02-2017.

O grande ícone da grande imprensa brasileira, estrategicamente, acusa erroneamente garimpeiros brasileiros pela chacina, mobilizando a opinião pública mundial contra o Brasil. A justiça brasileira investiga e, um mês depois, descobre que a culpa é de empresas como a Arruda e Junqueira, empresas terceirizadas por Nelson Rockefeller e pela CIA para o extermínio generalizado de centenas de tribos que vivem em regiões de interesse de mineradoras internacionais. Mas isso não é transmitido para o mundo, nem para o Brasil. Segundo decisão dos donos da grande emissora, é “para não gerar uma visão negativa do Brasil no exterior”.

O ano é 1963. O padre Edgar Smith recebe em seu confessionário o genocida Ataíde Pereira, que, prevendo a morte breve e atormentado pelos crimes que havia cometido, procura o padre para confessar seus pecados e tentar de alguma forma mudar o rumo das coisas. Todos seus companheiros já estão mortos, o chefe da expedição, Francisco Brito, o piloto do avião que bombardeara a tribo e até o próprio padre Edgar estariam mortos algumas semanas mais tarde. Além disso, não havia recebido os quinze dólares prometidos pelo serviço. O padre convenceu Pereira de repetir sua confissão em um gravador e entregou a fita ao SPI, Serviço de Proteção ao Índio. O caso foi abafado no Brasil, mas não no mundo. Finalmente, com toda a pressão internacional o caso chega ao procurador geral de justiça, que pede uma investigação completa do caso.

As provas do genocídio são incontestáveis, 20 volumes de provas são coletados e acusam que entre 1957 e 1968 cerca de 100 mil índios foram assassinados por mineradoras estrangeiras. Os que não resistiram à ocupação tiveram a vida poupada e foram levados para Crenaque, em MG, onde existia um enorme campo de concentração onde mais alguns milhares morreriam de fome e maus tratos. O detalhamento do genocídio é chocante, os Nambikuaras haviam sido mortos com metralhadoras, os Pataxós com varíola inoculada no lugar de vacinas, os Canelas mortos por jagunços, os Maxakali drogados e mortos a tiros, os Beiço de Pau receberam alimentos com formicida e arsênico. Todas as tribos estudadas pelo SIL haviam sido mortas, o Instituto Summer de Linguistica aprendia a língua da tribo o suficiente para dar alternativa aos índios. Ou eles fugiam para o campo de Crenaque ou morreriam.

Trechos da confissão de Pereira mostram como era a vida do matador. …”estávamos com bastante medo uns dos outros. Nesse tipo de lugar, as pessoas atiram umas nas outras e são alvejadas, pode-se dizer, sem saber a razão. Quando abrem um buraco em você, eles têm mania de enfiar uma flecha na ferida, para colocar a culpa nos índios…” As próximas vítimas eram os Cinta Larga, uma pequena tribo indígena da Amazônia brasileira que havia cometido o erro de se instalar sobre uma mina de nióbio e se recusavam a sair. O depoimento de Pereira, da chacina dos Cinta Larga mostra como era o cotidiano desses matadores. “…Após metralhar toda tribo havia sobrado somente uma jovem menina e uma criança que chorava abraçada à menina no centro da aldeia. Os matadores pedem pela vida da menina alegando que pode ser usada para prostituição. Chico atravessou a cabeça da criança com um tiro, ele parecia descontrolado, ficamos muito assustados. Ele amarrou a garota índia de cabeça para baixo numa árvore, as pernas separadas, e a rasgou ao meio com o facão. Quase com um único golpe, eu diria. A aldeia parecia um matadouro. Ele se acalmou depois de cortar a mulher e nos disse para queimar as cabanas, jogar os corpos no rio. Depois disso, pegamos nossas coisas e retomamos o caminho de volta, tomando cuidado para esconder nossas pegadas. Mal sabia que um dia a pegada a ser apagada seria ele…”

No fim foi provado que o SPI estava diretamente envolvido nas chacinas com a distribuição de roupas contaminadas por varíola, alimentos envenenados, crianças escravizadas, mulheres prostituídas e muito mais. Dos 700 funcionários, 134 foram processados mas todos perdoados na ditadura, foram então treinados pela CIA aos moldes da Polícia Tribal do Departamento de Assuntos Índios (BIA) dos EUA e colocados sob a chefia do ex-chefe do serviço militar de informações. Assim por mais alguns anos a FUNAI adotou a política de arrendar terras indígenas para empresas mineradoras, encaminhando os índios para morrerem em Crenaque. Os militares do ministério do interior cooperavam com a agência americana de pesquisa geológica mapeando a Amazônia. Trechos do livro “Seja Feita a Vossa Vontade”, de Gerard Colby com Charlotte Dennett.

A grande e maior rede de TV do Brasil é uma ferramenta criada pela CIA para esconder a operação Brother Sam e a extração de nióbio do Brasil. Através de Nelson Rockefeller a CIA obtém, usando a CBMM do falecido amigo e sócio, Walter Moreira Salles, o nióbio de Araxá praticamente de graça. Quando Getúlio Vargas descobriu e tentou interromper esse processo foi deposto no golpe militar que levaria à sua morte. Quando Jango descobriu, cassou a Hanna Mineradora e anunciou as reformas de base, também morreu. Em todos esses momentos, Moreira Salles estava presente.

Agora que o Ministério Público começou a investigar a relação desta emissora com a CBMM surgiu a PEC 37. Se não colar, os tumultos estão aí nas ruas, como o IPES fez em 1964, criando o caos para justificar a intervenção militar. Não podemos fazer protestos violentos e a razão da luta não pode ser aumento do preço da passagem, e sim o fim da exploração oculta do nióbio. Isso é a origem de todo o problema. Precisamos mostrar aos EUA que nós sabemos o que está se passando para que ele libere ainda mais a famosa emissora e grande rede de TV brasileira da obrigação de nos manter desinformados, sempre sabotando o QI dos brasileiros com programas alienantes, condenando ao esquecimento nossos heróis e políticos honestos e escondendo o extermínio sistemático dos nossos índios para beneficiar as empresas estrangeiras, facilitando seus interesses, até tomarem posse de suas terras sem serem notadas. Acorda Brasil!

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/570876-mineradoras-estrangeiras-a...

Fonte: PCB- online

A Chacina que o Brasil não viu

Mineradoras estrangeiras: A Chacina que o Brasil não viu
26/08/2017

imagemGenocídio no Brasil, Campo de concentração em Minas Gerais, aquela que depois se tornaria o grande ícone da imprensa no Brasil dá um show de desinformação; estrangeiros vêm ao Brasil, filmam tudo e as imagens rodam o mundo.

A reportagem foi publicada por Tv cidade e reproduzida por Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos, 07-02-2017.

O grande ícone da grande imprensa brasileira, estrategicamente, acusa erroneamente garimpeiros brasileiros pela chacina, mobilizando a opinião pública mundial contra o Brasil. A justiça brasileira investiga e, um mês depois, descobre que a culpa é de empresas como a Arruda e Junqueira, empresas terceirizadas por Nelson Rockefeller e pela CIA para o extermínio generalizado de centenas de tribos que vivem em regiões de interesse de mineradoras internacionais. Mas isso não é transmitido para o mundo, nem para o Brasil. Segundo decisão dos donos da grande emissora, é “para não gerar uma visão negativa do Brasil no exterior”.

O ano é 1963. O padre Edgar Smith recebe em seu confessionário o genocida Ataíde Pereira, que, prevendo a morte breve e atormentado pelos crimes que havia cometido, procura o padre para confessar seus pecados e tentar de alguma forma mudar o rumo das coisas. Todos seus companheiros já estão mortos, o chefe da expedição, Francisco Brito, o piloto do avião que bombardeara a tribo e até o próprio padre Edgar estariam mortos algumas semanas mais tarde. Além disso, não havia recebido os quinze dólares prometidos pelo serviço. O padre convenceu Pereira de repetir sua confissão em um gravador e entregou a fita ao SPI, Serviço de Proteção ao Índio. O caso foi abafado no Brasil, mas não no mundo. Finalmente, com toda a pressão internacional o caso chega ao procurador geral de justiça, que pede uma investigação completa do caso.

As provas do genocídio são incontestáveis, 20 volumes de provas são coletados e acusam que entre 1957 e 1968 cerca de 100 mil índios foram assassinados por mineradoras estrangeiras. Os que não resistiram à ocupação tiveram a vida poupada e foram levados para Crenaque, em MG, onde existia um enorme campo de concentração onde mais alguns milhares morreriam de fome e maus tratos. O detalhamento do genocídio é chocante, os Nambikuaras haviam sido mortos com metralhadoras, os Pataxós com varíola inoculada no lugar de vacinas, os Canelas mortos por jagunços, os Maxakali drogados e mortos a tiros, os Beiço de Pau receberam alimentos com formicida e arsênico. Todas as tribos estudadas pelo SIL haviam sido mortas, o Instituto Summer de Linguistica aprendia a língua da tribo o suficiente para dar alternativa aos índios. Ou eles fugiam para o campo de Crenaque ou morreriam.

Trechos da confissão de Pereira mostram como era a vida do matador. …”estávamos com bastante medo uns dos outros. Nesse tipo de lugar, as pessoas atiram umas nas outras e são alvejadas, pode-se dizer, sem saber a razão. Quando abrem um buraco em você, eles têm mania de enfiar uma flecha na ferida, para colocar a culpa nos índios…” As próximas vítimas eram os Cinta Larga, uma pequena tribo indígena da Amazônia brasileira que havia cometido o erro de se instalar sobre uma mina de nióbio e se recusavam a sair. O depoimento de Pereira, da chacina dos Cinta Larga mostra como era o cotidiano desses matadores. “…Após metralhar toda tribo havia sobrado somente uma jovem menina e uma criança que chorava abraçada à menina no centro da aldeia. Os matadores pedem pela vida da menina alegando que pode ser usada para prostituição. Chico atravessou a cabeça da criança com um tiro, ele parecia descontrolado, ficamos muito assustados. Ele amarrou a garota índia de cabeça para baixo numa árvore, as pernas separadas, e a rasgou ao meio com o facão. Quase com um único golpe, eu diria. A aldeia parecia um matadouro. Ele se acalmou depois de cortar a mulher e nos disse para queimar as cabanas, jogar os corpos no rio. Depois disso, pegamos nossas coisas e retomamos o caminho de volta, tomando cuidado para esconder nossas pegadas. Mal sabia que um dia a pegada a ser apagada seria ele…”

No fim foi provado que o SPI estava diretamente envolvido nas chacinas com a distribuição de roupas contaminadas por varíola, alimentos envenenados, crianças escravizadas, mulheres prostituídas e muito mais. Dos 700 funcionários, 134 foram processados mas todos perdoados na ditadura, foram então treinados pela CIA aos moldes da Polícia Tribal do Departamento de Assuntos Índios (BIA) dos EUA e colocados sob a chefia do ex-chefe do serviço militar de informações. Assim por mais alguns anos a FUNAI adotou a política de arrendar terras indígenas para empresas mineradoras, encaminhando os índios para morrerem em Crenaque. Os militares do ministério do interior cooperavam com a agência americana de pesquisa geológica mapeando a Amazônia. Trechos do livro “Seja Feita a Vossa Vontade”, de Gerard Colby com Charlotte Dennett.

A grande e maior rede de TV do Brasil é uma ferramenta criada pela CIA para esconder a operação Brother Sam e a extração de nióbio do Brasil. Através de Nelson Rockefeller a CIA obtém, usando a CBMM do falecido amigo e sócio, Walter Moreira Salles, o nióbio de Araxá praticamente de graça. Quando Getúlio Vargas descobriu e tentou interromper esse processo foi deposto no golpe militar que levaria à sua morte. Quando Jango descobriu, cassou a Hanna Mineradora e anunciou as reformas de base, também morreu. Em todos esses momentos, Moreira Salles estava presente.

Agora que o Ministério Público começou a investigar a relação desta emissora com a CBMM surgiu a PEC 37. Se não colar, os tumultos estão aí nas ruas, como o IPES fez em 1964, criando o caos para justificar a intervenção militar. Não podemos fazer protestos violentos e a razão da luta não pode ser aumento do preço da passagem, e sim o fim da exploração oculta do nióbio. Isso é a origem de todo o problema. Precisamos mostrar aos EUA que nós sabemos o que está se passando para que ele libere ainda mais a famosa emissora e grande rede de TV brasileira da obrigação de nos manter desinformados, sempre sabotando o QI dos brasileiros com programas alienantes, condenando ao esquecimento nossos heróis e políticos honestos e escondendo o extermínio sistemático dos nossos índios para beneficiar as empresas estrangeiras, facilitando seus interesses, até tomarem posse de suas terras sem serem notadas. Acorda Brasil!

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/570876-mineradoras-estrangeiras-a...

Fonte: PCB- online

NA VENEZUELA SE FAZ NECESSÁRIA UMA VITÓRIA CONSTITUINTE

por Carlos Aznárez, Diretor do Resumen Latinoamericano

É evidente que o governo venezuelano não se equivocou quando decidiu lançar a convocatória para votar pela realização de uma Assembleia Constituinte. Não só porque em seu conteúdo está implícita uma maior participação dos setores populares que seguem empurrando o trem bolivariano, mas porque o inimigo local e internacional se deu conta que essa instância significa a passagem necessária para aprofundar a Revolução. Daí que tentem impedi-la: desde Donald Trump até seus aliados incondicionais da União Europeia não duvidam em exigir que o presidente Nicolás Maduro desconvoque esse apelo estratégico. Sem dizer dos amanuenses dos governos de direita latino-americanos, representados entre outros pelo quarteto Macri-Temer-Cartes-Santos, que não pouparam munição pesada para difamar tudo o que a Venezuela veio construindo nestes últimos 18 anos.

Porém, o que mais incomoda a todos eles nesta Constituinte que indefectivelmente ocorrerá? Antes de mais nada, o fato de que aposta na paz e esgrime a bandeira para reconfigurar uma perspectiva de diálogo nacional, o que a diferencia de outros processos contaminados pela democracia burguesa, não falando apenas com a “oposição”. É claro que não existe uma palavra com aqueles que demonstraram um comportamento fascista, assassinando indiscriminadamente homens e mulheres do povo, e cujo destino deve ser o cárcere comum, porém, sem deixar de conversar com aqueles que se propuseram a respeitar as regras do jogo da democracia participativa.

A iniciativa que será votada massivamente em 30 de julho aspira a converter em sujeitos principais da nova etapa revolucionárias as pessoas do povo, os moradores das comunas, os habitantes dos bairros, os e as estudantes, campesinos e campesinas, afrodescendentes.

Com todos eles e elas, que são quem vem de corpo e alma diariamente defender as enormes conquistas obtidas desde 1999, se faz necessário encarar medidas radicais que apontem para qualificar ainda mais os avanços obtidos ate agora e diagramar o necessário caminho para o socialismo. Esta Constituinte de nenhuma maneira suplantará a atual e que foi impulsionada por Hugo Chávez, mas reafirmará sua vigência, incorporando aspectos substanciais para atacar o terrorismo, o fascismo e o racismo que nos últimos meses se introduziram como um vírus, tentando minar os laços de fraternidade e solidariedade social entre pobladores e vizinhos. O fará através de um projeto de lei que outorgue amplos poderes à Comissão pela Verdade, a Justiça e a Paz, para que não haja impunidade frente aos crimes cometidos através das guarimbas desestabilizadoras.

A Constituinte vai, também, atacar as raízes da guerra econômica, buscando de maneira taxativa terminar com a especulação, o desabastecimento, a regulação de preços e os ataques contra a moeda nacional fomentada desde a Colômbia, contando com a cumplicidade dos colaboracionistas locais da contrarrevolução. Além disso, se reforçará a ideia de que seja o poder popular das Comunas e os Conselhos Comunais socialistas que tome a frente para que a burocracia não continue impedindo o crescimento revolucionário. É nessas instâncias populares onde militam aqueles que geram com seu trabalho e seu sacrifício a possibilidade de que a Venezuela siga avançando.

A Constituinte também favorecerá uma faixa importante da classe média que adquiriu consciência de povo e de pátria durante o transcorrer do processo bolivariano. Será nesse marco de unidade popular no qual tocará defender e ativar ainda mais as Missões sociais, o acesso gratuito à saúde e à educação, a vitória de uma nação livre de analfabetismo ou a construção de um milhão e meio de habitações. Tudo isso, conquistado enquanto se enfrentava a mais descomunal das investidas do imperialismo norte-americano e seus aliados, do terrorismo midiático e da burguesia empresarial local, que insiste em destruir à força da violência todo o obtido até o presente.

Não há dúvidas de que esta semana se trava uma nova batalha na história da luta de classes. De um lado, aqueles que quiseram ver a Venezuela convertida em uma colônia dependente dos Estados Unidos, país que através do Comando Sul e da tristemente célebre Central de Inteligência Americana, planejou novas fórmulas de intervenção terceirizada (como fizeram, sem sucesso, na Síria) para derrubar o governo legítimo de Nicolás Maduro. Para isso, conta, com seus cachorros da OEA e, sobretudo, com esse expoente da traição à Pátria Grande que é o Secretário Luis Almagro. Este grupo, denominado eufemisticamente “oposição”, não se conformaria, no caso de triunfar, com ocupar o governo e as instituições, mas que implantariam um rancor e revanchismo tal que produziria um verdadeiro etnocídio. Detestam de morte os pobres, aos “negros”, “zambos” ou “mulatos”, como chamam depreciativamente a essa massa da população que com a Revolução se dignificou. É tal o desprezo aos diferentes que não duvidariam em continuar a tarefa de ressuscitar – como fizeram nos últimos dias – métodos medievais para assassinar mediante o fogo os que a eles se oponham. Muitos dos seguidores de Leopoldo López e Capriles são herdeiros dessa seita denominada “Tradição, Família e Propriedade”, e se creem “cruzados” contra o “mal” que atribuem aos “hereges” bolivarianos. Em seus rituais de horror, portam cruzes e até são benzidos por sacerdotes ou por ex-presidentes, como Aznar, Felipe González, Pastrana ou o boliviano Tuto Quiroga. São a Inquisição revivida no século XXI, tão cruel e feroz como aquela que assolou a Europa vários séculos atrás. No entanto, os “democratas” europeus protegidos pelo El País, pelo ABC ou pelo resto da imprensa canalha, não parecem comovê-los.

É em função desta realidade que se torna necessário evitar que esta turba mercenária (de lúmpens mercenários e paramilitares, muitos deles vindos da Colômbia) alcance seu objetivo. Para isso, o povo conta com uma ferramenta fundamental que até o presente não foi penetrada: a unidade cívico-militar, sobre a qual tanto insistira o Comandante Chávez. Porém, além disso, se necessária, também estão as milícias populares, as brigadas de Autodefesa, o Chavismo Bravo e a coragem de homens e mulheres dispostas a não ceder nem um passo à reação.

“Não existe retorno para nós”, proclamou dois domingos atrás em Caracas, uma mulher idosa, enquanto fazia uma longa fila para cumprir com o ensaio de votação. “Aqueles que levam Chávez no coração vão defender Maduro porque é um dos nossos”. Com essas palavras, definiu um sentimento feito carne na maioria dos e das bolivarianas. Custou muito esforço levantar este edifício revolucionário. Tanto com a dor e o ódio que agora a direita tenta injetar na população. É certo que existe muito para corrigir em todo o caminhado, porém para aqueles que apenas duas décadas atrás viviam submersos na miséria e na repressão da Quarta República, a Revolução Bolivariana lhes devolveu a autoestima e todos os direitos que tinham sido retirados. Avançou-se ali e foi possível entusiasmar, no mesmo sentido, outros países do continente latino-americano e o rebote chegou até a Europa. Precisamente essa parte da população, que continua sendo majoritária, é a que no próximo domingo gritará ao mundo que “A Constituinte vai que vai. De todas as maneiras vai!”.

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/07/26/en-venezuela-se-hace-ne...

“Muros entre povos são atentado contra humanidade"

Conferência Mundial dos Povos “Por um mundo sem muros, rumo à cidadania universal” ocorreu na Bolívia

Cinco mil pessoas de mais de 40 países estiveram presentes na abertura da Conferência Mundial dos Povos, “Por um mundo sem muros, rumo à cidadania universal”, apresentada pelo presidente boliviano, Evo Morales. O evento começou nesta terça-feira (20) e terminou nesta quarta (21), na cidade de Tiquipaya, em Cochabamba, na Bolívia.

Convocada pelo governo e pelos movimentos sociais da Bolívia

, a conferência contou com a presença de delegados de organizações sociais, defensores dos direitos dos imigrantes, acadêmicos, juristas e autoridades governamentais de diferentes partes do mundo. Além das organizações sociais e referências políticas de diversos países, estiveram presentes o ex-presidente equatoriano Rafael Correa, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper e o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

Na inauguração da conferência, o presidente boliviano fez referência à iniciativa do presidente estadunidense, Donald Trump, de construir um muro na fronteira com o México e a outros temas vinculados à solidariedade entre os povos.

Ao tomar a palavra, Evo Morales denunciou que “os países que provocam as guerras são os mesmos que fecham as portas e constroem muros para impedir que aqueles que fogem dos conflitos encontrem um lugar seguro”, em alusão aos Estados Unidos. “Temos direito à cidadania universal”, afirmou o líder boliviano, que fez um chamado a “construir a fraternidade mundial, a paz, e recuperar a esperança.”

“Estamos convencidos de que é possível: na Bolívia criamos e nos reconhecemos como um estado plurinacional, que acolhe igualmente todas as nações da nossa terra”, assegurou.

Além disso, o presidente recordou aos participantes da conferência que a declaração universal dos direitos humanos estabelece que toda pessoa tem o direito de circular livremente e escolher seu território de residência. “Por esse motivo não pode existir nenhum ser humano ilegal no mundo, sem liberdade, sem cidadania”, criticou.

Por outro lado, enumerou os problemas relacionados com a mudança climática, a desigualdade social, a falta de energia, a carência de água e alimentos, assim como os conflitos armados e as guerras. “A família humana vive a pior crise humanitária desde 1945”, disse Morales, ao repassar os dados de organismos internacionais sobre migração.

Edição: Vanessa Martina Silva | Tradução: Luiza Mançano

Ilustração: O presidente boliviano, Evo Morales, realizou um discurso na abertura do encontro.

Ricardo Gómez García/Pressenza - www.pressenza.com

Extraído do site: PCB - https://pcb.org.br/portal2/14869

Nota de Solidariedade da Casa da América Latina – Brasil

A República Bolivariana da Venezuela tem sido alvo de uma insidiosa ação

do governo norte-americano visando liquidar o processo revolucionário e a

soberania venezuelana.

Essa ação movida pelo Império do Norte, centro irradiador do grande

capital financeiro ataca interna e externamente o governo legítimo e

democrático do presidente Maduro.

As forças antinacionais a serviço do imperialismo lançam mão da mídia

para difundirem sórdida campanha contra as lideranças e o povo

venezuelano, atuando de forma permanente para desestabilizar o governo e

as instituições políticas da República Bolivariana da Venezuela.

A Casa da América Latina, uma entidade política apartidária sediada no

Brasil, de característica internacionalista, vem se solidarizar com o Povo da

Venezuela. E se empenhar para que junto com a consciência cívica latino-

americana enfrentemos e superemos o trágico momento vivido no país

irmão, de modo a prevalecer o interesse nacional e popular em todo o

continente latino-americano.

E que os grupos minoritários fascistas sejam definitivamente derrotados

pela força do povo de Simon Bolívar e Hugo Chaves, líderes consagrados

pela história e pelo povo venezuelano.

Viva Simon Bolivar! Viva Hugo Chaves! Viva a resistência do Povo

Venezuelano sob a Liderança do Governo de Nicolás Maduro! Por uma

Venezuela livre! Pela solidariedade latino-americana!

 

Rio de Janeiro, junho de 2017.

Nota da CAL sobre a prisão de bolivianos na fronteira do Chile

Nota da Casa da América Latina

A Casa da América Latina manifesta sua preocupação com a detenção de nove bolivianos pelas autoridades chilenas na fronteira dos dois países irmãos. E que tal fato venha a reativar um conflito já mais do que centenário entre o Chile e a Bolívia. Neste sentido, apela para que a justa reivindicação boliviana de acesso ao mar e que, inclusive, encontra simpatia no Chile e do atual governo democrático daquele país encerre de vez as hostilidades entre esses dois povos.
A Casa da América Latina espera ansiosamente que os esforços na direção da paz e da segurança venham a fortalecer os laços de amizade e cooperação latino-americana. Assim, só o entendimento diplomático pode resultar tanto na pronta soltura dos detidos pelas autoridades chilenas, como conduzir à unidade da América Latina, de modo a deter o imperialismo, único interessado na divisão dos povos da região, e promover de forma afirmativa a soberania boliviana, chilena e dos demais povos latino-americanos.
Por fim, a Casa da América Latina reafirma o apoio à reivindicação boliviana de acesso ao mar, cujo equacionamento da questão se faça conjuntamente com o governo chileno num clima de harmonia e de preservação da amizade entre os povos.

Casa da América Latina

A deus Ano Velho, que venha 2017

Querid@s Fundador@s , Conselheir@s, Sóci@s , companheir@s e amig@s

Mais um Ano se encerrar, mais um difícil ciclo se fecha e é tempo de fazer uma retrospectiva. É tempo de olhar para trás e rever os planos que foram traçados e que foi percorrido com muitas pedras pelo caminho, mais há luta pela superação. Precisamos continuar seguindo em frente e resistindo até a vitória final. Agradecemos pela oportunidade de fazer parte da sua história, esperamos que essa parceria continue por muito anos.

Boas Festas e grandioso 2017
São Votos da Casa da América Latina

Sua Estrela Vermelha nos seguirá iluminando.

Fidel: Tu estrella roja nos seguirá iluminando
Fidel se nos ha ido de pronto, y ya lo estamos extrañando, porque nada será igual sin él. Creíamos, muchas veces lo pensamos en los rincones más inhóspitos de las cárceles, en las cloacas de las peores torturas, o en los días más difíciles de nuestras luchas, que Fidel estaba con nosotros, alentándonos, acompañando las peores dificultades. Sus ideas revolucionarias y socialistas, su ejemplo de combatiente y estratega, su incomparable sapiencia a la hora de emprender las más difíciles luchas. Siempre Fidel estaba presente, con su uniforme verde oliva, con su fusil levantado en alto, empuñado con vigor y dispuesto a seguir siempre pa’lante.

Fidel: Tu estrella roja nos seguirá iluminando
Fidel, la estrella más roja del mapa latinoamericano y caribeño, esa enorme figura que supo hacer de la Revolución una posibilidad no lejana y a la vez logró transmitir esperanzas para que otros y otras en cualquier rincón del mundo pudieran alzarse contra las injusticias. Ese gigantesco corazón sensible en el que han cabido todas las tristezas de los más necesitados y también las alegrías por las pequeñas y grandes victorias conquistadas. En Fidel, digo, y en su forma de generar conciencia, formación, coraje y toda la audacia necesaria para conquistar el poder y no servirse del mismo, están concentrados todos los anhelos de quienes jamás se habrán de dar por vencidos en la lucha por un mundo diferente. Socialista, sin más aditamentos, al decir y el hacer del Comandante.

Justamente ahora, que la situación internacional no parece la más favorable para los pueblos y hay dudas sobre el futuro que le espera a la Humanidad, vale la pena buscar respuestas a la existencia de este inagotable referente del campo revolucionario que sigue dando lecciones de sabiduría y humildad.

Se ha marchado el hombre y el combatiente que se dio cuenta enseguida que todas las teorías del mundo no son suficientes si no se ejerce una práctica audaz e inteligente contra el autoritarismo, y junto con un puñado de valientes asaltó el Moncada, abriendo así un sendero que no se detendría más hasta la toma del poder, una meta imprescindible si se quiere hacer una Revolución con mayúsculas. Pero qué decir de ese Fidel, que con Raúl, el Che y otros tantos patriotas desembarcó del Granma, y cuando todo parecía venirse abajo, entre cadáveres de sus mejores hermanos y las balas del enemigo, contó los fusiles y se repitió varias veces, como para que lo oyeran los esbirros de la dictadura batistiana, que con esa decena de hombres que quedaban en pie, ganarían la batalla.

Ya no tendremos a ese hombre junto a nuestras luchas, a ese Fidel de la Sierra Maestra, el que rodeado de Raúl, el Che y Camilo fue capaz de cometer las más increíbles hazañas. Allí, en aquellas montañas victoriosas, apareció con toda claridad el Fidel combatiente, el estratega militar capaz de convertir en triunfo aplastante lo que minutos antes iba camino a convertirse en derrota, el Fidel compañero de sus compañeros, severo cuando se trataba de hacer que se cumplan sus órdenes, sabedor de que cualquier duda en un combate tan desigual como el que libraban, podía hacer capotar el proyecto revolucionario.

Pero también supimos en esos pocos años de batalla directa contra la soldadesca de Batista, de ese Fidel que respetaba la vida de sus enemigos una vez que eran capturados en combate, marcando de esa forma un territorio de humanidad, que en varias ocasiones provocó deserciones masivas entre los uniformados del régimen, y generó las bases para que pocos miles de rebeldes vencieran a un ejército regular y bien equipado de cien mil soldados, que contaban con tanques, aviones bombarderos, y la ayuda internacional de los imperios yanqui e inglés.

Después, cuando los barbudos felizmente marcharon victoriosos hacia La Habana, en aquellos días memorables del 59, comenzó a desarrollarse la vida de un Fidel que terminó asombrando al mundo. Revolucionario hasta la médula, liberó a su pueblo de la opresión y de la cultura gringa que lo asfixiaba, expropió y nacionalizó todo lo que antes era de cuatro magnates subordinados a la mafia norteamericana, y ejerció el internacionalismo con la misma potencia que antes había desarrollado para derrotar al tirano.

Codo a codo con el Che, no dudó de emprender una prolongada marcha para conquistar la por ahora pendiente segunda Independencia latinoamericana. Venció al Apartheid sudafricano, ayudó a liberar Angola, abrazó a Salvador Allende y apretó los puños de rabia, como pocos, cuando se enteró que su hermano Guevara caía en combate en Ñancahuazu.

Cuántos rebeldes del continente se siente enormemente agradecidos por lo que hizo Cuba por ellos, cuántos luchadores por el socialismo no hubieran podido gestar múltiples hazañas en sus países sin la decisión solidaria y comprometida de Fidel y sus compañeros. La lista es extensa y a través de ella, Cuba y su Revolución fueron escribiendo páginas de dignidad imposibles de olvidar.

En esos años y en los venideros, Fidel debió multiplicarse, para que la Isla no se hundiera tras la caída del bloque socialista, para intervenir con clarividencia en temas de deuda externa, anunciando antes que ninguno, que la misma era impagable por ilegítima. También propuso soluciones para cuidar y defender el medio ambiente, o encarar gigantescas iniciativas en temas de educación y salud para su pueblo, que luego fueron y son derivadas de manera solidaria hacia el resto del mundo.

Sin embargo, la madre de todas las batallas fue la que libró Fidel, abrazado con su pueblo, contra el criminal bloqueo imperialista.

Medio siglo de obligadas carencias, que fueron derrotadas a punta de digno coraje y la convicción de que a las revoluciones verdaderas se le oponen miles de escollos. Para que semejante agresión no pueda salir airosa, Fidel lo repitió siempre, la medicina es tener conciencia revolucionaria y convicción de que se libra una batalla justa, forjar una inmensa unidad de los de abajo, y sacrificarse hasta las lágrimas.

“Después de Dios, Fidel”, dijo emocionado un agradecido ciudadano de Haití, al defender las misiones médicas y alfabetizadoras que el gobierno cubano derramó por todo el mundo, llegando allí donde nadie se atrevía. Eso es lo que en estos días todos los que agradecemos su necesaria vigencia tenemos la obligación de recordar cuando nombramos a Fidel. Nunca, pero nunca, nos falló.

Lo decimos desde la constatación de saber en qué clase de mundo vivimos, donde la felonía, la corruptela, el transfuguismo y la claudicación se han convertido en moneda corriente. Frente a esas lacras, Fidel, Cuba, su pueblo, la vieja guardia y las jóvenes generaciones revolucionarias, siempre han mostrado que se puede. Que con voluntad política y conciencia revolucionaria no hay enemigo invencible.

Nuestro querido Comandante en jefe ya no estará para alumbrar nuevos amaneceres, pero sus ideas, que nadie tenga duda, permanecerán intactas para impulsarnos a no bajar los brazos. Como buen “caballo” y merecedor de ese apodo cariñoso impuesto por el pueblo de Cuba, Fidel seguirá galopando hacia el futuro. Y lo hará, ahora que ese enemigo al que le soportó la mirada, a pesar de tenerlo a sólo 90 millas, simula acercarse y “flexibilizar relaciones” para seguir apretando la soga de formas diversas. Ahora que ya no tenemos tampoco a Hugo Chávez, su mejor amigo, hijo, hermano, compañero, ahora que el Imperio se lanza a la ofensiva en lo que sigue considerando su “patio trasero” y Cuba se nos aparece, como siempre, intacta, inabordable por sus enemigos que son los nuestros, ahora, cuando las reflexiones de Fidel en defensa de la vida contra la muerte son más que necesarias, es momento de detener la marcha por un instante, y reconocerle a este hombre excepcional todos sus méritos.

Por eso, cuando las dificultades nos apabullen, cuando creamos que nos estamos quedando sin fuerzas, cuando a veces nos falten respuestas, cuando la confusión reinante nos haga dudar sobre quien realmente es el enemigo, en esos momentos de oscuridad y desazón, volvamos a Fidel, a sus ideas, a su ética, a su audacia, a su coraje, a su lógica revolucionaria y empinémonos nuevamente en la maravillosA aventura de querer tomar los cielos por asalto.

Un poco desolados, otro poco mordiendo nuestro propio dolor, pero jamás vencidos, te decimos querido Comandante, que te evocaremos cuando escuchemos el viejo tema de Carlos Puebla, ese que habla de que “mandastes a parar” y lo cantaremos una y otra vez, para darnos fuerza, para tragarnos las lágrimas, y consultarte a cada momento: ¿Vamos bien, Fidel?.

Extraído do Blog de Carlos Aznarez

Decadência do Progresso e das Transformações Limitadas

DECADÊNCIA DO PROGRESSISMO E DAS TRANSFORMAÇÕES LIMITADAS
Posted on 5 de abril de 2016
imagemO dilema continental é revolução social ou caos com hegemonia do grande capital decadente e das direitas duras.

Por Narciso Isa Conde

O quadro de nossa América já não parece tão favorável para as esquerdas e forças transformadoras como no início deste século.

Os EUA e as direitas retomaram a ofensiva e conseguiram se entronizar com diversos meios e variadas modalidades nos governos e Estados de Honduras, Paraguai, Peru e Argentina, países inicialmente situados no campo do progressismo.

Além disso, aproveitando as limitações e deformações em cada processo, estão conseguindo mudar a seu favor a correlação de força na Venezuela, criando melhores condições para o retrocesso.

A isso se agrega que conseguiram corroer gravemente o moderado e debilitado regime do PT no Brasil, apontando também contra os governos transformadores do Equador e Bolívia com estratégias de desgastes limitadamente exitosas.

FATORES ADVERSOS E FALHAS

O fim das vantagens econômicas derivadas dos altos preços do petróleo, a redução das exportações sul-americanas para a China, Índia e outras potências emergentes; o aumento da corrupção estatal governamental (com suas especificidades em cada caso), a reprodução de métodos próprios da política tradicional, a longa coexistência traumática com as estruturas do grande capital que alimenta as agressivas direitas continentais, se combinaram no interior desses processos animadores para abrir espaço para a reversão contrarreformista e contrarrevolucionária.

A essa amálgama de fatores e de erros se soma a pior de todas as limitações: a ausência em suas instâncias condutoras da necessária determinação de passar das reformas mais ou menos avançadas à revolução com um forte sinal anticapitalista e socializante do poder e da economia. Sempre se disse – e agora volta a se confirmar – que processo de mudança que não se aprofunda se estanca, se enfraquece e termina retrocedendo.

TENDÊNCIA

Consumada recentemente a restauração neoliberal na Argentina, o vértice da contraofensiva reacionária se concentrou no Brasil, primeiro, obtendo mais concessões voluntárias do Governo de Dilma Rousseff dentro da lógica neoliberal, erodindo ainda mais a popularidade do PT e aproveitado ao máximo a implosão da grande corrupção (PETROBRAS-ODEBRECHT, ANDRADE GUTIÉRREZ etc), na qual evidentemente estão envolvidos altos dirigentes petistas, incluindo a presidenta e o próprio Lula.

Essa grande corrupção, mesclada com a política exterior do Estado brasileiro e do PT, com o cartel da construção ODEBRECHT encabeçando e acompanhada de eficazes assessorias eleitorais e não eleitorais do mercadólogo JOÃO SANTANA, hoje na prisão, se expandiu a outros governos do continente, entre eles, o de Mauricio Funes em EL Salvador, e aos atuais regimes da República Dominicana e Panamá, evidenciando-se fortes as cumplicidades em obras supervalorizadas. Na Venezuela e em Cuba, onde também operou a ODEBRECHT, não se apresentaram sinais de escândalos.

Quando os atores do deslocamento e da insubordinação contra os velhos e decadentes regimes neoliberais e contra as podres democracias representativas, não se decidem pelas revoluções, pela negação dos métodos da direita e da corrupção e privilégios estatais-governamentais, pela impugnação progressiva do capitalismo em crise e pela socialização progressiva em todas as ordens, finalmente ficam presos em suas redes e opções, as quais começam a operar introduzindo um neoliberalismo brando dentro da socialdemocratização, que termina facilitando a restauração de um neoliberalismo duro.

CASOS E CASOS DE ESTANCAMENTOS, MUDANÇAS E RETROCESSOS

Isto é urgentemente válido de considerar para a Venezuela, referente chave do processo continental.

O caso da Argentina, submetida de novo aos bombardeios neoliberais, é simplesmente dramático.

O do Brasil – todavia, pendente de desenlace – tende a sê-lo também, com o agravante de que Lula vem das esquerdas e foi um símbolo da resistência operária e popular que se tornou, junto a uma parte da cúpula de seu também emblemático PT, um administrador da ordem capitalista com uma melhor distribuição da renda nacional a favor dos pobres nas épocas de bonanças, acompanhada de lucros recordes em favor do capital financeiro brasileiro, e – o pior – em um líder altamente vulnerável às acusações de corrupção, imerso em escândalos espantosos que sujam os governos do PT.

A projeção dessa deplorável situação de Lula e do PT faz um dano enorme às forças autenticamente revolucionárias do continente. Golpeia a subjetividade dos povos, promove a desconfiança e facilita a ação das direitas retrógradas, sempre opostas a qualquer mudança fora de seu controle.

No Brasil também operam os conflitos subterrâneos entre os interesses dos consórcios imperialistas brasileiros e os estadunidenses, os primeiros próximos a Lula, os outros não. Isso explica o caso ODEBRECHT e o da PETROBRAS, empresas em expansão implacável, sem qualquer escrúpulo.

A isso é preciso somar os efeitos empobrecedores do pacote neoliberal de Dilma, respaldado por Lula e agregado aos graves problemas acumulados em vertentes tão sensíveis como saúde pública, educação, posse da terra e meio ambiente.

Em El Salvador, a mudança de comando de Funes para Sánchez Cerén, abriu uma nova oportunidade que parece estancada na ordem das mudanças estruturais necessárias.

A Nicarágua, que é algo muito especial, parece muito estável dentro de seus limites por tudo o que implica o projeto do canal interoceânico nas mãos da China Popular.

O Uruguai não ultrapassou o marco socialdemocrata dentro de seu capitalismo dependente apto, por sua escassa população, para oferecer certo bem-estar social à classe trabalhadora e ao povo em geral com bons parâmetros de liberdade e honestidade administrativa.

Em Cuba, a mudança dominante de imediato é para uma combinação de estatismo e capitalismo privado no contexto das boas relações com os EUA e abertura ao capital transnacional, caso não se altere esse fator por decisão imperial ou cubana. E esse modelo, não sendo substituído, tende a tirar essa nação de toda dinâmica revolucionária anticapitalista e a ofuscar as perspectivas socialistas do processo.

É claro, no entanto, que esse novo curso do processo cubano está em fase inicial, tanto no que concerne ao cenário político próprio como o estadunidense, onde as novas eleições anunciam outras tormentas, que desta vez não se chamam OBAMA. Porém, é cedo para julgamentos categóricos.

SEGUE O COMBATE

No entanto, a luta continua.

E se a virada para a revolução não surge das lideranças atuais desses processos, brotará das entranhas do povo trabalhador e a partir da consciência e organização criada no calor dos processos falidos.

O capitalismo não tem, todavia, outra resposta a sua crise que não seja finalmente mais neoliberalismo, o que volta a atiçar as resistências e contraofensiva populares.

Algo de maior envergadura pode ocorrer na Venezuela caso se complete o assalto ao poder pelas direitas. Em ambos os sentidos: na dureza das direitas e na radicalidade do chavismo revolucionário.

A radicalidade presente nas bases populares dos processos progressistas e transformadores entorpecidos não necessariamente se reverte mudando para pior os governos; isto sem negar as frustrações, atrasos e confusões que essas realidades poderiam gerar segundo as circunstâncias.

A onda de mudanças pode declinar ao nível do posicionamento dos Estados, porém não necessariamente a partir dos povos, sobretudo, quando a crise de decadência do capitalismo não para de aprofundar-se, deteriorando e caotizando as sociedades, carregando sobre a traumática ofensiva neoliberal legitimada fugazmente pelo estancamento e a degradação dos processos de mudança, sem contar com uma força revolucionária de relevo.

As dificuldades que implicam essas viragens a favor dos EUA e as direitas não deve ser minimizada.

Estes estancamentos, viradas à direita e retrocessos, junto a graves alhas éticas, fazem um dano enorme às forças autenticamente revolucionárias do continente. Golpeia a subjetividade dos povos, promove a desconfiança e facilita a ação das direitas retrógradas, sempre opostas a qualquer mudança fora de seu controle.

Precisam, portanto, ser enfrentados com firmeza e otimismo ao ritmo de seus desgarradores efeitos; detectando as possibilidades de contraofensiva a partir dos povos e redobrando os esforços por construir novas vanguardas e lideranças político-sociais consequentes como garantias de avanços sem retornos ao passado.

COLÔMBIA NO TREM DE PAZ

Por outro lado, o avanço dos acordos para a paz na Colômbia, outro cenário da luta de classe e da luta pela soberania, merece um acompanhamento especial de nossa parte.

Tal fenômeno já provocou mudanças não desprezíveis na dinâmica da política colombiana e tende a criar novas conjunturas e gerar novas exigências e iniciativas que podem impactar a realidade continental e mundial em direção positiva ou negativa; dependendo do tipo de variações que produza nas correlações de força e de poder no período de transição para a paz.

As FARC-EP – combinando com muito talento a firmeza estratégica e a flexibilidade tática – visam que a modalidade da transição sem confrontação armada preserve seu acúmulo histórico e sua capacidade de resposta insurgente enquanto não se consolide a viragem democrática em escala nacional, para que possibilite ampliar sua influência política e implantação social, garantindo avanços ascendentes sem retrocessos para uma nova Colômbia de paz duradoura, capaz de impactar positivamente a região. A ampliação do prazo para obter acordos sólidos e suas formas de implantação favorece esses propósitos.

A questão venezuelana e a colombiana tem uma estreita interação, sem que, todavia, possam fazer-se predições categóricas a respeito do que possa ocorrer em ambos os lados dessa fronteira nevrálgica neste mundo convulso.

20-03-16, Santo Domingo, RD.

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O irmão Obama -Artigo de Fidel

Artigo de Fidel: o irmão Obama
Posted on 30 de março de 2016
“Não necessitamos que o império nos presenteie com nada”

Fidel Castro Ruz

Os reis da Espanha nos trouxeram os conquistadores e proprietários, cujas marcas ficaram nos fardos circulares de terras concedidos aos buscadores de ouro nas areias dos rios, uma forma abusiva e vergonhosa de exploração, cujos vestígios podem ser vistos do ar em muitos lugares do país.

O turismo hoje, em grande parte, consiste em mostrar as delícias das paisagens e saborear as iguarias alimentares de nossos mares, e sempre que se compartilha com o capital privado das grandes corporações estrangeiras, cujos lucros caso não obtenham milhares de milhões de dólares per capta, não são dignos de atenção nenhuma.

Já que me vi obrigado a mencionar o tema, devo acrescentar, principalmente para os jovens, que poucas pessoas percebem a importância de tal condição neste momento singular da história humana. Não direi que o tempo se perdeu, porém não vacilo em afirmar que não estamos suficientemente informados, nem vocês e nem nós, acerca dos conhecimentos e das consciências que deveríamos ter para enfrentar as realidades que nos desafiam. O primeiro a ser considerado é que nossas vidas são uma fração histórica de segundo, que é preciso compartilhar também com as necessidades vitais de todo ser humano. Uma das características deste é a tendência à supervalorização de seu papel, o qual contrasta por outro lado com o número extraordinário de pessoas que encarnam os sonhos mais elevados.

Ninguém, no entanto, é bom ou é mau por si só. Nenhum de nós está projetado para o papel que deve assumir na sociedade revolucionária. Em parte, os cubanos tiveram o privilégio de contar com o exemplo de José Martí. Pergunto-me, inclusive, se tinha que cair ou não em Dos Ríos, quando disse “para mim é hora”, e se lançou contra as forças espanholas entrincheiradas em uma sólida linha de fogo. Não queria regressar aos Estados Unidos e não tinha quem o fizesse voltar. Alguém arrancou algumas folhas de seu diário. Quem carregou essa pérfida culpa, sem dúvida, que foi obra de algum intrigante inescrupuloso? Conhecem-se diferenças entre os Chefes, porém jamais indisciplinas. “Quem tentar apropriar-se de Cuba colherá o pó de seu solo encharcado de sangue, se não perecer na luta”, declarou o glorioso líder negro Antonio Maceo. Reconhece-se igualmente em Máximo Gómez, o chefe militar mais disciplinado e discreto de nossa história.

Olhando-o de outro ângulo, como não admirar-se com a indignação de Bonifacio Byrne quando, da distante embarcação que o trazia de volta a Cuba, ao avistar outra bandeira junto à da estrela solitária, declarou: “Minha bandeira é aquela que não foi jamais mercenária…”, para acrescentar de imediato uma das mais belas frases que escutei: “Se desfeita em pequenos pedaços chega a ser minha bandeira algum dia… nossos mortos levantando os braços saberão defendê-la, todavia!…”. Tampouco esquecerei as inflamadas palavras de Camilo Cienfuegos naquela noite, quando a várias dezenas de metros, bazucas e metralhadoras de origem norte-americana nas mãos contrarrevolucionárias, apontavam para o terraço onde estávamos parados. Obama nasceu em agosto de 1961, como ele mesmo explicou. Mais de meio século se passou desde aquele momento.

Vejamos, assim, como pensa hoje nosso ilustre visitante:

“Vim aqui para deixar para trás os últimos vestígios da guerra fria nas Américas. Vim aqui estendendo a mão da amizade ao povo cubano”.

De imediato, um dilúvio de conceitos, inteiramente inovadores para a maioria de nós:

“Ambos vivemos em um novo mundo colonizado por europeus”. Prosseguiu o Presidente norte-americano. “Cuba, assim como os Estados Unidos, foi constituída por escravos trazidos da África. Assim como os Estados Unidos, o povo cubano tem heranças em escravos e escravistas”.

As populações nativas não existem para nada na mente de Obama. Tampouco diz que a discriminação racial foi varrida pela Revolução; que a aposentadoria e o salário de todos os cubanos foram decretados por esta antes que o senhor Barack Obama fizesse 10 anos. O odioso costume burguês e racista de contratar capangas para que os cidadãos negros fossem expulsos de centros de recreação foi varrida pela Revolução Cubana. Esta passaria para a história pela batalha que liderou em Angola contra o apartheid, pondo fim à presença de armas nucleares em um continente de mais de um bilhão de habitantes. Não era esse o objetivo de nossa solidariedade, mas ajudar os povos de Angola, Moçambique, Guiné Bissau e outros do domínio colonial fascista de Portugal.

Em 1961, apenas dois anos e três meses depois do Triunfo da Revolução, uma força mercenária com canhões e infantaria blindada, equipada com aviões, foi treinada e acompanhada por navios de guerra e porta-aviões dos Estados Unidos, atacando de surpresa nosso país. Nada poderá justificar aquele premeditado ataque que custou a nosso país centenas de baixas entre mortos e feridos. Da brigada de assalto pró-ianque, em nenhuma parte consta que tenha evacuado um só mercenário. Aviões ianques de combates foram apresentados ante as Nações Unidas como grupos de cubanos sublevados.

É bem conhecida a experiência militar e o poderio desse país. Na África acreditaram igualmente que a Cuba revolucionária seria posta facilmente fora de combate. O ataque pelo Sul de Angola por parte das brigadas motorizadas da África do Sul racista os levou até as proximidades de Luanda, a capital deste país. Aí, se iniciou uma luta que se prolongou não menos que 15 anos. Não falaria sequer disto, a menos que tivesse o dever elementar de responder ao discurso de Obama no Gran Teatro de La Habana Alicia Alonso.

Não tentarei, tampouco, dar detalhes, apenas enfatizar que ali se escreveu uma página honrosa da luta pela libertação do ser humano. De certa forma, eu desejava que a condita de Obama fosse correta. Sua origem humilde e sua inteligência natural eram evidentes. Mandela esteve preso por toda vida e se converteu em um gigante da luta pela dignidade humana. Um dia chegou a minhas mãos uma cópia do livro que narra parte da vida de Mandela e – oh, surpresa! – o prólogo era de Barack Obama. O folheei rapidamente. Era incrível o tamanho da minúscula letra de Mandela precisando dados. Valeu a pena conhecer homens como aquele.

Sobre o episódio da África do Sul, devo assinalar outra experiência. Eu estava realmente interessado em conhecer mais detalhes sobre a forma com que os sul-africanos adquiriram as armas nucleares. Só tinha a informação muito precisa de que não passavam de 10 ou 12 bombas. Uma fonte segura seria o professor e investigador Piero Gleijeses, que redigiu o texto de “Missões em conflito: Havana, Washington e África 1959-1976”. Um trabalho excelente. Eu sabia que ele era a fonte mais segura do ocorrido e assim o contatei. Respondeu-me que ele não falava mais do assunto, porque no texto respondeu às perguntas do companheiro Jorge Risquet, que foi embaixador ou colaborador cubano em Angola, muito amigo seu. Localizei Risquet. Já em outras importantes ocupações, estava terminando um curso, faltando várias semanas. Essa tarefa coincidiu com uma viagem bastante recente de Piero a nosso país. Advertiu-me que Risquet já era idoso e sua saúde não era ótima. Em poucos dias ocorreu o que eu temia. Risquet piorou e faleceu. Quando Piero chegou não tinha nada a fazer exceto promessas, porém eu já tinha conseguido informação sobre as armas e a ajuda que a África do Sul racista recebeu de Reagan e Israel.

Não sei o que Obama tem a dizer agora sobre esta história. Ignoro se sabia ou não, ainda que seja muito questionável que não soubesse de absolutamente nada. Minha modesta sugestão é que reflita e não tente agora elaborar teorias sobre a política cubana.

Há uma questão importante:

Obama pronunciou um discurso no qual utiliza as palavras mais melosas para expressar: “É hora de esquecermos o passado. Deixemos o passado, olhemos o futuro, olhemos juntos para ele, um futuro de esperança. E não será fácil, existirão desafios e, por isso, vamos dar tempo ao tempo. Porém, minha estadia aqui me dá mais esperanças do que podemos fazer juntos como amigos, como família, como vizinhos… juntos”.

Supõe-se que cada um de nós corria o risco de um infarto ao escutar estas palavras do Presidente dos Estados Unidos. Após um bloqueio impiedoso que durou quase 60 anos, mais os que morreram nos ataques mercenários a barcos e portos cubanos, a explosão de um avião repleto de passageiros em pleno voo, invasões mercenárias, múltiplos atos de violência e de força?

Não existe a ilusão de que o povo deste nobre e abnegado país renunciará à glória, aos direitos e à riqueza espiritual que ganhou com o desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura.

Advirto, também, que somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas materiais de que necessitamos com o esforço e a inteligência de nosso povo. Não necessitamos que o império nos presenteie com nada. Nossos esforços serão legais e pacíficos, porque é nosso compromisso com a paz e a fraternidade de todos os seres humanos que vivem neste planeta.

Fidel Castro Ruz

27 de março de 2016

22:25

Fonte: http://www.cubadebate.cu/especiales/2016/03/28/articulo-de-fidel-el-herm...

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Três Anos sem Hugo Chávez.

Três anos após a morte de Chávez, venezuelanos veem necessidade de aprofundar o processo revolucionário no país
Destaque foto grande | Nacional
Luiz Felipe Albuquerque / Brasil de Fato

Na capital Caracas, ao longo de todo o sábado (5), o Quartel da Montanha, onde Chávez está sepultado, ficou rodeado de pessoas que se enfileiraram para visitar e deixar sua homenagem

07/03/2016

Por Luiz Felipe Albuquerque,

De Caracas (Venezuela)

Fonte: Brasil de Fato

No dia em que se completaram três anos da morte do ex-presidente, Hugo Chávez, neste dia 5 de março, praças de todas as cidades da Venezuela foram ocupadas por milhares de pessoas que levaram suas homenagens ao ex-presidente com músicas, atividades culturais e atos políticos.

Foto: Luiz Felipe Albuquerque / Brasil de Fato
Na capital Caracas, ao longo de todo o dia, o Quartel da Montanha, onde Chávez está sepultado, ficou rodeado de pessoas que se enfileiraram para visitar e deixar suas flores sobre seu túlmulo.

Emocionada ao falar da figura de Chávez, a quem considera “um pai, um amigo e um irmão”, a funcionaria pública, Luiza Araujo, não acredita que ele tenha sido “simplesmente um líder da revolução, mas uma pessoa igual a nós, um campesino, um indígena que alcançou o sonho de muitas pessoas dando-lhes dignidade". "Chávez lutou pelo seu povo até o último momento”, diz.

Luiza faz parte dos mais de 2,5 milhões de jovens que conseguiram ingressar na universidade após a chegada de Chávez ao poder, em 1999. Antes, essa possibilidade estava restrita a apenas 200 mil pessoas.

“Graças a ele eu pude estudar numa universidade, porque não tinha acesso. Graças a ele minha mãe pôde comprar uma casa, que até então não tínhamos. Graças a ele meus irmãos puderam continuar seus estudos, pois tiveram acesso a uma bolsa”, conta.

A casa de sua mãe faz parte do programa conhecido como Viviendas, com o qual foram construídas mais de 1,2 milhão de moradias a quem não tinha casa ou vivia em situacões precárias. Os imóveis são entregues com eletrométicos da linha branca, como fogão, geladeira e máquina de lavar roupa.

“Seu último suspiro foi sua preocupacão com o povo. Ele nos abriu os olhos, nos apresentou a Venezuela, fez a gente recuperar a memória e nos apresentou a outros povos. Agora posso dizer que tenho irmãos na Argentina, no Brasil, na Colômbia; [Chávez] nos recuperou uma identidade enquanto povos oprimidos”, destaca Luiza.

As conquistas sociais no último período são visíveis e inegáveis. Nos últimos anos, porém, a Venezuela vive uma grave crise econômica e com um sério problema de desabastecimento. Nos supermecados, faltam produtos básicos como papel higiêncio, pasta de dente e shampoo. As filas de horas e horas para comprar mercadorias viraram rotinas e o povo tem dia certo na semana para poder ir fazer compras.

Foto: Luiz Felipe Albuquerque / Brasil de Fato
O problema apontado por muitos especialistas refere-se ao fato do país não ter transformado sua base econômica. Com a maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela sustenta sua economia quase que exclusivamente com a renda do combustível fóssil.

A brusca queda do preço do barril do petróleo no último ano, saindo de um patamar de US$ 115 para US$ 30, agravou ainda mais a situação econômica do país.

Foto: Luiz Felipe Albuquerque / Brasil de Fato
Junta-se a isso a guerra econômica que aflige o povo venezuelano. Completamente dependente das importações de quase tudo que consome, da pasta de dente ao prato de arroz com carne, o governo acusa setores do empresariado responsáveis pelas importações de desabastecerem as prateleiras e desviarem os produtos para o mercado clandestino, com o objetivo de aguçar a instabilidade política no país.

Hernan Vargas, do movimento de luta por moradia Pobladores, um dos principais movimentos sociais do país, afirma que a crise que assola a Venezuela nada tem a ver com o modelo de transformação que está sendo impulsionado desde a chegada de Chávez. O problema foi não ter mudado a economia baseada apenas na renda do petróleo, diz ele.

“Neste momento as pessoas identificam a corrupção, o burocratismo, a dificuldade de garantir a sustentabilidade econômica e a distribuição de alimentos como o problema. Esses são todos problemas do capitalismo rentista. A medida que não o transformamos, que não o transcendemos, não conseguiremos resolver”, acredita.

Vargas ressalta ainda a dificuldade de contra-atacar as diversas estratégias da direita que buscam desestabilizar o atual governo de Nicolas Maduro, como a ofensiva midiática, a falta de investimento em atividades produtivas e o próprio desabastecimento de mercadorias.

Para ele, este é um momento de aprofundar o processo de trasnformação social iniciado por Chávez. “Mais do que nunca temos que caminhar ao socialismo, por mais democracia, poder popular, construir uma base econômica gestionada pelo próprio povo, garantir a distribuição de alimento para o consumo das pessoas e não para o mercado. Não há outra possibilidade de sair da crise senão aprofundar o processo revolucionário”, enfatiza.

Crianças refugiadas desfilam pela Escola de Samba Mangueira

Crianças refugiadas desfilam na Sapucaí pela escola mirim Mangueira do Amanhã
quarta 03. fevereiro 2016 12:00 Tempo: 8 days

© Marília Calegari.

Crianças refugiadas da República Democrática do Congo e da Angola estarão pela primeira vez no Sambódromo do Rio de Janeiro, desfilando ao lado de outras crianças refugiadas de diferentes nacionalidades.
Brasília, 03 de fevereiro de 2016 (ACNUR) – Quarenta crianças refugiadas que vivem no Brasil terão uma experiência inédita neste Carnaval: na próxima terça-feira (09 de fevereiro), por volta das 20hs, elas desfilarão na Marquês de Sapucaí como integrantes da escola mirim "Mangueira do Amanhã". O desfile é promovido pela organização não-governamental brasileira IKMR (do inglês "I Know My Rigths" – ou Eu Conheço Meus Direitos) e conta com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

As crianças refugiadas que desfilarão no Carnaval do Rio são oriundas de sete diferentes nacionalidades: Síria, Jordânia, Palestina, Sudão, Angola, Congo e Líbia. Todas vivem no Brasil com seus familiares e são acompanhadas pela IKMR.
A participação das crianças refugiadas no desfile da "Mangueira do Amanhã" foi uma sugestão da cantora Maria Bethania, homenageada neste ano pela escola de samba Estação Primeira da Mangueira – à qual a "Mangueira do Amanhã" está associada.
Segundo a fundadora e presidente da IKMR, Vivianne Reis, o desfile "é uma oportunidade única de possibilitar às crianças refugiadas o acesso à cultura brasileira de uma forma lúdica por meio do carnaval, uma das festas mais populares e representativas do mundo, tão rica em sua diversidade". Para ela, "brincar de folião na Sapucaí, num universo de fantasias, cores e ritmos será uma experiência mágica para as crianças".

A escola de samba mirim Mangueira do Amanhã é um dos projetos que compõem o Programa Social da Mangueira. Fundada em 1987 pela cantora Alcione, que hoje é presidente de honra do grupo, a escola reúne cerca de duas mil crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, que são da Mangueira e de comunidades vizinhas. Todas as crianças que participam da escola precisam estar devidamente matriculadas em escolas do país.

Para o carnaval de 2016, a escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo "Era uma vez... A Mangueira do Amanhã vai contar para vocês", do carnavalesco Clebson Prates. Brincando e vivendo a aventura de ser criança, a escola desfilará na avenida com 21 alas e cerca de 1.800 crianças e adolescentes. As crianças refugiadas comporão a ala "Pluft, o fantasminha".

Por: ACNUR

10 Anos de Processo de Mudanças na Bolívia -

Hoy aparece una Bolivia de las luces, de los ejemplos, de las victorias y de los optimismos y esto nos coloca en un sitial muy importante y hay que saberlo aprovechar en el sentido colectivo del término, que esta visibilización de Bolivia nos sirva para apalancar un mayor crecimiento económico, presencia y liderazgo internacional, todo apuntando al temar del mar.

Álvaro García Linera

21 de enero de 2006: Evo Morales Ayma, en una ceremonia ancestral en Tiwanaku, es investido Apu Mallku (líder) de los pueblos indígenas de América Latina. Un día después, el 22 de enero, en la Asamblea Legislativa, fue posesionado como Presidente de la República de Bolivia. La misma secuencia se repetiría el 21 y 22 de enero de 2010 y 2015, tras ser electo Presidente constitucional esta vez ya del Estado Plurinacional de Bolivia.

21 de febrero de 2016: En 339 municipios, incluidas 11 autonomías indígena originario campesinas constituidas o en proceso, que conforman los 9 departamentos de Bolivia, se producirá un referéndum constitucional para que el pueblo boliviano de manera soberana y democrática, decida si se puede reformar parcialmente la Constitución para permitir que el Presidente Evo Morales y el Vicepresidente Álvaro García Linera puedan presentarse a la reelección en las elecciones generales de 2019.

En el plazo de un mes la revolución democrática y cultural boliviana va a vivir momentos trascendentales en su historia reciente. Por un lado, el 21 y 22 de enero se conmemora el aniversario del Estado Plurinacional y los 10 años del proceso de cambio, y un mes después, el 21 de febrero, se va a producir una votación histórica que va a simbolizar la fortaleza de la nueva democracia boliviana frente a la democracia fósil neoliberal.

El referéndum constitucional es probablemente la votación más importante que el proceso de cambio enfrenta desde la primera victoria de Evo Morales y el MAS-IPSP en diciembre de 2005. Las espadas están en alto, y la derecha boliviana, que ya logró introducir el “candado” de la no reelección durante la Asamblea Constituyente, se ha unido detrás del no en el referéndum, convenientemente financiada por el Departamento de Estado, como recientemente ha denunciado[1] el Vicepresidente Álvaro García Linera.

Es la votación más importante porque por primera vez está en juego, en primer lugar, la posibilidad de que Evo Morales no sea el candidato de las mayorías sociales en 2019; y en segundo lugar porque en caso de perder el Sí, el MAS-IPSP enfrentará el difícil reto de seguir profundizando el proceso sin que su líder nacional sea Presidente del Estado Plurinacional.

Y es que la figura de Evo trasciende los límites de un líder partidario, de un Presidente de un país, para cristalizar los sueños y aspiraciones de las clases populares, del movimiento indígena originario campesino boliviano, marginado por siglos de colonialidad. Evo sintetiza las luchas anticoloniales emprendidas por Túpac Katari y Bartolina Sisa, pero también las luchas anticapitalistas libradas durante la Guerra del Agua y del Gas. Evo lleva en su ajayu (espíritu en aymara, la fuerza que contiene tanto los sentimientos como la razón) un antiimperialismo forjado en su lucha contra la DEA y la USAID en el Chapare, contra la injerencia de la Embajada de Estados Unidos que hizo que lo expulsaran del Congreso cuando era Diputado; un anticolonialismo que le hizo convertirse en líder internacional del movimiento sindical y campesino durante la Campaña “500 años de resistencia indígena, negra y popular” que culminó en 1992, a 500 años de la invasión de Nuestra América; y a partir de esa campaña nació en 1993 la Vía Campesina, en la que Evo terminó de definir su propio horizonte anticapitalista y en favor de la soberanía alimentaria.

Es por eso que todos los grandes avances del proceso de cambio boliviano podemos situarlos en estas tres coordenadas, comenzando por una nacionalización de los recursos naturales que devolvió su soberanía al pueblo boliviano, permitiendo una redistribución de la riqueza sin precedentes en los casi 200 años de historia republicana e iniciar un proceso de transición hacia el socialismo que necesariamente pasaba por reforzar el Estado para dejar atrás el neoliberalismo y marcar las coordenadas de un horizonte anticapitalista a partir de las formas de economía estatal y comunitarias. A partir de esa base de mejora de las condiciones materiales del pueblo boliviano, se trazó también un horizonte anticolonial, que transformó los imaginarios de la sociedad y comenzó un lento pero a la vez imparable proceso de descolonización y despatriarcalización del Estado y de la sociedad, rompiendo además los viejos paradigmas y comenzando a definir ese socialismo comunitario del Vivir Bien que es la estación final de un proyecto político de liberación nacional y social, todo ello además a partir de una nueva relación con la Madre Tierra. Y como no podía ser de otra manera, Bolivia ha adoptado una sólida posición antiimperialista tanto en la política nacional como internacional, que comienza por la expulsión de la DEA, USAID y el Embajador estadounidense, y continua por la denuncia de todas las agresiones imperialistas y la defensa de la soberanía nacional de cualquier país del mundo atacado por el imperio.

Diplomacia de los Pueblos

Pero esta conciencia antiimperialista no es sino parte de una nueva doctrina de las relaciones internacionales y una nueva visión geopolítica del mundo multipolar que Bolivia viene construyendo, y que podemos definir bajo el nuevo paradigma de la Diplomacia de los Pueblos.

Son numerosas las referencias que podemos encontrar dentro de esta nueva Diplomacia de los Pueblos impulsada por el Presidente Evo y el Canciller Choquehuanca, pero queremos destacar 4:

• En primer lugar, trasladar esa recuperación de la soberanía nacional y de la dignidad del pueblo boliviano a la esfera internacional mediante la interposición en la Corte Internacional de Justicia de La Haya de la demanda para reclamar a Chile una salida al mar con soberanía. No podemos olvidar que Chile arrebató mediante una agresión bélica 400 kilómetros de costa a Bolivia, una costa además (o precisamente por eso) rica en recursos naturales como guano, salitre, bórax, cobre y plata. Pero además el sello de Evo está presente logrando unificar los intereses de una nación detrás de la demanda marítima, e incluyendo en el mismo equipo a la mayor parte de ex presidentes de Bolivia, e incluso colocando como vocero de la causa a un ex Presidente del periodo neoliberal como es Carlos Mesa. Esta unidad del pueblo boliviano, pero también la solidaridad internacional que ha recibido la causa boliviana, sería impensable con cualquier otro Presidente.

• Un Presidente que ha sido el principal impulsor de la integración latinoamericana junto a los arquitectos de la misma, los comandantes Fidel Castro y Hugo Chávez. Bolivia no solo incorporó el apellido TCP (Tratado de Comercio de los Pueblos) al ALBA, sino que ha sido un pilar importante de la constitución de la Unasur y CELAC, mecanismo de integración regional que presidirá en 2017 y a la que en palabras del propio Evo: “Todos los presidentes están convocados para participar. La mayoría asistirán, excepto Canadá y EE.UU. (...) eso también es una forma de liberarnos del dominio del imperio norteamericano”. Tampoco podemos olvidarnos del acercamiento, e ingreso, de Bolivia al Mercosur, y la posición crítica mantenida sobre el mecanismo de desintegración regional conocido como Alianza del Pacífico.

• La apuesta por la integración latinoamericana y caribeña ha venido acompañada de una profundización de las relaciones Sur-Sur. Y en este ámbito es de destacar la presidencia del G77+China ostentada por Bolivia durante el 2014 y la realización de la Cumbre del grupo de Naciones Unidas en Santa Cruz de la Sierra en junio de ese año. Trabajo y liderazgo que se vio recompensado con la nominación de Bolivia para presidir precisamente en la ONU el Comité sobre el Proceso de Reestructuración de la Deuda Soberana en el marco de la defensa de la soberanía argentina frente a los fondos buitre.

• Pero no solo Bolivia ha destacado en el ámbito de la diplomacia multilateral. La nueva Diplomacia de los Pueblos y relacionamiento Sur-Sur también se ha traducido en el plano bilateral. En este carril debemos destacar en primer lugar las inmejorables relaciones que existen con la República Popular China conducida por el PCCh y plasmadas en un impulso a la soberanía científica y tecnológica boliviana con la construcción en China del satélite Túpac Katari (TKSAT-1), primer satélite de telecomunicaciones propiedad del Estado Plurinacional de Bolivia. Tampoco podemos olvidarnos de las relaciones con Rusia, la otra potencia BRICS, país con el que se ha firmado un acuerdo para la construcción de un centro de investigación nuclear y capacitación de personal para desarrollar energía nuclear con fines no solo pacíficos, sino médicos.

Pero además de la nueva Diplomacia de los Pueblos, de Bolivia hacia el mundo, el mundo también tiene sus ojos puestos en el corazón de Sudamérica principalmente por 2 aspectos:

• Primero, la buena marcha de la economía boliviana. En un contexto de crisis del capitalismo y descenso del precio petróleo hasta mínimos históricos, Bolivia sigue creciendo en torno a un 5%, algo inédito en una América Latina que roza el 1% de crecimiento medio en 2015. A pesar de que el precio del gas está indexado al del petróleo, que en estos momentos bordea los 25 dólares el barril, la buena marcha de la economía boliviana es algo que se estudia[2] incluso en la Facultad de Economía de la Universidad de Chicago, cuna y laboratorio del neoliberalismo.

• En segundo lugar Bolivia está construyendo ante el mundo un nuevo paradigma de relación con la naturaleza. Ante un planeta que ha alcanzado sus límites de sustentabilidad, y un modelo de crecimiento que implosiona ante la necesidad de mantener la tasa de ganancia del capital, Bolivia impulsa un modelo de desarrollo que no implique crecer a costa de la explotación de los pueblos, las personas o la naturaleza. Es necesario destacar aquí la aprobación de la Ley Marco de la Madre Tierra y Desarrollo Integral para Vivir Bien, que debe convertirse en un modelo para una humanidad en la búsqueda de otro modelo de desarrollo.

• Pero todos estos avances y el aporte boliviano a la construcción de un nuevo mundo multipolar se ven amenazados por una derecha que, con la complicidad del imperialismo, quiere impulsar también en Bolivia la restauración conservadora que ha triunfado en Argentina y obtenido un éxito parcial en Venezuela. Sin olvidar la necesidad de la formación política y creación de nuevos cuadros para continuar profundizando la revolución democrática y cultural, es necesario terminar la refundación del Estado comenzada el 21 de enero de 2006, refundación que debe culminar en 2025 cuando se complete la Agenda Patriótica y Bolivia alcance una segunda y definitiva independencia donde la extrema pobreza haya sido erradicada, y se llegue a la plena soberanía económica, científica, tecnológica o cultural.

El proceso de cambio boliviano es ahora mismo, por factores tanto endógenos como exógenos, el más sólido y estable de la región. Pero para que esa estabilidad no se vea amenazada, es necesario el triunfo del Sí en el referéndum del 21 de febrero. Ese triunfo no solo permitirá que Evo y Álvaro puedan volver a ser los candidatos del pueblo en 2019, sino que será un soplo de aire fresco para el proceso de cambio continental, que debe volver a tomar impulso tras las derrotas electorales en Argentina y Venezuela.

- Katu Arkonada es diplomado en Políticas Públicas. Ex asesor del Viceministerio de Planificación Estratégica y de la Cancillería de Bolivia. Miembro de la Red de Intelectuales en Defensa de la Humanidad.
Fonte: A Latina

Pela primeira vez, Argentina vai ao segundo turno nas eleições

NA REDE

SCIOLI X MACRI
Segundo turno indigesto na Argentina
Direita surpreende, leva eleição presidencial para o segundo turno e vence também na província de Buenos Aires

2º turno
Tempo pode ser curto para Daniel Scioli (esq) recobrar o favoritismo até o segundo turno
A euforia parecia excessiva. As pesquisas colocavam a Scioli sempre perto ou já nos 42%, enquanto deixavam a Macri sempre abaixo dos 30%. As esperanças da oposição se cifravam nas famosas margens de erro – os dois pra lá, dois pra cá –, e em denúncias de última hora típicas da direita, de supostas espionagens do governo contra candidatos da oposição e, mais até, no voto útil, que poderia transferir votos de Augusto Massa, terceiro colocado, para Macri, tentando impedir a aparentemente provável vitória de Scioli no primeiro turno.

O clima era tal, que Scioli anunciou quase que o seu ministério inteiro – incluídos os cargos mais importantes, da área econômica. Mesmo que fosse com a intenção de que, seguro de todos os votos do kirchnerismo – não houve, oficialmente, defecções nessa área –, buscar apoios no centro, com ministros moderados, o resultado era consolidar um certo salto alto no final da campanha.

Os resultados foram surpreendentes, de todos os pontos de vista. Em primeiro lugar, porque Scioli ficou longe do que as pesquisas apontavam, tendo perdido votos em relação às previas – chamadas Paso – de agosto. Em segundo lugar, Macri subiu significativamente. E, em terceiro Massa até subiu um pouco sua votação e, portanto, não foi o voto útil o que impulsionou a subida de Macri.

Para completar o quadro, embora houvesse divergências nas pesquisas, várias davam oito pontos a favor de Anibal Fernandes – quadro de combate da primeira linha do kirchnerismo – para dar continuidade à já histórica direção da província de Buenos Aires pelo kirchnerismo.

Aqui, a derrota – eleição em um único turno – foi mais dolorida ainda, para uma jovem candidata do partido de Macri. A derrota na província dirigida por Scioli – que respondia por grande parte da sua popularidade nas pesquisas ao longo dos anos – pode apontar para um governo com problemas, mas também o candidato kirchnerista suscita rejeições. Mas é uma derrota grave, qualquer que seja o resultado do segundo turno nacional e, mesmo para este, um ponto de apoio forte para Macri.

No interior, também houve outras derrotas dos candidatos ligados a presidenta Cristina, consolidando um quadro político de fortalecimento da direita argentina, em suas várias facções.

É cedo ainda para uma análise mais de fundo dos fatores desse surpreendente resultado, mas se pode prever que a projeção para o segundo turno muda. Antes, ainda que Scioli não ganhasse no primeiro turno, sairia como favorito para o segundo. Partiria de uma boa diferença em relação a Macri, fator que desapareceu.

Em segundo lugar, os votos de Massa, sendo ele peronista, não se transfeririam com facilidade para Macri. Agora porém, com o novo clima político, é preciso ver como isso se dará. A oposição sai muito animada para derrotar o kirchnerismo, pode favorecer um apoio aberto ou implícito de Massa a Macri.

Por outro lado, podem começar cedo os acertos de conta dentro da candidatura de Scioli. Ele nunca contou com a simpatia da esquerda do kirchnerismo, em especial do seu setor mais dinâmico – o camporismo, dirigido por Massimo, o filho de Cristina. Outros dirigentes tampouco o viam com bons olhos, considerando-o um oportunista, que tomaria caminhos distintos depois da vitória. A derrota de Anibal Fernandes na província de Buenos Aires também pode fortalecer suspeitas de que adeptos de Scioli não fizeram campanha por ele, para não ter no segundo cargo mais importante da nação um kirchnerista fiel, além do vice-presidente da República.

O ânimo da militância kirchnerista também vai ficar muito afetado, desconcertado, com um resultado para o qual não estavam preparados. A conhecida tendência dos hermanos de passar da euforia à depressão pode ter um efeito negativo, ainda mais que são apenas quatro semanas até o segundo turno, em 22 de novembro, tempo curto para curar feridas e recobrar ânimos.

Um balanço mais preciso necessita esperar os resultados deste que é o mês mais nervoso e tenso da história argentina recente.

Fonte: REDEBRASIL

Chile, as imagens proibidas - Ditadura chilena.

América Latina comovida por imagens inéditas da ditadura chilena

Em 2013 pela primeira vez a sociedade chilena desvenda imagens da sangrenta ditadura de Pinochet a 43 anos do golpe. O ciclo se chama “Chile, as imagens proibidas”. Assista aos vídeos.

Próximo de completar 43 anos do golpe militar que derrubou Salvador Allende e instalou Augusto Pinochet no poder, em 2013 tem-se mostrado no Chile imagens nunca antes transmitidas na televisão.

O programa se chama “Chile, as imagens proibidas”, que é transmitido por Chilevisión e conduzido pelo ator Benjamin Vicuña. O ciclo mostrou, entre outras coisas, o tiro na cabeça que recebeu um manifestante no meio de um protesto no centro de Santiago, em meados dos anos 80; os violentos protestos que cercaram a visita ao Chile do Papa João Paulo II, em 1987; os gritos de dor de Estela Ortiz, esposa de Manuel Parada, quando lhe confirmam que o seu marido é um dos três comunistas degolados em 1986.

“- Até quando seguirão matando o nosso povo? Até quando permitiremos tanta matança, tantos crimes, tanta tortura, até quando?!” Grita Ortiz fora do Serviço Médico Legal, antes de desaparecer.

Em suas três edições, o programa liderou a audiência no horário nobre, superando as séries de sucesso e sendo o mais comentado nas redes sociais.

Também tem sido motivo de polêmica entre aqueles que ainda defendem a ditadura e a atuação de Pinochet. Pela primeira vez a sociedade chilena tira a sua mordaça na televisão aberta e põe em discussão um tema que mantêm as feridas abertas.

“Chegou a hora de pedir desculpas às vítimas, seus familiares e a sociedade chilena”, disseram os juízes em uma declaração inédita.

É tanto o impacto que tem causado o ciclo que a Associação dos Magistrados do Poder Judiciário do Chile pediu desculpas pelas omissões cometidas durante a ditadura e exortou a Corte Suprema a assumir a sua responsabilidade por não dar curso a 5.000 recursos de amparo apresentados a favor das vítimas.

Já se passaram 43 anos para se fazer esta catarse coletiva de um regime que deixou um saldo de mais de 3.200 mortos e 38.000 desaparecidos.

Chile, Las Imágenes Prohibidas - Capítulo 1
https://www.youtube.com/watch?v=PIsmf8FeaZU

Chile, Las Imágenes Prohibidas - Capítulo 2
https://www.youtube.com/watch?v=syn43XlUZbU

Chile, Las Imágenes Prohibidas – Capítulo 3
https://www.youtube.com/watch?v=Ps9L6kODDyo

Chile, Las Imágenes Prohibidas – Capítulo 4
https://www.youtube.com/watch?v=QhvfjqcuSVE

http://www.planetaamericalatina.com.br/artigo/america-latina-comovida-po...

Há 42 Anos, um sonho democratico é desfeito en Chile

O último discurso de Salvador Allende
11.09.2015

No dia 11 de setembro de 1973, após receber a informação do levante dos oficiais da Marinha em Valparaíso, cidade portuária do Chile, o então presidente Salvador Allende se dirigiu para o Palácio La Moneda, sede do governo, em uma tentativa de resistir ao golpe. Às 7h40, o presidente Allende entra no Palacio de La Moneda. Às 11h55 se inicia o bombardeio liderado pelos militares. Allende rechaça a oferta de exílio e combate junto à sua guarda e colaboradores e faz seu último discurso pela rádio Magallanes às 10h10.

Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.

A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile!
Viva o povo!
Viva os trabalhadores!

Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.

Fonte:Novacultura - online

Desestabilização como Estratégia Imperialista

"A Desestabilização como Estratégia Imperialista"
04.09.2015

A campanha midiática de desestabilização que hoje se leva a cabo contra Venezuela e outros países da América Latina obedece a uma velha estratégia aplicada pelo imperialismo desde há muitíssimo tempo e que consiste, entre outras práticas, em fazer crer, por meio de suas tecnologias de manipulação e industrial cultural, que os problemas econômicos e sociais que hoje afetam, neste caso, a Venezuela, e que se quer mostrar pior do que verdadeiramente são, respondem às políticas da Revolução Bolivariana e não como produto da reação da direita não só venezuelana como também sul-americana com o conselho e apoio direto do império norte-americano.

É assim como vemos, por exemplo, em relação à problemática que hoje se desenvolve na fronteira, que muitas pessoas têm feito a imagem de Venezuela como o mau da fita, que dizem que ali não há liberdade de expressão, que há que fazer fila para conseguir produtos de uso diário, que há dissidentes encarcerados injustamente, em vez de terroristas golpistas etc. E, por outro lado, não atinam acerca do que sucede sob suas próprias narinas em Colômbia; paramilitarismo, pobreza, fome, desigualdade extrema, guerra, um nível de corrupção indignante, saúde e educação péssimas, concentração da terra, exploração destrutiva, roubo de recursos, saqueio do erário e um sem-fim de injustiças e atrocidades, que custa crer como alguns censuram ao vizinho repetindo como papagaios acusações manipuladas e não se dão conta que a própria casa cai aos pedaços e é saqueada por aqueles que se autoproclamam seus defensores.

O que se mostra constantemente pelos meios de comunicação, que não são de comunicação e sim de publicidade, e que, evidentemente, carecem do que se pode chamar um verdadeiro jornalismo, é pura propaganda falsificada, manipulada e controlada por interesses particulares, para fazer as pessoas pensarem que o que sucede em Venezuela é o produto de um suposto regime ditatorial cujos problemas são intrínsecos ao sistema que ali se desenvolve. Estes meios de publicidade, na realidade, funcionam como um mecanismo a mais de desestabilização política, social e econômica dentro da estratégia terrorista do imperialismo mundial. O que se quer, desta maneira, é gerar no país alvo, no qual, por diversas razões, não é conveniente um ataque militar direto por parte de suas tropas invasoras, criar um ambiente propício para a reação, para a contrarrevolução, para a divisão, para o golpe de estado.

Como dissemos, esta estratégia o império já utilizou em outras ocasiões e com a mesma finalidade, fazer cair por diversos meios o governo de um país que se negue a servir a seus obscuros interesses.

Assim o fez na URSS com a intromissão de diversas cadeias de rádio ocidentais a serviço do capitalismo, como Radio Libertad, que promoviam injustamente a dissidência e o inconformismo, por meio de distorcer a realidade e enganar a população que caía ingenuamente, devido às dificuldades econômicas, em suas redes de mentiras e complô reacionário; neste caso, temos a serviço da publicidade imperialista os grupos PRISA e PLANETA, aos quais pertencem a maioria destes meios de comunicação, incluídos, para Colômbia, Caracol e RCN. Porém, esta desestabilização que se compõe de ataques publicitários, econômicos e políticos, não só se fez na antiga União Soviética como também no Chile de Allende, em Cuba desde 1959, no Iraque, na Coréia do Norte, no Vietnã e, em geral, em todos aqueles países que não querem fazer do capitalismo sua forma de vida ou que por uma ou outra razão se opunham a seus interesses geopolíticos e econômicos, como se passa atualmente com Bolívia, Equador e Venezuela.

Sabemos, ademais, que esta estratégia terrorista de desestabilização não só tem a missão imediata de derrocar o governo do país em questão, fazendo com que o inconformismo das pessoas manipuladas e enganadas o façam renunciar ou apoiando militar e financeiramente um grupo violento reacionário que, uma vez criadas as condições de inconformismo, possam ajudar a destruir o governo ou dar diretamente um golpe de estado como sucedeu no Chile com Pinochet, no Afeganistão com os talibãs na guerra fria, como os esquadrões da morte na América Central nos anos ’80 e agora com os rebentos paramilitares em Venezuela exportados desde a Colômbia, entre muitíssimos outros casos, senão que ademais tem o objetivo transcendental de criar no imaginário social global uma imagem pejorativa do socialismo ou daqueles países que tentam construí-lo.

Tentam com que todo mundo creia, como eles têm dito constantemente, que os problemas que se apresentam nos países socialistas são problemas inerentes ao próprio sistema e, portanto, insolúveis enquanto este se mantenha. Implantando, assim, a ideia de que o único sistema viável é o capitalismo, e que qualquer outro sistema social é inferior e defeituoso.

Não se trata de ocultar os problemas que possam existir nos países socialistas ou que tenham essa tendência, pois as dificuldades na construção do socialismo são muitas e diversas, já que herdam todos os problemas e defeitos do capitalismo e no processo de saná-los e superá-los se apresentam crises e obstáculos, porém todos e cada um deles remediáveis.

Porém, de igual forma, tampouco se pode ocultar que há uma intervenção imperialista que, direta ou diretamente, por meio das oligarquias locais nos países que atravessam uma transição para o socialismo, agrava os problemas, maximiza as dificuldades e tem como objetivo fazer das crises uma situação irreversível e irremediável que, através da manipulação e distorção midiática, através de bloqueios e sanções econômicas, de incentivar e promover a violência, de desabastecer o mercado fazendo com que os empresários escondam e acumulem os armazéns com os necessários produtos diários para gerar escassez, através do assassinato seletivo de dirigentes, personagens e políticos, através da criação de grupos terroristas etc., tentam derrocar o governo do país que se opõe a seus interesses, até que este caia pela desestabilização, pelo golpe de estado ou até criar uma situação política suficientemente favorável para a intervenção militar direta.

A hegemonia mundial talvez já não opte, por enquanto, por uma intervenção armada dura e direta, porém os chamados golpes suaves, guerras de baixa intensidade, desestabilização, terapias socioeconômicas de choque, são igual ou mais perigosas que as primeiras, pois são sutis e dão a impressão de serem acéfalas, levando muitos a, inclusive, pensar que é a proposta política a favor das maiorias a que inerentemente está condenada ao fracasso.

por Julián Subverso, integrante da Delegação de Paz FARC-EP.
Fonte: novacultura.info

Continua o modelo imposto por Pinochet - Chile

Chile ]
'Continua modelo imposto por Pinochet’, denuncia mãe de jovem queimado vivo no Chile

Andrés Figueroa Cornejo
Adital

Entrevista com Verónica de Negri, mãe do jovem fotógrafo Rodrigo Rojas, queimado vivo por militares, no dia 02 de julho de 1986 e falecido quatro dias depois, como símbolo de uma jornada de protesto contra a tirania e a repressão de todo um sistema. "Eu também acuso o acobertamento e traição dos quatro governos civis da Coalizão de Partidos pela Democracia (Patricio Aylwin, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet), e o ex-presidente da Aliança, Sebastián Piñera”.

reproducao
Rodrigo Rojas e Carmen Quintana, então jovens revolucionários, capturados e queimados vivos em 1986.
Em meio a uma das maiores jornadas de protesto contra a tirania pinochetista, regime que instaurou um capitalismo de vanguarda, que deveria funcionar exemplarmente em escala mundial, no dia 02 de julho de 1986 foram cometidos dois crimes atrozes contra os jovens Carmen Gloria Quintana e Rodrigo Rojas de Negri. Ambos foram encharcados com combustível e queimados vivos por militares do Exército do Chile, a poucas ruas da Alameda da capital andina. Após serem queimados, os jovens foram envoltos em cobertores pelos uniformizados e despejados em um terreno baldio, na comuna de Quilicura, a 20 quilômetros de onde foi cometido o crime. Carmen Gloria sobreviveu milagrosamente. No entanto, o fotógrafo de 19 anos, Rodrigo Rojas, morreu quatro dias depois, em 06 de julho. Verónica de Negri é a mãe de Rodrigo. Quem foram os culpados, Verónica?

Aqui, temos implicados do ditador Augusto Pinochet para baixo. Finalmente, contamos com um documento que certifica que Augusto Pinochet Ugarte esteve envolvido na morte do meu filho, algo que eu venho denunciando há mais de 29 anos. Sempre tentaram me taxar de ‘louca’, mas, no fim, tenho os papéis que creditam que, naquele, dia o ditador teve relação direta, para evitar que, na época, houvesse mais detentos, ao impedir os testemunhos dos soldados; e ao reprimir os que se declararam como testemunhas oculares. Além disso, Pinochet impediu que Rodrigo tivesse o tratamento adequado no Posto Central de Santiago.

Rodrigo faleceu em 06 de julho de 1986, a pouco dias de ser queimado vivo. Quem são os outros envolvidos?

Depois de Pinochet, está o ex-vice-comandante do Exército, Santiago Sinclair Oyaneder (http://g80.cl/noticias/noticiacompleta.php?varbajada=21080). Também estão implicados o então diretor geral dos Carabineiros, Rodolfo Stange (https://es.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_Stange), de acordo com os documentos divulgados pelos Estados Unidos, que indicam que Stange enviou a informação para Pinochet. No nosso caso, sempre se falou que os carabineiros não estiveram ligados ao assassinato, mas, agora, sabemos que não apenas o Exército participou. Foi uma operação conjunta entre carabineiros e militares. Apesar da dor, estas informações nos dão alegria porque por tanto tempo nós dissemos que Pinochet foi responsável por desaparecimentos e massacres de pessoas, de torturas e detenções, e muito poucos não acreditavam em nós? De fato, foi preciso prendê-lo, em Londres, Inglaterra, para que houvesse um reconhecimento absoluto da criminalidade de Pinochet, (http://radio.uchile.cl/2013/10/16/15-anos-de-la-detencion-de-pinochet-en...), mesmo dentro do Chile.”

O juiz Mario Carroza é o promotor designado para o caso do seu filho. Que procedimentos ele levou adiante?

Ainda se mantém estudando vários documentos recém-divulgados e entre os quais aparece o do civil Francisco Javier Cuadra, ministro de Pinochet entre 1984 e 1987 (https://es.wikipedia.org/wiki/Francisco_Javier_Cuadra), e do ministro da Defesa e almirante da Armada, Patricio Carvajal, entre outros. Tudo isso leva tempo, mas o promotor Carroza já prendeu vários membros de diferentes patrulhas militares que participaram da operação. Agora, eu creio que vêm outros processos judiciais e mais audiências. De qualquer forma, isso faz parte das atividades da justiça e eu não quero interferir de forma alguma no curso. Não quero que exista nem se faça nenhuma ‘trapaça’ para que haja justiça.

reproducao
Verónica de Negri acusa governos civis de acobertarem crimes da ditadura pinochetista.
Você se referiu aos envolvidos nas altas patentes militares e civis de 1986, mas há mais responsáveis civis posteriores?

Eu também responsabilizo os quatro governos civis da Coalizão dos Partidos pela Democracia (Patricio Aylwin, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet), e o ex-presidente da Aliança, Sebastián Piñera. E aqui não falo somente como mãe de Rodrigo Rojas, mas também como Verónica de Negri, vítima da tortura. E falo por todos os casos de violação dos direitos humanos porque existem muitos outros casos que devem ser levados à justiça. Há pouco tempo, a família de Tatiana Fariña (http://www.g80.cl/noticias/columna_completa.php?varid=2178) formalizou sua queixa também. Já está na hora de retirarmos a venda dos olhos e começarmos a buscar justiça para todos/as.

Acobertamento e traição dos governos civis

Do que você acusa os governos civis?

De acobertamento e traição. Eu convido todo o mundo a deixar de empregar expressões que serviram para encobrir os crimes. Por exemplo, a chamada Comissão da Verdade e Reconciliação (https://es.wikipedia.org/wiki/Comisi%C3%B3n_Nacional_de_Verdad_y_Reconci...) somente considera a nossa verdade, mas não pode haver reconciliação se nos traíram. Outra foi a Comissão Nacional sobre Prisão Política e Tortura (https://es.wikipedia.org/wiki/Comisi%C3%B3n_Valech). Chamá-la ‘Comissã Valech’ foi mais uma forma de nos fazer desaparecer do mapa. Esse também é um modo de trair todos e todas que lutamos contra a ditadura desde o início. Quando a campanha da Coalizão usou o slogan ‘A alegria já vem’ foi outra expressão da traição contra o povo e contra os que mais sofrem. Foi alegria unicamente para os corruptos. No Chile, desapareceu a industria, roubam-se os recursos naturais e a repressão continua. No Chile, a repressão está ‘na moda’.

Por que fala em traição por parte das administrações civis pós Pinochet?

Encobrir é trair.Trair é não ter punido Pinochet e nenhum membro da junta militar que deu o golpe de Estado em 11 de setembro de 1973. Cada um deles morreu sem nenhuma acusação contra. E isto foi devido a um acordo entre a ditadura e o presidente norte-americano Ronald Reagan, que tinha a intenção de aparecer frente ao mundo como um grande defensor dos direitos humanos. Um dos exemplos mais claros foi colocar, em 1990, como primeiro-ministro dos governos civis o democrata-cristão Patricio Aylwin, um dos responsáveis pelo golpe de Estado. Isto é traição e uma piada com todo o povo do Chile.

radio.uchile
Verónica e o filho Rodrigo, ainda vivo, na década de 1980.
Aqui, houve um pacto interburguês entre a ditadura, a oposição burguesa e o imperialismo norte-americano… Para mim, o que houve foi um acordo para continuar com o modelo imposto por Pinochet.

O perdão impossível

Verónica, você mesma foi uma das vítimas da repressão pinochetista e teve que se exilar nos Estados Unidos. Sofreu a dor mais irrecuperável para uma mãe, que foi o assassinato vil do seu filho, com os agravantes associados ao caso. Que esforços está realizando nestes dias no Chile?

Denunciando tudo aquilo que se manteve em silêncio. Dizendo as coisas pelo nome. Além disso, juntamente com organizações de direitos humanos, movimentos e algumas associações profissionais, fizemos uma petição para a presidenta Bachelet e para o Congresso Nacional. Com Carmen Gloria Quintana estamos determinadas a chegar às últimas consequências.

O que significa chegar até ‘as últimas consequências’ em um país que padeceu de uma direitização tão violenta nos últimos 42 anos?

Significa arruinar os militares. Fechar a prisão de luxo de Punta de Peuco. Que se legisle de maneira mais transparente, precisa e concisamente sobre quais serão as punições que vão ocorrer com o soldado que mantém a informação sobre as violações, o que vai acontecer com as altas patentes das Forças Armadas, como vamos obter os nomes dos criminosos. Estamos exigindo justiça e não mais benefícios carcerários para os poucos assassinos que estão presos. Terminar com mais outra traição: a do advogado José Zalaquett (https://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Zalaquett), que participou da Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação, convertendo-se em um dos primeiros encobridores da verdade. Agora, Zalaquett está falando em indenizar os criminosos que estão dispostos a oferecer informação. Para mim, esta é outra traição.

Carmen Gloria Quintana sobreviveu ao atentado atroz e hoje luta ao lado de Verónica de Negri por justiça e punição dos culpados.
Verónica, é possível o perdão?

Não. Da minha parte, nunca.

Nota do jornalista: A presente entrevista foi possível graças à produção do diretor do site ttp://www.politika.cl/, Luis Casado, e à equipe profissional de produção audiovisual coordenada pelo comunicador Alejandro Kirk.

Andrés Figueroa Cornejo
Jornalista. Twitter @PeriodistaFigue

ALBA-TCP, declaração diante a crise humanitária no mediterrâneo.

DECLARAÇÃO ESPECIAL DOS PAÍSES DA ALBA-TCP
DIANTE DA CRISE HUMANITÁRIA NO MEDITERRÂNEO.

Caracas, 10 de agosto de 2015.

IV REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO POLÍTICO DA ALBA-TCP

Os Ministros de Relações Exteriores do Conselho Político da ALBA-TCP diante a terrível situação humanitária que acontece no Mar Mediterrâneo declaram que:
1. A principal causa das tragédias humanitárias, a qual tornou o Mar Mediterrâneo em um imenso túmulo, é o modelo capitalista colonial e neocolonial, que torna em subdesenvolvidos os povos da África e Ásia e destrói seus modelos produtivos, colocando-os à serviço das metrópoles ocidentais. No ano de 2015, mais de 2.000 pessoas perderam a vida ao fugir das péssimas condições de vida e desestabilização na África e Ásia.

2. As metrópoles imperiais europeias que bloqueavam negativamente a África, debilitaram suas economias, gerando emergências humanitárias na maioria dos seus países e atiram cada tentativa de decolagem da economia em beneficio dos povos africanos.

3. Ocidente emprega a violência terrorista para derrotar governos legítimos, visto que não aplicam seus modelos de exploração capitalista nem satisfazem os interesses vorazes.

4. A violência propagada nos países da África, Afeganistão, Síria, Iraque e Meio Oriente por meio da ação impune dos grupos terroristas que tem tornado grande regiões em um estado de violência extrema, causando um sofrimento profundo nos povos dessas regiões, sob o auspicio e mirada cumplice do Ocidente.

5. Trás as consequências negativas do antigo colonialismo e neocolonialismo, somam-se os processos de desestabilização da região. A desmembração de Líbia no ano de 2011 foi o maior exemplo dessas ações. A derrocada ilegítima de seu governo, contrariando toda a base jurídica internacional, provocou o deslocamento de milhares de cidadãos, arriscando suas vidas na tentativa de cruzar o Mar Mediterrâneo para escapar do terrorismo violento e as carências provocadas pelo Ocidente.

6. Ocidente pretende derrubar o Governo constitucional e legitimo de Síria por meio do terrorismo violento e desequilíbrio na região.

7. Advertimos que a nova aventura imperial aumentará a atual tragédia em milhões e tornará a Europa no foco principal das terríveis consequências humanas, derivadas dessa ação e contra os princípios essenciais do Direito Internacional. Atualmente, aproximadamente 200 mil pessoas da África e Ásia arriscariam suas vidas no Mediterrâneo para chegar a qualquer país da Europa.

8. Apelamos para que Europa acorde e responda imediatamente, com sensibilidade e justiça e aceite sua responsabilidade histórica, a qual ultrapassa os limites da tragédia humana.

9. Os países da ALBA-TCP fazem um chamado para que todos os governos e povos do mundo elaborem um Plano de Solidariedade para aqueles povos que sofrem hoje com as consequências do terrorismo internacional. Que 20% do gasto bélico mundial sejam investidos em saúde, educação, alimentação, moradia e direitos humanos para milhões de cidadãos assolados pelo terrorismo, o qual é promovido e apoiado pelo Ocidente.

10. Outrossim, expressamos nossa profunda preocupação pelas atuais deportações e deslocamentos forçados dos cidadãos dominicanos, de origem haitiano e, reafirmamos os direitos humanos fundamentais de todos aqueles que estejam sendo deslocados e fazemos um apelo para alcançar uma resolução justa e pacifica diante desta crise no marco do direito internacional.

Fonte: Consulado da Venezuela-RJ

"Combate ao terrorismo" ou ataque ao direito de protestar.

“Combate ao terrorismo” ou ataque a liberdades?

Alvo de severas críticas de organizações que defendem a liberdade de expressão, o projeto de lei (PL) 2016/2015, que tipifica o crime de terrorismo, voltou à pauta da Câmara dos Deputados no início deste mês.

Elaborado pelo Executivo, com o apoio dos Ministérios da Justiça e da Fazenda, o PL visa alterar a Lei das Organizações Criminosas, definindo o conceito de “organizações terroristas” e estipulando pena de 8 a 12 anos para quem cometer “terrorismo”.

Um acordo entre líderes de bancadas definiu que o projeto não precisará passar pelas três comissões especiais que teriam que analisá-lo, indo diretamente ao plenário. A votação deve acontecer na semana que vem.

Para a ARTIGO 19, o PL 2016/2015 esconde sérios riscos ao direito de protesto e à liberdade política, mesmo que a pretexto de promover a “segurança nacional”. Isso porque, entre os componentes que seriam considerados para a caracterização do crime de terrorismo, está a motivação “política” e “ideológica”.

Além disso, vale lembrar que as condutas definidas no PL como crime já estão previstas em outras leis, como o Código Penal. Na prática, o que ocorreria seria um aumento das penas somente em virtude da motivação do crime, o que é especialmente problemático ante a inclusão da motivação ideológica e política na definição de organização terrorista.

De acordo com o texto do PL, são consideradas organizações terroristas aquelas “cujos atos preparatórios ou executórios ocorram por razões de ideologia, política, xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou gênero e que tenham por finalidade provocar o terror, expondo a perigo a pessoa, o patrimônio, a incolumidade pública ou a paz pública ou coagir autoridades a fazer ou deixar de fazer algo.”

Além disso, emenda apresentada pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) ao texto original inclui “manifestações sociais” como uma das possibilidades para a caracterização do delito – fato que poderia agravar ainda mais a criminalização de protestos.

Intensificação da repressão contra protestos

A exemplo dos projetos de lei propostos em resposta às manifestações de junho de 2013, o texto do PL é muito genérico e traz definições subjetivas do que seriam atos terroristas, como “expor a perigo a paz pública” ou “coagir autoridade”. Isso dá margem para que a lei seja aplicada de forma arbitrária no sentido de coibir manifestações sociais legítimas.

Acompanhamento das violações ao direito de protesto que a ARTIGO 19 realiza desde 2013 mostra que existe uma tendência em curso do Estado brasileiro de intensificar a repressão e a criminalização de manifestantes. Caso o PL 2016/2015 seja aprovado, a situação se agravaria ainda mais.

A ARTIGO 19 acredita que o exercício da liberdade de expressão e informação são centrais para a garantia de uma democracia funcional e saudável. Um contexto de respeito e proteção a esses direitos tem enorme impacto na prevenção da repressão, da guerra e de conflitos.

A entidade reconhece ainda que a liberdade de expressão pode em alguns casos ser restringida para proteção da ordem pública e da segurança nacional – na verdade, o Estado tem o dever de proteger seus cidadãos e cidadãs de ataques terroristas -, mas a apresentação de soluções pouco precisas, além de potencialmente abertas a abusos, é fator de grande preocupação.

É imperativo que o Executivo retire o PL 2016/2015 da pauta da Câmara e permita que um debate mais qualificado ocorra junto a toda sociedade, de forma que a segurança de todos e todas seja protegida, sem que isso se dê pela aprovação apressada de um texto inadequado, evitando-se que liberdades democráticas, conquistadas a duras penas, sejam colocadas sob risco.

Alba Notícias
albanoticias@mst.org.br

Da prisão nos EUA, às conquistas sociais e à liberdade em Cuba

Assata Shakur, da prisão nos EUA, às conquistas sociais e à liberdade em Cuba

“O imperialismo é um sistema de exploração internacional e nós, como revolucionários, devemos ser internacionalistas para derrotá-lo.”

O negócio carcerário nos EUA se alimenta, sobretudo, da população negra e latina. É um negócio empresarial do capitalismo, negócio da minoria privatista. Se antes o negócio era a captura de africanos e africanas para vendê-los, hoje os mesmos são capturados nos EUA para que o regime estadunidense pague com o dinheiro do Estado os empresários carcerários por cada afro-americano ou latino que os corpos de polícia capturam. Depois, os negros e as negras aprisionados terão que trabalhar. Na prisão, trabalham como escravos para empresas capitalistas que levam o fruto de seu trabalho. Lembra muito o que fazia o franquismo, a ditadura na Espanha, com os presos políticos republicanos.

O objetivo com a repressão permanente sobre a população negra é isolá-la e submetê-la. Os brancos racistas controlam o aparato do regime estadunidense e um de seus numerosos braços desde os anos 70 do século XX é o FBI, centro de controle e terrorismo sobre a população negra, cujo objetivo prioritário até então foi Martin Luther King, seguido por “milhares de ativistas por direitos civis menos proeminentes”. Tudo isto aparece no “informe do Comitê Church, do Comitê Seleto do Senado para o Estudo das Operações Governamentais e pelo Subcomitê de Inteligência Interior”, que se empenhavam “contra os direitos civis e humanos de todo tipo de ativistas políticos e, de maneira muito particular, dos de raça negra”.

Assim, forjou-se a perseguição às pessoas afro-americanas, levando Assata Shakur a integrar-se às Panteras Negras. Até então, Shakur precisou fazer o caminho crescente do conhecimento, partindo da ignorância causada pelo domínio racista sobre o conjunto social.

Em sua biografia, descobre tanto o tratamento diário dado pelos brancos desde a escola primária aos negros e quanto à assimilação destes. Nele, possui grande peso a explicação histórica como uma enganação de grandes dimensões. Na adolescência, começa a desmistificação de personagens como Elvis Presley, que declarava “que a única coisa que uma pessoa negra podia fazer por ele era comprar seus discos e lustrar seus sapatos”. Depois, Assata soube que Elvis tinha se oferecido como informante ao FBI. Seu conhecimento da história dos EUA foi se tornando mais profundo até saber que aqueles que arrancavam cabeleiras eram os brancos e não os índios nativos, isso por um lado, e por outro como os EUA eram o invasor de toda a América do Sul, do Oriente, da Coreia e do Vietnã.

Sua própria vida, o contraste de ideias e o estudo foram fazendo dela uma pessoa crítica e combativa, capaz de denunciar tudo o que contribui para a manutenção do regime. O conhecimento da realidade e a não aceitação da opressão a faziam saber que existem 50 negros assassinados pela polícia para cada policial morto. Também sabia que 90% dos presos nos EUA são negros e do terceiro Mundo. “Chamam-nos de ladrões, porém não somos nós que roubamos bilhões de dólares ao ano por meio de evasão fiscal, tabelamento ilegal de preços, desfalque e fraude aos consumidores, ou com subornos, enganações e pagamento de comissões”.

Assata levanta a voz para dizer que “são necessárias declarações positivas sobre nós mesmos, é preciso fazer ver o desejo de sermos livres. A criação do Exército de Libertação Negro é fruto das condições sociais, do desejo de libertação”.

Assata recorda que em seus primeiros contatos teve que aprender desde o mais elementar da História, da política do momento, até chegar aos ensinamentos do colégio: “No colégio, ensinavam-nos que nos países comunistas trabalhava-se em minas de sal, que o povo não eram livre... Os africanos estremeciam, não sabiam quem era e não tinham nem ideia do que era o comunismo e, no entanto, estavam radicalmente contra. Da mesma maneira, quando você é pequeno e acredita em assombração. Você não tem ideia do que é, mas odeia e dá medo...

Ensinam-nos desde pequenos a ser contra os comunistas. Contudo, a maior parte de nós não sabe nem o que é o comunismo. Só um idiota deixa que os demais digam quem é seu inimigo”.

Foi aprendendo, foi mudando, foi tomando consciência sobre a sociedade em que vivia e, assim, explica a escolha de seu nome: “Os nomes de mulher não tinham nenhuma relação com os de homem, que significavam coisas como ‘forte, guerreiro, homem de ferro, valente’, etc. Eu queria um nome que tivesse alguma relação com a libertação de nossa gente. Decidi por Assata Olugaba Shakur. Assata significa ‘a que luta’, Olugaba significa ‘amor para o povo’ e tomei o sobrenome Shakur por respeito à Zayd e a sua família. Shakur significa ‘a agradecida’”.

Assata foi perseguida, ferida de morte pela polícia, presa, torturada, julgada e, finalmente, declarada inocente. Ao ver que a perseguição racista não acabava, optou pelo exílio em Cuba. A partir de então, escreve sobre a importância da consciência nacional com essência internacionalista, pois qualquer comunidade interessada em sua própria liberdade deve se interessar pela liberdade do restante. A vitória de qualquer povo é a vitória dos oprimidos. “O imperialismo é um sistema de exploração internacional e nós, como revolucionários, devemos ser internacionalistas para derrotá-lo”.

Assata Olugaba Shakur agora vive em Cuba, onde comprova as conquistas da revolução na medicina, no ensino, aluguéis, cultura, economia, tudo nas mãos de um povo que se defende.

Quando pergunta se existe racismo a respondem que “o racismo é ilegal em Cuba” e depois faz as comprovações pertinentes, defende que “o governo cubano está comprometido com a eliminação de toda forma de racismo. Não existem instituições, estruturas ou organizações racistas... o sistema econômico cubano minava o racismo, ao invés de contribuir com sua reprodução”. “Fidel, em um discurso, falou para o povo: ‘Todos somos afro-cubanos, dos mais pálidos aos mais morenos’”.

Assata Shakur, mulher, negra e revolucionária. Um exemplo a ser aprendido.

Título: Assata Shakur. Uma autobiografia.

Prefácio de Angela Davis.

Tradução: Ethel Odriozola e Carmen Valle.

Editorial: Capitán Swing.

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/07/23/assata-shakur-de-la-car...

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Cuba é a primeira Nação, a eliminar HIV de mãe pra filho/a.

Cuba – Opera Mundi – Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reconheceu os esforços da ilha pela eliminação também de transmissão congênita de sífilis.

Cuba se tornou nesta terça-feira (30/06) o primeiro país do mundo a receber a validação da OMS (Organização Mundial da Saúde) por ter eliminado a transmissão do HIV (vírus que provoca Aids) e da sífilis de mãe para filho.

“Tudo foi possível por nosso sistema social e pela vontade política desde o mais alto nível. Isso permitiu que um país com poucos recursos tenha feito estas conquistas”, disse o ministro de Saúde Pública de Cuba, Roberto Morales, em entrevista a jornalistas na sede da organização, em Washington.

Morales atribuiu este marco ao sistema de saúde estabelecido após o triunfo da revolução cubana há mais de meio século, um sistema que definiu como “gratuito, acessível, regionalizado e integral”, de acordo com a Agência Efe.

Junto a Morales, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne, reconheceu os esforços da ilha pela eliminação desses dois vírus, após visita de especialistas da organização, que constatam os resultados no local, reportou Cubadebate.

Segundo Etienne, todos os países da região se comprometeram em 2010 a conquistar “o que Cuba alcançou hoje”. De sua parte, o ministro cubano disse estar em “total disposição de ajudar outros países”.

Em maio de 2014, foi criado um comitê regional de validação de 14 especialistas de diversas nações do continente sobre a eliminação da transmissão congênita do vírus HIV e da sífilis.

Cuba foi o primeiro país a solicitar esta avaliação, processo que já foi iniciado por Barbados, Jamaica, Anguila e Ilhas Virgens. Outros Estados da região e do mundo já deram importantes passos para a sua validação.

Fonte: Opera Mundi

Onda Conservadora no Mundo e América Latina

A ONDA CONSERVADORA NO MUNDO E AS LUTAS ATUAIS NA AMÉRICA LATINA
(ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SECRETÁRIO GERAL DO PCB – O PODER POPULAR – número 3)
1) O PODER POPULAR: A conjuntura mundial de aprofundamento da crise do capitalismo aponta para o avanço dos atos imperialistas contra a soberania dos povos e para o crescimento do pensamento conservador, com a eclosão até de manifestações fascistas. Vivemos hoje mais claramente a dicotomia entre socialismo e barbárie?

IVAN PINHEIRO: Essa dicotomia, evidenciada por Rosa Luxemburgo há um século, é de uma atualidade angustiante. Quanto mais se aprofunda sua crise, o capitalismo precisa retirar mais direitos sociais e trabalhistas e, para isso, precisa cada vez mais de repressão às lutas populares e proletárias e de restrição à liberdade de organização política e sindical. O agravamento das contradições interimperialistas radicaliza a disputa por matérias primas, mercados e posições estratégicas entre as potências.
A barbárie já é uma realidade, com milhões de mortos e mutilados pelas guerras imperialistas, sobretudo no Oriente Médio e na África. Basta ver a catástrofe que atinge milhares de vítimas da violência nessas duas regiões, muitos morrendo nas águas do Mediterrâneo, fugindo do caos que a “civilização ocidental” provoca em seus países, em nome da “democracia”, e o rastro de sangue contra populações civis e a destruição de patrimônios da humanidade provocados por organizações terroristas criadas como falsas bandeiras da ação do imperialismo.
Preocupam-nos as tendências fascistizantes, que vicejam mais na Europa, onde a crise do capitalismo é mais acentuada. Como diz nossa camarada Zuleide, o socialismo não é uma fatalidade, mas uma necessidade. Diante do acirramento da luta de classes, urge que o sindicalismo classista e o movimento comunista internacional revolucionário reforcem sua articulação e unidade de ação, superando e derrotando a atual hegemonia das organizações reformistas, que semeiam ilusões de que é possível humanizar e democratizar o capitalismo.

2) O PODER POPULAR: Na América Latina, o governo Obama, ao mesmo tempo em que acena com a liberalização das relações com Cuba, ameaça intervir militarmente na Venezuela. Como se explica esse quadro?

IVAN PINHEIRO: A aproximação do governo norte americano com Cuba não se inspira em razões nobres. Há uma motivação estratégica, de olho na reestruturação econômica em curso na Ilha. Os EUA precisam disputar influência e mercado com capitais brasileiros, russos e chineses e alimentam a obsessão por um abraço da morte, agora “suave”, no socialismo cubano. Há também uma tentativa de simular que o imperialismo norte-americano “não é mais o mesmo”, tornando-se um vizinho amigo, com o objetivo de se aproximar de governos e povos que lhe são hostis. A dupla moral fica clara quando, ao mesmo tempo, os EUA insistem em desestabilizar a Venezuela e reforçam sua presença militar no continente.
Em relação à Venezuela, o cínico decreto que considera este país uma ameaça à segurança nacional dos EUA foi um ato de desespero, após mais uma frustrada tentativa de golpe contra o governo bolivariano, com vistas a se apropriar da extraordinária reserva de petróleo venezuelana e destruir o processo de mudanças mais avançado na América Latina, o que impactaria negativamente a resistência dos povos da região e a correlação de forças no tabuleiro mundial.
Creio que o tiro de Obama saiu pela culatra. Na Venezuela, uniu as massas em torno do governo Maduro e da experiência bolivariana, reforçou as milícias populares e ainda dividiu e enfraqueceu a oposição conservadora. Na Cúpula das Américas, o desastrado decreto isolou os EUA, chegando a obrigar Obama a vergonhosamente negar a ameaça que fizera e ainda ouvir o corajoso discurso de Raul Castro, denunciando o histórico de golpes do imperialismo contra Cuba e outros países na região e marcando os limites da aproximação entre os dois países, inclusive o respeito à opção do povo cubano pela construção do socialismo.

3) O PODER POPULAR: Quais as perspectivas das forças populares e revolucionárias na América Latina, em especial com relação à luta pela paz na Colômbia? Quais os reflexos desta situação para o restante do continente?

IVAN PINHEIRO: A busca por uma solução política para o conflito militar e social colombiano é de interesse de todos os povos da América Latina, onde a Colômbia é a principal plataforma militar a serviço do imperialismo.
A burguesia colombiana e o imperialismo norte-americano não tomaram a iniciativa de propor conversações com as FARC-EP por pacifismo ou qualquer motivação humanitária. A grande ofensiva bélica dos oito anos de governo Uribe (em que, note-se, Santos foi Ministro da Defesa) não foi capaz de derrotar militarmente a insurgência, mas gerou a ilusão de que a guerrilha estava debilitada. Nesse quadro é que o atual governo imaginou ser possível conquistar a sua versão de paz: rápida, sem grandes custos políticos, econômicos e sociais e com a desmobilização dos insurgentes. O objetivo principal do seu “pacifismo” é melhorar a imagem da Colômbia como um porto seguro para investimentos estrangeiros e entregar seu território às multinacionais, para a exploração intensiva na área de mineração, hidrocarburetos e agronegócio. Em verdade, o fértil e cobiçado território guerrilheiro (incluindo aí o do ELN e do EPL) é o centro da disputa.
O desafio dos diálogos de Havana é que as FARC não estão dispostas a entregar as armas, nem ser vítimas de mais um extermínio, como o da União Patriótica, nos anos 1980. Entendem a paz num sentido para além do aspecto militar, como um processo que signifique mudanças econômicas e sociais, em favor dos trabalhadores e do povo, e políticas, com o fim do paramilitarismo e da violência estatal, a libertação dos prisioneiros políticos. O protagonismo do movimento de massas colombiano, em especial da Marcha Patriótica, é que tem contribuído para garantir os diálogos de Havana e levar para a mesa as aspirações populares.
A solidariedade internacionalista ao povo colombiano não é por uma paz a qualquer preço, uma paz de cemitérios. Não se pode abrir mão do direito dos povos à insurreição sem que sejam superadas as causas que deram origem ao conflito.

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Mészáros: A Disputa pelo Estado

Mészáros: A disputa pelo Estado

Texto distribuído por e-mail pelo Boletim

Amigos do Instituto Florestan Fernandes

Entrevista especial com István Mészáros

Publicado em português no Blog da Boitempo

Traduzido do inglês por Nélio Schneider

Enviado pelo pessoal da Vila Vudu

No contexto do lançamento de seu novo livro, A montanha que devemos conquistar: reflexões acerca do Estado, o filósofo marxista húngaro István Mészáros concedeu uma longa entrevista a Leonardo Cazes para o jornal O Globo, em que discutia alguns aspectos centrais da obra, como sua concepção de Estado, de democracia e da crise estrutural do capital, à luz de alguns dos protestos e mobilizações políticas que se vêm alastrando mundo afora.

O resultado foi publicado parcialmente em fevereiro deste ano na matéria “Filósofo István Mészáros analisa ascensão de novos partidos na Europa como Syriza e Podemos”.

A entrevista, contudo, supera em mais de três vezes o espaço disponibilizado pelo jornal.

A pedido do autor, o Blog da Boitempo publica agora a versão integral da entrevista, enviada a nós diretamente pelo jornalista e revisada pelo tradutor Nélio Schneider.

Também a pedido de Mészáros, a entrevista deve se somar ao apêndice das próximas edições ampliadas de A montanha que devemos conquistar: reflexões acerca do Estado.

Por que o senhor, no título de seu novo livro, comparou o Estado que se deve conquistar a uma montanha?

No sentido mais simples e direto, porque a estrada que devemos seguir para garantir nossa sobrevivência e nosso avanço está bloqueada por um obstáculo gigante – muitos Himalaias, um em cima do outro –, representado pelo poder de decisão global do Estado. E não podemos dar a volta nessa montanha, nem passar por cima dela. O perigo de fato consiste em que alguns poucos Estados nacionais têm o poder de destruir a humanidade inteira, um poder zelosamente defendido por eles como sua “segurança” e “autodefesa” nos seus confrontos, reais e potenciais, uns com os outros.

E, enquanto os Estados e a sua necessária rivalidade sobreviverem, a esmagadora maioria da humanidade não pode fazer absolutamente nada contra isso. Nada pode ser mais absurdo do que isso.

A ideia de que, na tentativa de superar as desigualdades estruturalmente arraigadas e saná-las de uma forma duradoura, as pessoas poderiam usar a “sociedade civil” contra o poder do Estado é extremamente ingênua, para dizer o mínimo. Tal como a presunção de chamar de “ONGs”, isto é, “Organizações Não Governamentais” essas organizações pateticamente limitadas que dependem, para o seu financiamento e funcionamento, dos recursos concedidos pelo Estado.

Essas mitologias autocontraditórias não podem oferecer soluções para os nossos piores problemas. O Estado é a estrutura política global de comando do sistema do capital em qualquer uma das suas formas conhecidas ou concebíveis. Sob as condições atuais não pode ser de outra maneira. É por isso que a ordem social reprodutiva do capital é antagônica ao seu núcleo e precisa da problemática função corretiva do Estado para transformar, num todo coeso, as partes constitutivas em conflito do sistema, na sua incurável centrifugalidade.

Houve um tempo em que esse tipo de correção não era só defensável, mas trazia consigo um avanço histórico que a tudo conquistava. Hoje, entretanto, a outrora bem-sucedida função corretiva do Estado falha em funcionar de forma duradoura, na medida em que a profunda crise estrutural do sistema do capital fica cada vez mais clara. O resultado é uma destruição ainda maior, não apenas em incontáveis guerras, mas também da natureza.

É por isso que argumento que a famosa frase de Rosa Luxemburgo, “socialismo ou barbárie”, precisa ser completada, para o nosso tempo para: “... ou barbárie, se tivermos sorte”. A aniquilação da humanidade é a nossa sina se falharmos na conquista dessa montanha que é o poder destrutivo e autodestrutivo das formações estatais do sistema do capital.

No mundo atual, os Estados nacionais parecem ter cada vez menos poder diante de organismos financeiros internacionais e mesmo de organizações políticas interestatais, como a União Europeia. Assim, qual é esse Estado que se deve conquistar?

A alegada redução do poder dos Estados-nações é um grande exagero alardeado por governos com o objetivo de justificar seus fracassos em promover até mesmo as limitadíssimas reformas sociais solenemente prometidas por eles. Os fatos mostram o contrário. Cito apenas alguns exemplos: o Syriza, respaldado por larga margem de votos, está tentando hoje afirmar os interesses gregos contra o FMI e a União Europeia. No Reino Unido, nas eleições gerais de maio próximo, o partido que deve ter o maior crescimento percentual em número de votos é o Partido Independente do Reino Unido (UKIP, na sigla em inglês). Além disso, sob o impacto do crescente sucesso do UKIP, o Partido Conservador (do primeiro-ministro David Cameron) está ameaçando deixar a União Europeia caso não ocorram mudanças no bloco que atendam aos interesses do país.

A propósito, não se pode excluir a possibilidade de que a própria União Europeia acabe. Ainda mais representativo foi o plebiscito, realizado meses atrás, sobre a independência da Escócia. O percentual de eleitores que apoiaram a independência atingiu a impressionante marca de 45%, o que provavelmente levará à sua realização quando eles puderem votar sobre esse assunto novamente. Ao mesmo tempo, a Catalunha, na Espanha, está tentando afirmar os seus interesses no mesmo sentido, como mostram as votações recentes. Na Bélgica, temos contradições parecidas, em alguns casos com manifestações violentas, e também na Itália, na região do Alto Adige, há um forte movimento pressionando por independência. E não devemos esquecer que, na Europa Central, não faz muito tempo que a Eslováquia se separou da atual República Tcheca.

Assim, a realidade não é a eliminação das aspirações dos Estados nacionais, mas o superaquecimento de um caldeirão de perigosos antagonismos e contradições em vários níveis, todos situados entre os atuais Estados nacionais e aqueles que aspiram a tornar-se Estados nacionais e até mesmo as estruturas criadas para solucionar os antagonismos interestatais como União Europeia – que está muito longe de ser unificada.

A crônica falta de solução para esses problemas oferece grandes perigos para a sobrevivência da humanidade. Por acaso deveríamos ignorar o fato de que os Estados Unidos estão ameaçando armar a Ucrânia contra a Rússia, com consequências potencialmente sérias e incalculáveis? Onde foram parar os dias de glória em que líderes políticos mundiais alardearam em alto e bom som “o fim da guerra fria”? E, para além do confronto entre EUA e Rússia, o que pensar do antagonismo, num horizonte não muito distante, entre EUA e China – os mais poderosos dos Estados nacionais – na disputa acirrada pelos recursos naturais do planeta?

Trata-se de um antagonismo ainda limitado, mas com uma inegável tendência a intensificar-se. Estados nacionais rivais são totalmente incapazes de oferecer uma solução para esses antagonismos. Nenhuma organização financeira internacional, nem as bem-intencionadas organizações políticas interestatais conseguem sequer arranhar a superfície de problemas tão graves.

A gigantesca falha histórica do capital foi – e continua sendo – sua incapacidade de constituir o sistema do capital como um todo, enquanto irresistivelmente proclama os imperativos do seu sistema como as determinações materiais diretas da ordem reprodutiva do capital em escala global. Essa é uma enorme contradição. Antagonismos interestatais numa escala potencialmente autodestrutiva – um presságio foram as duas guerras mundiais do século passado quando ainda não tinham sido completamente desenvolvidas as atuais armas de autodestruição total – são a consequência necessária dessa contradição.

Portanto, o Estado que devemos conquistar para a sobrevivência da humanidade é o Estado tal como nós o conhecemos, chamado de Estado em geral na sua realidade existente, como foi articulado ao longo do curso da história, e capaz de se afirmar apenas na sua modalidade antagônica tanto internamente quando nas suas relações internacionais.

O senhor aponta que o Estado tal como nós o conhecemos está fundado numa determinada ordem sociometabólica capitalista. É preciso conquistar o Estado para transformar essa ordem? Ou só a transformação da sociedade criará as condições para a transformação do Estado?

O Estado em si não pode refazer a ordem social reprodutiva do capital porque é uma parte integrante dela. O grande desafio da nossa época é a necessária erradicação do capital da nossa ordem sociometabólica. E isso é inconcebível sem erradicar, ao mesmo tempo, as formações estatais do capital historicamente constituídas em conjunção com a dimensão de reprodução material do sistema e inseparável dela.

O fato de o Estado, como a correção necessária para a centrifugalidade incurável do capital, poder se impor às partes constitutivas, sempre em nocivo conflito, de determinada ordem social não significa que o Estado possa impor arbitrariamente qualquer coisa imaginada pelas personificações políticas do capital. Pelo contrário, a imposição corretiva do Estado é objetivamente orientada pelo imperativo autoexpansionista da ordem reprodutiva material do capital. Uma ordem completamente incapaz de reconhecer algum limite a sua autoexpansão, gerando então uma contradição fatal. A insustentabilidade final dessa contradição é revelada pelo fato de que o que é internamente – no âmbito nacional – um requisito e uma conquista autoexpansionista de tendência internacional se tornam problemáticos e potencialmente autodestrutivos. A realidade repressiva do imperialismo monopolista e de suas guerras não é inteligível sem essa perversa dinâmica autoexpansionista instituída pelos Estados mais poderosos.

Assim, para que a tomada de decisão global no processo sociometabólico seja radicalmente alterada, é necessária a eliminação da já mencionada contradição fatal entre a dinâmica interna de reprodução produtiva do sistema e a tendência repressiva internacional inseparável dela, como vivido na ordem social do capital salvaguardada e defendida pelo Estado.

Alguns intelectuais veem a crise financeira iniciada em 2008 como uma crise do capitalismo. Para salvar os bancos, houve um endividamento gigantesco dos Estados. Esta crise do capitalismo é também uma crise do Estado?

Sem dúvida, a crise de que estamos falando é também a crise profunda do Estado. Os defensores do sistema passaram a promover a ilusão e o autoengano de que o Estado resolveu com sucesso a crise, despejando fundos astronômicos de trilhões de dólares no buraco sem fundo do capital quebrado. Mas de onde vieram esses trilhões astronômicos? O Estado como inventor desses fundos não é produtor de nenhum deles, mesmo que finja ser o distribuidor soberano com seus dispositivos, mais ou menos abertamente cínicos, de “quantitative easing [flexibilização quantitativa]” etc. No entanto, a amarga verdade é que a maioria esmagadora dos Estados está quebrada – a quantia chega a 57 trilhões de dólares de acordo com os números mais recentes –, não importando o quanto consigam dissimular sua falência “ex officio”.

Há muitos anos, em um artigo escrito em 1987 e publicado pela primeira vez no Brasil em 1989, na revista “Ensaio”, citei uma fala do então presidente do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) no “Financial Times”, Robert Heller, defendendo que o déficit anual de US$ 188 bilhões na balança comercial norte-americana representava “a saudável continuação da expansão econômica atual”. E eu comentei isso com estas palavras: “Se US$ 188 bilhões de déficit na balança comercial, junto com déficits orçamentários astronômicos, podem ser considerados a continuação saudável da expansão econômica, é estarrecedor pensar o que serão as condições não saudáveis da economia quando nos defrontarmos com elas”. Agora estamos muito próximos disso.

Assim, a resposta já está clara o suficiente, indicando o endividamento catastrófico e a falência velada das mais poderosas economias capitalistas, sendo os Estados Unidos responsáveis por 20 trilhões de dólares dessa conta, que continua crescendo inexoravelmente. Isso prosseguirá, não importando quantas vezes os presidentes dos Bancos Centrais ainda venham com a cantilena do que chamam “condições saudáveis de expansão”.

No livro, o senhor parece acreditar que o chamado “fenecimento do Estado” é inevitável. O que o leva a acreditar nisso?

Neste caso não se coloca a questão da inevitabilidade. Dizer que o “fenecimento do Estado” é necessário significa apenas que se trata de uma condição vital exigida para a solução dos problemas em jogo. Mas isso não significa que essa exigência vá realizar-se inevitavelmente. Pelo contrário, aumenta o perigo de que o Estado, com seu gigantesco poder de destruição, dê um fim catastrófico a todo o esforço de transformação e emancipação, o que contraria toda a ilusão da chamada “inevitabilidade histórica”.

Não pode haver algo como “inevitabilidade histórica” em direção ao futuro. História é um destino aberto para o bem ou para o mal. Ressaltar a necessidade do “fenecimento” do Estado foi, em primeiro lugar, um meio de contestar a ilusão anarquista de que a “derrubada do Estado” pode resolver os problemas em disputa. O Estado em si não pode ser “derrubado”, tendo em vista o seu profundo entranhamento no metabolismo social. As relações capitalistas de propriedade privada de determinado Estado podem ser derrubadas, mas isso por si só não é uma solução. Tudo que pode ser derrubado pode também ser restaurado, e tem sido assim, como o destino da “Perestroika” de Gorbachev demonstrou amplamente. Capital, trabalho e o Estado estão profundamente interligados no todo orgânico do metabolismo social historicamente constituído. Nenhum deles pode ser derrubado sozinho, nem ser “reconstituído” separadamente.

A mudança exigida requer a transformação radical do metabolismo reprodutivo social na sua totalidade e em todas as partes profundamente interconectadas que o constituem. E isso só pode ser feito com sucesso em sintonia com as circunstâncias históricas em mudança, dentro dos limites do nosso planeta. Esse é o significado da alternativa socialista à ordem sociometabólica do capital, agora perigosamente sobrecarregada e perdulária. Essa alternativa não é uma questão de “inevitabilidade”. A inevitabilidade deve ser deixada para a lei da gravidade, segundo a qual as pedras lançadas por Galileu da torre inclinada de Pisa atingiriam o solo com toda certeza. É por isso que, na conclusão do meu livro, escrevi que “aquilo pelo que essa alternativa socialista clama é a exigência tangível de sustentabilidade histórica. E isso também é oferecido como o critérioe a medida de seu sucesso viável. Em outras palavras, o teste de validade em si é definido em termos da viabilidade histórica e sustentabilidade prática, ou não, como pode ser o caso” [p. 111-2].

Uma das principais críticas à concepção marxista da história é que ela seria muito teleológica. Esta concepção de que o colapso do Estado é inevitável não seria também um tanto teleológica?

Apenas marxistas dogmáticos mecanicistas argumentariam nesses termos. Marx nunca fez isso. Além do mais, sete décadas antes de “socialismo ou barbárie” de Rosa Luxemburgo, ele escreveu que a alternativa por ele defendida era necessária aos seres humanos “para salvar a sua própria existência”. Em outras palavras, se um pensador claramente afirma que a ação humana autodestrutiva em curso – que advém dos antagonismos internos e das contradições perigosas de certo sistema de reprodução social, estabelecido pelos próprios seres humanos – pode colocar um fim no desenvolvimento histórico, isso é o oposto da crença em uma misteriosa teleologia da inevitabilidade histórica, e não sua defesa.

De qualquer forma, indicar a crescente probabilidade do colapso ou da implosão é sempre muito mais fácil do que projetar em termos concretos algo como um mero o esboço de um resultado positivo viável. Porque este último depende de uma grande multiplicidade de fatores que interagem entre si, colocados em movimento por esforços humanos mais ou menos conscientes, confrontando-se uns aos outros em circunstâncias históricas confusamente complicadas e mudanças na relação de forças. É por isso que é tão importante o desenvolvimento de uma consciência social no âmbito de sistemas de valoresrivais, junto com seus requisitos educacionais. Não passaria de uma ilusão autodestrutiva esperar um resultado positivo aparecer através de uma agência supra-humana fictícia de alguma teleologia histórica quase messiânica preexistente.

O senhor é bastante crítico à “democracia representativa”, mas também não demonstra entusiasmo pela assim chamada “democracia direta”. Em vez disso, propõe uma “democracia substantiva”. Quais são as bases dessa democracia substantiva e como ela funcionaria?

A defesa feita por Rousseau de algo parecido com a democracia direta, abraçada na fase inicial da Revolução Francesa, tem uma precedência histórica sobre a democracia representativa. Esta última foi concebida mais como uma reação do que como uma forma original sustentável de controle político. Além do mais, não devemos esquecer que o grande filósofo liberal/utilitarista Jeremy Bentham começou sua carreira intelectual como opositor da Revolução Americana, no calor dos acontecimentos. A democracia representativa foi convenientemente adotada por muitos parlamentos, mas produz resultados muito limitados. Trata-se de uma forma de controle muito problemática até mesmo nos seus próprios termos de referência e nas conquistas que reivindica para si. A crítica feita por Hegel foi certeira quando ele escreveu em sua “Filosofia da história” que, nessa forma de administração política, “os Poucos supõem ser os deputados, mas eles são quase sempre apenas os exploradores dos Muitos”. Ele poderia ter apontado também que os Muitos não são simplesmente os “Muitos”, mas simultaneamente também os “Todos”. Mesmo que os Muitos possam ser verdadeiramente representados pelo Partido temporariamente dominante, isso ainda assim excluiria boa quantidade dos “Todos”, o que fez Hegel cogitar a tirania da maioria sobre a minoria. Mas é claro que ele não pôde ir além disso, dado o seu próprio horizonte de classe e sua concepção econômica, adaptada da economia política de Adam Smith com sua combinação de benção e maldição orientada para o capital.

Apesar dos seus méritos relativos em comparação com a democracia representativa, a ideia da democracia direta é também muito problemática. Ao se colocar como alternativa à democracia representativa no domínio político, ela ainda está muito longe de começar a perceber a grande tarefa histórica da transformação radical do metabolismo social em sua totalidade.

Por isso não surpreende nem um pouco que até seu contraexemplo institucional extremamente limitado dos “delegados revogáveis” em vez dos “deputados representativos” agora eleitos para o sistema político tenha se comprovado como totalmente incompatível, nos dois últimos séculos, com a ordem de reprodução social estabelecida.

Além disso, a sugestão bem-intencionada de pagar a esses delegados o mesmo que se paga aos trabalhadores de fábrica não deu em nada, embora tenha sido defendida apaixonadamente por Lenin no seu livro “Estado e revolução” e também depois da vitoriosa Revolução de Outubro. Nas sociedades capitalistas ocidentais, temos ouvido falar da virtude da proposta de ter trabalhadores ou até conselhos de trabalhadores participando diretamente do processo de decisão das empresas, como um elemento de democracia direta, esperando assim uma grande transformação da sociedade como um todo com o tempo.

Isso é como a raposa da fábula, ao pé da árvore, dizendo ao corvo, que segura no bico um enorme pedaço de queijo, como seu canto é lindo e pedindo que ele cante, na esperança de que ele deixe o queijo cair. Mas o corvo não é tão estúpido a ponto de alimentar a raposa e ficar com fome. A questão da democracia substantiva é um caso de processos decisórios vitais em todos os domínios e em todos os níveis do processo de reprodução social, com base numa igualdade substantiva. E isso exige a alteração radical no metabolismo social como um todo, substituindo o seu caráter alienado e a superimposição alienante de todo o processo de decisão política do Estado sobre a sociedade. Esse é o único modo em que a democracia substantiva pode adquirir e manter o seu significado.

Na Europa, na Ásia e na América Latina, as ruas foram ocupadas por protestos contra o poder estabelecido, sejam ditaduras ou democracias. Como o senhor avalia esses movimentos? Eles podem ser o motor de uma mudança fundamental da sociedade capitalista?

Sem dúvida nenhuma, estamos assistindo às mais notáveis demonstrações de protesto em todo o mundo nos últimos anos. Ao mesmo tempo, já que as demandas das pessoas nesses protestos de massa não foram atendidas, dificilmente se poderá duvidar que eles reaparecerão em todo o mundo e até mais intensamente se continuarem a ser frustrados. Contudo, seria imprudente pular para uma conclusão otimista tendo em vista a imensa dimensão desses movimentos de protesto mundiais. Não obstante, seria muito prematuro ver neles já o motor de uma mudança fundamental da sociedade capitalista. Esses movimentos de protesto são certamente prenúncios de uma necessária mudança fundamental. A magnitude dessa mudança fundamental exigida é indicada não apenas pelas demonstrações de massa que inequivocamente dizem “não” à perpetuação de múltiplas injustiças, mas também pela subsequente expressão de simpatia e solidariedade das massas que ainda não estão nas ruas.

Uma palavra de cautela é necessária, entretanto, porque é sempre mais fácil dizer “não” ao que existe de prejudicial do que elaborar uma alternativa positiva a ele. Se tomarmos a sustentabilidade histórica como critério e medida da alternativa exigida, devemos aplicá-la também aos movimentos de protesto de massa emergentes. Eles apareceram por todo mundo em geral de forma espontânea e numa grande variedade de formas, relacionadas à multiplicidade de suas queixas particulares.

Em algum ponto do futuro, entretanto, eles devem se unir numa força historicamente sustentável, caso queiram se tornar o que você descreveu corretamente como “o motor de uma mudança fundamental da sociedade capitalista”. Só podemos torcer para que essa coesão estratégica se manifeste rapidamente, antes que seja tarde demais.

A Europa tem assistido à ascensão de novos partidos de esquerda, muitas vezes classificados como “radicais”. O Syriza venceu as eleições na Grécia e o Podemos já é a segunda força política na Espanha. Como o senhor vê esses novos partidos? Que tipos de mudança são possíveis por dentro das estruturas atuais?

Syriza e Podemos são bons exemplos da resposta necessária à imposição das cruéis medidas de austeridade pelas autoridades financeiras e estatais internacionais à Grécia e à Espanha, agravadas pela submissão servil de seus respectivos governos nacionais. Mas muito além desses dois países, as medidas de austeridade desumanizantes estão se tornando visíveis e intoleráveis em muitas partes do mundo capitalista, incluindo aqueles países que uma vez pertenceram ao punhado de privilegiados do “Estado de bem-estar”.

O que torna esses partidos particularmente significantes não é apenas que nasceram na esteira de uma esquerda adormecida, mas também alcançaram uma grande massa de apoiadores em um período muito curto de tempo. Nesse sentido, eles claramente sublinham a insustentabilidade da ordem de reprodução social estabelecida que recorre a cruéis medidas de austeridade até na Europa do capitalismo avançado, depois de prometer por tanto tempo – e totalmente em vão – a difusão do bem-estar universal em todos os lugares do mundo.

A expectativa de sucesso dos movimentos mundiais de protesto, mencionados na pergunta anterior, pode ser bastante reforçada pelo desenvolvimento desses partidos. Mas também a esse respeito, uma concepção global estrategicamente viável elaborada por eles, em busca de uma alternativa à ordem existente que seja sustentável historicamente, continua sendo um requisito necessário.

Mais de 20 anos após o fim da União Soviética, por que o senhor acredita que a alternativa socialista não é só possível, mas também necessária?

Em termos históricos, 20 anos é um período muito curto. Isso é um fato especialmente quando a magnitude da tarefa que se apresenta é a da necessidade de mudança radical do sociometabolismo reprodutivo como um todo de uma ordem de desigualdade substantiva para outra de igualdade substantiva. E o desafio histórico para garantir uma ordem de igualdade substantiva não é uma questão das últimas décadas.

A demanda por essa mudança foi eloquentemente afirmada por Babeuf e seus camaradas da “Sociedade dos Iguais”, não há 20, mas há exatamente 220 anos, quando eles insistiram em que: “Não precisamos apenas da igualdade de direitos inscrita na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão; precisamos dela em nosso meio, sob o teto das nossas casas”. Sua demanda era totalmente incompatível com a ordem do capital em consolidação, e eles foram executados por isso. Mas o desafio histórico não morreu com eles, já que envolve toda a humanidade. E nenhuma solução parcial ou o seu fracasso pode eliminar essa condição.

Os fatores que levaram à implosão do sistema soviético têm raízes muito profundas. Para citar muito rapidamente apenas duas: as contradições explosivas, herdadas dos czares, de um império multinacional que reprimiu suas minorias nacionais e a proclamação do “socialismo em um só país”, num contexto em que de fato prevalecia o sistema do capital pós-revolucionário. No que diz respeito à primeira contradição fatídica – cujas reverberações perigosas podem ser ouvidas ainda hoje –, Lenin defendia para as minorias nacionais o “direito de autonomia até o ponto de secessão”, e ele criticou incisivamente Stalin como um “nacional-socialista” arbitrário e “valentão da Grande Rússia”; ao passo que Stalin reduziu as minorias nacionais ao status de “região de fronteiras” indispensáveis para a manutenção do “poderio da Rússia”. Em relação à segunda deturpação fatídica, Stalin e seus seguidores afirmaram “a completa realização do socialismo em um só país”, em total contradição com a visão de Marx de que uma ordem social alternativa “só é possível como um ato dos povos dominantes de uma só vez e simultaneamente, o que pressupõe o desenvolvimento universal das forças produtivas e a inter-relação mundial a ele vinculado”.

Babeuf e seus camaradas tragicamente subiram ao palco da história antes da hora com a sua demanda radical. Naquele tempo, o capital ainda tinha o potencial de expansão através da conquista do mundo, mesmo que seu modo de operação nunca tenha podido superar as características problemáticas daquilo que até mesmo seus melhores defensores no campo da economia política descreveram como destruição criativa ou produtiva. Pois a destruição sempre foi parte integrante disso, tendo em vista o crescente desperdício inseparável da inexorável tendência autoexpansionista do capital, mesmo na fase de ascensão do seu desenvolvimento histórico.

A maior e mais perigosa ironia da história moderna é que a outrora tão incensada “destruição produtiva” se converteu, na fase descendente de desenvolvimento sistêmico do capital, em uma produção destrutiva ainda mais insustentável, tanto no campo da produção de mercadorias quanto no domínio da natureza, complementada pela ameaça definitiva de destruição militar em defesa da ordem estabelecida. É por isso que a alternativa socialista não só é possível – no sentido já mencionado de sua sustentabilidade histórica –, mas também é necessária, no interesse da sobrevivência da humanidade.

[*] István Mészáros é autor de extensa obra, ganhador de prêmios como o Attila József, em 1951, o Deutscher Memorial Prize, em 1970, e o Premio Libertador al Pensamiento Crítico, em 2008, István Mészáros se afirma como um dos mais importantes pensadores da atualidade. Nasceu no ano de 1930, em Budapeste, Hungria, onde se graduou em filosofia e tornou-se discípulo de György Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália. Ministrou aulas em diversas universidades, na Europa e na América Latina e recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia pela Universidade de Sussex em 1991. Entre seus livros, destacam-se Para além do capital – rumo a uma teoria da transição (2002), O desafio e o fardo do tempo histórico (2007) e A crise estrutural do capital (2009), A obra de Sartre, e O conceito de dialética em Lukács todos publicados pela Editora Boitempo.

http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2015/05/meszaros-disputa-pelo-estado.html​

Fonte: Patria Latina

Chile tem que negociar, sobre o mar com a Bolívia.

Chile tem que negociar sobre o mar com a Bolívia, García Linera

La Paz, (Prensa Latina) O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, assegurou nesta sexta (22) que as próprias declarações e os documentos oficiais chilenos o obrigam a negociar com seu país uma saída soberana para o mar.

Segundo o também presidente da Assembleia Legislativa Plurinacional, Chile não tem por onde escapar e advertiu que "são seus próprios documentos oficiais os que o vinculam a ter que dialogar com a Bolívia uma saída soberana ao oceano Pacífico".

O que a Bolívia faz, segundo García Linera, é usar as próprias palavras do governo chileno para estabelecer a definição básica e geral da saída soberana ao mar, consulta realizada por um juiz do Tribunal de Justiça de Haia, Holanda.

No entanto, ressaltou em declarações à Rede Uno que esse tema será debatido quando se inicie o tratamento de fundo da demanda marítima boliviana, em data ainda por determinar.

"Fizemos um círculo lógico: temos utilizado a argumento chileno para reafirmar nossa posição", destacou, acrescentando que o Chile se move em uma confusão absoluta e total pelo fato de suas autoridades não saberem o que dizer para sair de suas contradições.

Enquanto Santiago propõe um recurso para que a Corte Internacional de Justiça de Haia não trate sobre a demanda apresentada pela Bolívia, em sua resposta utilizam argumentos de fundo, insistiu.

Chile propõe um recurso, um obstáculo, dizendo "você não tem que tratar este tema", no entanto, já estão debatendo-o. O Chile move-se em contradições absolutas, enfatizou.

Ao mesmo tempo, destacou que a Bolívia enfatiza a clareza e a contundência de seus argumentos, expostos na referida corte e reafirmados depois pelos documentos que mandou à mesma.

A Bolívia nasceu como república em 1825 com costa ao oceano Pacífico, mas uma invasão chilena, em fevereiro de 1879, lhe arrebatou 400 quilômetros de litoral e 120 mil quilômetros quadrados de territórios ricos em minerais.

La Paz reclama desde então o direito a uma saída soberana ao mar, cujo último passo foi a apresentação de uma demanda ante a Corte de Haia, cuja autoridade sobre o tema o Chile tenta desconhecer.

Texto: / Postado em 23/05/2015 ás 18:59

Fonte: Patria Latina.

Migração, recorde em refugiados e deslocados forçados.

Recorde: quase 440 mil pessoas refugiadas nas Américas em 2014, 7 milhões ao todo

Cristina Fontenele
Adital
Relatório lançado pelo Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno (IDMC, na sigla em inglês) revela que, ao fim de 2014, 38 milhões de pessoas estavam deslocadas dentro de seus próprios países, devido a conflitos e à violência. 11 milhões de deslocamentos aconteceram só no ano passado. A cada dia, cerca de 30 mil pessoas foram forçadas a deixarem suas casas em busca de segurança em outros locais. Nas Américas, foram 436.500 novos deslocamentos, acumulando de 7 milhões. A situação mais grave é a da Colômbia, com 6.044.200 deslocamento registrados ao fim de 2014, o que representa 12% da população do continente americano.

idmc
No mundo, foram 11 milhões de deslocamentos forçados em 2014. A violência é a principal causa.
Intitulado "Global Overview 2015: People Internally Displaced by Conflict and Violence", o estudo foi apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU), esta semana. A pesquisa se baseou em dados de janeiro a dezembro de 2014, em 60 países e territórios em todo o mundo. Segundo o IDMC, nunca, nos últimos 10 anos de relatórios, foi reportada uma estimativa tão alta para novos deslocamentos em apenas um ano.

O relatório indica que 60% dos novos deslocamentos de todo o mundo estão concentrados em cinco países: Iraque, Sudão, Síria, República do Congo e Nigéria. Cerca de 2 milhões de pessoas fugiram por conta da perseguição do Estado Islâmico.

Entre as principais causas dos deslocamentos, de um modo geral, estão: o crime organizado, a violência entre gangues, o tráfico de drogas e perseguições religiosas.

idmc
Em entrevista à Adital, a irmã Eléia Scariot, uma das coordenadoras da Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, Estado do Ceará, comenta que a migração é uma questão estrutural e faz parte de um sistema capitalista excludente. É uma realidade "dramática”, ocasionada por uma situação de "desespero”, que leva as pessoas a deixarem a própria terra.

Irmã Eléia explica que, na América Latina, o movimento migratório se dá, principalmente, em busca de melhores condições de vida e de trabalho. Já na Colômbia, o cenário de guerrilha leva os migrantes a buscarem refúgio, que é outra categoria dentro da mobilidade humana.

Segundo a missionária, os "forçados” são pessoas que querem dar um rumo à vida, em busca de uma dignidade maior. "O ser humano foi feito para ser feliz, porém, em uma sociedade selvagem, o foco é a sobrevivência e não a felicidade. O migrante forçado grita por socorro para sobreviver”, declara.

No Brasil, irmã Eléia acredita que as leis ainda são arcaicas, a exemplo do Estatuto do Estrangeiro, de 1980, uma "herança” da ditadura militar. O artigo 5º da Constituição Federal determina a garantia do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, tanto para brasileiros e estrangeiros. Na prática, irmã Eléia denuncia que o migrante não tem seu direito garantido.

Américas

idmc

Leia o resumo do relatório em espanhol.

Para aprofundar as reflexões, muitos grupos de estudo têm se dedicado a debaterem a temática. Um exemplo é o I Simpósio Internacional sobre Religião e Migração, que será realizado de 08 a 10 de junho, em São Paulo. O evento é organizado pelo Centro de Estudos Migratórios/Missão Paz, juntamente com o Scalabrini International Migration Institute - Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma e o Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Entre os assuntos, serão abordados o processo imigratório haitiano no Brasil e os nômades de Deus: diálogos inter-religiosos a partir da sobrevivência humana. Confira a programação.

Cristina Fontenele
Estudante de Jornalismo pela Faculdades Cearenses (FAC), publicitária e Especialista em Gestão de Marketing pela Fundação DomCabral (FDC/MG).
E-mail
cristina@adital.com.br
crisfonte@hotmail.com

Migração, recorde em refugiados e deslocados forçados.

Recorde: quase 440 mil pessoas refugiadas nas Américas em 2014, 7 milhões ao todo

Cristina Fontenele
Adital
Relatório lançado pelo Centro de Monitoramento do Deslocamento Interno (IDMC, na sigla em inglês) revela que, ao fim de 2014, 38 milhões de pessoas estavam deslocadas dentro de seus próprios países, devido a conflitos e à violência. 11 milhões de deslocamentos aconteceram só no ano passado. A cada dia, cerca de 30 mil pessoas foram forçadas a deixarem suas casas em busca de segurança em outros locais. Nas Américas, foram 436.500 novos deslocamentos, acumulando de 7 milhões. A situação mais grave é a da Colômbia, com 6.044.200 deslocamento registrados ao fim de 2014, o que representa 12% da população do continente americano.

idmc
No mundo, foram 11 milhões de deslocamentos forçados em 2014. A violência é a principal causa.
Intitulado "Global Overview 2015: People Internally Displaced by Conflict and Violence", o estudo foi apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU), esta semana. A pesquisa se baseou em dados de janeiro a dezembro de 2014, em 60 países e territórios em todo o mundo. Segundo o IDMC, nunca, nos últimos 10 anos de relatórios, foi reportada uma estimativa tão alta para novos deslocamentos em apenas um ano.

O relatório indica que 60% dos novos deslocamentos de todo o mundo estão concentrados em cinco países: Iraque, Sudão, Síria, República do Congo e Nigéria. Cerca de 2 milhões de pessoas fugiram por conta da perseguição do Estado Islâmico.

Entre as principais causas dos deslocamentos, de um modo geral, estão: o crime organizado, a violência entre gangues, o tráfico de drogas e perseguições religiosas.

idmc
Em entrevista à Adital, a irmã Eléia Scariot, uma das coordenadoras da Pastoral dos Migrantes da Arquidiocese de Fortaleza, Estado do Ceará, comenta que a migração é uma questão estrutural e faz parte de um sistema capitalista excludente. É uma realidade "dramática”, ocasionada por uma situação de "desespero”, que leva as pessoas a deixarem a própria terra.

Irmã Eléia explica que, na América Latina, o movimento migratório se dá, principalmente, em busca de melhores condições de vida e de trabalho. Já na Colômbia, o cenário de guerrilha leva os migrantes a buscarem refúgio, que é outra categoria dentro da mobilidade humana.

Segundo a missionária, os "forçados” são pessoas que querem dar um rumo à vida, em busca de uma dignidade maior. "O ser humano foi feito para ser feliz, porém, em uma sociedade selvagem, o foco é a sobrevivência e não a felicidade. O migrante forçado grita por socorro para sobreviver”, declara.

No Brasil, irmã Eléia acredita que as leis ainda são arcaicas, a exemplo do Estatuto do Estrangeiro, de 1980, uma "herança” da ditadura militar. O artigo 5º da Constituição Federal determina a garantia do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, tanto para brasileiros e estrangeiros. Na prática, irmã Eléia denuncia que o migrante não tem seu direito garantido.

Américas

idmc

Leia o resumo do relatório em espanhol.

Para aprofundar as reflexões, muitos grupos de estudo têm se dedicado a debaterem a temática. Um exemplo é o I Simpósio Internacional sobre Religião e Migração, que será realizado de 08 a 10 de junho, em São Paulo. O evento é organizado pelo Centro de Estudos Migratórios/Missão Paz, juntamente com o Scalabrini International Migration Institute - Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma e o Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Entre os assuntos, serão abordados o processo imigratório haitiano no Brasil e os nômades de Deus: diálogos inter-religiosos a partir da sobrevivência humana. Confira a programação.

Cristina Fontenele
Estudante de Jornalismo pela Faculdades Cearenses (FAC), publicitária e Especialista em Gestão de Marketing pela Fundação DomCabral (FDC/MG).
E-mail
cristina@adital.com.br
crisfonte@hotmail.com

Basta de Falsas Ilusões!

Basta de falsas ilusões!

– A "revolução" da pequena burguesia

por Julio Díaz [*]
Na sempre complicada gestão das alternativas políticas num mundo em convulsão e em crise, são muitos os fenómenos que se mostram sob um aspeto bem diferente do que é a sua verdadeira realidade.

Trataremos neste texto desmascarar algumas das verdadeiras identidades desses movimentos emergentes que se apresentam como a alternativa necessária à ordem dominante, mas que no essencial reivindicam um falso movimento aparente que não altera em nada as bases materiais desta ordem que, eles mesmos, reconhecem como profundamente injusta.

Indo mais fundo, como se de um palimpsesto se tratasse, no seu programa permanentemente alterado e nos seus frágeis princípios modificados à força das declarações dos seus líderes, tentando conseguir alguma identidade real de suas propostas e objetivos, chegamos rapidamente à conclusão de que a sua verdadeira tarefa histórica se limita ao que tão claramente define o filósofo e membro de Podemos, Santiago Alba Rico, ao afirmar numa entrevista recente que "faz falta uma revolução, uma revolução que não acabará com todas as fontes de opressão e alienação, mas que nos permitirá ser, finalmente, algumas vezes reformistas e quase sempre conservadores". Uma definição magistral que, além de marcar os limites reais da sua proposta política, evidencia com meridiana clareza o seu caráter de classe. Uma pequena e média burguesia não oligárquica, condenada à extinção num acelerado e progressivo processo de concentração capitalista e que, sofrendo na própria pele a multiplicidade de contradições sociais que um capitalismo decadente cria e agrava, pondo em causa a própria existência da vida no Planeta, trata de menosprezar a História e negar as necessidades do capitalismo para continuar a reproduzir-se como sistema hegemónico. Um capitalismo com rosto humano, de livre concorrência, onde os monopólios se verguem às necessidades dos lojistas e comissionistas e em que estes, em benefício da convivência entre cidadãos brancos e iguais, cedam parte dos seus lucros, através de impostos progressivos diretos, para que se mantenham uns bons serviços sociais e doações significativas para as ONG para, com isso, tentar conter a onda de famintos que nos destroem o bem-estar burguês e a patriarcal mesa familiar de domingo, com o facto de saltarem a cerca de Melilla ou de se afogarem no Mediterrâneo. Idealismo interessado que, em concorrência direta com as necessidades históricas da classe que tudo produz, é aproveitado e/ou originado pela inteligência do sistema para se perpetuar, reproduzindo ilusões de alternativa social real e possível à margem da acumulação progressiva de forças na luta de classes e da tomada do poder pela classe operária.

O Podemos é isto, esta nova social-democracia que temos vindo a analisar e que, com seu omnipresente círculo roxo, tanto nos faz lembrar as famosas revoluções coloridas que, desde a Geórgia até à Venezuela, passando pela Bielorrússia e a Ucrânia, refletiram a estratégia do imperialismo nas chamadas primaveras árabes, nas quais, com diferenças significativas entre o que aconteceu no Egito, Tunísia, Líbia e Síria, ao fim e ao cabo foi o povo que sofreu os mortos, enquanto o imperialismo saiu reforçado na sua posição geoestratégica. Uma tática impossível, com um percurso tão curto como o dos seus irmãos gregos, negociando com a Comissão Europeia e o BCE, e que, para sobreviverem, mais cedo que tarde, terão de assumir as estratégias da oligarquia e do imperialismo para poderem manter-se como alternância possível dentro do sistema.

Na tese defendida por Esteban Hernández no seu livro O fim da classe média e resumida pelo próprio Alba Rico em que esta, a classe média, se converte num obstáculo económico e ideológico para o desenvolvimento do capitalismo e que a esquerda é obrigada a considerar e orientar com cariz libertador, no caráter "resistente" e "conservador" desta classe média, que já não serve para nada, encontra-se a mãe ideológica desta corrente política que transita por todo o mundo ganhando adeptos à mesma velocidade com que aumenta a sua presença nos ecrãs de televisão e a desideologização do movimento operário e das suas organizações políticas e sindicais.

São estas as chaves mestras para o debate que hoje deveria ser a conversa de qualquer ativista anticapitalista; e é à discussão destas chaves mestras que os e as comunistas convidam toda a nossa classe e os outros setores populares, para se iniciar uma autêntica contra-ofensiva contra o sistema que, para garantir a sua reprodução, nos sonega tudo o que ganhámos pela luta. Este quadro, que não contempla atalhos e que, sem dúvida, é difícil e requer compromissos, é o único que nos permitirá avançar no caminho da verdadeira libertação social e o único capaz de incorporar todos os embates colaterais que se expressam nesta sociedade, como fonte global da Revolução e sustentáculos da principal contradição entre o capital e o trabalho.

É por isto que, se consideramos que as ideias só se constituem como força no momento em que penetram nas massas, temos de definir como tarefa urgente dotar o movimento comunista internacional com a capacidade de incorporar o projeto de luta pelo Socialismo e pelo poder operário e popular em largas camadas da população objetivamente prejudicadas pelo capitalismo na sua fase atual de desenvolvimento (imperialismo). Objetivo que nos impele, na hora de intervir publicamente, a ultrapassar os nossos próprios limites e, desde a defesa do nosso programa consequentemente revolucionário, desenvolver uma tática que se sintonize plenamente com o interesse humano geral (objetivamente anticapitalista) e alcançar, assim, a incorporação real da classe operária e dos setores populares na tarefa revolucionária, porque a identificam com a defesa consequente das suas necessidades e interesses concretos. Isto não tem nada a ver com o confusionismo programático reformista, que, oferecendo novas e constantes oportunidades ao sistema, apela aos trabalhadores e ao povo a que tomem parte no projeto coletivo de gente que, sem sombra de dúvida, dirige taticamente a pequena e média burguesia no imediato, mas norteiam e definem estrategicamente o imperialismo e os grandes monopólios.

Obama, Syriza, Podemos, Hollande, Dilma, Maidan, Tahrir, Altamira, Homs, Benghazi, cada qual com as suas características próprias, dependendo do papel previamente planificado que o povo deveria desempenhar (enchendo praças, derrubando sátrapas obsoletos, mudando governos nas urnas, provocando golpes de estado ou pegando em armas), unem as suas vozes sob o mesmo grito interclassista de Yes We Can para reformar o sistema e melhorar as condições de vida de toda a "gente". Seria um bonito sonho não fosse o caso de no capitalismo, em crise, a realidade nos demonstrar de imediato os limites das reformas e obrigar cada um a desempenhar o papel atribuído, sem se afastar um milímetro do previsto.

Desde 1789 que nas ruas da França revolucionária o povo encheu as praças de cadáveres para levar a então burguesia emergente no poder; já foram muitas as experiências, bem como os mortos, que o povo trabalhador deu para benefício último da burguesia. Acabemos com esta espiral destrutiva, na qual se instalaram todos os derrotados que não concebem a possibilidade de, seguindo o caminho aberto pela Comuna e confirmado em 1917, tomar o céu de assalto e levar a classe operária ao Poder, com a missão histórica de destruir este sistema e, sob as suas cinzas, construir o novo e verdadeiro paradigma emancipador e libertador que tão urgentemente a Humanidade precisa.

Combatamos a nova social-democracia.
31/Março/2015

O original encontra-se em www.unidadylucha.es/... e a versão em português em www.pelosocialismo.net

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Cúpula das Américas, tem duas vitórias ante o governo dos EUA

El presidente en ejercicio del Estado Plurinacional, Álvaro García Linera, aseguró que la presencia de Cuba y la retractación del gobierno estadounidense de que Venezuela representa un peligro para la seguridad de su país, son las victorias de la región ante la imposición de norteamericana.
“El presidente Evo recordó que en la anterior cumbre se dijo: ‘no va a haber Cumbre de las Américas si no está Cuba’, porque no sería cumbre de las Américas, si sería cumbre del presidente norteamericano, sería con su vasallos; pero no, ahora es una cumbre de iguales. La conminatoria hecha por el presidente Morales y que hicieron los países revolucionarios ante el presidente norteamericano de que nunca más se desarrollarían cumbres de las Américas sin Cuba, se ha cumplido, es una primera victoria”, afirmó García Linera en conferencia de prensa.

Asimismo, dijo que retractación del gobierno norteamericano de que Venezuela no representa un peligro para la seguridad de su país, como lo había afirmado en un decreto, es la segunda victoria.

“El continente entero y el mundo respondió que Venezuela no es una amenaza, que si algo es amenaza es la injusticia, la dominación; que Venezuela es un país de paz, que merece que se le respete su desarrollo político interno”, explicó.

Los portavoces del departamento de Estado, de Estados Unidos, ayer, dijeron públicamente que Venezuela no es una amenaza, “es una retractación, ha sido la consciencia y la demanda continental y mundial que ha obligado al presidente (Barack) Obama a retroceder en sus palabras”, aseveró.

También, señaló que ahora solo falta que se derogue ese decreto porque aún representa una amenaza en contra de la paz latinoamericana y de la democracia latinoamericana.

“Independientemente de lo que pase, esta cumbre ha marcado dos éxitos para América Latina y el Caribe. Hoy, los latinoamericanos hablamos con voz firme, con voz propia y nos hacemos respetar, ya no acudimos a las cumbres para rogar o para mendigar un crédito o una palmadita en la espalda”, enfatizó el presidente en Ejercicio.

De igual forma, agregó que Latinoamérica cambió y también Bolivia “nos sentimos muy orgullosos y hoy estamos construyendo un encuentro de iguales y eso nos dignifica”, concluyó.

Fonte:www.cambio.bo

EUA e Cuba entram em novo capitulo da velha relação

Bandeiras de Cuba e dos EUA estendidas em Havana após retomada de relações EUA e Cuba entram em novo capítulo de velha relação

Após dois séculos marcados por conflitos econômicos e ideológicos, governos sinalizam reaproximação

Por Sean Purdy

A necessidade de possuir Cuba é a mais antiga questão da política externa norte-americana – Noam Chomsky

Localizado somente a 145 quilômetros do estado da Flórida, Cuba sempre teve uma relação próxima com os Estados Unidos, pontuada por conflitos políticos travados ao longo dos séculos XIX e XX. A reaproximação diplomática dos dois países, ocorrida nos últimos meses, é fruto de uma longa história de conflito e codependência, envolvendo interesses econômicos, geopolíticos e ideológicos.

No século XVIII, Cuba já era uma das mais lucrativas colônias espanholas, com extensas plantações de açúcar trabalhadas por meio de mão de obra escrava. Mais importante, porém, era sua posição estratégica no Caribe. A ilha estava localizada na rota de navios para América do Sul, cuja importância comercial e política cresceu subitamente no período.

Atraído pelos benefícios comerciais e geopolíticos, o presidente norte-americano Thomas Jefferson propôs a aquisição da ilha já em 1807. John Quincy Adams, o poderoso secretário do Estado, escreveu em 1823 que a anexação de Cuba era “indispensável para a continuação e integridade da própria União”.

Enquanto a Espanha controlava a lucrativa ilha, porém, os Estados Unidos não tinham poder suficiente neste período para adquirir Cuba. A Doutrina Monroe, de 1823, estipulava que os Estados Unidos não mais aceitariam intervenções europeias no hemisfério americano. Essa doutrina servia como uma declaração de intenções futuras, mas, na época, o país não tinha poder suficiente para comprar ou conquistar Cuba.

Destino Manifesto e a Expansão de Escravidão

Mas a cobiça por Cuba nunca foi esquecida. A enorme expansão territorial dos Estados Unidos, concretizada por meio da conquista dos povos indígenas e de uma grande parte do México, foi justificada ideologicamente pelo chamado Destino Manifesto, no qual os EUA tinham a missão providencial de espalhar sua “civilização” democrática.

Nesse clima, muitos políticos do Sul do país retomaram, na década de 1850, o sonho de adquirir Cuba, um país escravista cuja aquisição aumentaria o poder dos interesses escravistas. No contexto de conflitos entre escravistas associados com o Partido Democrata no Sul e os Republicanos no Norte, sobre o futuro de escravidão nos Estados Unidos, surgiram várias propostas de comprar a ilha.

Os argumentos usados em favor e contra a compra de Cuba demonstravam o prevalente racismo contra latino-americanos e escravos negros na época. Os sulistas queriam expandir o território escravista do país enquanto políticos do norte, por sua vez, temiam a “mistura de raças”. A questão de Cuba, portanto, inseria-se nos ferozes debates internos nos Estados Unidos sobre o futuro de escravidão e, enquanto essa questão não foi resolvida, a compra de Cuba foi impossibilitada.

A Guerra Hispano-Americana

Eventos na própria ilha no século XIX também moldaram as relações entre os dois países. Surgiram vários movimentos por independência da Espanha, brutalmente reprimidos pelas autoridades coloniais. Tentativas de dar mais autonomia ao país sempre foram rejeitadas pela Espanha, gerando uma guerra civil entre 1868 e 1878, que contribuiu pela abolição de escravidão em 1886. Mas a intransigência de Espanha provocou a retomada da luta dos cubanos pela independência em 1895.

Rebeldes cubanos já tinham cortejado o apoio de norte-americanos no seu esforço de liberar Cuba de colonialismo. O intelectual nacionalista, José Martí, morava nos EUA na década de 1880, construindo apoio ao movimento. Ele temia que o poderoso vizinho anexasse Cuba antes de a população cubana conseguir independência de Espanha.

Nessas décadas, os interesses econômicos americanos também aumentaram, especialmente em agricultura e mineração. Economicamente, a ilha tornou-se gradualmente dependente nos Estados Unidos, ainda que politicamente permanecesse uma colônia de Espanha.

De 1895 a 1898, a guerra por independência criou bastante instabilidade econômica e política em relação aos EUA. Com uma recessão, fortes políticas expansionistas e o surgimento de uma poderosa imprensa popular que clamava por intervenção, os norte-americanos invadiram Cuba em 1898. O pretexto foi a explosão (provavelmente acidental, mas atribuída aos espanhóis) de um navio da Marinha americana que matou 268 marinheiros. Mas pressões econômicas e políticas para intervenção imperialista já haviam consolidado a forte vontade de o governo norte-americano intervir.

Depois de uma “esplêndida guerrinha”, nas palavras do secretário de Estado, forças militares derrotaram os espanhóis em Cuba, bem como nas outras colônias de Porto Rico, Guam e as Filipinas.

Como temia José Martí, os Estados Unidos ignoraram os desejos do movimento para independência e estabeleceu Cuba como uma semicolônia. Uma legislação norte-americana de 1901, a Emenda Platt, incluída na Constituição cubana de 1903, estipulava que a ilha permitiria intervenção dos EUA, caso necessário. Cuba também cedeu a Baía de Guantánamo para a construção de uma base naval americana. Nominalmente democrático, mas com bastante corrupção e repressão de liberdades políticas, Cuba sofreria a dominância estadunidense pelas próximas seis décadas.

Ditaduras e revolução

A Emenda Platt durou até 1934, mas o padrão de intervenção militar norte-americana, a dominância da econômica cubana e apoio político para oligarquias cubanas e brutais ditaduras militares continuariam até 1959. A oposição ampla da população cubana à Emenda Platt e à dominância norte-americana também persistiriam.

Já em 1906, um movimento de oposição foi esmagado por tropas americanas que ocuparam a ilha por três anos. Em 1912, soldados dos EUA e cubanos derrotaram protestos de afro-cubanos contra racismo, culminando na morte de 6 mil rebeldes.

Nos anos 1930, tentativas de revogar a Emenda Platt e introduzir reformas democráticas foram minadas por um apoio do governo americano aos militares cubanos. O presidente Franklin D. Roosevelt (1933-1945) enviou forças armadas para Cuba em 1933, a fim de garantir o poder dos militares liderados por Fulgencio Batista. Em 1940, Batista ganhou as eleições com uma plataforma populista, progressista e com apoio aos esforços de guerra dos Estados Unidos.

Nesse período, dominação americana da economia cubana chegou ao seu ápice: a maioria das indústrias de açúcar, tabaco, mineração e utilidades públicas acabou sob o controle de empresas norte-americanas. Com a proteção dos militares, a máfia norte-americana investiu fortemente em cassinos, prostituição e drogas na ilha nos anos 1940 e 1950.

Em 1952, Batista organizou um golpe e construiu um estado fortemente alinhado com os Estados Unidos. Crescentes movimentos populares foram brutalmente reprimidos pela polícia secreta com milhares de execuções. O governo dos Estados Unidos providenciou bastante suporte financeiro, militar e logístico ao Batista até que o nível de instabilidade econômica e política no fim da década de 1950 forçou seu aliado abandonar sua ditadura.

Pós-Revolução

Uma pequena força guerrilheira liderada por Fidel Castro com bastante apoio popular derrubou as forças de Batista e assumiu poder em 1959. É importante ressaltar que o novo governo revolucionário não pretendia construir comunismo em Cuba: foi uma revolução nacionalista com um programa misto de reformas democráticas. O próprio Castro foi um admirador de muitas tradições democráticas estadunidenses, querendo plena soberania política e econômica. Mesmo assim, a revolução foi uma inspiração grande na América Latina contra o imperialismo americano.

Dedicados à Guerra Fria contra a União Soviética, os Estados Unidos, porém, não podiam aceitar uma potencial ameaça ideológica nas Américas, logo mostrando intransigência econômica e política contra Cuba, como já haviam feito e continuariam fazendo ao longo dos anos 1960-1980 contra projetos reformistas nas Américas do Sul e Central.

Enquanto o governo cubano estatizou certas indústrias e fez reformas agrárias e sociais, os Estados Unidos gradualmente apertaram as restrições. É importante enfatizar que empresas americanas foram expropriadas pelo regime cubano somente depois que estas recusaram produzir pela economia cubana. Em reação, o presidente John F. Kennedy estabeleceu um embargo econômico e político completo contra Cuba em 1962 que continuou até dezembro de 2014.

Castro seguiu o caminho lógico para qualquer líder no contexto da Guerra Fria. Ameaçado por um superpoder, ele abraçou o outro – a União Soviética. Somente em 1961, aliás, Castro declarou sua revolução socialista. A União Soviética aceitou a aliança com Cuba, vendo a possibilidade de uma base nas Américas. Mas seu compromisso com a ilha dizia respeito apenas aos seus próprios interesses geopolíticos. Como aconteceu na União Soviética, Cuba se tornou um estado não democrática e controlado por uma burocracia comunista. Mesmo assim, conseguiu construir um estado avançado de bem-estar, com um dos melhores sistemas de saúde e educação pública do mundo.

Já nos anos 1960, os EUA começaram uma campanha de desestabilização econômica, ideológica e política contra Cuba, envolvendo o embargo, a invasão fracassada da Baía de Porcos em 1961, sabotagem de instalações militares, tentativas de assassinar líderes cubanos e uma campanha de demonização do regime cubano juntamente com a mídia norte-americana. As tensões logo culminaram na Crise dos Mísseis, em 1962, quando Castro e Kennedy levaram o mundo à beira de uma guerra nuclear, depois de os Estados Unidos descobrirem mísseis russos na ilha.

Ao longo dos anos 1960-1990, as relações entre os dois países foram caracterizadas por hostilidades militares e pela guerra ideológica. A comunidade de exilados cubanos anticomunistas nos Estados Unidos se tornou uma potente força eleitoral nesse país e ajudou manter uma forte pressão contra o regime cubano.

Com o fim da Guerra Fria nos anos 1990, Cuba foi forçada a continuar sem o apoio da União Soviética. Por sua parte, a truculência ideológica contra Cuba nos Estados Unidos e entre norte-americanos de descendência cubana começou a diminuir. O governo e o empresariado estadunidense viram grandes oportunidades comerciais em Cuba, enquanto o regime cubano preparou a reaproximação através de reformas econômicas e políticas nos últimos anos.

Mas dá para perguntar se tanto sofrimento e conflito entre as duas nações podiam ser evitado se os EUA tivessem aceitado o seguinte convite para dialogo numa carta de Fidel Castro ao presidente Lyndon Johnson em 1964: “Eu seriamente espero que Cuba e os Estados Unidos possam eventualmente respeitar e negociar nossas diferenças. Acredito que não existem áreas de disputas entre nós que não podem ser discutidas e resolvidas dentro de um clima de entendimento mútuo”.

Publicado na edição 94 de Carta Capital, de março de 2015

Marcha dos Mil tambores, em apoio a Soberania da Venezuela

Afrovenezolanos se movilizan en marcha de los Mil Tambores en apoyo a la soberanía

Escúchelo
RADIO AVN

Caracas, 24 Mar. AVN.- Representantes de la afrovenezolanidad se movilizarán este martes, a partir de las 10:00 de la mañana, en la denominada Marcha de los Mil Tambores, que partirá desde la Plaza Morelos y llegará a la Plaza Bolívar de Caracas.

Allí habrá una tribuna antiimperialista, donde se podrá firmar la carta que se le entregará al presidente de Estados Unidos, Barack Obama, en la que se le exige que derogue el decreto que firmó el 9 de marzo pasado contra Venezuela, que viola las leyes nacionales e internacionales.

A propósito de conmemorarse este 24 de marzo 161 años de la abolición de la esclavitud en Venezuela, hombres y mujeres afrodescendientes caminarán en apoyo al pueblo y a la Revolución Bolivariana frente a esta nueva arremetida del imperio estadounidense.

"Escogimos al día de hoy para sumarnos a la recolección de firmas", declaró en entrevista en Venezolana de Televisión Norma Romero, representante de la red de organizaciones afrovenezolanas.

Resaltó que, en medio de la coyuntura que vive el país, la comunidad afrodescendiente se moviliza para ratificar su apoyo a la soberanía, ya que "así como habíamos sido excluidos, en revolución hemos sido los más incluidos".

AVN 24/03/2015 09:09

Marcha Patriótica e Polo Democrático, ameaças dos Paramilitares.

Paramilitares dão 24 horas aos dirigentes da Marcha Patriótica e do Polo para abandonar Bogotá

Resumen Latinoamericano/Prensa Rural, 11 de março de 2015

Apesar das reiteradas ameaças, o Governo ainda precisa de resultados para encontrar os responsáveis. Organismos internacionais exigem garantias para o exercício da oposição política e do pensamento crítico na Colômbia.

Desta vez são sete ameaçados na capital do país pela ação paramilitar que opera sob o nome de “Águilas Negras” [Águias Negras]. David Flórez, porta-voz da Marcha Patriótica, e Iván Cepeda, congressista do Polo Democrático, são dois dos ameaçados e integram a Frente Amplio por la Paz [Frente Ampla pela Paz] que, há poucos dias, entregou o Segundo Informe de Verificação do Cessar-fogo Unilateral Declarado pelas FARC-EP a Todd Howland, delegado pelos Direitos Humanos da ONU.

Através de um panfleto, este grupo paramilitar dá 24 horas para os dirigentes abandonarem Bogotá. Caso não o façam, segundo a ameaça da “Seção Capital” das Águilas Negras, todos “serão homens mortos”.

As ameaças também incluem impropérios e calúnias próprias do caso. Adjetivos como “guerrilheiros e defensores do terrorismo” são alguns dos tantos usados para tentar justificar a ação criminosa contra Iván Cepeda, Alejandro Rivera, Cristian Rivas, Andrés Camacho, Ricardo Ruge, David Flórez a quem se referem como “Tolozano”.

Porém, as ameaças não são apenas contra os sete dirigentes. Os paramilitares também atacam a família de Alejandro Rivera, vereador da cidade de Engativá, a quem enviaram uma mensagem direta: “Alejandro Rivera você tem família. Sabemos onde vive, em qual edifício, andar e apartamento. Mal nascido, já sabe: 24 horas para você e seu bando de narcoterroristas”.

São inúmeros os casos de ameaças recebidas por dirigentes de diferentes organizações e processos sociais que trabalham pela paz com justiça social no país. No entanto, até a presente data não existem resultados por parte do Governo para encontrar os responsáveis, o que preocupa diversos organismos internacionais de direitos humanos, que exigem do Estado colombiano garantias para o exercício da oposição política e do pensamento crítico.

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/03/11/paramilitares-dan-24-ho...
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Nota de Solidariedade à Venezuela Bolivariana

SEGUIMOS COM A VENEZUELA
A Casa da América Latina, manifesta seu apoio ao povo venezuelano e ao Presidente Nicolás Maduro
A Venezuela, como outros países da América Latina, tem passado por grandes transformações, colocando, cada vez mais, suas riquezas a serviço de seu povo.
No caso particular da Venezuela, a chegada do Presidente Chavez ao governo representou o início de grandes e positivas reformas, hoje reconhecidas pela UNESCO, entre outras entidades internacionais.
Todos os indicadores de educação e saúde mostram que melhorou sensivelmente a situação da população da Venezuela.
Ao EUA e seu representante Barak Obama, não se conformam com esse processo de mudanças e com a construção de um novo caminho com justiça social, em especial quando alguns governos da AL deixam de dizer “amém” a tudo que os EUA fazem, repudiando ser quintal do imperialismo.
Hoje, com o Governo Maduro, as reformas se aprofundam.
O apoio popular não pode ser contestado, diante das seguidas eleições, todas elas vencidas por Chavez e Maduro. As diversas tentativas de golpe não tiveram sucesso, diante da imediata mobilização popular que tem respaldado os sucessivos governos eleitos da Venezuela.
Nova tentativa de golpe é armada, com infiltrações, agentes paramilitares, inclusive da Colômbia. O recente pronunciamento do Presidente Obama é um convite ao golpe. Os meios de comunicação, quase todos a serviço dos interesses do EUA, fazem coro com o golpismo, manipulando o que de fato tem acontecido.
É preciso tornar claro que o povo da América Latina se solidariza com o processo de transformação que está passando a Venezuela e que é passado o tempo dos golpes que impediam o avanço e a justiça social na região.
A CASA da AMÉRICA LATINA, entidade de solidariedade à luta e a auto determinação dos povos, vem trazer seu apoio à Venezuela e ao governo Maduro, na certeza de que não haverá retrocessos e a América Latina caminhará unida, na construção de um bloco em defesa da auto determinação e soberania da região , onde seja superada a miséria, a fome e haja igualdade de oportunidade para todos.
Viva a República Bolivariana da Venezuela !!!
“Todos os povos do mundo que lutaram pela liberdade exterminaram no final a seus tiranos.”
Simon Bolivar

" Minustah, continuará a serviço dos EUA e das Empresas

”A Minustah visa manter o Haiti a serviço dos interesses dos Estados Unidos, das empresas e dos capitais que eles representam”

Entrevista com Beverly Keene*

Resumen Latinoamericano/ Por Mario Hernandez/ 18/02/2015.

M.H.: Faz 5 anos o terremoto que custou entre 250.000 e 300.000 vidas e, também, um novo aniversário da independência do Haiti, primeiro país independente da América Latina, em 1804. O Haiti tem a característica particular de converter-se na primeira República negra que, entre outras coisas, eliminou a escravidão. A estas efemérides, soma-se o fato conjuntural do Comitê pela retirada das tropas do Haiti, em representação a uma serie de organizações latino-americanas, se fazer presente na Embaixada do Chile com o objetivo de entregar uma carta dirigida ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que visitou o Haiti entre os dias 23 e 25 de janeiro e neste mês está presidido precisamente pelo Chile. Esta declaração leva uma serie de assinaturas, como as do Jubileu Sul, Diálogo 2000 Argentina, Encontro Sindical Nossa América, Comitê Argentino de Solidariedade pela retirada das tropas do Haiti, o prêmio Nobel da paz Adolfo Pérez Esquivel, Nora Cortiñas, Madre da Plaza de Mayo (Linha Fundadora), Mirta Baravalle da mesma organização, Frente Popular Darío Santillán, etc.

Para conversar sobre esta carta endereçada ao Conselho de Segurança e abordar várias temáticas que queremos aprofundar, hoje convidamos Beverly Keene, do Jubileu Sul, Diálogo 2000 e, também, membro do Comitê argentino pela retirada das tropas do Haiti.

Em 13 de janeiro passado, expiraram os mandatos das autoridades parlamentares do Senado e da Câmara dos Deputados e do atual presidente Martelly concentrou o poder público e estabeleceu um governo que funcionará por decreto, através da designação de um Primeiro Ministro, Evans Paul. Paul substituiu Laurent Lamotte e prometeu em seu discurso convocar eleições durante o transcurso do corrente ano. Enquanto essa situação se encaminha, o certo é que Martelly vai governar por decreto. O que você pode comentar sobre esta situação?

-B.K.: Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o espaço para falar sobre o Haiti. Às vezes parece algo muito distante de nós, porém aqui na Argentina temos muito presentes as diversas estratégias de intervenção dos Estados Unidos, Canadá e França, os poderes centrais em nosso mundo hoje, assim como são as vidas e as decisões políticas dos povos da América Latina. Sem ir mais longe, temos o golpe de Estado que ocorreu no Paraguai há alguns anos, o golpe em Honduras em 2009 e, também, o golpe de Estado no Haiti, em 2004, que levou à constituição da Minustah. Esta missão, supostamente, servia para estabilizar o Haiti, mas, na realidade, o que se percebeu no momento e que se vê com muito mais clareza hoje, é que busca manter o Haiti a serviço dos interesses dos Estados Unidos, das empresas e dos capitais que eles representam.

Efetivamente, o golpe de Estado que está ocorrendo hoje no Haiti, por vias mais modernas, torna desnecessário que os marines estadunidenses ocupem o Haiti como o fizeram em 1915. Neste caso, eles podem se dar ao luxo de terceirizar a ocupação militar, com as tropas de nossas países da América Latina, da Argentina, Uruguai, Brasil, Chile, etc., uma série de países que se utilizam não de um decreto do Departamento de Estado dos Estados Unidos, mas do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao qual recentemente o Presidente boliviano batizou muito corretamente de “Conselho de Insegurança”. Assim, ele é utilizado para impor a vontade dos poderes de sempre. Atualmente, no Haiti, isto significa o início de um período de governo por decreto. Esta visita realizada no fim de semana pelo Conselho de Segurança, sem dúvida, tem como objetivo legitimá-lo, apoiar esta nova situação de um novo Primeiro Ministro, que montou um gabinete que as mídias chamam “de consenso”, buscando legitimar este processo que não é a vontade do povo haitiano, mas dos poderes que hoje ocupam o Haiti através das tropas da Minustah.

Esta é uma conjuntura a qual temos que prestar muita atenção, em que estamos envolvidos diretamente através da presença de tropas argentinas no Haiti, isto é, apoiando esta situação. Temos que escutar a vontade que expressam as vozes das organizações sociais e populares haitianas, reconhecendo que tanto no Haiti como em todos nossos países existe uma grande diversidade de opiniões políticas.

Existem partidos que se chamam e se dizem da “oposição” e que estão acordando com Martelly para colocar em marcha este novo golpe de Estado. Existem partidos da oposição que são contra isto e continuam se manifestando diariamente, de maneira massiva, nas ruas de Porto Príncipe e em outras partes do país. Também existem outros partidos, organizações sociais, movimentos populares no Haiti que seguem reclamando o que é lógico: sua soberania, o direito do povo haitiano de falar e poder decidir por si próprio, sem a intromissão dos Estados Unidos, França, Nações Unidas, a OEA ou a Minustah, em seus assuntos internos.

Muitas destas organizações com as quais temos um contato permanente, expressam sua preocupação não apenas por esta perda de soberania, mas pelo que está acontecendo por trás disso: um processo de recolonização com uma política de manutenção dos salários do Haiti como os mais baixos de todo o hemisfério, favorecendo a instalação de maquilas, sobretudo indústrias têxteis, que exportam para os Estados Unidos a preços de miséria e favorecem a instalação de grandes empresas de exploração petrolífera e aurífera.

No momento, apresentam uma queixa formal ao Banco Mundial por seu apoio ao governo do Haiti, pela possibilidade de reformar a Lei mineradora para que as empresas mineradoras ingressem e consolidem sua posição sem nenhuma possibilidade do Parlamento supervisionar ou controlar suas atividades.

Também vimos nestes últimos meses muitas manifestações e protestos por parte de comunidades pesqueiras costeiras em algumas partes do Haiti. Estas regiões foram apontadas como sedes de futuros investimentos para o turismo de luxo e seus moradores opõem-se à política de remoção das comunidades locais e à retirada não apenas dos meios de sua subsistência, mas também de qualquer possibilidade de dizer algo a respeito.

Existem protestos quase todos os dias frente a estes avanços que caracterizam um processo de recolonização e saqueio. Ainda que não cheguem a nossos jornais, sabemos que existe uma sociedade muito ativa e alerta. Temos uma situação muito complexa, sobre a qual nos chega pouca informação. A chave é entender que há um golpe de Estado em curso no Haiti e a Minustah, a Missão de estabilização das Nações Unidas, é cúmplice desse golpe.

As tropas da Argentina, Brasil e outros países não estão cumprindo missões humanitárias, mas atuando como guarda pretoriana da verdadeira ocupação dos Estados Unidos, Canadá e França. A situação é de muita dificuldade para um povo que é o mais empobrecido de nossa América Latina e o Caribe. É importante recordar que em sua época de colônia francesa foi a mais rica de França. Então, não é que o Haiti, como todos os outros países da América Latina, seja povo um pobre. Existe um processo concreto de empobrecimento que o povo haitiano continua sofrendo. Não podemos aceitar que esses países estrangeiros sigam determinando seu destino e menos aceitar tropas de nossos países ajudando nesses cometido.

A presença da Minustah faz parte de uma indústria rentável para as Forças Armadas latino-americanas.

-M.H.: Posteriormente, vamos voltar sobre a realidade interna do Haiti. Você mencionou a presença de tropas argentinas e as denominou como tropas de ocupação. Não são as únicas tropas que formam a Minustah. Recentemente, ocorreu um debate entre o governo cessante e o novo governo no Uruguai. O futuro Chanceler Nin, que foi vice-presidente do Uruguai, falou da iminente retirada das tropas uruguaias e, rapidamente, o Chanceler Almagro e o Ministro da Defesa, Huidobro, desautorizaram esse ponto de vista. Para além destas “contradições”, gostaria que você explicasse a nossos ouvintes quais são os fundamentos pelos quais as autoridades argentinas defendem a presença de tropas de nosso país no Haiti.

-B.K.: Em certo sentido, eu poderia responder de uma maneira que é muito fácil. Em setembro do ano passado coube ao Congresso Argentino aprovar a saída das tropas que participam da Minustah no Haiti. É uma autorização que tem que ser dada pelo Congresso em qualquer situação onde a Argentina queira enviar tropas para fora do país ou receber dentro do país a visita de tropas de outra nação. Nesse debate, ocorrido em setembro na Comissão de Relações Internacionais e a de Defesa da Câmara dos Deputados, um debate que o partido oficialista não esperava, já que esperava um trâmite como em momentos anteriores, vários partidos se apresentaram para reclamar e exigir que existisse um debate sobre a participação da Argentina na Minustah e acordaram que os funcionários do governo que defendiam a posição da participação da Argentina na Minustah não tinham argumentos, mas é uma decisão que continua mantida.

Essa seria a resposta mais fácil. Outra é a que nos deu o Ministro de Defesa, Agustín Rossi, que em março do ano passado visitou o Haiti durante 36 horas fazendo uma saudação de rotina às tropas lá instaladas. Quando retornou desta viagem, a qual foi acompanhado por um batalhão de jornalistas, em torno de 50, de quase todos os meios massivos, a mensagem foi muito clara e repetida por todas as mídias. Disse que a Minustah e a participação da Argentina formam uma missão humanitária, mais ou menos dando a entender que tinham se estabelecido depois do terremoto e não 5 anos antes do mesmo. Mostravam cenas das tropas argentinas entregando água em galões à população, como exemplo de missão humanitária. Esses são os argumentos oficiais.

Esta posição poderia ser respeitável ou compreensível, porém não tira a responsabilidade de cada governo de estar defendendo uma situação para qual não tem argumentos de peso. Se o motivo pelo qual temos tropas da Argentina no Haiti durante 11 anos é para continuar entregando água à população, podemos concluir que foi um fracasso total. Ou seja, suponhamos que essa fosse sua missão. A verdade é que em tanto tempo não se tenha conseguido resolver nada a respeito de um problema que obviamente é real, já que o fornecimento de água continua sendo feito com caminhões e galões com água e não se foi mais além, por si só isso seria reconhecer o fracasso da missão.

Está claro que esse não é o objetivo. Segundo o Conselho de Segurança, o Haiti representa um perigo para a segurança da região. Muitos governos continuaram aprovando isso em outubro, quando reviram o mandato da Minustah, e esse perigo foi reproduzido na boca dos Estados Unidos, que dizem que se a situação se complicar no Haiti, haverá muitos imigrantes haitianos nas costas da Flórida e como não podem permiti-lo, a situação deve ser controlada.

Essa é a defesa oficial feita no Conselho de Segurança. Porém, na realidade, o que vemos é que a permanência se dá por objetivos de controle, dominação, saqueio e colonização do povo haitiano. Podemos analisar um pouco mais os argumentos esgrimidos por determinados governos de nossa América Latina, podemos reconhecer que hoje em dia existem debates, como o que vimos entre o governo cessante e o novo governo no Uruguai, o que significa a existência da preocupação sobre esta presença de tropas latino-americanas no Haiti. Mais de um desses governos chegou à conclusão de que se meteu em um beco sem saída, em uma armadilha colocada pelos Estados Unidos e pela França quando convidaram os governos “progressistas” liderados, em 2004, por Lula do Brasil e Néstor Kirchner da Argentina, para participar dessa ocupação e que agora não sabem como sair com elegância.

O segundo problema, que pode ser muito corrente, é que a presença dos latino-americanos hoje no Haiti, em qualquer destas missões de paz, é uma indústria, significa recursos, possibilidades de viajar com os efetivos listados, é um privilégio, um prêmio monetário em sua carreira.

Na Argentina, nestes últimos dias, coisa que não sai nos noticiários, as Forças Armadas criaram uma escola de capacitação e treinamento para os efetivos que participam de missões de paz. Tudo isto faz parte de uma indústria e cortar a presença da Argentina na Minustah a coloca em perigo. Esse é um tema que se vê em discussão, por exemplo, no Uruguai. As Forças Armadas uruguaias têm muito mais antecedentes de participação nestas missões de paz das Nações Unidas, e é um reduto onde também vemos o Brasil, inclusive a Bolívia, Paraguai, Equador, em que se colocam em jogo as relações entre os diferentes setores de nossos próprios governos. Aqui, entre as Forças Armadas, o Ministério da Defesa, Chancelaria e Presidência, nem todos têm a mesma postura. E em mais de um governo da América Latina se defende, em voz baixa, que não é possível retirar as tropas do Haiti porque podem criar um problema com as Forças Armadas de seu país. Isto é importante e temos que ter claro.

Se voltarmos aos argumentos que os governos utilizam para sustentar essa presença no Haiti, observaremos que inicialmente se falava da possibilidade de criar uma política distinta, de cooperação regional com a América Latina, que é algo que a maioria de nós querer apoiar, como faz Cuba com a presença de suas missões médicas há muitos anos, como tem sido a política da Venezuela através da Petrocaribe, um apoio muito concreto à vida cotidiana do povo haitiano. Porém, o que vemos é que os governos da América Latina estão repetindo os mesmos erros, as mesmas políticas de dominação e presença dos poderes centrais. Por isso, entendemos que este ano, 2015, o centenário da primeira invasão e ocupação dos Estados Unidos ao Haiti, é um momento crítico na vida do povo haitiano, pois as organizações sociais haitianas estão reivindicando a necessidade de avançar na refundação de seu país, não com a ocupação de tropas de toda América Latina, mas com políticas realmente de cooperação, solidárias, dos povos e dos governos latino-americanos. É o momento para avançar nesse plano e isso significa, em primeiro lugar, retirar as tropas e, depois, avançar em políticas de apoio em aspectos humanitários, as quais sem dúvidas podem ser oferecidas e, também, em tudo o que podem ser políticas de apoio à institucionalidade haitiana. Mas que sejam decididas por seu povo, não pelos Estados Unidos, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, pela OEA ou pela Comunidade Internacional.

O Haiti continua sendo muito cobiçado, suas praias, seu sol, a riqueza de seu solo, que está muito deteriorado pelas políticas de saqueio que são empreendidas há vários séculos, e que agora apontam para o subsolo e as riquezas aí escondidas. Esse é o problema. O povo haitiano atrapalha demais, seja indo para a costa da Flórida em seus barquinhos, buscando sobreviver à fome e à miséria que reina, ou vivendo em seu país e lutando.

Para falar de uma realidade que se relaciona com a atualidade do povo haitiano, os Estados Unidos, a França e o Canadá são os países que mais contribuem com o orçamento da Minustah. Neste momento, estão investindo em torno de U$S 500 milhões anuais para mantê-la. Custaria muito mais mandar tropas de seus próprios países. Esses mesmos governos têm sido incapazes, com todo o conjunto da chamada Comunidade Internacional, de investir U$S 50 milhões em água potável e na erradicação da epidemia de cólera, que foi introduzida pela Minustah. Embora seja sua responsabilidade, a ONU está se escondendo atrás do fato de que as tropas possuem imunidade.

-M.H.: Gostaria de salientar que o cólera desapareceu do Haiti há 50 anos. Há poucos dias, um Tribunal Superior de Nova York, onde se apresentaram os atingidos que exigem indenizações, se pronunciou no sentido que você mencionou, que as tropas não são imputáveis. Portanto, não corresponde o pagamento de nenhum tipo de indenização e nem acusação das Nações Unidas pela reintrodução do cólera no Haiti.

A imprensa mundial tende a apresentar os problemas do Haiti de maneira tendenciosa, retirando-os de sua história e do contexto neocolonial em que engendraram. Como se a pobreza endêmica, o desmatamento, o cólera, os danos das catástrofes nacionais e o arrebatamento da soberania tivessem sido produzidos por um povo inconsciente ou por um clima adverso. Pouco se fala dos desperdícios e custos logísticos das mais de 10.000 ONGs presentes no Haiti que, na maioria dos casos, constituem mais de 60% de seu orçamento.

-B.K.: Eu não conheço exatamente a cifra, mas a presença de grandes ONGs existe e me conta que é avassaladora. Essa existência não é notada apenas pelos informes, pelas versões jornalísticas e pelas denúncias das organizações haitianas. Você se dá conta, assim que chega ao Haiti, no próprio aeroporto, da presença principalmente das grandes organizações que se dedicam supostamente ao desenvolvimento ou reconstrução depois de uma catástrofe como o terremoto. É uma indústria que movimenta muito dinheiro. Talvez, em alguns casos, com melhores intenções e outras com piores, que enxergam qualquer situação como um campo fértil de lucros, de prestígio, de dinheiro e a possibilidade de continuar sua missão.

Também existe uma enorme presença de organizações menores, porém que pertencem aos setores religiosos muito conservadores dos Estados Unidos, sendo alguns independentes e outros constituintes de conglomerados com uma clara intenção política. Outros têm uma intenção política menos clara, porém servem aos mesmos fins. Essa presença no Haiti, terrivelmente multiplicada depois do terremoto, tem sido denunciada pelas organizações haitianas de maneira sistemática. Em certo sentido, sentem que por trás desse exército chamado de cooperação ou de desenvolvimento, escapa de suas mãos qualquer possibilidade de opinar sobre a reconstrução de seu próprio país.

As decisões e o dinheiro sempre se movem por fora do orçamento do governo haitiano e o Estado tem sido marginalizado. Lamentavelmente, é um processo que não é único no Haiti, sendo visto em outros países, como na Indonésia pós- tsunami de 2005, e no Iraque, porque as guerras significam uma destruição descomunal da população e sua reconstrução são indústrias de grande escala. No caso do Iraque, as denúncias de terceirização da guerra por empresas contratadas pelo governo dos Estados Unidos e, depois, a reconstrução desses desastres realizados pelas mesmas empresas. Esta é uma realidade de nosso século XXI, a destruição e a reconstrução são indústrias e significam a exclusão da população de qualquer possibilidade de participação na tomada de decisões, no planejamento dessas reconstruções, na construção de seu futuro.

Parte do que reclamam as organizações populares haitianas neste momento é que mudar simplesmente os nomes no governo e no gabinete e continuar excluindo o povo haitiano de qualquer possibilidade de tomar as decisões, não resolverá os problemas políticos e sociais. É o próprio povo que tem de resolvê-los e construir sua própria fortaleza com organizações populares para alcançar esses objetivos.

-M.H.: Pessoalmente, os argumentos me convenceram de que Haiti não é uma ameaça para a paz mundial e nem regional. Não sei se aos que escutaram este programa ocorreu o mesmo, porém o objetivo desta entrevista era justamente esclarecer alguns aspectos pouco conhecidos da realidade haitiana. Existe algum tema que você queira expor, analisar?

-B.K.: Bem, eu gostaria de acrescentar um convite. Realmente temos uma possibilidade e um privilégio, porém é também uma necessidade de conhecer este povo que contribuiu tanto com a história não apenas a própria, mas a da América Latina e do mundo na luta pela independência, pelos direitos humanos e pelo fim da escravidão. É um povo que possui uma cultura impressionante no que se refere à arte, à música, ao teatro, ao cinema. Temos muito a desfrutar deste povo e a aprender com suas lutas e sua resistência hoje em dia. É um dever consolidar os laços de irmandade e de luta conjunta com outros povos da América Latina.

Este ano, nós do Comitê argentino de solidariedade pela retirada das tropas do Haiti esperamos poder avançar com atividades, para as quais nos colocamos à disposição de qualquer organização ou casa cultural, para aproximar a cultura deste povo e ver como podemos relacionar mais estreitamente as lutas, conflitos e resistências do povo argentino, por sua sobrevivência, por sua soberania, por sua autodeterminação, com as lutas do povo haitiano.

* De Jubileu e Diálogo 2000 Argentina

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2015/02/18/entrevista-beverly-keen...
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Morrem três jornalista que investigavam sobre as Torres Gêmeas

Morrem três jornalistas que investigavam a participação dos EUA em demolição das Torres Gêmeas

Fotos: Bob Simon, Ned Colt e David Carr
Estados Unidos - Aporrea - [Tradução do Diário Liberdade]
Três jornalistas que trabalhavam em um documentário sobre o envolvimento do governo norte-americano na demolição das torres gêmeas morreram nos últimos dias.

Trata-se do ex-repórter internacional da NBC Ned Colt, o correspondente da CBS News Bob Simon, e o jornalista do New York Times David Carr.

Bob Simon, de 73 anos, foi assassinado na quarta-feira na cidade de Nova York em um acidente automobilístico e na quinta-feira Ned Colt, de 58 anos, dizia-se que tinha morrido por um derrame cerebral massivo, seguido em poucas horas por David Carr, de 58 anos, quem colapsou e morreu em seu escritório na sala de redação do New York Times.

Os três jornalistas mais Brian Willias, quem teve que renunciar à NBC por mentir sobre uma notícia do Iraque, tinham formado uma companhia independente de notícias em vídeo no mês passado e apresentaram os documentos de segurança necessários que lhes permitiriam o acesso ao arquivo mais secreto do Kremlin, onde se encontrariam provas relacionadas com os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em relação a esses arquivos do 9/11 em poder do Kremlin, o presidente Putin tinha alertado que iria divulgá-los.

180215 ncOs especialistas norte-americanos acham que, apesar do fato de as relações entre os EUA e a Rússia terem chegado no ponto mais grave desde a Guerra Fria, Putin entregou até Obama problemas menores. Os analistas acham que isto é só a "calma antes da tormenta".

Putin vai golpear e estaria preparando o lançamento de provas da participação do governo dos Estados Unidos e dos serviços de inteligência nos ataques do 11 de setembro.

O motivo para o engano e o assassinato de seus próprios cidadãos terá servido aos interesses petroleiros dos Estados Unidos no Médio Oriente e das suas empresas estatais.

A ponta de lança da empresa de notícias em vídeo independente que pretendia descobrir a verdade do 9/11 foi David Carr, quem no New York Times foi um valedor de Edward Snowden e após ter visto o documentário Citizenfour, tratou de ir dormir "mas não podia"

Carr estava seriamente desiludido com o New York Times pela elaboração da memória da guerra da Ucrânia "e não só por não dizer a verdade, mas também pelos emblemas nazistas nos capacetes de soldados leais ao regime da Ucrânia lutando contra os rebeldes".

Outro que trabalhava muito com Williams e Carr neste projeto do vídeo do 9/11, foi Ned Colt, quem após sair de NBC News continuava sendo um amigo de toda a vida de Williams e aperfeiçoou suas habilidades humanitárias enquanto trabalham no Comitê Internacional de Resgate. Por sua vez, Bob Simon considerava "extremamente lamentável" a manipulação dos meios de comunicação no período prévio à guerra dos Estados Unidos no Iraque.

180215 dcApós a destruição da imagem de Williams, e a estranha morte de Carr, Colt e Simon, o regime de Obama enviou um "mensagem clara" à elite norte-americana quanto à exposição dos seus segredos mais obscuros.

Pior ainda, as elites dos meios nos EUA agora fogem de medo e o regime de Obama ameaça agora os meios de comunicação alternativos com ilegalizar todos os sites dissidentes.

Para isso tem uma escandalosa uma proposta legislativa de Ordem Fraternal da Policial Nacional para classificar qualquer crítica contra a policia nas redes sociais como um "crime de ódio".

Fonte Pátria Latina- online

Tensão por fechamento da prisão de Guantánamo.

Tensão no Governo dos EUA por fechamento da prisão de Guantánamo

Washington, (Prensa Latina) Existem crescentes tensões na Casa Branca sobre a necessidade do fechamento da prisão na base naval estadunidense em Guantánamo, no leste de Cuba, assinalou nesta segunda (01) o diário The New York Times.

Mais de 12 anos após o presidente republicano George W. Bush enviar os primeiros prisioneiros para lá, chefes de várias agências federais enfatizam que o fechamento do cárcere seja antes do atual chefe da Casa Branca deixar seu cargo em janeiro de 2017, confirmaram ao Times fontes do Pentágono e do Capitólio.

Washington mantém desde o ano 2002 um centro de detenção nessa instalação militar, localizada em território cubano contra a vontade do povo e governo da nação caribenha.

Obama argumenta que a prisão deve ser fechada devido a seus altos custos, que ascendem a mais de três milhões de dólares anualmente por cada detento, além de que constitui um símbolo para o anti-americanismo pelas torturas e abusos que são cometidos ali, destaca o jornal.

Estão divididas as opiniões entre o Departamento de Estado - que parece mais ansioso por cumprir a promessa de Obama de fechar a prisão - e alguns altos chefes do Departamento de Defesa que dizem compartilhar essa ambição, mas são mais cautelosos que sua contraparte sobre a libertação dos detentos, acrescenta o diário.

As pressões legais também crescem na medida em que aumenta a inconformidade no sistema judicial pela prática da alimentação forçada dos detentos que estão em greve de fome, acrescenta o artigo do jornalista Charlie Savagesept, enviado especial do Times à instalação militar.

Ainda que Obama tenha prometido em 2013 reavivar seus esforços para fechar a prisão, sua administração somente pôde libertar um prisioneiro de baixo nível neste ano, e ficam 79 dessa categoria cuja transferência a outros países está aprovada, de um total de 149 presos que integram a população penal.

"Falta muito ainda para que a prisão feche apesar dos esforços de Obama e dos que realizam gerenciamentos para que outras nações recebam os presos e ao final precisaremos da ação do Congresso", disse o Chefe do Comando Sul do Pentágono, general John F. Nelly, a quem se subordina a chefia da base.

A Casa Branca trocou em maio passado cinco réus de alto nível pelo sargento Bowe Bergdahl, que estava há vários anos em poder dos talibãs no Afeganistão.

Líderes democratas e republicanos censuraram Obama por acorrer neste caso disposições legais que obrigam a Administração a notificar com 30 dias de antecedência ao Capitólio qualquer transferência de detentos da prisão da base naval de Guantánamo.

Fonte: Patria Latina

Nova Lei de Educação no Chile

A Câmara de Diputados do Chile aprovou na segunda-feira (26) o projeto de lei que constitui a base da reforma do sistema da educação nacional.

O documento prevê um "trânsito gradual a uma nova estrutura da educação chilena". Esta "nova estrutura" deverá ser transparente e inclusiva. Todos os estabelecimentos educativos, em 2018, tornar-se-ão entidades sem fins lucrativos, o que significa que todos os recursos subvencionados pelo Estado destinados à educação deverão ser usados só para a educação.

Segundo a previsão oficial, 93% dos escolares estudarão em estabelecimentos gratuitas em 2018.

Além disso, a lei pretende por fim à seletividade econômica, quando uma escola pede provas e antecedentes econômicas ao candidato.

No entanto, mesmo se o governo subvenciona a educação das crianças, os seus pais e familiares também poderão contribuir. Mas agora as contribuições serão voluntárias e destinadas a "atividades extracurriculares".

Se o número das vagas nos estabelecimentos educativos escolhidos pelas famílias corresponderem ao número dos pretendentes, o ingresso será automático. Se não há lugares suficientes, então os estabelecimentos terão que usar "um sistema de seleção aleatório que assegure que não haverá seleção arbitrária", informa o site oficial do projeto. Se vários membros de uma família querem ingressar, eles terão preferência nas condições de falta de vagas, assim como os filhos e as filhas dos trabalhadores da instituição.

Segundo a mídia chilena, durante a discussão que aprovou o projeto de lei após oito meses de tramitação, houve discrepâncias entre os partidários da reforma e os do sistema anterior. "Aqui estamos negando a meritocrácia", disse, por exemplo, o diputado do partido Evópoli (sigla de Evolución Política), Felipe Kast, citado pelo jornal La Tercera.

A reforma que assim começa deve por fim ao sistema educativo estabelecido durante o governo de Augusto Pinochet, considerado como segregador e só acessível a famílias com alta renda.

Voz da Rússia

Texto: / Postado em 27/01/2015 ás 09:22

Colômbia, semeia mais violência, apesar dos diálogos de paz.

Companheiro Carlos Pedraza, a morte não poderá deter os teus sonhos

Published 23 Jan 2015

Hoje nos chegou a notícia de que Carlos Pedraza, o amigo e companheiro, havia sido assassinado; e a raiva se confundiu com a dor e a incerteza: Por que a oligarquia colombiana e seus aparatos de morte se empenham em empapar de sangue e luto os campos e cidades da Colômbia? Por que, enquanto se fala de paz (diálogos de Havana) se semeia mais violência?
Há poucos dias o Congresso dos Povos denunciou as ameaças, acusações e perseguições de que padecem comunicadores populares, ativistas sociais e sindicais, camponeses e camponesas; hoje temos que suportar, isso mesmo, com dignidade, que estas ameaças se tornem realidade enquanto o governo Santos e seus funcionários fazem vista grossa para a gravidade da situação, em aberta cumplicidade com os gestores da morte, enquanto a pátria perde um de seus melhores filhos.
Mas os donos de meios de comunicação como Caracol, El Tiempo e Rcn, os sócios menores das transnacionais, os patrões do paramilitarismo (esquadrões da morte), os senhores Sarmiento e Efromovich, Uribe Vélez e Rangel não sabem sequer quem assassinaram; suas ordens de morte anônima são alheias à imensa potencialidade de vida que cercearam, porque com Carlos se assassinou uma parte do presente e do futuro da Colômbia, um pedacinho do melhor do povo. Porém, cômodos em seus festins, também ignoram que os povos continuaremos lutando e que o exemplo de Carlos estará presente até que este país alcance uma verdadeira democracia.
Carlos Pedraza nos deixou uma mostra de seu humanismo e simplicidade, mas especialmente de sua tenacidade e compromisso com as tarefas comunitárias e sociais. De pouco falar, preferia trabalhar e fazer sem se importar com os horários ou limites físicos. Seus olhos alegres transmitiam esperança e aproximavam o longínquo ao possível.
Muito se pede à juventude, mas quando esta empreende o caminho das mudanças, são detidos com violência. Ao ver Carlos, recordávamos os discursos do Che e sua esperança em que os mais jovens assumissem as tarefas de transformação; Carlos as estava cumprindo no dia a dia, quer fosse como docente, dirigente cívico, ativista de direitos humanos ou construindo a nova economia, a tarefa na qual havia se empenhado nos últimos tempos. Apesar dos fracassos, Carlos não desanimou e confiava em que o povo construisse relações mais solidárias de produção e consumo.
Ficamos com seu impulso na Universidade e no bairro, sua passagem pelas tarefas de constituição da Cúpula Agrária, suas leituras fora de hora, o cafezinho e o cigarro escasso; mas sobretudo sua fé no futuro e no papel dos revolucionários para tornar real a vida digna e a liberdade.
Irmão, companheiro, Carlos Pedraza
Até Sempre!!!

DENUNCIA PÚBLICA PELA ASSASSINATO DE CARLOS ALBERTO PEDRAZA

Published 23 Jan 2015

O CONGRESSO DOS POVOS denuncia perante as autoridades do Estado Colombiano e do governo Nacional, à opinião pública nacional e à comunidade internacional o assassinato do nosso dirigente, companheiro e amigo CARLOS ALBERTO PEDRAZA SALCEDO. Carlos Alberto era licenciado pela Universidade Pedagógica Nacional, líder cívico-popular do magistério, integrante do Projeto Nunca Mais, do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado, da Coordenação Regional do Movimento Político de Massas Social e Popular do Centro Oriente da Colômbia e do Congresso do Povos, que é parte da Cúpula Agrária, Camponesa, Étnica e Popular.

DOS FATOS:

1. Segunda-feira, 18 de janeiro de 2015, sendo 15:00h, Carlos Alberto Pedraza Salcedo se deslocou de sua casa, localizada no bairro Molinos II, da localidade de Rafael Uribe Uribe, em Bogotá, para a localidade de Teusaquillio, onde teria uma reunião relacionada com a Comercializadora agropecária El Zipa, projeto econômico do referido Movimento. O companheiro Carlos se comunicou pela última vez com um membro de sua família, informando-lhe das atividades que ia realizar nesse dia e de seu retorno à casa à noite. Desde esse momento não se teve mais conhecimento de seu paradeiro.

2. Quarta-feira, 21 de janeiro pela manhã, ao que parece, membros da Sijín (Polícia Judiciária) de Gachancipá (estado de Cundinamarca), realizaram ligações telefônicas para números de contato da Comercializadora para conseguir localizar familiares de Carlos. Nas primeira ligação disseram que encontraram uma pessoa com as características de Carlos, que tinha entre seus pertences vários cartões de apresentação da Comercializadora. Na segunda ligação manifestaram que Carlos sofreu acidente de motocicleta e necessitavam localizar um familiar seu. Na terceira ligação afirmaram que: "foi encontrado morto na localidade Los Pinos com uma pancada na cabeça".

3. Na quarta-feira, 21 de janeiro de 2015, pelas 9:00h da manhã é encontrado por membros da Polícia Judiciária, o corpo sem vida de Carlos Pedraza em um setor desabitado do distrito San Bartolomé, denominado "las marraneras". O cadáver apresentava sinais de violência na cabeça, que possivelmente lhe causaram a morte.

4. Deve-se esclarecer que o companheiro Carlos Pedraza não tinha nenhuma relação pessoal, trabalhista, social ou política em Gachancipá, município localizado a 60 quilômetros aproximadamente da capital e não levava dinheiro nem pertences de valor, portando tão somente um simples celular que não foi encontrado no lugar dos fatos.

Diante dos fatos, EXIGIMOS DO ESTADO COLOMBIANO:

Realizar investigações e ações legais necessárias para determinar os responsáveis intelectuais e materiais dos fatos.

Garantias para o exercício do trabalho social e político que realizamos as organizações sociais, políticas e populares do país.

SOLICITAMOS:

Aos organismos de direitos humanos e organizações populares a que nos mantenhamos atentos diante destes fatos de vitimização e persecução sistemática contra os nossos dirigentes e processos organizativos.

CHAMAMOS:

À opinião pública nacional e internacional, os Organismos de proteção e defesa dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Humanitário, todas as organizações e pessoas a se pronunciarem solidariamente diante destes fatos e a exigir do Estado colombiano uma resposta efetiva para este crime.

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

CONGRESSO DOS POVOS

Contactos:

ddhh@congresodelospueblos.org

www.congresodelospueblos.org

Carta de Manuel Zelaya A Onu, sobre terror em Hunduras.

Tegucigalpa, MDC 13 de Enero de 2014.

Señor BAN KI-MOON
Secretario General
Organización de las Naciones Unidas

Distinguido Señor Secretario:

Es propicia su visita para expresarle nuestras mejores muestras de agradecimiento e informar a Usted, que desde el 28 de junio de 2009 en nuestro país se vive la más absoluta impunidad frente a quienes asestaron el GOLPE DE ESTADO MILITAR, condenado en forma unánime por la Organización de Naciones Unidas.

Las víctimas de asesinatos, violaciones a los derechos humanos y torturas desde el golpe de Estado a la fecha, todavía seguimos demandando la aplicación de justicia que no llega.

Desde el golpe de Estado, la mayoría de nuestra población se debate entre la miseria y la extrema pobreza; el aumento de la violencia de Estado, de la criminalidad organizada, de las ejecuciones extrajudiciales; de los constantes crímenes de escuadrones de la muerte y grupos paramilitares, de las masacres en contra de niños y jóvenes, todos a la orden del día en la más brutal violación de los derechos humanos.

Honduras es hoy un Estado militarizado, situación que ha sido constatada y expuesta en el Informe Preliminar de la Misión de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) en su visita “in loco” a Honduras al final del año 2014. El informe anual de “Human Rights Watch” (World Report, 2014) evidencia también la crisis y de

igual manera más de cien congresistas norteamericanos se pronunciaron en 2014 a través de una carta pública en protesta por las violaciones a los derechos humanos, la represión militar contra los diputados que conformamos la oposición en el Congreso Nacional y el estado de coacción que vive el pueblo hondureño.

Por quinto año consecutivo a partir del año 2010 se le ha negado al pueblo el acceso a los fondos de la Cuenta del Milenio de los Estados Unidos de Norteamérica, debido a la pérdida de confianza de la comunidad internacional por los altos niveles de violencia, las sistemáticas violaciones a los derechos humanos y la corrupción en que se encuentra la administración de HONDURAS.

El pueblo hondureño soporta indignado la devaluación de su moneda, más de nueve ajustes fiscales, aumentos desconsiderados de impuestos para los más POBRES y más deuda pública. Se ha perdido totalmente la honestidad en el manejo de los fondos públicos y se ha legalizado la secretividad del quehacer público modificando de manera arbitraria la Ley de Transparencia y Acceso a la Información Pública aprobada durante mi administración.

Miles de trabajadores de las empresas e instituciones del Estado que se están privatizando han sido suspendidos y despedidos de forma arbitraria; mientras otros son perseguidos de manera inmisericorde como los maestros, los obreros, los campesinos son asesinados, especialmente en el sector norte del país.

La clase trabajadora subsiste con bajos salarios, y se han congelado todos los aumentos y beneficios, a pesar de la inflación, el alto costo de la vida y la progresiva devaluación de la moneda.

Juan Orlando Hernández, diputado a favor del golpe en 2009, y actual Presidente de la República, se ha negado constantemente al diálogo nacional con la oposición, limita con su control mediático y propaganda exagerada el debate abierto y tolerante sobre las ideas, y en forma autoritaria, como fraudulenta, reprime las demandas sociales, imponiendo un sistema de terror militar con sus políticas de seguridad donde ya prácticamente desaparecieron fundamentales derechos civiles y nos amenaza con desaparecer la Policía Nacional Preventiva, creando una Policía Militar paralela.

El chantaje, la persecución, las declaraciones públicas y las cadenas de prensa amenazan-do a la oposición de estar asociada con el crimen organizado constituyen formas cotidianas de trato a sus oponentes, de parte del Presidente Hernández en su retorcida personalidad.

Leyes limitativas de la libertad individual y colectiva, como la de Escuchas e Intervención de las Comunicaciones privadas de los ciudadanos; Ley Antiterrorista; Ley contra las “conspiraciones” y leyes de militarización acelerada del Estado; destitución de forma ilegal y sin ningún procedimiento preestablecido a jueces y magistrados que se pronunciaron en contra del golpe de Estado; destitución arbitraria de cuatro magistrados de la Sala Constitucional por oponerse al fraude que montó en las pasadas elecciones; y nombramiento de forma ilegal y arbitraria de los magistrados del Tribunal Supremo Electoral, el Fiscal General y el Fiscal General Adjunto; son algunas de sus acciones, propias de un tirano.

Sin respetar el procedimiento ya establecido en la Constitución: la Consulta Popular (Plebiscito o Referéndum), y negando al pueblo sus derechos políticos, un grupo fuerte de diputados del Gobierno han propuesto oficialmente reformas a la Constitución por la vía de la Corte de Justicia, con el único fin de permitir el continuismo presidencial.

Señor Secretario, su visita a nuestro país es una gran oportunidad, para que sin intermediarios, se percate del brutal sometimiento en que se encuentra el pueblo hondureño, así como de la constante negación de los derechos que nos asisten como oposición democrática y pacífica. NO aceptamos el espacio de violencia y confrontación promovida por el Presidente de manera autoritaria y sin legitimidad, ya que apenas ha obtenido el 34% del electorado nacional.

Señor Secretario, NO hemos perdido la esperanza de encontrar soluciones para HONDURAS. En esta oportuna ocasión apelamos a su elevada y alta investidura para que atendiendo la razón de ser de las Naciones Unidas, abogue por la RECONCILIACIÓN, el DIALOGO, la JUSTICIA y la PAZ, propósitos HOY desconocidos por el Estado hondureño y ausentes en la agenda de quien NOS Gobierna.

Con las mayores muestras de consideración y respeto,

JOSÉ MANUEL ZELAYA ROSALES
Presidente Constitucional 2006-2010

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Este es un grupo de correos de amigos de la Organizacion Politica Los Necios. Creemos en el debate, en el ejercicio de opinar y difundir pensamiento revolucionario, sentimiento humano. Tambien para hacer acopio de ideas, observaciones, criticas y pensamientos que contribuyan con la construccion de una nueva sociedad hondureña y centro americana, que a la vez nuestra luz crezca y se comparta con el mundo.

¡Venceremos!
¡Necedad!

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Agravamento da crise humanitária no Haiti, diz Papa.

Em carta ao Papa Francisco, movimentos sociais da América Latina e do Caribe denunciam o agravamento da crise humanitária no Haiti e a urgência da retirada das tropas da Minustah

9 de janeiro de 2015

Haiti

A Rede Jubileu Sul Américas e Diálogo 2000 enviaram uma carta ao Papa Francisco em que apresentam as preocupações partilhadas por centenas de redes, movimentos e organizações populares na América Latina e no Caribe com relação à crise humanitária no Haiti. O documento chegou ao Vaticano poucos dias antes da conferência convocada pelo Papa Francisco, que será realizada no próximo dia 10 (domingo) para assinalar o quinto aniversário do terremoto que matou 230 mil pessoas e afetou um total de três milhões no Haiti.

O documento é assinado pelo Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel e a Mãe da Praça de Maio -Linha Fundadora - Nora Cortiñas dentre outros. O documento expressa a esperança de que a conferência ajude a pensar novas formas de relacionamento com o Haiti e destacou a urgência da retirada de toda a presença militar estrangeira e o fim da Minustah. “Acreditamos, como grande parte da população do Haiti, que essa presença constitui uma verdadeira ocupação do país (e) sua retirada seria um passo imprescindível para a construção de um Haiti por e para o povo haitiano”.

A carta destaca ainda que o quinto aniversário do terremoto coincide com o que pode ser mais um elemento de agravamento da crise política no país. Com o fim do período estabelecido para o mandato parlamentar, o presidente eleito poderá governar por decreto. Diante da ameaça que se anuncia, os movimentos afirmam que, lamentavelmente, o prognóstico é de consolidação das estratégias de dominação e controle estrangeiro, incluindo a ocupação militar através da Minustah.

Entre as propostas recomendadas para consideração na conferência papal, além do retiro das forças de ocupação da Minustah, incluem-se as seguintes reivindicações:

- Justiça e reparação para as famílias e comunidades das vítimas da epidemia da cólera, incluindo planos para a universalização do acesso à água potável.

- Restituição por parte dos Estados Unidos do estoque de ouro roubado em dezembro de 1914 e reparação para todos os crimes cometidos;

- Restituição por parte da França da “dívida da independência” e reparação voltada para o estabelecimento de um sistema público de ensino (do pré-escolar à pós-graduação) e um sistema de pesquisa e de produção científica para a valorização das potencialidades do país;

- Anulação das dívidas imputadas ao Haiti atualmente pelas políticas de “ajuda” do Banco Mundial com o estabelecimento de projetos de mega-mineração, turismo de luxo e expansão da agroindústria exportadora.

- Abertura de espaço para o exercício pleno da soberania popular na definição de uma visão global de um futuro livre das chantagens da dívida, das Instituições Financeiras Internacionais, do departamento de Estado dos Estados Unidos e da União Européia, da orientação macroeconômica e do controle das instituições nacionais.

- Abertura de espaço para o exercício pleno da soberania popular nas definições político-eleitorais, sem a intromissão dos Eua, Canadá e França em especial, através da ONU/Minustah e da OEA, como se viveu tão fortemente nas eleições de 2010/2011 e nas políticas de desmonte institucional que se seguiram desde então.

- Brigadas e campanhas internacionalistas para apoiar, internamente e externamente, os processos de refundação durante os próximos dez anos.

A carta foi enviada ao Papa junto com três pronunciamentos recentes de várias entidades da região: “100 años de ocupación, 100 años de resistencia”(15/12/2014), Carta abierta de rechazo a la renovación del mandato de la MINUSTAH en Haití (octubre 2014) e Llamado a movilizarnos, 10 años de ocupación, ¡Basta!(junio 2014).

O texto completo da Carta está disponível em espanhol, inglês e francês no seguinte link.

Fonte: PACS

Perigoso modelo de prisão -Privatização.

Na primeira penitenciária privada do Brasil, quanto mais presos, maior o lucro
Paula Sacchetta | Agência Pública | Ribeirão das Neves (MG) - 31/12/2014 - 06h00
Perigo do modelo de prisão em MG é o encarceramento em massa, alertam especialistas: "Para quem investe em determinado produto, no caso o produto humano, será interessante ter cada vez mais presos"

Peu Robles / Agência Pública

Pátio da penitenciária público-privada de Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte

Em janeiro de 2013, assistimos ao anúncio da inauguração da “primeira penitenciária privada do país”, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Porém, prisões “terceirizadas” já existiam em pelo menos outras 22 localidades. A diferença é que esta de Ribeirão das Neves é uma PPP (parceria público-privada) desde sua licitação e projeto, enquanto as outras eram unidades públicas que em algum momento passaram para as mãos de uma administração privada. Na prática, o modelo de Ribeirão das Neves cria penitenciárias privadas de fato; nos outros casos, a gestão ou determinados serviços são terceirizados, como a saúde dos presos e a alimentação.

Existem no mundo aproximadamente 200 presídios privados, sendo metade deles nos Estados Unidos. O modelo começou a ser implantado naquele país ainda nos anos 1980, no governo Ronald Reagan, seguindo a lógica de aumentar o encarceramento e reduzir os custos, e hoje atende a 7% da população carcerária do país. O modelo também é bastante difundido na Inglaterra – lá implantado por Margareth Thatcher – e foi fonte de inspiração da PPP de Minas, segundo o então governador do estado, Antônio Anastasia. Em Ribeirão das Neves o contrato da PPP foi assinado em 2009, na gestão do então governador Aécio Neves.

O slogan do complexo penitenciário de Ribeirão das Neves é “menor custo e maior eficiência”, mas especialistas questionam sobretudo o que é tido como “eficiência”. Para Robson Sávio, coordenador do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da PUC-Minas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esta eficiência pode caracterizar um aumento das prisões ou uma ressocialização de fato do preso. E ele acredita que a privatização tende para o primeiro caso. Entre as vantagens anunciadas está, também, a melhoria na qualidade de atendimento ao preso e na infraestrutura dos presídios.

Bruno Shimizu e Patrick Lemos Cacicedo, coordenadores do Núcleo de Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo, questionam a legalidade do modelo. Para Bruno, “do ponto de vista da Constituição Federal, a privatização das penitenciárias é um excrescência”, totalmente inconstitucional, afirma, já que o poder punitivo do Estado não é delegável. “Acontece que o que tem impulsionado isso é um argumento político e muito bem construído. Primeiro se sucateou o sistema penitenciário durante muito tempo, como foi feito durante todo um período de privatizações, (…) para que então se atingisse uma argumentação que justificasse que estes serviços fossem entregues à iniciativa privada”, completa.

Laurindo Minhoto, professor de sociologia na USP e autor do livro “Privatização de presídios e criminalidade”, afirma que o Estado está delegando sua função mais primitiva, seu poder punitivo e o monopólio da violência. O Estado, sucateado e sobretudo saturado, assume sua ineficiência e transfere sua função mais básica para empresas que podem realizar o serviço de forma mais “prática”. E esta forma se dá através da obtenção de lucro.

Patrick afirma que o maior perigo deste modelo é o encarceramento em massa. Em um país como o Brasil, com mais de 550 mil presos, quarto lugar no ranking dos países com maior população carcerária do mundo e que em vinte anos, entre 1992-2012, aumentou esta população em 380%, segundo dados do DEPEN, só tende a encarcerar mais e mais. Nos Estados Unidos, explica, o que ocorreu com a privatização deste setor foi um lobby fortíssimo pelo endurecimento das penas e uma repressão policial ainda mais ostensiva. Ou seja, começou a se prender mais e o tempo de permanência na prisão só aumentou. Hoje, as penitenciárias privadas nos EUA são um negócio bilionário que apenas no ano de 2005 movimentou quase 37 bilhões de dólares.

Nos documentos da PPP de Neves disponíveis no site do governo de Minas Gerais, fala-se inclusive no “retorno ao investidor”, afinal, são empresas que passaram a cuidar do preso e empresas buscam o lucro. Mas como se dá este retorno? Como se dá este lucro?

Um preso “custa” aproximadamente R$ 1.300,00 por mês, podendo variar até R$ 1.700,00, conforme o estado, numa penitenciária pública. Na PPP de Neves, o consórcio de empresas recebe do governo estadual R$ 2.700,00 reais por preso por mês e tem a concessão do presídio por 27 anos, prorrogáveis por 35. Hamilton Mitre, diretor de operações do Gestores Prisionais Associados (GPA), o consórcio de empresas que ganhou a licitação, explica que o pagamento do investimento inicial na construção do presídio se dá gradualmente, dissolvido ao longo dos anos no repasse do estado. E o lucro também. Mitre insiste que com o investimento de R$ 280 milhões – total gasto até agora – na construção do complexo, este “payback”, ou retorno financeiro, só vem depois de alguns anos de funcionamento ou “pleno vôo”, como gosta de dizer.

Especialistas, porém, afirmam que o lucro se dá sobretudo no corte de gastos nas unidades. José de Jesus Filho, assessor jurídico da Pastoral Carcerária, explica: “entraram as empresas ligadas às privatizações das estradas, porque elas são capazes de reduzir custos onde o Estado não reduzia. Então ela [a empresa] ganha por aí e ganha muito mais, pois além de reduzir custos, percebeu, no sistema prisional, uma possibilidade de transformar o preso em fonte de lucro”.

Para Shimizu, em um país como o Brasil, “que tem uma das mais altas cargas tributárias do mundo”, não faz sentido cortar os gastos da população que é “justamente a mais vulnerável e a que menos goza de serviços públicos”. No complexo de Neves, os presos têm 3 minutos para tomar banho e os que trabalham, 3 minutos e meio. Detentos denunciaram que a água de dentro das celas chega a ser cortada durante algumas horas do dia.

Outra crítica comum entre os entrevistados foi o fato de o próprio GPA oferecer assistência jurídica aos detentos. No marketing do complexo, essa é uma das bandeiras: “assistência médica, odontológica e jurídica”. Para Patrick, a função é constitucionalmente reservada à Defensoria, que presta assistência gratuita a pessoas que não podem pagar um advogado de confiança. “Diante de uma situação de tortura ou de violação de direitos, essa pessoa vai buscar um advogado contratado pela empresa A para demandar contra a empresa A. Evidentemente isso tudo está arquitetado de uma forma muito perversa”, alerta.

Segundo ele, interessa ao consórcio que, além de haver cada dia mais presos, os que já estão lá sejam mantidos por mais tempo. Uma das cláusulas do contrato da PPP de Neves estabelece como uma das “obrigações do poder público” a garantia “de demanda mínima de 90% da capacidade do complexo penal, durante o contrato”. Ou seja, durante os 27 anos do contrato pelo menos 90% das 3336 vagas devem estar sempre ocupadas. A lógica é a seguinte: se o país mudar muito em três décadas, parar de encarcerar e tiver cada dia menos presos, pessoas terão de ser presas para cumprir a cota estabelecida entre o Estado e seu parceiro privado. “Dentro de uma lógica da cidadania, você devia pensar sempre na possibilidade de se ter menos presos e o que acontece ali é exatamente o contrário”, afirma Robson Sávio.

Para ele, “na verdade não se está preocupado com o que vai acontecer depois, se está preocupado com a manutenção do sistema funcionando, e para ele funcionar tem que ter 90% de lotação, porque se não ele não dá lucro”.

O complexo de Neves é realmente diferente das penitenciárias públicas. É limpo, organizado e altamente automatizado, repleto de câmeras, portões que são abertos por torres de controle. Mas que tipo de preso vai pra lá? Hamilton Mitre, diretor do GPA, afirma que “não dá pra falar que o Estado coloca os presos ali de forma a privilegiar o projeto”.

No entanto, Murilo Andrade de Oliveira, subsecretário de Administração Penitenciária do Estado de Minas, diz exatamente o contrário: “nós estabelecemos inicialmente o critério de que [pode ir para a PPP] qualquer preso, podemos dizer assim, do regime fechado, salvo preso de facção criminosa – que a gente não encaminha pra cá – e preso que tem crimes contra os costumes, estupradores. No nosso entendimento este preso iria atrapalhar o projeto”.

Na visão dos outros entrevistados, a manipulação do perfil do preso pode ser uma maneira de camuflar os resultados da privatização dos presídios. “É muito fácil fazer destes presídios uma janela de visibilidade: ‘olha só como o presídio privado funciona’, claro que funciona, há todo um corte e uma seleção anterior”, diz Bruno Shimizu.

Robson Sávio explica que presos considerados de “maior periculosidade”, “pior comportamento” ou que não querem trabalhar ou estudar são mais difíceis de ressocializar, ou seja, exigiriam investimentos maiores nesse sentido. Na lógica do lucro, portanto, eles iriam mesmo atrapalhar o projeto.

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Se há rebeliões, fugas ou qualquer manifestação do tipo, o consórcio é multado e perde parte do repasse de verba. Por isso principalmente o interesse em presos de “bom comportamento”. O subsecretário Murilo afirma ainda que os que não quiserem trabalhar nem estudar podem ser “devolvidos” às penitenciárias públicas: “o ideal seria ter 100% de presos trabalhando, esse é nosso entendimento. Agora, tem presos que realmente não querem estudar, não querem trabalhar, e se for o caso, posteriormente, a gente possa tirá-los (sic), colocar outros que queiram trabalhar e estudar porque a intenção nossa é ter essas 3336 vagas aqui preenchidas com pessoas que trabalhem e estudem”.

Hoje, na PPP de Ribeirão das Neves ainda não são todos os presos que trabalham e estudam e os que têm essa condição se sentem privilegiados em relação aos outros. A reportagem só pôde entrevistar presos no trabalho ou durante as aulas. Não foi permitido falar com outros presos, escolhidos aleatoriamente. Foram mostradas todas as instalações da unidade 2 do complexo, tais como enfermaria, oficinas de trabalho, biblioteca e salas de aula, mas não pudemos conversar com presos que não trabalham nem estudam e muito menos andar pelos pavilhões, chamados, no eufemismo do luxo de Neves, de “vivências”.

O Estado e o consórcio buscam empresas que se interessem com o trabalho do preso. As empresas do próprio consórcio não podem contratar o trabalho deles a não ser para cuidar das próprias instalações da unidade, como elétrica e limpeza. Então o lucro do consórcio não vem diretamente do trabalho dos presos, mas sim do repasse mensal do estado.

Mas a que empresa não interessaria o trabalho de um preso? As condições de trabalho não são regidas pela CLT, mas sim pela Lei de Execução Penal (LEP), de 1984. Se a Constituição Federal de 1988 diz que nenhum trabalhador pode ganhar menos de um salário mínimo, a LEP afirma que os presos podem ganhar ¾ de um salário mínimo, sem benefícios. Um preso sai até 54% mais barato do que um trabalhador não preso assalariado e com registro em carteira.

O professor Laurindo Minhoto explica: “o lucro que as empresas auferem com esta onda de privatização não vem tanto do trabalho prisional, ou seja, da exploração da mão de obra cativa, mas vem do fato de que os presos se tornaram uma espécie de consumidores cativos dos produtos vendidos pela indústria da segurança e da infraestrutura necessária à construção de complexos penitenciários”.

Helbert Pitorra, coordenador de atendimento do GPA – na prática, quem coordena o trabalho dos presos – orgulha-se que o complexo está virando um “polo de EPIs” (equipamentos de proteção individual), ou seja, um polo na fabricação de equipamentos de segurança. “Eles fabricam dentro da unidade prisional sirenes, alarmes, vários circuitos de segurança, (…) calçados de segurança como coturnos e botas de proteção (…), além de uniformes e artigos militares”.

O que é produzido ali dentro, em preços certamente mais competitivos no mercado alimenta a própria infraestrutura da unidade. A capa dos coletes à prova de balas que os funcionários do GPA usam é fabricada ali dentro mesmo, a módicos preços, realizados por um preso que custa menos da metade de um trabalhador comum a seu empregador.

Em abril de 2014, o governo de Minas Gerais foi condenado por terceirização ilícita no presídio de Neves. A Justiça do Trabalho confirmou a ação civil pública do Ministério Público do Trabalho e anulou várias das contratações feitas pelo GPA.

“Entre os postos de trabalho terceirizados estão atividades relacionadas com custódia, guarda, assistência material, jurídica e à saúde, uma afronta à Lei 11.078/04 que classifica como indelegável o poder de polícia e também a outros dispositivos legais. Além de ser uma medida extremamente onerosa para os cofres públicos, poderá dar azo a abusos sem precedentes”, disse o procurador que atuou no caso, Geraldo Emediato de Souza, ao portal mineiro Hoje em dia.

Como na maioria das penitenciárias, as visitas do Complexo passam por revista vexatória. A., esposa de um detento que preferiu não se identificar, entregou à reportagem uma carta dos presos e explicou como é feita a revista: “temos que tirar a roupa toda e fazer posição ginecológica, agachamos três vezes ou mais, de frente e de costas, temos que tapar a respiração e fazer força. Depois ainda sentamos num banco que detecta metais”. Na mesma carta entregue por A., os presos afirmam que os diretores do presídio já têm seus “beneficiados”, que sempre falam “bem da unidade” à imprensa, e são, invariavelmente, os que trabalham ou estudam.

Na carta, eles ainda afirmam que na unidade já há presos com penas vencidas que não foram soltos ainda. Fontes que também não quiseram se identificar insistem que o consórcio da PPP já “manda” na vara de execuções penais de Ribeirão das Neves.

José de Jesus filho, da Pastoral Carcerária, não vê explicação para a privatização de presídios que não a “corrupção”. Tem seus motivos. Em maio de 2013, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) foram alvo de ações por corrupção e má utilização de recursos públicos. Na ação da CPTM foi citado o ex-diretor, Telmo Giolito Porto, hoje à frente do consórcio da PPP de Ribeirão das Neves, assim como a empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Gerais LTDA., que faz parte do mesmo consórcio.

Nesse sentido, Robson Sávio alerta: “será que o Estado quando usa de tanta propaganda para falar de um modelo privado ele não se coloca na condição de sócio-interesseiro nos resultados e, portanto, se ele é sócio-interesseiro ele também pode maquiar dados e esconder resultados, já que tudo é dado e planilha? Esse sistema ainda tem muita coisa que precisa ser mais transparente e melhor explicada”.

O modelo mineiro de PPP já inspirou projetos semelhantes no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e no Distrito Federal. As licitações já aconteceram ou estão abertas e, em breve, as penitenciárias começarão a ser construídas. O governo de São Paulo e a Secretaria de Administração Penitenciária também pretendem lançar em breve um edital para a construção de um grande complexo no estado, com capacidade para 10.500 presos. O governador Geraldo Alckmin já fez consultas públicas e empresas já se mostraram interessadas no projeto.

No Ceará, uma decisão judicial obrigou à iniciativa privada devolver a gestão de penitenciárias para o governo do estado. No Paraná, o próprio governo decidiu retomar a administração de uma série de penitenciárias, após avaliar duas questões: a jurídica e a financeira.

No Brasil, país do “bandido bom é bandido morto”, da “bancada da bala” e onde presos não têm direitos simplesmente por estarem presos, a privatização também assusta do ponto de vista da garantia dos direitos humanos dos presos. “Será que num sistema que a sociedade nem quer saber e não está preocupada, como é o prisional, haverá fiscalização e transparência suficiente? Ou será que agora estamos criando a indústria do preso brasileiro?”, pergunta Sávio.

Para Minhoto, a partir do momento em que você enraíza um interesse econômico e lucrativo na gestão do sistema penitenciário, “o Estado cai numa armadilha de muitas vezes ter que abrir mão da melhor opção de política em troca da necessidade de garantir um retorno ao investimento que a iniciativa privada fez na área”, diz. Bruno Shimizu completa: “isso pode fazer com que a gente crie um monstro do qual a gente talvez não vá mais conseguir se livrar”.

“Para quem investe em determinado produto, no caso o produto humano, o preso, será interessante ter cada vez mais presos. Ou seja, segue-se a mesma lógica do encarceramento em massa. A mesma lógica que gerou o caos, que justificou a privatização dos presídios”, arremata Patrick.

Matéria originalmente publicada no site da Agência Pública. A reportagem ficou em 3o lugar no 31o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo.

Fonte: Opera Mundi

Vitória de Cuba, Vitória da Solidariedade e dos lutadores

A Casa da América Latina se congratula-se com Cuba e seu heróico povo.

Hoje é um dia histórico, para toda América, Caribe e, porque não dizer, para todos os povos.

Depois de 16 anos aprisionados, Antonio, Gerardo, Ramón, René e Fernando, finalmente voltam para Cuba. Presos em 12 de setembro de 1998, sob a acusação de conspiração contra os EUA.Condenados sem fundamentos e provas,arbitrariamente e com a interferência dos Cubanos que vivem em Miami.
Sofreram dezesseis anos nos cárceres americanos,em condições diferenciadas,sem os direitos determinados em Tratados Internacionais.
As Campanhas efetivadas por Cuba e outras Nações pela libertação dos Cinco Heróis Cubanos, tiveram alcance em todos os continentes. Cuba exemplo para o mundo , mesmo em situações dificílimas como o Período Especial, nunca deixou de ser solidária, com envio de médicos e educadores, a todos que precisam de apoio.
A volta dos Cinco é uma vitória de todos que lutam por uma sociedade igualitária com justiça social, onde a autodeterminação dos povos seja sua principal bandeira.

A Diretoria

Soluções para viabilizar saída pro mar para a Bolívia.

ABI: ORURO-MAR

Morales expresa respeto y admiración por apoyo del presidente José Mujica a demanda marítima

Oruro, 30 nov (ABI).- El presidente, Evo Morales, expresó el domingo su respeto y admiración al presidente del Uruguay, José Mújica, que recientemente apoyó la demanda marítima de Bolivia y pidió una salida al mar "como sea y por donde sea".

"Seguramente todos escucharon el mensaje del presidente del Uruguay, José Mujica, (...) en estos días se refirió el tema del mar para Bolivia, nuestro respeto y admiración por ese apoyo", dijo en acto público en Oruro, donde recibió proyectos para el programa 'Mi Riego'.

La pasada semana, Mujica mostró su solidaridad con Bolivia e hizo un llamado al Mercosur, integrado por Argentina, Uruguay, Paraguay, Brasil, Venezuela, para ayudar a que Bolivia tenga una salida al mar "como sea y por donde sea", en una entrevista concedida al periódico boliviano El Deber.

A contramano el Mandatario boliviano pidió aplausos para Mujica, y destacó su trayectoria política, desde su pasado guerrillero, hasta su gestión como Presidente de Uruguay, que se acerca a su fin, y dijo que no es el único dignatario que apoya la causa boliviana.

En esa línea, el Presidente boliviano recordó que otros mandatarios se pronunciaron a favor de la demanda marítima, entre ellos, el extinto presidente de Venezuela, Hugo Chávez, que en la XIII Cumbre Iberoamericana de Presidentes y Jefes de Estado de Santa Cruz en 2003, también expresó su apoyo en uno de sus discursos.

En esa oportunidad, Chávez dijo que "algún día le gustaría bañarse en una playa boliviana, porque Bolivia tuvo su mar".

Por otra parte, reveló que en una visita realizada por la presidenta de Chile, Michelle Bachelet a Cuba, el Comandante Fidel Castro le pidió que "devuelva el mar a los bolivianos".

Asimismo, recordó las palabras del presidente de Ecuador, Rafael Correa, que pidió que devuelvan el mar a Bolivia.

"Los presidentes socialistas y antiimperialistas piensan en la integración de los pueblos y retornar al Pacífico es la integración de los pueblos de América Latina y del mundo", sustentó el mandatario boliviano.
sdq/rsl ABI

ABI. Copyright 1998-2014.

Caixa: Pare de Financiar a Destruição da Floresta

Na semana passada o Greenpeace mostrou a conexão do programa Construcard, da Caixa Econômica Federal, com a exploração ilegal e predatória de madeira na Amazônia. Em um protesto realizado em frente à sede da instituição, em Brasília, foram despejadas duas toneladas de pó de serra acompanhadas de faixas com a mensagem: “Para o programa ser legal, a madeira não pode ser ilegal”.

A reportagem foi publicada pelo sítio Greenpeace, 24-11-2014.

Com o Construcard, correntistas podem comprar materiais feitos com a madeira nativa da Amazônia, como portas, mesas, pisos e armários com facilidades de pagamento. O problema é que o Greenpeace encontrou lojas cadastradas no programa que podem estar comercializando madeira ilegal. Ou seja, as pessoas não têm garantia da legalidade dos produtos que estão levando pra casa, e podem acabar contribuindo para a destruição da floresta!

A investigação descobriu a conexão dessas lojas com Planos de Manejo fraudulentos, que usam documentação oficial para esquentar madeira ilegal. Por isso, o Greenpeace está pedindo para que a Caixa descredencie essas lojas e que reformule sua política de credenciamento, exigindo garantias que vão além dos documentos oficiais. No entanto, em resposta, a Caixa soltou uma nota esquivando-se de sua responsabilidade.

O setor madeireiro no Brasil está tão fora de controle que até uma instituição como a Caixa está exposta a comprar madeira ilegal, e com isso expõe também os beneficiários do programa que podem estar sendo cúmplices involuntariamente.

Fonte: www.unisinos.br

Que todos muros gritem: Viva Prestes e Olga!

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: VIVA O CAMARADA PRESTES!

(Nota Política do PCB/RS)

A Comissão Política Regional do Partido Comunista Brasileiro no RS vem a público manifestar seu mais firme repúdio ao ataque fascista promovido contra a memória de Luiz Carlos Prestes e contra o Movimento Comunista de um modo geral. O ataque é mais uma prova do perigo fascista que germina na sociedade capitalista, no contexto atual de crise sistêmica do capital. Já dizia Lênin: “Fascismo é capitalismo em decomposição”.

Sob o pretexto de “comemorar” a queda do Muro de Berlim, algumas dezenas de pessoas se reuniram, no último sábado, em frente ao Memorial Luiz Carlos Prestes (ainda não inaugurado), em Porto Alegre. Empunhavam faixas e cartazes pedindo a volta da ditadura empresarial-militar, a derrubada do Memorial, ofensas como “assassino” a Prestes, além de inscrições como a suástica e símbolos de organizações de extrema-direita brasileira, como a TFP (Tradição, Família e Propriedade) e a AIB (Ação Integralista Brasileira).

Não é acaso que os fascistas tenham escolhido a figura de Prestes para personificar seus ataques. É impossível falar do comunismo no Brasil sem falar da figura do Cavaleiro da Esperança. Valoroso lutador social, perseguido por duas ditaduras, Prestes personifica, como poucos, a história do comunismo no Brasil, e das lutas populares de um modo geral. É nada menos que o mais importante dirigente comunista da história do Brasil e um dos mais importantes da história mundial.

É ultrajante que chamem a Prestes “assassino”. Os únicos assassinos estão do lado de lá. Foram os fascistas apoiadores da ditadura de Vargas que mandaram a companheira de Prestes, Olga Benário, grávida da única filha do casal, para um campo de concentração nazista, onde foi covardemente assassinada. É odioso que falem em democracia atacando a figura de um dirigente comunista que ficou nove anos no cárcere, a maior parte do tempo em solitária, por combater uma ditadura de cunho fascistizante.

O PCB não aparelha a figura de Prestes, que é patrimônio da classe trabalhadora brasileira. Não podemos, porém, deixar de nos sentir especialmente atingidos por este ataque. Prestes foi secretário-geral do Partidão por mais de quatro décadas, período no qual, sob sua liderança, o Partido travou importantes combates pela democracia e pelo socialismo, escrevendo, com o sangue de sua valorosa militância, importantes páginas da História do Brasil.

O PCB manifesta sua solidariedade militante à família do camarada Prestes, nesse importante momento. Em especial, à sua filha Anita Leocádia, nascida em uma prisão nazista, pouco antes de sua mãe, Olga Benário Prestes, ser assassinada pelo Reich. Tendo sobrevivido a essa canalha que hoje achincalha a memória de seu pai, Anita é hoje importante intelectual e militante comunista e trava importante combate contra o reformismo, o oportunismo e o revisionismo. Um combate no qual com ela também nos solidarizamos.

Por fim, o PCB/RS roga todas as forças progressistas que sejam vigilantes quanto ao perigo do fascismo, sem se deixar levar pelo terrorismo ideológico dos reformistas e revisionistas, que puxam a classe trabalhadora à defensiva cada vez que confrontada como o fascismo. Não! A saída é à esquerda, travando o combate sem rebaixar bandeiras ou programas.

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: VIVA PRESTES E OLGA!

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: VIVA O COMUNISMO! ABAIXO O FASCISMO!

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: NÃO PASSARÃO!

Fonte: Partido Comunista Brasileiro

México protestos aumentam pelo desaparecimento dos estudantes

Manifestantes queimam veículos em protesto por morte de estudantes mexicanos
Protesto exige explicações sobre o desaparecimento de 43 estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa
Dezenas de veículos foram incendiados em frente à sede do governo da região de Guerrero, no México, em um protesto pelo desaparecimento e morte de 43 estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa.
Mais de 300 jovens, a maioria com o rosto coberto, atacaram a fachada do edifício em Chipancingo, capital de Guerrero.
O protesto ocorreu após o procurador-geral da República do país, Jesús Murillo Karam, informar que três homens suspeitos de ser integrantes do cartel Guerreros Unidos confessaram ter matado os estudantes e queimado seus corpos.
O presidente Enrique Peña Nieto prometeu na sexta (7) punir todos os responsáveis pelos "crimes abomináveis".
Os jovens sumiram em 26 de setembro, depois de arrecadar fundos para a escola em Iguala (a 192 km da Cidade do México).
Familiares
Em entrevista, os parentes disseram não acreditar na versão do procurador-geral e pediram que o material recolhido seja analisado por peritos independentes.
Para eles, o governo quer fazer com que eles acreditem que seus filhos estão mortos. "Sequer mostraram fotos dos nossos filhos. Enquanto não houver provas, nossos filhos estão vivos", disse Felipe de la Cruz, pai de um dos alunos.
Os pais pediram ao governo que prossiga com as buscas e permita a assistência técnica da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Fonte: Jornal de Londrina- online

EUA declaram seu orgulho por trabalhar com Cuba contra o ebola

Reportagem de Vicente Jiménez - El País / 31/10/14

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Segunda, 03 de novembro de 2014
EUA declaram seu orgulho por trabalhar com Cuba contra o ebola

A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Samantha Power, elogiou na sexta-feira a ajuda fornecida por Cuba na luta contra a epidemia de ebola na África Ocidental, um assunto que amenizou um pouco as relações entre os dois países. Power, que retornou na quinta-feira de uma viagem de quatro dias pela Guiné, Libéria e Serra Leoa, se declarou “orgulhosa” do trabalho realizado na região por “médicos americanos, europeus e cubanos, enfiados durante tantas horas em trajes que parecem fornos”.

A reportagem é de Vicente Jiménez e publicada por El País, 31-10-2014.

A diplomata, durante um encontro organizado pela agência Reuters na sexta em Nova York, fez outras significativas menções à ilha. “Estamos muito agradecidos a Cuba, que já tem 265 médicos na região, e mais 200 estão por vir. Ainda que não seja um esforço integrado, estamos trabalhando ombro a ombro”. O regime de Havana é um dos poucos países que, na opinião de Power, fazem muito, ao contrário de muitos outros que, denunciou, não fazem quase nada. Em Havana, o ministro das Relações Exteriores britânico, Hugo Swire, também elogiou o esforço do regime castrista na primeira visita de alto escalão do Reino Unido na ilha em uma década.

A diplomacia, em algumas ocasiões, vai pelos caminhos mais inesperados. Se o tênis de mesa ajudou a desbloquear as relações com a China ou a boa sintonia pessoal entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev fez o mesmo com a União Soviética após décadas de guerra fria, o ebola se transformou em uma magnífica desculpa para lidar melhor com Havana. As palavras de Power chegam 24 horas depois de uma delegação norte-americana participar de uma reunião técnica contra o ebola realizada em Havana, convocada pelos países integrantes da Aliança Bolivariana dos Povos da América (ALBA).

“Essa é uma emergência mundial e todos precisamos trabalhar unidos e cooperar nesse esforço. Estamos dispostos a cooperar com todos que estão trabalhando na região para assegurar uma resposta eficiente a nível mundial contra esse vírus”, declarou na quarta-feira em Havana Nelson Arboleda, diretor para a América Central do Centro de Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Em 20 de outubro, durante a reunião extraordinária dos países da ALBA, o presidente cubano, Raúl Castro, assegurou estar disposto a trabalhar “ombro a ombro” com todos os países, “incluindo os Estados Unidos”. Como resposta, Washington ofereceu toda a ajuda necessária para a ilha no caso de ocorrer algum contágio.

Chama a atenção o comparecimento, nesse mesmo encontro na ilha, do ministro das Relações Exteriores britânico, Hugo Swire, junto com 253 representantes de 32 nações. Segundo uma nota divulgada na sexta-feira pela missão britânica nas Nações Unidas, Swire declarou: “Já se passou muito tempo desde que um ministro do Reino Unido visitou Cuba. Mesmo que tenhamos nossas diferenças, naturalmente, trabalhamos juntos onde podemos, incluindo no combate ao ebola, no qual Cuba está desempenhando um papel vital”. Da mesma forma que Power, Swire se mostrou “orgulhoso” de trabalhar com Cuba “em uma causa tão importante”. O ministro britânico, que estará em Havana até sábado, tinha previsto um encontro com Mariela Castro, ativista pelos direitos dos homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais em Cuba, assim como com o cardeal católico Jaime Ortega.

Por outro lado, a embaixadora Power deverá submeter-se a dois controles diários de temperatura e informá-los para o Departamento de Saúde de Nova York durante os próximos 20 dias após sua viagem pela África Ocidental. A medida responde ao protocolo de segurança definido pelo CDC, um assunto que opôs a Casa Branca aos Governadores de Nova York, Andrew Cuomo (democrata), e Nova Jersey, Chris Christie (republicano), que foram unilateralmente mais rigorosos e ordenaram quarentenas obrigatórias e isoladas para os trabalhadores da área de saúde vindos da Guiné, Serra Leoa e Libéria.

Power e sua equipe percorreram os três países mais afetados, supervisionaram as operações das tropas dos Estados Unidos na região e tiveram reuniões com os chefes de Estado e de Governo da área, mas não estiveram em contato com nenhum dos pacientes afetados pelo vírus. A chefe da missão norte-americana nas Nações Unidas e o restante da delegação submeteram-se a três controles de temperatura na saída da Libéria, na quarta-feira, e repetiram a ação na chegada, na noite de quinta, no aeroporto John F. Kennedy, onde também responderam perguntas dos funcionários da saúde e da alfândega. Após ser examinada, Power recebeu um termômetro digital e um documento no qual deve registrar sua temperatura diariamente.

Antes de voltar para os Estados Unidos, Power falou com a imprensa na quinta-feira em Accra (Gana), junto com o chefe da missão das Nações Unidas contra o ebola, Tony Banbury. Ambos destacaram os progressos realizados na luta contra a epidemia, mas insistiram na necessidade de que mais países se envolvam com meios, dinheiro e pessoal médico. “Ainda temos uma crise muito grave em nossas mãos. Todo dia pessoas continuam morrendo e se contaminando e continuamos precisando de muita coisa para conseguir acabar com a epidemia.

Ao mesmo tempo, estamos vendo progressos”, declarou Banbury. “Precisamos de três coisas para ter a situação sob controle: pessoal treinado, instalações e material, e dinheiro. Precisamos conseguir que 70% dos novos contaminados sejam atendidos e que 70% dos enterros sejam feitos nas condições adequadas”, acrescentou.

Banbury explicou que são necessárias pelo menos 57 unidades de tratamento especializado na região, das quais faltam 20, e 329 centros comunitários, dos quais somente 30 estão disponíveis. “Os países que ainda não deram um passo adiante devem fazê-lo se querem fazer parte de uma empreitada vencedora. Podem tomar parte do fim do ebola ou não. E isso é uma oportunidade em meio a uma grande tragédia como essa”, desafiou Power.
Fonte: El País

Paralização Nacional no México

Paralização nacional por alunos desaparecidos em Iguala, México

Paro nacional en México por caso IgualaMéxico, 1 nov (Prensa Latina) Estudantes da Assembleia Interuniversitária, em representação de diversas instituições da educação superior mexicana, chamaram a uma paralização no dia 5 de novembro em demanda da localização dos estudantes desaparecidos.
Mais de 2.500 jovens marcharam da Unidade Zacatenco, Instituto Politécnico Nacional, à Secretaria de Governo, onde nos arredores desse organismo fizeram a véspera a convocação, difundida anteriormente nas radio difusoras da Universidade Nacional Autônoma de México (UNAM) e a Universidade Autônoma Metropolitana (UAM).

Durante o trajeto reiteraram-se as mostras de apoio da população, que acompanhava o clamor repetido de "Vivos os levaram, vivos os queremos" e "Todos somos Ayotzinapa".

Os fatos violentos em Iguala, estado de Guerreiro, 26 e 27 de setembro passado, deixaram um saldo de seis mortos, 25 feridos e 43 estudantes de Ayotzinapa desaparecidos.

Familiares desses alunos, respaldados pelo movimento estudantil, a população, e organizações e figuras internacionais, exigem justiça e o aparecimento com vida dos rapazes.

A Frente Nacional de Luta pelo Socialismo igualmente demandou a apresentação com vida os 43 estudantes desaparecidos, julgamento e castigo aos responsáveis materiais e intelectuais, o alto ao terrorismo e a violência, e pronunciou-se pela unidade operária, camponesa indígena e popular.

Enquanto, a Polícia Federal anunciou que utiliza na busca dos estudantes desaparecidos um avião não tripulado, capaz de detectar a grupos de pessoas através de suas câmeras e sensores, operado desde um centro de controle móvel.

Essa unidade percorre até 500 quilômetros a cada hora e emprega-se todos os dias em Iguala e Cocula; seu uso permite localizar caminhos, brechas e como se interconectam com outras vias, segundo um comunicado do organismo federal.

tgj/arb/cc
Modificado el ( sábado, 01 de noviembre de 2014 )

Haiti- Crônica de um equivoco anuciado

Crônica de um equívoco anunciado

Adolfo Pérez Esquivel

Ontem, a imprensa haitiana – talvez mais ninguém – publicou a notícia de que os chamados “doadores internacionais”, convocados a comprometer-se com o Plano de erradicação do cólera no Haiti, ofereceram apenas U$ 52,5 milhões dos U$ 310 milhões necessários para os próximos três anos. Acrescentou que a reunião em Washington foi convocada pelo Banco Mundial, por iniciativa das Nações Unidas.

Hoje, provavelmente, também seja apenas a imprensa haitiana a noticiar que o Conselho de Segurança dessas mesmas Nações Unidas votou, nesta manhã, para autorizar mais um ano de permanência da MINUSTAH, sua Missão pela Estabilização do Haiti, estabelecida há 10 anos nesse pequeno país caribenho, berço de grandes contribuições para a história da humanidade, como o fim da escravidão. Talvez acrescentem que o orçamento anual de U$ 500 milhões já tinha sido aprovado para a manutenção desta força de ocupação, responsável, entre outros despropósitos, pela introdução da bactéria do cólera, que matou mais de 9000 haitianos e haitianas e continua causando estragos, sem que as Nações Unidas reconheçam sua responsabilidade ou menos ainda, assegurem a reparação do verdadeiro crime cometido.

Esta desordem de prioridades é um profundo equívoco que, atualmente, sofre o povo haitiano, como tantos outros, com graves consequências para seu futuro e o de nosso mundo inteiro.

Centenas de organizações e pessoas da América Latina, do Caribe e de outras partes do mundo, às vésperas da votação, novamente se dirigiram às autoridades e governos envolvidos na ocupação do Haiti, para reivindicar a não renovação desta Missão chamada de “Paz” [1]. Porém, o mesmo Conselho de Segurança, que o irmão Evo Morales recentemente batizou de “Insegurança”, continua afirmando que o Haiti é um perigo para a paz da região e, contra toda evidência, renova a presença desta força tutelar que, longe de “estabilizar” a sociedade haitiana, viola seus direitos humanos mais básicos, minando o funcionamento de suas instituições e submetendo por completo sua soberania e autodeterminação.

Na carta que também encaminhamos às instituições de integração regional, como a UNASUL e a CELAC, repudiamos especialmente o fato dos governos e parlamentos de muitos de nossos países latino-americanos – responsáveis pela maior parte do contingente da MINUSTAH – aceitarem participar da terceirização desta ocupação e do processo de recolonização em marcha, fazendo-se omissos quanto à vontade do povo e aos dois pedidos do Senado haitiano. Isso tudo apesar do exemplo dado por outros países, como Cuba e Venezuela, que continuam mostrando que uma cooperação que respeite a soberania, os direitos e as necessidades do povo é possível.

Reiteramos nosso apelo pela retirada imediata de todas as tropas que ocupam o Haiti. Em seu lugar, geraremos uma verdadeira força de solidariedade, transpondo a desordem de prioridades estabelecida, escutando as demandas e propostas das organizações populares haitianas, contribuindo com a construção de novos paradigmas de cooperação para um novo pacto de civilização.

Buenos Aires, 14 de outubro de 2014

- Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz

[1] Ver aqui o texto completo da Carta enviada para repudiar a renovação da MINUSTAH.

Fonte: http://www.alainet.org/active/77999

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Machismo é tema central nas eleições na Bolívia

Mulheres se mobilizam, e machismo vira tema central das eleições na Bolívia
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Ignacio de los Reyes

Da BBC Mundo em Buenos Aires

Neste ano, mais de cem mulheres já foram assassinadas na Bolívia, um dos países mais violentos para as mulheres na América Latina, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas).

Mas no meio de uma onda de ataques a elas - que incluem corpos abandonados, queimados e até decapitados -, um grupo de mulheres conseguiu o que parecia impossível.

O movimento colocou o machismo como uma questão central da campanha para as eleições presidenciais e parlamentares do próximo domingo.

Com o lema "Machista, fora da lista", várias organizações foram às ruas em uma mobilização contra o machismo. Além disso, diversas ações foram feitas pela internet, nas mídias sociais.

O resultado da campanha, por enquanto, foi a renúncia de dois candidatos ao Congresso envolvidos em casos de violência contra a mulher.

Um deles foi Adolfo Mendoza, senador do Movimento pelo Socialismo eleito por Cochabamba – ele foi acusado de abuso por sua esposa.

O outro foi Jaime Navarro, candidato do partido de oposição, a Unidade Democrática, também denunciado pela esposa por ter batido nela.

Ambos negam as acusações.

No passado, era comum ouvir em campanhas expressões e discursos sexistas de todos os tipos de candidatos, e não acontecia nada, escreveu a analista e ex-senadora Erika Brockmann no jornal "El Diario".

"Neste ano, surpreende a intensidade e o conteúdo da série de reações antimachistas que invadem a atmosfera eleitoral", acrescentou.

"O ponto positivo sobre esse movimento antimachista é que é a primeira vez na história que esse tema é tratado como central na eleição."

"Política machista"

Segundo os defensores da campanha "Machista, fora da lista", o objetivo era denunciar e punir os partidos que trazem em suas listas eleitorais candidatos acusados de violência contra as mulheres ou que tenham protagonizado atos machistas.

Algo, aliás, comum na política boliviana.

"Este movimento surgiu porque, nos últimos dois anos, foram muito recorrentes declarações e ações machistas de políticos e isso é repetido em outros lugares", disse à BBC Elizabeth Peredo, psicóloga social.

"A política boliviana é profundamente machista, assim como é a sociedade. Eles se justificam dizendo que o machismo é cultural e, portanto, não há autocrítica de seus líderes", acrescenta.

Na Bolívia, muitos ainda se lembram de quando o presidente Evo Morales, ao visitar uma mina em 2012, aproximou-se de duas trabalhadoras perguntando se eles eram "perfuradoras ou perfuradas."

A situação gerou risadas dos seus companheiros do sexo masculino e deixou as mulheres coradas de constrangimento.

Outra situação marcante aconteceu com o prefeito de Santa Cruz, Percy Fernández, que apalpou uma jornalista em um evento público e chamou-a de "mesquinha" quando ela se desvencilhou dele no meio de uma entrevista.

Mas o que acabou de vez com a paciência das mulheres e fez com que elas se unissem em torno da campanha "Machista, fora da lista" foram declarações do candidato ao Senado Ciro Zabala, do MAS, partido de Morales.

Zabala propôs "ensinar as mulheres a se comportarem" para evitar a violência.

As sugestões dele incluíam "ter cuidado com certos tipos de roupas, atitudes, e com pessoas que se entregam ao álcool". Os comentários dele forçaram o presidente a vir a público para se desculpar.

No entanto, desta vez as feministas não aceitaram apenas a renúncia do candidato, absolvido por Morales com o argumento de que se tratava de alguém "novo na política". E foram às ruas para chamar a atenção da sociedade para o problema.

Assassinatos

No ano passado, a Bolívia aprovou uma lei para prevenir e reprimir os assassinatos de mulheres por questões de gênero.

Mas as feministas argumentam que, na ausência de financiamento, a lei não foi capaz de acabar com a violência nos últimos meses.

Embora não existam números oficiais, o Centro de Informação e Desenvolvimento da Mulher da Bolívia (Cidem), que realiza o monitoramento de casos de violência doméstica relatados, contabiliza 59 casos de feminicídio (assassinatos de mulheres relacionadas a seu sexo) entre janeiro e junho de 2014.

Outras 40 mulheres morreram vítimas da falta de segurança das cidades, alerta a entidade.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Bolívia está no topo da lista de 13 países da América Latina com mais casos de violência física contra mulheres e é a segunda em termos de violência sexual.

A organização afirma que sete em cada 10 mulheres bolivianas sofreram algum tipo de violência em suas vidas.

Embora a Bolívia tenha sido reconhecida internacionalmente pelo seu sucesso na redução da pobreza, o crescimento macroeconômico e a integração com as comunidades indígenas não resolveram este grave problema.

"Por vezes tenta-se estabelecer uma relação entre superar pobreza ou lutar contra o capitalismo e reduzir a violência e discriminação contra as mulheres", diz Elizabeth Peredo.

"A Bolívia é um sinal claro de que não é assim, eles não estão superando essas estruturas tão arcaicas para permitir um verdadeiro desenvolvimento da sociedade."

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